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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

“A Baleia Vomitou Jonas na Praia de Nínive”

Equívocos como esses são bastante
comuns e totalmente compreensíveis.
Porém, devem ser evitados, porque,
apesar de não determinarem
nenhuma doutrina, são erros de
interpretação que geram pregações
de mensagens cheias de "revelações"
questionáveis do tipo: "a baleia
pesava tantas toneladas
"; "os
ninivitas se curvaram quando o
viram sair do peixe
". Todo o cuidado
é pouco quando estamos expondo a
Palavra de Deus.
Jonas 2:10 - "Falou, pois, o Senhor ao peixe, e ele vomitou a Jonas na terra."
    Você consegue identificar dois erros no título desse texto? Se não consegue, precisa exercitar mais sua atenção ao conteúdo do que lê, ou simplesmente ler mais a Bíblia e confiar menos em tudo o que ouve. Baleia e praia de Nínive, essas são duas expressões não encontradas no livro do profeta Jonas. Então você pode questionar: “Mas Jesus não falou que ele foi engolido por uma baleia? E, sendo um animal marinho, como ela pode ter deixado ele em outro lugar que não fosse uma praia?”. Respondamos então a essas duas questões.
    Na primeira questão é necessário observar que por três vezes é mencionada a palavra peixe, sendo uma delas grande peixe, mas não deixa claro a espécie de peixe. Deve-se observar também que baleias não são peixes, mas sim animais marinhos pertencentes à classe dos mamíferos, classificados como cetáceos. Quanto ao fato de Jesus ter usado a palavra baleia (Mt 12:40), em primeiro lugar, algumas versões bíblicas usam também o termo grande peixe e, em segundo lugar, antigamente não se dava muita importância em classificar as espécies de animais. Concluindo, ele pode ter sido sim engolido por uma baleia ou por qualquer tipo de peixe; o importante não é saber isso, mas apenas não afirmar aquilo que a Bíblia não diz claramente. Na segunda questão, não há o que discutir: Nínive simplesmente não tem praia! E o pior: a praia mais próxima fica há aproximadamente 600 quilômetros de lá. O livro do profeta não relata como e nem quanto tempo ele levou viajando tão longe para então iniciar sua caminhada - caminho de um dia (Jn 3:4) - de cerca de 19 quilômetros por Nínive até chegar à sua área central. O fato de Nínive ser uma cidade de três dias de caminhada (Jn 3:3b) não significa que ele tenha percorrido toda ela a pé. Há muitas coisas que a Bíblia não revela em seus mínimos detalhes e, por isso, quaisquer conclusões a que cheguemos, mesmo baseados em dados históricos, são hipóteses sujeitas a erro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Como Identificar e Interpretar os Textos Bíblicos

O êxito na exposição da Palavra
de Deus exige mais do que
habilidade humana: seu bom
desempenho requer do orador
uma intimidade com o Dono da
mensagem; no entanto, por falta
de discernimento espiritual,
muitos estão sendo enganados por
ministros mal intencionados ou
despreparados que fazem uso de
técnicas para substituir a busca
pela verdadeira unção espiritual.
Romanos 15:4 - “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”

    Seja para pregar, ensinar ou simplesmente meditar, o leitor, ao examinar a Bíblia deve ter muito cuidado; pois, embora seja ela a Palavra de Deus, o qual é imutável, é necessário entender que cada passagem se refere a situações diversas, o que envolve diferenças de época, de ambiente, de costumes e de nível de conhecimento, detalhes esses que influenciam na ocasião, na forma, na linguagem e até na razão pela qual cada mensagem foi enviada. A aplicação de texto fora do contexto[1], sendo ela intencional ou não, é a mãe de todas as heresias[2], como também das apostasias[3]. Para entender melhor sobre a identificação e a interpretação dos textos bíblicos é essencial a análise dos seguintes fatores relacionados a seguir:

A diferença entre o Antigo e o Novo Testamento
    Em resumo, o Antigo Testamento possui quatro tipos de mensagens: informações históricas sobre a criação da terra e dos seres viventes, a revelação sobre a pessoa de Deus e o seu caráter, a Lei entregue ao povo de Israel por meio de Moisés e as profecias messiânicas[4] e escatológicas[5].
a)      Na história da Criação aprendemos sobre a origem da nossa vida e podemos ver até através da ciência a confirmação da autenticidade da Bíblia;
b)   De Gênesis à Malaquias há relatos que incluem, por meio da história dos israelitas, através das profecias e dos milagres ocorridos entre eles, ensinamentos e lições cabíveis aos dias atuais sobre o relacionamento entre Deus e o homem;
c)    No que se refere à Lei Mosaica, embora haja pontos que se refiram exclusivamente à Israel - as leis cerimoniais[6] e as civis[7] -, existem também preceitos[8] morais[9], os quais devemos sim observar atualmente;
d)    Quanto às profecias messiânicas e escatológicas, as mesmas são confirmadas e completadas na Nova Aliança e foram endereçadas diretamente à Igreja.

    Questiona-se muito sobre o fato de devermos ou não pregar ou enfatizar nos ensinamentos as mensagens do Antigo Testamento; quanto a isso, os fatores que se deve realmente levar em consideração são os seguintes: a forma como se deu a Criação não pode ser esquecida, pois ela é a base do conhecimento e da defesa da nossa fé; todas as situações positivas e negativas vividas pelos israelitas nos servem de exemplo sobre que conduta devemos ter para agradar ao Senhor, e os milagres do passado continuam válidos porque Deus é imutável e continua tendo o mesmo poder e a mesma misericórdia. Só o que não devemos é tomar cada uma daquelas situações em particular como “doutrinas” achando que devam acontecer exatamente da mesma forma em nossa vida; as leis aplicadas à Israel, mesmo as que não forem cabíveis à Igreja, nos servem de orientação de procedimento em relação a um caráter santo, saudável e honesto; e as profecias messiânicas e escatológicas são o fundamento de nossa doutrina, as quais nos permitem entender com mais clareza a atuação de Jesus Cristo e a preparação para a sua volta nesses últimos dias. Concluindo, o Antigo Testamento deve sim ser pregado e detalhadamente ensinado nos dias atuais, pois, para nós, a importância do seu conteúdo não é meramente histórica.

    Quanto ao Novo Testamento, o qual seu início demarca a “fronteira” entre a Lei e a Graça, suas mensagens são endereçadas basicamente à dois tipos de público: a Igreja Primitiva e a Igreja atual. Vejamos a diferença entre ambas:

    No que se refere à Igreja Primitiva, existe, principalmente nas epístolas do apóstolo Paulo, doutrinas concernentes à cultura da época, as quais consideravam o que era lícito ou não em relação aos costumes dos novos crentes, sendo que uns eram de origem judia, como a prática da antiga Lei, e queriam inseri-los no cristianismo, e outros eram de origem gentia, pois tratava-se de pessoas de várias nações que tinham costumes idólatras ou imorais e também queriam inseri-los na Igreja cristã. Ao abordar os assuntos contidos em tais epístolas devemos ter muito cuidado para não apontarmos regras criadas especificamente para aquele tempo de acordo com a situação cultural, social e intelectual de cada comunidade evangélica da época. O que podemos extrair delas são exemplos que confirmam que o Senhor requer de sua Igreja santidade, a qual significa na prática uma vida de retidão de acordo com o seu santo caráter.

    No tocante à Igreja atual, as mensagens endereçadas a ela estão descritas tanto nos evangelhos como também em Atos dos Apóstolos, no Apocalipse e também nas epístolas gerais como ainda nas paulinas. Os quatro evangelhos sinóticos[10] compreendem o nascimento, o ministério terreno e o sacrifício de Cristo; Atos dos Apóstolos contém a história do início da Igreja cristã que foi revestida de poder com o cumprimento da promessa do envio do Espírito Santo; o Apocalipse relata as coisas futuras, incluindo os últimos dias da humanidade na terra e os acontecimentos após o arrebatamento até a descrição da condenação eterna e da morada celestial; as epístolas gerais tratam de exortações variadas sobre a doutrina a ser seguida pelos crentes atuais; e as paulinas que, além de recomendações dirigidas especificamente aos cristãos primitivos, traz também assuntos relacionados à doutrina dos cristãos de hoje.

    O Novo Testamento se inicia ainda na Lei, a qual vai até a consumação do sacrifício de Jesus Cristo. Essa Nova Aliança, que nos é apresentada de forma escrita em 27 livros, não visa anular os efeitos do Antigo Pacto que foi criado para garantir o cumprimento da obediência à Jeová, mas nos mostrar que o sacrifício pelo perdão dos pecados já foi feito na cruz, invalidando a prática de atos sacrificiais para esse fim, o que inclui todas as cerimônias impostas aos antigos israelitas. Porém, a Graça não aboliu os mandamentos, mas sim os resumiu à prática do amor: amando a Deus e ao próximo, estamos cumprindo todos eles, os quais apenas consistem na aplicação desse nobre sentimento de forma espiritual e fraternal. Tanto no Antigo como no Novo Testamento não existe espécie alguma de censura em relação a qualquer parte de seu conteúdo, desde que aplicado de forma coerente por quem prega ou ensina, o qual deve deixar claro o que é doutrina e o que é exemplo que possa ser empregado na exposição da doutrina.

O que é hermenêutica, exegese, etimologia, oratória e homilética
    Existem alguns termos muito mencionados durante os discursos relacionados à Bíblia, mas nem sempre os pregadores e os professores explicam seu significado, e a utilização dos mesmos, em vez de ajudar, acaba é causando desinteresse pelo discurso na maioria dos ouvintes. Alguns desses são a hermenêutica, a exegese, a etimologia, a oratória e a homilética, expressões essas de grande importância não apenas em que saiba seu significado, mas, principalmente em sua aplicação, o que, infelizmente, tem sido muito deixada a desejar por muito dos senhores que ocupam os púlpitos dos templos de modo geral. Então saibamos do que se trata e como usá-los:

Hermenêutica: Essa palavra é originada do verbo grego hermēneuein significando declarar, anunciar, interpretar, esclarecer e traduzir. É derivada do nome de um deus da mitologia grega chamado de Hermes; segundo a tradição da crença dos antigos gregos, ele seria o mensageiro dos deuses e, devido a isso, atribuem a ele o título de patrono da comunicação e do entendimento humano. História à parte, o fato é que a hermenêutica se refere ao entendimento de um texto.
    Biblicamente, o entendimento das Escrituras é a base do nosso conhecimento sobre Deus e as suas leis. A interpretação é essencial e está acima de qualquer revelação espiritual, pois nela não há mudança ou possibilidade de erro: o que está escrito é a eterna Palavra divina. Isso inclui conhecer o texto por completo e saber do que se trata o seu assunto a ponto de poder expô-lo ao público.

Exegese: Do grego exegesthai é um verbo com o sentido de interpretar e explicar. É uma interpretação ou explicação do texto, cujo termo original significa levar para fora, o que expressa a ideia de uma ampla exposição com textos paralelos que proporcionem uma detalhada explicação da situação em si. Diferente da hermenêutica, a exegese consiste em pesquisas de fatos que originaram o assunto do texto em questão. Um exegeta é aquele que estuda profundamente de forma a transmitir com clareza aquilo que quer passar para o público.
    A exegese aplicada na menção de textos bíblicos inclui, seja na pregação ou no ensinamento, a narração da passagem lida com o auxílio de recursos de argumentos referentes ao assunto, tais como a explicação da história que o antecede, sua comparação com outras histórias semelhantes, o uso de conjecturas[11], a utilizaOndulado: Como Identificar e Interpretar os Textos Bíblicosção de ilustrações na medida do possível e, principalmente, versículos ligados ao mesmo tema. Quanto à opinião ou testemunho pessoal do preletor - a eisegese[12] - só devem ser inseridos se o mesmo os expressar de forma racional e equilibrada, tendo o cuidado de não desviar o foco do público que deve ser para o texto bíblico e não para ele.

Etimologia: Sendo originada do grego etymon - verdadeiro mais logos - significa tratado e estudo, ela pesquisa o verdadeiro sentido das palavras explorando os termos que as originaram, revelando sua história e os elementos gramaticais que a compõem, permitindo-nos melhor entender seu significado. Para esse fim, os etimólogos mantêm vivo o estudo de línguas já não mais oficialmente utilizadas por nenhum povo como, por exemplo, o latim.
    Biblicamente, sua aplicação é essencial, pois nos possibilita compreender com mais clareza o porquê da aplicação de determinados termos, os quais utilizamos vagamente em nossa língua e não fazem parte de nossa cultura, e por essa razão não entendemos seu real significado. Muitas das expressões aplicadas nos textos sagrados são resultado da junção entre duas ou mais palavras, as quais sofrem alterações de escritas quando traduzidas para a língua portuguesa. Saber o real significado daquilo que está falando transmite mais segurança ao preletor e ao público.

Oratória: É derivada da palavra orar, que vem do latim orare, que significa pronunciar em forma de ritual; Desde o princípio, tendo o significado de falar, passou a ser mais aplicada com o sentido de falar em público ou discursar. Dessa forma, oratória é o ato de falar. É um conjunto de regras que constituem a arte do bem dizer: a eloquência.
    A habilidade de falar, principalmente em público, é indispensável para a propagação do Evangelho. Esse ato consiste não somente no conhecimento de textos, mas também na capacidade de expô-los verbalmente. Existem diferentes tipos e níveis de oradores: uns com mais e outros com menos desenvoltura; só que mais do que uma ciência a ser aprendida - embora possa ser aprimorada -, a capacidade de se expressar publicamente é um dom que, apesar de muitas vezes se manifestar naturalmente, pode sim ser alcançado por meio da busca espiritual.

Homilética: Do grego homiletikos, é derivada de homilos que significa montar em conjunto; consiste na arte de pregar sermões religiosos, também conhecida como eloquência sagrada. O termo homília representa um discurso com a finalidade de convencer. A arte de falar em público se iniciou na antiga Grécia com o nome de retórica[13].
    Para os pregadores ou mestres cristãos, ela nada mais é do que o domínio da arte de preparar e expor um sermão de pregação ou ensinamento da Palavra de Deus. Sua aplicação consiste em cativar o ouvinte, causando-lhe interesse pela mensagem expressada verbalmente.
    Uma dica importante aos preletores é que caso optem pela utilização desses ou outros termos, que pelo menos façam isso de forma que o público entenda seus significados. E, acima de tudo, aplique-os para não distorcerem os textos sagrados.

Como identificar quando se trata de uma linguagem literal ou de uma figura de linguagem
    A linguagem expressa por meio de figuras[14] é um recurso de escrita de uso bastante comum na Bíblia Sagrada. Seu objetivo é, por meio de símbolos ou exemplos, tornar o texto mais claro para todos os leitores, ou subliminar[15] para que apenas um público específico o entenda. Para podermos identifica-las corretamente, devemos saber quais são elas:

Metáfora: Quando algo ou alguém é considerado como um outro.
Exemplo: “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido (Jo 10:14)”. Literalmente, Jesus não é um pastor e nem seus seguidores ovelhas, mas essa forma de expressão representa de que forma devemos imaginá-lo e agir em relação a Ele.

Símile: Uma comparação com algo semelhante.
Exemplo: “... sou como um vaso quebrado (Sl 31:12b)”. Em seu momento de aflição, sentindo-se inútil, o salmista se compara a um vaso quebrado.

Metonímia: Quando algo ou alguém é considerado como um outro por ter alguma relação com o mesmo.
Exemplo: “Eles têm Moisés e os Profetas (Lc 16:29b)”. Quando Jesus proferiu essa parábola, Moisés e os profetas já eram mortos; com isso, Ele simplesmente se referia a todos os demais que pregavam a Palavra ensinada por Moisés e pelos profetas.

Hipérbole: Usar termos que aumentam ou diminuem exageradamente a situação real.
Exemplo: “...Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera e derreteu-se dentro de mim (Sl 22:14)”. É óbvio que um ser humano não pode se derramar como água, nem os seus ossos se desconjuntares ou mesmo seu coração se derreter como cera dentro do corpo simplesmente pelo seu estado de tristeza, mas essa foi uma maneira, ainda que exagerada, encontrada pelo salmista para expressar a tão terrível angústia que estava sentindo.

Ironia: Falar em sentido contrário àquilo que realmente se quer dizer.
Exemplo: Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal (Gn 3:22a)”. Logicamente, o homem jamais será exatamente igual a Deus; mas, com isso, Ele apenas quis dizer que por ter comido do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, o ser humano passaria a ter um conhecimento a mais, o qual era proibido à ele, sendo isso um privilégio que somente os seres celestiais tinham acesso.

Antropomorfismo: Atribuir sentidos ou atitudes humanas a Deus.
Exemplo: “... holocausto é, oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor (Lv 1:9c)”. Deus não iria literalmente cheirar o sacrifício; essa afirmação apenas demonstra que Ele ficaria satisfeito se esse ritual lhe fosse oferecido de forma correta e sincera.

Tipo: Qualquer cerimônia, objeto ou pessoa que se refira a algum evento futuro.
Exemplo: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado (Jo 3:14)”. A serpente de metal colocada sobre uma haste, para a qual as pessoas picadas por cobras olhavam e não morriam pelos efeitos do seu veneno, foi uma das tipificações que demonstravam profeticamente a missão do Messias: salvar os pecadores que cressem nEle, assim neutralizando o efeito mortal - a condenação eterna - causado pelo pecado.

Símbolo: Objeto que representa algo com sentido espiritual.
Exemplo: “...E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra. 12E disse Deus: Este é o sinal do concerto que ponho entre mim e vós e entre toda alma vivente, que está convosco, por gerações eternas. 13O meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre mim e a terra... (Gn 9:11-13)”. Após o dilúvio, apareceu um arco-íris simbolizando um pacto entre Deus e o homem como garantia de que o Senhor não mais mandaria o dilúvio para destruir a terra.

Alegoria: A utilização de um fato verídico como profecia de um acontecimento futuro.
Exemplo: “Dizei-me vós, os que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei? 22Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. 23Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre, por promessa, 24o que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos: um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. 25Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. 26Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós; 27porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz, esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. 28Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque. 29Mas, como, então, aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o Espírito, assim é também, agora. 30Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque, de modo algum, o filho da escrava herdará com o filho da livre. 31De maneira que, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre (Gl 4:21-31)”. Esse é um exemplo de como Deus usou a história do nascimento de Ismael e Isaque, os dois filhos de Abraão, para mostrar o que aconteceria com o povo de Israel.

Parábola: Ilustrações elaboradas para exemplificar algo real.
Exemplo: “E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: 10Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano. 11O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. 12Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. 13O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! 14Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado (Mt 18:9-14)”. Jesus contou essa parábola para ilustrar o quanto algumas pessoas se julgam superiores condenando o próximo por sua origem, aparência ou maneira não tradicional de servir ou adorar a Deus, não se dando conta de que estão cometendo o terrível pecado da soberba.

    Tais figuras de linguagem possuem um imenso valor no significado de um texto; porém, sua não interpretação ou uma interpretação equivocada, inevitavelmente, provoca sérias consequências porque distorce totalmente seu real sentido ou significado. Para saber se um texto está em linguagem literal ou figurada é essencial a leitura de todo o seu conteúdo, considerando todos os fatores possíveis mediante uma minuciosa análise, ou seja: um detalhado exame de texto e contexto para concluir se ele faz sentido ou não.

    Finalizando nossa análise sobre identificação e interpretação dos textos bíblicos, podemos concluir que o principal fator para um bom entendimento sobre alguma leitura em particular é saber para quem ela foi escrita, e depois sim fazer um detalhado exame sobre o significado histórico e profético do texto. Grande é a responsabilidade dos ministros[16] da Palavra de Deus, tanto é que essa tarefa é recomendada à poucos (Tg 3:1). No entanto, receber esse maravilhoso dom não é motivo para sentir-se atemorizado, mas sim honrado, porque esse é um privilégio dispensado apenas a homens e mulheres em quem o Senhor deposita confiança; pois nem todos são dignos e aptos à nobre missão de transmitir a grandiosa mensagem da salvação (1ª Tm 5:17,18); e saber manejar bem o Livro é mais do que um status, é uma obrigação (1ª Tm 2:15)!


[1]Contexto: Conteúdo do texto. Relação entre o texto e a situação em que ele ocorre dentro do texto. É o conjunto de circunstâncias em que se produz a mensagem que se deseja emitir- lugar e tempo, cultura do emissor e do receptor, etc. - e que permitem sua correta compreensão.
[2]Heresia: Doutrina, muitas vezes praticada de forma inconsciente, que se opõe aos dogmas da Igreja. Absurdo, contrassenso, disparate. Ato ou palavra ofensiva à Deus ou à religião.
[3]Apostasia: Abandono ou desvio público e consciente de uma religião, de uma doutrina, opinião ou da própria fé.
[4]Profecia Messiânica: Profecia relacionada à vinda do Messias (Jesus Cristo).
[5]Profecia Escatológica: Profecia relacionada aos acontecimentos dos últimos dias da humanidade sobre a terra.
[6]Lei Cerimonial: Conjunto de regras que regulamentavam o ministério no santuário do Tabernáculo e, posteriormente, no Templo. Elas tratavam também da vida e do serviço dos sacerdotes e encontram-se descritas especialmente no Livro chamado Levítico.
[7]Lei Civil: Conjunto de regras que regulamentavam um padrão de conduta aos cidadãos em seu convívio na sociedade israelita. Seu descumprimento resultava em penas, geralmente rígidas, que podiam chegar a condenação à morte.
[8]Preceito: Ordem dada para servir como regra geral.
[9]Lei Moral: Conjunto de regras que regulamentavam um padrão moral a ser seguido; consistia no ensinamento de vários princípios básicos envolvendo respeito ao próximo, comportamento sexual e higiene pessoal. Ela definia a conduta do cidadão em relação à família, à sociedade e ao próprio Deus.
[10]Sinóptico: Que se refere ou pertence a sinopse. Diferentes apresentações com o mesmo conteúdo. Os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João são considerados sinópticos porque narram praticamente os mesmos fatos.
[11]Conjectura: Juízo ou opinião com fundamento incerto; suposição, hipótese.
[12]Eisegese: Do grego eisegeses (eisegesis). Consiste em introduzir em um texto alguma coisa que alguém deseja que esteja ali, mas que na verdade não faz parte do mesmo. É o Antônimo da exegese. Ela ocorre quando o leitor procura imprimir ao texto sagrado a sua própria interpretação.
[13]Retórica: Conjunto de regras relativas à eloquência. Livro que contém essas regras. Exibição de meios oratórios.
[14]Figura: Representação por pintura ou escultura de um corpo humano ou de um animal (Lv 26:1), ou de um vegetal (2º Cr 4:3). Jeito; aspecto (1º Sm 28:14). Fiasco (2º Sm 6:20). Comparação (Jo 16:25). Forma; semelhança (Fp 2:7). Tipo (Hb 9:23-24).
[15]Subliminar: Uma mensagem oculta dentro de outra mensagem.
[16]Ministro: Servo (Sl 103:21; Jo 18.36). Empregado (Rm 13:4). Conselheiro; auxiliar (2º Sm 8:18). Pessoa designada para exercer um ministério (2º Cr 29:11; At 26:16). O servo de Cristo que, na igreja, prega a palavra e administra o batismo, a ceia, etc. (1º Co 4:1; Ef 6:21; 1º Tm 4:6). Um administrador.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A Autoria, o Período e o Conteúdo dos Livros Bíblicos

João 5:39 - "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam"
A interpretação das Escrituras
Sagradas também depende do
conhecimento sobre a sua
organização literária; tal
classificação facilita as
pesquisas de seus leitores, os
quais têm a possibilidade de
ler os textos bíblicos de
acordo com o tipo de
assunto.
    Para entender a Bíblia não basta ler, é necessário conhecê-la. E para conhecê-la é preciso saber identificar as suas divisões e os seus dados históricos: isso inclui a autoria, a situação política e religiosa e a época em que foram escritos cada um dos seus livros. Para facilitar a identificação desses detalhes, o presente estudo foi elaborado com um resumo de todos esses dados e contém as seguintes informações:
·        Nome: O nome conhecido de cada livro conforme é descrito na maioria das versões bíblicas existentes na língua portuguesa;
·        Abreviatura: A abreviatura do nome de cada livro escrita da forma que é mais popularmente utilizada;
·        Data: Todas as datas foram calculadas de acordo com dados históricos, os quais a maioria possui uma certa controvérsia. Portanto, os períodos de tempo mencionados são aproximados, podendo ser exatos ou não;
·        Autor: Apenas alguns livros identificam seus autores. Os demais tiveram sua autoria atribuída ao livro mediante pesquisas históricas: alguns nomes são incertos;
·        Capítulos: A quantidade de capítulos existente em cada livro;
·        Versículos: A quantidade de versículos existente em cada livro;
·        Resumo dos principais conteúdos: Alguns dos principais textos contidos em cada livro.
    Entre os itens aqui inseridos estão inclusas também as categorias em que foram divididos os livros (Pentateuco, Livros Históricos, Livros Poéticos, Profetas Maiores, Profetas Menores, Evangelhos, Histórico, Epístolas Paulinas, Epístolas Gerais e Profético); cada categoria está realçada com cores diferentes para possibilitar uma mais rápida identificação. O objetivo desse trabalho é facilitar pesquisas, reunindo - de forma resumida - as mais básicas informações sobre a Bíblia organizadas em um só texto.

ANTIGO TESTAMENTO
PENTATEUCO
1.      Gênesis (Gn): Escrito por Moisés em 1400aC, contém 50 capítulos e 1532 versículos. Assunto: A criação do universo; a origem do homem; o pecado; a história dos patriarcas.
2.      Êxodo (Êx): Escrito por Moisés em 1400aC, contém 40 capítulos e 1204 versículos. Assunto: A escravidão de Israel no Egito e a sua libertação; a caminhada do povo pelo deserto rumo à terra prometida.
3.      Levítico (Lv): Escrito por Moisés em 1400aC, contém 27 capítulos e 852 versículos. Assunto: A instituição do sacerdócio; a oficialização do culto e dos sacrifícios a Deus.
4.      Números (Nm): Escrito por Moisés em 1400aC, contém 36 capítulos e 1272 versículos. Assunto: A numeração das tribos de Israel.
5.      Deuteronômio (Dt): Escrito por Moisés em 1400aC, contém 34 capítulos e 952 versículos. Assunto: A confirmação da Lei de Deus entregue à Moisés.

LIVROS HISTÓRICOS
1.      Josué (Js): Escrito por Josué entre 1400 e 1375aC, contém 24 capítulos e 656 versículos. Assunto: A missão de Josué após a morte de Moisés; a conquista de Canaã e a sua divisão entre as tribos.
2.      Juízes (Jz): Escrito por Samuel, Natã? E Gade? entre 1000 e 900aC, contém 21 capítulos e 618 versículos. Assunto: Deus estabelece juízes para julgar em Israel.
3.      Rute (Rt): Escrito por Samuel, Natã? E Gade? entre 1000 e 900aC, contém 4 capítulos e 85 versículos. Assunto: A história de Rute e Noemi.
4.      1º Samuel (1º Sm): Escrito por Samuel, Natã? E Gade? entre 1150 e 1010aC, contém 31 capítulos e 811 versículos. Assunto: A angústia de Ana; o nascimento de Samuel e o seu chamado profético; o reinado e a morte de Saul.
5.      2º Samuel (2º Sm): Escrito por Samuel, Natã?, Gade?, Abiatar? entre 931 e 722aC, contém 24 capítulos e 695 versículos. Assunto: O reinado de Davi e os seus problemas familiares.
6.      1º Reis (1º Rs): Escrito por Jeremias? entre 560 e 538aC, contém 22 capítulos e 817 versículos. Assunto: Continuação da narrativa de 1º e 2º Samuel; o reinado de Salomão e os reis que o sucederam.
7.      2º Reis (2º Rs): Escrito por Jeremias? entre 560 e 538aC, contém 25 capítulos e 719 versículos. Assunto: Continuação do livro de 1ª Reis; reinado dos reis de Israel e de Judá.
8.      1º Crônicas (1º Cr): Escrito por Esdras entre 425 e 400aC, contém 29 capítulos e 942 versículos. Assunto: Resumo dos fatos mais importantes já relatados nos livros anteriores.
9.      2º Crônicas (2º Cr): Escrito por Esdras entre 425 e 400aC, contém 36 capítulos e 822 versículos. Assunto: Resumo dos fatos mais importantes já relatados nos livros anteriores.
10. Esdras (Ed): Escrito por Esdras entre 538 e 457aC, contém 10 capítulos e 280 versículos. Assunto: O retorno dos israelitas que estavam no cativeiro da Babilônia.
11. Neemias (Ne): Escrito por Esdras em 423aC, contém 13 capítulos e 406 versículos. Assunto: Neemias lidera a reconstrução das muralhas de Jerusalém.
12. Ester (Et): Escrito por Mardoqueu? ou Esdras? Em 465aC, contém 4 capítulos e 167 versículos. Assunto: Ester é escolhida pelo rei Assuero como rainha no lugar de Vasti; Mardoqueu descobre que Hamã preparava um plano para destruir os judeus; Ester intercede pelos judeus diante de Assuero; Mardoqueu é honrado pelo rei e Hamã é enforcado.

LIVROS POÉTICOS
1.      (Jó): Escrito por Moisés? e Salomão? por volta de 1400aC, contém 42 capítulos e 1070 versículos. Assunto: As perdas e o sofrimento de Jó e a sua restituição.
2.      Salmos (Sl): Escrito por Davi, Moisés, Asafe, Hemã, Salomão, Etã, Jedutum e os filhos de Corá entre 1000 e 300aC, contém 150 capítulos e 2641 versículos. Assunto: Seleção de cânticos e poesias de exaltação e louvor ao nome do Senhor.
3.      Provérbios (Pr): Escrito por Salomão, Agur e rei Lemuel em 900aC, contém 31 capítulos e 915 versículos. Assunto: Conselhos, avisos e palavras de exaltação à sabedoria dada por Deus.
4.      Eclesiastes (Ec): Escrito por Salomão em 931aC, contém 12 capítulos e 222 versículos. Assunto: Pensamentos reflexivos sobre a vida humana.
5.      Cantares (Ct): Escrito por Salomão entre 970 e 930aC, contém 8 capítulos e 117 versículos. Assunto: Palavras de amor entre um homem e uma mulher que fazem lembrar o amor entre Cristo e a Igreja.

PROFETAS MAIORES
1.      Isaías (Is): Escrito por Isaías entre 700 e 690aC, contém 66 capítulos e 1292 versículos. Assunto: Mensagens de correção e promessas de bênçãos para Israel; profecias messiânicas; a cura do rei Ezequias.
2.      Jeremias (Jr): Escrito por Jeremias entre 626 e 586aC, contém 52 capítulos e 1364 versículos. Assunto: O chamado de Jeremias; profecias contra Israel por sua desobediência; a parábola do oleiro; o exílio babilônico; profecias contra vários inimigos de Israel; o cerco e queda de Jerusalém.
3.      Lamentações (Lm): Escrito por Jeremias em 587aC, contém 5 capítulos e 154 versículos. Assunto: A tristeza do profeta Jeremias diante do sofrimento de Jerusalém.
4.      Ezequiel (Ez): Escrito por Ezequiel entre 593 e 573aC, contém 48 capítulos e 1273 versículos. Assunto: A chamada de Ezequiel; o exílio e o cativeiro de Judá; profecias contra vários inimigos de Judá; a restauração do templo.
5.      Daniel (Dn): Escrito por Daniel entre 605 e 582aC, contém 12 capítulos e 357 versículos. Assunto: O exílio de Judá; a fidelidade do jovem Daniel a Deus; interpretações dos sonhos de Nabucodonosor; convocação para adorar a estátua de ouro; livramento dos três jovens na fornalha; visões escatológicas.

PROFETAS MENORES
1.      Oséias (Os): Escrito por Oséias em 750aC, contém 14 capítulos e 197 versículos. Assunto: O casamento de Oséias com uma prostituta simbolizando o casamento de Deus com Israel.
2.      Joel (Jo): Escrito por Joel entre 835 e 805aC, contém 3 capítulos e 73 versículos. Assunto: Profecias escatológicas; previsões sobre o derramamento do Espírito Santo.
3.      Amós (Am): Escrito por Amós entre 760 e 750aC, contém 9 capítulos e 146 versículos. Assunto: Julgamento divino sobre várias nações, inclusive Israel.
4.      Obadias (Ob): Escrito por Obadias em 586aC, contém 1 capítulo e 21 versículos. Assunto: Profecia contra Edom.
5.      Jonas (Jn): Escrito por Jonas em 700aC, contém 4 capítulos e 48 versículos. Assunto: O profeta Jonas desobedece a ordem divina para pregar em Nínive; ele é lançado ao mar e engolido por um grande peixe; o profeta recebe uma segunda ordem para pregar em Nínive; a conversão dos ninivitas desagrada a Jonas e Deus o castiga.
6.      Miqueias (Mq): Escrito por Miquéias entre 704 e 696aC, contém 7 capítulos e 105 versículos. Assunto: Reprovação pelos pecados do povo; profecias escatológicas.
7.      Naum (Na): Escrito por Naum e 612aC, contém 3 capítulos e 47 versículos. Assunto: O julgamento de Deus sobre os pecados de Nínive.
8.      Habacuque (Hb): Escrito por Habacuque em 600aC, contém 3 capítulos e 56 versículos. Assunto: Questionamentos do profeta Habacuque sobre a justiça divina e a resposta do Senhor; o profeta clama e exalta o nome de Deus.
9.      Sofonias (Sf): Escrito por Sofonias e 630aC, contém 3 capítulos e 53 versículos. Assunto: Alerta contra o pecado do povo.
10. Ageu (Ag): Escrito por Ageu em 520aC, contém 2 capítulos e 38 versículos. Assunto: A negligência do povo de Deus em relação ao templo.
11. Zacarias (Zc): Escrito por Zacarias entre 520 e 475aC, contém 14 capítulos e 211 versículos. Assunto: O chamado ao arrependimento; profecias escatológicas.
12. Malaquias (Ml): Escrito por Malaquias em 450aC, contém 14 capítulos e 211 versículos. Assunto: O amor de Deus por Israel; a importância da contribuição com dízimos e ofertas para a manutenção do templo.

NOVO TESTAMENTO
EVANGELHOS
1.      Mateus (Mt): Escrito por Mateus entre 50 e 75dC, contém 28 capítulos e 1071 versículos. Assunto: A genealogia, o nascimento, o ministério, a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo.
2.      Marcos (Mc): Escrito por João Marcos entre 65 e 70dC, contém 16 capítulos e 678 versículos. Assunto: O ministério de João Batista; o batismo, o ministério, a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo.
3.      Lucas (Lc): Escrito por Lucas entre 59 e 75dC, contém 24 capítulos e 1151 versículos. Assunto: O nascimento de João Batista e de Jesus; o ministério de João Batista; A genealogia, o ministério, a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo.
4.      João (Jo): Escrito por João, o filho de Zebedeu, em 85dC, contém 21 capítulos e 879 versículos. Assunto: O ministério, a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo.

HISTÓRICO
1.      Atos (At): Escrita por Lucas em 62dC, contém 28 capítulos e 1007 versículos. Assunto: A descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes; o início do ministério dos apóstolos sem a presença física de Jesus; a organização da Igreja Primitiva; o apedrejamento de Estevão; a conversão de Saulo, o início de seu ministério e suas viagens missionárias.

EPÍSTOLAS PAULINAS
1.      Romanos (Rm): Escrita por Paulo em 56dC, contém 16 capítulos e 433 versículos. Assunto: A apresentação do apóstolo Paulo; a justificação do pecado pela fé.
2.      1ª Coríntios (1ª Co): Escrita por Paulo em 56dC, contém 16 capítulos e 437 versículos. Assunto: A divisão pela preferência de liderança na igreja de Corinto; problemas de disciplina na igreja; a importância do amor; a vida conjugal; a santa ceia; o controle no uso dos dons; a ressurreição dos mortos.
3.      2ª Coríntios (2ª Co): Escrita por Paulo entre 55 e 56dC, contém 13 capítulos e 257 versículos. Assunto: O sofrimento de Paulo; problemas em Trôade; a importância da contribuição e da generosidade; a defesa de sua autoridade apostólica; alerta contra os falsos profetas.
4.      Gálatas (Gl): Escrita por Paulo entre 55 e 56dC, contém 6 capítulos e 149 versículos. Assunto: O desânimo dos Gálatas; a liberdade cristã; a necessidade do crente em ser guiado pelo Espírito Santo.
5.      Efésios (Ef): Escrita por Paulo entre 60 e 61dC, contém 6 capítulos e 155 versículos. Assunto: A Igreja é o Corpo de Cristo; a pureza espiritual; a conduta correta para um casal cristão; a armadura de Deus.
6.      Filipenses (Fp): Escrita por Paulo em 61dC, contém 4 capítulos e 104 versículos. Assunto: Salvação; ação de graças; oração; confiança em Deus para lidar com as adversidades da vida.
7.      Colossenses (Cl): Escrita por Paulo em 61dC, contém 4 capítulos e 95 versículos. Os problemas do legalismo; o culto aos anjos; a vida social do cristão.
8.      1ª Tessalonicenses (1ª Ts): Escrita por Paulo em 50dC, contém 5 capítulos e 89 versículos. Assunto: A esperança de rever os crentes de Tessalônica; exortação à santidade; a volta de Cristo; perseverança na vida espiritual.
9.      2ª Tessalonicenses (2ª Ts): Escrita por Paulo em 50dC, contém 3 capítulos e 47 versículos. Assunto: O castigo divino contra os desobedientes; o antiCristo; a operação do erro; não se misturar com os infiéis.
10. 1ª Timóteo (1ª Tm): Escrita por Paulo em 64dC, contém 6 capítulos e 113 versículos. Assunto: Conselhos ao jovem Timóteo; orar pelas autoridades; como as mulheres devem se comportar; o desejo do cristão pela Obra; a importância de se ter um bom testemunho; apostasia; como a Igreja deve tratar as viúvas.
11. 2ª Timóteo (2ª Tm): Escrita por Paulo entre 66 e 67dC, contém 4 capítulos e 83 versículos. Assunto: Despertar o dom; ter cuidado com o espírito de temor; a fortificação na graça; profecia sobre os tempos trabalhosos; relatos de perseguições; a inspiração das Escrituras Sagradas; o abandono dos obreiros que o acompanhavam.
12. Tito (Tt): Escrita por Paulo em 64dC, contém 3 capítulos e 46 versículos. Assunto: As qualidades requeridas de um obreiro; conselhos diversos.
13. Filemom (Fm): Escrita por Paulo entre 60 e 61dC, contém 1 capítulo e 25 versículos. Assunto: Apelo de Paulo a Filemom para que aceitasse de volta seu escravo Onésimo.

EPÍSTOLAS GERAIS
1.      Hebreus (Hb): Escrita por um autor desconhecido em 70dC, contém 13 capítulos e 303 versículos. Assunto: Revelações sobre a pessoa de Jesus; os heróis da fé.
2.      Tiago (Tg): Escrita por Tiago entre 48 e 62dC, contém 5 capítulos e 108 versículos. Assunto: As tentações; a verdadeira religião; a acepção de pessoas; a fé e as obras; os perigos da língua; santificação; os bens materiais.
3.      1ª Pedro (1ª Pe): Escrita por Pedro em 60dC, contém 5 capítulos e 105 versículos. Assunto: A esperança da salvação; santificação; Cristo, a pedra de esquina; conduta conjugal; humildade; vigilância; resistência ao Diabo.
4.      2ª Pedro (2ª Pe): Escrita por Pedro entre 65 e 68dC, contém 3 capítulos e 61 versículos. Assunto: A esperança da salvação; os falsos profetas; as consequências do pecado; o arrebatamento da Igreja.
5.      1ª João (1ª Jo): Escrita pelo apóstolo João em 90dC, contém 5 capítulos e 105 versículos. Assunto: Comunhão com Deus; confissão de pecados; Jesus Cristo, nosso advogado; hipocrisia; o amor às coisas do mundo; santificação; provar se os espíritos são de Deus; o verdadeiro amor; o mundo está no maligno.
6.      2ª João (2ª Jo): Escrita pelo apóstolo João em 90dC, contém 1 capítulo e 13 versículos. Assunto: A carta é destinada, muito provavelmente, a uma família cristã; cuidado com os falsos obreiros; o amor ao próximo.
7.      3ª João (3ª Jo): Escrita pelo apóstolo João em 90dC, contém 1 capítulo e 15 versículos. Assunto: Carta destinada ao presbítero Gaio, a quem Pedro muito elogia por sua fidelidade; seguir o bem e não o mal.
8.      Judas (Jd): Escrita por Judas, irmão de Jesus, entre 65 e 80dC, contém 1 capítulo e 25 versículos. Assunto: A intromissão de ímpios no meio da igreja; o castigo divino aos infiéis.

PROFÉTICO
1.      Apocalipse (Ap): Escrita pelo apóstolo João entre 79 e 95dC, contém 22 capítulos e 405 versículos. Assunto: Profecias escatológicas; um novo céu e uma nova terra.

    Como vimos, entre os vários detalhes que se pode destacar, a organização dos livros bíblicos não segue uma ordem cronológica. Isso ocorre porque sua sequência foi classificada pelo tipo de escrita, ou seja: foram juntados de acordo com a semelhança que há entre eles. Isso também facilita os estudos dos mesmos, fazendo com que o leitor tenha melhor entendimento em seu conteúdo. Por isso é de extrema importância que ao ler cada texto - seja versículo, capítulo ou livro inteiro -, observe-se sua autoria, o período e o destinatário para se ter uma melhor compreensão em relação ao seu objetivo.