quarta-feira, 1 de abril de 2015

O Evangelho Sob o Ponto de Vista do Doutor Lucas

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 1 | Jonas M. Olímpio

Lucas 1:1-4 - Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, 2segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, 3pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, 4para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.

Embora não estivesse presente no
ministério de Cristo, Lucas teve a
preocupação de narrar com
fidelidade os relatos descritos
por suas testemunhas. Fidelidade
nas pesquisas para não distorce
a verdade bíblica deve ser uma
marca registrada em cada crente
que se propõe a pregar e ensinar
o Evangelho.
    Nos 1.151 versículos dos seus 24 capítulos, a narração do Evangelho escrita por um médico chamado Lucas[1] é um dos mais belos escritos divinamente inspirados sendo também uma das mais completas versões da história do ministério terreno de Jesus Cristo. Em seus pontos principais se destacam o nascimento de João Batista e de Jesus; o ministério de João Batista; e a genealogia, o ministério, a crucificação e a ressurreição de Jesus. Seu alto nível cultural pode ser percebido pelo seu estilo de escrita que o diferencia dos demais livros do Novo Testamento. Porém, como nos demais relatos dos outros autores das Escrituras Sagradas sua maior beleza está em sua revelação do caminho da salvação para os seus leitores. O centro de toda a sua narrativa é a manifestação de Cristo como o salvador da humanidade. Todo seu conteúdo é voltado a enfatizar os ensinamentos, o poder espiritual concedido pelo Senhor aos seus servos e termina narrando sua aparição após a ressurreição reafirmando sua promessa da descida do Espírito Santo. Seu grande objetivo nesse trabalho é contar os fatos na ordem em que aconteceram segundo o relato de pessoas que os presenciaram (Lc 1:1-4).
    Como pode-se notar nos primeiros versículos, assim como no decorrer e também no final da obra, ele não se identifica. No entanto, com exceção da postura de alguns críticos que não conseguiram provar suas teorias, ele é aceito sem resistência pelos cristãos como autor do livro. Seu nome é citado em Colossenses 4:14, onde ele é chamado de médico amado, e também em Filemom 1:24 e 2ª Timóteo 4:11 - todas são epístolas paulinas -, textos esses que nos permitem entender que ele conhecia e era amigo e cooperador do apóstolo Paulo. Baseados nesses relatos, podemos imaginar quantas vezes ele deve ter tratado as feridas do apóstolo dos gentios, aliviando suas dores após os açoites sofridos em suas prisões. A data provável desse livro, que provavelmente foi escrito como carta endereçada à seu amigo Teófilo, gira em torno da sexta década da era cristã; muito possivelmente, como creem alguns estudiosos, entre os anos 59 e 75dC. A ele também é atribuída a autoria do livro de Atos dos Apóstolos, pois as narrações do mesmo são uma continuação da história narrada no Evangelho escrito por Lucas e tem como destinatário a mesma pessoa (At 1:1-3).
    Do pouco que é revelado sobre sua vida, o que se sabe é que ele foi médico e historiador; sendo assim, foi um homem tremendamente privilegiado para seu tempo, por se tratar de uma época em que poucos tinham condições financeiras e acesso à tais posições na sociedade. Sendo grego - portanto um gentio -, ele foi mais uma alma fora de Israel alcançada pelo poder do Evangelho. Assim sendo, juntando seu conhecimento com seu sentimento de gratidão pela salvação, ele passou a se dedicar a expor a história de Cristo e a sua maravilhosa Graça àqueles que não a conheciam; e, muito provavelmente, com seus conhecimentos médicos, ele ajudou a muitos cristãos perseguidos e castigados pelo governo romano. Nesse livro que é considerado como o terceiro Evangelho, ele focou a vida e o ministério de Jesus, enquanto que em Atos ele se pôs a divulgar os primeiros passos da Igreja Primitiva. Seu exemplo é uma prova de que também somos muito úteis na propagação da Palavra não somente com dons espirituais, mas também com nossas habilidades naturais, as quais também vem de Deus (Êx 31:3-5[2]).
    A intenção de Lucas é que seus escritos é que seus escritos chegassem não somente à Teófilo[3], mas a todos os gentios como um material de evangelização e de informação sobre quem é Jesus e como era a Igreja que havia se formado após sua crucificação. Dá para perceber claramente, por suas palavras, que seu objetivo era pregar a Palavra da salvação e também mostrar o poder concedido por Cristo aos seus servos por meio do Espírito Santo. Mesmo não tendo sido uma testemunha ocular das pregações, dos milagres, da morte e da ressurreição do Messias, como também da formação do primeiro grupo de cristãos em Jerusalém, ele demonstrou muita fé em tudo o que lhe foi apresentado e sentiu a necessidade de compartilhar tais eventos com aqueles a quem ele pudesse alcançar. Não há testemunho de sua conversão e nem de que forma ele conheceu o Evangelho, mas o que podemos notar é que mesmo tendo sido ele um sábio grego, o qual fora nascido e criado em meio à religiões pagãs, o poder da Palavra penetrou profundamente em sua mente e em seu coração, transformando por completo a sua vida (2ª Tm 3:15-17[4]).
    Toda a narrativa de Lucas é historicamente confirmada e está em harmonia com os demais Evangelhos. Um grande exemplo disso está nos dois primeiros versículos do terceiro capítulo do seu livro, aonde ele cita detalhadamente datas e nomes de pessoas e lugares referentes ao Império Romano, incluindo os sacerdotes da época, antes de começar a contar a história do ministério de João Batista. Essa riqueza de fornecimento de dados sobre a elite política antes da exposição espiritual da mensagem comprovam sua preocupação em provar aos mais críticos que os seus escritos não eram mais um conto fantasioso entre tantos que deveriam existir naquele tempo, mas sim fatos reais, os quais, se fossem comprovados juntos a esses dados informados, seriam provados como reais. Com isso aprendemos que a exatidão das nossas palavras não é medida simplesmente pelo que dizemos, e sim de acordo com a forma que as dizemos indicando detalhes que possam identifica-las como verdadeiras. A Bíblia nos ensina a ter prudência no falar (Pr 4:5).
    No quarto versículo do seu primeiro capítulo, Lucas usa a expressão “Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado”; no original grego, a palavra traduzida como “informado” é katecheo que também significa doutrinar, ensinar, convencer, que, no contexto aqui aplicado tem o sentido de discipular. Essa palavra também deu origem ao termo “catequese”. Dessa forma podemos ver o quanto esse livro é voltado ao evangelismo e ao discipulado de novos crentes. Assim sendo, seguindo esse exemplo, devemos atentar para o fato de que o ensinamento na igreja é de extrema importância e precisa ser feito de forma minuciosa mostrando aos seus aprendizes o quanto é preciso que se dediquem a investir na busca do conhecimento sabendo explorar todas as informações necessárias para o seu desenvolvimento espiritual. Bons instrutores devem estar sempre bem preparados para a formação de futuros obreiros e nunca fugir da responsabilidade de ensinar os que têm sede de aprender (At 8:30,31[5]).
    Lucas divide a história da salvação em três estágios: o primeiro é o Antigo Testamento, quando ele menciona a Lei e os profetas; o segundo é Jesus, a quem ele se refere como o Filho de Deus; e o terceiro é a Igreja, sobre a qual ele narra a ação do Espírito Santo. Os dois primeiros estágios estão registrados em seu Evangelho e o terceiro em Atos. Para os crentes atuais, os quais pregam a salvação, é de extrema necessidade conhecer e saber diferenciar e conciliar esses três estágios, pois todo o Antigo Testamento aponta para Jesus e a Nova Aliança que incluiria os gentios, e o próprio Jesus, que além de cumprir a Lei, mencionou o Espírito Santo como aquele que ficaria com a Igreja até a sua volta, ou seja: todos eles estão interligados e fazem parte do plano de Deus para a nossa salvação (At 1:6-8).
    Todos os livros bíblicos têm seus temas voltados para um único assunto: a salvação. E no livro de Lucas não poderia ser diferente; e o que se nota em seu conteúdo é a sua característica missionária transcultural, pois foi destinada à Teófilo, um gentio, com uma mensagem atrativa para que os estrangeiros se sentissem incentivados a conhecer esse Jesus, através do qual grandes maravilhas estavam sendo feitas em Israel. Essa apologia ao Cristo da salvação pode ser claramente notada em vários trechos como, por exemplo, em Lucas 2:32 ele narra as palavras de um homem chamado Simeão que, referindo-se ao nascimento do Messias usou o termo “luz para alumiar as nações”; e também em Lucas 24:47, onde ele relata as palavras do próprio Jesus, em uma de suas aparições após a morte, dizendo que em seu nome deveria ser pregado o arrependimento e a remissão dos pecados em todas as nações. Lucas e Atos foram dois livros de extrema importância na evangelização de outros povos, pois suas mensagens centralizam a volta de Cristo (Lc 24:46,47; At 1:11).
    Lucas identifica Jesus como o Filho de Deus e Filho do Homem. Ambas as expressões comprovam sua divindade. Ao chama-lo de Filho de Deus, Lucas o está reconhecendo como o Messias anunciado pelos profetas. Esse termo aparece cinco vezes em seu livro e mais duas em Atos, sendo que em três delas, estando registradas no quarto capítulo, se referem a Satanás desafiando-o em sua tentação no deserto. Já a expressão Filho do Homem, que aparece vinte e cinco vezes em seu Evangelho, o identifica como sendo verdadeiramente um homem, pois, mesmo com sua identidade divina, sendo a segunda pessoa da Trindade, ele foi encarnado na forma humana e gerado por uma mulher como todos os demais seres humanos. Aqui na terra Ele viveu como um homem perfeito, nos mostrando que mesmo vivendo num mundo corrompido é sim possível resistir ao pecado (Jo 17:14-18).
    O Evangelho de Lucas, assim como o livro de Atos, dá um destaque especial à pessoa do Espírito Santo. Dos versículos 16 ao 19 do seu quarto capítulo, ele nos mostra também o relacionamento pessoal entre Jesus Cristo e o seu Espírito, apresentando-o como o realizador do seu ministério terreno. Usando as expressões “me ungiu” e “me enviou”, completando com as ações “evangelizar”, “curar”, “pregar”, “restaurar”, “pôr em liberdade” e “anunciar”, o Senhor nos ensina que o Espírito Santo é o grande responsável pelo nosso bom desempenho em sua Obra através dos dons que Ele nos concede. Por essa razão, antes de tentarmos fazer qualquer coisa no que se refere ao Reino de Deus, devemos ter a certeza de que o seu Santo Espírito está conosco, pois somos dependentes dEle tanto no recebimento dos dons quanto em sua execução (1ª Co 12:6,7,11).
    Os quatro Evangelhos sinóticos se completam entre si. Entre eles, Lucas é o que mais retrata o amor de Deus, destacando, além de seu poder, sua misericórdia salvadora; e isso é claramente perceptível por sua linguagem evangelística e discipuladora. Em seus escritos é possível notar também sua preocupação em relação amor ao próximo, como também em Atos aonde ele narra a união e assistência social fortemente aplicada pelos apóstolos da Igreja primitiva. Uma leitura detalhada desse livro leva o pecador a ter o desejo de aproximar-se de Deus, e proporciona no crente uma grande vontade de conhece-lo ainda mais. Meditar e estudar os relatos ali contidos nos levam a ter uma grande certeza: estamos devendo muito em nossa vida espiritual para que através de nós se cumpram por completo todas as grandes bênçãos que o Senhor tem para nós (Lc 10:19).


[1]Lucas: Do grego "Loukas" significa "O que Dá Luz". Médico e companheiro de Paulo (Cl 4:14; 2ª Tm 4:11; Fm 1:24). É o autor do Evangelho de Lucas e de Atos dos Apóstolos.
[2]Lavor: Gravação em relevo (Êx 28:11). Lavrar; esculpir.
[3]Teófilo: Significa "Amigo de Deus". Cristão a quem Lucas dedicou o seu Evangelho (Lc 1:3) e o livro de Atos (At 1:1). A palavra Teófilo era também um título de honra usado no Império Romanos; devidos a isso, alguns estudiosos especulam que esse não seria o nome do amigo de Lucas a quem ele destinou seus escritos, mas uma menção a sua posição respeitando sua importância na sociedade. Mas, independentemente de sua posição ou títulos, o que se pode afirmar com mais segurança é que ele foi um grego, ou um romano, convertido ao cristianismo.
[4]Redarguir: Repreender, replicar, responder.
[5]Eunuco: Homem castrado que servia de guarda das mulheres do seu dono (Et 2:3). Eram também chamados de eunucos alguns altos funcionários de confiança dos reis, quer esses funcionários fossem castrados ou não (At 8:27). Tradicionalmente, no Oriente é um guardião de mulheres, principalmente nos haréns. Muitos já nascem com problemas congênitos - um mal desenvolvimento dos testículos - proporcionando baixa ou nenhuma potência sexual impossibilitando uma vida conjugal normal e a geração de filhos. Os que nascem nessa condição podem ser considerados transexuais, porém, isso nada tem a ver com homossexualismo ou opção sexual.

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 1 | Jonas M. Olímpio

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