quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Aceitar a Jesus... Eu Preciso Mesmo Disso?

Aceitar seguir o caminho da
renúncia, para aqueles que não
têm a certeza da necessidade
disso, é uma das mais difíceis
decisões; e é nesse dilema que
muitos desperdiçam várias
oportunidades até caírem
definitivamente na condenação.
    Antes de entrar nesse assunto é necessário responder a um questionamento que muitos fazem: “É correto usar o termo ‘aceitar a Jesus’?”; sendo essa frase uma expressão de uso comum no meio evangélico referindo-se ao ato de alguém se tornar crente, ou literalmente um membro da igreja, tem sido muito criticada por alguns: segundo os críticos, é Jesus quem nos aceita e não nós a Ele. Para não parecer implicância, alienação à tradição, apego ao modismo por preguiça de pensar, imposição de opinião pessoal ou qualquer coisa do tipo, vamos analisar biblicamente. As Escrituras Sagradas, desde o início, mostram que trilhar o caminho certo, embora seja algo que provenha de Deus (Dt 30:15,16), é uma opção do homem (Dt 30:17-19). Observando atentamente o Novo Testamento, vemos que a vontade do Senhor é que todos os homens sejam salvos (Mc 16:15; 2ª Tm 2:3,4) e que com essa finalidade Jesus Cristo se sacrificou pela humanidade (Jo 3:15,16[1]). Com seu grande amor e misericórdia, Ele nos chamou a participarmos dessa tão grande dádiva[2], no entanto, deixa claro que apesar do chamado nem todos serão escolhidos (Mt 20:16), argumento esse que mostra que depende de nós a aceitação de tal benefício (Jo 3:19). As Escrituras revelam ainda a existência de nossa liberdade de escolha expressando o fato de que somos convidados e não forçados a abrir a porta para que Ele entre em nossa vida (Ap 3:20,21; Jo 14:23,24). A exemplo dos judeus que receberam a sua Palavra e o rejeitaram (Jo 1:9-11), também temos tal livre-arbítrio[3]; no entanto, não confundamos livre-arbítrio com o direito de sermos salvos sem segui-lo em obediência à sua santa vontade (Mc 8:34,35; Lc 13:23,24); pois o direito de escolha somente produz dois tipos de consequências: a salvação ou a condenação (1ª Co 10:23; 6:12; Gl 6:7,8). Mas não somos salvos pela Graça[4]? Sim (Ef 2:4,5). Porém, no que se refere à justificação dos pecados, a Graça é uma oportunidade e não uma garantia (1ª Co 10:12), porque apesar de não sermos salvos pelas obras (Ef 2:8,9), ou seja: por méritos próprios, necessário é que, a partir do momento em que passamos a conhece-lo mudemos nossas obras de modo que as mesmas venham a agradá-lo (Ef 2:10). Isso significa que não há salvação pelas obras no que se refere ao poder do ser humano de justificar a si próprio diante de Deus a ponto de poder dizer que fez algo para conquistar, merecer ou comprar a salvação, afinal, foi resgatado da podridão do pecado; mas, quando este reconhece seu estado de pecador, suas obras passam a ser justas e por elas - pecado ou santificação - cada um será julgado (Rm 2:5-9[5] [6] [7]; Tg 2:14,24; 3:13-18[8]; 4:17). Voltando à legitimidade do termo “aceitar a Jesus”, devemos simplesmente lembrar que Ele, tendo morrido por todos nós, nos aceita o tempo todo (Mt 11:28-30), mas com a condição do arrependimento, é óbvio (At 3:19); assim sendo, nós é que devemos aceitar o sacrifício que Ele fez por nós (Jo 1:12). Tudo isso significa que, mesmo tendo sido alcançados pela Graça, se não formos obedientes aos seus mandamentos, o pecado pode sim roubar a nossa salvação (Cl 2:6-8; 2ª Pe 2:20; Rm 6:23a); portanto, não rejeitemos a Graça (Rm 6:23b)!
    Agora, a grande pergunta aqui é: “Eu preciso mesmo aceitar a Jesus?”. Para responde-la, quero fazer outra pergunta: “Qual é a vantagem em viver sem Jesus?”. Sim, já sei. Muitos vão dizer: “Eu já tenho Jesus!”; certamente falam isso porque creem nEle.  Porém, existe uma abismal diferença entre acreditar e seguir; e é aí que muitos dizem: “Sim, eu o sigo! Não cometo crimes, não blasfemo contra Ele e até vou à Igreja!”. E aí vem o “X” da questão: Seguir não é servir, pois multidões o seguiam e poucos realmente estavam ao seu lado! O grande erro de muitos é achar que são aprovados pelo Senhor somente por crerem nEle (Tg 2:19), justificando ainda a si próprios apenas por cumprirem os mais simples mandamentos de ordem moral (Mt 19:16-22), muitas vezes, apenas interessados em bênçãos (Lc 12:13-15[9]), sendo que o que Ele realmente quer são discípulos (Jo 12:26): pessoas dispostas a servir ao Reino[10] e ao próximo (Mt 6:33a; Jo 13:13-15, Mc 12:30,31) e que o adorem com absoluta sinceridade (Jo 4:23,24).
Se ainda restam dúvidas, vou te dar apenas mais dez motivos para aceitar que Ele seja verdadeiramente o Senhor da tua vida:
1.      Ele é o único caminho que pode nos levar a Deus (Jo 14:6).
2.      Ele morreu, sacrificando-se por amor a nós (Jo 15:9-16)
3.      Ele tem poder para perdoar nossos pecados (Cl 2:13,14; 1ª Jo 1:9; 2:1,2).
4.      Somente Ele pode nos dar descanso em meio às conturbações dessa vida (Mt 11:28-30[11]; Jo 14:1; 16:33).
5.      Todas as conquistas, espirituais ou materiais, só podem ser alcançadas por meio do nome dEle (Jo 10:10; 14:13,14; Mc 10:28-30).
6.      Ele nos dá autoridade espiritual (Mc 16:17,18; Lc 10:19).
7.      É Ele quem nos faz herdeiros das promessas feitas aos seus escolhidos desde o princípio (Gl 3:7-9,16,29[12] [13]).
8.      Com Ele está o poder sobre a vida e a morte (2ª Tm 1:10).
9.      Sem Ele não fazemos parte do povo que aguarda a sua volta (Rm 12:5; 1ª Co 12:27; 1ª Ts 4:16,17).
10. Ele é quem nos garante a vida eterna (Jo 14:1-3).

    Aceitar a Cristo vai muito além da busca de uma vida tranquila na terra; o objetivo maior dessa decisão é muito mais ambicioso: a vida eterna! Mas esta é condicional: depende da obediência a Ele. Para não escandalizar os que levam tudo ao pé da letra, não vou dizer que seja um “preço à pagar” ou um “sacrifício”, mas sim um ato de gratidão por sua Graça. A santificação se faz necessária porque Ele repudia o pecado (Hb 12:14; 2ª Co 7:1; Mt 5:8). Então, aceita-lo significa mudar costumes ofensivos à sua santidade, assim aceitando mudar seu modo de viver visando ser agradável a Ele. É óbvio que sendo nós meros humanos, sempre cometeremos falhas, e é exatamente isso que nos permite entender que não somos merecedores de nada, e á aí que entra o maravilhoso papel da Graça salvadora (Rm 8:26[14]); no entanto, tal fragilidade não nos dá o direito de pecar voluntariamente, pois isso seria provocar sua ira condenando-nos a nós mesmos (Mt 7:22,23). Muitos questionam nossa responsabilidade pessoal devido ao fato de Ele ter nos escolhido e não nós a Ele. Para esclarecer, aproveitando o fato de o casamento ser uma das ilustrações usadas por Ele próprio em relação à sua Igreja, usemos o seguinte exemplo: Se você é homem, escolhe alguém para namorar e planeja casar-se com ela, mas depende dela aceitar essa proposta; da mesma forma, se você é mulher, um homem te escolhe para namorar e planeja se casar contigo, mas depende de ti aceitar esse pedido senão não vai haver casamento algum, não é mesmo? Assim é o nosso relacionamento com o Senhor, precisamos aceitar voluntariamente porque Ele não nos força! Promessa não é garantia, a ideologia de que “quem tem promessa não morre” não funciona na prática, pois podemos sim perder aquilo que não zelamos (Mt 25:24-30[15]; Tt 2:11-14) e não sabemos se teremos outra oportunidade (Tg 4:14-16[16]). Aceitar essa realidade é dizer o tão esperado “sim” que Ele quer ouvir de você diante do altar divino.  Aceitar a Jesus nada mais é do que recebe-lo como o Salvador da sua alma dizendo: “Senhor, eu aceito o sacrifício que fizeste por mim naquela cruz!”.



[1]Unigênito: Único gerado. Filho único.
[2]Dádiva: Dom, presente, donativo.
[3]Livre-arbítrio: Livre vontade. Liberdade do indivíduo para decidir por si próprio de que forma deve agir.
[4]Graça: Favor imerecido ou não merecido. O vocábulo Graça provém do latim gratia, que deriva de gratus (grato, agradecido) e que em sua primeira acepção designa a qualidade ou conjunto de qualidades que fazem agradável a pessoa que as têm. Teologicamente, refere-se ao período que se iniciou com a morte de Cristo na cruz, o qual pôs fim às rígidas imposições da Lei mosaica, colocando em vigor o Novo Testamento.
[5]Impenitente: Que é obstinado, endurecido no pecado. Que não se arrepende.
[6]Contencioso: Causador de contendas. Que é contestado, litigioso. Duvidoso, incerto. Encrenqueiro. Popularmente chamado de contendeiro.
[7]Iniquidade: Falta de equidade (retidão). Pecado que consiste em não reconhecer igualmente o direito de cada um, em não ser correto, em ser perverso. Erro consciente.
[8]Faccioso: Seguidor de uma facção. Parcial. Sedicioso. Perturbador da ordem. Causador ou defensor de rebeliões ou confusões.
[9]Avareza: Apego demasiado e sórdido ao dinheiro; desejo imoderado de adquirir e acumular riquezas. Mesquinhez, sovinice. Ciúme.
[10]Reino de Deus: Reino dos Céus. O domínio de Deus sobre as pessoas e sobre o mundo, tanto no presente como no futuro (Mt 5:3; 12:28; Lc 17:21; Rm 14:17). Às vezes também se refere à vida com Deus no céu (2ª Tm 4:18).
[11]Jugo: Peça de madeira que se prende com correias ao pescoço de animais de carga, para que assim possam puxar uma carroça ou um arado (Nm 19:2; 1º Sm 6:7). Em sentido figurado: domínio, opressão (Gn 27:40; Jr 28:2; Gl 5:1); sofrimento (Lm 3:27); obediência (Mt 11:29-30); aliança (2ª Co 6:14); trabalho (Fp 4:3).
[12]Abraão: Esse nome significa pai, ou líder de muitos. É um personagem bíblico citado no Livro do Gênesis a partir do qual se desenvolveram três das maiores vertentes religiosas da humanidade: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Obedecendo as ordens de Deus, saiu com Ló de Harã, juntamente com sua esposa e seus bens, indo em direção a Canaã. Abrão já teria setenta e cinco anos de idade e dá a entender que já tivesse pessoas a seu serviço, embora nenhum filho. Teria sido pai pela primeira vez aos oitenta e seis anos, quando nasceu Ismael: filho que ele concebeu com sua escrava Hagar, sob consentimento de sua esposa Sara que era estéril. Sara deu à luz a Isaque com a idade aproximada de 90 anos e Abraão tinha quase 100. Ele é considerado como o pai da fé e morreu com 175 anos de idade.1)
[13]Posteridade: Série de indivíduos que descendem de uma mesma origem. As gerações futuras. Descendência.
[14]Inexprimível: Indizível, inefável, inexpressável, inexplicável.
[15]Talento: O talento de ouro ou prata era a unidade de moeda romana para grandes quantidades de dinheiro. Ele foi introduzido na Grécia Antiga e depois adaptado para o sistema monetário romano. Um talento era igual a 60 minas, que, por sua vez eram equivalentes a 100 dracmas. Sabendo que uma dracma era igual a 4,5 a 6 gramas de ouro ou prata, um talento significava entre 27 a 36 quilos de metal. Estudiosos calculam que um talento hoje valeria no mínimo 1300 dólares (cerca de dois mil reais). Espiritualmente, os talentos representam os dons que o Espírito Santo nos concede e, na linguagem popular expressa as habilidades especiais de uma pessoa; era um termo muito usado pelos romanos para elogiar uma pessoa de valor.
[16]Desvanecer: Desaparecer.

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