sexta-feira, 17 de abril de 2015

Como Jesus Venceu a Tentação?

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 4 | AD Belém - Congr. Elias Fausto/SP - Jonas M. Olímpio

A vitória de Cristo sobre as
tentações de Satanás não começou
quando Ele disse "não" às suas
propostas, mas sim quando Ele
se entregou em comunhão a Deus
com sua vida de total obediência
complementada por jejum e
oração.
Lucas 4:1-13; Hebreus 4:15
Lucas 4:1-13 - E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; 2E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. 3E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. 4E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus. 5E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. 6E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. 7Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 8E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás. 9Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo[1] do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; 10Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, 11E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. 12E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. 13E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo.
Hebreus 4:15 - Porque não temos um sumo sacerdote[2] que não possa compadecer-se[3] das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

    Sendo uma das mais belas, misteriosas e fascinantes passagens sobre Jesus, a tentação no deserto é registrada não só por Lucas, como também por Marcos (Mc 1:12,13) e Mateus (Mt 4:1-11). Em Marcos a narração é mais breve, totalmente resumida, e dá a entender que Ele foi tentado durante todo, ou a maior parte, dos quarenta dias do seu jejum; em Mateus são citadas as três tentações começando pelo desafio de transformar pedras em pães, seguido pela provocação a pular do alto do templo, terminando com a proposta de ganhar os reinos da terra em troca de adoração; já em Lucas, além de uma riqueza maior de detalhes, existe também uma ordem diferente dos fatos em relação a Mateus no que se refere às duas últimas ocorrências. A aparente contradição entre eles pode ser explicada por suas diferentes formas de escrita, pois nenhuma informação realmente contradiz a outra, muito pelo contrário: eles narram a mesma história apenas expondo diferentes detalhes. A grande verdade é que os três Evangelhos juntos se completam nos dando valiosíssimas informações para que entendamos como Jesus venceu o inimigo em condições extremas de tentação. O mais importante é compreendermos que, estando em condição humana, Jesus nos deu verdadeiras lições práticas de como vencer as tentações não cedendo ao pecado (Lc 4:1-13; Hb 4:15).
    O grande erro de alguns cristãos está em afirmar que Jesus somente venceu porque Ele é Deus. Pois não se pode ignorar o fato de que aqui na terra Ele estava em um corpo humano e, portanto, sujeito a todas as limitações humanas. Devido à sua divindade, é óbvio, Ele possuía a consciência de que estava numa missão na qual teria que passar por isso, e sabia que vencendo essas coisas entre outras mais, seria gloriosamente vitorioso no final. Assim sendo, se Ele escolheu vir à terra sabendo que passaria por tentações e que, no final, teria que enfrentar a cruz, logicamente estava preparado para isso. No entanto, sua missão, figuradamente, também aponta para a nossa missão pessoal no Evangelho; aquilo que conhecemos como “chamado”, inclui não só realizar o serviço cristão por meio dos dons, como também - e principalmente - amar, obedecer e adorar a Deus. E, embora sejamos nós meros humanos fracos e falhos, também sabemos, assim como Cristo, que se não cedermos seremos gloriosamente vitoriosos no final. Então devemos sim encarar as vitórias de Jesus sobre tudo o que Ele enfrentou aqui na terra como verdadeiras aulas práticas de que a condição humana não é desculpa para a sujeição voluntária ao pecado. Isso tanto é verdade que os pecadores não serão salvos a menos que se arrependam e abandonem o pecado (Lc 1:76,77; 5:30-32; 15:7).
    A ida de Jesus ao deserto tinha um objetivo que ia além de seu desejo de passar um período de intimidade com Deus: Ele foi para ser tentado pelo Diabo, e quem o levou foi o próprio Espírito Santo, o qual acabara de descer sobre Ele em seu batismo nas águas, enchendo-o (Lc 4:1); esse fato marcou o início do seu ministério terreno. A grande razão para essa batalha era tirar da “terrível serpente” o sabor de vitória que ela usufruía até ali por ter seduzido o primeiro homem, Adão, ao pecado obtendo vitória sobre ele (Gn 3:6,14,15); Deus poderia ter destruído o inimigo, mas, para aumentar sua humilhação, o venceu como homem, na pessoa do seu Filho Jesus, provando-lhe que a sua criação é vitoriosa perante as forças das trevas. Com isso aprendemos que antes de qualquer coisa precisamos estar cheios da unção divina para estarmos preparados para as tentações do inimigo que tentará nos parar logo no começo, e devemos ter a consciência de que isso é permitido pelo próprio Deus, pois as tentações não ocorrem apenas quando estamos em pecado, mas também servem para nos provar servindo de aprendizado para enfrentarmos o que vem a seguir. Essa é a grande razão pela qual devemos seguir os ensinamentos do Mestre e ter uma vida de constante oração (Lc 22:39,40).
    O engraçadinho se apresentou como sendo uma espécie de “gênio dos três desejos”, mas, na verdade, a realização desses desejos só iria satisfazer a ele próprio; observe bem: Na primeira tentativa, Satanás o tentou por meio de uma das mais terríveis necessidades físicas: a fome. Depois de quarenta dias sem comer absolutamente nada (Lc 4:2), o seu corpo estava debilitado necessitando de nutrientes que pudessem restabelecer suas forças. O inimigo conhece nossas dificuldades e pontos fracos, por isso sabe exatamente quando e como atacar. É interessante que o Diabo não lhe ofereceu comida, mas desafiou seu poder lembrando-lhe que Ele poderia transformar pedras em pães. A explicação mais razoável para isso é que Jesus não usava seus poderes divinos em favor de si mesmo, pois estava na terra como o homem e enfrentava a vida como tal, e Satanás sabia disso (Lc 4:33,34).
    Mais interessante ainda é que Jesus, ainda que em condição humana, mesmo sendo provocado não se deixou levar pelo orgulho - característica típica dos humanos - e mostrou ao Diabo que não precisava provar nada para ele, vencendo-o simplesmente com a citação das Escrituras (Dt 8:3). A missão real do nosso Salvador não era sua edificação ou realização pessoal, dessa forma, mesmo em grande necessidade física, nos mostrou que a prioridade de um cristão é o Reino de Deus, o qual devemos priorizar não fazendo uso do que temos - inclusive status e fama - para nossa própria satisfação ou exaltação. Jesus nos ensina também que não é preciso confrontar e nem mesmo dialogar com espíritos imundos, só temos que usar a autoridade da Palavra para vence-los (Lc 4:35,36).
    Já que não “conquistou Jesus pelo estômago”, Satanás resolveu provocar sua ambição, e ofereceu-lhe todos os reinos do mundo pedindo em troca a sua adoração. Aparentemente, uma atitude ingênua essa do “capiroto[4]”, será que ele não sabia que estava falando com o próprio criador do universo (Jo 1:1-5,9-14)? O atrevido ainda teve a ousadia de querer ser adorado por Ele; aliás, foi por essa sede de exaltação que Jeová o expulsou do céu (Is 14:12-15). Na verdade, ele não deixava de ter razão quanto à sua autoridade sobre o mundo (Jo 16:11; Ef 2:2; 1ª Jo 5:19), mas, ingenuidade mesmo foi achar que convenceria Jesus a adorá-lo e, ainda por cima, por mera cobiça material. A resposta não poderia ser outra além de um pequeno lembrete do que dizem as Escrituras sobre adoração (Dt 6:13; 10:20). E, no que se refere à adoração às coisas desse mundo, Jesus apenas diz que o nosso Pai está cuidando de nós, tenhamos, portanto, cuidado com a cobiça (Lc 16:13[5]; 12:30,31).
    Ao ouvir pacientemente tal proposta do Diabo sem coloca-lo pra correr de vez, Jesus estava nos ensinando a reagir com sabedoria diante das inúmeras ofertas malignas que são colocadas diante de nós ao longo da nossa vida. As riquezas e o status em si não são pecado, mas o apego a eles nos afastam de Deus. Muitas pessoas comuns, diante de tudo que foi oferecido à Jesus, não pensaria duas vezes antes de aceita-la e ainda diria que isso é bênção de Deus. Tal falta de discernimento tem feito muitos, de forma direta ou indireta, simplesmente, têm entregado sua alma à Satanás, adorando-o com suas atitudes de desprezo ao verdadeiro Deus, se prostrando ao inimigo por meio da cobiça, da desonestidade, da mentira, da maldade, enfim, de todas as obras condenadas pelo nosso Santo Criador. Adorar ao Diabo não consiste necessariamente em fazer rituais macabros e se ajoelhar diante de imagens satânicas, pois o simples fato de aceitar o pecado em nome de um benefício qualquer já consiste em um ato de adoração demoníaca. Pessoas dominadas por sentimentos materialistas tendem a reprovar e escarnecer os que não se rendem a atitudes desonestas (Lc 16:14,15).
    Mostrando sua incansável persistência, Satanás se apresenta mais uma vez com sua postura desafiadora em tom de descrédito à divindade de Cristo usando a expressão “se tu és”, e agora resolve tentar derruba-lo pelo ego. Quis ele agora por à prova seu poder divino, levando-o ao alto do templo para, muito provavelmente, lhe provocar a cometer um ato que, se falhasse, terminaria como um suicídio. Como anteriormente o resultado de suas investidas foi negativo, lembrando-se que foi derrotado pela Palavra, astutamente, resolveu também usar as escrituras (Sl 91:11,12). Mas, como texto fora do contexto não surte nenhum efeito - principalmente contra quem lê a Bíblia -, Jesus não fez nada mais do que lhe deixar mais um “versículo” para a sua “meditação” (Dt 6:16). Para combater os que distorcem a Bíblia em benefício próprio, não adianta discutir, é preciso usar a própria palavra de Deus porque os hereges têm o único objetivo de se autopromoverem com seus belos discursos (Lc 20:46).
    Muitos pensam que ser vitorioso é estar sempre por cima, foi baseado nesse conceito que Satanás levou Jesus à um lugar alto. Grandes altitudes nos fazem pensar que seremos vistos por todos, os quais terão que nos olhar de baixo para cima; é incontável o número cristãos que sofre da terrível doença do egocentrismo[6], sempre almejando estar no palco olhando para baixo e vendo seus opositores na plateia. Mas Jesus nunca sofreu desse mal, e quando tentado a fazer uso do seu poder como Filho de Deus para se promover diante do inimigo, simplesmente, mais uma vez o colocou em seu devido lugar, mostrando-lhe que nem Ele próprio tem o direito de tentar a Deus, ou seja: provoca-lo a lhe atender sem uma justa necessidade, pois, nessa situação, Ele é quem estaria se colocando em risco propositalmente e, numa situação dessas, Deus não teria nenhuma obrigação para com Ele. Dentro desse contexto - lembrando que quem julga é a Palavra -, como estará o coração do Criador do universo em relação àqueles que usam os dons que lhe foram concedidos - os profissionais da fé - na mera intenção de ocupar lugar de destaque entre os homens (Lc 20:47)?
    Jesus nos deu perfeitos exemplos de como vencer as tentações do inimigo que são colocadas diante de nós o tempo todo. Sua receita básica é simplesmente usar a Palavra de Deus; mas, sejamos crentes racionais e entendamos que usar a Palavra não significa citar versículos bíblicos - como fazem alguns -, como se fossem “palavras mágicas” para os demônios saírem correndo, mas sim aplicar, em situações de conflito, os princípios bíblicos ensinados nas Escrituras em vez de partir para o confronto dando a própria opinião (Ef 6:11,12). Como mostra Lucas, e também os demais evangelistas, a tentação contra Cristo não acabou aí, mas se estendeu até o momento de sua morte, pois o inimigo ainda usou seus instrumentos para tentar convencê-lo a desistir da cruz (Mt 26:31-35; 27:29, 39-44). Sua grande resistência, estando Ele num corpo humano, nos ensina que também podemos vencer (Tg 4:7). Porém, mesmo sabendo que podemos vencer, jamais podemos nos apoiar em nossa autoconfiança achando que o Diabo não vai nos tocar somente pelo fato de sermos servos de Deus; pois somos limitados e sem a misericórdia de Jesus Cristo sobre a nossa vida, nada podemos fazer (Lc 22:31-34).



[1]Pináculo: O ponto mais elevado de um edifício, de um monte etc.; torre, cúpula, coruchéu. O mais alto grau; auge, fastígio. Píncaro, cimo, cume. A parte mais elevada do templo de Jerusalém. O pináculo do templo em que Satanás desafiou Jesus a pular tinha aproximadamente 60 metros de altura (Mt 4:5-7; Lc 4:9-12).
[2]Sumo Sacerdote: Nome dado ao mais alto posto religioso do antigo povo de Israel e posteriormente a época do exílio babilônico era também a mais alta autoridade política do país. O sumo sacerdote coordenava o culto e os sacrifícios, primeiro no tabernáculo, depois no Templo de Jerusalém. De acordo com a tradição bíblica, apenas os descendentes de Arão, irmão de Moisés, poderiam ser elevados ao cargo, ainda que posteriormente esta norma foi abolida por eventos políticos. Posteriormente a época do exílio babilônico, durante o período do Império Aquemênida persa, do Egito da dinastia ptolomaica e do império selêucida, o sumo sacerdote passou a cumular funções políticas, além das religiosas, tornando-se o chefe político de Israel, submetido ao governador da Síria.
[3]Compadecer: Ter compaixão (dor causada pelo mal alheio. Dó, piedade).
[4]Capiroto: Expressão popular que significa capeta, demônio, diabo, satanás. Termo usado geralmente em tom de ironia e deboche ao maior inimigo dos seres humanos e do próprio Deus. Derivado de capirote (um tipo antigo de capuz).
[5]Mamon: É um termo derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro". Mamon não era o nome de uma divindade, como muitos pensam, e sim um termo de origem hebraica que significa dinheiro, riqueza, ou bens materiais. Jesus, no Evangelho, utiliza a palavra quando afirma que não é possível servir simultaneamente a Deus e a Mamon (Lucas 16:13).
[6]Egocentrismo: Estado da pessoa especialmente interessada em si mesma e em tudo quanto lhe diga respeito. Normal nas crianças de menos de sete anos.

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 4 | AD Belém - Congr. Elias Fausto/SP - Jonas M. Olímpio

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