sábado, 20 de agosto de 2016

Sinais de Descontentamento com o Chamado

Jonas 4:1-3

Se dispor a cumprir
um chamado significa
compreender que você
está a serviço de Deus
e não Ele a seu
serviço.
1 - Não aceitando a decisão divina (4:1)
    Mais de 120 mil pessoas haviam acabado de se converter e não mais sofreriam a ira do Senhor. Qualquer pregador em seu juízo perfeito estaria dando pulos de alegria. Mas Jonas não. Seus sentimentos pessoais ainda estavam acima de seu chamado e seu coração ainda não conseguia compreender a necessidade do perdão. Seu descontentamento era tão grande a ponto de ele ficar ressentido, aborrecido, irado, ou seja, a tristeza dominou seu ser interior. O que era uma mágoa contra um povo inimigo, sobre o qual ele esperava vingança, tornou-se numa reprovação à atitude do próprio Deus.
    Não são poucos os casos de pessoas muito usadas nas mãos do Senhor que por vezes se encontram descontentes com o resultado de seu trabalho. O que leva a isso é o fato que muitos possuem seus próprios conceitos de justiça tanto em relação ao próximo como a si mesmos. Muitos estão como Jonas: acham que sua pregação é para deixar o pecador consciente de que ele merece o inferno e torna-lo ainda mais culpado por sua condenação, e outros estão insatisfeitos em relação à sua própria condição como mensageiros, pois acham que deveriam ter uma vida mais confortável por estarem a serviço do Reino. Ambos os equívocos são inaceitáveis, pois, todos nós, quando erramos queremos ser prontamente perdoados (Mt 18:23-27), então, não querer o perdão dos demais pecadores é hipocrisia (Mt 18:28-35); e no que se refere aos nossos “merecidos” privilégios como ministros do Evangelho, começando pelo próprio Jesus (Mt 8:20), vemos pela vida dos demais personagens bíblicos que a Obra requer um grande esforço pessoal (2ª Co 12:10,15; Hb 11:36-38).

2 - Julgando por si próprio sem considerar a misericórdia de Deus (4:2)
    Aqui o profeta revela o porquê de sua fuga para Társis: de fato, ele não queria o perdão para aquele povo. Obviamente, é compreensível sua reação emocional como ser humano, pois milhares de seu povo haviam perecido nas mãos dos assírios; no entanto, como servo de Deus, ele demonstrou estar longe do seu santo caráter. Sim, devemos compreender também que ele vivia sob os ensinamentos da Lei Mosaica, a qual punia severamente aqueles que derramavam sangue. Porém, ainda assim, não tinha ele o direito de questionar com Jeová sua decisão de conceder àqueles cruéis sanguinários uma oportunidade de salvação, principalmente porque deve-se considerar que aquele povo não conhecia a Lei e agia na total ignorância. Mas o coração de um profeta ressentido não conseguia compreender e tampouco aceitar isso.
    Você já parou para pensar quantas vezes pode ter julgado por si próprio e desconsiderado a justiça divina? Muitas vezes, diante de um pecador, pregamos achando que ele não merece salvação, oramos achando que ele não merece cura, ajudamos achando que ele não merece ajuda, enfim, fazemos o bem achando que Deus está aguardando o momento de lhe dar seu merecido mal; mas será que nós próprios somos merecedores da salvação, da cura, de ajuda ou de qualquer tipo de bem (1ª Co 15:9,10)? Sem agir com misericórdia, também não alcançaremos misericórdia (Mt 5:7; 6:14,15).

3 - Decepcionado com os resultados do seu ministério (4:3)
    A situação estava tão séria que nesse ponto ele já começa a apresentar sinais depressivos: ele pediu a morte. Em seu interior, ele parecia não acreditar que havia sido usado por para levar salvação ao principal inimigo de Israel. Era algo tão terrível plantado em seu coração que ele parecia se sentir traído pelo próprio Deus. Sua vida e seu chamado profético não tinham mais sentido, pois ele acabara de ter sido um instrumento utilizado em favor daqueles que oprimiam a soberania de seu povo: aqueles que até então, pelo seu conhecimento, eram os únicos com o privilégio de ser a única nação escolhida por Deus.
    Seja qual for seu dom - ou dons - você se sente decepcionado com a forma como o Senhor te usa ou com os resultados do seu trabalho na Obra? Você já parou para pensar em dois detalhes? Quem te concedeu esses dons e a quem pertence a Obra? Pode o barro dizer ao Oleiro o que Ele deve fazer (Rm 9:20,21)? Não adianta traçarmos planos “profetizando” por nossa vontade própria o que o Senhor tem que fazer apenas porque acreditamos que isso é justo. Nossos pensamentos não podem compreender os insondáveis propósitos divinos (Is 55:6-9). O fato de sermos chamados filhos de Deus não nos torna superiores aos que vivem na perdição; por piores que eles sejam, temos nós a obrigação de desejar que eles alcancem a misericórdia (Mt 20:14,15; Lc 15:25-32). Uma das principais características de um mensageiro do Reino é a prática do amor (Fp 1:21; Mc 12:30,31).

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