sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Exemplo Pessoal na Educação dos Filhos

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2013 - Provérbios e Eclesiastes - Lição 6 | Jonas M. Olímpio

Não basta mandar, é preciso ir
junto! O exemplo pessoal é
essencial na educação dos
filhos; porque pais
participantes não ganham
apenas autoridade, eles
conquistam respeito
TEXTO ÁUREO
Pr 20:7 - "O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele."

VERDADE PRÁTICA
    A melhor forma de se educar um filho é através do exemplo, pois as palavras passam, mas o exemplo permanece.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 4:1-9

INTRODUÇÃO
    Como educar os filhos dentro dos padrões cristãos numa sociedade tão cheia de atrativos sedutores direcionados ao público jovem e adolescente? O primeiro passo é ter autoridade sobre a criança; mas é necessário ter a consciência de que ter autoridade não é gritar, ameaçar e tampouco agredir, mas sim ter um respeito conquistado através de um laço de
amizade com ela. E o segundo passo é ser exemplo; esse é um dos maiores segredos no processo da educação: não adianta mandar, é preciso fazer também. Em questões extremas, deve-se aplicar correções na medida necessária apenas para que, em caso de várias reincidências, ela sinta o quanto custou o seu erro e não se acostume com aquela perigosa sensação de impunidade. A Palavra de Deus, principalmente no livro de Provérbios, ensina sabiamente o quanto é importante que os pais amem seus filhos e de que maneira devem tratá-los. Em seus escritos, o rei Salomão, em sua maneira de ensinar o povo, nos mostra que a educação é de fato uma obrigação dos pais: ele trata o público fazendo uso de uma carinhosa expressão no singular: "filho meu"; assim, quem ouvia ou lia suas palavras sentia-se como um filho sendo ensinado por seu pai. Você tem sido um pai educador?
    A correção, ainda que as vezes de forma dura, direciona a criança a conhecer a diferença entre o certo e o errado; pais que abrem mão da sua autoridade e não conquistam o respeito dos seus filhos, sempre serão envergonhados por eles (Pr 29:15).

I - A IMPORTÂNCIA DOS LIMITES
1. Satisfazendo necessidades, não vontades
    Amar os filhos não significa dar tudo o que eles querem, mas, sobretudo, aquilo que eles precisam. Se você perguntar à uma criança o que ela quer, certamente ela vai responder: doces, brinquedos, games e passeios; porém, você, como adulto responsável, sabe que o que ela necessita é alimentação saudável, roupas, estudos e frequentar lugares saudáveis como, por exemplo, a escola e a igreja. Obviamente, mesmo tendo que lhe impor aquilo que lhe é mais útil, você não vai exatamente cortar os objetos da vontade dela, porque eles também são úteis, só que necessitam ser aplicados em dose moderada. Satisfazer todos, ou a maioria, dos desejos de uma criança, para os pais mais "corujas", é sinônimo de amor e alegria, porque eles também se satisfazem ao ver o sorriso no rosto dos seus filhos; porém, a curto prazo, já se pode notar que o efeito disso não é tão satisfatório, pois uma criança mimada expõe os pais a vários desconfortos, entre eles a vergonha que sempre enfrentam quando, por exemplo, não têm dinheiro para comprar algo e a criança começa a fazer birra. Mas esse tipo de comportamento não é comum na fase infantil? Não! Esse tipo de comportamento é comum quando um pai é infantil demais para educar! Pois uma criança que já tenha capacidade de raciocínio é também capaz de entender quais são os seus deveres e limites, e quando isso não é colocado de forma bem clara, e elas percebem sua capacidade de influência, começam a "chantagear" os pais para conseguir o que querem. Educar não é apenas sustentar e dar carinho, o verdadeiro educador sabe impor limites sem perder o respeito e a admiração daqueles que estão sob a sua responsabilidade.
    Pais responsáveis sabem repreender e castigar sem traumatizar e, como fruto disso, no futuro terão descanso e tranquilidade por saberem que colocaram adultos honestos e responsáveis na sociedade (Pr 29:17).

2. Presença versus agressão
    Uma das mais polêmicas recomendações do livro de Provérbios é o uso da vara na repreensão aos filhos. Essa expressão aparece cinco vezes nos escritos de Salomão como parte do processo de educação infantil, e se tem mostrado eficiente pelo que podemos observar na vida daqueles cujos os pais aplicaram esse método, obviamente, sem considerar algumas poucas exceções. É importante ressaltar que "usar a vara" não significa maltratar ou tampouco espancar os filhos, mas simplesmente fazer uso de uma disciplina mais severa a qual não permita à criança pensar que seus atos mais reprováveis sempre ficarão impunes; pois quando os pais não corrigem com algumas "varadas", a vida pune com várias "cacetadas". Aplicada com moderação, essa forma de castigo ajuda a manter o controle sobre a rebeldia infantil, porém não resolve definitivamente todos os problemas; por isso é de extrema importância que os pais estejam incessantemente presentes ao lado dos filhos, não sendo superprotetores - pois a superproteção gera dependência, incapacidade e comodismo -, mas amigos e orientadores mesmo não aprovando seus erros. Esse princípio bíblico da repreensão através da vara tem sido muito contestado pelos inimigos da Palavra de Deus, os quais têm apoiado leis do tipo "anti-palmada", as quais visam reprimir a igreja até mesmo no ensinamento aos pais cristãos sobre como educar seus filhos. Os argumentos usados por esses políticos e ativistas para defender seus idealismos anticristãos é que os seus objetivos seriam proteger a infância contra maus tratos e espancamentos. Pura hipocrisia! Pois qual deles nunca deu uma palmada em seus filhos? E, independentemente do tanto de leis que inventem, continuará aumentando o número de crianças que sofrem nas mãos de adultos irresponsáveis e criminosos, e certamente não são os pais crentes os vilões dessas estatísticas negativas. Em 1ª Pedro 2:15, somos instruídos a fazer sempre o bem para tapar a boca dos ignorantes; portanto, mesmo as vezes aplicando métodos mais duros na disciplina, sejamos sábios para ao mesmo tempo ganharmos a confiança e o amor dos nossos filhos, mostrando à sociedade o quanto a família cristã é feliz vivendo obedientemente sob os mandamentos das Escrituras Sagradas.
    A aplicação da vara na repreensão aos filhos não tem o objetivo de espancar ou prejudicá-los de alguma forma, mas simplesmente de orientá-los no caminho certo corrigindo energicamente os erros que podem levá-los à condenação (Pr 23:13,14).

II - ENSINANDO ATRAVÉS DO EXEMPLO (VALORES)
1. Ética da personalidade

    Você tem se preocupado com a formação da personalidade do seu filho? O que ele tem aprendido na escola? De que forma o mundo o está influenciando? Os métodos de ensino aplicados pelos meios educacionais, assim como as influências estimuladas pela mídia de várias formas, visam formar indivíduos com mentes alienadas, os quais estejam mais preocupados em ser "normais" do que em se tornarem pessoas que pensam por si próprias. Esse sistema de ensino subliminar forma uma sociedade, em sua maioria, com seres dominados política, social, moral e religiosamente dentro de um padrão que favorece o poder da elite dominante. A maior defesa que temos contra isso é não permitirmos que a nossa personalidade seja formada ou desviada por aqueles que querem tirar algum proveito disso; e a mesma preocupação devemos ter em relação aos nossos filhos, pois de nada adianta os criarmos no caminho certo se não os protegermos impedindo que os valores que lhes ensinamos sejam destruídos pelo mundo que os cerca. Criar um filho com personalidade cristã significa ensinar a ele o que é o certo, ganhando sua credibilidade ao ponto de poder ter a certeza de que nenhuma influência contrária aos padrões bíblicos poderá mudar seu pensamento. E para alcançar essa confiança é preciso antes ganhar o respeito, o qual não pode ser imposto, mas deve ser conquistado com amor; e para tudo isso é necessário que haja exemplo, porque um pai sem personalidade tende a criar filhos que também não tenham uma identidade própria, mas que aceitem tudo o que pareça normal dentro dos padrões da sociedade. Ensinar uma criança desde pequena a pensar por si mesma significa lhe dar uma arma de defesa contra as coisas que possam futuramente afastá-la de Deus. Ser um cristão com personalidade significa estar convicto, ou seja: ter a certeza de sua fé, e não de sua religiosidade,  não a perdendo por nada. Como pais, é nosso dever criar os filhos de modo que eles nunca aceitem trocar as bênçãos de Deus pelas tentações desse mundo.
    Atos imprudentes são atitudes próprias de adolescentes e jovens, mas nossas atitudes, ainda que enérgicas quando necessário, servem para impedir que eles sejam vítimas de sua imaturidade (Pr 22:15).

2. Ética do caráter
    Quais são as características que definem as qualidades do ser que você está criando para fazer parte da sociedade? Acho que é melhor eu estender essa pergunta: quais são as características que definem as tuas qualidades como indivíduo dentro da sociedade? Pois quem não vive exemplarmente também não tem moral para ensinar! Se você ensina seu filho a ter personalidade isso é importante, porque ele será uma pessoa de atitude; porém, a preocupação maior é: qual foi o caráter desenvolvido a partir dessa personalidade? Boas atitudes só podem ser praticadas por pessoas que desenvolveram uma boa índole, sem a qual muitos vivem em nome de seus sentimentos e não da razão achando que estão praticando o que é certo. Um dos maiores exemplos da falta de caráter é a pessoa pensar prioritariamente em suas necessidades ou vontades, menosprezando os direitos e as carências alheias. Essa deficiência comportamental é uma das coisas que mais devemos observar no desenvolvimento dos nossos filhos, pois no decorrer de sua vida, principalmente na fase adulta, isso resultará em egoísmo, ganância e cobiça - características próprias de delinquentes -, qualidades as quais causarão sérios danos à eles, às outras pessoas e até a você mesmo. A Bíblia nos ensina a criar os filhos no temor do Senhor para que futuramente não venham a ser razão de nossa vergonha e frustração. O bom e o mau caráter podem ser observados nos mínimos detalhes do comportamento; por isso, estejamos atentos a cada atitude de nossos filhos lembrando que, mesmo que em alguns casos seja difícil, o caráter pode sim ser mudado principalmente se nos colocarmos sob a direção de Deus.
    A pessoa dotada de mau caráter provoca sérios danos àqueles que a criaram; por essa razão, o acompanhamento e a orientação na criação dos filhos são essenciais desde os seus primeiros passos (Pr 17:25).

III - EDUCAÇÃO INTEGRAL
1. Desenvolvimento mental

    A mente é a mais importante faculdade do ser humano, pois ela lhe dá capacidade de entendimento, o que lhe permite ter domínio sob sua estrutura física e das coisas a sua volta ainda que de forma limitada. Por isso, é de extrema importância acompanharmos e contribuirmos para o desenvolvimento mental de nossos filhos. E para cumprir essa tão importante missão devemos usar como base de orientação a Palavra de Deus, ensinando nossas crianças, conforme está escrito em Filipenses 4:7,8, que elas devem ocupar seus pensamentos somente com aquilo que lhes possa proporcionar algo de bom, as incentivando também a estimular seu raciocínio julgando entre o bem e o mal de acordo com o ensinamento de 1ª Tessalonicenses 5:21. Pelo que vemos nos relatos bíblicos sobre o antigo povo de Israel, os pais trabalhavam a mente dos filhos aplicando-lhes técnicas de memorização usando para isso as palavras da Lei, as quais tinham valor espiritual e social para o seu desenvolvimento. Hoje, muitos não mais se preocupam com isso e entregam seus filhos desde pequenos aos "cuidados" da televisão, dos games e de diversas fontes de ensinamento que na verdade simplesmente roubam sua infância, transtornando suas mentes, tornando-as em jovens revoltados, violentos ou complexados e depressivos; esse tipo de "educação" forma seres acostumados ao individualismo e desapegados a presença afetiva, ou seja: muitos não valorizam o amor familiar e o egoísmo transforma alguns até mesmo em pessoas perigosas, porque, geralmente, além de não conviverem constantemente com a figura dos pais, ainda tiveram que suportar os mesmos tratando-os com gritos, ameaças e agressões, repugnantes atitudes essas que podem traumatizar as crianças mais sensíveis. Muitos questionam o por quê de em famílias com dois ou mais filhos que recebem a mesma criação, as vezes uns se tornam boas pessoas e outros não; porém, deve-se considerar que cada indivíduo nasce com uma diferente estrutura ou capacidade para reagir a cada circunstância, devido a isso, cabe também aos pais detectar cada diferença de comportamento e aprender a lidar com cada uma delas e, caso necessário, pedir a ajuda de um profissional para isso. No entanto, a nossa principal educadora continua sendo a Palavra de Deus.
    Incentivar - e não forçar - as crianças ao conhecimento das Escrituras Sagradas, não só é um meio de mostrar a elas o caminho da verdade, mas também uma maneira de desenvolver sua mente de uma forma saudável (Dt 6:6-9).

2. Desenvolvimento moral
    Como está o desenvolvimento moral do seu filho? Quais os valores da vida que você o tem ensinado a priorizar? Infelizmente, estamos vivendo numa sociedade em que os princípios morais caíram em total decadência dando espaço à maus costumes como o desrespeito, a desonestidade, a injustiça, o egoísmo e a depravação sexual. O errado é considerado certo, e o certo é considerado errado, fazendo com que os ensinamentos bíblicos sejam vistos como ultrapassados e desnecessários. Diante dessa situação, criar os filhos de acordo com os valores morais parece ser uma missão impossível; mas, como sabemos que para Deus não existem impossibilidades, isso nos fortalece e encoraja a não desistirmos entregando nossos filhos ao mundanismo. A moral inclui uma série de virtudes as quais nem todos os seres humanos possuem; por isso, a maior felicidade de um pai é ver seus filhos aprendendo e praticando os bons ensinamentos contidos na Palavra do Senhor; mas, para alcançar esse êxito, é preciso ser exemplo, pois um homem e uma mulher sem moral, certamente também criarão filhos e filhas imorais. Na Bíblia, vemos uma grande preocupação em se ensinar os valores da moralidade; e isso se deve à importância que se tem a boa imagem e o bom exemplo para os servos de Deus perante a sociedade. Alguém que professa o cristianismo e prega os seus mandamentos deve agir como um autêntico cristão agindo como Cristo agiria em cada situação; é isso que devemos ensinar às nossas crianças. Uma pessoa que tem moral tem credibilidade na sociedade; as pessoas próximas a tua família confiam nos teus filhos? Ou melhor: confiam também em você? Nunca se esqueça de que as suas atitudes refletirão fortemente no comportamento daqueles que estão sob a sua responsabilidade.
    Normalmente, quanto à responsabilidade da educação, ela é jogada somente sobre os pais; mas os filhos também têm sua parcela de peso sendo responsáveis por colocar em prática tudo o que aprendem, buscando ser respeitosos sabendo que de sua obediência dependem o seu sucesso e o seu tempo de vida (Ef 6:1-3).

CONCLUSÃO
    Em relação ao comportamento, tudo o que queremos ou esperamos que nossos filhos sejam, temos a obrigação de ser e mostrar para eles que somos. Exigir algo de alguém sem dar o exemplo antes é hipocrisia: uma péssima qualidade totalmente condenada pela Bíblia. Seus filhos talvez não sigam os seus passos na vida profissional e ministerial, mas se não te seguirem no que se refere às boas virtudes, algo está errado com você ou com eles; e então é hora rever seus conceitos e métodos educativos. Um pai não impõe respeito, ele o conquista; e, junto com isso, ele ganha também o amor, a credibilidade, a confiança e o justo o direito a ser imitado. Bons conselhos permitem que seu filho conheça as armadilhas que o cercam, mas um acompanhamento de perto evita que ele caia nelas. Se você não quer perdê-lo para o mundo, seja um pai presente e não apenas um pai que dê presentes, pois os suprimentos materiais são uma obrigação e não uma prova de amor; da mesma forma, autoridade não é arrogância e brutalidade, mas a aplicação da disciplina na medida certa para não causar traumas ou revolta. Conforme o contexto de Efésios 6:4, podemos afirmar que na educação dos filhos, é essencial o auto-controle nas situações difíceis e, sobretudo, a aplicação dos princípios bíblicos. Como estamos vendo, as influências e as tentações mundanas são grandes, mas pais que dão bons exemplos e ensinamentos que edificam sabem que dificilmente seus filhos serão enganados pela astúcia do inimigo.
    Da mesma forma que esperam um bom tratamento de seus pais, os filhos também devem saber que de nada adianta receberem uma boa criação se eles não os obedecerem praticando essas atitudes com temor a Deus (Pr 1:7-9).

DICIONÁRIO
Caráter: Moral. Índole. Característica.

Estultícia: Insensatez; falta de juízo (Pr 14:8).
Ética: Conjunto de princípios morais que se devem observar; é o que indica as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros da sociedade. Bom senso.
Fustigar: Castigar; açoitar.
Índole: Caráter. Disposição, gênio. Temperamento.
Moral: Relativo à moralidade, aos bons costumes. Que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes. Que se refere ao procedimento. Domínio do espírito, da inteligência.
Personalidade: Caráter essencial e exclusivo de uma pessoa. Aquilo que a distingue de outra. Conjunto de hábitos adquiridos na vida social. Organização integrada e dinâmica dos atributos físicos, mentais e morais do indivíduo; compreende tanto os impulsos naturais como os adquiridos: hábitos, interesses, complexos, sentimentos e aspirações. Identidade própria.
Umbral: Batente da porta.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2013 - Provérbios e Eclesiastes - Lição 6 | Jonas M. Olímpio

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