segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Dar Uns “Amassos” Durante o Namoro, Pode?

Liberdade excessiva e
falta de temor a Deus é
o que leva muitos
jovens casais a
"amassar" sua vida
espiritual não
resistindo às tentações
sexuais.
    Só pra iniciar o nosso bate-papo, quero dizer que, na Bíblia, esses amassos têm o seguinte nome: fornicação[1]. E, por sua vez, fornicação nada mais é do que o pecado da luxúria (atração por prazeres sexuais); uma relação sexual ilícita; em outras palavras: é um ato de imoralidade que consiste em pecado por ferir os mandamentos divinos (Êx 20:14[2]). Essa é uma das tentações mais difíceis de se resistir por um simples motivo: o sexo proporciona muito prazer e quanto mais é praticado, mais provoca desejo. E, da mesma forma, até mesmo muitos adolescentes e jovens que ainda não o praticaram, mas somente pelo fato de já terem desenvolvido em seu corpo os membros criados para o ato sexual e a mente já repleta de informações a respeito do quanto isso é prazeroso, o torna tão desejável quanto aquele prato caríssimo que você nunca comeu, mas fica com a boca cheia d’água só por imaginar em saboreá-lo. Essa curiosidade seguida de uma intensa vontade leva a maioria a um processo quase inevitável: pornografia, masturbação, exploração do corpo do namorado(a) e, finalmente, a prática literal do sexo. Essa tem sido a maior das razões pela qual muitos, nessa faixa etária, têm se afastado do Evangelho; pois os que não conseguem resistir sentem-se sufocados pela doutrina bíblica e acabam por optar por uma vida de “liberdade” em que a única regra é “o que importa é ser feliz”: essa é a mensagem de Satanás, e ele prega isso muito bem (1ª Tm 4:1-3[3]).
    Quando se fala de fornicação, sempre surgem algumas velhas e polêmicas questões, vamos analisar algumas delas:
    “Mas e se o casal se ama?” - A confusão existente em torno desse sentimento é uma das armadilhas mais usadas pelo inimigo para conduzir o ser humano ao inferno. Pois é em nome disso que muitas pessoas desprezam quem realmente as ama, abandonam a família e perdem a sua integridade moral, entregando-se ao pecado para provar que amam ou para viverem a satisfação de um mero desejo carnal. Muitos jovens casais fazem uso desse argumento para justificar sua relação de intimidade proibida. Diante dessa situação, tenho outra pergunta a fazer: esse amor é verdadeiro? A Bíblia resume todos os mandamentos no amor, destacando que o principal é o amor a Deus (Mt 22:37,38). Agora, como alguém que diz que o ama pode ser capaz de traí-lo dessa forma, praticando um ato de impureza que Ele repudia terminantemente (Hb 13:4[4])? Quem ama a Deus deve respeitá-lo acima de tudo; assim, automaticamente, vai também respeitar aquela pessoa a quem diz que ama (Mt 22:39), não levando-a a pecar e a perder a sua moral. Um casal de namorados que realmente se ama também se respeita e se ajuda. Dessa forma, em vez de caírem mutuamente no pecado, edificam um ao outro orando, lendo a Palavra, adorando e fazendo a Obra do Senhor juntos (Sl 101:6). Essa é a maior prova de amor que se pode dar a alguém.
    “E se os dois têm o objetivo de se casar?” - Ter o objetivo de assumir uma responsabilidade futura não dá a ninguém o direito de se adiantar; por acaso você recebe o pagamento antes de trabalhar? Sexo é uma conjunção carnal[5], e conjunções carnais somente devem ser praticadas entre o esposo e a esposa; e um namorado e uma namorada ainda não são considerados como um esposo e uma esposa. Uma das melhores coisas da vida é o efeito do “elemento surpresa”: é aquele lance da expectativa, da ansiedade, do preparo e da sensação de felicidade ao receber o prêmio depois da missão cumprida. O sexo no casamento é basicamente isso; se for feito antes, a lua de mel já perde seu sentido, pois a principal “magia” do inicio de uma vida matrimonial é principalmente a descoberta da intimidade do cônjuge; se não tiver mais isso, se casar não representará nada mais do que simplesmente se unir oficialmente. E sabe o que é pior? Para os que são tementes ao Senhor, haverá o incômodo da sensação de culpa por saber que mentiu perante a família, a igreja e a sociedade fazendo algo que o desagradou (Sl 119:67,71), e ainda também o peso da lei da semeadura (Jó 4:8; Sl 7:15; Jr 4:18): isso explica porque muitos casais são infelizes, inclusive na área sexual.
    “Ninguém é de ferro, como resistir à fraqueza da carne?” - Tá certo. Vamos fazer tudo o que der vontade então, e depois é só explicar que ninguém é de ferro e tá tudo resolvido; qualquer coisa é só culpar o Diabo, pois ele vive provocando o nosso ponto fraco, não é mesmo? Esse tipo de argumento, as vezes, pode até funcionar perante o homem, mas não diante de Deus. Se a Bíblia nos ordena a resistir ao Diabo garantindo que, se assim fizermos, ele fugirá de nós (Tg 4:7), isso significa que ele só age quando nós permitimos (1ª Pe 5:8,9). Negando isso, simplesmente, negamos a Palavra de Deus. O mal do ser humano é tentar justificar suas fraquezas em vez de assumi-las e combatê-las (Pr 28:13,14). Sim, de fato, o sexo é uma das maiores - senão a maior - das tentações; porém, não há nada e nem ninguém que possa nos obrigar a fazer aquilo que realmente não queiramos ou pelo menos não tenhamos a intenção de fazer. A natureza carnal pode sim ser vencida começando pela simples atitude da determinação a não se entregar ao pecado. A partir daí, basta se propor a seguir uma mudança de hábitos, o que inclui aumentar o período em que você se envolve com coisas espirituais, como também atividades materiais saudáveis, e diminuir o tempo em que você passa a sós com a pessoa com quem está namorando. Dedicar-se mais a Deus e a outras atividades não é tarefa fácil, mas nem tudo o que é necessário é fácil e muitas coisas boas exigem sacrifícios para serem alcançadas; quanto à diminuição do tempo destinado ao namoro, não se trata de desprezar a namorada(o), mas apenas de se preservar, não se expondo tanto a situações de risco. Se essa pessoa realmente te ama, ela vai entender e saber que isso é para o bem de ambos (1ª Co 13:7). A carne realmente é fraca, mas ela pode ser mortificada (Cl 3:5-7).
    “E se não houver penetração, isso é considerado sexo?” - Aqui chegamos a um nível bem mais sério: os dois pombinhos se deram tanta liberdade que agora estão procurando alternativas para suavizar o tesão[6] e caçando “brechas na lei” para justificar sua falta de controle. Só que existe um pequeno probleminha: a lei de Deus não tem brechas e o pecado continua sendo pecado ainda que não seja consumado, pois a intenção basta (Êx 30:17[7]; Pr 6:25; Mt 5:27,28). Para ser bem claro, isso quer dizer que aquelas carícias mais calorosas em partes íntimas do corpo, que levam o rapaz a convencer a moça - ou vice-versa - a despir[8] em partes, ou totalmente, o seu corpo, chegando ao ponto crítico de haver contato entre seus membros sexuais, ainda que com o “respeito” de não concluírem o ato com a penetração, por ser uma ação fora dos limites aceitáveis para um casal que ainda não constituiu matrimônio, consiste sim em fornicação, adultério[9] e, consequentemente, pode ser considerado como o próprio sexo em si, pois se trata mesmo de um ato sexual. Vamos exemplificar: se você der um tiro em alguém e essa pessoa não chegar a morrer, não significa que não houve a intenção de matar, e nem adianta alegar na Justiça que é inocente porque “a bala não penetrou”, pois houve sim um crime e terá que pagar por isso. É claro que não podemos negar a misericórdia de Deus que, por sua onisciência, é o único que tem condições de julgar cada situação e que, certamente, honrará o “sacrifício” do casal que, perante tão grande tentação, por temor a Ele, não concluiu o ato; porém, devemos considerar também que o pecado começou quando ambos se expuseram ao perigo, ultrapassando os limites da sedução, sabendo que este é um comportamento totalmente inadequado aos princípios ensinados nas Escrituras Sagradas. Considerando esses dois pesos na balança - a misericórdia divina e a nossa responsabilidade cristã - podemos concluir que não vale a pena arriscar (Sl 119:80).
    Para evitar o pecado da fornicação, é preciso saber controlar as “portas do corpo” que servem de entrada para a tentação; essas portas são chamadas de “os cinco sentidos”: visão, audição, paladar, olfato e tato. Vamos fazer uma breve análise sobre cada um deles:
Visão: Por tendência natural, a atração por alguém começa pela visão: você olha para o corpo dela e passa a ver, além da beleza, algo mais interessante que te leva a fantasiar desejando muito mais do que beijos e abraços. Por essa razão, devemos ter cuidado ao que estamos focando o nosso olhar (Sl 101:3; 119:35-37).
Audição: Durante contatos mais calorosos, palavras suaves que mudam até a entonação da voz fazendo com que sussurros pareçam gemidos, inevitavelmente, aguçam os órgãos sexuais. A forma como deixamos nossos ouvidos nos conduzirem também faz diferença entre a resistência e a entrega à tentação. Nossos órgãos, inclusive os ouvidos, devem se manter puros e, por isso, devem estar guardados contra aquilo que desagrada a Deus (Is 33:15,16). E isso também inclui ouvir músicas de conteúdo indecente ou palavrões, que são coisas que também insinuam o prazer sexual.
Paladar: Em qualquer namoro moderno é natural a prática do beijo. Nesse contato da boca com a pele, pelo qual se sente o “sabor do corpo”, inevitavelmente, os órgãos sexuais são automaticamente ativados: a respiração fica ofegante, o calor aumenta provocando até suor, o coração acelera e o corpo arrepia. O maior exemplo é o beijo de língua: durante um beijo acalorado, a língua exerce uma função parecida com a do pênis e a boca passa a representar a vagina. O movimento intenso de ambos, no subconsciente, simula a prática do sexo podendo levar o casal, ou um dos dois - principalmente o homem - a um estado de êxtase bem próximo ao orgasmo[10]. Atos inocentes, como um simples beijo, costumam ser a fase inicial do ato sexual; por isso, é preciso saber “beijar com moderação” para manter a pureza nesse perigoso tipo de contato físico (1ª Co 6:17,18).
Olfato: Abraços apertados seguidos de carícia levam a pessoa a ser seduzida por um fator que muitas vezes passa desapercebido: o cheiro do corpo. Isso se dá mais ainda quando a pessoa usa, propositalmente ou não, perfumes, sabonetes ou até roupas lavadas com determinados produtos que possuem fragrâncias que provocam excitação. Há também a questão do hálito, o qual sendo agradável, também contribui para isso. É claro que não vou dizer que, para evitar a tentação por esse sentido, não se deva usar perfumes ou escovar os dentes, mas sim que haja um cuidado especial em não se usar nada que tenha odores provocantes ou que insinuem desejo por sexo. Nossas intenções podem ser manifestas em simples alterações de comportamento, o que também inclui o cheiro do próprio corpo. Tudo o que há em nós é sagrado e precisa ser preservado (1ª Co 6:19).
Tato: Dos cinco sentidos esse é o melhor - ou o pior -, pois nele está inserido o ato em si: é o contato direto, o que consiste em encostar, apalpar, apertar e pressionar, não só com as mãos, mas com qualquer outro membro do corpo, inclusive aqueles lá que podem se contrair ou aumentar o tamanho dependendo da intensidade da emoção. Em namoros muito liberais, o contato físico é constante e o seu resultado, geralmente, é catastrófico, não há como dizer que vai resistir à tentação se já tá “metendo a mão em tudo”. Essa liberdade, na verdade, é apenas o reflexo da desvalorização de se próprio; não excluindo a responsabilidade dos homens, mas são as mulheres que, nesses casos, têm mais condições de controlar a situação e impedir que seja avançado o sinal vermelho, pois a multa para esse tipo de infração é muito alta: a consequência do pecado não compensa os prazeres momentâneos da carne (1ª Pe 1:24,25; 1ª Jo 2:17).
    Um namoro não pode ser considerado espiritualmente saudável se a conduta do casal não condizer com os padrões bíblicos. De fato, sexo é bom e o desejo por ele é quase incontrolável; mas, ao invés de usar a fraqueza humana como desculpa para adiantar esse sublime e respeitável momento, o melhor é, mediante a certeza da existência do amor entre ambos, adiantar o casamento (1ª Co 7:2,9), pois namoros muito longos são desgastantes e muito perigosos. Há muitas coisas que um jovem casal pode fazer junto para ocupar o tempo em que poderiam estar “se amassando” como, por exemplo: aumentar o diálogo para se conhecerem melhor, passeios em lugares públicos, períodos de oração e leitura da Palavra e ajudarem-se mutuamente em trabalhos escolares ou profissionais; isso não somente diminui o risco do excessivo contato físico, quanto também estreita o laço do relacionamento, tornando-os mais amigos e zeladores um do outro. Para contribuir com esse afastamento carnal, o recomendável também é que tenham mais comunicação por telefone ou pela internet do que pessoalmente e que em suas conversas , sempre que possível, ao perceber uma aproximação mais “animada” do parceiro, procure abordar assuntos espirituais para dar uma esfriada nesse ânimo que não vem do alto e fortalecer o relacionamento diante de Deus. Quer ter um casamento abençoado? Então que o seu namoro seja marcado pelos amassos dos joelhos no chão e também pelo costume de “amassar” as folhas da Bíblia de tanto folheá-la. Se Jesus for convidado para cada um de seus encontros, certamente Ele sempre estará ali no meio (Mt 18:20).



[1]Fornicação: Relação sexual ilícita (At 15:29).
[2]Adulterar: Cometer adultério (quebra da fidelidade conjugal). Cometer adulteração, contrafação, falsificação, heresia, apostasia).
[3]Cauterizado: Que sofreu aplicação de cautério (ferro quente, cáustico ou outro agente que queima e converte em escara (ferida de queimadura), ou destrói os tecidos a que é aplicado). Morto ou destruído por ação de ferro em brasa. Simboliza uma mente destruída (1º Tm 4:2).
[4]Venerado: Honrado, reverenciado, respeitado.
[5]Conjunção carnal: Coito vagínico, a introdução do pênis na vagina da mulher. Introdução do órgão genital masculino no interior da cavidade vaginal, ou seja, no órgão genital feminino.
[6]Tesão: Excitação sexual. Vontade de fazer sexo.
[7]Cobiçar: Prática da cobiça: forte desejo de conseguir algo, ainda que por meio ilícito.
[8]Despir: Tirar a roupa toda ou em parte.
[9]Adultério: Quebra da fidelidade conjugal. Adulteração, contrafação, falsificação. Heresia, apostasia.
[10]Orgasmo: O auge da satisfação sexual. O momento mais forte da sensação de prazer. Momento final do ato sexual que culmina em uma explosão de prazer físico que relaxa e sacia o desejo. Geralmente o orgasmo masculino é acompanhado da ejaculação. No caso das mulheres o orgasmo é mais raro e não possui ejaculação. Informalmente chamado de “gozo”.

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