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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Os Ministros do Culto Levítico


Esboço Resumido - Escola Bíblica Dominical (Lições Bíblicas - Adultos - CPAD)

Lição 3 - OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO

O ministério levítico dava a esses
homens uma posição de destaque,
mas tal honra carregava um peso
muito grande, pois a exigência sobre
eles era extrema.
Texto Áureo
Números 3:45 - “Toma os levitas em lugar de todo primogênito entre os filhos de Israel e os animais dos levitas em lugar dos seus animais; porquanto os levitas serão meus. Eu sou o Senhor.”

Verdade Prática
O chamamento divino exige, de cada um de nós, amor, excelência e dedicação integral ao Senhor da Seara.

Leitura Bíblica em Classe
Levítico 8:1-13 - “Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: 2Toma a Arão, e a seus filhos com ele, e as vestes, e o azeite da unção, como também o novilho da expiação do pecado, e os dois carneiros, e o cesto dos pães asmos[1] 3e ajunta toda a congregação à porta da tenda da congregação. 4Fez, pois, Moisés como o Senhor lhe ordenara, e a congregação ajuntou-se à porta da tenda da congregação. 5Então, disse Moisés à congregação: Isto é o que o Senhor ordenou que se fizesse. 6E Moisés fez chegar a Arão e a seus filhos, e os lavou com água, 7e lhe vestiu a túnica, e cingiu-o com o cinto, e pôs sobre ele o manto; também pôs sobre ele o éfode[2], e cingiu-o com o cinto lavrado do éfode, e o apertou com ele. 8Depois, pôs-lhe o peitoral, pondo no peitoral o Urim e o Tumim; 9e pôs a mitra sobre a sua cabeça e na mitra, diante do seu rosto, pôs a lâmina de ouro, a coroa da santidade, como o Senhor ordenara a Moisés. 10Então, Moisés tomou o azeite da unção, e ungiu o tabernáculo e tudo o que havia nele, e o santificou; 11e dele espargiu sete vezes sobre o altar e ungiu o altar e todos os seus vasos, como também a pia e a sua base, para santificá-los. 12Depois, derramou do azeite da unção sobre a cabeça de Arão e ungiu-o, para santificá-lo. 13Também Moisés fez chegar os filhos de Arão, e vestiu-lhes as túnicas, e cingiu-os com o cinto, e apertou-lhes as tiaras, como o Senhor ordenara a Moisés.”

Comentário
    Como se deu a chamada dos filhos de Levi para o sacerdócio? Ministrar na época dos levitas não era uma escolha pessoal ou uma indicação por amizade; era preciso ser da tribo de Levi e ter condições e ensinamento para exercer esse ofício. Sem dedicação e renúncia era impossível exercer esse ministério.
    Nosso chamado hoje não é muito diferente do antigo sacerdócio, com exceção do fato que não precisamos pertencer a um povo específico para isso e nem matar animais sobre o altar. As semelhanças são grandes: espiritualmente pertencemos a um povo escolhido chamado Igreja; não devemos ser induzidos por amizades; nossa função é adorar e conduzir o povo à presença de Deus; somos sacerdotes espirituais que ministram sobre o sacrifício feito por um Sumo-Sacerdote e, para tal função, dedicação e renúncia são imprescindíveis.

    Levi, o terceiro filho de Jacó e Lia, cujo nome significa “Unido À”, entre os doze filhos dessa família teve o mais importante papel espiritual: seus descendentes receberam a nobre missão de cuidar das coisas sagradas diante do povo. Ele não era uma pessoa melhor que os demais, pois quando sua irmã Diná foi violentada por homens de Siquém, ele foi um dos que pegaram na espada para se vingar; quando José, seu irmão, foi vendido como escravo, ele também participou desse ato que a Bíblia classifica como inveja; conforme está descrito em Gênesis 49:5-7, antes de morrer, ao abençoar seus filhos, Jacó - Israel - relatou o seguinte: “Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. No seu secreto conselho, não entre minha alma; com a sua congregação, minha glória não se ajunte (*não estarei presente quando fizerem planos, não tomarei parte nas suas reuniões); porque, no seu furor, mataram varões e, na sua teima, arrebataram bois (*por brincadeira aleijaram touros). Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; eu os dividirei em Jacó e os espalharei em Israel”.
    A personalidade inadequada de Levi nos ensina uma coisa: não é preciso ser perfeito para ser escolhido e separado para a Obra de Deus, pois Ele tem poder para transformar o caráter humano. O chamado divino não leva em consideração o passado, mas sim a possibilidade de mudança no futuro (At 9:10-16).

    Mesmo tendo apelado à violência se vingando daqueles que abusaram de sua irmã e também cometido outros atos indevidos que até seu pai reprovou, Levi demonstrava grande zelo por aquilo que julgava ser o certo. Com esse mesmo sentimento, seus descendentes combatiam com firmeza a idolatria antes mesmo de serem escolhidos para o ofício sacerdotal.
    Embora tenhamos falhas que por muitas vezes seja difícil de controlar, devemos procurar sempre contrariar nossa própria natureza pecaminosa e expor, tanto dentro como fora da igreja, atitudes positivas que falem ainda mais alto do que nossas palavras diante do público (Tg 2:11,12).

    O chamado de Levi tinha um motivo e um objetivo: o motivo de sua escolha era o fato de que, mesmo com suas falhas, havia nele um coração agradável ao Senhor; e seu objetivo era prestar os serviços sagrados enquanto o restante do povo poderia se ocupar com as demais obrigações.
    Nosso chamado ministerial tem os mesmos princípios que o levítico: somos falhos, mas o Senhor nos aperfeiçoa a cada momento para que nossos sacrifícios de adoração sejam agradáveis a Ele; e nos capacita para que conduzamos o povo até Ele e, ao mesmo tempo, Ele até o povo (Ef 4:11).

    Os levitas, em especial os sacerdotes, precisavam cumprir uma série de exigências, pois deles era a difícil missão de intermediar entre os homens e Deus. Da seriedade de seu trabalho dependia a espiritualidade do povo. Pela razão de oferecerem sacrifícios pelos pecados da nação, precisavam eles ter uma vida espiritual elevada.
    Nosso papel como ministros do Evangelho requer de nós uma vida espiritual exemplar. Nossa missão é o aperfeiçoamento dos santos, ou seja, o ensinamento e a condução da vida espiritual daqueles que, de alguma forma, estão sob nossos cuidados, os quais também nós devemos preparar para serem futuros obreiros: fazer discípulos (Ef 4:12).

    Em sua preparação, o futuro sacerdote recebia instruções em todas as áreas necessárias dentro da função que iria exercer. Ele precisava ter em mente que não era uma pessoa comum como a maioria, pois estava sendo separado para um serviço muito especial. Ele não receberia a unção se não estivesse apto para atender a carência espiritual do povo.
    A vocação ministerial exige de um cristão mais do que chamado, ela requer preparo. Não basta dizer “Deus me escolheu”, é preciso se dispor a aprender o teórico, desenvolvendo-o na prática, renunciando a si próprio por amor das vidas que dele necessitam, pois sua missão é edifica-las, instruí-las e conduzi-las espiritualmente (Ef 4:13).

    Havia um organizadíssimo sistema preparatório para o sacerdócio, o qual respeitava também uma linha de sucessão. Cada detalhe, inclusive nas vestes, tinha um significado. Mesmo sendo levitas, havia a exigência de que os sumos sacerdotes fossem descendentes de Arão. Com o tempo, essa sucessão parece ter sido deixada de passar de pais para filhos, porém continuou pertencendo à descendência da família de Arão.
    Uma escolha criteriosa no ministério é o que define a qualidade espiritual e administrativa de um trabalho a ser executado. Colocar a pessoa certa no lugar certo é o que define entre o sucesso e o fracasso de um projeto. Líderes preparados não se desviam facilmente do objetivo em foco e orientam seus liderados a terem a mesma firmeza (Ef 4:14).

    Os sacerdotes não estavam acima da Lei, pois eram os primeiros a terem que cumpri-la, e nem eram absolutamente perfeitos, porque muitos também erraram, inclusive cometendo até erros trágicos; exemplo disso foi a dificuldade de Eli na educação de seus filhos e dos administradores financeiros do templo conforme descreve o profeta Malaquias. No entanto, sua fragilidade humana não justificava seus erros, pois deles se esperava santidade, e a ausência dela resultava em consequências gravíssimas: Eli perdeu a vida e os maus administradores foram considerados por Deus como ladrões.
    O maior dos segredos para não se deixar cair na tentação de transgredir os mandamentos divinos está no amor que se deve ter no exercício do serviço sagrado: colocar o coração antes de colocar as mãos. Todo crescimento vem do Alto, por esse motivo, precisamos estar focados em Cristo, o qual deve ser nosso único e verdadeiro Alvo (Ef 4:15).

    A obrigação dos sacerdotes e dos demais levitas era se dedicar integralmente ao serviço sagrado; não tinham eles o direito de exercer qualquer outro ofício e nem mesmo possuir terra como herança juntamente com as outras tribos, pois viviam eles espalhados por toda a terra de israel. Dessa forma, tinha o restante do povo também o dever de sustenta-los.
    Viver do altar ou “viver da obra”, é um chamado inegável atribuído a muitos nos dias atuais. Embora muitos neguem a existência desse direito, ele é legítimo, pois não há como alguém se dedicar totalmente à Igreja ou qualquer trabalho ligado à ela se por ela não for sustentado. Mas é necessário observar dois detalhes aí: nem todos que dizem ter realmente tem esse chamado, e mesmo entre os que o tem nem todos o seguem fielmente. Para viver da Obra tem que viver para a Obra; isso significa não pertencer a si mesmo, mas entregar-se totalmente ao serviço do Reino (Gl 2:20).

    A santidade devia estar literalmente escrita sobre a testa dos sacerdotes: sobre sua cabeça havia uma mitra[3] com uma faixa de ouro sobre a qual estava escrito “Santidade ao Senhor”. Tal descrição servia para lhe lembrar suas obrigações espirituais e mostrar ao povo que estavam diante de alguém designado pelo próprio Deus para lhes oferecer e cobrar santidade.
    Hoje, apesar de não termos que “escrever santidade em nossa testa”, temos que passar essa imagem de santificação aos demais por meio de nossas boas atitudes. Não são estampas em camisetas e nem adesivos em carros que comprovam a espiritualidade de uma pessoa, não que isso seja proibido, mas a expressão maior da fé está em viver separado das coisas profanas desse mundo assim como requer o santo caráter divino (1ª Pe 1:15,16).

    Ser exemplo ao povo era essencial aos sacerdotes. Todos deveriam observá-los e toma-los como referência de comportamento e espiritualidade. Não somente suas palavras de ensinamento, mas suas ações serviam de orientação para que os israelitas se comportassem como filhos de Deus.
    Como somos vistos diante da Igreja e da sociedade? Mesmo que na maioria das vezes não percebamos, os que nos observam geralmente tomam duas atitudes: nos imitam ou nos rejeitam. Estarmos de pé ou caídos faz sim diferença na vida de alguém que nos identifique como cristãos. Você está firme em sua vocação (2ª Pe 1:10)?

    Levitas comuns e sacerdotes portavam uma honrosa e gloriosa missão: as coisas de Deus estavam em suas mãos. No entanto, o “status” não apagava o peso da responsabilidade, pois muito grandes eram as cobranças sobre eles. Além do mais, seu trabalho não se restringia ao tabernáculo ou ao templo, ele se expandia em várias áreas da sociedade.
    Exercer ministério vai muito além de ocupar uma cadeira e ser visto no palco sob holofotes e aplausos; o verdadeiro chamado começa fora das portas dos templos ou meios de convívios evangélicos, pois as almas a serem resgatadas estão nas ruas e em outros lugares não muito agradáveis. Abraçar o Evangelho consiste em agarrar espinhos crendo que eles serão transformados em frutos. Você tem feito isso com alegria (At 20:24)?

*Acréscimo explicativo na versão NTLH (Nova Tradução na linguagem de Hoje).

Jonas M. Olímpio



[1]Asmo: Também chamado de ázimo, é o alimento de massa preparado sem fermento. Não fermentado; não levedado.
[2]Éfode: Estola sacerdotal. Espécie de manto usado pelo sumo sacerdote. Era feito de linho fino, enfeitado com ouro e bordado e preso por um cinto (Êx 28:6-14; 39:2-7).
[3]Mitra: Faixa para a cabeça, diadema, cinta. Nome dado ao turbante usado pelo sumo sacerdote (Êx 28:4).

A Beleza e a Glória do Culto Levítico


Esboço Resumido - Escola Bíblica Dominical (Lições Bíblicas - Adultos - CPAD)

Lição 2 - A BELEZA E A GLÓRIA DO CULTO LEVÍTICO

A liturgia de culto levítica é uma
verdadeira lição de reverência na
adoração. Cada detalhe e cada gesto
nos ensinam o quanto devemos nos
colocar em nosso devido lugar como
meros seres frágeis totalmente
dependentes diante de um Deus que
é único e soberano.
Texto Áureo
Levítico 9:23 - “Então, entraram Moisés e Arão na tenda da congregação; depois, saíram e abençoaram o povo; e a glória do Senhor apareceu a todo o povo.”

Verdade Prática
O verdadeiro culto divino não se impõe pelo ritualismo nem por sua pompa, mas pelo quebrantamento de coração e pela integridade de espírito. A glória de Deus não pode faltar.

Leitura Bíblica em Classe
Levítico 9:15-24 - “Depois, fez chegar a oferta do povo, e tomou o bode da expiação[1] do pecado, que era pelo povo, e o degolou, e o preparou por expiação do pecado, como o primeiro. 16Fez também chegar o holocausto e o preparou segundo o rito. 17E fez chegar a oferta de manjares, e a sua mão encheu dela, e a queimou sobre o altar, além do holocausto da manhã. 18Depois, degolou o boi e o carneiro em sacrifício pacífico, que era pelo povo; e os filhos de Arão entregaram-lhe o sangue, que espargiu sobre o altar, em redor, 19como também a gordura do boi e do carneiro, e a cauda, e o que cobre a fressura, e os rins, e o redenho do fígado. 20E puseram a gordura sobre o peito, e ele queimou a gordura sobre o altar; 21mas o peito e a espádua[2] direita Arão moveu por oferta de movimento perante o Senhor, como Moisés tinha ordenado. 22Depois, Arão levantou as mãos ao povo e o abençoou; e desceu, havendo feito a expiação do pecado, e o holocausto, e a oferta pacífica. 23Então, entraram Moisés e Arão na tenda da congregação; depois, saíram e abençoaram o povo; e a glória do Senhor apareceu a todo o povo. 24Porque o fogo saiu de diante do Senhor e consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar; o que vendo todo o povo, jubilou e caiu sobre as suas faces.”

Comentário
    Em que consistia o culto levítico? Como sabemos, ele era repleto de rituais, mas é importante ressaltar que não se tratava apenas de formalidades inseridas para enfeitar os eventos durante suas reuniões, mas cada ato e cada item nele envolvido tinha um significado especial.
    Quando se trata de cultuar, é necessário ter duas questões em mente: cuidado com o ritualismo excessivo e cuidado com a informalidade irreverente; formalidade é a palavra-chave quando se fala de adorar. No capítulo 9 de Levítico aprendemos que para se achegar a Deus é preciso oferecer algo; qualquer entrega tem que ser de acordo com as regras estabelecidas; o que entregamos tem que ter qualidade; o culto é algo é algo em conjunto e não individual; nada do que se oferece deve ser incompleto; não podemos negar aos nossos irmãos o que é direito deles; a função da liderança é abençoar o povo; a presença de Deus precisa ser notória no ambiente de culto; todo trabalho realmente dedicado ao Senhor precisa ter resposta dEle.

    A definição básica do culto levítico é o amor, por meio dele o que se oferecia ao Senhor era voluntário e exclusivo à Ele. Tais características resultavam em reverência, ou seja, um grande respeito àquEle a quem o culto era oferecido. Os sacerdotes e os demais levitas nada faziam por obrigação, mas com coração aberto, sentindo-se privilegiados e não forçados a isso.
    Na Igreja atual, antes de entrar em um templo e oferecer qualquer coisa ao Senhor é preciso olharmos para dentro de nós mesmos e nos questionarmos sobre o que realmente estamos fazendo ali. Necessário também é sabermos que nossa adoração é constante, pois entrar em um templo nada mais é do que se reunir demonstrando comunhão com os demais irmãos enquanto se faz uso de todos os elementos requeridos em um culto. Cultuar é uma ordem que abrange a todos e não a uma específica classe de crente de acordo com sua condição espiritual ou posição ministerial (Sl 100:1).

    Os grandes patriarcas mencionados na Bíblia cultuaram a Deus e ensinaram suas famílias a fazerem o mesmo. Eles construíam altares e exerciam a função de sacerdotes em suas casas. Adorar era uma necessidade e não uma questão de status; pois fazia parte de sua identidade como servos do Senhor, detalhe esse que os diferenciava dos demais povos.
    O que nos move a adorar - ou dizer que estamos adorando - é uma pergunta que deve incomodar constantemente nossa mente para que não venhamos a fazer nada apenas por cumprimento de uma religiosidade, mas verdadeiramente alegria proveniente de dentro do coração (Sl 100:2).

    Na era de Moisés, por meio dos mandamentos e demais preceitos, Deus não criou, Ele simplesmente oficializou os atos de adoração que já eram feitos, mostrando claramente o que e como Ele queria que fosse feito. Assim surgiu formalmente a liturgia e a teologia. Dessa forma foram também estabelecidas reuniões sagradas como, por exemplo, a Páscoa e o Dia da Expiação. Dessa forma, o ato de cultuar deixou de ser algo restrito à algumas pessoas em seus lares e passou a ser praticado por todo o povo.
    Cultuar é reconhecer a soberania do Senhor, se prostrar diante dEle e declarar nossa total dependência e nossa fragilidade diante de um Ser incomparavelmente superior. É um ato de agradecimento por parte de alguém totalmente desprovido de condições tentando agradar o seu Sustentador (Sl 100:3).

    Até o início do reinado de Davi, os cânticos ainda não faziam oficialmente parte do culto; manifestações musicais anteriores como os cânticos de Miriã e de Débora foram atos espontâneos e isolados que tiveram significado particular. Com Davi, o louvor por meio de cântico foi oficializado e organizado com coros e instrumentos musicais. Posteriormente, Salomão aprimorou a prática da musicalidade levando a mostrar ao mundo a capacidade do povo de Deus, tanto espiritual quanto culturalmente.
    A aplicação dos cânticos nos cultos na igreja se faz útil e extremamente necessária, porque a prática da música vai além do louvor a Deus; ela tanto ajuda a preparar o coração do ouvinte, tornando-o mais receptivo à pregação da Palavra, quanto também é usada pelo Espírito Santo para falar ao coração de alguém de modo particular e ainda - quando sua letra é realmente bibliocêntrica - serve de auxílio no ensino das Escrituras Sagradas. Considerando-se que a verdadeira função de um levita girava em torno dos trabalhos prestados no ambiente de culto e não em torno da música, não há uma razão lógica para se considerar os músicos atuais como levitas, pois mais justo seria aplicar esse termo, ainda que simbolicamente, aos diáconos. O louvor por meio de canções vai além de um ato de prazer, é um verdadeiro gesto de adoração (Sl 100:4).

    No período do cativeiro babilônico, os que haviam sido escravizados ficaram setenta anos impedidos de cultuar verdadeiramente. O Salmo 137 relata bem a agonia de quem se vê impedido de adorar ao Senhor: eles choravam lembrando de sua pátria, e penduraram suas harpas não querendo tocar e nem cantar, porque aqueles que os aprisionaram lhe pediam para ouvir seus cânticos não para adoração, mas sim para uma satisfação de entretenimento apenas. Somente com sua volta à Jerusalém, puderam ter novamente a sensação de exaltar livremente e com alegria o nome de Deus.
    Muitos não dão valor à liberdade de cultuar ao Senhor e somente quando se veem numa situação de cativeiro em sua vida, passam a valorizar cada oportunidade de estarem numa reunião espiritual, cantar hinos, testemunhar, orar, pregar e ouvir a Palavra juntamente com os demais irmãos. Não percamos cada momento desse tão maravilhoso privilégio que nos é dispensado gratuitamente de adorar ao Pai, exaltando sua tão grandiosa misericórdia sobre a nossa vida (Sl 100:5).

    Os sacrifícios, mais do que pedidos de perdão ou provisão, significavam gratidão. No Antigo Testamento presenciamos várias ocasiões em que o nome do Senhor foi exaltado por meio deles. Desde o início, para entrar no tabernáculo, era necessário ter algo para oferecer a Ele, representado a dependência do homem diante de sua soberania.
    Nos dias atuais o sacrifício não é de animais para nos remir de nossos pecados ou por qualquer outro motivo, pois diante de qualquer situação, o que devemos sacrificar diante dEle é um coração arrependido e pronto a nos levar a uma vida de renúncia, fazendo com que mostremos ao mundo a transformação que o Evangelho fez em nós (Rm 12:1).

    Os cânticos iam muito além da música, eles abrilhantavam o culto levando seus participantes a sentir a presença divina antes mesmo da ministração da Palavra. Muitos deles foram compostos por Davi, como também por outros autores, e estão registrados nos Salmos. A música sempre foi símbolo de alegria e pacificação da alma.
    Hoje em dia, infelizmente, não generalizando, muito do que chamam de louvor nada mais é do que barulho técnica e psicologicamente preparado para envolver o corpo e a mente das pessoas, levando-as apenas a exaltar os músicos que mais parecem estar competindo com suas belas vozes e domínio sobre os instrumentos do que realmente para elevar o clima do ambiente de maneira que todos sintam a presença do Senhor. O verdadeiro louvor precisa ser espiritual e sair de dentro do coração (Ef 5:18,19).

    Expor a Palavra de Deus durante o culto era uma necessidade, porque por meio dela é que o povo tinha condições de conhecer a vontade dEle para servir e obedecê-lo fielmente. Salomão deu um grande exemplo disso, assim como vários outros homens de Deus. Naquela época, a maioria não era alfabetizada, por essa razão a leitura era um privilégio de poucos, assim tornando a atenção à ministração algo imprescindível.
    A mesma necessidade da exposição da Palavra de Deus durante o culto é indiscutível nos dias atuais, pois mesmo tendo acesso às várias formas de literatura bíblica, nada substitui sua ministração sobre o altar. A função da pregação e do ensinamento é levar o crente ao crescimento por meio da aquisição da sabedoria, a qual se obtém através da correção mútua entre os membros do Corpo de Cristo (Cl 3:16).

    A oração era uma prática inseparável do culto. Assim como os sacrifícios, ela tinha uma função que ia além de um ato de petição ou simples formalização de pedidos de perdão, pois também servia para expressar gratidão a Ele. Também por meio dela, o sacerdote, na prática, falava com Deus e via sua resposta por meio de suas intervenções nas necessidades do povo.
    Orar é um ato fundamental para o andamento espiritual do culto e até mesmo da própria vida do crente. O nome do Senhor Jesus precisa ser primazia em nossas reuniões em ações. Orar não é apenas pedir; orar é dar a Ele graças por tudo, ou seja, admitir que Ele é o nosso sustentador (Cl 3:17).

    A Bíblia, também no Antigo Testamento, está repleta de exemplos da prática da leitura das Escrituras Sagradas. Esdras e Neemias retomaram esse costume após o cativeiro babilônico, pois assim já procediam os sacerdotes para ensinar o povo desde a implantação da Lei. Era esse também o costume dos chefes de família para ensinar seus filhos.
    Na Igreja atual, um obreiro sem um razoável conhecimento bíblico não é digno de ser chamado de obreiro. Por mais que se ore, jejue e faça o quer que seja alcançando resultados satisfatórios, se não houver domínio e aplicação fiel do conteúdo das Escrituras, seu culto não está completo e o seu próprio ministério pode estar sendo reprovado (2ª Tm 2:15).

    Conforme descrito em Números 6:22-26, a bênção completava o ato do culto. Ela confirmava a misericórdia de Jeová sobre aqueles que o obedecessem. Ela enfatizava o privilégio do povo de Israel como propriedade particular dEle, fazendo-o lembrar que o que este lhe ofereceu naquele momento de adoração, por Ele foi recebido e o que dEle foi falado na ministração, por Ele lhe seria feito.
    Da mesma sorte, a Igreja, como herdeira adotiva no plano de salvação, não deixa de ser agraciada pelas bênçãos divinas. E não poderia ser diferente em sua liturgia a existência da ministração da bênção, a qual lembra o amor divino, o sacrifício de Cristo e a ação do Espírito Santo sobre a nossa vida (2ª Co 13:13).

    Uma das finalidades do culto levítico era adorar ao único e verdadeiro Deus. Em suas reuniões era perceptível que eles tinham como prioridade demonstrar seu reconhecimento dEle como único e verdadeiro enquanto rejeitavam os falsos deuses adorados pelos povos pagãos. Cultuar era dizer “sim” a Jeová e “não” ao paganismo predominante nas nações a sua volta.
    Nosso culto precisa ser, à vista dos incrédulos, um ato de exaltação à Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, uma rejeição às práticas pecaminosas que o mundo oferece e idolatra. Nossa sujeição a Ele deve servir para mostrar aos ímpios que é do Alto que vem a nossa exaltação (1ª Pe 5:6).

    Cada detalhe no culto levítico visava expor a misericórdia divina sobre suas vidas. Tanto nas canções como na Palavra, o nome de Deus era exaltado por meio das lembranças que faziam de suas ações maravilhosas na vida dos seus antepassados. Tais testemunhos reforçavam sua fé e esperança no Criador.
    O que e com que objetivo temos oferecido em nossos cultos? Nossos louvores exaltam ao Senhor? Nossas pregações edificam o ouvinte? O que passamos aos demais em nossas diversas apresentações e discursos? Muitos, as vezes, fazem uso dos púlpitos para lamentar seus infortúnios ou exaltar sua super santidade, porém, a razão do uso do mesmo deve ser para falar das misericórdias e do poder divino, assim fazendo edificar a fé de nossos irmãos, mostrando o quanto Ele tem cuidado de nós (1ª Pe 5:7).

    Professar a fé, ou seja, afirmar e reafirmar a confiança em Deus era a marca registrada de um culto na época dos levitas. Sua liturgia era aplicada de modo a inserir e deixar gravado em cada mente a divindade, a soberania e a misericórdia divina. Não eram reuniões de petições por seus problemas cotidianos, mas sim verdadeiras ministrações de ensinamento sobre o quanto era essencial que não se esquecessem dEle tanto nos tempos bons quanto nos tempos ruins.
    Que fé professamos quando nos reunimos? Ou será que apenas nos juntamos para pedir uns aos outros que intercedam por nossa vitória nessa vida natural? Muitas coisas pertencentes apenas a esse mundo passageiro têm roubado o verdadeiro foco do culto atualmente, pois muitos ministérios se resumem apenas a organizações de campanhas, cujo ingênuo objetivo é transformar o homem em vencedor e Deus em seu servo (1ª Pe 5:8).

    A espera pelo Messias era, já naquela época, um dos objetivos de seus cultos. Eles o reverenciavam mesmo sem saber de fato quem Ele seria. Isso mostra uma característica de total espiritualidade em sua adoração, pois não exaltavam ao Senhor apenas pelo que Ele já havia feito ou estava fazendo, mas sim também pelo que Ele ainda faria, incluindo a salvação de suas almas.
    A volta de Cristo é o tema central de suas ministrações? Você tem pregado a resistência firme na fé diante das perseguições desse mundo? Por mais que saibamos que Ele concede bênçãos materiais, nosso principal conteúdo de mensagens deve visar a salvação da alma, pois tudo nesse mundo é passageiro, mas o espiritual, seja para a salvação ou para a condenação, é eterno (1ª Pe 5:9).

    Tristemente, embora eles observassem muito as exigências litúrgicas, falharam como adoradores. O próprio Senhor Jesus confirmou a profecia que dizia que aquele povo honrava a Deus com seus lábios, mas seu coração estava longe dEle. Com o tempo, o perigo maior de um culto se fez realidade entre eles: a adoração tornou-se apenas uma aparência ilusória de ações e palavras vazias; estava faltando o envolvimento do coração nos sacrifícios, no louvor e na Palavra.
    Zelar para que o culto não se transforme em gestos vazios - vazios de Deus e cheios do homem - é um dos maiores desafios para a Igreja hoje. Adorar em espírito e em verdade, ou seja, com um sentimento real proveniente do coração e com atitudes que demonstrem isso na prática, é o que o Senhor requer de nós. Quer resposta no seu altar? Sacrifique com seriedade antes (Jo 4:24).


Jonas M. Olímpio



[1]Bode de Expiação: Bode que era tocado para o deserto durante a cerimônia do Dia do Perdão. Ele era o sinal visível de que os pecados do povo tinham sido esquecidos e perdoados (Lv 16:5-28).
[2]Espádua: O ombro com a carne em volta; o quarto dianteiro (Nm 6:19).

Levítico, Adoração e Serviço ao Senhor

Esboço Resumido - Escola Bíblica Dominical (Lições Bíblicas - Adultos - CPAD)

Lição 1 - LEVÍTICO, ADORAÇÃO E SERVIÇO AO SENHOR

O fascinante e complexo livro de
Levítico, embora tenha sido elaborado
no objetivo de instruir o serviço
sacerdotal, possui um valor simbólico
e didático para a prestação de culto na
Igreja atual.
Texto Áureo
Levítico 26:11 - “E porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma de vós não se enfadará.”

Verdade Prática
A verdadeira adoração a Deus compreende, necessariamente, o nosso serviço voluntário, santo e amoroso ao seu Reino.

Leitura Bíblica em Classe
Levítico 27:28-34 - “Todavia, nenhuma coisa consagrada que alguém consagrar ao Senhor de tudo o que tem, de homem, ou de animal, ou do campo da sua possessão, se venderá nem resgatará; toda coisa consagrada será uma coisa santíssima ao Senhor. 29Toda coisa consagrada que for consagrada do homem não será resgatada; certamente morrerá. 30Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores são do Senhor; santas são ao Senhor. 31Porém, se alguém das suas dízimas resgatar alguma coisa, acrescentará o seu quinto sobre ela. 32No tocante a todas as dízimas de vacas e ovelhas, de tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao Senhor. 33Não esquadrinhará entre o bom e o mau, nem o trocará; mas, se em alguma maneira o trocar, o tal e o trocado serão santos; não serão resgatados. 34Estes são os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai.”

Comentário
    Falar do livro de Levítico, para a Igreja atual, parece ser desnecessário e cansativo, pois aparentemente seu conteúdo se resume a preceitos exclusivos para Israel naquela época. Esse pensamento se dá devido a quase totalidade de seus textos serem explicações detalhadas sobre sacrifícios e procedimentos dos levitas, principalmente dos sacerdotes.
    Porém, ele não traz apenas regras de culto como se fosse simplesmente um manual de conduta sacerdotal. Ele possui sim uma mensagem, a qual está centralizada na santificação e serve de ensinamento para nós hoje de como termos uma verdadeira aproximação e intimidade com o Senhor por meio da adoração e prestação de serviço ao seu Reino. Em seu capítulo 27, por exemplo, nos ensina a importância da consagração a Deus de parte daquilo com o que Ele nos permite sermos abençoados em nossa vida, mostrando que o sustento material de sua Obra na terra é responsabilidade nossa; ensina que o que temos não é nosso, é dEle; fala que nossas posses também são sagradas; enfatiza a responsabilidade que temos sobre aquilo que é entregue na Casa dEle; destaca nossas obrigações como administradores; alerta sobre o perigo de profanar aquilo que é sagrado; lembra ainda da obediência que se deve aos seus mandamentos. Ainda que se trate de algo destinado à orientação de Israel naquela época, não deixa de ser um imprescindível ponto de referência para a conduta da Igreja que aguarda o Arrebatamento.

    A comprovação de que Levítico é um livro canônico é o fato de que ele foi colocado junto com os demais livros do Pentateuco na Arca da Aliança no Tabernáculo. Dessa forma, ele é também considerado como livro da Lei ou livro do Senhor.
    Os cinco primeiros livros bíblicos se completam como uma definição histórica e doutrinária que nos levam ao conhecimento sobre nossa origem e responsabilidade diante de Deus. Embora Jesus tenha resumido os mandamentos em amar a Deus e a si próprio, isso não elimina seu conteúdo original, pois quem ama não desonra a Deus, não adora falsos deuses, não debocha do santo nome dEle, reserva um tempo para Ele, honra pai e mãe, não mata, não adultera, não furta, não mente e não cobiça. Em relação ao conteúdo da Lei Mosaica, ela se dividia em cerimonial, civil e moral, as quais, respectivamente, tinham a função de organizar a adoração, as questões sociais e as regras mais básicas de convívio. Quanto à adoração, haviam razões para sacrifícios que não se aplicam à igreja atual, porque nossos “sacrifícios” hoje se resumem no que fazemos em nome dEle; em relação à civil, entendemos que cada país tem por direito definir seus padrões de justiça, então o que havia ali era a permissão divina de acordo com a necessidade dos israelitas naquele momento, assim não se tratando de uma obrigatoriedade para nós aqui hoje; no tocante às questões morais, isso sim são mandamentos válidos em qualquer época e lugar. Portanto, ter Levítico como base - e não regra - doutrinária, nada mais é que ter nossas origens como fonte de nosso aprendizado (2ª Tm 3:14).

    Seu gênero literário pode ser definido como um manual de culto para Israel no Antigo Testamento. O propósito desse livro é ensinar o povo de Deus a viver em segurança espiritual para não se desviar do santo caminho. Sua autoria é atribuída à Moisés em 1.406aC, pouco antes de sua morte. Seus personagens centrais são Moisés, Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Seus temas giram em torno de sacrifícios, sacerdócio, purificação e santificação. Os principais acontecimentos narrados nele são o início do ministério sacerdotal e a morte de Nadabe e Abiú que ofereceram fogo estranho perante o Senhor - provavelmente um incenso não consagrado ou algo assim -.
    Levítico é um reflexo de toda a Bíblia, inclusive do Novo Testamento, pois o que mais lemos nas Escrituras Sagradas são exortações à santificação seguido de orientações sobre a verdadeira adoração. Os princípios morais e a reverência de culto são citados em todas as passagens de diferentes formas. Por muitas vezes, nos inspiramos em Moisés e em seus demais personagens como exemplo de liderança ou de servos, seja em seus erros ou em seus acertos. Desde nosso início na caminhada na fé aprendemos a importância de cada um dos livros bíblicos e Levítico não está fora dessa lista (2ª Tm 3:15).

    A inspiração desse, como de todos os outros livros bíblicos, é divina; porém, a escrita é humana e, no caso do livro de Levítico, foi feita por Moisés. Ele, por sua vez, também escreveu os outros quatro livros do Pentateuco. Logo no início do seu primeiro capítulo podemos constatar isso: "E chamou o SENHOR a Moisés e falou com ele da tenda da congregação, dizendo: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes [...]".
    Tudo o que fazemos para a Obra de Deus não deve ser atribuído como mérito nosso, pois aquEle que nos inspira é o verdadeiro Autor das obras executadas por nossas mãos. Para ser porta-voz de Deus, tanto por palavras escritas ou faladas e também por ações, necessário lhe foi ter uma intimidade muito grande com o Senhor: lhe falava face a face, como um amigo. Como está o seu relacionamento com Deus? Ele tem te usado como instrumento em seus propósitos? Ele confia em você? O que você faz pode ser considerado como divinamente inspirado (2ª Tm 3:16)?

    Sua data, segundo a cronologia bíblica, se estabelece entre o período da saída do Egito até a morte de Moisés, de 1.445 até 1.406aC. Em meio às dificuldades do deserto foi erguido o tabernáculo e muitos milagres foram presenciados. Não há como contar a história de Israel sem se lembrar desse intervalo de tempo.
    Períodos difíceis de nossa vida são aqueles que mais contribuem para o nosso bem, pois são eles que nos exigem a “construção de um tabernáculo”, ou seja, nos aproximam mais de Deus e nos ensinam a adorá-lo verdadeiramente. Quando resistimos de pé diante das crises, nossa história fica marcada por esse capítulo, o qual nos permite estarmos sempre vivos na memória daqueles que nos tomam como exemplo de luta e perseverança. Se seus problemas não te mataram, tenha certeza de uma coisa: na escola da vida, Deus está te usando como lousa para dar as aulas do dia-a-dia aos demais alunos. Ao passo que aprendemos, ensinamos; ao passo que somos edificados, edificamos (2ª Tm 3:17).

    Em todo o Pentateuco vemos que o maior desafio de Moisés não foi tirar o povo do Egito, mas sim tirar o Egito do povo; os maiores exemplos disso são as murmurações por comida e a construção de um bezerro de ouro. Eles enfrentavam um sério problema devido ao fato de terem convivido por tanto tempo com a idolatria no Egito. Eles estavam fisicamente livres, mas permaneciam escravizados pelo pecado e necessitavam urgentemente de libertação. Por essa razão, santificação é o tema central de levítico; eles precisavam aprender a diferenciar o puro do impuro.
    Libertação não é estar dentro de uma igreja, libertação é saber que a igreja está dentro de você. Deixar ídolos pra traz, ou seja, não se prender mais às coisas do passado que te impediam o contato com Deus é a prova de que no tabernáculo que você ergueu em seu deserto realmente paira a presença do Senhor. Precisamos nos comportar como filhos, tomar nossa posição de sacerdotes, nos separar daquilo que pode nos separar de Deus e fazer jus ao valor que Ele atribui a nós imerecidamente; tudo isso para que nossos sacrifícios sejam dignos de adentrar sua glória sendo por Ele recebido (1ª Pe 2:9).

    Os israelitas peregrinaram por quarenta anos numa região desértica, e não é pelo fato de não estarem ainda na terra prometida que eles não precisavam de leis, muito pelo contrário, pois mesmo em viagem, eles necessitavam de regras que regulamentassem seu convívio social, como também sua vida espiritual. Essa foi a função do livro de levítico: mostrar que eles já eram uma nação antes mesmo de se estabelecerem fisicamente numa terra que realmente pertencesse a eles. Se não houvesse regras não haveria ordem, e sem ordem não haveria condições de convivência. Aquele era um povo duro por natureza, por isso as leis eram tão duras.
    Todos os mandamentos bíblicos, do Antigo ao novo Testamento, foram estabelecidos à altura da necessidade e da condição do homem como pecador, mostrando-lhe com clareza o que é requerido dele para ser considerado justo diante de Deus. Lembrar do Egito que saímos é um bom começo para entender o privilégio da justificação, pois agora somos parte do povo de Deus; ainda que merecêssemos a condenação, sua misericórdia nos alcançou (1ª Pe 2:10).

    O livro de Levítico mostra a função de Moisés como líder: levar pessoas pecadoras, idólatras e acomodadas a serem santas, fiéis e obreiras. Esse escrito visava então ser um material didático desse desafiador aprendizado. Neles estava contido o passo-a-passo que deveriam cumprir se quisessem tornar-se verdadeiros servos do Senhor, assim alcançando as bênçãos e não as maldições por Ele propostas.
    Santificação, fidelidade e serviço; sem essas condições não há como agradar a Deus, pois nossa caminhada espiritual consiste em separação das coisas mundanas, amor verdadeiro ao único Senhor e prazer em fazer algo em prol de seu Reino. Para entender e viver isso é preciso ter em mente que vivemos nesse mundo, mas não pertencemos a ele; os prazeres ilícitos são passageiros, mas suas consequências inimagináveis, por isso precisamos nos privar deles; o pecado sempre os usará para derrotar nossa alma (1ª Pe 2:11).

    Esse livro foi entregue nas mãos dos filhos de Levi e não nas mãos do povo. Sobre os sacerdotes estava a responsabilidade de orientar os liderados quanto à vontade divina. Porém, eles não só ensinavam, mas primeiramente serviam de exemplo observando, ou seja, praticando rigorosamente o que nele está escrito. Sua pureza moral, espiritual e até física estava exposta diante de todo o povo.
    Como líderes, sabemos que nossas atitudes falam muito mais alto do que nossas palavras, pois os liderados querem ver em nós o que cobramos deles. Da mesma forma, como cristãos comuns, todos precisam ser exemplo diante do mundo, pois não há como ganhar almas se não mostrarmos a eles que há alguma vantagem em largar os prazeres mundanos para professar uma crença espiritual. Diante do mundo devemos estar alicerçados, mostrando firmeza naquilo que por nós é construído; diante de Deus devemos estar de coração aberto, prontos à qualquer mudança para fazer algo que lhe agrade (1ª Pe 2:5).

    Levítico traz um apelo que desperta o povo à urgência de uma vida de total entrega à vontade do Senhor. Sua ênfase à santificação mostra o quanto as coisas impuras podem contaminar e matar uma alma. Ele mostra a importância e a necessidade de que do maior até o menor todos estejam prostrados diante dEle. A situação é tão séria que o sacerdote tinha que sacrificar também por ele e depois pelo povo.
    O Novo Testamento também nos atenta à essa questão, levando-nos a compreender que antes de sermos ministros devemos ser também ministrados. Nos ordena a pregar, mas nos orienta a estarmos aptos a praticar a pregação; nos alerta a termos cuidado para não morrermos enquanto estamos tentando salvar os demais (1ª Tm 4:16).

    Algo que também Levíticos ensina com grande destaque é a necessidade e o valor da intercessão. Na era da Lei, intercessão era algo bem mais complexo, pois o sacerdote fazia o papel de intermediador entre o homem e Deus; ele precisava estar sempre preparado para exercer essa delicada função.
    O sacrifício de Cristo, nosso Sumo Sacerdote, mudou essa situação, dando-nos acesso ao Espírito Santo, assim transformando nosso próprio coração num altar de sacrifício. Desse modo, podemos nós mesmos, em nome de Jesus, falar e ouvir diretamente o Pai. É necessário interceder uns pelos outros, mas um detalhe na oração é que não basta orar, é preciso estar em condições de orar (1ª Tm 2:1,8).

    Deus é santo e abençoador, e sempre requereu de seus escolhidos santificação e serviço. O povo precisava se abster daquilo que impedisse sua comunhão com ele, enquanto que os sacerdotes deveriam oferecer o máximo de si e com perfeição. Cada detalhe tinha um significado e nada podia ser ignorado tanto na adoração quanto na ação.
    O que estamos levando para o templo? O que estamos oferecendo ao Senhor? No que realmente estamos pensando no momento que dizemos que estamos adorando a Ele? O que estamos de fato querendo em tudo aquilo que fazemos em nome dEle (Lv 11:44; 1ª Pe 1:16)?

Jonas M. Olímpio

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

“Deus Não Habita em Templos Feitos Por Mãos de Homens”

Não saber diferenciar entre templo
como casa de Deus e como local de
ajuntamento daqueles que o
adoram, tem sido a causa de
grandes confusões alimentadas por
aqueles que não querem ter
compromisso com a Obra do Senhor
formalizada como instituição na terra
pela Igreja.
Atos 7:48 - “mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens [...].”
    Uma leitura isolada desse versículo é o que tem feito muitos acharem que não precisam ou não devem frequentar um templo porque Deus não está lá. Mas lendo todo o texto - a última pregação de Estevão, pela qual foi apedrejado - vemos que ele está falando em sentido espiritual e não físico, pois Deus é Espírito e é onipresente; dessa forma ele não precisa de um lugar para morar, mas está em todos os lugares ao mesmo tempo. Paulo enfrentou situação parecida explicando aos atenienses que o templo ou imagens não deviam ser idolatradas (At 17:22-26).
    Estevão falava da rebeldia de Israel no deserto (At 7:38-46), então disse que o Altíssimo não habita em templos - ou casas - feitos por homens: declaração semelhante à que Salomão fez em sua oração pelo templo (1º Rs 8:27), enfatizando também o que falou Isaías (At 7:49,50; Is 66:1,2). Continuando sua mensagem repreensiva, diz que o povo sempre resistiu ao Espírito Santo (At 7:51); assim estava dizendo que iam ao templo cumprir formalidades, mas não adoravam verdadeiramente (Mc 7:5-9) e nem eram fiéis, porque sempre perseguiram e mataram os profetas (At 7:52,53). Não preciso nem dizer o que aconteceu com Estevão depois dessa pregação “sem unção”...  Concluindo, ele não estava pregando contra a existência de templos, e sim ensinando que templos não são um lugar específico aonde Deus está (Jo 4:21-24; Mc 13:1,2). Isso significa que não temos que frequentá-los? Não! Ao contrário! Eles são o lugar em que nos reunimos para adorar e aprender a Palavra (1ª Co 14:26); não posso dizer que amo ao Senhor se não consigo servi-lo junto com meus irmãos (1ª Jo 4:20,21). E aquele negócio de “a Igreja sou eu”? Isso é só mais um modismo Gospel, pois a Bíblia diz que somos membros de um Corpo e não o Corpo: a Igreja somos nós (Rm 12:4,5; 1ª Co 12:12-28)! Ser templo do Espírito Santo (1ª Co 6:19; 2ª Co 6:16) não é ser Igreja sozinho e sim ter o Espírito Santo em nós (Ef 5:18-21).

sábado, 26 de novembro de 2016

“Onde Está o Espírito do Senhor, Aí Há Liberdade”

Liberdade no Espírito Santo não
é fazer o que quer como um
filho mimado que sempre vai
ter seus pais para defende-lo
independentemente do que
tenha feito; essa liberdade
consiste em estar livre da
condenação do mundo desde
que esteja em obediência aos
mandamentos divinos.
2ª Coríntios 3:17b - “[...] onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.”
    Qual é a liberdade mencionada nesse texto? Muitos o usam para justificar seus atos de libertinagem, fraquezas, rebeldia e exageros naquilo que chamam de adoração. A pregação de um “evangelho anêmico” tem debilitado a saúde espiritual de várias pessoas que, sob o pretexto de liberdade, usando o título de cristãs, levam uma vida sem renúncia ao pecado pregando um inclusivismo sem transformação, um amor cego em cumplicidade com a iniquidade, uma compreensão desequilibrada que negligencia sua obrigação de corrigir qualquer tipo de erro, uma postura de condenadores contra aqueles que pregam a obediência ao verdadeiro Evangelho, e a mistura irracional de costumes nada sagradas ao culto prestado. Vejamos então o que é a real liberdade ensinada na Bíblia.
    O contexto desse capítulo fala sobre o modo de vida do cristão abordando seu testemunho dentro e fora da igreja (1ª Co 3:1-5); seu objetivo, na época, era mostrar aos judeus convertidos que, com o sacrifício de Cristo, a Lei que tinha a função de condenar havia passado a dar lugar à maravilhosa Graça divina (2ª Co 3:6-11); eles não mais estavam sob o véu da Lei que servia para “cobrir” a glória de Deus, pois agora o Espírito Santo está acessível aos que reconheceram Cristo como seu Salvador (2ª Co 3:12-18). Muitos haviam aderido ao Evangelho, mas não tinham perdido os antigos costumes, ou sejam, estavam presos à antiga Lei; não haviam compreendido o porquê do sacrifício na cruz. Porém, a ideia de liberdade causava neles uma certa confusão, tanto que, em outros pontos, as Escrituras alertam que nem tudo convém ao crente (1ª Co 6:12; 10:23), o qual não deve usar de sua liberdade para fazer tudo o que acha que é certo (Gl 5:13,16). Ser livre em Cristo não é estar livre de regras ou obrigações (Gl 5:16-26), mas sim não estar preso à rituais exigidos para a salvação (Hb 10:1-6) e nem à perdição do pecado (Rm 6:17,18; Ef 2:1-3,13).