quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O Cumprimento do Chamado

Jonas 3:1-4

O cumprimento de um chamado
implica no enfrentamento de
vários desafios que muitas vezes
aparentam ser muito maiores do
que nossa capacidade; porém, é
a convicção de que estamos sob
a misericordiosa Graça divina
que nos dá forças para encarar e
vencer qualquer situação.
1 - Experimentando a misericórdia divina (3:1)
    O pior já havia passado. Agora o profeta já estava a salvo em terra. Seria esse o momento para o Senhor lhe cobrar duramente por sua desobediência, mas “jogar na cara” o que fez por ele não era seu objetivo. Havia uma grande missão a cumprir e o escolhido ainda era ele. Imagina-se que o estado emocional de Jonas fosse uma grande mistura de temor e gratidão e, sendo uma pessoa que tinha pelo menos um pouco de juízo, não viraria as costas à voz de Deus novamente.
    Misericórdia é uma das palavras-chave na vida de cada crente (Lm 3:22,23). Se fôssemos tratados pelo Senhor da mesma forma que muitas vezes o tratamos, já teríamos sido fulminados. Ele pode até precisar de nós para determinadas missões, porém, precisar não significa depender, pois Ele tem inúmeros meios de cumprir seus propósitos e um deles é nos descartar definitivamente. Não somos exclusivos (Rm 11:3,4). Você já parou para pensar na importância do lugar em que ocupa e no grande privilégio que usufrui diante daquilo que foi confiado em suas mãos? Ele poderia estar usando outro, mas escolheu você e te proporcionará meios para isso (Jr 1:4-10)!

2 - Tendo o pacto renovado com Deus (3:2)
    O plano divino não havia mudado. A ordem ainda era a mesma: “Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive e prega contra ela!”. Talvez esse fosse o temor maior do profeta, mas o seu “plano B” não excluiu o “plano A” de Deus. Certamente, apesar de não ser exatamente o que Jonas queria fazer, a sensação de alívio por estar vivo e ainda poder ouvir a voz do Senhor foi seu grande fator motivacional para não repetir o erro anterior desobedecendo-o.
    Deus sabe como trabalhar conosco. Seu amor nos constrange e, sem necessidade de imposições (Ap 3:20), nos leva a cumprir o que nos é proposto (2ª Co 5:14ª; Jo 21:17[1]). É óbvio que se Jonas resistisse à sua voz e definitivamente decidisse não ir (At 7:51), isso não impediria que Nínive ouvisse sua Palavra (Is 43:13), pois o compromisso divino, primariamente, é com a mensagem e não com o mensageiro (Mt 7:21-23). No entanto, o profeta arcaria com as consequências por sua desobediência (Mt 25:11,12,24-30).

3 - Aproveitando de uma nova oportunidade (3:3)
    Ouvindo esse segundo chamado, Jonas levantou-se e foi. Sabia ele que não seria fácil cumprir essa tarefa: o lugar era estranho, a fama de seus habitantes não era nada boa, a mensagem não possuía um conteúdo nem um pouco agradável e havia uma longa caminhada de três dias pela frente. Mas o que um homem dependente de Deus poderia fazer além de obedecer? Ele estava muito longe de casa e, provavelmente, sem condições de voltar; no entanto, creiamos que a razão de sua obediência tenha sido pela vontade de aproveitar essa oportunidade em razão do amor e da gratidão a Deus pelo seu livramento e não por falta de alternativa.
    O que te move a obedecer a Deus? Aproveitar oportunidades - principalmente quando se trata de uma imerecida nova oportunidade - é uma atitude própria de quem tem sabedoria e temor ao Senhor. Porém, há sinceridade em teu coração quando você diz “sim” para Deus (At 8:18-21[2])? Enfrentar terras estranhas, pessoas difíceis, mensagens indignas de aplausos e trabalhos exaustivos são tarefas para quem tem convicção de seu chamado e conhece o Deus a quem está servindo (2ª Tm 1:6-12). Se não for por amor - sem interesses secundários -, caso não haja arrependimento, o resultado é catastrófico (At 27:3-6).

4 - Cumprindo seu chamado (3:4)
    Ele não esperou terminar a viagem de três dias para descansar um pouco e depois se apresentar diante do rei, pedir a montagem de um palco e ter tudo preparado para sua grande preleção[3]. A missão era urgente e, logo no primeiro dia, enquanto caminhava, começou a pregar, assim sendo ouvido pelos que encontrava pelo caminho. A mensagem era forte. Não tinha como “amaciar” fazendo uso de técnicas de oratória para ser melhor aceito pelos ouvintes, os quais eram pecadores que necessitavam ser alertados quanto à necessidade de arrependimento. Assim prosseguiu ele até o fim, talvez, sem ter a certeza de que consequências pessoais isso pudesse lhe causar. 
    O que mais costuma nos atrapalhar no cumprimento de nosso chamado é o período de preparo que impomos à nós mesmos. Logicamente, é inquestionável que devemos sim nos preparar, no entanto, é necessário lembrar também que a própria Obra é uma grande escola e que as maiores lições são aprendidas na prática. Essa missão é urgente (2ª Tm 4:2[4] [5] [6])! Outro fator que também muito atrapalha é o receio de trabalhar com a verdade: nos preocupamos com a quantidade do que podemos perder diante do homem, assim desprezando a qualidade do serviço que estamos prestando a Deus. Qual é o valor da verdade? Esse valor é a diferença entre a salvação e a condenação dos vários “ninivitas” para as quais o Senhor nos ordena a pregar diariamente (Ez 3:18-21). Quer realmente cumprir seu chamado? Pregue sobre subversão[7] sem subverter o conteúdo da pregação (2ª Co 4:3-5[8]).


[1]Simão: Significa "Ouvinte". Na Bíblia aparecem nove homens com esse nome: 1) Pedro (Mt 4:18); 2) Iscariotes, pai de Judas (Jo 13:26); 3) O leproso (Mc 14:3); 4) Cirineu (Mt 27:32); 5) Curtidor (At 10:6); 6) Fariseu (Lc 7:40); 7) Mágico (At 8:9-24); 8) Zelote ou Cananeu (Mt 10:4); 9) Irmão de Jesus (Mt 13:55).
[2]Simão, o mágico: É um personagem bíblico com quem o apóstolo Pedro travou polêmica em Samaria (At. 8, 9-24). Além do livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, o personagem é referido em outras obras ligadas ao gnosticismo. O texto bíblico narra o episódio em que Simão tenta comprar dos apóstolos o poder de operar milagres. Tal ato, considerado pecaminoso pela teologia cristã, foi denominado de simonia (ato de Simão), termo que define especificamente o comércio ou tráfico de coisas sagradas e espirituais, tais como sacramentos, dignidades, indulgências e benefícios eclesiásticos, e que estaria no centro das críticas e discussão que conduziriam à Reforma protestante no século XVI.
[3]Preleção: Palestra com finalidade didática ou educativa; aula, lição.
[4]Redarguir: Repreender, replicar, responder.
[5]Exortar: Animar, incentivar, estimular. Induzir, conversar. Advertir, admoestar, aconselhar.
[6]Longanimidade: Paciência. Qualidade de quem tem grandeza de ânimo. Benigno, complacente, indulgente, corajoso, generoso, paciente, resignado, longânimo.
[7]Subversão: Ato ou efeito de derrubar, destruir; ruína, destruição, queda. Perversão moral.
[8]Fábula: Lenda, conto. Composição, geralmente em verso, em que se narra um fato cuja verdade moral se oculta sob o véu da ficção. Mitologia. Mentira. Ficção, falsidade.

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