sábado, 9 de novembro de 2013

O Cuidado com Aquilo que Falamos

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2013 - Provérbios e Eclesiastes - Lição 5 | Jonas M. Olímpio

Impor limites às palavras
proporciona vários benefícios
no presente e evita vários
transtornos no futuro
TEXTO ÁUREO
Pr 16:24 - "As palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos."

VERDADE PRÁTICA
    As nossas palavras revelam muito do que somos, pois a boca fala do que o coração está cheio.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 6:16-19; 15:1,2,23; 16:21,24

INTRODUÇÃO
    Uma das habilidades que mais dá poder ao ser humano é a sua capacidade de falar; o dom da comunicação objetiva é uma das características que mais o
diferencia dos animais irracionais, mas existe aí um grande perigo: se não houver controle sobre a língua, suas palavras lhe trarão prejuízos e não benefícios. Pessoas que falam demais, geralmente não raciocinam sobre o que estão falando e acabam por revelar seus mais íntimos pensamentos, como também ferir alguém, mentir as vezes até sem querer, ser inoportuna, causar contendas, espalhar fofocas e boatos, perder oportunidades e causar mal entendidos. Quando pronunciamos palavras de edificação, seja qual for seu conteúdo, nossas palavras são uma bênção; mas quando dizemos apenas o que pensamos sem uma prévia reflexão, nossas palavras são verdadeiros canais de destruição. A leitura constante da Bíblia nos ensina a ter ética e habilidade com as palavras.
    A língua é um pequeno membro do corpo, mas tem grande capacidade; o ser humano consegue ter domínio sobre grandes coisas, mas ainda não aprendeu a controlar a própria língua (Tg 3:3-5).

I - O PODER DAS PALAVRAS
1. Palavras que matam
    Pessoas ignorantes ou sem muita capacidade de raciocínio não conseguem refletir sobre suas palavras e não medem as consequências sobre seus efeitos. Elas apenas consideram a sua própria razão, e não se dão ao trabalho de investigar a situação e, levadas por impulso, abrem a boca pronunciando duras palavras sem imaginar que podem estar sendo injustas. Tais pessoas se esquecem ainda que não se trata somente de uma questão de se estar certo ou errado, mas, tratar bem as pessoas é também uma questão de educação, sabedoria, amor, capacidade de relacionamento e obediência aos mais básicos princípios da Palavra de Deus. O problema de muitas pessoas, inclusive muitos obreiros, é confundir autoridade com grosseria, não tendo sequer o bom senso de conversar com a pessoa em particular quando tem um assunto delicado a tratar; muitas vezes nem existe maldade, mas a arrogância nas palavras é sempre interpretada como ofensa por quem as ouve. A mesma coisa acontece na vida conjugal: palavras mal colocadas são mal entendidas e podem causar sérias crises entre o casal; e da mesma forma também em tudo o que fazemos em nossa vida secular ou ministerial, palavras impensadas podem fechar portas e provocar muitos danos tanto para quem fala quanto para quem ouve.
    Razão não é tudo; pois o equilíbrio na reação é o que define o sucesso na solução da situação (Pr 15:1).

2. Palavras que vivificam
    As palavras que saem da boca de um cristão devem produzir resultados de prosperidade aos seus ouvintes. Calma! Não se trata de defender a tal da "teoria da confissão positiva" e nem tão pouco a da "prosperidade", mas sim em se ter a consciência de que a mensagem que você transmite, não importa qual seja o conteúdo, tem que ser emitida com responsabilidade, educação, respeito e clareza. Na vida familiar, secular ou ministerial, muitas vezes somos obrigados a ter que corrigir alguém; porém, temos uma grande responsabilidade sobre aquela pessoa sabendo que temos o objetivo de resgatá-la e não perdê-la de vez. É claro que isso não é tão simples o quanto parece, pois há pessoas que nos tiram do sério devido à sua falta de interesse, desatenção, desobediência e irresponsabilidade, mas, em Romanos 15:1, a Bíblia nos ensina que devemos suportar os mais fracos; e a única forma de conseguirmos isso é colocando em prática o que aprendemos em Gálatas 5:22, Sofonias 2:3, Colossenses 3:12 e 1ª Pedro 3:15 sobre mansidão, uma virtude para a qual também é necessário ter domínio próprio. Ser compreensivo é prova de amor, só que é preciso ter consciência de que amar não é aprovar o erro, mas corrigi-lo com calma e sabedoria.
    Aqueles que nos ouvem, independentemente da situação, buscam respostas em nossas palavras; por isso nossa responsabilidade é muito grande (Ef 4:29,30).

II - CUIDADOS COM A LÍNGUA
1. Evitando a tagarelice

    "Não devia ter falado aquilo, mas agora já foi!". Quantas vezes esse pensamento não veio à sua mente? Falar demais é um problema pelo qual todos já passaram quando disseram algo indevido ou na hora errada; mas há pessoas que se comportam dessa maneira rotineiramente, não sabendo impor limites em sua própria língua, assim colocando a si mesmas e aos outros em situações difíceis. O crente jamais deve mentir, mas há momentos em que a verdade não pode ser dita a todos e é preciso se guardar segredo; e essa é a dificuldade de muitos: não revelar aquilo que ninguém, ou pouca gente, pode saber. O tagarela tem uma espécie de comichão na língua que o deixa inquieto e o impede de ficar com a boca fechada, levando-o a falar não somente o que sabe, mas também a inventar boatos e prometer coisas que não pode cumprir; esse mal hábito é um perigo, pois conforme está escrito em Mateus 5:37, isso é de procedência maligna, ou seja: é coisa do capeta mesmo! Portanto, tem que ser combatida com oração, buscando-se sabedoria para que ao abrir da sua boca saia somente aquilo que necessite realmente ser falado, deixando de ser uma pessoa irresponsável, imatura, indesejável e até perigosa.
    Quem fala muito não dá tempo ao cérebro para raciocinar sobre o que ele está falando, colocando-o em situações embaraçosas; por isso é importante a moderação das palavras em qualquer circunstância (Pr 10:19).

2. Evitando a maledicência
    Uma pessoa maledicente é aquela da qual nada sai de bom da sua boca. Ela não somente é negativista como também nenhuma coisa consegue ver de boa em nada ou em ninguém. Pelo fato de estar sempre discordando de tudo, ela sempre se levanta para murmurar e causar contendas. Infelizmente, existem muitos crentes agindo com esse espírito maligno dentro da igreja provocando discórdia entre os irmãos e escândalos diante dos incrédulos. Quem age dessa maneira não tem nenhuma preocupação em procurar satisfazer a vontade de Deus, mas sim em alimentar seu ego de acordo com sua própria necessidade ou vontade, dessa forma deixando claro o quanto ela é negligente e sem temor em seu coração. É possível também se notar na maioria delas um certo desequilíbrio psicológico, o que geralmente é causado por mágoas decorrentes de frustrações do passado. A única cura para esse mal é uma entrega total de sua vida para que o Espírito Santo venha a libertá-la; porém, muitas delas nem têm forças ou capacidade para buscá-lO sozinhas e necessitam muito de ajuda da igreja, a qual deve tratá-la sem discriminação ou represálias pelos males que a mesma possa ter causado.
    A maldade daqueles que semeiam contendas entre os irmãos é simplesmente abominada por Deus; por essa razão, é extremamente necessário refletirmos se nossas atitudes e palavras não estão causando problemas dentro da igreja (Pr 6:16-19).

III - O BOM USO DA LÍNGUA
1. Quando a língua edifica o próximo

    Cada servo de Deus, independentemente de ter ou não uma função ministerial, tem a obrigação de edificar o próximo da maneira que for possível, principalmente através das palavras. Levar palavras de edificação não significa ver algo errado e incentivar a pessoa a continuar na mesma situação para não magoá-la, mas sim lhe transmitir a verdade de uma forma amorosa oferecendo-lhe ajuda. Para se ter uma palavra de edificação não é necessário muita habilidade oratória, conhecimento profundo em áreas específicas, influência social ou grandes experiências em determinados assuntos, basta ser humilde e bem intencionado em seu coração, buscar inspiração divina e falar aconselhando segundo aquilo o que aprendeu dentro das Escrituras Sagradas.
    Muito falatório dentro da igreja tem trazido sérios problemas entre os irmãos, pois muitos estão entregando fofocas, brincando ou se distraindo com coisas indevidas em vez de simplesmente cultuarem a Deus. O que você tem oferecido ao Senhor nos momentos de adoração (1ª Co 14:26)?

2. Nossa língua adorando a Deus
    De acordo com o contexto de Hebreus 13:15, nossa boca tem como principal função a adoração a Deus, ou seja: as palavras que proferimos devem ser para honra, glória e louvor do nosso Senhor. Mas, um dos maiores problemas que enfrentamos no meio evangélico atualmente é que o conceito da palavra "adoração" está totalmente distorcido: as pessoas confundem glorificação com barulho desordenado e louvor simplesmente com música. A culpa desse engano se deve a líderes famosos desinformados ou mal-intencionados e a "pregadores" animadores de palco que visam agradar ao público, e para parecerem estar cheios de unção, induzem o povo a fazer barulho e a "profetizar" tomando para si cada grito de "glória" e "aleluia" como se fossem aplausos. Adoração não é isso! Para adorar verdadeiramente deve-se estar com o coração puro, a consciência tranquila e a mente limpa, os quais lhe permitam também glorificar com a sua vida e não somente com as suas palavras.
    Tudo o que falamos deve ser de acordo com os ensinamentos da Palavra de Deus, assim também como em tudo o que fazemos devemos ser guiados pelo seu poder, para que de todas as maneiras o seu nome possa ser glorificado através de nós (1ª Pe 4:11).

IV - SALOMÃO E TIAGO
1. Uma palavra ao aluno

    Salomão demonstrava uma grande preocupação em ensinar e suas mensagens eram dirigidas ao povo em geral; será que todos os líderes da atualidade têm essa preocupação? Quanto aos alunos, uma das maiores virtudes do homem, sobretudo o servo de Deus, é ter a humildade e a vontade de aprender cada vez mais. E isso serve para todos, independentemente de sua função ministerial, porque o aprendizado não é destinado apenas aos novos convertidos ou às crianças, pois por mais que aprendamos sempre ainda teremos mais a aprender. O problema de alguns crentes é que eles se apegam à oração e ao jejum e desprezam o conhecimento da Palavra não percebendo que estão perecendo por isso. Geralmente, os cristãos que se posicionam contra a Teologia e não frequentam Escola Dominical e nem os cultos de ensinamento, são aqueles que costumam falar as maiores besteiras distorcendo o verdadeiro conteúdo bíblico. Não se deve confundir ignorância com santidade, pois isso não é espiritualidade, é arrogância mesmo! No livro de provérbios há várias advertências contra a simplicidade excessiva, a qual nada mais é do que ingenuidade e pode levar a pessoa à grandes decepções. Um servo de Deus sábio e equilibrado sente prazer e necessidade em buscar conhecimento na sua santa Palavra.
    Não precisamos ser grandes especialistas e profundos conhecedores em nenhum assunto, mas a simples prudência de não abrirmos a boca na hora errada nos leva a sermos considerados como sábios (Pr 17:28).

2. Uma palavra aos mestres
    O apóstolo Tiago foi um dos grandes exortadores dos mestres na Igreja Primitiva, o qual os aconselhava a terem muito cuidado com suas palavras. Nos dias de hoje, o que temos visto são muitos homens que se julgam mestres, tendo o cuidado de dizer apenas palavras que massageiam o ego popular na intenção de lucrarem financeiramente com isso. A ganância pelo dinheiro tem falado mais alto em seus corações assim substituindo o amor e o temor a Deus. Tais "obreiros" se esquecem que um dia terão de prestar conta dessa grandiosa missão que foi confiada em suas mãos e, de acordo com Mateus 7:21-23, o nosso grande Mestre deixa bem claro que o fim deles não será nada glorioso. Ensinar não é uma simples questão de status ou meio de vida, mas sim uma tremenda responsabilidade a qual se não for cumprida à risca pode encaminhar muitas almas ao inferno, inclusive a alma do próprio "mestre". Devemos honrar essa missão sem negligenciá-la e nos orgulhar sem ensoberbecermos em nosso ego pela capacidade que o Senhor nos deu.
    Ensinar não é para qualquer um; e aqueles que persistirem em fazer esse trabalho irresponsavelmente terá um grande preço a pagar (Tg 3:1).

CONCLUSÃO
    Nossas palavras revelam quem somos e fazem transparecer os sentimentos do nosso coração, por esse motivo, cada sílaba que pronunciamos deve ser pensada e repensada cuidadosamente; pois depois de havermos falado não poderemos voltar atrás. Palavras mal colocadas podem causar os mais variados tipos de problemas fechando as portas que estão a nossa frente. A Palavra de Deus nos ensina a andarmos com prudência, e só pode ser prudente aquele que procura andar em sabedoria. Uma pessoa sábia, mesmo que erre, sabe manter o controle e raciocinar antes de dizer o que pensa. O fruto dos nossos lábios tem que honrar a Deus; caso contrário, não estamos agindo como verdadeiros cristãos e abrindo brechas para que o inimigo venha a nos usar como canais de confusão e derrotas tanto para nós mesmos quanto para outras pessoas. Em Tiago 1:19 aprendemos que devemos estar prontos para ouvir e não nos apressarmos a falar; e esse conselho vivemos na prática quando aprendemos que quanto menos abrimos a boca, menos problemas arrumamos.
    O cuidado com as palavras preserva a nossa paz e a tranquilidade; os que não dão ouvidos a esse tão valioso ensinamento vivem constantemente perturbados (Pr 13:3).

DICIONÁRIO
Altivo: Alto, elevado. Nobre, magnânimo. Orgulhoso, arrogante.

Brando: Suave; meigo.
Impetuoso: Que tem ímpeto, que se move com ímpeto. Agitado, fogoso, violento.
Leme: Peça que fica na popa (parte de traz da embarcação) de um barco ou de um navio e que serve para lhe dar direção.
Louvor: Ato de louvar. Aplauso, elogio, encômio. Glorificação. Expressão usada para se referir à músicas feitas para adorar a Deus.
Maledicência: Qualidade de maledicente. Ato ou efeito de dizer mal; murmuração.
Nau: Navio.
Suscitar: Fazer aparecer; produzir.
Torpe: Desonesto, impudico. Indecoroso, infame, vergonhoso. Indecente, obsceno. Ignóbil, sórdido. Asqueroso, nojento, repugnante. Maculado, manchado, sujo.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2013 - Provérbios e Eclesiastes - Lição 5 | Jonas M. Olímpio

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