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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Por Que Jesus Fez Tanto Uso de Parábolas?

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Direcionar a mensagem à um
público específico de uma forma
simples e direta conforme eles
podiam entender com mais
facilidade, e também não ser
compreendido por aqueles que
não tinham o coração aberto
para recebê-lo; essas são as
razões pela qual Ele tanto fez
uso de parábolas.
Mateus 13:10-17

Mateus 13:10 - "E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?"
    Seus próprios discípulos não compreendiam não simplesmente as parábolas, mas também o porquê de Ele ensinar por meio delas. O questionamento “por que lhes fala por meio de parábolas”, na verdade, nada mais é do que apenas mais uma das várias demonstrações que vemos nos Evangelhos de que os homens que estavam ao seu lado não possuíam uma total sintonia com Ele, pois por repetidas vezes expressaram falta de fé para praticar o que lhes era ensinado pelo Mestre. Isso nos ensina que “andar com Jesus” não significa sempre compreender suas ações e, principalmente, repeti-las; dessa forma também compreendemos que a Igreja vive em constante busca de perfeição: sempre há algo a aprender e colocar em prática na nossa vida.

Mateus 13:11 - "Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;"
    Porém, mesmo que não compreendessem as parábolas em si, tinham seus discípulos o privilégio de receber diretamente do Mestre uma explicação sobre seu significado. Além da ministração ao povo, Ele concedia aos homens que andavam com Ele um ensinamento em particular e lhes deixava claro que eles recebiam algo a mais de sua parte. Isso os colocava em um diferente nível, uma hierarquia superior. Eles precisavam compreender que recebiam mais do que aquelas multidões que os cercavam por onde passavam. O que se pode compreender disso é que crentes que possuem chamado e exercem funções de liderança têm por obrigação buscar mais, porque a eles isso lhes é oferecido. Conforme o Senhor aumenta o peso sobre nossos ombros, também mais nos fortalece para suportar.

Mateus 13:12 - "porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado."
    Por um momento, essa declaração de Jesus talvez lhes tenha enchido de orgulho, no entanto, seu objetivo não era levantar o ego deles, mas sim lhes mostrar a grande responsabilidade que estava em suas mãos, a qual trazia consigo dificuldades e perigos. Possuir dons espirituais e cargos ministeriais, embora não deixe de ser uma situação honrosa, mais do que status consiste em uma temorosa missão a ser cumprida, da qual dependem vidas de não-crentes a serem alcançadas e de crentes a serem edificadas. A expressão “aquele que não tem, até o que tem será tirado”, significa que aqueles que se aproximam dEle, quanto mais buscam, mais alcançam, ao passo que aqueles que, mesmo estando próximo, pouco buscam, pouco alcançam e, com o passar do tempo, vão perdendo até o que conquistaram.

Mateus 13:13 - "Por isso, lhes falo por parábolas, porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem."
    No meio de sua imensa plateia não havia apenas fiéis que o ouviam por amor com vontade de aprender o que era necessário para servir a Deus e alcançar o Reino dos céus; muitos ali infiltrados eram pessoas descritas como escribas, fariseus, mestres da lei e sacerdotes entre outros, cujo objetivo era pegar em suas palavras algo que pudessem testemunhar contra Ele em julgamento. Sabendo disso, Ele direcionava suas mensagens focado na mente daqueles que estavam ali de coração puro realmente querendo absolver seus ensinamentos. Com sua incomparável sabedoria Ele conseguia falar diante dos inimigos de modo que estes não entendiam e, muito provavelmente, o tinham apenas como um simples contador de histórias aparentemente sem sentido. Isso não significa que Jesus tinha medo deles, mas que precisava se resguardar, pois ainda não havia chegado seu momento de ser preso.

Mateus 13:14 - "E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis e, vendo, vereis, mas não percebereis."
    A mensagem de Cristo era direcionada à um público específico: aqueles que o aceitavam verdadeiramente como o Salvador, o esperado Messias mencionado pelos profetas. Os que mantinham o coração duro, fechado para ouvir sua voz e o receber como Rei, não tinham que entender o que Ele estava ensinando acerca do Reino. O profeta Isaías já havia falado sobre isso, conforme podemos conferir em Isaías 6:9: “Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis”. A realidade da igreja atual não é diferente, pois muitos estão dentro de uma congregação por várias razões, muitas vezes, longe de ouvir, compreender e aceitar a vontade de Deus; quanto mais fecham seu coração, mas seu entendimento se embaraça na captação das mensagens pregadas.

Mateus 13:15 - "Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviu de mau grado com seus ouvidos e fechou os olhos, para que não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e compreenda com o coração, e se converta, e eu o cure."
    Conforme vemos em Isaías 6:11, a profecia continuou falando duramente contra eles: “Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; não venha ele a ver com os seus olhos, e a ouvir com os seus ouvidos, e a entender com o seu coração, e a converter-se, e a ser sarado”; isso nos leva a entender também que não se tratava apenas de homens de poder social que se sentiam politicamente ameaçados por Jesus, mas também que entre a camada mais baixa da população - o povo - haviam pessoas que, por motivos diversos, tinham seu coração endurecido para a pregação do Evangelho. Tal endurecimento causava um afastamento tão grande entre eles e Deus que chegava a provocar a ira do Todo-Poderoso a ponto de que Ele próprio não queria que eles, ouvindo a mensagem, a compreendessem e se convertessem. O que nossas atitudes ou pensamentos estão provocando no coração de Deus?

Mateus 13:16 - "Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem."
    Em contrapartida, bendizia Ele os que o ouviam de bom grado chamando-os de bem-aventurados. A boa recepção à mensagem do Evangelho e às Escrituras Sagradas como um todo, nos levam a uma maior comunhão com o Senhor, pois à medida que o alegramos com atitudes que o agradem, Ele também nos alegra, permitindo ou proporcionando-nos uma vida agradável, na qual, mesmo em meio a muitas aflições e lutas, ainda conseguimos encontrar uma paz que, aos olhos humanos, é simplesmente inexplicável. Eles foram chamados de bem-aventurados por presenciarem e viverem aquele tão maravilhoso momento, dando-lhe seu devido valor; isso significa que valorizando o que o Senhor nos proporciona podemos obter plena paz em nossa vida; somente a esperança da vida eterna já é motivo mais que suficiente para isso.

Mateus 13:17 - "Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não o viram, e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram."
    Estar ao lado do Messias, ou simplesmente ouvi-lo ou vê-lo, ainda que de longe era um tão grande privilégio que os que viveram antes daquele tempo desejaram isso, mas não puderam alcançar; porém, nem todos que ali estavam valorizavam de fato essa tão rica e única oportunidade. Tal situação nos ensina que o lugar que ocupamos, tanto espiritual como ministerialmente, tem um tão inestimável valor, o qual, se conhecêssemos de fato, valorizaríamos muito mais do que temos valorizado. Muitas vezes, nossas limitações não nos permitem compreender que temos em nós o Espírito do Deus Vivo: Criador e Sustentador do universo; Ele próprio em contato com nós, nos guardando e orientando a cada momento de nossa vida.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Que é Uma Parábola?


Marcos 4:34 - “E sem parábolas nunca lhes falava, porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.”


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Desenvolver métodos de ensino
eficientes é o papel de qualquer
mestre que se preze, e não
poderia ser diferente com o
Mestre dos Mestres; Jesus nos
dá um perfeito exemplo de
como a aplicação de um bom
método didático surte efeitos
positivos em nossos discursos.
    A parábola é o principal método didático aplicado nos ensinos de Jesus; tanto que Ele não falava de forma direta, mas sempre por meio desse recurso e, posteriormente, explicando em particular àqueles que mais próximos eram dEle. Pelos registros contidos nos Evangelhos sinóticos - o que não inclui o Evangelho escrito por João -, podemos comprovar que, em seu ministério terreno, Ele fez uso de pelo menos quarenta e quatro delas (possivelmente Ele contou outras que não foram registradas nas Escrituras). Entende-las exige além de raciocínio, um coração espiritualmente aberto, e nem todos alcançam esse privilégio. Sendo Ele nosso exemplo maior de sabedoria, dessa forma nos ensina também a eficácia desse método de ensino pois ele aborda exemplos cotidianos e simples para os ouvintes, assim explicando questões mais complexas acerca do assunto em questão. O Antigo Testamento possui dez parábolas.

    A palavra parábola em hebraico é mashal tendo, muitas vezes, o significado de provérbio, analogia, enigma, discurso, poema, conto, símile, ditos populares e coisas do tipo. Por toda a Bíblia, dependendo da tradução, ela é mencionada 45 vezes, sendo 14 no Antigo e 31 no Novo Testamento. Em grego, seu termo original é parabolé, que significa “por ao lado de” expressando uma comparação. Jesus foi que mais fez uso de linguagens figuradas para atingir seus propósitos no que se referia a atingir a mente do público ouvinte. Prender a atenção dos mais variados tipos de pessoas levando todos ao entendimento de acordo com a necessidade nunca foi tarefa para qualquer um; no entanto, Ele nos ensinou que isso é possível.

    Em nossa linguagem comum da atualidade, a melhor forma de definir o significado de uma parábola é como ilustração: um dos recursos didáticos mais usados pelos mais conceituados oradores de nosso tempo. Parábolas, geralmente, são histórias curtas e elaboradas de forma simples e bastante objetiva. A mente humana possui muito mais facilidade de captação e assimilação de qualquer tipo de uma mensagem quando a mesma é apresentada com comparações; desde os primeiros anos do ensino fundamental, os educadores exploram persistentemente o método ilustrativo, pois sabem que é muito mais fácil a criança entender uma estória do que memorizar intermináveis explicações teóricas. Seguindo o exemplo do Grande Mestre, precisamos falar de uma forma que todos possam compreender (Mc 4:33).

    Diferenciar entre os diversos tipos de figuras de linguagem não é uma tarefa muito simples, pois, à primeira vista, todas são bastante semelhantes. Segue abaixo uma lista com o significado de algumas delas:
Metáfora: Quando algo ou alguém é considerado como um outro.
Exemplo: (Jo 10:14) “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”. Literalmente, Jesus não é um pastor e nem seus seguidores ovelhas, mas essa forma de expressão representa de que forma devemos imaginá-lo e agir em relação a Ele.

Metonímia: Quando algo ou alguém é considerado como um outro por ter alguma relação com o mesmo.
Exemplo: (Lc 16:29b) “Eles têm Moisés e os Profetas”. Quando Jesus proferiu essa parábola, Moisés e os profetas já eram mortos; com isso, Ele simplesmente se referia a todos os demais que pregavam a Palavra ensinada por Moisés e pelos profetas.

Hipérbole: Usar termos que aumentam ou diminuem exageradamente a situação real.
Exemplo: (Sl 22:14) “...Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera e derreteu-se dentro de mim”. É óbvio que um ser humano não pode se derramar como água, nem os seus ossos se desconjuntares ou mesmo seu coração se derreter como cera dentro do corpo simplesmente pelo seu estado de tristeza, mas essa foi uma maneira, ainda que exagerada, encontrada pelo salmista para expressar a tão terrível angústia que estava sentindo.

Ironia: Falar em sentido contrário àquilo que realmente se quer dizer.
Exemplo: (Gn 3:22a) “Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal”. Logicamente, o homem jamais será exatamente igual a Deus; mas, com isso, Ele apenas quis dizer que por ter comido do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, o ser humano passaria a ter um conhecimento a mais, o qual era proibido à ele, sendo isso um privilégio que somente os seres celestiais tinham acesso.

Antropomorfismo: Atribuir sentidos ou atitudes humanas a Deus.
Exemplo: (Lv 1:9c) “... holocausto é, oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor”. Deus não iria literalmente cheirar o sacrifício; essa afirmação apenas demonstra que Ele ficaria satisfeito se esse ritual lhe fosse oferecido de forma correta e sincera.

Tipo: Qualquer cerimônia, objeto ou pessoa que se refira a algum evento futuro.
Exemplo: (Jo 3:14) “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado”. A serpente de metal colocada sobre uma haste, para a qual as pessoas picadas por cobras olhavam e não morriam pelos efeitos do seu veneno, foi uma das tipificações que demonstravam profeticamente a missão do Messias: salvar os pecadores que cressem nEle, assim neutralizando o efeito mortal - a condenação eterna - causado pelo pecado.

Símbolo: Objeto que representa algo com sentido espiritual.
Exemplo: (Gn 9:11-13) “...E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra. E disse Deus: Este é o sinal do concerto que ponho entre mim e vós e entre toda alma vivente, que está convosco, por gerações eternas. O meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre mim e a terra...”. Após o dilúvio, apareceu um arco-íris simbolizando um pacto entre Deus e o homem como garantia de que o Senhor não mais mandaria o dilúvio para destruir a terra.

Alegoria: A utilização de um fato verídico como profecia de um acontecimento futuro.
Exemplo: (Gl 4:21-31) “Dizei-me vós, os que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre, por promessa, o que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos: um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós; porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz, esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque. Mas, como, então, aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o Espírito, assim é também, agora. Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque, de modo algum, o filho da escrava herdará com o filho da livre. De maneira que, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre”. Esse é um exemplo de como Deus usou a história do nascimento de Ismael e Isaque, os dois filhos de Abraão, para mostrar o que aconteceria com o povo de Israel.

    É necessário destacar também a diferença entre parábolas e mitos. Nas parábolas, ainda que a história em si não seja real, seu conteúdo não é fantasioso, ou seja, é totalmente possível de acontecer na realidade. Nos mitos, além de sua história não ser real, seu conteúdo é fantasioso, impossível de acontecer na realidade; resumindo: tudo que se refere a mito é uma completa mentira. Jesus foi um grande contador de história, no entanto, suas histórias não eram infundadas e sem sentido, pois tinham objetivo didático servindo para clarear o entendimento daqueles a quem Ele queria atingir com seus discursos. Assemelhar o Reino de Deus à um grão de mostarda para explicar seu crescimento é um grande exemplo de sua habilidade oratória, pois a mostarda era uma hortaliça bastante conhecida na época (Mc 4:31,32).

    Como já foi dito aqui, entre os seguidores de Jesus não haviam apenas admiradores, mas também opositores. Sua mensagem era de paz, porém seu título, ainda que não oficial, era de rei. A afirmação de ser o Messias trazia um desconforto político entre os nobres da época e representava uma ameaça ao governo romano. Assim sendo, pelo menos duas razões tinha Ele para não querer que suas mensagens de salvação não fossem entendidas por todos: as ameaças e a dureza do coração de muitas pessoas. 

    Ser o alvo direto das mensagens divinas é um privilégio de valor incalculável. Enquanto muitos não entendem porque não o buscam verdadeiramente, você receber dEle algo de forma que Ele faz questão que você entenda, embora não te torne melhor que os demais, te diferencia te proporcionando uma posição de servo mensageiro, a qual não é dispensada a todos que o seguem ou creem nEle. Porém, do mesmo modo que te coloca em um alto patamar, receber algo a mais do Senhor, aumenta sua responsabilidade e cobrança diante dEle (Mc 4:11-13).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Pedis e Não Recebeis, Porque Pedis Mal"

Não que seja errado orar por nossas
necessidades, sonhos ou desejos,
mas um dos fatores que definem
a resposta positiva de Deus a
uma oração é a intenção do nosso
coração. Por essa razão, a primeira
coisa que devemos pedir é que Ele
guie nossa vontade de acordo com
a vontade dEle. Isso evita muito
sofrimento.
Tiago 4:3a - “Pedis e não recebeis, porque pedis mal [...]”
    Esse versículo tem rendido verdadeiras pérolas no meio gospel: há quem diga que a pessoa não tem suas orações atendidas porque não ora ajoelhado e em voz alta (1º Sm 1:13); porque ora em voz alta, o Diabo escuta e impede a bênção (Is 43:12,13); porque pede para Jesus ou para o Espírito Santo sendo que tem que pedir para Deus com a ajuda do Espírito Santo e em nome de Jesus - em regra, sim, mas não significa que não possa haver exceções - (At 7:59); porque esquece de dizer “amém” no final da oração (Rm 14:5,6); ou até mesmo porque quando está pedindo não especifica detalhes como a cor, marca, modelo, formato e tamanho daquilo que está pedindo (Tg 4:13-16) e, ainda pior, porque na oração diz para Deus fazer a vontade dEle, aí Ele não dá mesmo porque isso é falta de determinação (Mt 26:39). Seja por ingenuidade ou segundas intenções, quem manipula as Escrituras dessa forma precisa ser refutado para o bem dos que o ouvem e dele próprio que está caminhando para o abismo.
    Quando falava que muitos pedem e não recebem porque pedem mal, ele não se referia a regras a serem aplicadas na oração, mas sim à situação da pessoa que está orando e ao motivo do seu pedido (Tg 1:1,2). Ele deixa claro que a intenção da pessoa, para ser atendida, tem que ser boa (Tg 1:3); na sequência, ele continua falando de um povo que clamava a Deus, mas suas atitudes eram condizentes com o mundo pecaminoso (Tg 1:5-10). Quanto às regras, é claro que existe sim uma postura quando nos colocamos a falar com Deus, porém isso é apenas uma questão de prudência e reverência e não um fator determinante para garantir uma resposta positiva dEle. O que define o êxito de uma oração é a fé (Mt 8:25,26), a santidade (Jo 9:31) e, acima de tudo, o propósito divino (Is 14:27). O que o crente precisa saber é se seu pedido condiz com a vontade de Deus; para isso é preciso pedir que o Senhor guie seu coração, confirmando ou fazendo-o perder aquele desejo caso aquilo não seja para ele; pois muitas vezes somos traídos pelo nosso coração (Jr 17:9,10).

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

“Deus Não Habita em Templos Feitos Por Mãos de Homens”

Não saber diferenciar entre templo
como casa de Deus e como local de
ajuntamento daqueles que o
adoram, tem sido a causa de
grandes confusões alimentadas por
aqueles que não querem ter
compromisso com a Obra do Senhor
formalizada como instituição na terra
pela Igreja.
Atos 7:48 - “mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens [...].”
    Uma leitura isolada desse versículo é o que tem feito muitos acharem que não precisam ou não devem frequentar um templo porque Deus não está lá. Mas lendo todo o texto - a última pregação de Estevão, pela qual foi apedrejado - vemos que ele está falando em sentido espiritual e não físico, pois Deus é Espírito e é onipresente; dessa forma ele não precisa de um lugar para morar, mas está em todos os lugares ao mesmo tempo. Paulo enfrentou situação parecida explicando aos atenienses que o templo ou imagens não deviam ser idolatradas (At 17:22-26).
    Estevão falava da rebeldia de Israel no deserto (At 7:38-46), então disse que o Altíssimo não habita em templos - ou casas - feitos por homens: declaração semelhante à que Salomão fez em sua oração pelo templo (1º Rs 8:27), enfatizando também o que falou Isaías (At 7:49,50; Is 66:1,2). Continuando sua mensagem repreensiva, diz que o povo sempre resistiu ao Espírito Santo (At 7:51); assim estava dizendo que iam ao templo cumprir formalidades, mas não adoravam verdadeiramente (Mc 7:5-9) e nem eram fiéis, porque sempre perseguiram e mataram os profetas (At 7:52,53). Não preciso nem dizer o que aconteceu com Estevão depois dessa pregação “sem unção”...  Concluindo, ele não estava pregando contra a existência de templos, e sim ensinando que templos não são um lugar específico aonde Deus está (Jo 4:21-24; Mc 13:1,2). Isso significa que não temos que frequentá-los? Não! Ao contrário! Eles são o lugar em que nos reunimos para adorar e aprender a Palavra (1ª Co 14:26); não posso dizer que amo ao Senhor se não consigo servi-lo junto com meus irmãos (1ª Jo 4:20,21). E aquele negócio de “a Igreja sou eu”? Isso é só mais um modismo Gospel, pois a Bíblia diz que somos membros de um Corpo e não o Corpo: a Igreja somos nós (Rm 12:4,5; 1ª Co 12:12-28)! Ser templo do Espírito Santo (1ª Co 6:19; 2ª Co 6:16) não é ser Igreja sozinho e sim ter o Espírito Santo em nós (Ef 5:18-21).

terça-feira, 29 de novembro de 2016

“Vós Tendes a Unção do Santo e Sabeis Tudo”

Recusa de conhecimento bíblico
não é sinal de unção espiritual,
mas sim de negligência e
desrespeito à Palavra daquEle a
quem se diz acreditar, amar,
adorar e respeitar.
1ª João 2:20 - “E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo.”
    A leitura superficial desse versículo é mais um prato cheio para quem não gosta de estudos bíblicos. Mas, calma! Antes de rasgar os livros teológicos, as revistas da EBD e talvez até a própria Bíblia, vamos conversar porque existe uma boa explicação para isso! Antes da explicação, vale lembrar a importância daquela regrinha básica: O contexto fala de quê? Por quê? Pra quem? Essas são apenas as principais perguntas que se deve fazer antes de uma interpretação de texto.
    O assunto desse capítulo da epístola trata de pecado e obediência aos mandamentos. Nesse ponto, o apóstolo João começa a alertar contra os falsos mestres, classificando-os como anticristos, os quais até chegaram a fazer parte da Igreja, mas não permaneceram nela (1ª Jo 2:18,19). O Santo que ele menciona é o próprio Espírito Santo - letra “S” maiúscula - (1ª Jo 2:20; Jo 14:26) e as expressões “unção” e “sabeis tudo” se referem ao dom do discernimento de espíritos (1ª Co 12:10c); tal exortação era apenas o reforço de uma informação que os crentes já tinham (1ª Jo 2:21; Rm 10:9); porque muitos falsos pregadores diziam que Jesus não era o Messias, então o alerta era para que os irmãos não caíssem em dúvida do conhecimento que haviam recebido como base de sua fé na promessa da salvação (1ª Jo 2:22-26; 1ª Jo 4:3; 2ª Jo 1:7-10); pois o ensinamento e a pregação da Palavra transmitem ao ouvinte que verdadeiramente a recebe uma testificação do próprio Espírito Santo que não o permite ser enganado (1ª Jo 2:27; At 5:3); a ordem era para que não dessem ouvidos a falsos ensinamentos não sendo assim condenados no dia da vinda do Senhor (1ª Jo 2:28,29; 1ª Jo 3:23). Dessa maneira, entendemos que quando ele diz que “não é necessário que ninguém vos ensine” está falando sobre discernimento espiritual: aquilo que o crente sente em seu coração e consegue diferenciar entre a verdade e a mentira (1ª Jo 3:23,24; 1ª Jo 4:1,2). Assim sendo, não se trata de uma proibição da busca por conhecimento (Os 4:6; Tg 1:5; Mc 12:24). 

“A Letra Mata”

Confundir a letra da Lei com a
letra da Bíblia é o que tem
mantido muitos cristãos na
escuridão da ignorância, assim
levando muitas pessoas à
prática de heresias que apenas
escandalizam o Evangelho. A
Palavra de Deus não mata
ninguém; o que mata mesmo é
a falta de conhecimento sobre
ela.
2ª Coríntios 3:6 - “o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica.”
    Esse merece estar no topo da lista dos versículos mal interpretados; pois a partir do pensamento de que estudar a Bíblia leva à morte espiritual, outros versículos acabam também sendo mal interpretados. O não entendimento desse texto leva muitos a encarar a Teologia e até mesmo a Escola Bíblica Dominical como coisa desnecessária ou perigosa, pois estariam supervalorizando o conhecimento humano e diminuindo a “unção espiritual”. Quanta hipocrisia e ingenuidade! Se essas mesmas pessoas ouviram falar sobre Deus, Jesus e o Espírito Santo e agora são cristãs é porque alguém que estudou a Bíblia levou esse conhecimento à elas.
    Para entender o que significa “a letra mata” é preciso ler o contexto. Aqui Paulo ensinava a Igreja sobre a necessidade de que os judeus convertidos ao cristianismo se desprendessem da antiga Lei Mosaica (2ª Co 3:1-5); essa é a letra a que ele se refere - a Lei foi entregue à Moisés em letras gravadas em pedras -, ela foi dada para punir pecados enquanto que a Graça - o Espírito Santo - veio para dar vida (2ª Co 3:6; Gl 3:21-23); a Lei, embora manifestada gloriosamente, era transitória (2ª Co 3:7; Êx 34:28-35); a Graça, além de gloriosa, é permanente (2ª Co 3:8; Mt 28:18-20), e em vez de apenas apontar o pecado, oferece oportunidade de salvação (2ª Co 3:9; 2ª Co 4:16-18); não se pode comparar a antiga com a nova Aliança (2ª Co 3:10; Hb 7:11,12); os rituais feitos por sacerdotes humanos não eram perfeitos, mas o de Cristo tem poder para dar vida eterna (2ª Co 3:11; Hb 10:15-18); o Evangelho veio para resgatar e transformar vidas que pelos sacrifícios da Lei não podiam ser libertos da condenação (2ª Co 3:12-18; Hb 10:19-23). Resumindo, a expressão “a letra mata” é uma advertência aos legalistas presos às tradições religiosas e não uma ordem para não estudarmos as Escrituras Sagradas, as quais existem para a nossa vivificação espiritual (Jo 5:39; Mt 22:29; 2ª Tm 3:14-17; At 8:30,31).

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

“O Dinheiro é a Raiz de Todos os Males”

As armadilhas que podem nos
matar tanto material quanto
espiritualmente não estão no
que temos, mas sim na forma
como usamos o que temos; o
dinheiro em si não é um mal,
porém o amor a ele revela
toda a maldade existente no
coração daquele que se faz
dependente dele.
1ª Tm 6:10a - “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males [...]”
    Interpretação exige atenção e senso crítico: quem tem atenção percebe que o texto diz que o problema não está no dinheiro, mas no amor a ele, e o senso crítico serve para a pessoa não aceitar tudo o que ouve costumeiramente sem verificar se realmente está escrito dessa forma. O equívoco no entendimento em relação a esse versículo tem causado uma verdadeira demonização da imagem do dinheiro; é como se ser bem-sucedido financeiramente fosse pecado. Mas nem é preciso ser muito inteligente para perceber que o pecado está no apego às coisas materiais.
    Nessa carta, entre vários outros assuntos, era tratada a questão da ganância e da preocupação com as coisas terrenas, questão essa sobre a qual ele advertia que o maior lucro do questão é a prática verdadeira da religião: a piedade, ou seja, a prática do amor (1ª Tm 6:6; Tg 1:26,27); as coisas dessa vida são passageiras (1ª Tm 6:7; Sl 49:16,17); o Senhor provê o necessário para a nossa vida (1ª Tm 6:8; Mt 6:30-32); a cobiça leva à perdição da alma (1ª Tm 6:9; Lc 12:16-21); e essa perdição inclui muito sofrimento também aqui na terra (1ª Tm 6:10; Pr 1:18,19); por isso os crentes são orientados a manterem-se longe de desejos que os impeçam de priorizar as coisas espirituais (1ª Tm 6:11; Mt 6:19-21); exercendo seu chamado visando a vida eterna (1ª Tm 6:12; Mt 19:16-24). É também necessário esclarecer que as riquezas não são um mal por si só, pois, sendo bem aplicadas tornam-se bênçãos tanto para os que as possuem quanto para o seu próximo (Sl 37:25,26). Entretanto, aqueles que vivem apenas focados nelas tornam-se avarentos, egoístas, orgulhosos e autoconfiantes a tal ponto de achar que não devem confiar ou não precisam depender de Deus (Pr 30:8,9). Os males que temos presenciado na sociedade atual - inclusive na igreja - comprovam o que diz a Bíblia, pois, de uma forma ou de outra, sua raiz está no amor existente pelo passageiro conforto causado pela conquista do dinheiro (Mt 26:14,15; 27:3-5).

“Deus Cegou a Mente dos Incrédulos”

Permissão de Deus não significa
vontade de Deus. As ações
malignas que afastam o homem
do Senhor são resultado do
próprio pecado humano, do qual
Deus, por meio da sua Graça, dá
uma oportunidade de restauração
por meio do arrependimento.
2ª Coríntios 4:4a - “[...] nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos [...]”
    Há quem diga que Deus cegou a mente dos incrédulos, no entanto, se observarmos mais atentamente o texto perceberemos que a palavra “deus” está escrita com “d” minúsculo e seguida do termo deste século, o que se refere a algo ou criatura comum considerada, literal ou figuradamente, como um deus. Em outras palavras, o texto não afirma que foi Deus - Jeová - quem cegou a mente dos incrédulos, mas sim que Ele apenas permitiu que aqueles que não creem nEle ou não o obedecem sejam enganados pelas suas próprias crenças.
    Um dos maiores problemas sempre foi a existência de falsos pregadores que confundem a mente dos ouvintes. Por essa razão, o apóstolo Paulo relata que aqueles a quem foi confiada a missão de anunciar a Graça de Deus devem fazer isso com grande responsabilidade (2ª Co 4:1; Dt 18:20; Jr 14:14-16); exortando quanto à importância de se rejeitar tudo o que contrarie a Palavra de Deus e tomar como exemplo de conduta os que a pregam verdadeiramente (2ª Co 4:2; 2ª Co 2:17); alertando ainda que nem todos os que ouvem dão crédito à Palavra (2ª Co 4:3; 1ª Co 1:18); dessa forma ele declara que o deus desse século - Satanás, o deus desse mundo (1ª Jo 5:19) - tem mantido muitas pessoas em escuridão espiritual para não enxergarem a luz da salvação para que não creiam em Deus ou em seu poder e sua misericórdia (2ª Co 4:4; Ef 2:1-3); fazendo com que elas não aceitem nada que se fale sobre renúncia contra o pecado (2ª Co 4:5; 2ª Tm 4:1-4); pois o autêntico Evangelho diminui o homem e glorifica a Cristo (2ª Co 4:6; Jo 3:30); colocando-o em condição de servo: frágil e dependente do seu Senhor (2ª Co 4:7; 12:7-10). É óbvio que o inimigo apenas consegue prender suas vítimas sob permissão divina (Jó 1:12; 2:6; Lc 22:31,32), porém, isso não significa que, levadas pelo arrependimento, as mesmas não possam alcançar o seu maravilhoso amor (At 3:19; Jo 3:16).

sábado, 26 de novembro de 2016

“Onde Está o Espírito do Senhor, Aí Há Liberdade”

Liberdade no Espírito Santo não
é fazer o que quer como um
filho mimado que sempre vai
ter seus pais para defende-lo
independentemente do que
tenha feito; essa liberdade
consiste em estar livre da
condenação do mundo desde
que esteja em obediência aos
mandamentos divinos.
2ª Coríntios 3:17b - “[...] onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.”
    Qual é a liberdade mencionada nesse texto? Muitos o usam para justificar seus atos de libertinagem, fraquezas, rebeldia e exageros naquilo que chamam de adoração. A pregação de um “evangelho anêmico” tem debilitado a saúde espiritual de várias pessoas que, sob o pretexto de liberdade, usando o título de cristãs, levam uma vida sem renúncia ao pecado pregando um inclusivismo sem transformação, um amor cego em cumplicidade com a iniquidade, uma compreensão desequilibrada que negligencia sua obrigação de corrigir qualquer tipo de erro, uma postura de condenadores contra aqueles que pregam a obediência ao verdadeiro Evangelho, e a mistura irracional de costumes nada sagradas ao culto prestado. Vejamos então o que é a real liberdade ensinada na Bíblia.
    O contexto desse capítulo fala sobre o modo de vida do cristão abordando seu testemunho dentro e fora da igreja (1ª Co 3:1-5); seu objetivo, na época, era mostrar aos judeus convertidos que, com o sacrifício de Cristo, a Lei que tinha a função de condenar havia passado a dar lugar à maravilhosa Graça divina (2ª Co 3:6-11); eles não mais estavam sob o véu da Lei que servia para “cobrir” a glória de Deus, pois agora o Espírito Santo está acessível aos que reconheceram Cristo como seu Salvador (2ª Co 3:12-18). Muitos haviam aderido ao Evangelho, mas não tinham perdido os antigos costumes, ou sejam, estavam presos à antiga Lei; não haviam compreendido o porquê do sacrifício na cruz. Porém, a ideia de liberdade causava neles uma certa confusão, tanto que, em outros pontos, as Escrituras alertam que nem tudo convém ao crente (1ª Co 6:12; 10:23), o qual não deve usar de sua liberdade para fazer tudo o que acha que é certo (Gl 5:13,16). Ser livre em Cristo não é estar livre de regras ou obrigações (Gl 5:16-26), mas sim não estar preso à rituais exigidos para a salvação (Hb 10:1-6) e nem à perdição do pecado (Rm 6:17,18; Ef 2:1-3,13).

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

“Comuniqueis aos Santos as Vossas Necessidades”

Não é proibido ao crente pedir
ajuda em caso de necessidade;
porém, é obrigação da própria
Igreja - principalmente sua
liderança - é estar atenta e
prestar assistência social aos
necessitados que fazem parte
de sua congregação.
Rm 12:13a - “Comunicai com os santos nas suas necessidades [...]”
    Aparentemente essa é uma recomendação para que o crente comunique à Igreja quando estiver passando por necessidade financeira, mas em uma análise mais atenta da frase é possível perceber que se trata de uma advertência à Igreja - ­mais diretamente à sua liderança - para observar os necessitados na congregação e ajuda-los. O termo “comunicai”, usado nas traduções mais comuns, expressa a ideia de contato com os mesmos em seus momentos de dificuldades. De fato, a língua portuguesa parece ser um pouco confusa, principalmente porque com o passar do tempo certos termos vão se tornando fora de uso como, por exemplo, a expressão aqui usada “suas necessidades” que, em linguagem normal diríamos simplesmente “as necessidades deles”. No entanto nenhuma versão bíblica usa o termo “vossas necessidades”; por isso é importante estudar usando várias versões e ter atenção à sua forma de escrita. Vejamos esse versículo em algumas versões diferentes: Nova Tradução na Linguagem de Hoje - Repartam com os irmãos necessitados o que vocês têm -; Revista e Atualizada - Compartilhai as necessidades dos santos -; Tradução Livre do Grego - Acudi aos santos nas suas necessidades -; Nova Bíblia Viva - Quando os filhos de Deus estiverem em necessidades sejam vocês os primeiros a ajudá-los -; Nova Versão Internacional - Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades -.
    Então não podemos pedir ajuda à Igreja? Não! Não se trata de uma proibição de pedir ajuda! Aliás, os crentes têm todo o direito de buscar auxílio em sua congregação - principalmente os envolvidos na Obra - (1ª Co 9:10-14). Mas o texto em questão é uma exortação à igreja quanto aos seus deveres tanto na prestação do culto como no uso dos dons espirituais (Rm 12:1,4,5), e também no cuidado para com os irmãos carentes (Rm 12:9,10). A atenção à assistência social é um dever da administração ministerial (At 6:2,3) já previsto desde a lei mosaica (Dt 24:14-22). Líderes atentos a essa causa não esperam seus liderados pedirem ajuda, pois eles mesmos procuram, identificam e resolvem o problema (2ª Co 9:1,2).

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

“Seja Este Tal Entregue à Satanás”

Deixar uma pessoa entregue ao
próprio pecado não é falta de
amor, mas sim uma forma de
preservar a imagem da Igreja
de escândalos e o próprio
pecador de se manter iludido
com um nome de crente sem
estar realmente servindo a
Deus.
1ª Coríntios 5:5 - “Seja o tal entregue a Satanás, para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor.”
    Esse é um dos desafios maiores para a liderança ministerial e para outros, um pretexto para não perdoar que cai em pecado. A primeira coisa que devemos entender é em que situação se enquadra esse texto, ou seja, o seu contexto. Lendo, podemos ver que se trata de punir alguém que estava praticando imoralidade sexual. Então analisemos detalhadamente.
    A crise estava tão séria que ocorriam atos sexuais tão imorais que nem mesmo entre os incrédulos eram considerados normais, inclusive o fato de um homem que mantinha relações com sua própria madrasta (1ª Co 5:1); ato esse repudiado por Deus (Lv 20:11,12). Os crentes estavam tão despreocupados que achavam isso como normal (1ª Co 5:2-4); só que o pecado nunca deve ser visto como normal (1ª Jo 5:16,17). Então o apóstolo ordenou que ele fosse entregue à Satanás para destruição da carne, para que o espírito fosse salvo (1ª Co 5:5); isso significa não considera-lo como irmão, mas como pecador, deixando-o afundar naquela situação até que reconhecesse seu erro (Sl 51:1-11), pois o problema do grande “amor” da Igreja é aceitar o ímpio com sua impiedade, fazendo-o pensar que está sendo aceito por Deus dessa forma (Rm 8:13,14). Por isso ele exorta os irmãos a terem cuidado com o tipo de gente que recebem como membros (1ª Co 5:6-8) em vez de corrigi-los mostrando-lhes o que é preciso para servir a Cristo (1ª Jo 5:3,4). Então Paulo explica que não se deve aceitar o pecado por parte daqueles que se dizem crentes, mas deixa claro que há diferença quanto aos que estão assumidamente no mundo (1ª Co 5:9-12), então isso não tira nossa responsabilidade de pregar para os de fora (Lc 24:46,47). Resumindo, deixar o falso crente “nas mãos de Satanás” é dizer para ele se converter ou se assumir de vez (1ª Co 5:13). Optando pela segunda alternativa, depois de sofrer as consequências do pecado ele pode se arrepender e voltar (Lc 15:21); porém, isso não vai acontecer se ele for bem aceito pecando dentro da igreja.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

“Devemos Suportar as Fraquezas dos Fracos”

O que um fraco precisa é
de força. Espiritualmente
falando, dar essa força não
significa tratá-lo como um
coitadinho e deixá-lo
morrer dessa fraqueza,
mas sim injetar nele, com
carinho, o sangue de
Cristo, ou seja, a Palavra
de correção que levanta e
liberta.
Rm 15:1 - “Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.”
    “É preciso amar! Não foi isso que Jesus mandou que fizéssemos?” Sim! Esse é o resumo dos mandamentos ordenado pelo próprio Senhor Jesus (Mt 22:37-39). Porém, precisamos entender a diferença entre amar o pecador e tolerar o pecado, ou seja, a diferença entre suportar as fraquezas e achar normal que a pessoa continue errando por ser fraca. “Mas todos nós temos fraquezas, não temos?” Temos sim (1ª Co 10:12)! Mas entre suportar e aceitar um problema existe uma diferença muito grande.
    Ao dizer essas Palavras, o apóstolo Paulo estava ensinando que se deve tratar com compreensão aqueles que estão com alguma dificuldade. O versículo seguinte deixa claro que devemos agradar ao próximo no que é bom para a edificação (Rm 15:2); isso significa que suportar não é consentir com o erro, mas sim não condenar o irmão mais fraco e estender as mãos para ajuda-lo (Rm 14:19; 1ª Co 10:24-33). Cristo nos deu um grande exemplo disso (Rm 15:3; Mt 26:39); desde o princípio, as Escrituras já ensinavam a prática do amor (Rm 15:4; Lv 19:9,10); amar consiste em compartilhar sentimentos (Rm 15:5; 12:15) o que depende de uma boa convivência com os demais (Rm 15:6; 12:16-21); como Jesus fez, não podemos fechar as portas àqueles que mesmo errantes buscam abrigo no Evangelho (Rm 15:7; 14:1); mostrando-lhes que há uma oportunidade para eles (Rm 15:8; Mc 16:15); para que o nome do Senhor seja por eles glorificado por meio de nossos atos (Rm 15:9; At 28:6); vendo eles que a Igreja existe para acolher e não para condenar (Rm 15:10; Tg 5:14-16); sendo acessível aos que por ela buscam (Rm 15:11; Mt 22:9,10); fazendo-os experimentar a graça de ter o Espírito Santo em sua vida (Rm 15:12; Cl 3:11). Façamos tudo isso, mas sem nos esquecermos que a maior demonstração de amor por uma pessoa que está fraca na fé é, sem apedrejá-la pelo seu erro, lhe mostrar biblicamente a vontade de Deus que ela viva em santidade e ajuda-la para que ela possa ter sua vida transformada.

“O Espírito é Sujeito ao Profeta”

Equilíbrio emocional é
fundamental tanto para saber se
controlar quanto para
entender a Bíblia e
compreender que o espírito
humano é sujeito a Deus e não
o Espírito Santo sujeito ao
homem; no entanto, é preciso
saber também que o que as
Escrituras ensinam sobre
ordem no culto continua tão
atual quanto a existência dos
dons espirituais.
1ª Coríntios 14:32 - “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.”
    Esse é um caso clássico de má interpretação causada pela falta de atenção ao texto; não são poucos os que dizem que o Espírito Santo está sujeito a eles. Deve-se notar que “espírito” está no plural e escrito com “e” minúsculo; como sabemos, só há um Espírito Santo e, quando se refere a Ele, a Bíblia grafa sua letra inicial como maiúscula. Geralmente cometem esse erro quando tentam defender a ordem no culto; porém erram ao achar que se pode controlar o Espírito Santo, pois a palavra “espírito” aí se refere ao espírito humano, ou seja, o próprio homem.
    Devemos esclarecer que a ordem no culto é necessária (1ª Co 14:36). Essa foi a razão pela qual Paulo se preocupou em ensinar isso à Igreja (1ª Co 14:26-31). Hoje, muitos escândalos causados no meio pentecostal - falsas profecias, promessas absurdas, vendas de objetos ungidos, barulho desordenado, curas duvidosas, etc. - tem provocado o descrédito de muitos, os quais não podemos censurar por não crerem, pois se deixaram levar pela decepção dos maus exemplos que, vergonhosamente, é tolerado em nosso meio. Porém nem todos os pentecostais que cometem tais erros agem na maldade, pois muitos são vítimas do próprio emocionalismo causado pelo pouco - ou nenhum - exame das Escrituras Sagradas. Só que não podemos aceitar tudo sob o pretexto da boa intenção, mas sim corrigir os exageros que em nada edificam, muito pelo contrário, afastam os que tentam se aproximar (1ª Co 14:23,24). Dessa forma, esse versículo é uma exortação para que o crente saiba controlar seu próprios impulsos e prestar a Deus um culto racional (Rm 12:1), sendo assim realmente útil para a Obra (1ª Co 14:26). Esse negócio de “não consigo me controlar” contraria os princípios éticos ensinados na bíblia e, por outro lado, achar que pode sujeitar o Espírito Santo é o mesmo que querer dominar a Deus (Is 43:13). Concluindo, Ele não se manifesta de maneira a causar escândalo (1ª Co 14:33), nós é que devemos dominar nossos sentimentos (1ª Co 14:37,38).