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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

“Deus Não Habita em Templos Feitos Por Mãos de Homens”

Não saber diferenciar entre templo
como casa de Deus e como local de
ajuntamento daqueles que o
adoram, tem sido a causa de
grandes confusões alimentadas por
aqueles que não querem ter
compromisso com a Obra do Senhor
formalizada como instituição na terra
pela Igreja.
Atos 7:48 - “mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens [...].”
    Uma leitura isolada desse versículo é o que tem feito muitos acharem que não precisam ou não devem frequentar um templo porque Deus não está lá. Mas lendo todo o texto - a última pregação de Estevão, pela qual foi apedrejado - vemos que ele está falando em sentido espiritual e não físico, pois Deus é Espírito e é onipresente; dessa forma ele não precisa de um lugar para morar, mas está em todos os lugares ao mesmo tempo. Paulo enfrentou situação parecida explicando aos atenienses que o templo ou imagens não deviam ser idolatradas (At 17:22-26).
    Estevão falava da rebeldia de Israel no deserto (At 7:38-46), então disse que o Altíssimo não habita em templos - ou casas - feitos por homens: declaração semelhante à que Salomão fez em sua oração pelo templo (1º Rs 8:27), enfatizando também o que falou Isaías (At 7:49,50; Is 66:1,2). Continuando sua mensagem repreensiva, diz que o povo sempre resistiu ao Espírito Santo (At 7:51); assim estava dizendo que iam ao templo cumprir formalidades, mas não adoravam verdadeiramente (Mc 7:5-9) e nem eram fiéis, porque sempre perseguiram e mataram os profetas (At 7:52,53). Não preciso nem dizer o que aconteceu com Estevão depois dessa pregação “sem unção”...  Concluindo, ele não estava pregando contra a existência de templos, e sim ensinando que templos não são um lugar específico aonde Deus está (Jo 4:21-24; Mc 13:1,2). Isso significa que não temos que frequentá-los? Não! Ao contrário! Eles são o lugar em que nos reunimos para adorar e aprender a Palavra (1ª Co 14:26); não posso dizer que amo ao Senhor se não consigo servi-lo junto com meus irmãos (1ª Jo 4:20,21). E aquele negócio de “a Igreja sou eu”? Isso é só mais um modismo Gospel, pois a Bíblia diz que somos membros de um Corpo e não o Corpo: a Igreja somos nós (Rm 12:4,5; 1ª Co 12:12-28)! Ser templo do Espírito Santo (1ª Co 6:19; 2ª Co 6:16) não é ser Igreja sozinho e sim ter o Espírito Santo em nós (Ef 5:18-21).

sábado, 19 de setembro de 2015

Usos e Costumes: Uma Doutrina do Homem ou de Deus?

É preciso ter muito equilíbrio
para definir o que é doutrina de
Deus e o que é costume do
homem para não tirar a
liberdade que nos é dada por
natureza e nem ofender a santa
natureza divina. O princípio
básico para isso é: "O que eu
faço ou deixo de fazer está ou
não agradando a Ele?"
    Diante de tantas polêmicas no meio cristão, essa é uma das que mais têm se destacado nos “ringues ministeriais”. De um lado, com muito peso, os mais tradicionais defendendo uma postura muitas vezes até radical dos fiéis e, de outro, aparentemente com bastante agilidade, os mais liberais apoiando mudanças, algumas até extravagantes na conduta dos mesmos. O que torna essa briga mais difícil é que todos usam a mesma arma: a Bíblia. Sendo assim, como juíza dessa luta, a quem ela declara como vencedor? Se a analisarmos cuidadosamente, ambos estão empatados e, mesmo longe da vitória, também não estão completamente errados. Não! Eu não estou procurando um jeito de ficar em cima do muro e agradar a todos! Estou apenas conseguindo enxergar que há exageros dos dois lados, enquanto que a Palavra de Deus exige de nós equilíbrio (Ec 7:16,17). Para prosseguir, não há como entendermos se o controle da igreja sobre a conduta pessoal de seus membros no que se refere às vestimentas, ao vocabulário e à própria visão sobre o mundo são legítimas ou não sem antes sabermos o significado da palavra doutrina.
    Segundo os dicionários da língua portuguesa, resumidamente, doutrina é o conjunto das ideias básicas contidas num sistema filosófico, político, religioso, econômico, etc.; um conjunto de princípios que servem de base para a definição de regras que, de certa forma, funcionam como lei em um determinado grupo de convívio. No que se refere à religião, principalmente no cristianismo, é a organização de um regulamento interno com dogmas[1] que definem um padrão de comportamento que valorize a ordem, a moral e os bons costumes perante a família, a Igreja e a sociedade como um todo de modo agradável a Deus, tendo como fundamento as escrituras por elas consideradas sagradas. Assim sendo, espera-se que todos os ensinamentos de uma igreja evangélica referentes à postura pessoal de seus frequentadores sejam fundamentados pela Bíblia. No entanto, é aí que começa um grande problema: a interpretação do Livro Sagrado depende de muito discernimento tanto espiritual quanto intelectual, e se não houver equilíbrio entre os dois, o resultado pode ser catastrófico. Pois o que temos visto, principalmente de uns tempos atrás, são comportamentos bizarros e até intolerantes por parte de muitos que pensam estar agradando ao Senhor agindo radicalmente (Cl 2:16-23), e também atitudes extremamente liberais que chegam a ser intoleráveis porque provocam escândalo ao Evangelho (Cl 2:8[2] [3] [4]).
    Os líderes mais tradicionalistas costumam associar doutrina ao autoritarismo como forma de manter controle sobre o povo, como se isso significasse santificação e tivesse ligação direta à conduta de acordo com o que eles ensinam como sendo determinações divinas; mas não é isso que as Escrituras ensinam: o termo traduzido em português como doutrina aparece 50 vezes na Bíblia, sendo 8 vezes no Antigo Testamento e 42 no Novo. Vejamos seus significados:
v Do hebraico basar, significando trazer novidades, dar notícia, publicar, pregar, anunciar; como, por exemplo, em 1º Samuel 4:17; 2º Samuel 1:20; Salmos 40:9 e Isaías 52:17.
v Do hebraico lecach, significando ensinamento, ensino, percepção, instrução, persuasão; como, por exemplo, em Deuteronômio 32:2, Jó 11:4, Provérbios 1:5 e Isaías 29:24.
v Do hebraico yacar, significando castigar, disciplinar, instruir, admoestar, corrigir; como, por exemplo, em Levítico 26:18, Deuteronômio 4:36, Provérbios 9:7 e Ezequiel 23:48.
v Do hebraico yarah, significando dirigir, ensinar, instruir, encaminhar, mostrar; como, por exemplo, em Gênesis 46:28, Êxodo 15:25, Deuteronômio 17:10, Salmos 27:11.
    Como pudemos constatar, realmente, doutrina possui, em alguns casos, o sentido de castigo ou correção; porém, na maioria das aplicações, essa expressão se refere a anunciar, pregar, mostrar ou ensinar. É óbvio que tudo isso consiste sim em ter uma conduta agradável a Deus, mas em toda a Bíblia, principalmente no Novo Testamento, não encontraremos nenhuma lista de regras concernentes a poder ou não usar isso ou aquilo, muito pelo contrário: se somos espirituais, nossa consciência é controlada pelo Espírito Santo (1ª Jo 3:20,21). No entanto, nos ensina também a obedecer nossos líderes (Hb 13:17,7), e é aí que muitos se perdem.
    No tocante às vestes, as ordens divinas que encontramos aparecem inseridas na Lei Mosaica[5] e se referem a homem não usar roupas de mulher e vice-versa (Dt 22:5), mostrando uma reprovação de Deus a qualquer ato que possa pelo menos insinuar uma condição de homossexualismo, e claras determinações contra a nudez (Êx 20:26; Gn 9:21-23), o que podemos entender também como uma alusão à sensualidade[6], o que, além de escândalo e desvalorização da própria pessoa, também pode provocar outros à prática do pecado tanto pela cobiça sexual quanto pelo incentivo aos demais a andarem da mesma forma. Como bem sabemos, a antiga Lei foi entregue aos israelitas e não temos que seguir à risca uma “constituição[7]” que foi feita para uma nação específica de acordo com a sua situação daquele momento; porém, bem sabemos também que a Palavra do Senhor é imutável e que devemos não aplicar o modo de viver do povo de Israel em nossa vida, mas sim respeitar os princípios morais ensinados nos mandamentos, os quais se confirmam na Nova Aliança (Ap 3:18).
    Mas o problema aí está no entendimento no momento da aplicação, pois os tradicionalistas acertam em seu cuidado com o corpo, o qual é templo do Espírito Santo (1ª Co 6:12-20), e aí temos que concordar que, principalmente no caso das mulheres, roupas demasiadamente apertadas, curtas ou transparentes desonram a Deus que não as criou para mostrar sua intimidade à homens que não sejam seus maridos, mas os mesmos radicalizam em estipular determinados tipos de roupa como pecaminosas. Por exemplo: dizem que uma mulher não pode usar calças compridas porque isso é roupa de homem, no entanto, se dermos para alguns desses senhores uma calça feminina, prontamente recusarão dizendo ser isso uma calça de mulher. E agora? De repente ela deixou de ser roupa de homem, mas também não pode ser usada porque é roupa de mulher? Ou seria o contrário? Essa conclusão parece, no mínimo, incoerente, não é mesmo? Continuando a lista de proibições, mencionam os adornos - colares, pulseiras, brincos: enfim, os penduricalhos de modo geral -, e, de fato, a Bíblia também fala disso (1ª Tm 2:9,10[8]); porém, referindo-se aos excessos porque isso representa orgulho e soberba, e também porque enfeites em exagero era uma característica própria das prostitutas, e havia ainda a questão da idolatria, a qual também era manifesta por meio de muitos desses ornamentos; mas não os proíbe por completo, o que significa que simples colares, pulseiras ou brincos de tamanho ou conteúdo moderados que não expressem falta de modéstia e nem permitam confundi-las com mulheres vulgares, e nem contenham imagem idólatras, não levarão ninguém à condenação. Convenhamos também que as saias e as maquiagens de algumas senhoras sacrossantíssimas até dentro da igreja provocam mais escândalos e desejos imorais nos homens do que calças bem ajustadas - não justas - que não definam o corpo e nem mostram as pernas. Da mesma forma aos homens: não há mandamentos bíblicos que os proíbam de usar bermudas, camisetas regatas ou demais roupas esportivas, ou mesmo deixar a barba crescer, desde que saibam se portar devidamente como cristãos, é claro (1ª Pe 3:3-5[9]).
    O problema da maioria dos ortodoxos[10] atuais é que as “doutrinas” de suas igrejas foram implantadas ainda nas primeiras décadas do século XX. Naquela época, determinados tipos de roupa eram comuns até mesmo na sociedade secular[11], então, as denominações evangélicas que surgiram, nada mais fizeram do que se adequar ao padrão de comportamento daquele período em cada país que chegavam. Com o tempo, as tendências de moda foram mudando e o próprio mundo deixou de ter um comportamento que fosse totalmente aceitável pelo padrão cristão. Devido a isso, houve uma necessidade de que os líderes se preocupassem em manter a diferença não permitindo aos seus liderados uma postura que ferisse os bons costumes ensinados na Palavra. Só que muitos se excederam nesse cuidado não tendo discernimento para entender que a Igreja pode sim acompanhar a modernidade até o ponto que esta não fira a moralidade (Jo 17:15-17; At 5:28,29), pois nem tudo é indecente desde que saibamos a diferença entre o certo e o errado. Uma visão limitada transformou alguns pastores em ditadores, os quais “transformaram” as regras antigas em lei e praticamente as classificaram como sagradas. Tais equívocos de interpretação os levavam - e ainda levam alguns - a expor membros de suas denominações ao constrangimento aplicando-lhes disciplina[12] por atos tão simples, pelos quais muitos não aguentaram e saíram da igreja sentindo-se incompreendidos e injustiçados, principalmente quando conhecem o conteúdo bíblico (At 15:28,29[13]); e não nos esqueçamos também que o conteúdo bíblico alerta a nos abstermos da fornicação, a qual também pode ser estimulada pelo tipo de roupa que se usa.
    Sem dúvida nenhuma, a liderança da igreja é sim instituída por Deus (Ef 4:10-12) e deve realmente ser obedecida. Além do mais, o que muitos não entendem é que, embora haja alguns equívocos de interpretação e exageros no rigor de sua aplicação, a intenção da maioria dos pastores não é abusar da autoridade, mas sim zelar pelas almas das ovelhas, pois acreditam que assim estão garantindo sua segurança na caminhada até o céu. E, de fato, ainda que tais exigências não sejam mandamentos divinos, quem os obedecer nada estará perdendo com isso. Aos que não concordam, o meio mais racional de lidar com a situação é escolher uma denominação de acordo com aquilo que ache mais justo para não viver em murmuração, assim estando em pecado de rebeldia (Am 3:3; 1ª Sm 15:23; At 15:37-41).
    Não estou aqui me posicionando contra e nem a favor a isso ou aquilo, mas apenas deixando claro que o importante é sabermos muitas das exigências que fazem parte do regulamento interno da maioria das igrejas não se trata de santificação, mas de uma postura adotada por sua liderança que acredita ser essa uma forma de agradar ao Senhor. Se você muitas vezes aceita trabalhar com um uniforme imposto por sua empresa, o qual você acha ridículo ou inadequado, e nem por isso pede demissão, por que não respeitar aqueles os quais pode-se perceber nitidamente que, estando errados ou não, apenas estipulam regras que visam elevar a sua vida espiritual? No entanto, se optar por uma associação ministerial mais aberta e modernizada, também não pode ser censurado por isso; porém, certifique-se de que a liberdade por eles pregada esteja verdadeiramente fundamentada na Bíblia Sagrada (1ª Jo 4:1; Mt 7:15,16). Para concluir, lembre-se sempre de uma coisa: Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2:11), mas isso não significa que Ele não queira que elas mudem (Rm 12:1,2).



[1]Dogma: Ponto ou princípio de fé definido por uma Igreja. Conjunto das doutrinas fundamentais do cristianismo. Cada um dos pontos fundamentais de qualquer crença religiosa. Fundamento ou pontos capitais de qualquer sistema ou doutrina. Proposição apresentada como incontestável e indiscutível.
[2]Filosofia: Estudo geral sobre a natureza de todas as coisas e suas relações entre si; os valores, o sentido, os fatos e princípios gerais da existência, bem como a conduta e destino do homem. Sabedoria humana em contraste com o conhecimento revelado por Deus (Cl 2:8). Filósofo era uma pessoa que procurava compreender e explicar o sentido da experiência humana (At 17:18).
[3]Sutileza: Astúcia. Esperteza; habilidade em enganar.
[4]Rudimento: Fundamento; princípio.
[5]Leia Mosaica: Lei de Moisés: A Lei de Deus entregue por Moisés ao povo de Israel.
[6]Sensualidade: Lascívia (Conduta vergonhosa, como imoralidade sexual, libertinagem, luxúria). Atos modos ou gestos que despertam em outras pessoas desejos relacionados à pratica sexual. Estímulo ao apetite carnal.
[7]Constituição: Lei fundamental que regula a organização política de uma nação soberana; carta constitucional. Ordenação, estatuto, regra.
[8]Pudor: Sentimento de pejo ou vergonha, produzido por atos ou coisas que firam a decência, a honestidade ou a modéstia. Vergonha. Pundonor, recato, seriedade.
[9]Frisado: Trançado.
[10]Ortodoxo: Quem age conforme a uma doutrina definida; quem é rígido em suas convicções.
[11]Secular: Pertencente ou relativo a século. Que se observa ou se faz de século a século. Em sentido religioso, se refere àquilo que não é espiritual ou às pessoas mais ligadas às coisas relacionadas ao mundo do que as espirituais.
[12]Disciplina: Pessoa que segue os ensinamentos de um mestre. No Novo Testamento se refere tanto aos Apóstolos (Mt 10:1) como aos cristãos em geral (At 6:1). Em linguagem ministerial, é o período em que uma pessoa, após cometer um grave pecado, fica na igreja afastada de qualquer tipo de cargo, geralmente sem o direito de participar da Ceia e sem poder ministrar a Palavra ou participar de grupos de louvor; é o popular “ficar de banco”; seu tempo de pena varia de acordo com a determinação do corpo administrativo de cada denominação ou congregação local; normalmente se aplica a membros batizados nas águas.
[13]Fornicação: Relação sexual ilícita (At 15:29).

sábado, 7 de julho de 2012

Por que precisamos frequentar a igreja?

Igreja é um lugar de aprendizado,
valorização e prática de tudo o que
a Bíblia ensina sobre santificação,
amor e comunhão.
    Essa é uma pergunta muito comum, não somente fora, mas também dentro da igreja. Pois muitos evangélicos têm questionado a necessidade de frequentar os cultos e de serem membros de uma congregação para adorar, servir e ter comunhão com Deus. O argumento desses “crentes sem igreja”, ou “desigrejados”, é o seguinte: “Se Deus está em todos os lugares, por que eu preciso buscá-lo dentro de um templo?”; e, baseando-se na superficialidade de uma tese meramente racional, ou seja: de uma opinião levada pela ótica humana sem se considerar seu significado espiritual, eles chegam à conclusão de que as instituições religiosas somente querem ganhar fama e se enriquecer às custas de seus membros não ajudando em nada na comunhão entre o homem e Deus, e assim decidem que podem muito bem servir ao Senhor sozinhos. De fato, não podemos negar a existência de líderes corruptos, mas o fato de haver corrupção em todas as instituições existentes na terra, não nos dá o direito de fugir dos meios de convívio social que participamos, não é mesmo? E por que com a igreja do Senhor seria diferente? Será que ela é mais imunda do que a política, os ambientes de trabalho, as escolas e todos os outros lugares? A grande verdade é que o maligno espírito da hipocrisia trabalha na mente humana de uma tal forma que, de todas as maneiras, ajuda o homem a arrumar uma desculpa para afastar-se de seu Criador.
Ser membro de um corpo representa
caminhar junto com pessoas que
creem, pensam e agem da mesma
forma, tendo todas em comum o
mesmo destino.
    Ser cristão não é o simples fato de acreditar, mas sim fazer parte do Corpo de Cristo[1]! Será que isso é só uma questão de opinião? Então vejamos o que a Bíblia diz sobre isso: na primeira Epístola à Igreja da cidade de Corinto, capítulo 12 e versículo 12, o Apóstolo Paulo escreveu o seguinte: Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Aqui ele esclarecia aos crentes coríntios várias dúvidas em relação aos dons espirituais. E não há como questionar que quando ele menciona a palavra “membros” e “corpo”, está se referindo a cada irmão como membro do Corpo de Cristo, ou seja: a toda a congregação[2] como uma igreja[3] cristã. A palavra “igreja” vem do grego “ekklesia”, e significa “chamados para fora (ek: para fora; klesia: chamados) e, dentro do contexto bíblico é definida como reunião, congregação, assembléia[4] ou ajuntamento de pessoas com objetivo religioso e, na língua portuguesa, normalmente também a usamos para nos referir à construção física do local de culto que na Bíblia é traduzida como templo. Então, de acordo com o texto bíblico que acabamos de ler, Paulo estava falando com uma igreja e não com crentes de modo individual, pois o sentido de suas palavras nos dá a perfeita noção de união; isso quer dizer que ele estava ensinando sobre algo que não poderia ser praticado com perfeição por uma pessoa isolada de grupo. Antes de prosseguir, tenho só uma pergunta: um membro consegue permanecer vivo se for amputado do corpo?
Todo rebanho precisa de um pastor,
pois foi para isso que o Senhor Jesus
separou muitos de seus servos;
aqueles que acham que podem se
apascentar sozinhos são ovelhas
rebeldes perdidas fora do aprisco,
totalmente vulneráveis aos ataques
do lobo e que enquanto não se
juntarem às demais, não podem ser
consideradas como parte do rebanho
do Supremo Pastor.
    A Bíblia nos ensina a amar e ter comunhão[5] com os irmãos; mas como posso dizer que amo e que tenho comunhão se não consigo nem me sentar ao lado deles para adorar a Deus? É realmente indiscutível o fato de que a má conduta de alguns - principalmente dos de cima - nos levam a ver a instituição chamada igreja com maus olhos, porém não devemos deixar que nossos sentimentos carnais nos ceguem a ponto de enxergarmos a igreja simplesmente como uma instituição e não como a união dos membros do Corpo de Cristo. Não podemos permitir que as dificuldades nos impeçam de aceitar que o Senhor cumpra os seus propósitos em nossa vida. É necessário entender que sempre haverá “razões” para não fazermos o que é certo, mas que se deixarmos a carnalidade de lado e pedirmos visão espiritual, conseguiremos enxergar que, em meio a tantas contrariedades, há muitos motivos sim para fazermos parte da Igreja do Senhor e adorá-lo não só em espírito, mas também em verdade dentro dos templos construídos para a reunião dos seus servos, pois ir ao templo é:
  • Sinal de alegria (Sl 122:1);
  • Demonstração de comunhão (2ª Co 9:12);
  • Ter desejo de louvar (Sl 149:1);
  • Prova de amor (At 2:42);
  • Ter vontade de aprender a Palavra (At 15:31[6]);
  • Sentir necessidade de testemunhar as bênçãos (At 15:4);
  • Assumir o compromisso pregar a Palavra (At 5:20);
  • Compartilhamento dos dons (2ª Co 9:13[7]);
  • Procurar um lugar apropriado para orar (At 3:1[8]);
  • Fazer parte de um povo que foi ajuntado por Deus (Is 56:7,8);
  • Querer sentir-se edificado firme na Rocha que edificou a Igreja (Mt 16:18);
  • Desejar viver de acordo com os procedimentos divinos (1ª Tm 3:14,15).
De fato, os escândalos dos obreiros
fraudulentos tem desincentivado a
muitos de participarem de qualquer
instituição religiosa, mas o nosso
alvo é Jesus Cristo e é para Ele que
devemos olhar; não podemos
permitir que nada nos separe do
seu amor.

    É claro que não devemos encarar nossa freqüência no templo como uma condição para a salvação (Jo 4:20,21); mas se realmente queremos ser chamados de servos[9] do Senhor, não há como trabalharmos para Ele, estando fora da sua casa. Além do mais, se, como dizem alguns, a existência de templos fosse desnecessária ou até mesmo reprovada por Deus, Ele não teria, desde o princípio, mandado construir o tabernáculo e posteriormente um templo; e, já no Novo Testamento, todas as epístolas, incluindo as cartas do Apocalipse não teriam sido endereçadas às igrejas tendo como destinatários os seus pastores. O fato de, desde os tempos bíblicos até hoje, muitas vezes o Senhor ter corrigido as igrejas, não significa que ele seja contra a existência de seus templos, muito pelo contrário, a correção sempre foi para uma melhor qualidade nos cultos prestados a Ele (1ª Co 14:39,40). 
Somos frágeis seres feitos de barro
que sozinhos tem dificuldades para
se manter de pé; a união é um fator
fundamental, pois quando um cai,
há vários outros para ajudá-lo a
se levantar.
    Conforme vimos em 1ª Coríntios 12:12, se o Corpo é um, significa que Ele não pode estar dividido, pois um corpo dividido não tem vida; então para estarmos espiritualmente vivos devemos estar unidos. O corpo tem muitos membros; como sabemos, cada membro tem sua função específica para que tudo funcione bem. E os membros, apesar de serem muitos, são um só corpo; isso quer dizer que não importa a função de cada um, mas todos fazem parte do mesmo Corpo e que se forem desligados dEle não terão utilidade. Fazer parte de uma congregação é extremamente importante para a sobrevivência do crente: veja só esse exemplo: a Bíblia menciona a existência de vários dons e, de uma forma ou de outra precisamos de todos eles; porém, ninguém exerce absolutamente todos, mas somente na Igreja, juntamente com nossos irmãos, sendo um só Corpo, podemos compartilhar de todos eles. E, só para finalizar, o único lugar que sabemos que não haverá templo será no céu (Ap 21:10,22).


Comunhão não é algo que existe
por si só: ela depende da união; uma
das coisas que Jesus mais ensinou foi
a prática do amor, e como posso
dizer que amo se não estiver unido
em comunhão com os meus irmãos?
Viver somente para si mesmo e dizer
que está cumprindo a vontade de
Deus é hipocrisia!
[1]Corpo de Cristo: A Igreja e seus membros (1ª Co 12:12-31; Ef 4:16; 5:30).
[2]Congregação: [do grego: Ekklesia]. Reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público, assembléia. Assembléia do povo reunida em lugar público com o fim de deliberar. Assembléia dos israelitas. Qualquer ajuntamento ou multidão de homens reunidos por acaso, tumultuosamente num sentido cristão. Assembléia de Cristãos reunidos para adorar em um encontro religioso. Grupo de cristãos, ou daqueles que, na esperança da salvação eterna em Jesus Cristo, observam seus próprios ritos religiosos, mantêm seus próprios encontros espirituais,  e administram seus próprios assuntos, de acordo com os regulamentos prescritos. Aqueles que em qualquer lugar, numa cidade, vila, etc, constituem um grupo e estão unidos em um só corpo. Totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo. Assembléia dos cristãos fieis já falecidos e recebidos no céu. Israel considerado como povo ou nação (Êx 12:3). O povo reunido, especialmente para fins religiosos (1º Rs 8:14; Hb 10:25).
[3]Igreja: Grupo de seguidores de Cristo que se reúnem em determinado lugar para adorar a Deus, receber ensinamentos, evangelizar e ajudar uns aos outros (Rm 16:16). A totalidade das pessoas salvas em todos os tempos (Ef 1:22).
[4]Assembléia: Reunião sagrada, política ou festiva). Ajuntamento, companhia, grupo. Conselho. Convocação. Organização.
[5]Comunhão: Associação com uma pessoa, envolvendo amizade com ela e incluindo participação nos seus sentimentos, nas suas experiências e na sua vivência (1ª Co 1:9; 10:16; 2ª Co 13:13; Fp 2:1; 3:10; 1ª Jo 1:3,6,7). Relacionamento que envolve propósitos e atividades comuns; parceria (At 2:42; 2ª Co 6:14; Gl 2:9; Fm 1:6).
[6]Exortar: Aconselhar; animar; encorajar (Rm 12:8; Tt 2:15). O verbo "exortar", que corresponde a parakaleo (no grego), não tem o sentido de "repreender".
[7]Liberalidade: Generosidade (2ª Co 9:13).
[8]Hora nona: A hora nona corresponde a 3 horas da tarde, pois a sexta hora dos judeus coincide com a décima segunda do dia tal como dividida pelo nosso método. A primeira hora do dia judeu equivale a 6 horas da manhã para nós.
[9]Servo: Empregado (Mt 25:14). Escravo (Gn 9:25). Pessoa que presta culto e obedece a Deus (Dn 3:26; Gl 1:10).

Jonas M. Olímpio

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Filadélfia, a Igreja do Amor Perfeito

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 2º Trimestre de 2012 - Lição 8 | AD Belém - Setor 20 (Arujá/SP) - Congr. Pq. Rodrigo Barreto I | Jonas M. Olímpio

As ruínas de Filadélfia revelam a
religiosidade do seu passado;
porém, o seu presente está
precisando retornar ao primeiro
amor urgentemente
Texto Áureo
    Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele (1ª Jo 2:5).

Verdade Prática
    Amar não é suficiente. É urgente que o nosso amor seja perfeito como perfeito é o amor com que Deus nos amou.

Leitura Bíblica em Classe
    Apocalipse 3:7-13 - E ao anjo da igreja que está em Filadélfia[1] escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: 8Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu

quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma Igreja Verdadeiramente Próspera

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD 
1º Trimestre de 2012 - Lição 10
Aula ministrada por mim na AD Belém - Setor 20 (Arujá/SP) - Pq. Rodrigo Barreto I
Jonas Martins Olímpio

Uma Igreja verdadeiramente
próspera não ostenta riquezas e
nem desperdiça futilmente as
contribuições de seus membros
Texto Áureo
    E a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus. (Gl 6:16)?

Verdade Prática
    A Igreja prospera quando cumpre integralmente a missão que lhe confiou o Senhor.

Leitura Bíblica em Classe
    Efésios 2:11-13; Romanos 11:1-5 - Efésios 2:11-13Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios[1] na carne, e chamados incircuncisão[2] pelos que na carne se chamam circuncisão[3] feita pela mão dos homens; 12Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da