quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Lidando de Forma Correta com o Dinheiro

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2013 - Provérbios e Eclesiastes - Lição 4 | Jonas M. Olímpio

Falta de controle sobre os gastos
resultam em sérios problemas
futuros; um servo de Deus tem
por obrigação zelar pelo seu
nome, pois ele carrega também o
nome do Evangelho
TEXTO ÁUREO
Pr 23:23 - "Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento."

VERDADE PRÁTICA
    Quando o dinheiro não é dominado como servo, mas domina como senhor, transforma-se num grande e terrível tirano.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 6:1-5

INTRODUÇÃO
    Quando olhamos para os maiores problemas enfrentados pela sociedade no mundo atual, se analisarmos suas origens, descobriremos que eles foram causados pela cobiça ao dinheiro. Tantas disputas, corrupção, alto índice de criminalidade e proliferação de doenças ligadas
à mente, de um modo quase generalizado, estão, de alguma forma, ligados ao apego e à determinação em se conquistar valores materiais. O dinheiro em si não é o problema, mas sim o amor, ou a cobiça, por ele; pois todos nós necessitamos do nosso sustento, mas quando permitimos nossas necessidades de consumo se tornarem consumismo, estamos nos colocando em sério risco. Pois conforme aprendemos também em Tiago 4:1-4, no caso dos cristãos, esse apego ao materialismo provoca pelejas, inveja, esforços em vão e até impedimento nas orações, porque quando o homem começa a pedir algo apenas pensando no seu próprio prazer está supervalorizando apenas sua vida terrena esquecendo-se do lado espiritual, mostrando-se assim ser amigo do mundo e não de Deus, o que consiste numa forma de adultério e o desagrada profundamente.
    As pessoas com desejo incontrolável de riquezas são capazes de tudo levadas por essa maligna tentação, e isso é o que as faz a cair em perdição e ruína, padecendo muitas dores, inclusive afastando-se de Deus. Mas a Palavra nos orienta a fugir dessas coisas seguindo as boas virtudes (1ª Tm 6:9-11).

I - O CUIDADO COM AS FINANÇAS E EMPRÉSTIMOS
1. O fiador
    Ser fiador é assumir a responsabilidade de pagar uma dívida caso o comprador não a pague; geralmente, esse tipo de ação constitui em assumir contratos de aluguel, fazer compras para terceiros em seu nome usando o cartão de crédito ou emprestando cheques, correndo o risco de sofrer restrições em seu nome. Em provérbios 11:15, somos advertidos quanto ao perigo em se confiar demais em alguém e diz ainda que quem recusa a fiança está seguro. É óbvio que essa não é uma proibição, mas apenas um conselho a que se seja prudente em relação a pessoas estranhas ou que não mereçam muita confiança, pois ainda existem sim pessoas honestas. Por isso, a obrigação do crente que não quer ser enganado é estar em constante oração, sempre pedindo a Deus discernimento e sabedoria em todas as suas decisões e ações.
    Em muitos casos, o que leva alguém a ser dependente de outros é realmente a preguiça e o comodismo. Mas a Bíblia, através de exemplos da própria natureza, nos ensina a agir com prudência em relação ao planejamento e à preparação do suprimento de nossas necessidades para o futuro (Pr 6:6-11).

2. Empréstimo
    Emprestar é colocar algo nas mãos de alguém que assume o compromisso de devolvê-lo posteriormente. Não cumprir com esse compromisso constitui em alguns pecados como, por exemplo, a mentira, a desonestidade e a falta de amor para com aquele que confiou em sua palavra. Quem empresta corre sérios riscos, pois caso não haja lealdade por parte de quem lhe tenha pedido emprestado, ele perderá não somente aquele valor em si, mas também a amizade, a confiança e, talvez, até a paz interior e a comunhão com Deus. Não é errado emprestar, desde que se tenha certeza sobre a honestidade de quem lhe está pedindo; porém, o crente deve estar atento e ter direção divina para não ser decepcionado e prejudicado; e é necessário levar em consideração também que nem todos os que não pagam são desonestos, porque qualquer pessoa está sujeita a imprevistos financeiros e, devido a isso, não ter condições de pagar, mas, caso isso aconteça, é preciso se ter a consideração de conversar com o credor prestando-lhe satisfação sobre o ocorrido. Outro perigo também é quando a pessoa perde o equilíbrio financeiro e, devido a tantos empréstimos em bancos, se torna refém de instituições de cobrança por não conseguir pagar seus juros abusivos.
    Na própria Lei, Deus estipulou regras em relação ao empréstimo para garantir o direito daquele que confia no próximo. E quem toma algo emprestado deve ter muito cuidado e zelar por esse compromisso sabendo que tem que honrar seu nome de servo de Deus e que terá que prestar contas por isso (Êx 22:14; 2º Rs 6:4,5).

II - O CUIDADO COM O LUCRO FÁCIL
1. Evitando a usura

    Conforme está escrito em Êxodo 22:25 e em Deuteronômio 23:19,20, a prática da cobrança de juros excessivos era proibida entre o povo de Israel; essa proibição descrita na Lei visava proteger os mais pobres da exploração dos ricos. A usura somente era permitida em relação aos estrangeiros, desde que também não houvesse abuso. Nos dias atuais, para quem trabalha no comércio ou, de alguma forma, lida com dinheiro, existem os limites de juros estipulados pelo Mercado Financeiro para cada área de negócio; quem cobrar valores acima das taxas permitidas pelo governo está praticando agiotagem: um crime punido pela legislação brasileira com pena de seis meses a dois anos de detenção, mais uma multa de acordo com a infração. Dentro desse contexto pode-se também incluir aqueles que possuem comércio e colocam preços abusivos em suas mercadorias quando não há concorrentes em sua região. A usura não só é um crime, como também um pecado, porque quem a pratica está cometendo um crime de roubo apossando-se de um dinheiro sobre o qual ele não tem direito. Uma das formas de não sermos vítimas dos delinquentes que fazem uso dessa prática, é ficarmos atentos às taxas de juros descritas nos contratos de compra ou locação, como também os de empréstimos; se eles não estiverem muito claros com relações a isso, é necessário questionar o representante, e caso ele não tenha uma explicação satisfatória, não se deve fechar o negócio; outra dica importante é investigar a idoneidade da empresa, pesquisando se a mesma é alvo de muitas reclamações de seus clientes. E, como crentes, nossa atitude, obviamente, é buscar a direção do Senhor para não sermos enganados ou explorados em nenhum negócio.
    Não praticar a usura também é incluída como uma das condições para se alcançar a salvação (Sl 15 1:5).

2. Evitando o suborno
    O suborno consiste num valor em dinheiro ou um presente dado para se obter alguma vantagem, incriminar alguém injustamente ou encobrir algum ato errado. Esse era um problema comum entre o povo de Israel, pois, naquela época, os pobres tinham bastante dificuldade para fazerem valer seus direitos diante da justiça, porque os magistrados, de forma quase generalizada, eram corruptos e aceitavam subornos favorecendo os mais ricos. Tendo como objetivo combater essa ganância humana, a Lei proibia essa prática, lembrando ainda o quanto ela é abominável aos olhos de Deus. Atualmente, o suborno é um dos maiores problemas da nossa sociedade, pois estamos vivendo num mundo em que quem tem dinheiro compra a justiça, os direitos às melhores universidades, as licitações de empresas, votos em campanhas eleitorais e todos os privilégios possíveis enquanto que os mais pobres ficam com o que sobrar tendo poucas chances de exercerem seus direitos. Como cristãos, embora a tentação seja grande e, mesmo quando não queremos, muitas vezes, nossa função no trabalho secular possa vir a nos constranger a oferecer ou principalmente a aceitar suborno, devemos pedir a misericórdia divina e resistir até às últimas consequências, pois é isso que aprendemos no Salmos 15:4, na versão NVI, que diz que devemos manter nossa palavra mesmo sendo prejudicados; isso significa que jamais devemos fazer ou aceitar coisas ilícitas ainda que o resultado disso pareça ser desfavorável.
    O suborno, além de ser desonesto e injusto por fazer acepção de pessoas, torna até mesmo os sábios como verdadeiros cegos, pois os leva a se entregarem à mentira. Porém, a Palavra de Deus nos exorta a seguirmos somente a justiça, ou seja: a verdade (Dt 16:19,20).

III - O USO CORRETO DO DINHEIRO
1. Para promover valores espirituais

    Quanto vale a tua vida espiritual? Vou melhorar ainda mais essa pergunta: quanto ela custa? Vários crentes têm deixado de lado seus valores espirituais, trocando-os por valores materiais. Muitos não se conformam mais em serem consumidores, transformando-se em consumistas, e para satisfazerem seus desejos supérfluos, têm se dedicado prioritariamente a ganhar dinheiro e usufruir dele, colocando as coisas de Deus em último lugar. Uma coisa que eles se esquecem é que tudo aquilo o que possuem foi lhes permitido por Deus e não por seu próprio esforço, pois foi o Senhor quem lhes deu saúde, inteligência, uma porta aberta e progresso em seu trabalho; portanto, o que fazemos com o nosso dinheiro deve sim honrar o nome daquEle que nos permitiu sermos abençoados. Será que comprar produtos piratas ou de origem duvidosa, colaborar com campanhas de programas seculares na TV, patrocinar o satanismo comprando objetos que divulgam marcas anticristãs, consumir bebidas ou alimentos que prejudicam a saúde e investir em jogos de azar são atitudes que fazem com que o Espírito Santo se alegre e continue agindo em nós? Nossa vida espiritual tem sim um preço, e não custa tão alto assim: basta honrarmos ao Senhor com nossos bens contribuindo com as necessidades do templo, reservarmos o valor suficiente para que não falte o necessário para pagarmos nossas contas e colocarmos alimento dentro de casa, investirmos no que for necessário para o futuro da nossa família e gastarmos aquilo que não for fazer falta com lazer e diversão que sejam saudáveis. Ter comunhão espiritual, uma vida tranquila na terra e alcançar posteriormente a salvação consiste em obediência às Sagradas Escrituras, e obedecer significa também saber desfrutar das bênçãos de uma forma que glorifique o nome do Senhor. Algo que nunca devemos nos esquecer é que tudo o que foi colocado em nossas mãos, um dia nos será cobrado e teremos que prestar conta sobre a forma como o utilizamos.
    O que Deus nos dá é para o nosso sustento e não para o desperdício; por isso devemos fazer com que o seu santo nome seja glorificado através da forma como investimos cada centavo (Is 55:2; 1ª Co 10:31,32).

2. Para promover o bem-estar social
    Uma das coisas que a Palavra mais nos ensina e que o próprio Deus repetiu em vários pontos da Lei foi a importância de se ajudar aos necessitados. Naquela época, não existiam programas assistenciais, então se fez necessária a intervenção divina para que os pobres sem condições de trabalhar como, por exemplo, os órfãos e as viúvas tivessem direito ao sustento. Uma das maiores virtudes de um cristão abençoado é ter a capacidade de abençoar; mas, na sociedade atual e, vergonhosamente, no meio da própria igreja, o que muito se vê são crentes de vida financeiramente farta que somente pensam em si mesmos e, geralmente, quem mais contribui e trabalha pela Assistência Social entre os irmãos são os que menos têm condições financeiras. Os mais afortunados acham que seu dinheiro nunca vai acabar e que nunca precisarão de ninguém. Triste engano! Pois em Tiago 5:1-3 está escrito que as riquezas terão fim e que os seus possuidores - aqueles que têm seu coração voltado ao dinheiro - chegarão à miséria, sobretudo em sentido espiritual, pois os avarentos não têm direito à salvação. E uma das razões disso é que maioria deles, além de não ajudar, ainda julga o necessitado dizendo que ele é preguiçoso, que está mentindo, que está sendo castigado por algum pecado ou que não tem fé e por isso não prospera; quem pensa dessa forma e prefere julgar em vez de ajudar, se esquece que independentemente de haver uma razão justa ou não para aquela pessoa estar precisando de ajuda, quem julgará suas atitudes é Deus, e que também é Ele quem recompensará aquele que tiver a dignidade de estender suas mãos a quem precisa. Portanto, independentemente de termos muito ou não, devemos ter compaixão dos necessitados, repartindo com eles dentro de nossas possibilidades, porque É isso que Deus espera de nós, e é isso também que nós esperamos do próximo quando necessitamos de algo e estamos sofrendo.
    Um dos maiores pecados do homem é ter condições de ajudar, mas quando vê alguém em necessidade não lhe estende as mãos (Tg 4:17).

IV - BUSCANDO O EQUILÍBRIO FINANCEIRO
1. Buscando a suficiência

    Qual é a verdadeira prosperidade? Para quem tem a vida edificada em Jesus Cristo, a resposta é simples e objetiva: "nem a pobreza e nem a riqueza, mas o que for suficiente". Contentar-se com o que tem é um dos principais ensinamentos das Escrituras Sagradas, principalmente no Novo Testamento. Não se trata de uma indução ao conformismo ou incentivo a votos de pobreza, mas sim em entender que independentemente do fato de Deus nos permitir alcançar grandes bens materiais ou não, o importante é saber e crer que Ele sempre nos provê sustento de alguma maneira. Em Mateus 6:25-34, nosso Salvador nos ensina que não devemos ficar inquietos por coisas materiais, porque o Senhor cuida de nós, e em Lucas 10:1-7 e 22:35, Ele mostra que em sentido espiritual é a mesma coisa, pois quando Ele nos chama para a sua Obra, Ele se responsabiliza. De acordo com o Salmo 37:25, o Senhor sempre cuida do justo e daqueles que com ele estão; isso significa que nossa segurança, inclusive material, está em praticar a justiça, ou seja: viver de acordo com a vontade de Deus.
    Uma pessoa de vida espiritual verdadeiramente edificada sabe que não precisa ter bens em excesso e que nem deve temer a escassez, pois o Senhor nos dá o suficiente para termos uma vida equilibrada (Pr 30:7-9).

2. Buscando o que é virtuoso
    O crente sábio, em suas orações, pede a Deus coisas que o edifiquem tanto espiritual quanto materialmente. Mas , ao contrário disso, uma grande ameaça que tem crescido em nosso meio de algum tempo para cá: é a famigerada "teoria da prosperidade", com a qual seus adeptos dizem que o servo de Deus precisa crescer financeiramente e deve ter uma saúde perfeita; esses "obreiros" não costumam pregar sobre arrependimento do pecado e nem sobre salvação. Sua meta é encher seus templos fazendo o público se sentir bem com promessas de bênçãos por meio de sacrifícios financeiros que nada mais são do que grandes ofertas em dinheiro. Porém, a verdadeira Palavra nos ensina que devemos fugir das tentações das riquezas para não cairmos em perdição e ruína. Se queremos ter realmente uma vida de comunhão com nosso Pai Celestial, devemos pedir e buscar sabedoria e tudo mais o que possa nos proporcionar boas virtudes; para tais coisas não há valores financeiros que paguem, porque as riquezas perecem, mas o bens espirituais, quando cultivados cuidadosamente até o fim, resultam na salvação da alma.
    O que temos buscado em  nosso trabalho e em nossas petições a Deus? Pois aquilo que está em nossa mente e em nosso coração também deve ser para o louvor do nosso Senhor (Fp 4:6-8).

CONCLUSÃO
    O dinheiro é sim de extrema importância em nossa vida; porém, nós é que devemos controlá-lo e não ele a nós. A pessoa dominada pelo dinheiro tem dificuldade para se relacionar tanto com o próximo quanto com Deus, pois sua prioridade é trabalhar para obter lucro financeiro. Muitas vezes, isso atinge um nível tão perigoso que a ambição se torna ganância e então ela é capaz de tudo para conseguir o que quer, podendo chegar até mesmo a enfrentar problemas na Justiça, adoecer, entrar em disputa com pessoas mal intencionadas ou ainda perder a própria vida, dessa forma partindo desse mundo sem Deus por ter sido escrava do dinheiro. A Bíblia nos ensina que prosperidade se consegue com trabalho e de forma moderada para que ao passo em que consigamos cumprir nossas obrigações seculares, também possamos não negligenciar nossos deveres espirituais. Planejamentos com sabedoria são essenciais para que nunca percamos o equilíbrio financeiro e assim podermos ter uma vida razoavelmente tranquila no que se refere a questões materiais.
    Ricos e pobres, todos são iguais perante Deus, portanto nada adianta entregar-se a vaidade das riquezas; o que vale mais é a tranquilidade daquele que, tendo pouco ou muito, ganha seus bens com trabalho honesto e dignidade diante da sociedade que o observa (Sl 62:9; Ec 5:9-12).

DICIONÁRIO
Acepção: Preferência. Discriminação.
Cobiça: Desejo veemente de conseguir alguma coisa. Ânsia ou ambição de honras ou riquezas. Avidez. Concupiscência.
Idoneidade: Qualidade de quem é idôneo (aquele que tem condições, competências, habilitações ou conhecimentos necessários para desempenhar determinado cargo ou determinada tarefa. Apto, capaz, competente, habilitado).
Juízo: Faculdade intelectual que compara e julga. Apreciação, conceito. Opinião, voto, parecer. Sensatez. Ato de julgar; julgamento.
Magistrado: Autoridade pública.
Usura: Especulação ilícita que consiste em cobrar juros, comissões ou descontos sobre empréstimos de dinheiro por taxas acima das estabelecidas pela lei. Mesquinhez, avareza. Ambição.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2013 - Provérbios e Eclesiastes - Lição 4 | Jonas M. Olímpio

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