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terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Teoria que Nega a Existência do Inferno

Crer que após a grande destruição
a terra será reconstruída e os
pecadores ressuscitarão tendo a
oportunidade de seguir a Cristo
em vez de partirem para o inferno,
contraria totalmente a doutrina
bíblica que ensina com clareza
que após a morte, segue-se o
julgamento divino, o qual será
segundo seus atos na terra.
    Uma das mais conhecidas doutrinas das Testemunhas de Jeová é a negação de que os condenados vão para o inferno[1]. Tal afirmação têm sido, ao longo dos tempos, parte das principais características que as identificam e diferem dos demais segmentos religiosos, independentemente de serem cristãos ou não. Muitas pessoas - principalmente nós, evangélicos pentecostais­ - questionam quais são seus fundamentos para contradizer as claras exposições bíblicas que confirmam a existência do inferno como meio de condenação àqueles que não se converterem e obedecerem a Cristo. Para esclarecer dúvidas que têm causado muita confusão sendo o motivo da desconversão de alguns crentes incautos[2] (Rm 16:17,18), analisaremos biblicamente.
    As Testemunhas de Jeová não somente negam que os não salvos irão para o inferno, como também não admitem a existência do mesmo. Segundo sua crença, elas apenas interpretam a palavra inferno em seu significado original com sentido literal: sepultura ou mundo dos mortos, assim afirmando que, considerando-se que o corpo é sepultado, todos vão para o inferno, mas isso não significaria tormento eterno para os condenados. Com relação aos mortos não-salvos, creem eles que a eternidade no lago de fogo contrarie o amor e a misericórdia de Deus (1ª Jo 4:8), e usando os argumentos bíblicos de que o homem foi tomado da terra e para ela tornará (Gn 3:19; Sl 146:4) e que aquele que está morto será justificado do pecado (Rm 6:7), sustentam a teoria de que os mortos não sofrem porque estão dormindo (Jo 11:11) e não podem ouvir, ver e nem pensar (Ec 9:5,10), assim tentando provar a impossibilidade de existir um tão terrível lugar de castigo; seguindo essa linha de raciocínio, creem que os que morrerem em pecado terão uma segunda oportunidade de obedecer a Cristo e viverem eternamente no paraíso na terra. Para elas, a parábola[3] de Jesus sobre o rico e Lázaro (Lc 16:19-31) não poderia ser interpretada literalmente, pois se trataria de uma simbologia que retrata o início da Igreja Cristã, na qual Lázaro representaria os judeus pobres e o rico seria a classe opressora que, com a existência do cristianismo, passaria a ser desfavorecida por Deus diante dos pobres, sendo espiritualmente inferior a eles; e quanto à expressão usada por Jesus “onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga” (Mc 9:43-48), na Tradução do Novo Mundo os versículos 44 e 46 simplesmente não existem - segundo seus seguidores, a Bíblia que usamos é que tem versículos a mais -, e o 48 está traduzido da seguinte forma: “onde os vermes não morrem e o fogo não é apagado”, interpretando-o como somente sendo uma referência ao vale de Hinom[4], que era uma lixeira fora dos muros de Jerusalém aonde o fogo ficava permanentemente aceso queimando cadáveres de animais e de malfeitores.
    Mas o que a Bíblia realmente diz sobre o inferno? Em nossas versões normais essa palavra aparece 46 vezes, mas é preciso saber analisar o que esse termo significa ou representa em cada uma das citações. Como as Escrituras nos revelam, após a morte, todos - salvos ou não - estão com seu destino nas mãos de Deus (Ec 12:7; Mt 10:28; Lc 23:46); porém, seu destino não é o mesmo, pois os salvos vão para o Paraíso (Lc 23:42,43; 2ª Co 5:8; Fp 1:23) e os pecadores para o hades[5] (Pr 15:24; At 2:27,31). Mas é importante saber que o hades não é o destino final dos pecadores, porque embora seja sim um lugar de sofrimento, ele é temporário e também será lançado no lago de fogo (Ap 20:14). Isso significa que o inferno definitivo ainda não foi inaugurado, pois seus primeiros moradores somente serão mandados para lá quando Jesus Cristo voltar para julgar o AntiCristo[6] e o Falso Profeta[7], após a Grande Tribulação[8] (Ap 19:20[9]), lançando-os ali e, depois, o Diabo e seus anjos (Ap 20:10); assim como também, após o Juízo Final[10], todos os ímpios (Ap 20:15; 21:8).
    Se Deus é misericordioso, como pode permitir o sofrimento eterno de alguém? Realmente, em 1ª João 4:8 está escrito que quem não ama não conhece a Deus porque Deus é amor; porém, não se pode confundir o amor divino, como também a misericórdia, com tolerância em relação àqueles que não se arrependem. Ao longo de toda a história, podemos ver na própria Bíblia que Jeová permitiu a morte de muitos que afrontaram a Ele ou ao seu povo, mas não fez isso com prazer (Ez 18:32; 33:11), e sim para aplicar duramente sua justiça contra os pecadores (Dt 32:35-38; Rm 12:19; Hb 10:26-31). Sua misericórdia o leva a dar ao homem diversas oportunidades, mas esse precisa saber aproveitá-las para não ter que arcar com as consequências negativas dos seus atos (Rm 6:23a; 1ª Co 6:9,10[11] [12]), pois ao culpado Ele não terá por inocente (Êx 34:6,7; Nm 14:18). As Escrituras revelam ainda que Ele é tardio em se irar (Na 1:3a), mas não diz que Ele não se ira. Se não fosse haver castigo eterno para os pecadores, a pregação do Evangelho não se faria tão necessária; afinal, quem não fosse salvo também não seria condenado. Estariam então nossos queridos amigos Testemunhas de Jeová andando em vão de baixo de sol e chuva para anunciar o Reino de Deus?
    Existe consciência após a morte? As afirmações de Gênesis 3:19 e Salmos 146:4 sobre a volta do homem ao pó da terra, se referem apenas ao seu corpo físico e não à sua alma. E no que é mencionado em relação ao seu pensamento, ou estado de consciência após a morte, o que também está registrado em Eclesiastes 9:5,10, retrata apenas a situação dos falecidos em relação a sua consciência e contato com o que acontece na terra, mas não exclui a realidade de uma vida no mundo sobrenatural; as palavras de Salomão sobre os mortos não saberem coisa nenhuma e o fato de para onde eles vão não haver obra, indústria - ou projeto -, conhecimento e sabedoria e que sua memória ficou entregue ao esquecimento, significa simplesmente que a sua vida carnal cessou aqui na terra, e que lá não há o que possam fazer para mudar sua situação; no versículo 6 diz ainda que eles não têm mais parte alguma do que se faz debaixo do sol, porque nem mesmo com seus sentimentos podem ter influência ou ligação à vida terrena; poeticamente falando, é como se deles os vivos tivessem se esquecido. Assim sendo, não há nada que afirme que não haja consciência e sentido físico no mundo sobrenatural. Negar isso é apenas uma forma de tentar amenizar os efeitos do pecado e, pior ainda, contradizer as Escrituras Sagradas quanto ao que elas afirmam a respeito do lugar de tormento eterno. A morte não é um sono literal em que os sentidos não estejam ativos; as palavras de Jesus em João 11:11 que diziam que Lázaro estava dormindo são apenas uma figura de linguagem referente a morte muito comum na cultura dos judeus (Dt 31:16; Dn 12:2; 1ª Co 15:18-51).
    “Aquele que está morto está justificado do pecado”. Isso significa que todos podem ser salvos após a morte? Quanto a essa afirmação registrada na Epístola aos Romanos 6:7, ao analisar seu contexto podemos perceber que o apóstolo Paulo não está se referindo à morte literal do corpo, mas à nossa morte para o pecado quando passamos a seguir a Cristo; ou seja: ele está dizendo que a pessoa que morreu para o pecado está arrependida e não o pratica mais, assim sendo está justificada - perdoada - dos erros que cometeu no passado. Então não faz sentido usar esse versículo como base para dizer que os que morreram no pecado terão uma oportunidade de salvação após a ressurreição dos mortos. Sim, de fato, bem sabemos que a salvação é pela fé e pela Graça (Ef 2:4-10); no entanto, a obediência também faz parte dos requisitos necessários (Tg 2:24,26), e a Bíblia ainda é absolutamente clara ao dizer que após a morte  - morte física nessa vida: com esse corpo - segue-se o juízo (Hb 9:27), ou seja, o julgamento (Mt 25:31-34,41), e não menciona nenhuma possibilidade de mudança no veredicto divino (Ap 20:12). A fé não nos torna imunes a perder a graça da salvação (1ª Co 10:12) e a Graça é uma oportunidade e não uma garantia de que seremos salvos (Hb 3:1,2,7,8,12-14)! Após a morte não há possibilidade alguma de salvação (Jo 5:28,29)!
    Qual é o significado da parábola sobre o rico e Lázaro? Essa parábola narrada por Jesus em Lucas 16:19-31 tem sido a causa de discussões entre os próprios teólogos pentecostais, sendo que alguns afirmam que as versões bíblicas que, em suas epígrafes[13], a classificam como parábola estariam erradas, pois se trataria de uma história real. Uma resposta bem lógica à essa dúvida seria entender que toda a situação nela descrita em relação à condenação e à salvação é sim real e que apenas as figuras de Lázaro e do rico seriam fictícias; Jesus fez muito uso desse tipo de ilustração em seu ministério terreno; assim sendo, é sim uma parábola, porém, elaborada em um “cenário” real. Mas a questão maior não é essa, pois o que realmente importa é que o ensinamento nela contido objetiva mostrar o que existe no mundo sobrenatural, e é isso que as Testemunhas de Jeová e as demais seitas que seguem a mesma linha de raciocínio se recusam a entender. A esses, só tenho duas perguntas a fazer: Por que Jesus inventaria uma história tão absurda? E se Ele estivesse apenas profetizando a futura superioridade dos pobres convertidos ao cristianismo em relação aos ricos opressores, por que aplicar o uso de um cenário tão complicado quanto o hades e o seio de Abraão[14] sabendo que isso causaria tanta confusão entre os “sabiólogos” de plantão ao longo dos tempos? Deus é Deus de paz e não de confusão; sua Palavra é clara, no entanto, estão privados de sua interpretação os que não o seguem verdadeiramente, pois somente os espirituais entendem as coisas do Espírito. Essa parábola nada mais é do que um relato do próprio Mestre mostrando que existe sim um lugar de tormento, e a razão de tê-la contado está clara no último versículo em que Ele mostra a importância de que se dê atenção aos verdadeiros pregadores do Evangelho, crendo e obedecendo à Palavra pela fé, porque depois dessa vida não haverá outra oportunidade; e, além do mais, ainda que os profetas mortos retornassem para pregar sobre o castigo eterno, os incrédulos não acreditariam neles (Lc 16:31).
    O que Jesus quis dizer com a expressão “onde o seu bicho não morre e o fogo nunca é apagado”? Não há o que se questionar: essa é sim mais uma clara afirmação de Jesus sobre a existência do tormento eterno. Essa não é uma simples referência ao vale de Hinom, pois se Ele estava falando sobre pecados cometidos contra Deus e não sobre crimes, não tinha porque sugerir aos pecadores que eles iriam queimar nessa lixeira destinada a destruir corpos de criminosos. A expressão usada pode ser forte, mas, totalmente realista quanto à vida futura. No original, em hebraico, está empregado o termo geena - geena de fogo -, o que se traduz como inferno. Como esse termo era usado para se referir ao vale de Hinom, ele se tornou uma expressão para definir como é o lugar de tormento eterno [vide nota número 4 abaixo do texto].
    Negar a realidade do inferno, ou de um lugar de tormento eterno, é dar aos pecadores não arrependidos a falsa esperança de que não sofrerão na eternidade as consequências dos seus erros. É a mesma filosofia que diz: “Tudo que aqui se faz, aqui se paga!”; um engano maligno que expressa a ideia de que a justiça está no mundo atual, e que a morte é o fim de tudo para os que não serão salvos. Esse tipo de pensamento se explica na falsa ideia que muitos têm a respeito da misericórdia de Deus, a qual, embora se exceda à nossa e seja muito grande, é condicionada à nossa obediência e não pode ser confundida com tolerância, e não contraria a sua justiça (Rm 9:14-18).



[1]Inferno: Lugar e estado de castigo em que os perdidos estão eternamente separados de Deus (Mt 18:8-9; 25:46; Lc 16:19-31; 2ª Pe 2:4; Ap 20:14). Inferno, no Novo Testamento, traduz as palavras hades e geena (Hinom). Mundo dos mortos.
[2]Incauto: Que acredita facilmente; ingênuo.
[3]Parábola: Origináda do grego parabole, significa narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implícita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas. Narração figurativa na qual, por meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas, quando reais. Eram as histórias geralmente extraídas da vida cotidiana utilizadas por Jesus Cristo para ensinar aos seus discípulos. Segundo Marcos 4:11-12, eram utilizadas por Jesus para que somente seus discípulos as entendessem plenamente. Este gênero já era utilizado por muitos dos antigos profetas. Na Bíblia, encontramos 50 parábolas; dessas, 40 foram contadas por Jesus.
[4]Hinom: Vale situado a sudoeste de Jerusalém, entre a estrada que vai para Belém e a que vai para o mar Morto. Estava na divisa entre Judá e Benjamim (Js 15:8). Ali, antes da conquista de Canaã por Israel, numa elevação chamada Tofete, se queimavam crianças no culto a Moloque (2º Rs 23:10). Mais tarde esse lugar passou a ser usado para a queima do lixo; junto com o lixo ali depositado se incluía cadáveres de criminosos, mendigos e animais. Em Isaías 66:24 há uma breve descrição sobre esses corpos. O fogo permanecia aceso dia e noite; larvas devoravam os restos orgânicos. Esse lugar era considerado como amaldiçoado. Geena é a forma grega do hebraico ge-hinom, que quer dizer "vale de Hinom". A palavra geena ocorre 12 vezes no Novo Testamento e é traduzida por "inferno" (Mt 5:22).
[5]Hades: Lugar dos maus; também traduzido como inferno (Mt 11:23;16:18; Lc 10:15; 16:23; At 2:27,31; Ap 1:18; 6:8; 20:13,14). Na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos.
[6]AntiCristo: É uma denominação comum no Novo Testamento para designar aqueles que se oponham a Jesus Cristo, e também designa um personagem escatológico, que dominará o mundo após o arrebatamento da Igreja. O termo anticristo ocorre apenas quatro vezes na Bíblia, todas elas nas cartas do apóstolo João. As passagens são 1 João 2:18 , 2:22 , 4:3 e 2 João 1:7, onde o termo anticristo é definido como um "espírito de oposição" aos ensinamentos de Cristo. O Cristianismo crê, no entanto, que este "espírito" seja uma personificação de um "messias demoníaco" que virá nos últimos dias. Por essa razão, os cristãos creem que este anticristo é descrito em outros textos, tais como o livro de Daniel, as cartas de Paulo (como "o homem do pecado") e o Apocalipse como a "Besta que domina o mundo".
[7]Falso Profeta: Sendo o terceiro membro da trindade satânica, juntamente com o AntiCristo e Satanás, se manifestará após o arrebatamento da Igreja, durante a fase conhecida como a Grande Tribulação. Seu papel será, por meio de sinais milagrosos, levar o povo a aceitar e adorar o AntiCristo. As Escrituras Sagradas nada revelam sobre sua identidade. Os relatos bíblicos sobre ele se encontram em Apocalipse 16:13, 19,20 e 20:10.
[8]Grande Tribulação: Termo bíblico que descreve o período aflitivo que precede o arrebatamento da Igreja e antecede o Juízo Final. Após o arrebatamento, haverá um período de sete anos de sofrimento: os primeiros três anos e meio são denominados de "A Tribulação" e os outros três anos e meio de "A Grande Tribulação", pois aí a perseguição será muito mais intensa contra os cristãos que não negarem sua fé. Nesse período, o mundo inteiro estará sob o domínio do Anticristo. Esse acontecimento foi mencionado pelo profeta Daniel no capítulo 9 de seu livro; essa será a última das setenta semanas, a qual ele relata no versículo 27.
[9]Besta: Animal de quatro patas, de grande porte; animal de carga (Is 46:1). Biblicamente é linguagem figurada referente à uma criatura maligna que representa a força bruta, a imoralidade e a oposição a Deus (Is 30:6; Ap 13:1-18).
[10]Juízo Final: O tempo em que Deus, ou o Messias, julgará todas as pessoas, condenando os maus e salvando os justos (Sl 1:5; Mt 10:15; At 24:25). Será o último grande evento após o arrebatamento da Igreja; ocorrendo em seguida da grande batalha de Gogue e Magogue (Ap 20:7-9), ocasião em que os pecadores ressuscitarão para serem julgados (Is 26:19-21; Dn 12:2; Jo 5:28,29; Ap 20:12-15); será o grande julgamento do trono branco (Ap 20:11-15).
[11]Devasso: Depravado, indecente, pervertido, imoral, degenerado, corrompido, corrupto. Aquele que abusa da liberdade.
[12]Sodomita: Nascido ou habitante de Sodoma: cidade que foi destruída por Deus junto com Gomorra devido à imoralidade sexual. Homossexual (1ª Tm 1:10).
[13] Epígrafe: Inscrição por cima. Sentença ou divisa posta no frontispício de um livro ou capítulo, no começo de um discurso ou de uma composição poética; tema. Inscrição colocada no ponto mais visível de um edifício.
[14]Seio de Abraão: Céu; Paraíso. É um termo que a expressa a ideia de "estar próximo ao peito", ou seja: junto, protegido, guardado.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A Negação da Divindade de Jesus

Embora falem bastante
sobre Jesus, a visão das
Testemunhas de Jeová a
respeito dEle não condiz
com o que realmente diz a
Bíblia; um de seus maiores
erros é negar a sua divindade.
    Antes de refutar essa heresia[1] defendida pelas Testemunhas de Jeová, como também por outras seitas[2] (1ª Co 2:14), precisamos entender o que significa Trindade[3]. Resumidamente, ao contrário do que muitos pregam - alguns ofensivamente dizendo que cremos num bicho de três cabeças -, não se trata de crer na existência de três deuses (1ª Jo 5:7), mas saber que Deus se manifesta em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É óbvio que explicar a Trindade, assim como entende-la, não é tão simples assim, pois se trata de conhecer a personalidade de Deus, o que é um mistério que está muito acima da capacidade da comum compreensão humana; no entanto, não é impossível perceber que existem atributos[4] divinos tanto em Jesus (Jo 10:30) quanto no Espírito Santo (Jo 14:16,17). No que se refere ao nosso Salvador, negar sua deidade[5] é o mesmo que negar seu sacrifício, pois tal ato o reduz a um mero ser celestial encarnado num corpo humano sem a devida pureza para tal missão.
    Segundo a doutrina ensinada pelas Testemunhas de Jeová, Jesus é apenas divino, ou seja: Ele apenas provém - ou procede -, de Deus, assim como qualquer coisa que deva ser respeitada por ser considerada sagrada. Com esse argumento tentam nos confundir afirmando que não negam a divindade - ou deidade - de Cristo. De acordo com sua interpretação, o fato de Jesus ser tratado como filho e ter recebido poder sendo enviado por Jeová[6] à terra é uma prova de que Ele não é Deus. Como reforço à essa linha de pensamento, o comparam ainda com Moisés que também foi enviado para uma missão especial e, na Bíblia, é também chamado de Deus, mas nem por isso é Deus. Afirmam eles ainda que Ele seja um deus, ou simplesmente semelhante a Deus; não seria isso contraditório? Para se defenderem, ao negar que não creem na existência de mais de um Deus, simplesmente o comparam aos anjos e aos juízes humanos, os quais a Bíblia também menciona como deuses.
    Então vejamos aqui as suas falhas na interpretação bíblica: Dizer que Jesus é apenas divino - que Ele apenas provém de Deus -, é uma tentativa de diminui-lo ao mesmo nível de objetos que no Antigo Testamento foram considerados sagrados como, por exemplo, a Arca da Aliança e os demais objetos inseridos no tabernáculo e posteriormente no templo. As Escrituras Sagradas nos ensinam que Ele não é uma mera criatura, Ele está acima de tudo o que foi criado (Fp 2:9-11) e, inclusive, já existia no princípio dos tempos também fazendo parte do comando da criação (Jo 1:1-3[7]; Gn 1:26a; Cl 1:12-18[8] [9] [10]; Hb 1:8-10[11] [12]) e sua existência é eterna (Hb 13:8; Ap 1:8[13] [14]). O fato de Ele ser chamado de Filho de Deus apenas expõe a sua situação naquele momento em que Ele se esvaziou da sua glória, de forma física, ocupando um corpo humano temporariamente para habitar na terra e cumprir sua missão de sacrifício em nome da salvação daqueles que o reconhecessem como o Salvador (Jo 1:9-12,14; Fp 2:5-8[15]). Usar argumentos como os fatos  de que Moisés, os juízes e os anjos também foram chamados de deuses (Êx 7:1; Sl 82:1-7; 138:1) não tiram sua real divindade, pois tais afirmações apenas consistem numa figura de linguagem que os apresenta como representantes - ou embaixadores -, de Deus.
    Assim sendo, podemos afirmar que todas as refutações ao deísmo messiânico são apenas falhas de interpretação; seja de forma intencional ou não, eles apenas estão considerando a condição física da pessoa de Cristo como Messias na figura do homem encarnado. A maior dificuldade em se entender a Trindade está na compreensão da separação pessoal entre os três seres. Para clarear a mente em relação a isso, basta raciocinar da seguinte forma: como pessoas eles são três distintos: um não é o outro; o que os une é a divindade, a qual pertence a cada um dos três constituindo um só Deus. Resumindo: são três pessoas distintas que participam da mesma deidade. Cada um tem sua função, mas a divindade é a mesma. O Pai não é o Filho e nem o Espírito Santo, o Filho não é o Pai e nem o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai e nem o Filho; mas os três são  o mesmo Deus [não três deuses].
    Analisemos, então, biblicamente essa questão e, para que não pareça haver imparcialidade ou perseguição religiosa, usaremos, além da versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), a Tradução do Novo Mundo (TNM); vejamos alguns dos versículos mais utilizados em relação a esse assunto:
Jo 1:1-3
    (ARC) "No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2Ele estava no princípio com Deus. 3Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. 4Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens;"
    (TNM) "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um deus. 2Ele estava no princípio com Deus. 3Todas as coisas vieram a existir por meio dele, e sem ele nem mesmo uma só coisa veio a existir.”

Jo 1:9-12,14
    (ARC) "Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo, 10estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu. 11Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome, 14E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."
    (TNM) "Estava para vir ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todo tipo de pessoas. 10Ele estava no mundo, e o mundo veio a existir por meio dele, mas o mundo não o conheceu. 11Ele veio ao seu próprio povo, mas eles não o aceitaram. 12No entanto, a todos os que o receberam, ele deu autoridade para se tornarem filhos de Deus, porque exerciam fé no seu nome. 14De modo que a Palavra se tornou carne e residiu entre nós, e nós vimos a sua glória, uma glória como a de um filho unigênito de um pai; ele estava cheio de favor divino e de verdade.”

Jo 10:30
    (ARC) "Eu e o Pai somos um."
    (TNM) "Eu e o Pai somos um.”

Fp 2:5-8
    (ARC) "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. 7Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; 8e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz."
    (TNM) "Mantenham a mesma atitude que Cristo Jesus teve: 6embora ele existisse em forma de Deus, não pensou numa usurpação, isto é, em ser igual a Deus. 7Pelo contrário, ele abriu mão de tudo que tinha, assumiu a forma de escravo e se tornou humano. 8Mais do que isso, quando veio como homem, ele se humilhou e se tornou obediente a ponto de enfrentar a morte, sim, morte numa estaca.”

Fp 2:9-11
    (ARC) "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, 10para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, 11e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai."
    (TNM) "Por essa razão, Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome, 10a fim de que, diante do nome de Jesus, se dobre todo joelho - dos que estão no céu, na terra e debaixo do chão - 11e toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai.”

Cl 1:12-18
    (ARC) "dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz. 13Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor, 14em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; 15o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. 17E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. 18E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência,"
    (TNM) "ao passo que agradecem ao Pai, que os habilitou para participar na herança dos santos na luz. 13Ele nos livrou da autoridade da escuridão e nos transferiu para o reino do seu Filho amado, 14por meio de quem temos o nosso livramento por resgate, o perdão dos nossos pecados. 15Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16pois por meio dele foram criadas todas as outras coisas nos céus e na terra, as coisas visíveis e as coisas invisíveis, quer sejam tronos, quer domínios, quer governos, quer autoridades. Todas as outras coisas foram criadas por meio dele e para ele. 17Também, ele já existia antes de todas as outras coisas, e por meio dele todas as outras coisas vieram a existir. 18E ele é a cabeça do corpo, que é a congregação. Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para se tornar aquele que é o primeiro em todas as coisas;”

Hb 1:8-10
    (ARC) "Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino. 9Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros. 10E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos;"
    (TNM) "Mas a respeito do Filho ele diz: “Deus é o seu trono para todo o sempre, e o cetro do seu Reino é o cetro da retidão. 9O senhor amou a justiça e odiou o que é contra a lei. É por isso que Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.” 10E: “Ó Senhor, no princípio lançaste os alicerces da terra, e os céus são obras das tuas mãos.”

Hb 13:8
    (ARC) "Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente."
    (TNM) "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.”

1ª Jo 5:7
    (ARC) "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um."
    (TNM) "Pois são três os que dão testemunho:”

Ap 1:8
    (ARC) "Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-poderoso."
    (TNM) "“Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz Jeová Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-Poderoso”."

    Como pudemos observar nas comparações acima, algumas citações bíblicas que comprovam a divindade de Jesus foram alteradas ou simplesmente omitidas na Tradução do Novo Mundo; no entanto, boa parte dos seus escritos tem o mesmo sentido de nossas versões bíblicas, mas, ainda sim, insistem em interpretar de acordo com sua própria doutrina. Como confiar em um grupo religioso que manipula ao invés de manejar bem a Palavra de Deus (Ap 22:18,19; 2ª Tm 2:15)? As Testemunhas de Jeová afirmam ainda que a ressurreição de Cristo não foi física, mas apenas espiritual, sendo que as Escrituras Sagradas mostram o contrário (Lc 24:39; At 1:11). Quanto às afirmações de que Jesus é apenas um ser criado (Sl 2:7; At 13:33; Hb 1:5; 5:5), as citações bíblicas que poderiam insinuar isso não devem ser interpretadas literalmente; pois o ato de “gerar” representa simplesmente o fato de que Deus, nesse momento, demonstrava seu reconhecimento em relação a Ele, usando a linguagem figurada do nascimento de um filho, na verdade apresentando-o ao mundo como seu enviado, como se dissesse: “Hoje estou gerando um rei!”, não significando que Ele tivesse nascido naquele momento. Qual seria a intenção de uma organização religiosa em negar isso? Simples falhas de entendimento ou desvio consciente por alguma conveniência ou vontade de ser diferente dos demais grupos cristãos? Sejam suas heresias apóstatas[16] ou não, o grande problema é que tais erros estão confundindo a muitos, tirando-lhes a visão de quem é realmente o Senhor Jesus Cristo (Mt 18:11).


[1]Heresia: Doutrina, muitas vezes praticada de forma inconsciente, que se opõe aos dogmas da Igreja. Absurdo, contrassenso, disparate. Ato ou palavra ofensiva à Deus ou à religião.
[2]Seitas: Grupo religioso que se separa de um corpo maior ou primitivo. Grupo de pessoas que seguem determinados princípios ou doutrinas diversas dos geralmente aceitos no respectivo meio.
[3]Trindade: A união das três pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo - formando um só Deus. Deus é ao mesmo tempo uno e trino (Mt 3:13-17; 28:19; 2º Co 13:13).
[4]Atributo: Aquilo que é próprio de um ser; qualidade (Rm 1:20).
[5]Deidade: Divindade.
[6]Jeová: Significa "Senhor". (Hebr.: YHVH, Javé.) Nome de Deus, cuja tradução mais provável é "o Eterno" ou "o Deus Eterno". Javé é o Deus que existe por si mesmo, que não tem princípio nem fim (Êx 3:14; 6:3). Seguindo o costume que começou com a Septuaginta, a grande maioria das traduções modernas usa "Senhor" como equivalente de YHVH (JAVÉ). A RA (Revista e Atualizada) escreve "SENHOR". A forma JAVÉ é a mais aceita entre os eruditos. A forma Jeová (Jehovah), que só aparece a partir do ano 1518, não é recomendável por ser híbrida, isto é, consta da mistura das consoantes de YHVH (o Eterno) com as vogais de Adonai (Senhor).
[7]Verbo: Palavra (Jo 1:1-14). Jesus é o Logos (1ª Jo 1:1; Ap 19:13), isto é, a Palavra, que é mais do que expressão falada: é Deus em ação, criando (Gn 1:3), se revelando (Jo 10:30) e salvando (Sl 107:19-20; 1ª Jo 1:1-2).
[8]Principado: Dignidade de príncipe. Território cujo governo pertence a um príncipe ou a uma princesa. Mencionado na Bíblia também em referência a espíritos, sejam eles bons ou maus (1ª Co 15:24; Ef 1:21; 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10,15).
[9]Potestade: Potência, força, poder. A divindade suprema, segundo a religião. Potentado.
[10]Preeminência: Posição superior (Cl 1:18); (1ª Tm 3:13).
[11]Cetro: Bastão que designava autoridade real. Pequeno bastão, que tem na extremidade superior uma esfera, uma flor ou outro ornamento e é usado pelos soberanos europeus. Autoridade real; poder soberano. Preeminência, superioridade.
[12]Equidade: Moderação. Imparcialidade. Justiça. Igualdade. Retidão.
[13]Alfa: A primeira letra do alfabeto grego. Quando mencionada em relação a Jesus significa “princípio”.
[14]Ômega: A última letra do alfabeto grego. Quando mencionada em relação a Jesus significa “o fim”.
[15]Usurpação: Ato de usurpar (apoderar-se de algo com fraude ou violência). Apoderação em proveito próprio de uma dignidade pertencente a outrem.
[16]Apóstata: O que pratica a apostasia (abandono ou desvio público e consciente de uma religião, de uma doutrina, opinião ou da própria fé).

domingo, 28 de outubro de 2012

A recusa da transfusão de sangue

Colocar a vida humana em 
risco em nome de uma crença: 
prova de fé ou fanatismo 
religioso?
    Uma das mais conhecidas doutrinas do grupo religioso Testemunhas de Jeová é a proibição da transfusão de sangue. Tal prática é seguida e respeitada por seus membros desde 1945, quando seu Corpo Governante, sob o comando de Nathan Knorr, assim determinou, sendo que, antes disso, seu próprio fundador, Charles Taze Russel - falecido em 1916 -, chegou a defendê-la, e Joseph Franklin Rutheford, seu sucessor - falecido em 1942 -, jamais se pronunciou contra ela. Como bem sabemos, esse grupo é conhecido por suas peculiares regras, muitas vezes extravagantes, as quais eles defendem radicalmente em nome de uma fé baseada no que está escrito em sua Bíblia: a Tradução do Novo Mundo.
Muitos pacientes membros da
seita somente puderam receber
os devidos cuidados médicos
mediante a intervenção da
Justiça, como o caso que
vemos acima (clique para
ampliar e leia o texto).
    Ao longo dos tempos, essa prática tem causado muita polêmica e provocado sérios problemas aos seus praticantes. São muitos os casos de membros da associação que tiveram sérios agravamentos de doenças e vários outros que chegaram até mesmo a morte por recusarem uma transfusão. Inclusive, alguns profissionais da área da saúde respondem a processos por permitirem a interferência de familiares que os impediram de realizar uma troca de sangue; pois, médicos especialistas, quando tomam uma decisão, têm - ou deveriam ter - total autonomia sobre o paciente para procederem com todas as medidas necessárias exigidas no tratamento priorizando a vida humana, não importando quais princípios religiosos, morais ou sociais isso venha a ferir; e os que se recusam a tomar as medidas corretas - tanto os profissionais quanto os familiares - podem ser devidamente indiciados por omissão de socorro e até mesmo por homicídio.
    Biblicamente, as argumentações utilizadas pelos seus Almeida Revista e Corrigida (ARC), a Tradução do Novo Mundo (TNM); vejamos alguns dos versículos mais utilizados em relação a esse assunto:
O sangue - tanto humano 
quanto animal - era derramado 
na terra como símbolo da 
devolução da vida para onde 
ela veio; porém, apesar do 
sangue não poder ser usado 
como alimento, Deus não o 
proibiu de usá-lo para salvar 
outras vidas.
teólogos são as seguintes: desde a criação do homem, até o estabelecimento da lei mosaica, e com confirmações no Novo Testamento, as Escrituras Sagradas revelam uma postura divina totalmente contrária a utilização do sangue, porque ele representa a vida e deve ser devolvido a terra. Realmente, não podemos negar essa realidade, mas o que questionamos é a interpretação fora de contexto e a sua aplicação na prática. Analisemos, então, biblicamente essa questão e, para que não pareça haver imparcialidade ou perseguição religiosa, usaremos, além da versão

  •     Gênesis 9:4
    (ARC) "A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis."
    (TNM) "Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer."

  •     Levítico 3:17
    (ARC) "Estatuto perpétuo é pelas vossas gerações, em todas as vossas habitações: nenhuma gordura nem sangue algum comereis."
    (TNM) "É um estatuto por tempo indefinido para as vossas gerações, em todos os vossos lugares de morada: Não deveis comer nenhuma gordura nem sangue algum."

  •     Levítico 7:27
    (ARC) "Toda a pessoa que comer algum sangue, aquela pessoa será extirpada do seu povo."
    (TNM) "Toda alma que comer qualquer sangue, esta alma terá de ser decepada do seu povo."

  •     Levítico 17:10,11,14
    (ARC) "E qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei a minha face, e a extirparei do seu povo. 11Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma. 14Porquanto a vida de toda a carne é o seu sangue; por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o comer será extirpado."
    (TNM) "Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei minha face contra a alma que comer o sangue, e deveras o deceparei dentre seu povo. 11Pois a alma da carne está no sangue, e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma [nele]. 14Pois a alma de todo tipo de carne é seu sangue pela alma nele. Por conseguinte, eu disse aos filhos de Israel: “Não deveis comer o sangue de qualquer tipo de carne, porque a alma de todo tipo de carne é seu sangue. Quem o comer será decepado [da vida]."

  •     Levítico 19:26
    (ARC) "Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis."
    (TNM) "Não deveis comer coisa alguma com sangue. Não deveis procurar presságios e não deveis praticar a magia."

  •     Atos 15:19,20,29; 21:25
    (ARC) "Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. 20Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. 29Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. 21:25Todavia, quanto aos que creem dos gentios, já nós havemos escrito, e achado por bem, que nada disto observem; mas que só se guardem do que se sacrifica aos ídolos, e do sangue, e do sufocado e da prostituição."
    (TNM) "Por isso, a minha decisão é não afligir a esses das nações, que se voltam para Deus, 20mas escrever-lhes que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue. 29de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós! 21:25Quanto aos crentes dentre as nações, já avisamos, dando a nossa decisão, de que se guardem do que é sacrificado a ídolos, bem como do sangue e do estrangulado, e da fornicação."

Na tentativa de alcançar a cura por 
meio de tratamentos alternativos, 
nem sempre se obtém sucesso: esse
foi o caso de José Mestre, 
Testemunha de Jeová convicto que 
recusou transfusão de sangue e um 
simples tumor que poderia ser 
removido chegou a 15 quilos e o 
deixou cego da vista esquerda.
    Como podemos observar - em ambas as versões -, nas cinco referências citadas do Antigo Testamento, a determinação divina fala claramente sobre a proibição de comer sangue, e nas referências de Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, quando falam de se abster das contaminações dos ídolos, as quais consistem em sangue e carne sufocada, ou seja: carne de um animal morto que não teve seu sangue derramado, os textos referem-se a mesma coisa: não comer sangue. Além do mais, essas declarações se referem a sangue animal e não humano; caso contrário, haveria então canibalismo entre o povo de Deus? Como é perfeitamente possível perceber, o verbo comer, e citações diretas a ele, estão explicitamente claras nessas afirmações bíblicas. Literalmente, na lingua portuguesa, o significado da palavra comer é definido como "levar à boca, mastigar e engolir; tomar por alimento. Carcomer, roer, consumir."; sendo assim, deve-se concluir que somente se considera "comer" o ato de "levar à boca e engolir". Dessa forma, as interpretações bíblicas que utilizam esses versículos para justificar a proibição da transfusão estão equivocadas, pois esse processo de tratamento consiste em injetar o sangue nas veias por meio de agulhas para suprir uma necessidade vital do organismo e não na boca para exercer uma função alimentar.
A Bíblia é a base de fé e regra de  
conduta de todos os cristãos, mas, 
se for mal interpretada pelas 
lideranças religiosas, em vez de 
conduzir à salvação, pode levar 
ao abismo.
    Por que Jeová nos proibiu de comer sangue? Primeiramente, é uma questão de respeito pela vida; pois um animal morto, enquanto tem sangue, ainda está portando dentro de si aquilo que o mantinha vivo: a circulação sanguínea é responsável pela manutenção de toda a sua estrutura orgânica, pois as suas principais funções são transportar oxigênio, coagular em caso de hemorragia e transportar nutrientes. Além disso, outras grandes razões que tornam o sangue indigesto são os fatos de que, além de ter um péssimo sabor, ele é anti-higiênico, sendo nocivo à saúde por conter um alto poder de contaminação; e, quando cessa sua vida,  apodrece rapidamente: seu cheiro torna-se insuportável e ele acaba sendo composto por várias toxinas venenosas. Inquestionavelmente, os princípios divinos estão ligados aos cuidados com a saúde do ser humano; porém, como já observamos em nossa análise linguística, comer nada tem a ver com fazer transfusão.
São várias as histórias de fiéis que 
perderam sua vida em nome de sua 
fé em Deus; não podemos julgar o 
destino dessas almas, porém, o 
preço de cada uma delas será 
devidamente cobrado daqueles que 
as conduziram ao erro.
    A transfusão faz-se necessária quando o indivíduo perde uma grande quantidade de sangue, pois a composição sanguínea representa 1/13 do peso total do corpo humano, ou seja: uma pessoa que pesa 65 quilos tem 5 litros de sangue, e ela não consegue sobreviver se perder a metade desse líquido. O processo dessa perda é chamado de dessangramento: ele provoca uma anemia aguda, a qual proporciona graves consequências, inclusive a morte. Quando isso ocorre, o salvamento de sua vida somente é possível através da substituição da quantidade que foi perdida, e a única maneira de fazer essa reposição é através da transfusão.
Com seu sangue Ele nos salvou, 
o que temos feito pela vida do 
nosso próximo?
    As Testemunhas de Jeová - apesar das falhas de interpretação - demonstram ter um grande zelo pelas leis de Deus, incluindo as determinações do Antigo Testamento. Porém, já que - não lhes bastando a graça de Cristo - querem cumprir a lei mosaica, por que não a cumprem literalmente (Gl 5:3,4)? Sei que seria demais esperar que eles apedrejassem os pecadores que possivelmente venham a existir em seu meio (Lv 20:1-27), mas o que nos decepciona é que impedindo o salvamento de vidas, eles estão violando um dos mais nobres mandamentos: "não matarás." (Êx 20:13; Dt 5:17). Ser contra a transfusão é desrespeitar o grande exemplo dado pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pois foi Ele quem fez a maior doação de sangue de todos os tempos (Ef 2:13; 1ª Jo 3:16).

Jonas M. Olímpio