sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O Fruto do Cumprimento do Chamado

Jonas 3:5-10

Todo trabalho tem um objetivo, e
na pregação do Evangelho não é
diferente; no entanto, o fruto do
cumprimento de pregar a Palavra
deve visar a salvação de almas e
não a satisfação pessoal.
1 - Colocando em prática a estratégia de Deus (3:5)
    Ao ouvir a pregação de Jonas, os moradores de Nínive não apenas deram crédito, como resolveram tomar a atitude de humilhar-se diante de Deus proclamando um jejum. Alguns comentaristas bíblicos argumentam que o porquê dessa reação positiva à uma mensagem tão dura foi resultado de uma estratégia de Deus, o qual fez uso da idolatria do próprio povo para alcança-lo. Os ninivitas eram adoradores de Dagon[1] - um “peixe-deus” bastante popular na Mesopotâmia e no leste do Mediterrâneo -; assim sendo, para seus seguidores, não seria difícil dar ouvidos à um homem que alguns deles teriam visto sair de dentro de um peixe. No entanto, é importante frisar que em Nínive não há praia e a Bíblia não relata o local exato em que ele foi lançado em terra; pelos mapas apenas podemos deduzir que ele foi deixado em uma das praias - das quais a mais próxima estaria há uns 600 quilômetros de Nínive - e viajado até lá de alguma forma para depois iniciar sua caminhada de três dias. Partindo desse ponto de vista mais lógico, a teoria de Dagon faz sentido caso algum ninivita o tenha visto tão longe saindo do peixe e contado essa história ao povo. Evidências a parte, o que importa é que de alguma forma Deus colocou sua estratégia em prática e seu propósito foi cumprido.
    A Palavra pregada por nós produz resultado não porque temos poder persuasivo para convencer alguém (1ª Co 2:4), mas sim porque o Espírito Santo se encarrega desse papel (Jo 16:7,8). Não existe importância que entendamos o porquê disso ou daquilo, mas somente a necessidade de que sejamos obedientes ao nosso chamado, apenas falando ou fazendo o que corresponde à nossa obrigação como mensageiros de Deus (1ª Co 9:16). O resultado não é um mérito nosso (1ª Co 3:5-7[2]; Jo 3:29-31) e o método de aplicação usado corresponde à capacidade que nos foi dada por Deus (2ª Co 3:4,5; Fp 4:13).

2 - Atingindo o nível mais alto da sociedade (3:6)
    Talvez o profeta não esperasse que sua pregação alcançasse o próprio rei de Nínive. Mais do que isso, provavelmente ele nem imaginasse que, caso o alcançasse, sua reação fosse tão positiva: de imediato ele se levantou do trono, tirou suas próprias vestes, se cobriu de pano de saco e sentou-se sobre as cinzas. Como homem, Jonas poderia estar esperando, caso a mensagem chegasse até ele, uma atitude de afronta de sua parte ou, na melhor das hipóteses, o desprezo. Porém, mais uma vez, ele contemplou as mãos do Senhor sobre seu ministério confirmando sua missão.
    O que você espera alcançar no cumprimento da tarefa à qual está responsabilizado a fazer? Um de nossos grandes problemas é que muitas vezes não acreditamos no resultado que pode ser atingido, nas pessoas que podemos alcançar; pois olhamos para a situação imaginando-a intransponível encarando pessoas de elevadas posições como inatingíveis. Isso se deve ao fato de não encararmos o chamado como algo divino, mas apenas como a execução de um trabalho comum com nossas próprias forças a ponto de não confiarmos em sua provisão enquanto o fazemos (Lc 9:3[3] [4]).

3 - Obtendo um resultado acima do esperado (3:7)
    O rei não somente creu e aceitou a mensagem como também resolveu tomar uma atitude radical: emitiu uma ordem para que todos os cidadãos, incluindo seus animais, oferecessem um sacrifício de jejum ao verdadeiro Deus. Os povos antigos tinham por costume sacrificar aos ídolos, então essa prática não seria uma grande novidade para eles; porém, a diferença é que dessa vez não se tratava de seguir um costume, e sim de mover o coração do Criador em busca de misericórdia.
    As mensagens que pregamos precisam ser infalíveis em seu objetivo. Se não houver resultado positivo, algo está errado e precisa ser mudado. Mas como ser infalível se somos sujeitos a errar em palavras (Tg 3:1,2)? Essa infalibilidade começa quando reconhecemos a total dependência do Espírito Santo em nossas ministrações (Mc 16:20). Quando admitimos que somos apenas mensageiros e nos colocamos na posição de servos, Ele age surpreendendo com resultados acima das expectativas (At 2:38-41).

4 - Sendo usado para mudar a história de um povo (3:8)
    A humilhação do povo diante de Deus ordenada pelo rei era acompanhada de uma ordem: “converta-se cada um do seu mau caminho e da violência que há em suas mãos!”. Não havia alternativas; não existia uma separação entre os que quisessem ouvir o profeta e se converter e os que preferissem continuar em pecado; a ordem de mudança era para todos. O efeito da Palavra atingiu diretamente o coração do rei, fazendo-o transmitir ao povo um sentimento de unidade, levando cada um a entender que as atitudes individuais fariam a diferença entre o bem ou o mal-estar coletivo. Naquele momento, o milagre se estendeu muito além da unção de uma boa oratória do profeta, chegando a mudar os próprios costumes populares.
    O efeito da Palavra que pregamos precisa mudar histórias, remover limites, renovar esperanças, restaurar sonhos, ampliar objetivos, renovar mentes, alterar sentimentos, quebrar tradições, refazer conceitos, enfim, transformar vidas. O Evangelho tem poder para transformar (2ª Tm 3:14-17); a nós cabe simplesmente fidelidade na exposição do conteúdo do que levamos ao povo (At 20:24; 1ª Co 15:58).

5 - Causando um avivamento espiritual por meio da pregação da Palavra (3:9)
    A pregação de Jonas surtiu o efeito que todas as pregações deveriam surtir: o arrependimento de pecados acompanhado pela esperança do perdão de Deus. Esse é o verdadeiro avivamento; eles não receberam aquela mensagem com festa, mas com tristeza ao perceberem a gravidade de suas maldades. O temor da ira divina os levou sentir a necessidade de mudança; eles não queriam perecer por conta de seus pecados. Eles haviam compreendido que somente uma vida de acordo com as virtudes espirituais ensinadas pelo profeta poderiam satisfazer o Todo-Poderoso, evitando sua fúria sobre eles, assim proporcionando-lhes uma esperança de salvação.
    O barulho causado no avivamento provocado pela autêntica pregação da Palavra não se resume em nossas emoções, mas se reflete num profundo desejo de mudança que nos leva a abandonar totalmente o antigo modo de viver (2ª Co 5:17). Não há verdadeiro avivamento espiritual sem arrependimento e abandono de pecados (Hb 3:2). Avivamento sem transformação consiste apenas em movimento passageiro (1ª Co 14:32,33) e sujeito a escândalos (1ª Co 36-40).

6 - Alcançando o grande objetivo final (3:10)
    A aceitação e a obediência à Palavra com sinceridade de coração despertaram a atenção de Deus com olhar misericordioso sobre eles. Observando suas obras, Jeová se arrependeu do mal que tinha dito que lhes faria. Mas Deus se arrepende? A palavra arrependimento não se refere apenas a correção de um erro, mas também à compaixão por alguém no momento de puni-lo por algo. Assim sendo, vemos a misericórdia de Deus acima de seu sentimento de soberania por amor àquelas almas que caminhavam para a perdição.
    A mudança da sentença de Deus mediante ao arrependimento do ser humano é inquestionável e prova que há êxito na pregação do Evangelho quando estamos verdadeiramente direcionados por Ele (Tg 5:19,20). Muitas vidas podem estar com seu destino selado à perdição devido aos seus pecados, mas quando cumprimos com seriedade nosso papel de mensageiros ensinando que há uma oportunidade condicional àqueles que estiverem dispostos a renunciar às suas maldades (Lc 9:23), pode sim haver conversões que resultem em resgate de pessoas que caminham para o abismo (At 16:30-33). O objetivo maior de qualquer ministração tem que ser a salvação de almas (1ª Co 9:22,23; 10:33).


[1]Dagon: Significa "Peixe". Considerado um deus da fertilidade pelos filisteus, era adorado em Gaza e em Azoto, onde havia um templo, o qual foi destruído por Sansão (Jz 16:23-30). Sua imagem era representada com rosto e mãos de homem e cauda de peixe.
[2]Apolo: Significa "Destruidor". Judeu de Alexandria, muito eloquente, instruído na fé cristã por Áquila e Priscila. Tornou-se poderoso pregador do evangelho em Éfeso e em Corinto (At 18:24-28; 1ª Co 1:12-13; 3:4-6; 16:12; Tt 3:13).
[3]Bordão: Pau grosso de arrimo (encosto); cajado (Is 36:6; Hb 11:21).
[4]Alforje: Em árabe: al-Hurj. Bissaco (dois sacos) de couro, com abertura entre os dois compartimentos, pela qual se coloca no arreio, na sela ou nos ombros.

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