sábado, 5 de dezembro de 2015

Como Defender a Fé Num Ambiente Secular?

Tanto para jovens como para
adultos, defender a fé num
ambiente secular consiste em
 ter convicção que está seguindo
o caminho certo e firmeza para
enfrentar as oposições
determinando-se a agradar a
Deus acima de tudo e de todos.
    Tanto em casa quanto na rua, na escola ou no trabalho é necessário conviver e interagir com familiares, parentes, conhecidos, colegas, amigos e também pessoas estranhas que professam algum outro tipo de fé ou fé nenhuma. Em muitos casos, quando os mesmos provocam algum tipo de conflito, não dá simplesmente para ignorá-los porque se trata de pais, irmãos, professores e chefes, ou seja: pessoas a quem você deve uma atenção a mais. O que fazer nesses casos? Como não perder a paz com eles e muito menos a comunhão com Deus? A resposta está na maneira como você encara esse tipo de situação. Em vez de vê-los como inimigos, deve começar a enxergar a cada um deles como pessoas necessitadas de ajuda e a cada afronta como uma oportunidade de evangeliza-los.
 Você tem certeza que conhece e sabe viver no mundo que existe a sua volta (Mt 10:16)? Quando persistimos na decisão de servir a Deus não fazendo questão de esconder isso (Mc 8:37), o inimigo se sente incomodado de tal forma que impulsiona seus instrumentos a nos atacarem; é por essa razão que não devemos reagir como que lutando carnalmente, mas sim espiritualmente (Ef 6:12-14[1] [2] [3]). Ser um jovem crente numa sociedade tão secularizada[4], mais do que uma simples opção, é um grande desafio. Se até mesmo para pessoas de mais idade - inclusive obreiros - as vezes é difícil defender uma postura cristã, quanto mais para os mais novos, principalmente os novos convertidos.
    Mas, e quando eles insistem no confronto? Para responder a essa pergunta, analisaremos os quatro tipos mais comuns de confrontos gerados pelos incrédulos quando persistimos em defender nossa fé mantendo uma conduta que contraria os princípios mundanos. Esses confrontos geralmente consistem em zombaria, propostas indecentes, ameaças e falsas acusações.

Zombaria: Essa é uma das primeiras reações de alguns “amigos” - principalmente na escola e entre os mais chegados em seus meios de convivência - quando percebem sua determinação em mudar de vida para agradar a Deus. Geralmente, sem dó nem piedade, te bombardeiam com piadinhas do tipo: “Virou santinho agora depois de tudo que já fez?”; “Perdeu a liberdade de curtir, então vai isolar os amigos, né?”; “Sexo então, nem pensar. Só depois do casamento, né babaca?”; “Quer dizer que você resolveu ir na igreja pra dar dinheiro para o pastor?”. Você já notou que embora falem num tom de brincadeira, eles demonstram estar carregados de ódio quando atacam nossa fé?
    Diante dessas piadas bobas e preconceituosas, de fato, nosso instinto natural de defesa nos leva ao desejo de responder com um soco na cara do indivíduo, ou, pelo menos, com uma resposta mil vezes mais ofensiva (Ef 4:17,18,26,27); mas, tendo sido regenerados pelo Espírito Santo, devemos ter autocontrole para, como a Bíblia ensina, responder com mansidão (1ª Pe 3:15). Essa resposta mansa consiste em amor e paciência para com o agressor, entendendo que ele não tem o que você tem em seu interior e por isso não consegue te compreender (1ª Co 2:9-15[5]). Pois não é fácil, para alguém que vive na impiedade, entender o que significa perdão e transformação; como também saber que a verdadeira liberdade é não ser escravo de coisas que lhe prejudicam;  e ainda aceitar que a busca por um verdadeiro amor conjugal e a valorização da família valem muito mais do que perigosos prazeres momentâneos; e tampouco imaginar que, da mesma forma que ele desperdiça seu dinheiro com futilidades, você tem o direito de, por gratidão ao Senhor, empregar parte dos teus ganhos para ajudar na manutenção e no crescimento da sua Obra aqui na terra. Mas não espere grandes resultados com esses argumentos, pois, muitas vezes, a melhor resposta mesmo é o silêncio (Mt 27:11-14) e, se preciso for, o afastamento (Mt 16:4). Porém, ainda assim, preserve o seu amor por ele incluindo-o em suas orações (Mt 5:43-48[6]), esperando qualquer oportunidade de ajuda-lo para assim lhe provar o contrário do que ele pensa a seu respeito (1ª Pe 3:16-18).

Propostas indecentes: Outra estratégia maligna para nos tirar do foco de seguir ao Mestre - na verdade, uma das mais usadas - é a tentativa de nos seduzir ao pecado. Muitos discordam, mas o inimigo conhece sim os nossos pontos fracos, pois ele bem sabe quais eram nossas atividades antes de conhecermos a Cristo e, na esperança de que não estejamos realmente libertos, é por meio delas que tentará nos fisgar. É muito comum, principalmente se você está naquela busca fervorosa por libertação e por dons espirituais, começar a receber oportunidades interessantes que sejam aparentemente irrecusáveis. São elogios exagerados, propostas de amor, sexo fácil, estímulo ao consumo de bebidas alcoólicas ou mesmo de drogas e, ainda, até a chance de obter dinheiro fácil por algum meio corrupto ou, mesmo que por um meio lícito, sendo de uma maneira que possa te afastar de Deus.
    A primeira reação diante dessas supostas bênçãos já deve é ser executada preventivamente, ou seja, antes que elas aconteçam: comunhão com Deus por meio da oração para discernir entre as propostas boas e as más (1ª Ts 5:21,22; Hb 5:14). A segunda reação é estar preparado para dizer “não”; e esse “não” só consegue sair de seus lábios se em seu coração houver verdadeiramente amor a Deus e em sua mente existir a consciência de que as consequências negativas da aceitação ao pecado serão incomparavelmente maiores do que as positivas, as quais são momentâneas (Mt 16:24,25). Diante disso, é também necessário considerar que quando o Senhor não nos permite ter algo aparentemente bom é porque Ele sabe que aquilo não é realmente bom e, além do mais, tem algo melhor para nós, o que poderá nos satisfazer tanto de maneira material como, principalmente, espiritual (Mt 16:24-27).

Ameaças: Essa também é uma prática comum por parte dos que não aceitam sua conversão e obediência ao Evangelho. Em vários segmentos da sociedade - ainda que disfarçadamente -, algumas pessoas te fazem sentir-se ameaçado de alguma maneira: não são raros os casos de cristãos ameaçados de demissão ou outras retaliações por não se submeterem a algum esquema corrupto das empresas em que trabalham; outros que são excluídos de grupos de atividades em escolas e faculdades por não compartilharem de ideias profanas; e até mesmo alguns que chegaram a ser expulsos de casa por não negarem sua fé.
    Em situações como essas, o que deve prevalecer em nosso interior é aquela inevitável pergunta: “O que vale mais pra mim?”. A resposta até que é bem simples, mas a sua prática não; pois há casos em que, conforme ensinam as Escrituras Sagradas, é necessário negar a tudo, inclusive a si próprio (Mc 7:13,14; 9:43,44), o que inclui também a própria família. Lidar com ameaças sem se deixar ser feito refém pelo Diabo e lhe dizer “abro mão de tudo, mas não vou permitir que nada me separe do amor de Cristo (Rm 8:35-39[7])” é uma atitude típica apenas de quem tem convicção de sua fé e também a plena certeza de que ela vale a pena. Mas qual é a pena mesmo? A reprovação, o ódio, o desprezo e algumas perdas; então é nesse momento que lembramos: “Jesus renunciou a muito mais do que isso por mim. Vale a pena sim!”.

Falsas acusações: Qual é o cristão que nunca foi vítima de uma falsa acusação? Já percebeu também que isso acontece com mais intensidade quando você está decidido não só a crer, mas também a servir ao Senhor com dedicação e fidelidade? Essa tática geralmente é usada depois que as gozações, as tentações e a inibição falharam. Mais uma vez, como sempre, é o infeliz lá embaixo, preocupado com o perigo que você representa aos seus propósitos malignos, usando seus instrumentos para tentar te parar por meio de mentiras (Mt 8:44). Mesmo em alguns casos, quando estamos errados, é horrível a sensação de sermos apontados por causa dos nossos erros, imagine então ser acusado de algo que não cometeu. Esse tipo de frustração provoca uma mistura de decepção, raiva, dor e medo, o que causa a perigosa reação primária de desânimo, desejo de vingança, tristeza e preocupação com as consequências. Essa mistura de sentimentos negativos é normal porque, afinal, somos seres humanos, mas como podemos lidar com isso sem perder nossa comunhão espiritual?
    Diante de calúnias, em meio às inevitáveis reações primárias, a primeira atitude de um verdadeiro cristão tem que ser exatamente se lembrar que ele é um cristão. E como um cristão deve reagir nessas situações? As Escrituras Sagradas nos ensinam o equilíbrio da mansidão (Tg 3:13-18), seguido pela sabedoria de uma boa resposta (Cl 4:5,6[8]), a qual, as vezes, também significa permanecer em silêncio, pois nem sempre os argumentos são suficientes para calar os inimigos ou convencer os enganados por eles (Jo 19:9-12[9] [10]). A segunda atitude do autêntico cristão - geralmente momentos depois, já com mais calma - consiste em transformar as negativas reações primárias em positivas. Mas isso é realmente possível? Se você confia mesmo em Deus e está disposto a não perder sua comunhão com Ele, é totalmente possível sim! Primeiro passo: ter sabedoria para transformar o desânimo causado pela decepção em motivação para superar a injustiça (1ª Co 10:13); segundo passo: ter amor para compreender que o caluniador é uma vítima de sentimentos malignos para transformar o desejo de vingança causado pela raiva em razão para ajudar aquela pessoa (Lc 6:28-31; Rm 12:12-14); terceiro passo: buscar forças para superar a dor da tristeza, transformando-a em alegria por saber que maiores são as riquezas espirituais do que as vitórias momentâneas dessa vida (2ª Co 4:17,18); quarto passo: confiar em Deus chegando ao ponto de o medo causado pela preocupação ser substituído pela paz que é proporcionada aos que creem e vivem segundo a sua infalível justiça (1ª Pe 3:11-14). Seguindo essas recomendações - ainda que não necessariamente nessa ordem -, não há falsa acusação que possa derrubar um servo de Deus.

    A Bíblia relata o exemplo de Neemias[11]: um servo fiel que passou por todas essas experiências (Ne 4:1-3[12] [13] [14]; 6:1,2[15] [16]; 6:6,7) e venceu por saber lidar com cada situação agindo com sabedoria (Ne 4:4,5[17] [18]; 6:2; 6:12-14[19]; 4:17-20; 6:3). Seguindo o exemplo de pessoas como ele, aprendemos que defender a fé não é simplesmente, ou exatamente, defender o conteúdo bíblico diante dos ímpios ou de cristãos hereges, mas defender a si próprio não sendo influenciado pelas práticas mundanas. Não há como estarmos preparados para que se cumpram os propósitos divinos em nossa vida se não estivermos firmes na resistência aos males que nos atacam constantemente (Tg 4:7; 1ª Pe 5:8,9). Nossa pregação vai muito além das palavras e dependem muito da nossa conduta. O lema principal de um cristão é influenciar e não ser influenciado; tendo isso em mente, o seu nível de maturidade - que não depende da idade e nem do tempo de ministério -, será cada vez mais evidente, o qual lhe proporcionará respeito, não somente entre os cristãos, mas inclusive entre os ímpios até mesmo nos piores ambientes seculares que você tiver que frequentar. No demais, nosso cuidado consiste em selecionar nossas amizades (Sl 1:1; 1ª Co 15:33,34; Pr 9:6,10[20]; 13:20,21) não nos isolando das pessoas, mas vigiando em nossas atitudes (1ª Co 10:12; Mc 14:38; 1ª Ts 5:17; 1ª Co 10:32).



[1]Principado: Dignidade de príncipe. Território cujo governo pertence a um príncipe ou a uma princesa. Mencionado na Bíblia também em referência a espíritos, sejam eles bons ou maus (1ª Co 15:24; Ef 1:21; 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10,15).
[2]Potestade: Potência, força, poder. A divindade suprema, segundo a religião. Potentado.
[3]Hoste: Tropa, exército beligerante, corpo de exército. Bando, chusma, multidão.
[4]Secular: Pertencente ou relativo a século. Que se observa ou se faz de século a século. Em sentido religioso, se refere àquilo que
[5]Discernir: Saber a diferença; perceber o verdadeiro significado de algo ou a intenção de alguém com clareza.
[6]Publicano: Cobrador de impostos do governo romano. Termo pejorativo que define homens que negociam desonestamente.
[7]Reputado: Considerado; avaliado. Tido por.
[8]Remir: Aproveitar; fazer uso de uma oportunidade. Libertar mediante o pagamento de um preço.
[9]Pilatos: Pôncio Pilatos foi prefeito da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C.. Foi o juiz que condenou Jesus a morrer na cruz, mesmo contra sua vontade, pois não havia achado culpa nEle. Apesar de nesse episódio ele não parecer muito hostil, foi, na verdade, um homem cruel e sanguinário; segundo a história, Pilatos trucidou um grande número de samaritanos, os quais, consequentemente, protestaram ao seu superior, Vitelio, legado provincial da Síria, o qual destituiu Pilatos e o enviou a Roma a desculpar-se com o Imperador. Ele cometeu suicídio por volta do ano 37DC.
[10]César: Nome de uma família romana, da qual Caio Júlio César foi o membro mais famoso. Com o tempo, "César" se tornou o título oficial dos imperadores romanos (Lc 20.25). No Novo Testamento são mencionados quatro césares: Augusto, Tibério, Cláudio e Nero.
[11]Neemias: Significa "Javé Conforta". Judeu, copeiro de Artaxerxes. Liderou um grupo que voltou do Cativeiro Babilônico para Jerusalém, onde foi governador e realizou reformas. Foi um homem de muita habilidade e coragem. É considerado um grande exemplo de liderança; uma de suas obras mais marcantes foi a reconstrução dos muros de Jerusalém sob forte oposição de Sambalate e Tobias. É o provável autor de um livro histórico do Antigo Testamento que leva o seu nome.
[12]Sambalate: O seu nome na língua babilônia é "Sin-Uballit" que significa "Que Sim lhe dê vida" (Sim, na Babilônia, era considerado o deus da lua). Provavelmente nasceu em Bete-Horom, por isso era chamado de hornita. Ele foi o líder dos opositores de Neemias porque se sentia politicamente ameaçado com seu trabalho de edificação dos muros em Jerusalém. Seus filhos, Delaías e Selemias, tinham nomes judeus e sua filha se casou com o filho de um sumo sacerdote, o que dá a entender que ele possa ter feito as pazes com Neemias ou com seu povo.
[13]Samaria: Significa "Torre de Guarda”. Monte situado 12 km a nordeste de Siquém (Am 6:1). Capital do reino do Norte, construída nesse monte por Onri (1º Rs 16:24; Jr 23:13; Os 7:1-7; 8:5-6; Am 4:1). Seu nome atual é Sebastieh. Região central da Terra Santa, abrangendo as tribos de Efraim e Manassés do Oeste. Ao norte ficava a Galiléia; a leste, o Jordão; ao sul, a Judéia; e, a oeste, o Mediterrâneo (2º Rs 17:24-26; At 1:8).
[14]Tobias: Um amonita que foi um dos principais opositores à Neemias na reconstrução de Jerusalém. Era um provável oficial de alto escalão do governo persa. Ele e seus filhos se casaram com mulheres judias. Embora tenha sido recebido no Templo pelo sumo sacerdote Eliasibe, foi expulso por Neemias.
[15]Gesém: Chamado na Bíblia de arábio, acredita-se que foi um governador edomitas ou persa. Juntamente com Sambalate e Tobias, foi um dos principais opositores de Neemias na reconstrução de Jerusalém.
[16]Ono: Citado no livro de Neemias (Ne 6:2), esse vale ficava a mais ou menos 32 quilômetros de Jerusalém.
[17]Opróbrio: Desonra; vergonha.
[18]Despojo: O que que se tirou do inimigo depois de vencê-lo (Sl 119:162; Lc 11:22).
[19]Noadias: Em hebraico significa "Encontro com Javé". A Bíblia relata a existência de duas pessoas com esse nome: 1) Um levita, filho de Binui, que pesou os utensílios de ouro e prata pertencentes ao templo que foram trazidos de volta da Babilônia (Ed 8:33).  2) Uma profetiza que uniu-se a Sambalate e Tobias na sua tentativa de intimidar Neemias (Ne 6:14).
[20]Blandícia: Blandície. Afago, carinho, brandura. Palavras doces e convincentes.

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