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sábado, 22 de dezembro de 2018

União e Comunhão Com a Família de Cristo: Características de Um Eleito

O verdadeiro sentimento de
união e comunhão se traduz na
prática do amor: um sentimento
que não possui barreiras para
ser exercido. Um verdadeiro
eleito para o Reino de Deus
sabe que, em meio à qualquer
dificuldade, seu verdadeiro
inimigo é o pecado, o qual o
afasta de Deus e,
consequentemente, de sua
família espiritual.
2º João 1:13 - "Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita. Amém!"

Contexto
- Essa epístola foi escrita pelo apóstolo João entre 85 e 90dC; possivelmente ele estava livre em Éfeso e não preso em Patmos. 
- Sua destinatária é identificada apenas como a "senhora eleita" no primeiro versículo. 
Há quem diga que esse termo se refira à Igreja, mas as evidências textuais indicam que se trate de uma pessoa que tenha cedido sua casa para que os cristãos se reunissem. No versículo 5 ele também a chama de senhora.
- O conteúdo básico da carta visa tratar de questões doutrinárias concernentes a ter cuidado com falsos obreiros e na prática do amor ao próximo.

Mensagem
- Mesmo distante, o apóstolo João não deixava de interagir com os irmãos dos lugares por onde havia passado. Isso nos ensina que o amor vai além das barreiras da distância e do tempo, superando a própria morte.
2ª Pe 1:15 - "Mas também eu procurarei, em toda a ocasião, que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas."

- A expressão "os filhos de tua irmã", embora possa estar se referindo à parentes carnais da destinatária de sua epístola, nos ensina que a Igreja é uma grande família e, como tal, apesar de inevitáveis desentendimentos, deve sempre permanecer unida.
1ª Co 9:10 - "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. 10Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer."

- "A eleita" é uma expressão bíblica muito usada em relação àqueles que se converteram ao cristianismo, referindo-se à sua condição de salvos em Cristo; porém, tal afirmação não nos garante como salvos somente pelo fato de professarmos nossa fé no cristianismo, pois muitos filhos abandonam sua casa e abrem mão de sua herança.
1ª Co 10:12 - "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia."

- Ser eleito ou não-eleito não significa que Deus escolheu uns para a salvação e outros para a condenação, pois tal eleição se refere à Igreja generalizadamente como Corpo de Cristo, mas fazer parte dela ou não é uma opção individual por meio do livre-arbítrio. É importante lembrar que nem todos os eleitos para algo chegam a tomar posse da posição que lhes fora destinada.
Ap 3:20,21 - "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo. 21Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono."

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Estou Amando Uma Pessoa que Não é Crente... E Agora?

Somente quem tem a vida
voltada a obedecer a Deus
consegue compreender que é
melhor ter o coração partido
do que o lar e a vida destruída.
    No meio da juventude evangélica essa é uma questão cada vez mais presente. E, a partir dela, surge o seguinte questionamento: “O que a ‘religião’ tem a ver com meus sentimentos?” e, em resposta a essa indagação que denuncia a revolta de um cristão imaturo, eu faço a seguinte pergunta: “Vale a pena permitir que um simples sentimento, ou desejo, que pode ser passageiro, ameace a sua comunhão com Deus?”. Para entender isso é necessário entender que esse sentimento chamado de amor[1] vai muito além daquilo que é ensinado pela sociedade, sendo, muitas vezes, na verdade, simples paixões[2] momentâneas, as quais podem ser classificadas como admiração, atração física, necessidade afetiva ou interesse por conveniência. Além do mais, mesmo que você tenha a certeza de que o que sente é verdadeiro, é preciso compreender que não é a “religião” que está interferindo em seus sentimentos, mas sim a Igreja, por meio de líderes ou membros responsavelmente compromissados com a Palavra de Deus, te orientando para que você não sofra futuramente.
    Mas o que a Bíblia diz sobre isso? Deus, por meio da sua Palavra, sempre condenou a mistura do santo com o profano (2ª Co 6:14-18[3] [4]). E vamos analisar isso de uma forma bem prática: não união conjugal entre um crente e um incrédulo existem dois grandes riscos: o crente se desviar ou ambos viverem em constantes confrontos. Para entender melhor, vejamos separadamente cada uma das situações:

O risco da influência: Quando se toca nesse assunto surge aquela velha teoria do “paquerador evangelista”, na qual reza a lenda que ele vai ganhar a alma dela pra Jesus. A intenção pode até ser essa, mas como ele pode ter certeza que está com essa “unção” toda (Pr 5:1-13[5])? É claro que, sendo espirituais, não podemos negar que Deus pode sim permitir esse tipo de união se tiver ali um propósito de salvação, mas devemos considerar que essa é uma rara exceção e não uma regra. Geralmente, o que acontece é exatamente o contrário: depois de algum tempo, tendo casado ou não, por se deixar levar por costumes inadequados, ou mesmo para segurar o relacionamento, ele acaba é se afastando parcial ou totalmente do Evangelho - e, só pra lembrar, para Deus não existe crente parcial: ou é ou não é (Ap 3:15,16)! - até que, depois de algum tempo, não consegue entender porque as coisas não estão dando certo, já que fez tudo em nome do amor... Mas o que é amor mesmo? Amigos, sejamos sinceros: em tudo na vida, mas principalmente no que se refere às coisas espirituais, é muito - mas muito mesmo - mais fácil ser influenciado do que influenciar. E não adianta dizer que é só ter determinação porque só erra quem quer, porque a própria Bíblia nos ensina o contrário (1ª Co 15:33), ou ela está errada?

A falta de harmonia no relacionamento: Muitas vezes, pode até haver entre o casal um certo tipo de acordo do tipo: “Você respeita a minha liberdade e eu respeito a sua, e assim podemos viver felizes para sempre!”. Mas, agora, botando os pezinhos no chão, até que ponto vai durar a fantasia desse conto de fadas? Pense bem: Domingão a noite, hora do culto: ele quer ir para a igreja e ela quer ir para uma balada. Será que ele vai estar tranquilo na igreja sabendo que ela está dançando e sendo paquerada por outros homens? Dentro de casa, ele quer ouvir louvor e ela quer ouvir um funk ou um forró. Que paz ele vai ter nesse ambiente para manter a comunhão com Deus? Vale a pena o sacrifício em nome do tal do amor? Pois é a partir de simples diferenças como essas - que, na teoria, pareciam fáceis de se suportar - que surgem os grandes conflitos entre o casal, seguidos de suas devidas consequências. Seja sincero com você mesmo e admita: luz e trevas não podem, não devem e não conseguem viver juntas em perfeita harmonia (Tg 4:3-5).

    Como vimos, não vale a pena arriscar. Então, o que fazer? Só para termos uma noção, dez regrinhas básicas e bem simples:

1.      Se o seu relacionamento com Deus é saudável, Ele vai te dar um relacionamento conjugal igualmente saudável.
2.      Ele conhece todas as mentes e corações, por isso sabe o que é melhor para você.
3.      Para ter certeza de que é Ele que está te direcionando, ore em secreto e peça um sinal com sinceridade que a sua fé vai ser honrada.
4.      Se a pessoa que Ele te mostrar não for do teu agrado, lembre-se de que você não sabe escolher.
5.      Jamais olhe pela aparência, mas peça ao Senhor para te ajudar a contemplar a beleza interior da pessoa.
6.      Não ambicione o que ela pode te dar, mas veja se ela valoriza o que Deus deu à ela.
7.      Não é o fato de estar dentro da igreja que faz da pessoa uma crente, por isso, analise o quanto ela leva as coisas espirituais a sério.
8.      Vindo do mundão, uma pretendente pode te oferecer muito prazer - principalmente na área sexual­ -, mas leve em consideração que a vida de um casal não se resume na cama.
9.      Se a pessoa que Ele te mostrar não parecer ser perfeita, lembre-se de que você também não é perfeito e que ambos estão ganhando dEle a oportunidade de serem aperfeiçoados juntos.
10. Alguém que verdadeiramente te ama, vai te ajudar a se aproximar de Deus e não te afastar dEle.

    De fato, principalmente para a juventude atual, não é fácil vencer ao assédio e às tentações que os bombardeiam constantemente. Somente os que persistem numa vida de plena comunhão espiritual conseguem forças para não ceder desde a uma simples cantada por meio de um elogio aparentemente inocente até a uma proposta indecente que vise satisfazer seus desejos carnais. Não se deixar convencer ou não se entregar à sua própria vontade são atitudes que não podem ser tomadas com nossas tão limitadas forças humanas, pois, muitas vezes, mesmo desejando fazer o que é certo, tendemos a fazer o que é errado (Rm 7:17-20); por isso, precisamos reconhecer que se não nos entregarmos ao Senhor pedindo que pela sua misericórdia venha a nos ajudar a vencer o pecado que nos rodeia (Sl 139:23,24), seremos inevitavelmente derrotados. O jugo desigual é algo tão sério que no tempo da Lei[6] eram proibidos os casamentos não só dos israelitas com os povos gentios[7], como também entre israelitas de diferentes tribos de Israel (Nm 36:6-9[8]). Isso é algo tão sério que temos visto que até mesmo a união entre pessoas crentes, mas de diferentes denominações, costuma gerar conflitos, a menos que o casal tenha um firme acordo de, depois do casamento, congregar juntos, ou seja: alguém vai ter que abrir mão e acompanhar o outro.

    Resumindo essa nossa breve meditação, essa é a conclusão a que chegamos: A garantia da felicidade está no cumprimento da Palavra de Deus, mas para isso é necessário entender qual é o papel da igreja e a sua liderança em relação à nossa vida pessoal; O estado emocional do ser humano é muito instável, o que o torna vulnerável a sentimentos de atração que podem facilmente ser confundidos com amor; Na mistura entre o puro e o impuro, a tendência é muito maior de o impuro contaminar o puro do que o puro limpar o impuro; E as atitudes de hoje definem o bem ou o mal estar de amanhã. Tendo conhecimento disso, o que resta à um autêntico jovem cristão é se auto avaliar e, se necessário for, redefinir seus pensamentos e atitudes, sacrificando desejos e até sentimentos, primeiramente para agradar ao Senhor e, consequentemente, mesmo em meio às dificuldades obter uma vida agradável, tendo o que todos os casais desejam: alegria, a qual somente é obtida se houver paz e harmonia dentro do lar. É possível isso vivendo com uma pessoa que não ama e nem vive para Cristo (Rm 6:23)?



[1]Amor: Sentimento de apreciação por alguém acompanhado do desejo de lhe fazer o bem.
[2]Paixão: Inclinação emocional intensa e descontrolada (Rm 1:26; 7:5). Termo que expressa grande admiração por algo ou alguém. Palavra de origem do latim "passione" que significa "sofrimento".
[3]Jugo: Peça de madeira que se prende com correias ao pescoço de animais de carga, para que assim possam puxar uma carroça ou um arado (Nm 19:2; 1º Sm 6:7). Em sentido figurado: domínio, opressão (Gn 27:40; Jr 28:2; Gl 5:1); sofrimento (Lm 3:27); obediência (Mt 11:29-30); aliança (2ª Co 6:14); trabalho (Fp 4:3).
[4]Belial: Pessoa má, sem valor (Jz 19:22; 1ª Sm 30:22). Diabo (2ª Co 6.15).
[5]Absinto: Planta de gosto amargo e ruim. Simboliza aquilo que é desagradável, como o remorso (Pr 5.4) e o sofrimento (Jr 9:15).
[6]Lei: É um termo usado com frequência na Bíblia para definir um código de leis formado por mandamentos, ordens e proibições. Segundo as Escrituras hebraicas, a Lei foi dada por Deus através do profeta Moisés, tendo sido os Dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra pelo próprio dedo de Deus no monte Sinai, a tábua dos dez mandamentos. Pode ser resumida nos Dez Mandamentos, que em língua hebraica são chamados simplesmente de "As Dez Palavras" ou "Os Dez Ditos". Os Dez Mandamentos regulamentam a relação do ser humano com Deus e com seu próximo. Para fins didáticos, o Código Mosaico pode ser dividido em Leis Morais, Leis Civis e Leis Religiosas (Leis Cerimoniais).
[7]Gentio: Qualquer povo fora de Israel. Quem segue o paganismo. Quem não é civilizado. Grande quantidade de gente. Originado pela palavra hebraica “Goym”, é um termo usado para se referir a povos não judeus.
[8]Zelofeade: Membro da tribo de Manassés, cujas filhas pediram a Moisés uma propriedade na Terra Prometida. Ele saiu do Egito com Moisés e morreu no deserto deixando somente cinco filhas como herdeiras; o direito delas à herança foi confirmado por orientação divina, no entanto, não poderiam se casar com homens de outras tribos para que a herança pertencente à Manassés não fosse transferida para outra tribo (Nm 27:1-11).

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Por que na Criação do Homem Deus Instituiu a Família?

A família foi criada por
Deus como o primeiro
meio de convívio do
homem em sociedade;
isso nos dá noção da
razão pela qual
devemos colocá-la em
primeiro lugar no que
se refere ao nosso
relacionamento
humano.
    Após a criação dos céus e da terra e de tudo o que neles há, Deus criou o homem (Gn 2:7), e lhe deu moradia e meio de sustento pelos quais ele devia zelar (Gn 2:8-10,15). A Bíblia não relata se foi no mesmo momento, mas o Senhor disse claramente: “Não é bom que o homem esteja só!”, e ressaltou a importância de que ele tivesse uma ajudadora (Gn 2:18). Se a missão primária do homem era cuidar da terra (Gn 2:5), poderia Jeová ter criado vários homens e simplesmente substituí-los conforme envelhecessem e morressem; no entanto, isso apenas formaria uma classe de seres individualistas e sujeitos a satisfação carnal entre si sem objetivos. Assim sendo, tendo uma mulher, ele desenvolveria por ela um sentimento e um desejo especial, pois não se tratava de um ser fisicamente igual a ele e poderia procriar sabendo de seu dever de cuidar também de seus descendentes. É clara a necessidade que Adão sentia necessidade de companhia e não satisfazia isso nas criações já existentes (Gn 2:20). Assim sendo, criou Deus a mulher; e não a formou de igual modo pegando do pó da terra, mas a fez da costela do homem (Gn 2:21-22), para que ela soubesse que é osso de seus ossos e carne da sua carne (Gn 2:23), assim não lhe dando sensação de independência; porém, o fato de a ter formado da costela, nos dá a ideia de que ambos devem estar lado a lado constituindo uma vida em comum (Gn 2:24). A família moral e espiritualmente bem formada é o sustento de uma sociedade equilibrada no cumprimento de sua missão de honrar seu santo caráter (Gn 1:27,28; Ef 5:22-27; 2:10; 1ª Pe 1:16). Sem família o ser humano está mais vulnerável ao pecado (1ª Co 7:1,2; Pr 18:22).

sábado, 6 de junho de 2015

O Amor Está Acabando, Como Despertar Interesse Novamente?

Pequenos detalhes costumam
gerar grandes problemas que
podem até mesmo destruir um
casamento; por isso, é preciso
que o casal esteja sempre atento
a tudo, desde o comportamento
até mesmo à palavras que
pareçam inofensivas, mas que
possam ferir o cônjuge.
    O tempo passa, algumas coisas mudam; a pessoa amada envelhece, parece mais chata, mais fria, mais distante, menos interessante... Enfim, as vezes a situação chega num ponto em que a princesa tem a sensação de ter casado com um sapo, e o príncipe passa a se sentir como se tivesse casado com uma bruxa. Exagero? Quantos casais já perderam, ou estão para perder, seu casamento porque um dos cônjuges diz que não sente mais nada pela pessoa a quem ele jurou amor eterno? Sabe qual é a maior causa desse problema? Muita gente pensa que está se casando com um objeto inanimado: algo que nunca vai mudar de forma; e se esquece do princípio mais básico da lei da “Natureza”: Nascer, crescer, envelhecer e morrer. O texto de Provérbios 31:30 retrata perfeitamente essa realidade: "Enganosa é a graça, e vaidade[1], a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada"; sim, eu sei que o contexto dessa mensagem se refere à mulher, no entanto, em sentido geral, seu conteúdo abrange ambos os sexos, pois muitos são os homens que também confiam na própria aparência e mulheres que os escolhem pela beleza ou porte físico e não pelos seus reais valores: esse é o caminho mais curto para a decepção. É claro que não podemos desconsiderar quem nem todos escolhem pela aparência e que mesmo assim também podem se sentir decepcionados e perder o interesse; então, sejamos imparciais ao tratar esse tão delicado assunto.
    Homens e mulheres de Deus não devem se dar ao luxo de desprezar seu cônjuge. Porém, se chegar a acontecer o desinteresse, seja por qual for o motivo, não pode haver conformismo e muito menos o abandono da pessoa. Muitos alegam não estar errados, pois não se separaram da pessoa, mas, não mantém uma vida conjugal normal: não há harmonia e nem vida sexual ativa; e, quando há, é apenas para cumprir uma obrigação, ou seja: seu casamento passou a ser apenas uma associação de aparência: estão separados dentro de casa; apenas não oficializaram o divórcio. Você pode ter milhões de motivos para explicar essa atitude, mas nenhum deles te servirá de justificativa diante de Deus (Mt 19:3-9). O primeiro passo para solucionar isso é buscar compreender os defeitos, dar mais atenção às qualidades do que às falhas, dizer o que pensa em vez de esconder o que sente, propor soluções no lugar de só expor as críticas, olhar para si mesmo pra ver se também não está errando e, principalmente, pedir a Deus orientação para ter palavras e atitudes sábias para resolver os problemas e não aumenta-los (Tg 3:13-17).
    Mas, e quando você é o rejeitado? O que fazer? Aí a dor é maior e a busca pela solução também. Porém, nem tudo está perdido. Primeiramente é preciso analisar a fonte do problema, pode ser que você precise mudar algo que está incomodando seu cônjuge; posteriormente, procure agradá-lo: fazer-lhe aquilo que gostaria que o mesmo fizesse por você. Caso a falha não esteja contigo e a postura dele esteja sendo injusta, convide-o para um sério diálogo e se abra, mas mantenha o autocontrole para não colocar tudo a perder de uma vez. Se a situação estiver tão séria que ele queira se separar, tente evitar, mas, se ele for embora, esteja consciente de que a culpa não foi sua (1ª Co 7:12-16). E tenha sempre em mente que Deus deve estar sempre na direção de tudo (Sl 127:1a).
    As decepções são até compreensíveis, entretanto, é de vital importância lembrar que seu cônjuge não é um produto que você comprou no “TV Shopping” e pode devolver caso esteja com defeito ou não satisfaça suas expectativas; não existe garantia, prazo de validade, nem nota fiscal, ou seja: sem direito de devolução (1ª Co 7:10,11). Porém, quando a qualidade é boa existe um selo - o caráter -, mas ele precisa ser observado antes da “compra”; depois não adianta reclamar que foi vítima de propaganda enganosa. Você tem orado em busca de sabedoria para manter seu casamento? Lembre-se: a rejeição ao marido ou a esposa é pecado sim (1ª Co 7:2-5[2] [3] [4])! E jamais se esqueça: a vida de um casal não se resume na cama!


[1]Vaidade: Ilusão. Qualidade do que é vão, instável ou de pouca duração. Desejo imoderado e infundado de merecer a admiração dos outros. Vanglória, ostentação. Presunção mal fundada de si, do próprio mérito; fatuidade, ostentação. Coisa vã, fútil, sem sentido. Futilidade. Jactância, presunção.
[2]Benevolência: Boa vontade para com alguém (Et 2:17; Pr 18:22).
[3]Defraudar: Tirar o direito de alguém.
[4]Incontinência: Lascívia. Falta de moderação no controle do apetite sexual (1ª Co 7:5).

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Como Resistir às Tentações do Adultério?

Uma quebra de aliança
conjugal começa na quebra da
aliança com Deus. Se quer 

saber se está em condições de 
resistir às tentações carnais, 
analise como está sua vida 
espiritual.
    O adultério[1] é uma das mais repugnantes práticas pecaminosas, porque ele não somente mancha o caráter moral e expõe a diversos riscos as pessoas envolvidas, como também afeta a todos os que fazem parte da sua vida. Geralmente, aqueles que se deixam levar pela satisfação passageira dos desejos sexuais ou por falsos sentimentos travestidos de amor, usam até mesmo a própria Bíblia na covarde tentativa de se justificar dizendo: “A carne é fraca”; mas se esquecem que no mesmo versículo em que diz que a carne é fraca, o Senhor Jesus também diz que o espírito está pronto, ou seja: nosso lado espiritual conhece a verdade e quer fazer o que é certo. Além do mais, o contexto dessa Palavra refere-se à oração, então, se querem realmente inseri-la nessa situação, isso significa que a própria pessoa admite que precisa orar mais e, inclusive, vigiar - tomar muito cuidado - em suas atitudes (Mt 26:41). Porém, alguns de “ânimo” mais aguçado poderiam me questionar: “Mas, em relação à tentação[2] sexual é diferente: o corpo foi feito pra isso; existe nos membros sexuais um constante e incontrolável pedido de prazer”; e então eu teria que responder que, urgentemente, é preciso parar de se esconder atrás da própria fraqueza e olhar para as Escrituras Sagradas e ver que é sim possível à um ser humano comum - mesmo com todos os seus membros sexuais ativos e aguçados - resistir às tentações.

  I.   As causas da tentação: As tentações são inevitáveis, pois somos humanos (1ª Co 10:12,13; Tg 5:17). No entanto, é preciso estar atento para não ceder à elas, por isso é necessário saber evitar tudo o que possa nos derrubar através dos desejos carnais, os quais costumam se manifestar de várias maneiras:
a)      Os sentidos naturais do corpo: As portas de entrada que estimulam nossos desejos são os olhos, por onde vemos e apreciamos o que é agradável; os ouvidos, pelos quais somos convencidos a agir; o paladar, um meio que, mesmo ainda não havendo um contato direto, sente vontade de saborear o corpo alheio como pelo beijo, por exemplo; o tato, que é o mais estimulado principalmente quando há uma aproximação mais intensa: geralmente, um abraço; e até mesmo o olfato, que serve como meio de excitação para pessoas mais sensíveis aos mínimos detalhes. Controlar esses sentidos não é tão fácil; porém, é importante lembrar que eles são dominados pela mente, pois somos seres racionais. Baseados nesse princípio, basta procurarmos ter autocontrole, pensamento firme naquilo que é certo e ocuparmos a mente com coisas saudáveis (Sl 101:2,3; Cl 3:2,3,5,6; Fp 4:7,8).
b)     Se colocar em situações de risco: Como sabemos que somos sujeitos ao pecado, devemos reconhecer nossa fragilidade e evitar ficar a sós e manter diálogos muito liberais com pessoas do sexo oposto. Isso também inclui um extremo cuidado com as conversas em redes sociais. Uma conduta vigilante é essencial para o autocontrole (1ª Pe 5:8,9) e, se for necessário fugir, fuja (Gn 39:7-12)!
c)      Auto-exposição: Esse fator se refere a ambos, mas o cuidado deve ser bem maior por parte das mulheres, pois a exposição do próprio corpo com vestes ou comportamento inadequados, como sorrisos maliciosos ou olhares insinuantes, as torna um alvo desejável para homens mal-intencionados. A partir do momento que a mulher - propositalmente ou não - causa excitação em homens, passa a eles a impressão de estar usando um cartaz que diz “estou disponível”. Diante disso, se ela não tiver realmente firmeza de caráter, em algum momento poderá não resistir às inevitáveis “cantadas”. A preservação da própria imagem é essencial para a preservação moral (1ª Ts 5:21,22; 1ª Co 10:32).

     II.  Adultério é desrespeito ao cônjuge, à família e a Deus: Atos de traição não representam apenas um estado de fraqueza carnal e espiritual, eles expressam também falta de maturidade, o que reflete no desrespeito aos compromissos em relação a tudo e todos que estão a nossa volta. Vejamos alguns dos principais exemplos:
a)      Representa falta de amor: A pessoa que ama respeita. Ainda que a tentação seja grande, não consegue fazer ao seu cônjuge o que não gostaria que ele fizesse com ela; pois mesmo que a atração tenha diminuído e os defeitos pareçam ser maiores do que no começo do casamento, se existe realmente amor, qualquer detalhe pode ser superado (1ª Co 13:4-7[3]).
b)     Demonstra falta de responsabilidade: Uma pessoa que constitui uma família e depois a desrespeita demonstra que não tem firme compromisso diante das responsabilidades que assume. O casamento é formalizado a partir de um juramento no qual está incluída a promessa de fidelidade sob quaisquer circunstâncias até que a morte os separe. Tal juramento é feito perante o cônjuge, a família de ambos, o Estado, a sociedade, a Igreja e o próprio Deus. Não cumpri-lo significa ter mentido diante do altar numa cerimônia que, independentemente de ter sido realizada em um templo ou não, é inegavelmente sagrada. Mentir já é um pecado grave (Jo 8:44), quanto mais diante de algo tão sagrado quanto a família (Gn 2:24; Mt 19:4-6). Além disso, deve-se ainda considerar que o casamento não lhe foi imposto, foi voluntário; e, se foi voluntário, precisa ser respeitado (Dt 23:21,22; Ec 5:4-7).
c)      Significa falta de temor: Qualquer pessoa que tenha o mínimo conhecimento bíblico sabe que o adultério é pecado, até mesmo porque isso consiste numa grave afronta aos padrões morais do ser humano em qualquer sociedade considerada normal. É inaceitável que alguém que se diz cristão cometa um ato tão abominável e fique com a consciência tranquila, pois o Espírito Santo é sensível e exige pureza; assim sendo, se um adúltero não se sente mal em suas atitudes, isso significa que ele já estava afastado de Deus a muito tempo, porque uma pessoa que peca e ainda tenha o temor[4] divino, prontamente se arrepende, pede perdão e procura consertar seu erro. Quem se conforma com o pecado não tem mais aliança com o Senhor e precisa, urgentemente, resgatar seus sentimentos espirituais, antes que seja tarde (Rm 12:1,2).

  III.  As consequências do adultério: Como na grande maioria dos atos pecaminosos, o adultério não atinge apenas os adúlteros, mas todos aqueles que fazem parte da vida deles. Além da morte espiritual - pois o Espírito Santo não habita em um “templo” de prostituição (1ª Co 6:15-20) -, a pessoa que desrespeita seu cônjuge está se destinando a arcar com prejuízos materiais, morais e sentimentais que passam a segui-la a partir daí:
a)      O adúltero fica em descrédito: Pessoas que caem em adultério, - mesmo depois de se arrependerem -, ainda carregam uma mancha por toda a sua vida. No caso de não conseguirem resgatar seu casamento - pois a Bíblia dá direito ao divórcio ao cônjuge traído (1ª Co 7:15,16; Mt 5:32[5]) -, na tentativa de se envolver novamente com outra pessoa, sempre vai enfrentar a desconfiança e questionamentos devido às razões de seu erro do passado. Quando consegue resgatar seu antigo casamento, a confiança também já não é mais a mesma, porque perdoar não significa confiar e, na mente do cônjuge sempre vai ter o seguinte pensamento: “Quem errou uma vez tem a tendência de errar novamente”. E os prejuízos vão além do âmbito sentimental, pois atinge todas as áreas, incluindo a ministerial, na qual é muito difícil se erguer novamente. Tudo tem o seu preço, principalmente o pecado (Rm 6:22,23; Gl 6:7-9).
b)     A vítima do adúltero é prejudicada em todos os sentidos: Seja homem ou mulher, quem tira uma pessoa de sua casa e de sua família assim alterando todo seu modo de viver, deve ter perfeito juízo sobre a seriedade do compromisso que está assumindo, pois se o relacionamento não der certo devido ao adultério - ou até mesmo outros motivos -, Deus vai requerer dele a maldade de ter ferido os sentimentos e a dignidade de uma pessoa que pode até ser levada ao sofrimento e à depressão por ter confiado e acreditado que ao seu lado teria encontrado sua tão desejada felicidade conjugal. O bem-estar das pessoas que vivem ao seu lado também fazem parte da mordomia cristã, ou seja: da responsabilidade do crente (Lc 12:42-46).
c)      A família do adúltero sofre por seu erro: A única vítima do adultério não é a esposa ou o esposo, mas, principalmente, os filhos. Pois, além de perderem a confiança - e, as vezes, até o amor - na figura de quem eles tinham admiração e respeito, estão também sujeitos a seguirem os maus exemplos chegando a ser, futuramente, pessoas infiéis. A responsabilidade da educação dos filhos, principalmente em sentido moral, é dos pais (Pr 22:6; Ef 6:4).

    O adultério não começa na cama, mas na mente e depois invade o coração de quem não está firme com Deus (Mt 5:27,28); por isso, é necessário conservar-se puro e irrepreensível para não arcar com as suas terríveis consequências. Mas existe perdão para o adúltero? Sim. Existe! Pois a fidelidade divina não se corrompe pela infidelidade humana (2ª Tm 2:13); porém, é preciso reatar o compromisso com o Noivo enquanto Ele ainda está concedendo oportunidade para uma reconciliação (Ec 7:26; Pr 6:23-26). Resistir ao adultério vai além de controlar a mente, o coração e o corpo, mas também depende da valorização do seu compromisso com Deus; pois quem se relaciona seriamente com Ele, tem esse amor refletido no relacionamento com seu cônjuge (1ª Jo 4:20,21). Quer resistir? Então não tente justificar sua fraqueza e honre os valores mais nobres que um ser humano - sobretudo um servo de Deus - deve respeitar (Tg 4:7).



[1]Adultério: Quebra da fidelidade conjugal. Adulteração, contrafação, falsificação. Heresia, apostasia.
[2]Tentação: Atração para fazer o mal por esperança de obter prazer ou lucro. Pode vir do tentador (Gn 3:1-5) ou de dentro do ser humano (Tg 1.14-15).
[3]Leviandade: Procedimento irrefletido, precipitado ou sem seriedade; imprudência (Jr 23:32; 2ª Co 1:17).
[4]Temor: Medo. Respeito. Reverência.
[5]Repudiar: Rejeitar. Divorciar-se; Repudiar a esposa. Renunciar voluntariamente: Arredar de si; repelir.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Planejamento Financeiro, Eu Preciso Mesmo Disso?

O planejamento financeiro envolve
toda a família. Além do marido e a
mulher, os filhos, desde pequenos,
precisam ser ensinados que suas
atitudes são essenciais para o
equilíbrio do bem-estar material
dentro do lar.
    A necessidade de um planejamento financeiro é mais do que clara, pois, pela falta do mesmo, muitas famílias estão em crise - não só financeira, mas também em outras áreas - provocada por uma cegueira de seus cabeças (homem e/ou mulher), os quais, levados por impulsos consumistas ou até pela “fé”, de repente se veem atolados em dívidas e sem condições de suprir os gastos necessários durante o mês. A falta de controle que leva a pessoa a gastar mais do que ganha, como também a despreocupação com o futuro, as quais, muitas vezes, por muitos cristãos, são confundidas com doutrinas relacionadas à provisões divinas, na verdade, nada têm a ver com a fé, pois a Bíblia as classifica simplesmente como imprudência (Lc 14:28-32). A causa disso é o desinteresse na busca pelo conhecimento por meio da autêntica interpretação do conteúdo dos textos sagrados, o que depende de análises contextuais considerando cada detalhe, preferencialmente, sob a orientação de líderes ministeriais sérios e preocupados com o bem-estar da família.
    Antes de analisar como se deve planejar as finanças de uma casa, é importante ressaltar que tal atitude não se trata de falta de fé ou confiança em Deus, mas sim de um cuidado preventivo em relação a um futuro incerto no mundo em que vivemos, o qual não nos permite saber com antecedência o que vai acontecer. Quero ainda deixar bem claro que não sou adepto da “Teologia da Prosperidade”, ideologia essa que repudio e combato com veemência por reconhecer que o Evangelho não nos dá promessas ou garantias de enriquecimento material, mas sim espiritual. O que defendo é que o cristão não se entregue à miséria encarando a pobreza extrema como uma prova de fidelidade à Deus, pois atitudes como essa, não somente privam a família da satisfação das mais básicas necessidades, como também provocam escândalos diante dos ímpios. Então, de acordo com esses princípios, façamos aqui uma análise cuidadosa do verdadeiro sentido de sete textos bíblicos que estão entre os mais citados quando se trata sobre esse assunto:
1) Lucas 14:33[1] - Apesar do peso transmitido pelo significado da palavra “renúncia”, é preciso compreendermos que a interpretação das Escrituras nem sempre é ao pé da letra. Aqui, por exemplo, Jesus não está exigindo um “voto de pobreza” para que possamos segui-lo, mas nos alertando a coloca-lo em primeiro lugar em nossa vida. Isso podemos entender lendo um trecho anterior do texto, nos versículos 26 e 27, em que Ele chega a dizer que se deve aborrecer[2] a família e até mesmo a própria vida para ser seu discípulo. Não seria contraditório o Senhor nos colocar contra a nossa família e a própria vida sendo que ambos são dádivas[3] por Ele mesmo consideradas como sagradas? Por essa razão devemos entender que aborrecer significa desagradar, ou seja: se a nossa família não concordar em nos ajudar na Obra, ou se ao nosso próprio corpo isso parecer sacrificante, devemos nos esforçar em servir a Ele com amor e dedicação. O termo “levar a cruz” implica em transformação: uma verdadeira inversão nos valores entre as coisas que antes pareciam ser mais e menos importantes para nós, mesmo sabendo que essa mudança não será uma tarefa nada fácil. Da mesma maneira, podemos compreender que renunciar, no sentido aqui empregado, não é necessariamente largar, mas deixar todas essas coisas em segundo plano, para que a adoração e o serviço prestados a Deus estejam em primeiro lugar em nossa vida. O que temos não é nosso. Se os bens que estão em nosso poder fossem nossos, os levaríamos conosco quando morrêssemos; em vez disso, tudo deixaremos aqui e prestaremos contas a Deus sobre nossos atos. Por essa razão, o real sentido desse texto consiste em nos alertar a valorizar mais o espiritual do que o material, fazendo uso de nossas posses temporárias também em benefício da Obra do Senhor.
2) Mateus 6:19-21[4] - Nesse texto, ajuntar é sinônimo de acumular, e refere-se à pessoas que dedicam sua vida à luta pela conquista material abandonando a busca pelo enriquecimento espiritual. O termo acumular expressa também uma ideia de exagero, ou seja: juntar além do necessário para viver. Jesus deixou bem claro que os tesouros da terra são perecíveis, enquanto que os do céu são eternos. Não se trata de uma proibição em se possuir bens, mas uma advertência a que não deixemos que eles dominem nosso coração a ponto de os considerarmos como o valor mais importante da nossa vida. Além de combater o exagero, o Mestre também estava ensinando que de acordo com o lugar aonde estiver nosso amor - em Deus ou na terra -, será definido nosso futuro eterno. Portanto, tenhamos o tanto que tivermos, mas não coloquemos o nosso coração nisso e sim nas coisas celestiais.
3) Mateus 6:24-34[5] [6] [7] - O versículo 24 expressa com clareza que não se trata de uma proibição quanto à aquisição de bens, mas de uma advertência para não tornar o dinheiro como uma espécie de deus, pois não se pode servir a dois senhores. Na sequência, Jesus alerta quanto à desnecessidade em andarmos ansiosos em relação às coisas dessa vida, pois o nosso Deus é quem provê todas as nossas necessidades. Na continuação do texto, Ele enfatiza a fragilidade humana, a qual nos torna totalmente dependentes do Criador assim como as aves do céu e os lírios do campo, os quais não podem viver de forma independente, mas não perecem porque Jeová criou a natureza de uma forma que todos os seres possam viver nela, indiretamente, como sendo autossustentáveis[8]. Analisando cuidadosamente, podemos perceber que, apesar de ser uma exortação a que aprendamos a exercer a fé para que tenhamos uma vida de plena confiança nEle, não se trata de uma ordem ou permissão ao comodismo ou uma proibição à aquisição material, mas sim um encorajamento para que trabalhemos visando primeiramente o lado espiritual. O versículo 33 enfatiza bem esse sentido, mostrando que devemos buscar primeiro, e não unicamente, o Reino. No verso 34, embora pareça contrariar qualquer atitude de planejamento financeiro, o que Ele está dizendo, simplesmente, é que não devemos andar inquietos, ou seja, ansiosos, pelo que vai acontecer, pois o que tiver de vir, virá. A ansiedade é um perigo e provoca doenças; o melhor remédio contra isso é a paz proporcionada pela confiança no Senhor. Isso significa que, independentemente de nosso preparo humano, não podemos evitar os dias maus, por isso, devemos estar confiantes em Deus sabendo que essa fé em seu cuidado por nós é o que vai nos sustentar nos momentos de dificuldade.
4) Lucas 12:15[9] - Esse texto nada mais é do que um aviso sobre os perigos da avareza. Aqui o grande Mestre estava repreendendo um homem que, em vez de segui-lo, somente aproximou-se dEle na intenção de lhe pedir para resolver um problema de conflito familiar, pois, ao que parece, seu irmão não estava querendo repartir sua herança com ele. Embora Jesus seja justo, fez questão de mostrar que sua missão na terra não seria  resolver questões financeiras e até demonstrou certa indignação diante do pedido daquele herdeiro e, em seguida, ao falar que o importante em nossa vida não é a abundância daquilo que possuímos, contou uma parábola[10] sobre um homem muito rico, o qual dedicou toda sua vida a ajuntar bens materiais e, quando a morte chegou, todas as suas riquezas não puderam salvá-lo. Mais uma vez, vemos aqui que o problema não é possuir dinheiro, mas sim viver apenas em função dele tornando-se uma pessoa avarenta.
5) Lucas 18:25[11] - Aqui estamos nós diante da famosa polêmica do camelo e o buraco da agulha. Mas antes de entender isso, observemos bem a situação: Em meio a uma grande multidão, depois de pregar e abençoar as criancinhas, Jesus ainda encontrou tempo para dar atenção e responder aos questionamentos de um jovem rico que, apesar de ser um grande conhecedor e praticante da Lei, ainda não tinha conseguido entender o que é de fato o Evangelho. Ele mostrou que fazia tudo certinho, então o Mestre resolveu lhe aplicar um “teste” para lhe mostrar que seu coração não estava no Reino, mas na terra. Ao propor um desafio que o levaria a se desprender de suas posses, vendo a tristeza esboçada por aquele moço, Ele nos ensinou o quanto é difícil viver para Deus quando nossos maiores projetos são espirituais e não materiais. A proposta que Jesus fez a esse rapaz para vender tudo o que possuía e repartir com os pobres para ter um tesouro no céu, não foi estabelecida por Ele como uma doutrina, mas sim uma questão pessoal, pois isso era algo que o prendia. Dá para perceber que suas riquezas eram um obstáculo quando o Senhor lhe disse: “Ainda te falta uma coisa!”; isso demonstra que ele, embora conhecesse e obedecesse à Lei, estava preso à cobiça e à avareza, coisas essas abomináveis aos olhos de Deus. Nesse ponto da conversa, então, Ele cita o exemplo do camelo tentando passar pelo buraco da agulha. Mas observemos um detalhe interessante aqui: Ele não disse que isso seria impossível, e sim difícil. E, na sequência, ressaltou ainda que as impossibilidades humanas tornam-se possíveis diante do poder de Deus, deixando claro assim que a salvação é pela graça e a misericórdia divina, bastando que façamos nossa parte não sendo escravos da cobiça e da avareza. Complementando esse discurso, Ele afirma ainda que, para os que o seguem fielmente, há grandes recompensas tanto na terra quanto no céu. Porém, não confundamos provisões com riquezas materiais.
6) 1ª Timóteo 6:7-11[12] - Nessa epístola endereçada ao jovem Timóteo, o apóstolo Paulo fez questão de alertá-lo sobre o perigo dos falsos mestres que pregavam prosperidade material visando ganhar dinheiro com isso - alguma diferença dos dias atuais? -. Não se trata de uma pregação contra o dinheiro, mas contra a cobiça e o mal uso do mesmo; isso é o que podemos perceber através dessa afirmação bem clara e objetiva: “Nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele!”. Todos os bens materiais, embora sejam úteis e necessários para nossa vida na terra, precisam ser encarados como algo temporário, os quais não podemos deixar que interfiram em nossa vida espiritual. A prosperidade terrena não pode ser nosso foco principal, pois conforme vemos no versículo 8, devemos aprender a nos contentar com as provisões básicas de nosso cotidiano. Desejar riquezas afasta o homem de Deus, porque viver em prol de conquistas o deixa exposto às armadilhas malignas feitas para seduzi-lo, levando-o a cometer atos pecaminosos que o levam a afundar na corrupção, tornando-o vítima de pessoas traiçoeiras, as quais ele engana e por quem ele é enganado, ocasionando assim grandes ruínas, tanto financeiras quanto morais e, principalmente, espirituais. O amor - não o dinheiro em si, porque ele é uma ferramenta necessária - se caracteriza como cobiça, por isso causa tantos problemas. O conselho bíblico aqui é que fujamos dessas coisas e busquemos tudo aquilo que possa nos aproximar cada vez mais de Deus. Isso quer dizer que se formos abençoados com maiores riquezas, devemos buscar cada vez mais estrutura espiritual para que nossos bens sejam uma bênção tanto para nós quanto para nosso próximo, e não uma maldição que proporcione consequências negativas.
7) Filipenses 4:11-13 - Mais uma vez o apóstolo Paulo fala sobre contentamento. Muitos, erroneamente, interpretam isso como conformismo com a miséria, porém, analisando os detalhes, vemos que é exatamente o contrário: ele não vivia miseravelmente, apenas não tinha uma vida de luxo e conforto desnecessários, e já tinha aprendido a viver dessa maneira. No versículo 12, vemos que sua vida financeira tinha altos e baixos, mas não importando qual a situação em que se encontrava, ele mantinha a humildade perante os irmãos e a confiança na provisão enviada por Deus. Tanto que ele sobrevivia com a ajuda dada pela igreja: uma contribuição incerta e de valor indefinido. Mesmo em meio a essa instabilidade econômica, nosso querido apóstolo não entrou em desespero e nem deixou de cumprir seu chamado por falta de condições. Sua resposta a isso foi: “Posso todas as coisas naquEle que me fortalece!”. Tendo muito ou pouco, nada poderia impedir seus propósitos pessoais e seus objetivos na Obra de Deus.
    Nessa breve meditação bíblica, aprendemos que independentemente de qual seja a nossa fonte de renda, devemos aprender a nos adaptar ao estilo de vida permitido pelos valores que ganhamos ou podemos ganhar. O problema não está em se possuir bens materiais, mas sim no que fazemos por meio deles. Da mesma forma, não cuidar prudentemente daquilo que o Senhor nos dá significa falta de sabedoria, irresponsabilidade e ingratidão. E é aí que entra a necessidade do planejamento financeiro. Sendo assim, veja dez regras simples de como se projetar para não ser pego de surpresa em situações imprevistas:
1.      Calcular as despesas essenciais do mês (ofertas, alimentação, aluguel ou prestação da casa, energia elétrica, água, telefone, internet, etc.) e ver o que sobra. Para facilitar esse controle baixe um software, monte uma planilha ou anote num caderninho mesmo.
2.      Do que sobra, tenha como missão guardar pelo menos 10% numa conta bancária separada, e só retire qualquer coisa dela em caso de emergência. O que sobrar disso é o valor permitido para os demais gastos durante o mês.
3.      Depois de uma minuciosa pesquisa de preços e uma choramingada por descontos, evite fazer crediário, pois os juros embutidos nas prestações são significativos em relação ao preço original. Mas se não der para esperar até juntar todo o dinheiro, calcule antes se o valor do pagamento mensal não excede aquela sobra do salário considerada como o valor permitido para os demais gastos durante o mês. E analise ainda a possibilidade de uma demissão, considerando se a sua reserva bancária cobre o valor total desse produto te permitindo ainda sobreviver com o restante por pelo menos uns três meses, que o tempo médio para se obter um outro emprego.
4.      Antes de adquirir cheques ou cartões de crédito, procure saber se essas instituições oferecem benefícios justos e realmente úteis para você. E lembre-se: encará-los como “dinheiro fácil” é o mesmo que colocar uma corda no próprio pescoço, pois qualquer atraso de pagamento resulta em juros geralmente abusivos, negativação do nome em órgãos de proteção ao crédito e constrangedoras cobranças diárias. Em caso de dúvida em relação ao procedimento dessas empresas, procure informar-se sobre seus direitos. Para evitar desconfortos, use esse recurso apenas no que for necessário - e se for necessário -, e faça um rígido acompanhamento das regras e das datas de vencimento das faturas.
5.      Exclua coisas supérfluas do orçamento; qualquer coisa que você possa sobreviver sem isso, considere como gasto inútil. Não é preciso deixar de se divertir, mas procure opções mais baratas ou, de preferência, de graça. Deixe para gastar um pouco a mais com entretenimento em datas comemorativas como aniversários, Ano Novo e Dia das Mães, dos Pais e das Crianças.
6.      Se sobrar alguns trocados além do orçamento, não veja como uma sobra, mais sim como um valor a mais a ser adicionado ao fundo de emergência naquela conta bancária lá que não é para você mexer.
7.      Em caso de um alto investimento (carro, casa, etc.), analise todas as possibilidades com cuidado redobrado. Não feche nenhum negócio confiando na sorte e, na dúvida, seja pessimista; pois, admitindo que é possível acontecer o pior, dificilmente você será vítima de um descontrole financeiro ou de um golpe. Sempre considere a possibilidade do desemprego, da ocorrência de uma doença e outros imprevistos desse porte, como também da ação de má fé de falsos vendedores. Lembre-se sempre: coisas muito fáceis são sempre suspeitas.
8.      Se tiver tempo e saúde, arrume uma renda extra. Ainda que seja pouco, não deixe de ser um complemento. Incentive sua família à isso, principalmente seus filhos. Se, desde cedo, eles trabalharem para comprar o que desejam, aprenderão que tudo tem um preço, saberão valorizar cada conquista dentro do lar e te ajudarão a economizar.
9.      Procure, dentro de suas possibilidades, manter algum tipo de Plano de Saúde, preferencialmente um que inclua Assistência Funerária. Pois as doenças, assim como a morte, não costumam avisar antes de chegar; e nessas horas, ainda mais triste do que essas ocorrências é depender do Governo ou de parentes e amigos.
10. Se for um trabalhador informal, procure contribuir com a Previdência. Você pode até ser novinho e saudável agora, mas certamente vai precisar se aposentar um dia. E também, antes disso, pode adoecer ou sofrer um acidente e passar um período sem poder trabalhar. Além do mais, quando o Papai do Céu te buscar, sua viúva e seus filhos vão precisar de um sustento.
    As regras de planejamento vão muito além disso, porém, esses são os primeiros passos para uma vida financeira bem equilibrada. Para um crente, o essencial para colocar tudo isso em prática é a obediência e a manutenção da comunhão com Deus por meio da oração e da Palavra para obter sabedoria em tudo aquilo o que for fazer. A grande razão de muitos fracassos de alguns crentes é justamente a empolgação causada pela ansiedade que os levou a tomar decisões sem consulta à direção de Deus. E é muito importante saber que pedir a direção de Deus não é lhe dizer: “Senhor, esse é o meu projeto. Me abençoa nisso. Amém!”; isso não é pedir direção, mas sim querer direcionar o Senhor a fazer a tua vontade. Pedir direção é dizer: “Senhor, eu tenho um desejo no meu coração e um projeto para executá-lo; no entanto, tu sabes o que é melhor para mim. Seja feita a tua vontade; tão somente lhe peço que, se tiver outro plano para minha vida, me oriente para que eu não venha a tomar nenhuma atitude errada!”.  Jeová muito se agrada quando confiamos nossa vida e suas mãos (Sl 37:5)! O próprio Senhor Jesus nos ensinou a compartilhar nossos projetos com Ele dessa maneira (Mt 6:10,11)! No demais, peçamos sabedoria para não errar (Tg 1:5). Você o tem convidado para se assentar à sua mesa de planejamento (Tg 4:13-16[13])?


[1]Renunciar: Deixar para trás (Lc 14:33; Tt 2:12). Esquecer os interesses próprios (Mt 16:24).
[2]Aborrecer: Desprezar (Gn 29:33). Sentir horror; detestar (Lv 19:17), desgostar (Fp 3:1).
[3]Dádiva: Dom, presente, donativo.
[4]Minar: Cavar, escavar. Abrir, arrombar, destruir.
[5]Mamom: É um termo derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro". Mamon não era o nome de uma divindade, como muitos pensam, e sim um termo de origem hebraica que significa dinheiro, riqueza, ou bens materiais. Jesus, no Evangelho, utiliza a palavra quando afirma que não é possível servir simultaneamente a Deus e a Mamon (Lucas 16:13).
[6]Côvado: Medida padrão de comprimento igual a um pouco menos de 45 centímetros (44,44 cm) (Gn 6:15). É igual a 2 palmos. É a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio. Em Ezequiel o côvado mede 51,8 cm (Ez 43:13). É a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio.
[7]Solícito: Ativo, cuidadoso, diligente. Prestadio. Apreensivo. Inquieto. Delicado. Muito amável.
[8]Autossustentável: Capaz de sustentar-se por si mesmo.
[9]Avareza: Apego demasiado e sórdido ao dinheiro; desejo imoderado de adquirir e acumular riquezas. Mesquinhez, sovinice. Ciúme.
[10]Parábola: Originária do grego parabole, significa narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implícita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas. Narração figurativa na qual, por meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas, quando reais. Eram as histórias geralmente extraídas da vida cotidiana utilizadas por Jesus Cristo para ensinar aos seus discípulos. Segundo Marcos 4:11-12, eram utilizadas por Jesus para que somente seus discípulos as entendessem plenamente. Este gênero já era utilizado por muitos dos antigos profetas.
[11]Agulha: É o nome dado a um buraco feito numa muralha por onde pode se passar objetos, pequenos animais e, com certa dificuldade, até pessoas quando os portões estão fechados. Para um camelo passar por ela tem que se espremer muito (Lc 18:25).
[12]Cobiça: Forte desejo de conseguir alguma coisa. Ânsia ou ambição de honras ou riquezas. Avidez. Concupiscência.
[13]Presunção: Opinião geralmente infundada ou exagerada de si mesmo; de suas próprias qualidades; pretensão; fatuidade; vaidade; afetação. Jactância.