terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Por Que Coisas Ruins Acontecem Com Pessoas Boas?


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Muitas vezes cobramos a Deus
como se Ele tivesse a obrigação
de nos dar uma vida perfeita
porque nossas obras são
relativamente boas; no entanto,
esquecemos que estamos num
mundo imperfeito e,
consequentemente, sujeitos à
essas imperfeições. Todas as
maldades que enfrentamos na
terra serão julgadas e a justiça
será feita dentro dos propósitos
dEle, seja aqui ou na vida
eterna.

Deuteronômio 30:15,16
“Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; 16Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir.”


1 - O sol e a chuva nascem pra todos
Mateus 5:45 - “Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.”
      a)  A recompensa do bem e do mal não estão nessa vida, mas na eternidade.
      b)  A vida do ímpio deve ser encarada como uma oportunidade de arrependimento.
     c) A morte ou o sofrimento de uma pessoa boa possuem basicamente quatro razões: um propósito divino, uma prova de fé, um preparo para algo melhor e também as consequências de suas escolhas.
      d) Ser feliz ou sofrer não determina necessariamente se somos abençoados ou não.

2 - O mundo jaz no maligno
1ª João 5:19 - “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.”
       a)  Nosso mundo é imperfeito e todos nós cometemos falhas.
       b)  Quando se está dentro de algo imperfeito, estamos sujeitos a ser vítimas de tais imperfeições.
       c)   Fazer o bem em meio ao mal nos torna agradáveis a Deus.
       d)   Crer em Deus é um ato de fé que não pode depender apenas do bem que recebemos dEle.

3 - O mundo não tem que ser um paraíso
João 16:33 - “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”
       a)  As promessas para os justos sobre essa terra não são apenas de bênçãos.
       b)  Sobreviver em meio à maldade sem praticar o mal é uma prova de fé.
       c)   Nossa paz interior não é resultado de uma vida perfeita.
       d)  Nossa fé em Deus não pode se basear em suas bênçãos, mas na compreensão de que o amor deve ser incondicional.

4 - A origem do mal
Gênesis 3:12,13,16-19 - “Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. 13E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. 16E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. 17E a Adão disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. 18Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. 19No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.”
      a)  O mal já provém de Satanás quando desejou ser igual a Deus.
      b)  Tal sentimento ele colocou no homem, levando-o a pecar contra o Criador.
      c)  O que vivemos hoje é consequência da desobediência do próprio homem.
     d)  Deus não é mal por permitir o mal, Ele apenas deixa a humanidade seguir seu curso e interfere, não porque somos bons, mas por misericórdia quando decide Ele ouvir nosso clamor.

5 - Tudo tem um propósito
Jó 1:7,8 - “Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela. 8E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.”
      a)  Prova de fé é um dos motivos da permissão divina ao sofrimento.
      b)   Deus não é injusto ao permitir o mal, Ele apenas usa isso como um dos meios para que o homem se chegue a Ele.
     c)   Satanás tem poder limitado, e até suas ações servem para honrar o nome de Deus quando seus atos fracassam e o homem adora o Senhor.
     d) Há propósitos que permitem até mesmo o fim da vida de um justo, porém se de fato ele está na presença de Deus, o mesmo herdará a Vida Eterna.

6 - As Escrituras precisam se cumprir
Mateus 24:5-8 - “Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. 6E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. 7Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. 8Mas todas estas coisas são o princípio de dores.”
       a)  O destino final da humanidade não é a terra e sim a salvação ou a condenação.
       b)  Para o bem triunfar no final, é preciso que o mal exista enquanto estivermos aqui.
     c) Qual sentido haveria em querer viver num lugar melhor se aqui não houvesse dificuldades e injustiças?
       d)   A vida na terra é um direito dado ao homem de ficar ao lado de Deus ou do inimigo.

7 - Livre-arbítrio: liberdade é direito de escolha; porém, nossas escolhas podem trazer consequências boas ou más.
1ª Coríntios 6:12; 10:23 - “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 10:23Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”
      a)   Permissão de Deus não significa vontade de Deus.
    b) Sua soberania não impede nossa liberdade, porém nossas escolhas produzem consequências positivas ou negativas.
      c)  Não haveria como julgar o homem se o mesmo não lidasse diretamente com a decisão de praticar o bem ou o mal.
      d)  Cada um dará conta de si mesmo, pois essa terra não é pra nós um fim por si só. Porém, é preciso ter cuidado porque nossos conceitos de bondade e de maldade nem sempre estão de acordo com a realidade diante de Deus.


Pr. Jonas M. Olímpio

domingo, 24 de novembro de 2019

O Que Estamos Oferecendo à Deus?

Jacó e Esaú eram irmãos gêmeos, 
porém, de caráter diferente um do 
outro; enquanto Jacó agradou à 
Deus, Esaú profanava as coisas 
sagradas com suas atitudes. Por 
consequência, os edomitas
- descendentes de Esaú -
seguiram seus passos e foram por 

Jeová odiados. Sermos chamados 
de irmãos na igreja não nos torna 
justificados, nossas atitudes e 
nosso comprometimento com a 
Obra é que vão dizer quem 
realmente somos diante de Deus.
Malaquias 1:4 - "Ainda que Edom diga: Empobrecidos somos, porém tornaremos a edificar os lugares desertos, assim diz o Senhor dos Exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei, e lhes chamarão Termo de Impiedade e Povo Contra Quem O Senhor Está Irado Para Sempre."

Contexto
- Esse livro foi escrito no ano 450aC., pelo profeta Malaquias. 
- Basicamente, seu objetivo é expressar o amor de Deus por seu povo, levando todos a um despertamento sobre a importância do zelo pelas coisas espirituais.
- Geralmente, Malaquias é lembrado por suas cobranças em relação aos dízimos, mas seu ministério vai muito além, assim tendo ele sido usado pelo Senhor como os demais profetas.
- O texto em questão trata da ira divina contra aqueles que não eram fiéis à Deus e, mesmo prestando sacrifícios de forma inadequada, questionavam o porquê de sua situação caótica.

Mensagem
- Não adianta dizer que é abençoado por Deus e que alcançará grandes bênçãos se não rever suas atitudes e procurar agradá-lO com seu modo de viver.
Marcos 7:6 - "E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito [Is 29:13]:Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim;"

- Sacrifícios são inúteis se não houver pureza e sinceridade.
1º Samuel 15:22 - "Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros." 

- Se o Senhor não edificar tuas obras, elas estão sendo construídas em vão.
Salmos 127:1,2 - "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. 2Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono."

- Sempre devemos perguntar: "Deus está recebendo o que eu estou oferecendo à Ele?" Ele já nos deu o Seu Melhor.
Tito 2:14 - "O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras."

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Levantai a Arca do Pacto

Muitos projetos não progridem
porque está faltando coragem
para levantar a arca do pacto,
ou seja, atitude de colocar em
prática a obediência à Deus.
Procurar fazer tudo aquilo o
que o agrada é o primeiro
passo para ser conduzido
rumo à travessia do Jordão
em sua vida.
Josué 3:6 - "E falou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantai a arca do pacto e passai adiante deste povo. Levantaram, pois, a arca do pacto e foram andando adiante do povo."

Contexto
- Sendo o primeiro dos livros históricos, o livro de Josué foi escrito por ele próprio por volta do ano 1400aC.
- Os 656 versículos de seus 24 capítulos narram a missão de Josué após a morte de Moisés, a conquista de Canaã e a sua divisão entre as tribos.
- Josué assumiu a liderança do povo hebreu durante sua peregrinação pelo deserto, sua característica ficou marcada como sendo um homem fiel a Deus, corajoso e guerreiro. Ele também teve dificuldades e precisou de encorajamento como relatado em seu primeiro capítulo: "Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares".
- Embora fosse da tribo de Efraim e não de Levi, como líder, ele tinha também a missão de comandar os sacerdotes e garantir que as ordens Deus havia dado sobre o tabernáculo fossem perfeitamente cumpridas; uma delas era o cuidado com a arca, a qual continha as tábuas com os dez mandamentos, a vara que floresceu confirmando o sacerdócio de Arão e um pote com maná.

Mensagem
- Sitim, o Vale das Acácias, foi a última parada dos israelitas antes de entrarem na terra prometida; mas para chegarem até ela era preciso atravessarem o Jordão. Para isso, a ordem divina era que os levitas com a arca fossem na frente. O verdadeiro líder se preocupa em orientar seus liderados de forma clara e objetiva.
Josué 3:1-5 - "Levantou-se, pois, Josué de madrugada, e partiram de Sitim, e vieram até ao Jordão, ele e todos os filhos de Israel, e pousaram ali antes que passassem. 2E sucedeu, ao fim de três dias, que os príncipes passaram pelo meio do arraial 3e ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes a arca do concerto do Senhor, vosso Deus, e que os sacerdotes levitas a levam, parti vós também do vosso lugar e segui-a. 4Haja, contudo, distância entre vós e ela, como da medida de dois mil côvados; e não vos chegueis a ela, para que saibais o caminho pelo qual haveis de ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes. 5Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós."

- Havia uma promessa de honra sobre a vida dele, mas seu cumprimento dependia de sua obediência às ordens divinas. O que temos feito com aquilo que o Senhor confiou a nós?
Josué 3:7-13 - "E o Senhor disse a Josué: Este dia começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel, para que saibam que assim como fui com Moisés assim serei contigo. 8Tu, pois, ordenarás aos sacerdotes que levam a arca do concerto, dizendo: Quando vierdes até à borda das águas do Jordão, parareis no Jordão. 9Então, disse Josué aos filhos de Israel: Chegai-vos para cá e ouvi as palavras do Senhor, vosso Deus. 10Disse mais Josué: Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós e que de todo lançará de diante de vós os cananeus, e os heteus, e os heveus, e os ferezeus, e os girgaseus, e os amorreus, e os jebuseus. 11Eis que a arca do concerto do Senhor de toda a terra passa o Jordão diante de vós. 12Tomai, pois, agora, doze homens das tribos de Israel, de cada tribo um homem; 13porque há de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que levam a arca do Senhor, o Senhor de toda a terra, repousem nas águas do Jordão, se separarão as águas do Jordão, e as águas que de cima descem pararão num montão."

- Não houve recusa por parte do povo em atender suas orientações, e tal obediência resultou no sucesso de seus objetivos. Honrar a liderança é o mesmo que honrar a Deus.
Josué 3:14-16 - "E aconteceu que, partindo o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levavam os sacerdotes a arca do concerto diante do povo. 15E, quando os que levavam a arca chegaram até ao Jordão, e os pés dos sacerdotes que levavam a arca se molharam na borda das águas (porque o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega), 16pararam-se as águas que vinham de cima; levantaram-se num montão, mui longe da cidade de Adã, que está da banda de Sartã; e as que desciam ao mar das Campinas, que é o mar Salgado, faltavam de todo e separaram-se; então, passou o povo defronte de Jericó."

- Espiritualmente, para nós, levar a arca significa colocar a presença de Deus em primeiro lugar em nossa vida; buscar sua orientação antes de tomarmos qualquer atitude; e sermos gratos reconhecendo que o que temos, o que somos e o que fazemos é dEle, por Ele e para Ele. Onde você deixou a arca? Pegue-a, levante-a e prossiga!
Josué 3:17 - "Porém os sacerdotes que levavam a arca do concerto do Senhor pararam firmes em seco no meio do Jordão; e todo o Israel passou em seco, até que todo o povo acabou de passar o Jordão."

sábado, 22 de dezembro de 2018

União e Comunhão Com a Família de Cristo: Características de Um Eleito

O verdadeiro sentimento de
união e comunhão se traduz na
prática do amor: um sentimento
que não possui barreiras para
ser exercido. Um verdadeiro
eleito para o Reino de Deus
sabe que, em meio à qualquer
dificuldade, seu verdadeiro
inimigo é o pecado, o qual o
afasta de Deus e,
consequentemente, de sua
família espiritual.
2º João 1:13 - "Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita. Amém!"

Contexto
- Essa epístola foi escrita pelo apóstolo João entre 85 e 90dC; possivelmente ele estava livre em Éfeso e não preso em Patmos. 
- Sua destinatária é identificada apenas como a "senhora eleita" no primeiro versículo. 
Há quem diga que esse termo se refira à Igreja, mas as evidências textuais indicam que se trate de uma pessoa que tenha cedido sua casa para que os cristãos se reunissem. No versículo 5 ele também a chama de senhora.
- O conteúdo básico da carta visa tratar de questões doutrinárias concernentes a ter cuidado com falsos obreiros e na prática do amor ao próximo.

Mensagem
- Mesmo distante, o apóstolo João não deixava de interagir com os irmãos dos lugares por onde havia passado. Isso nos ensina que o amor vai além das barreiras da distância e do tempo, superando a própria morte.
2ª Pe 1:15 - "Mas também eu procurarei, em toda a ocasião, que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas."

- A expressão "os filhos de tua irmã", embora possa estar se referindo à parentes carnais da destinatária de sua epístola, nos ensina que a Igreja é uma grande família e, como tal, apesar de inevitáveis desentendimentos, deve sempre permanecer unida.
1ª Co 9:10 - "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. 10Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer."

- "A eleita" é uma expressão bíblica muito usada em relação àqueles que se converteram ao cristianismo, referindo-se à sua condição de salvos em Cristo; porém, tal afirmação não nos garante como salvos somente pelo fato de professarmos nossa fé no cristianismo, pois muitos filhos abandonam sua casa e abrem mão de sua herança.
1ª Co 10:12 - "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia."

- Ser eleito ou não-eleito não significa que Deus escolheu uns para a salvação e outros para a condenação, pois tal eleição se refere à Igreja generalizadamente como Corpo de Cristo, mas fazer parte dela ou não é uma opção individual por meio do livre-arbítrio. É importante lembrar que nem todos os eleitos para algo chegam a tomar posse da posição que lhes fora destinada.
Ap 3:20,21 - "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo. 21Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono."

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Está Tudo Pago

Imagine a anulação de um
documento de cobrança cujo
valor jamais conseguiríamos
pagar... Foi exatamente isso
que Jesus fez por nós ao
morrer na cruz. Seu sacrifício
perfeito substituiu nossas
falhas tentativas de
merecermos o perdão dos
pecados; em troca disso,
apenas o que Ele requer é fé e
obediência de nossa parte.
Colossenses 2:14 - "havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz."

Contexto
- Essa epístola foi escrita provavelmente no ano 61dC., pelo apóstolo Paulo.
- Colossos era uma cidade da Frígia (um distrito da Província da Ásia); ficava a 120 quilômetros de Éfeso. 
- Conforme demonstra Colossenses 1:7 e 4:17, a Igreja que havia ali, possivelmente era pastoreada por Epafras e Arquipo; dois frutos da evangelização de Paulo.
- Nos noventa e cinco versículos dos seus quatro capítulos, seus assuntos principais abordam os problemas do legalismo, a heresia do culto aos anjos e a vida social do cristão.

Mensagem
- Essa "cédula" era um documento que comprovava a existência de uma dívida, quem a possuía tinha direitos de cobrança sobre o devedor. Espiritualmente se refere à Lei Mosaica que com suas 613 ordenanças - 248 positivas e 365 negativas - condenavam o pecador. Agora não seriam mais os rituais que poderiam condenar ou justificar alguém.
Cl 2:8,9 - "Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; 9porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade."

"Riscar a cédula que nos era contrária" é um termo que se refere ao sacrifício de Cristo na cruz, o qual pagou em nosso lugar por uma dívida constituída pelo pecado, a qual não teríamos jamais condições de pagar. Sua morte na cruz nos deu uma oportunidade de não morrermos por nossos pecados, dando-nos, por meio de nosso arrependimento e mudança de vida, perdão e acesso à sua Graça.
Cl 2:13 - "E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,"

- O termo "a tirou do meio de nós" significa que se a Lei apontava para a condenação pelo fato de o homem não ter condição de se redimir sendo ele de natureza pecaminosa, a Graça "zerava sua conta" a partir do momento que ele aceitava o fato de que Cristo é o seu Salvador por ter feito o sacrifício perfeito em seu lugar.
Cl 3:1-4 - "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. 2Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; 3porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória."

- Ao ter "cravado na cruz" representa o valor do seu sangue, o qual carimbou como "pago" toda a nossa dívida pecaminosa, vencendo Ele próprio o inimigo não desistindo de seus sacrifícios pelos pecadores. Assim, durante esse ato, expôs a derrota de Satanás e seus demônios, que sobre os tais a pessoa que recebe a Cristo abandonando o pecado não é mais escrava.
Cl 2:15 - "E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo."

sábado, 24 de novembro de 2018

Preservando a Fé em Meio à Habitação de Satanás

Muitas falsas doutrinas têm sido
introduzidas na igreja atual, e
aqueles que não se rendem a elas
acabam sendo apontados como
preconceituosos; porém, nunca
se esqueça que Deus somente
justificará aqueles que não se
renderem às armadilhas do
"evangelho" fácil e continuarem
pregando e vivendo a verdade a
todo custo.
Apocalipse 2:13 - "Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita."

Contexto
- Apocalipse - do grego αποκάλυψις, apokálypsis -, significa "revelação"; formada por "apo", tirado de, e "kalumna", véu; numa tradução livre significa "tirar o véu". Esse livro foi escrito pelo apóstolo João, o qual, enquanto se encontrava preso na Ilha de Patmos, entre 79 e 95dC., recebeu do Senhor revelações concernentes aos acontecimentos nos últimos dias da humanidade na terra.
- O versículo em questão se refere à mensagem enviada à Igreja em Pérgamo, uma igreja que enfrentava grandes problemas com falsos mestres e falsos profetas, nesse texto identificados como os que seguem a doutrina de Balaão e a doutrina dos nicolaítas.
- Balaão, conforme relatado dos capítulos 22 a 25 de Números, foi um profeta da cidade de Petor, na Mesopotâmia, que abençoou o povo de Israel, mas depois o levou ao pecado. 
- Os nicolaítas supostamente seriam discípulos de Nicolau de Antioquia. Nicolau pregava a libertinagem cristã e ignorava o corpo físico como o templo do Espírito, promovendo, assim, a prática de imoralidade sexual entre os cristãos. Defendiam a poligamia e comiam coisas sacrificadas à ídolos.

Mensagem
- O silêncio diante de práticas hereges, torna os crentes coniventes ao pecado dentro da igreja.
Ap 2:14,15 - "Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem. 15Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço."


- A conivência consciente em relação aos erros alheios também consiste em pecado.
Ap 2:16 - "Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca."


- As bênçãos materiais e espirituais, sobretudo a salvação, embora não sejam por mérito nosso, não deixam de ser uma resposta do Senhor sobre nossa fidelidade a Ele.
Ap 2:17 - "Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe."


- Vivemos num mundo que jaz no maligno, completamente contaminado pelo pecado, mas não fazemos parte dele; por essa razão, nosso modo de vida como cristãos deve servir de exemplo até mesmo para aqueles que censuram o Evangelho.
1ª Pe 2:15-17 - "Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos; 16como livres e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. 17Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei."

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Prestando Contas Diante do Juiz

Muitos vivem entregues à prática
do pecado e da injustiça
despreocupadamente como se
jamais tivessem que prestar
contas por seus atos, mas
chegará o Dia em que o Infalível
Juiz pesará os atos de cada um e,
mediante à Palavra pelo qual
todos já estamos alertados,
seremos absolvidos ou
condenados.
1ª Pedro 4:5 - "os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos;"

Contexto
- Essa epístola foi escrita por volta do ano 60dC., conforme relatado em 1ª Pedro 5:13, num lugar chamado Babilônia, pelo próprio apóstolo Pedro com o objetivo de alertar a igreja sobre os perigos que ameaçavam sua pureza espiritual.
- O cenário cristão estava em evidência devido ao seu crescimento, mas havia uma grande mistura de costumes devido à agregação dos gentios ao Evangelho e também pela influência da cultura à sua volta, inclusive por parte dos colonizadores romanos.
- Alertar sobre a repentina volta de Jesus era uma das preocupações do apóstolo.
- Dessa mesma forma ele também alertava sobre o risco iminente da morte antes do arrebatamento, conforme registrado em 1ª Pedro 1:24 onde compara a vida humana à fragilidade de uma erva.

Mensagem
- Esse "quais" é uma referência àqueles que vivem sem Deus assim como nós vivíamos antes da conversão e o "que está preparado para julgar os vivos e os mortos" se refere ao próprio Senhor Jesus Cristo no Juízo Final.
1ª Pe 4:1-4 - "Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento: que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado, 2para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus. 3Porque é bastante que, no tempo passado da vida, fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borracheiras, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias; 4e acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós,"

- Muitos que na época já estavam mortos haviam ouvido a pregação do Evangelho ainda em vida, não tendo assim como dizer que não conheciam a verdade. O risco constante de morte, como também a possibilidade do repentino arrebatamento, é a grande razão de nunca desfalecermos na vigilância espiritual.
1ªpe 4:6,7 - "porque, por isto, foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens, na carne, mas vivessem segundo Deus, em espírito. 7E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração."

- Não é somente o relacionamento com Deus, mas também o relacionamento com o próximo conta muito em nosso julgamento diante do Senhor.
1ª Pe 8,9 - "Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá a multidão de pecados, 9sendo hospitaleiros uns para os outros, sem murmurações."

- Cada atitude que tomamos, ou deixamos de tomar, terá um relevante peso no Grande Tribunal.
2ª Co 5:10 - "Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal."

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Parábola do Credor Incompassivo

O perdão, assim como as demais
bênçãos que recebemos de
Deus, servem não para mostrar
o quanto somos justos e
merecedores daquilo que Ele
nos dá, mas sim se temos ou não
o caráter santo de um verdadeiro
cristão que tenha negado a si
mesmo e tomado a sua cruz para
poder segui-lo.
Mateus 18:23-34

Mateus 18:23 - "Por isso, o Reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;"
    Uma pergunta meio que ingênua de Pedro foi o que motivou Jesus a contar essa parábola: "Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?"; a resposta do Mestre foi bem objetiva: "Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete". Devemos lembrar que na numerologia bíblica o número sete representa perfeição e plenitude, o que significa que o perdão deve ser perfeito e pleno, ou seja, verdadeiro e por completo; multiplicar o sete por setenta parece um exagero, mas representa a misericórdia ilimitada que devemos ter com nosso próximo. Logo no início da parábola Ele cita um rei fazendo prestação de contas com seus servos, isso se refere o Grande Julgamento em que o Senhor vai requerer de nós aquilo que nos devemos, e isso inclui como tratamos os irmãos, os familiares, os amigos e até os inimigos.

Mateus 18:24 - "e, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos."
    Dez mil talentos, numa conta superficial e de resultado aproximado, considerando que um talento valeria cerca de mil dólares, hoje seria em torno de dez milhões de dólares; para qualquer pessoa seria simplesmente impossível pagar. Esse valor aparentemente exagerado na ilustração de Jesus foi exposto propositalmente para nos ensinar que a dívida que temos para com Ele é impossível de ser paga por nós e, assim sendo, somente mesmo o perdão por misericórdia é que pode nos livrar dessa dívida que nos levaria à inevitável condenação. Tudo o que fazemos de errado é um débito a mais em nosso cartão de crédito espiritual e, quando a fatura chegar, perceberemos que nossas boas ações ou intenções não tem poder para diminuir os juros dessa dívida; e o pior ainda é que descobriremos que no nosso cofrinho da religiosidade e da boa aparência não temos um saldo que chegue nem perto desse valor. Então, somente o que resta é apelar pelo perdão do Rei para não termos a condenação como herança de nossa imprudência.

Mateus 18:25 - ", não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher, e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse."
    Pela Lei, a pessoa poderia ser entregue como escrava para o pagamento de uma dívida, e isso poderia ainda incluir sua família. A imprudência do pecado, e até mesmo das dívidas impensadas, podem nos tornar escravos e causar também sofrimentos aos que fazem parte de nosso convívio. Não ter com o que pagar ou não saber lidar com um problema gera consequências negativamente incalculáveis, as quais envolvem questões financeiras, morais, psicológicas, físicas e também espirituais; tudo isso junto, de maneira praticamente inevitável, provoca a desestruturação da família. Esse homem, provavelmente, ao pedir um valor tão alto de empréstimo aos tesoureiros do reino, certamente, só pensou em sua dificuldade ou vontade no momento, mas não analisou o que poderia acontecer no futuro. Tal despreocupação momentânea causou o risco de punição tanto a ele como também à sua família. Em suas decisões você costuma pensar apenas em si próprio ou tem a dignidade de se lembrar que possui uma família?

Mateus 18:26 - "Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei."
    Mesmo estando totalmente errado e sendo uma pessoa imprudente, esse homem nos dá uma lição sobre a importância do arrependimento e a busca do perdão. Jesus o identifica como servo, isso lembra nossa situação diante do Rei, somos simplesmente servos e devemos nos portar de acordo com nossa condição sabendo nos colocar devidamente perante seu trono. Somos prestadores de serviço e não donos do Reino; Ele se prostrou, isso é sinal de humildade, a qual representa o nosso  dever de reconhecimento da superioridade de Quem está acima de nós. Um súdito jamais poderia fazer qualquer gesto que insinuasse grandeza ou mesmo igualdade perante o rei; Reverência, isso significa respeito, é a demonstração fundamental de que sabemos que não somos merecedores de estar aonde estamos. Ocupar lugar de destaque no ministério não nos torna melhores ou superiores, mas apenas portadores de uma maior responsabilidade. Ele implorou por sua generosidade, prometendo que lhe pagaria. Essa é uma atitude que nos leva a entender que o clamor pela misericórdia seguido pela disposição de corrigir o erro ou pelo menos mudar de atitude é essencial para se alcançar o favor divino.

Mateus 18:27 - "Então, o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida."
    Mesmo sendo humano e estando diante de um devedor totalmente errado na situação, aquele rei se compadeceu e, sabendo que o servo, mesmo tendo prometido que lhe pagaria, jamais teria de fato condições de lhe pagar, generosamente perdoou, soltando-lhe e perdoando sua dívida. Nosso clamor surte resultado diante do Rei. Mesmo conhecendo nossa condição de criaturas frágeis diante das tentações do pecado, Ele nos concede nova oportunidade quando nos humilhamos aos seus pés. Ele sabe que não temos condições de pagar nossa imensa dívida e também de nossa tendência a voltar a errar, mas seu amor é maior que nossos instintos pecaminosos e Ele zera nossos débitos para que possamos tentar uma nova vida. Não é o nosso merecimento que o convence, mas a sua própria misericórdia nos presenteia com uma nova chance.

Mateus 18:28 - "Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem dinheiros e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves."
    Aqui já podemos ver a hipocrisia no coração do homem. Após ser perdoado e se ver absolutamente livre pelas ruas sem mais nada dever, ele encontra alguém que lhe devia o valor irrisório de cem dinheiros, ou cem denários - algo que hoje seria em torno de vinte dólares -, porém, surpreendentemente, sua reação e atitude foram as piores possíveis: ele foi incompassivo, incompreensivo, ofensivo e agressivo; totalmente o contrário do rei que acabara de lhe perdoar e que tinha razões suficientes para ter agido de forma truculenta. "Paga-me o que deves!", essa é uma expressão que, geralmente, embora seja dita por alguém que tenha por direito receber algo, apenas expõe o egoísmo e a falta de amor e perdão em relação a alguém que lhe cometeu alguma falta. O problema, ma verdade, não está na cobrança em si, mas na forma como ele a fez lançando mão dele e o sufocando, ou seja, de forma desrespeitosa e violenta. Como estamos tratando nossos devedores mesmo sabendo que fomos perdoados não merecendo perdão?

Mateus 18:29 - "Então, o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei."
    Mediante a narração dessa cena paramos para pensar em quanto, muitas vezes, o ser humano é ignorante, insensato, cruel e hipócrita, porque se esquece com facilidade seus erros, seu passado, suas raízes e das boas atitudes alheias que já foram tomadas em relação a ele em momentos de dificuldade e aflição. Talvez você esteja aí pensando: "Ainda bem que eu não ajo dessa forma!", mas você consegue imaginar quantas vezes negou ajuda a alguém necessitado? Hoje mesmo você pode ter feito isso de várias formas: é aquele "bom dia" que você não respondeu, aquela Palavra que te veio ao coração e você não falou, aquela pessoa para quem você disse que ia orar e não orou, aquele pedido de desculpas que você não aceitou, aquele erro que você presenciou e não corrigiu, aquele ferido que você viu caído e não socorreu e também aquele devedor de quem você poderia ter perdoado a dívida e não perdoou. Se não vigiarmos, estamos negando pedidos de ajuda o tempo todo e, ao mesmo tempo, "louvando" a Deus sorridentemente achando que Ele está aplaudindo nossas atitudes.

Mateus 18:30 - "Ele, porém, não quis; antes, foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida."
    Essa negativa a um pedido de prorrogação do prazo para o pagamento da dívida, seguida da entrega à prisão vai muito além dos direitos civis, os quais ele podia usufruir livremente. Direitos legais não podem sobressair às nossas obrigações espirituais e morais; como pessoas justas e, acima de tudo, servos do Rei, devemos muitas vezes abrir mão de alguns direitos. Dar a outra face, deixar a capa e caminhar mais uma milha são preceitos que, ainda que figurados, ainda não foram e nunca serão abolidos do autêntico Evangelho; tudo é lícito, mas nem tudo convém; se o teu irmão se escandaliza pelo que você come, então não coma. Tais princípios permanecem em vigor, pois caracterizam a verdadeira Lei do Reino do qual somos súditos. Em outras palavras, muito se prega e mais ainda se cobra sobre o amor, mas quando se trata de vive-lo, muitos perdem suas máscaras revelando-se na práticas como inimigos da cruz de Cristo. Quantos você já encerrou na prisão hoje por achar que justiça se resume no seu próprio bem-estar?

Mateus 18:31 - "Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara."
    O interessante é que ele estava sendo observado, e certamente sabia disso; mas não se importava por achar que o povo consideraria justa aquela atitude. Muitas vezes, enganamos a nós mesmos com nossos falidos conceitos de justiça. Quem presenciou aquela barbárie logo tratou de comunicar o ocorrido ao rei. Como cristãos, que imagem estamos passando aos que nos observam? As pessoas não querem saber se a situação é humanamente justa ou não, o que elas esperam mesmo é ver alguma diferença em nós. O Evangelho que pregamos e os testemunhos do perdão divino que contamos devem se completar com as atitudes que tomamos, não em relação àqueles que são bons para conosco, mas para com aqueles que nos devem, nos ferem, nos maltratam de alguma forma ou simplesmente têm algo contra nós. Nosso testemunho prático pode tanto ganhar como também matar almas, e ainda salvar ou condenar a nós mesmos.

Mateus 18:32 - "Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste."
    Agora, lá vai ele de novo diante do rei. A posição do monarca era firme e não aceitava justificativas; ele próprio formulou a acusação chamando-o de malvado e lembrando do perdão que o mesmo havia suplicado e alcançado. É interessante frisar que mesmo assim ele o chamou de servo - servo malvado -; isso nos faz refletir que mesmo os que erram ainda podem ser chamados de servos do Rei, mas isso não significa que eles serão justificados, pois muitos naquele Dia vão dizer "Senhor, em seu nome, fiz isso, fiz aquilo", mas resposta que terão é "Apartai-vos de mim vós que praticais a iniquidade". O segredo não é ser servo, mas sim ser servo fiel; e o servo fiel perdoa, pois jamais esquece ou desconsidera o fato de que ele também já necessitou - e ainda pode necessitar - de perdão. Que testemunho o Rei daria agora de você se te levassem para acusá-lo diante dEle?

Mateus 18:33 - "Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?"
    O rei não se contentou em apenas dar o veredito final. Por seu justo caráter viu ele a necessidade de explicar o porquê de sua decisão, onde estava o erro do servo que se tornou réu. Ele mostrou que sua atitude anterior de perdoar a dívida de dez mil talentos deveria ter sido tomada como exemplo por ele. Quem narra essa parábola é aquEle mesmo que disse "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração"; mansidão e humildade não são das lições mais fáceis e agradáveis na Escola do Grande Mestre, mas se errar o resultado da equação "setenta vezes sete" não tem como passar na prova final e vai ficar retido num lugar nada agradável onde não tem recuperação. Você já parou pra pensar que muitos infortúnios que você passa podem ser resultados do veredito do Rei que não está muito contente com suas atitudes em relação ao próximo?

Mateus 18:34 - "E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. 
    Indignado. Assim se resumiu o estado do rei que cumpriu seu papel na execução da justiça. A ordem é que ele fosse entregue aos atormentadores até que pagasse tudo o que devia; será que ele suportou o tormento e conseguiu pagar a dívida? Espiritualmente, podemos interpretar essa sentença em dois sentidos: Primeiro, o Senhor permite que o inimigo nos cause vários tipos de tormento, levando-nos a sofrer ainda em vida para "pagarmos" por nossos erros e assim também reconhecermos nossos pecados e nos arrependermos deles; Segundo, Ele permite ao inimigo ceifar nossa vida levando-nos ao lugar de tormento eterno como castigo pelos nossos pecados devido ao fato de não termos nos arrependido deles, mas lá, por mais que soframos, o pagamento jamais vai resultar em liberdade. Então é melhor "pagarmos" para sermos livres do que pagarmos eternamente as consequências de uma vida de desobediência ao Rei. Como Ele ensina no versículo seguinte, perder a chance de ser perdoado é uma consequência por não perdoar as ofensas que se recebe: "Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas".

sábado, 10 de novembro de 2018

Parábola do Fariseu e o Publicano

Dádivas espirituais não são
bijuterias para serem expostas
em vitrines, pois nossa vida
com Deus é algo muito íntimo
e, quanto à exaltação, se não
vier dEle, não passa de
presunção maligna. A
justificação está na humildade.
Lucas 18:9-14

Lucas 18:9 - "E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:"
    Confiar em si mesmo: essa é a definição para quem confia em si mesmo, crê que é justo e despreza os outros. O foco do assunto do Mestre nessa parábola é a hipocrisia. A confiança em si próprio leva o homem a revelar seu caráter incrédulo; é como se Deus não agisse em sua vida por misericórdia, mas sim por resposta aos seus méritos. Crer que é justo por si só e não pela ação do Espírito Santo é outro fator que leva o homem a cometer o pecado da soberba. Da mesma forma, desprezar os outros por reparar em algumas falhas alheias é se colocar numa posição de superioridade como se somente os demais errassem. Uma das formas pelas quais podemos revelar o pior do que temos em nosso caráter é através da oração, pois a forma como oramos também demonstra se isso fazemos para nos aproximar de Deus ou para tentar convencer os outros de que estamos próximos de Deus.

Lucas 18:10 - "Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano."
    As orações no templo eram praticadas diariamente, as nove e as quinze horas (hora terceira e hora nona), pelos judeus da época. Os fariseus eram uma classe de pessoas conhecidas por serem separadas dos demais povos e até mesmo de muitos judeus, pois eles observavam à risca - pelo menos na aparência - os preceitos da Lei e discriminavam os que não procediam da mesma maneira. já os publicanos eram mal vistos porque, apesar de serem judeus, eram cobradores de impostos a serviço do governo romano; cobrar impostos para os colonizadores era considerado um ato de traição à nação dos hebreus, além do mais, muitos deles abusavam desse cargo de confiança cobrando mais do que o devido e se enriquecendo ilicitamente. Eram dois homens totalmente diferentes um do outro: um visto como digno de respeito por sua devoção religiosa e outro que podia praticamente ser chamado de ladrão.

Lucas 18:11 - "O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano."
    O fariseu orava de pé; nessa observação Jesus não estava condenando quem ora de pé, mas sim o motivo pelo qual ele fazia isso: queria ser visto orando; para a preservação de sua imagem de santidade, ele precisava disso. Ele orava em voz alta, o que também não é um ato condenável por si só, mas se o objetivo for apenas que os demais te ouçam orando, torna-se também um ato de hipocrisia. E o agravante maior está no conteúdo de sua oração: agradecia por não ser como os outros, ou seja, se considerava superior. Por ter viso o publicano ali, sentiu-se motivado a dizer - quem saber por indireta, isso é moda para alguns "crentes" - que não era roubador, injusto e nem adúltero. E, é claro, fez questão de dizer que não era igual àquele publicano, porque era assim que ele o via e o julgava. Como estamos tratando nossos irmãos? Será que não estamos procedendo dessa mesma maneira em nossas orações e até nas pregações?

Lucas 18:12 - "Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo."
    Exaltar a si próprio é outra característica de pessoas soberbas; elas se gloriam por suas boas atitudes como se essas os tornassem superiores, sendo que na verdade são apenas o cumprimento de sua obrigação como bom cidadãos ou servos de Deus, nada mais que isso. Jejuar não precisa necessariamente ser um ato secreto, mas não deve ser usado como uma razão de engrandecimento por quem o pratica; do mesmo modo, entregar dízimos ou ofertas nada mais é do que um ato de amor e gratidão pela Obra de Deus, e não uma compra de santidade, bênçãos ou algo semelhante. Nossas ações espirituais ou ministeriais são para nossa edificação pessoal e não para a nossa promoção diante do público, e tampouco para desmerecer aqueles que isso não fazem ou que julgamos não fazer simplesmente porque não demonstram.

Lucas 18:13 - "O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!"
    O publicano, muito provavelmente, deve até ter ouvido a "oração" do publicano, mas isso não tirou seu foco da presença de Deus; ele não usou tais ataques ou indiretas para se escandalizar, sair do templo, e culpar o "irmão" por seu afastamento; pelo contrário, ele se aproximou ainda mais do Senhor. Confessou suas falhas e foi bem simples e objetivo: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Confessar seus pecados e pedir misericórdia a Deus; essa é a atitude mais agradável diante dEle, pois com esse gesto admitimos o que somos: frágeis e incapacitados de nos regenerar por nós mesmos. Esse é o reconhecimento da dependência total de Deus. Como temos reagido diante da presunção e dos ataques alheios? Ainda que errem naquilo em que nos julguem, que tais críticas não sirvam para nos derrubar, mas para nos fazer rever certas atitudes e buscar forças nos braços do Pai.

Lucas 18:14 - "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado."
    O injusto se considera bom o suficiente e melhor que os demais, enquanto que o justo reconhece suas dificuldades e procura pela misericórdia do alto para poder prosseguir. Quem tem algo para mostrar, não precisa se esforçar para isso, pois a exaltação vem de Deus e é Ele que, de algum meio, se encarrega de nos honrar. A justificação não está na presunção que expõe nossos atos, mas no zelo em oculto, cujas consequências positivas são expostas em público por aquEle que tudo vê. Não precisamos ter preocupação quanto ao que temos ou não temos, pois o que é nosso está seguro, seja isso em relação a coisas materiais ou simplesmente status, pois a honra provém daquEle  que nos chamou, e Ele não se agrada nem um pouco de quando tentamos honrar a nós mesmos, principalmente se isso implica em inferiorizar alguém.