quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como Surgiu a Escola Bíblica Dominical?

Muitos "crentes" ignoram a
importância dos estudos; mas o
pleno conhecimento não vem pela
simples leitura, pois a Bíblia é
muito complexa e deve ser
analisada cuidadosamente
    Todos os domingos de manhã saímos de nossas casas com nossas Bíblias e revistas no intuito de aprendermos um pouco mais sobre a Palavra de Deus. Embora não seja um trabalho muito valorizado por boa parte dos evangélicos - principalmente dos neo-pentecostais - ele tem persistido e resistido aos inimigos dos ensinos teológicos na maioria das denominações verdadeiramente evangélicas pelo mundo inteiro. A Escola Dominical não é uma mera reunião de estudantes da Bíblia como pensam alguns críticos, mas sim realmente um culto aonde entregamos a Deus a nossa adoração, glorificando o seu nome através da busca do conhecimento sobre os seus mandamentos e da sua vontade para que não venhamos a pecar contra Ele. Se você é um assíduo frequentador da EBD - ou não é, mas pretende conhecê-la -, é importante saber a origem desse tão glorioso trabalho.
Robert Raikes (1736 - 1811)
nos deu um grande exemplo de
que não adianta vermos um
problema e nos sensibilizarmos
por ele, é preciso levantar-se e
solucioná-lo de alguma forma
    Tudo começou num domingo de outubro de 1780, na cidade de Gloucester, na Inglaterra. Um jornalista
cristão chamado Robert Raikes estava tentando escrever o editorial do jornal local, o qual pertencia ao seu pai, mas não conseguia se concentrar no texto devido ao barulho das crianças que brincavam próximo a sua janela gritando vários palavrões. Ele reclamou, elas se acalmaram por alguns minutos, mas depois continuaram com a baderna. Nesse momento, o Espírito Santo o despertou através do texto que ele estava escrevendo: em seu artigo ele falava sobre a reforma do sistema carcerário -  pois a criminalidade já era grande naquela época -, cobrando as autoridades para proporcionarem uma oportunidade de reabilitação aos presidiários através do estudo; pois estudando, os que realmente queriam mudar de vida, poderiam conseguir um emprego e tornarem-se cidadãos honestos. Relacionando a situação dos presidiários com a das crianças que o incomodavam com o barulho e os palavrões, ele começou a se preocupar com o futuro delas.
Na pacata cidade de Goucester, os
problemas sociais assolavam os
mais pobres atingindo as suas
crianças e a sociedade parecia não
estar se importando com isso; mas
quando um homem de Deus
resolveu agir, houve um
despertamento geral. Tudo
depende de alguém tomar uma
atitude dando o primeiro passo
    Naquela época, na cidade de Goucester, como na maioria das outras no centro-oeste da Inglaterra, havia uma grande concentração de indústrias têxteis, e ali predominava a exploração do trabalho infantil: aquelas crianças trabalhavam com sua família de segunda a sábado, mas no domingo, enquanto seus pais descansavam, elas ficavam largadas pelas ruas. Até então, não haviam escolas públicas no país - somente os ricos tinham o privilégio de estudar nas escolas particulares - e as crianças e adolescentes da periferia não tinham como se desenvolver culturalmente e nem sequer aprender a ler e escrever. Então Raikes resolveu escrever sobre isso em seu editorial e expôs seu plano para alfabetizá-las, solicitando também que mulheres preparadas e dispostas o auxiliassem nessa tarefa atuando como professoras em seus lares; um sacerdote anglicano indicou professoras de sua paróquia.
Aos olhos humanos, não havia
possibilidade para realizar um tão
grande projeto, pois os recursos eram
poucos; mas, quando Deus está na
direção, não são as nossas
possibilidades e recursos que
determinam o  sucesso, mas sim a
nossa fé e a força de vontade para
trabalhar
    Apesar de algumas resistências, a maioria das crianças se entusiasmou com a ideia, pois essa era sua única oportunidade de aprender a ler, escrever, calcular e adquirir mais conhecimento. Sendo um sábio homem de Deus, Raikes não se limitou ao ensino secular e introduziu ensinamento bíblico às aulas, dando-lhes uma educação a nível cristão. Através do seu jornal, ele conseguiu várias doações que foram de material escolar até roupas e alimentos, ensinando-lhes na prática que o Evangelho é mais do que palavras e que tem que ser praticado com amor. As professoras o ajudavam a arcar com as despesas e as mais necessitadas recebiam um pequeno salário. As reuniões eram feitas tanto em casas particulares como nas ruas e nas praças. Houve também resistência por parte de alguns líderes religiosos que diziam que essa atitude "profanava" o domingo sagrado e as igrejas com aquelas crianças mal comportadas. Porém, não há como parar a Obra do Senhor e, com o passar do tempo, vários templos foram abrindo suas portas e essas escolas dominicais tornaram-se cada vez mais comuns espalhando-se pelas cidades vizinhas. Em quatro anos, eles já tinham mais de 250 mil alunos, e em 1811 - 31 anos depois - quando Raikes faleceu, eles já eram mais de 400 mil.
O casal Robert e Sarah Kalley
seguiram o exemplo de Robert
Raikes e assim implantaram a
Escola Dominical no Brasil,
iniciando, dessa forma, um
trabalho que tem resgatado
milhares de vida através do
conhecimento até os dias
atuais
    Oficialmente, a primeira Associação de Escola Dominical na Inglaterra e também nos Estados Unidos foi fundada no ano 1785 - cinco anos após o seu início-. Sua data oficial de fundação é o dia 03 de novembro de 1783. No Brasil, ela surgiu em 1855, na cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro, tendo sido trazida pelo casal de missionários escoceses Robert e Sarah Kalley, que começou a ensinar a Bíblia para crianças cariocas. Sua primeira aula foi no dia 19 de agosto daquele mesmo ano com apenas cinco alunos; a irmã Sarah lhes contou a história do profeta Jonas por meio de gestos, porque ainda estava começando a aprender a língua portuguesa. Em pouco tempo, o número de alunos aumentou tanto que eles tiveram que criar turmas também para jovens e adultos. Esse trabalho deu início à Igreja Evangélica Congregacional no Brasil.
    É maravilhoso como Deus usa pequenas coisas para concretizar
Fazer discípulos e ajudá-los em sua
caminhada é uma determinação do
próprio Senhor Jesus Cristo; sermos
usados por Ele como mestres para
cumprir essa missão nos faz sentir
que realmente somos mais que
vencedores
grandes realizações: pois através do simples incômodo de Robert Raikes com o barulho das crianças numa manhã de domingo, incontáveis almas foram salvas e estruturadas pela Palavra de Deus nesse período de mais de 230 anos. Atualmente, são mais de 60 milhões de alunos matriculados em mais de 500 mil igrejas evangélicas espalhadas pelo mundo inteiro. Fazer parte desse grandioso trabalho é mais do que um privilégio, é uma honrosa missão que deve ser encarada com muito amor, dedicação e responsabilidade. Um professor de Escola Bíblica Dominical não é simplesmente alguém que fala de Bíblia, mas sim um valoroso educador que aborda e ensina lições dos mais variados assuntos que abrangem também todas as disciplinas curriculares do sistema educacional secular. Indiscutivelmente, ainda falta muito à alcançar, pois vários fundadores de igrejas que se dizem evangélicos não dão a mínima importância para o ensinamento bíblico, e também mesmo entre as igrejas que tradicionalmente têm a EBD em seu programa oficial, o foco evangelístico e social não é o mesmo de sua origem. Mas, o mais importante é que essa chama se mantém acesa, e inúmeros voluntários continuam abrindo mão de seu descanso aos domingos de manhã e também dispondo de seu tempo durante a semana preparando aulas e, as vezes, até investindo seu dinheiro, porque sabem que o conhecimento é a maior arma para contra-ataque às investidas de Satanás.

Jonas M. Olímpio

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