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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Como Resistir às Tentações do Adultério?

Uma quebra de aliança
conjugal começa na quebra da
aliança com Deus. Se quer 

saber se está em condições de 
resistir às tentações carnais, 
analise como está sua vida 
espiritual.
    O adultério[1] é uma das mais repugnantes práticas pecaminosas, porque ele não somente mancha o caráter moral e expõe a diversos riscos as pessoas envolvidas, como também afeta a todos os que fazem parte da sua vida. Geralmente, aqueles que se deixam levar pela satisfação passageira dos desejos sexuais ou por falsos sentimentos travestidos de amor, usam até mesmo a própria Bíblia na covarde tentativa de se justificar dizendo: “A carne é fraca”; mas se esquecem que no mesmo versículo em que diz que a carne é fraca, o Senhor Jesus também diz que o espírito está pronto, ou seja: nosso lado espiritual conhece a verdade e quer fazer o que é certo. Além do mais, o contexto dessa Palavra refere-se à oração, então, se querem realmente inseri-la nessa situação, isso significa que a própria pessoa admite que precisa orar mais e, inclusive, vigiar - tomar muito cuidado - em suas atitudes (Mt 26:41). Porém, alguns de “ânimo” mais aguçado poderiam me questionar: “Mas, em relação à tentação[2] sexual é diferente: o corpo foi feito pra isso; existe nos membros sexuais um constante e incontrolável pedido de prazer”; e então eu teria que responder que, urgentemente, é preciso parar de se esconder atrás da própria fraqueza e olhar para as Escrituras Sagradas e ver que é sim possível à um ser humano comum - mesmo com todos os seus membros sexuais ativos e aguçados - resistir às tentações.

  I.   As causas da tentação: As tentações são inevitáveis, pois somos humanos (1ª Co 10:12,13; Tg 5:17). No entanto, é preciso estar atento para não ceder à elas, por isso é necessário saber evitar tudo o que possa nos derrubar através dos desejos carnais, os quais costumam se manifestar de várias maneiras:
a)      Os sentidos naturais do corpo: As portas de entrada que estimulam nossos desejos são os olhos, por onde vemos e apreciamos o que é agradável; os ouvidos, pelos quais somos convencidos a agir; o paladar, um meio que, mesmo ainda não havendo um contato direto, sente vontade de saborear o corpo alheio como pelo beijo, por exemplo; o tato, que é o mais estimulado principalmente quando há uma aproximação mais intensa: geralmente, um abraço; e até mesmo o olfato, que serve como meio de excitação para pessoas mais sensíveis aos mínimos detalhes. Controlar esses sentidos não é tão fácil; porém, é importante lembrar que eles são dominados pela mente, pois somos seres racionais. Baseados nesse princípio, basta procurarmos ter autocontrole, pensamento firme naquilo que é certo e ocuparmos a mente com coisas saudáveis (Sl 101:2,3; Cl 3:2,3,5,6; Fp 4:7,8).
b)     Se colocar em situações de risco: Como sabemos que somos sujeitos ao pecado, devemos reconhecer nossa fragilidade e evitar ficar a sós e manter diálogos muito liberais com pessoas do sexo oposto. Isso também inclui um extremo cuidado com as conversas em redes sociais. Uma conduta vigilante é essencial para o autocontrole (1ª Pe 5:8,9) e, se for necessário fugir, fuja (Gn 39:7-12)!
c)      Auto-exposição: Esse fator se refere a ambos, mas o cuidado deve ser bem maior por parte das mulheres, pois a exposição do próprio corpo com vestes ou comportamento inadequados, como sorrisos maliciosos ou olhares insinuantes, as torna um alvo desejável para homens mal-intencionados. A partir do momento que a mulher - propositalmente ou não - causa excitação em homens, passa a eles a impressão de estar usando um cartaz que diz “estou disponível”. Diante disso, se ela não tiver realmente firmeza de caráter, em algum momento poderá não resistir às inevitáveis “cantadas”. A preservação da própria imagem é essencial para a preservação moral (1ª Ts 5:21,22; 1ª Co 10:32).

     II.  Adultério é desrespeito ao cônjuge, à família e a Deus: Atos de traição não representam apenas um estado de fraqueza carnal e espiritual, eles expressam também falta de maturidade, o que reflete no desrespeito aos compromissos em relação a tudo e todos que estão a nossa volta. Vejamos alguns dos principais exemplos:
a)      Representa falta de amor: A pessoa que ama respeita. Ainda que a tentação seja grande, não consegue fazer ao seu cônjuge o que não gostaria que ele fizesse com ela; pois mesmo que a atração tenha diminuído e os defeitos pareçam ser maiores do que no começo do casamento, se existe realmente amor, qualquer detalhe pode ser superado (1ª Co 13:4-7[3]).
b)     Demonstra falta de responsabilidade: Uma pessoa que constitui uma família e depois a desrespeita demonstra que não tem firme compromisso diante das responsabilidades que assume. O casamento é formalizado a partir de um juramento no qual está incluída a promessa de fidelidade sob quaisquer circunstâncias até que a morte os separe. Tal juramento é feito perante o cônjuge, a família de ambos, o Estado, a sociedade, a Igreja e o próprio Deus. Não cumpri-lo significa ter mentido diante do altar numa cerimônia que, independentemente de ter sido realizada em um templo ou não, é inegavelmente sagrada. Mentir já é um pecado grave (Jo 8:44), quanto mais diante de algo tão sagrado quanto a família (Gn 2:24; Mt 19:4-6). Além disso, deve-se ainda considerar que o casamento não lhe foi imposto, foi voluntário; e, se foi voluntário, precisa ser respeitado (Dt 23:21,22; Ec 5:4-7).
c)      Significa falta de temor: Qualquer pessoa que tenha o mínimo conhecimento bíblico sabe que o adultério é pecado, até mesmo porque isso consiste numa grave afronta aos padrões morais do ser humano em qualquer sociedade considerada normal. É inaceitável que alguém que se diz cristão cometa um ato tão abominável e fique com a consciência tranquila, pois o Espírito Santo é sensível e exige pureza; assim sendo, se um adúltero não se sente mal em suas atitudes, isso significa que ele já estava afastado de Deus a muito tempo, porque uma pessoa que peca e ainda tenha o temor[4] divino, prontamente se arrepende, pede perdão e procura consertar seu erro. Quem se conforma com o pecado não tem mais aliança com o Senhor e precisa, urgentemente, resgatar seus sentimentos espirituais, antes que seja tarde (Rm 12:1,2).

  III.  As consequências do adultério: Como na grande maioria dos atos pecaminosos, o adultério não atinge apenas os adúlteros, mas todos aqueles que fazem parte da vida deles. Além da morte espiritual - pois o Espírito Santo não habita em um “templo” de prostituição (1ª Co 6:15-20) -, a pessoa que desrespeita seu cônjuge está se destinando a arcar com prejuízos materiais, morais e sentimentais que passam a segui-la a partir daí:
a)      O adúltero fica em descrédito: Pessoas que caem em adultério, - mesmo depois de se arrependerem -, ainda carregam uma mancha por toda a sua vida. No caso de não conseguirem resgatar seu casamento - pois a Bíblia dá direito ao divórcio ao cônjuge traído (1ª Co 7:15,16; Mt 5:32[5]) -, na tentativa de se envolver novamente com outra pessoa, sempre vai enfrentar a desconfiança e questionamentos devido às razões de seu erro do passado. Quando consegue resgatar seu antigo casamento, a confiança também já não é mais a mesma, porque perdoar não significa confiar e, na mente do cônjuge sempre vai ter o seguinte pensamento: “Quem errou uma vez tem a tendência de errar novamente”. E os prejuízos vão além do âmbito sentimental, pois atinge todas as áreas, incluindo a ministerial, na qual é muito difícil se erguer novamente. Tudo tem o seu preço, principalmente o pecado (Rm 6:22,23; Gl 6:7-9).
b)     A vítima do adúltero é prejudicada em todos os sentidos: Seja homem ou mulher, quem tira uma pessoa de sua casa e de sua família assim alterando todo seu modo de viver, deve ter perfeito juízo sobre a seriedade do compromisso que está assumindo, pois se o relacionamento não der certo devido ao adultério - ou até mesmo outros motivos -, Deus vai requerer dele a maldade de ter ferido os sentimentos e a dignidade de uma pessoa que pode até ser levada ao sofrimento e à depressão por ter confiado e acreditado que ao seu lado teria encontrado sua tão desejada felicidade conjugal. O bem-estar das pessoas que vivem ao seu lado também fazem parte da mordomia cristã, ou seja: da responsabilidade do crente (Lc 12:42-46).
c)      A família do adúltero sofre por seu erro: A única vítima do adultério não é a esposa ou o esposo, mas, principalmente, os filhos. Pois, além de perderem a confiança - e, as vezes, até o amor - na figura de quem eles tinham admiração e respeito, estão também sujeitos a seguirem os maus exemplos chegando a ser, futuramente, pessoas infiéis. A responsabilidade da educação dos filhos, principalmente em sentido moral, é dos pais (Pr 22:6; Ef 6:4).

    O adultério não começa na cama, mas na mente e depois invade o coração de quem não está firme com Deus (Mt 5:27,28); por isso, é necessário conservar-se puro e irrepreensível para não arcar com as suas terríveis consequências. Mas existe perdão para o adúltero? Sim. Existe! Pois a fidelidade divina não se corrompe pela infidelidade humana (2ª Tm 2:13); porém, é preciso reatar o compromisso com o Noivo enquanto Ele ainda está concedendo oportunidade para uma reconciliação (Ec 7:26; Pr 6:23-26). Resistir ao adultério vai além de controlar a mente, o coração e o corpo, mas também depende da valorização do seu compromisso com Deus; pois quem se relaciona seriamente com Ele, tem esse amor refletido no relacionamento com seu cônjuge (1ª Jo 4:20,21). Quer resistir? Então não tente justificar sua fraqueza e honre os valores mais nobres que um ser humano - sobretudo um servo de Deus - deve respeitar (Tg 4:7).



[1]Adultério: Quebra da fidelidade conjugal. Adulteração, contrafação, falsificação. Heresia, apostasia.
[2]Tentação: Atração para fazer o mal por esperança de obter prazer ou lucro. Pode vir do tentador (Gn 3:1-5) ou de dentro do ser humano (Tg 1.14-15).
[3]Leviandade: Procedimento irrefletido, precipitado ou sem seriedade; imprudência (Jr 23:32; 2ª Co 1:17).
[4]Temor: Medo. Respeito. Reverência.
[5]Repudiar: Rejeitar. Divorciar-se; Repudiar a esposa. Renunciar voluntariamente: Arredar de si; repelir.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Como Jesus Venceu a Tentação?

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 4 | AD Belém - Congr. Elias Fausto/SP - Jonas M. Olímpio

A vitória de Cristo sobre as
tentações de Satanás não começou
quando Ele disse "não" às suas
propostas, mas sim quando Ele
se entregou em comunhão a Deus
com sua vida de total obediência
complementada por jejum e
oração.
Lucas 4:1-13; Hebreus 4:15
Lucas 4:1-13 - E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; 2E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. 3E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. 4E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus. 5E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. 6E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. 7Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 8E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás. 9Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo[1] do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; 10Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, 11E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. 12E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. 13E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo.
Hebreus 4:15 - Porque não temos um sumo sacerdote[2] que não possa compadecer-se[3] das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

    Sendo uma das mais belas, misteriosas e fascinantes passagens sobre Jesus, a tentação no deserto é registrada não só por Lucas, como também por Marcos (Mc 1:12,13) e Mateus (Mt 4:1-11). Em Marcos a narração é mais breve, totalmente resumida, e dá a entender que Ele foi tentado durante todo, ou a maior parte, dos quarenta dias do seu jejum; em Mateus são citadas as três tentações começando pelo desafio de transformar pedras em pães, seguido pela provocação a pular do alto do templo, terminando com a proposta de ganhar os reinos da terra em troca de adoração; já em Lucas, além de uma riqueza maior de detalhes, existe também uma ordem diferente dos fatos em relação a Mateus no que se refere às duas últimas ocorrências. A aparente contradição entre eles pode ser explicada por suas diferentes formas de escrita, pois nenhuma informação realmente contradiz a outra, muito pelo contrário: eles narram a mesma história apenas expondo diferentes detalhes. A grande verdade é que os três Evangelhos juntos se completam nos dando valiosíssimas informações para que entendamos como Jesus venceu o inimigo em condições extremas de tentação. O mais importante é compreendermos que, estando em condição humana, Jesus nos deu verdadeiras lições práticas de como vencer as tentações não cedendo ao pecado (Lc 4:1-13; Hb 4:15).
    O grande erro de alguns cristãos está em afirmar que Jesus somente venceu porque Ele é Deus. Pois não se pode ignorar o fato de que aqui na terra Ele estava em um corpo humano e, portanto, sujeito a todas as limitações humanas. Devido à sua divindade, é óbvio, Ele possuía a consciência de que estava numa missão na qual teria que passar por isso, e sabia que vencendo essas coisas entre outras mais, seria gloriosamente vitorioso no final. Assim sendo, se Ele escolheu vir à terra sabendo que passaria por tentações e que, no final, teria que enfrentar a cruz, logicamente estava preparado para isso. No entanto, sua missão, figuradamente, também aponta para a nossa missão pessoal no Evangelho; aquilo que conhecemos como “chamado”, inclui não só realizar o serviço cristão por meio dos dons, como também - e principalmente - amar, obedecer e adorar a Deus. E, embora sejamos nós meros humanos fracos e falhos, também sabemos, assim como Cristo, que se não cedermos seremos gloriosamente vitoriosos no final. Então devemos sim encarar as vitórias de Jesus sobre tudo o que Ele enfrentou aqui na terra como verdadeiras aulas práticas de que a condição humana não é desculpa para a sujeição voluntária ao pecado. Isso tanto é verdade que os pecadores não serão salvos a menos que se arrependam e abandonem o pecado (Lc 1:76,77; 5:30-32; 15:7).
    A ida de Jesus ao deserto tinha um objetivo que ia além de seu desejo de passar um período de intimidade com Deus: Ele foi para ser tentado pelo Diabo, e quem o levou foi o próprio Espírito Santo, o qual acabara de descer sobre Ele em seu batismo nas águas, enchendo-o (Lc 4:1); esse fato marcou o início do seu ministério terreno. A grande razão para essa batalha era tirar da “terrível serpente” o sabor de vitória que ela usufruía até ali por ter seduzido o primeiro homem, Adão, ao pecado obtendo vitória sobre ele (Gn 3:6,14,15); Deus poderia ter destruído o inimigo, mas, para aumentar sua humilhação, o venceu como homem, na pessoa do seu Filho Jesus, provando-lhe que a sua criação é vitoriosa perante as forças das trevas. Com isso aprendemos que antes de qualquer coisa precisamos estar cheios da unção divina para estarmos preparados para as tentações do inimigo que tentará nos parar logo no começo, e devemos ter a consciência de que isso é permitido pelo próprio Deus, pois as tentações não ocorrem apenas quando estamos em pecado, mas também servem para nos provar servindo de aprendizado para enfrentarmos o que vem a seguir. Essa é a grande razão pela qual devemos seguir os ensinamentos do Mestre e ter uma vida de constante oração (Lc 22:39,40).
    O engraçadinho se apresentou como sendo uma espécie de “gênio dos três desejos”, mas, na verdade, a realização desses desejos só iria satisfazer a ele próprio; observe bem: Na primeira tentativa, Satanás o tentou por meio de uma das mais terríveis necessidades físicas: a fome. Depois de quarenta dias sem comer absolutamente nada (Lc 4:2), o seu corpo estava debilitado necessitando de nutrientes que pudessem restabelecer suas forças. O inimigo conhece nossas dificuldades e pontos fracos, por isso sabe exatamente quando e como atacar. É interessante que o Diabo não lhe ofereceu comida, mas desafiou seu poder lembrando-lhe que Ele poderia transformar pedras em pães. A explicação mais razoável para isso é que Jesus não usava seus poderes divinos em favor de si mesmo, pois estava na terra como o homem e enfrentava a vida como tal, e Satanás sabia disso (Lc 4:33,34).
    Mais interessante ainda é que Jesus, ainda que em condição humana, mesmo sendo provocado não se deixou levar pelo orgulho - característica típica dos humanos - e mostrou ao Diabo que não precisava provar nada para ele, vencendo-o simplesmente com a citação das Escrituras (Dt 8:3). A missão real do nosso Salvador não era sua edificação ou realização pessoal, dessa forma, mesmo em grande necessidade física, nos mostrou que a prioridade de um cristão é o Reino de Deus, o qual devemos priorizar não fazendo uso do que temos - inclusive status e fama - para nossa própria satisfação ou exaltação. Jesus nos ensina também que não é preciso confrontar e nem mesmo dialogar com espíritos imundos, só temos que usar a autoridade da Palavra para vence-los (Lc 4:35,36).
    Já que não “conquistou Jesus pelo estômago”, Satanás resolveu provocar sua ambição, e ofereceu-lhe todos os reinos do mundo pedindo em troca a sua adoração. Aparentemente, uma atitude ingênua essa do “capiroto[4]”, será que ele não sabia que estava falando com o próprio criador do universo (Jo 1:1-5,9-14)? O atrevido ainda teve a ousadia de querer ser adorado por Ele; aliás, foi por essa sede de exaltação que Jeová o expulsou do céu (Is 14:12-15). Na verdade, ele não deixava de ter razão quanto à sua autoridade sobre o mundo (Jo 16:11; Ef 2:2; 1ª Jo 5:19), mas, ingenuidade mesmo foi achar que convenceria Jesus a adorá-lo e, ainda por cima, por mera cobiça material. A resposta não poderia ser outra além de um pequeno lembrete do que dizem as Escrituras sobre adoração (Dt 6:13; 10:20). E, no que se refere à adoração às coisas desse mundo, Jesus apenas diz que o nosso Pai está cuidando de nós, tenhamos, portanto, cuidado com a cobiça (Lc 16:13[5]; 12:30,31).
    Ao ouvir pacientemente tal proposta do Diabo sem coloca-lo pra correr de vez, Jesus estava nos ensinando a reagir com sabedoria diante das inúmeras ofertas malignas que são colocadas diante de nós ao longo da nossa vida. As riquezas e o status em si não são pecado, mas o apego a eles nos afastam de Deus. Muitas pessoas comuns, diante de tudo que foi oferecido à Jesus, não pensaria duas vezes antes de aceita-la e ainda diria que isso é bênção de Deus. Tal falta de discernimento tem feito muitos, de forma direta ou indireta, simplesmente, têm entregado sua alma à Satanás, adorando-o com suas atitudes de desprezo ao verdadeiro Deus, se prostrando ao inimigo por meio da cobiça, da desonestidade, da mentira, da maldade, enfim, de todas as obras condenadas pelo nosso Santo Criador. Adorar ao Diabo não consiste necessariamente em fazer rituais macabros e se ajoelhar diante de imagens satânicas, pois o simples fato de aceitar o pecado em nome de um benefício qualquer já consiste em um ato de adoração demoníaca. Pessoas dominadas por sentimentos materialistas tendem a reprovar e escarnecer os que não se rendem a atitudes desonestas (Lc 16:14,15).
    Mostrando sua incansável persistência, Satanás se apresenta mais uma vez com sua postura desafiadora em tom de descrédito à divindade de Cristo usando a expressão “se tu és”, e agora resolve tentar derruba-lo pelo ego. Quis ele agora por à prova seu poder divino, levando-o ao alto do templo para, muito provavelmente, lhe provocar a cometer um ato que, se falhasse, terminaria como um suicídio. Como anteriormente o resultado de suas investidas foi negativo, lembrando-se que foi derrotado pela Palavra, astutamente, resolveu também usar as escrituras (Sl 91:11,12). Mas, como texto fora do contexto não surte nenhum efeito - principalmente contra quem lê a Bíblia -, Jesus não fez nada mais do que lhe deixar mais um “versículo” para a sua “meditação” (Dt 6:16). Para combater os que distorcem a Bíblia em benefício próprio, não adianta discutir, é preciso usar a própria palavra de Deus porque os hereges têm o único objetivo de se autopromoverem com seus belos discursos (Lc 20:46).
    Muitos pensam que ser vitorioso é estar sempre por cima, foi baseado nesse conceito que Satanás levou Jesus à um lugar alto. Grandes altitudes nos fazem pensar que seremos vistos por todos, os quais terão que nos olhar de baixo para cima; é incontável o número cristãos que sofre da terrível doença do egocentrismo[6], sempre almejando estar no palco olhando para baixo e vendo seus opositores na plateia. Mas Jesus nunca sofreu desse mal, e quando tentado a fazer uso do seu poder como Filho de Deus para se promover diante do inimigo, simplesmente, mais uma vez o colocou em seu devido lugar, mostrando-lhe que nem Ele próprio tem o direito de tentar a Deus, ou seja: provoca-lo a lhe atender sem uma justa necessidade, pois, nessa situação, Ele é quem estaria se colocando em risco propositalmente e, numa situação dessas, Deus não teria nenhuma obrigação para com Ele. Dentro desse contexto - lembrando que quem julga é a Palavra -, como estará o coração do Criador do universo em relação àqueles que usam os dons que lhe foram concedidos - os profissionais da fé - na mera intenção de ocupar lugar de destaque entre os homens (Lc 20:47)?
    Jesus nos deu perfeitos exemplos de como vencer as tentações do inimigo que são colocadas diante de nós o tempo todo. Sua receita básica é simplesmente usar a Palavra de Deus; mas, sejamos crentes racionais e entendamos que usar a Palavra não significa citar versículos bíblicos - como fazem alguns -, como se fossem “palavras mágicas” para os demônios saírem correndo, mas sim aplicar, em situações de conflito, os princípios bíblicos ensinados nas Escrituras em vez de partir para o confronto dando a própria opinião (Ef 6:11,12). Como mostra Lucas, e também os demais evangelistas, a tentação contra Cristo não acabou aí, mas se estendeu até o momento de sua morte, pois o inimigo ainda usou seus instrumentos para tentar convencê-lo a desistir da cruz (Mt 26:31-35; 27:29, 39-44). Sua grande resistência, estando Ele num corpo humano, nos ensina que também podemos vencer (Tg 4:7). Porém, mesmo sabendo que podemos vencer, jamais podemos nos apoiar em nossa autoconfiança achando que o Diabo não vai nos tocar somente pelo fato de sermos servos de Deus; pois somos limitados e sem a misericórdia de Jesus Cristo sobre a nossa vida, nada podemos fazer (Lc 22:31-34).



[1]Pináculo: O ponto mais elevado de um edifício, de um monte etc.; torre, cúpula, coruchéu. O mais alto grau; auge, fastígio. Píncaro, cimo, cume. A parte mais elevada do templo de Jerusalém. O pináculo do templo em que Satanás desafiou Jesus a pular tinha aproximadamente 60 metros de altura (Mt 4:5-7; Lc 4:9-12).
[2]Sumo Sacerdote: Nome dado ao mais alto posto religioso do antigo povo de Israel e posteriormente a época do exílio babilônico era também a mais alta autoridade política do país. O sumo sacerdote coordenava o culto e os sacrifícios, primeiro no tabernáculo, depois no Templo de Jerusalém. De acordo com a tradição bíblica, apenas os descendentes de Arão, irmão de Moisés, poderiam ser elevados ao cargo, ainda que posteriormente esta norma foi abolida por eventos políticos. Posteriormente a época do exílio babilônico, durante o período do Império Aquemênida persa, do Egito da dinastia ptolomaica e do império selêucida, o sumo sacerdote passou a cumular funções políticas, além das religiosas, tornando-se o chefe político de Israel, submetido ao governador da Síria.
[3]Compadecer: Ter compaixão (dor causada pelo mal alheio. Dó, piedade).
[4]Capiroto: Expressão popular que significa capeta, demônio, diabo, satanás. Termo usado geralmente em tom de ironia e deboche ao maior inimigo dos seres humanos e do próprio Deus. Derivado de capirote (um tipo antigo de capuz).
[5]Mamon: É um termo derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro". Mamon não era o nome de uma divindade, como muitos pensam, e sim um termo de origem hebraica que significa dinheiro, riqueza, ou bens materiais. Jesus, no Evangelho, utiliza a palavra quando afirma que não é possível servir simultaneamente a Deus e a Mamon (Lucas 16:13).
[6]Egocentrismo: Estado da pessoa especialmente interessada em si mesma e em tudo quanto lhe diga respeito. Normal nas crianças de menos de sete anos.

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 4 | AD Belém - Congr. Elias Fausto/SP - Jonas M. Olímpio

quarta-feira, 7 de março de 2012

Deus liberta das tentações

Texto Bíblico:
    (Ezequiel 24:16)  "Filho do homem, eis que dum golpe tirarei de ti o desejo dos teus olhos; todavia não te lamentarás, não chorarás, nem te correrão as lágrimas." 

Resistir a tentação é dizer ''sim'' 
quando o Diabo diz ''não'', e dizer 
''não'' quando o Diabo diz ''sim''.
História:
    Cativeiro da Babilônia. Ano 588aC. Profecia sobre a ruína de Jerusalém, tendo como sinal a morte da esposa do profeta Ezequiel. Há alguns anos antes, o povo de Israel havia sido levado como escravo para a Babilônia. Porém, nem todos foram escravizados, e os que ficaram se tornaram infiéis. Então Deus usou Ezequiel para dizer aos que estavam escravizados na Babilônia que em conseqüência da infidelidade dos que haviam ficado, Jerusalém seria destruída. Assim, Ele permitiu a morte da esposa do profeta, e pediu a ele que não se entristecesse, e dissesse a eles que da mesma forma que ele reagiu ao falecimento de sua mulher, assim eles deveriam reagir à destruição de Jerusalém: sem se deixarem dominar pela tristeza; pois a tragédia que aconteceria, seria o resultado dos pecados cometidos por aquele povo.


Espiritualmente falando,
cativeiro significa estar
privado de tudo aquilo que se
necessita ou que se quer ter. 

Mas Deus, quando não tem 
reservadopara nós aquilo que 
está em nosso coração, nos 
consola e nos lembra que 
tem poder para nos dar 
algo melhor
Mensagem:
    Deus nos livra das tentações, transforma nossa mente, nos tira os desejos da carne e nos consola no sofrimento.

    "... tirarei de ti o desejo dos teus olhos..."  - Deus quer tirar de ti, tudo o que possa atrapalhar tua comunhão com Ele (Mt 5:29,30). E para ter comunhão com Ele é necessário nascer de novo (Jo 3:3); esquecer o passado (2ª Co 5:17); buscar a libertação do pecado (Rm 6:18,20); viver em santificação (Rm 6:19,21,22), se separar do mundo, porque o mundo está separado para a morte (Rm 6:23); e confiar nEle, tendo a plena convicção de que Ele sabe o que é melhor para você e só quer o teu bem (Is 55:8,9; Jr 29:11).

    "... não te lamentarás..." - Não devemos lamentar pelas perdas (Lc 9:59-62). Devemos lutar pelas conquistas (2ª Tm 2:4,5).

    "... nem chorarás..."  - A tristeza não vem de Deus (Tg 1:13-16), pois ela se transforma em alegria na presença dEle (Jr 31:13).

    "... nem te correrão as lágrimas..."  - Não podemos deixar que a tristeza nos domine ao ponto de vivermos derramando lágrimas (Pr 24:10). É preciso buscarmos forças em Deus (Sl 121:2), para que Ele nos console (Ap 21:4).

Chorar não é problema; 
problema é chorar sem ter 
Deus para enxugar suas 
lágrimas
Conclusão:
    A tentação pode se manifestar de várias formas na vida do homem: pode ser o desejo por algo proibido, estimulado por sua própria natureza carnal; uma ambição descontrolada por algo que não lhe pertence, influenciada pelo malígno espírito de Satanás, ou até mesmo o sofrimento pela falta de algo em sua vida, a perda de bens materiais ou a ausência de alguém... Sejam esses ou quaisquer outros problemas, não podemos esquecer que tudo o que acontece é permitido por Deus, porque nada tem poder sobre nós se Ele não deixar (Jó 1:12; 2:6; Jo 7:30;19:11); e tudo o que nos acontece serve para provar nossa fé, fortalecendo-a (Hb 5:13,14) e nos aperfeiçoando  (Tg 1:3,4). Se queremos vencer, temos que deixar Deus nos moldar, fazendo a sua vontade em nossa vida para darmos bons frutos (Jo 15:2). Mesmo que esse processo seja dolorido, devemos confiar que Ele só quer o melhor pra nós (Rm 8:28). Por isso, não podemos murmurar (1ª Co 10:10), nos entristecer (Sl 30:5); e nem nos desanimar perante as dificuldades (2ª Co 4:8). Portanto, mesmo sendo difícil enfrentar sua natureza carnal (Rm 7:19); saiba que, em nome de Jesus, você é capaz de vencê-la (Lc 10:19); por isso, simplesmente, resista (Tg 4:7)! Você pode (Mc 9:23)!

Jonas Martins Olímpio