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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Socorro! Não Consigo Namorar! Será que Nunca Vou Casar?

Deus não criou o ser humano
para a solidão; porém, muitas
pessoas, levadas por alguma
limitação pessoal, desistem da
luta pela felicidade conjugal,
equivocadamente acreditando
que não tenham o direito ou
condições de serem satisfeitas
na área sentimental.
    Para muitos jovens, paquerar, seduzir e conquistar alguém é algo tão simples quanto trocar de roupa - e o pior é que alguns agem assim mesmo -; só que nem todos têm essa mesma facilidade na área sentimental. Para uma boa parte dos que estão em idade viável para namoro e até casamento, ter alguém para compartilhar afetivamente seus sentimentos, ideias, compromissos, objetivos e problemas pessoais é simplesmente um sonho muito difícil - quase impossível - de realizar. Embora estejamos numa era em que muitos não valorizam a união conjugal, as moças e os moços verdadeiramente cristãos sabem que não há como agradar a Deus levando uma vida de depravação e, por isso, desejam sim ter um casamento nos moldes tradicionais, assim constituindo uma família de acordo com os padrões bíblicos. A Bíblia adverte que a adolescência e a juventude são vaidade (Ec 11:8,9), ou seja, um breve período que passa levando com ele todo o vigor e a beleza da pessoa. Não que isso seja uma regra, mas é exatamente por essa razão que o futuro conjugal precisa ser planejado e, de certa forma, já iniciado ainda nessa fase, pois, de fato, o ser humano não foi feito para viver só ou ficar a vida inteira com pai e mãe (Gn 2:24; Mt 19:4,5); considerando isso, quando chega ou passa de determinada idade, muitos começam a se preocupar seriamente com essa questão, a qual passa a ser um problema em sua vida. e não é sem razão, pois ninguém quer ser chamado de “encalhado” e, principalmente, terminar seus dias privado da alegria do amor.  
    Mas quais são as causas e como evitar uma vida de solidão? Analisando a situação, podemos identificar três tipos de casos: a demora para escolher um cônjuge[1], uma aparência não considerada boa ou algum trauma por problemas passados.
    O primeiro caso é consequência de uma opção da própria pessoa que se envolve muito com os estudos e prefere arrumar alguém depois de concluir uma faculdade  - ou faculdades -, fica no aguardo de conseguir um bom emprego ou na ilusão de aparecer uma pessoa financeiramente bem-sucedida ou de boa aparência. Aí é aquela velha história: quem espera demais ou escolhe muito acaba tendo que se contentar com o que sobra... quando sobra. Muitos jovens se esquecem que o bem-estar na vida material não depende apenas do seu esforço, mas das mãos de Deus sobre eles (Sl 127:1,2; Pr 28:26); então, o correto é lhe pedir direção e sabedoria para conciliar estudos, profissão, vida sentimental e entender que a mais bela aparência é interior e não exterior.
    No segundo caso o negócio é muito mais sério, pois não se trata de uma opção própria, mas da infelicidade de não ser escolhido por ninguém. Isso ocorre quando a pessoa não se enquadra no padrão de beleza estipulado pela sociedade, ou seja, quando ela é considerada feia ou tem algum problema estético como obesidade ou qualquer tipo de deficiência física. Lidar com isso não é tão simples, pois a rejeição gerada pelo preconceito alheio pode provocar complexo de inferioridade, insegurança e timidez e, diante disso, cada pessoa reage de uma forma: uns se conformam e param de tentar um relacionamento, outros entram em depressão depois de tantas decepções e alguns se revoltam e deixam isso abalar a sua própria fé. Mas, enfim, seja qual for a sua situação e a sua reação, o necessário realmente é se apegar a Deus porque Ele pode e quer fazer esse milagre em sua vida. Não pense que vai ser sempre rejeitado; lembre-se de quantas pessoas iguais a você conseguiram um casamento e vivem felizes. Essa felicidade foi criada pelo Senhor e, se você pedir e for fiel, Ele te responderá (Sl 68:6a).
    Já no terceiro caso, a questão é séria, mas não tão difícil de resolver. Trauma nada mais é do que uma ferida; no caso, uma ferida que ainda não cicatrizou e por isso continua causando dor. Porém, não há ferida que não possa ser tratada até estar completamente eliminada; assim sendo, mesmo que na mente, inevitavelmente, permaneça a lembrança do ferimento, o seu efeito não deve mais continuar ativo no corpo. Certo, eu sei que no que se refere a trauma emocional a situação é muito mais complicada porque se refere a perturbação de sentimentos: são lembranças de decepções geradas por humilhações ou traições, violência sexual ou alguma experiência amorosa de alguém muito próximo que não deu certo como, por exemplo, a separação dos pais, principalmente se havia violência verbal e física entre eles; no entanto, o que se precisa colocar na mente é que passado é passado e por mais que tenha sido dolorido precisa ficar no passado, ou seja: o fato de você ter tido uma ou algumas experiências ruins não significa que todas as suas demais experiências serão também ruins; se alguém te decepcionou, mentiu ou te traiu, isso não quer dizer que todas as pessoas vão te decepcionar, mentir ou te trair; e, principalmente, os fracassos amorosos de pessoas ligadas a você não são uma indicação de que a sua vida seja uma continuação da vida dela. Então use todas as experiências negativas para não cometer tais erros no futuro e peça a Deus que cuide dos seus sentimentos (Is 26:3,4; Jr 17:9,10), pois nossa segurança e felicidade provém dEle.
    Como vimos aqui, para uma pessoa que confia e agrada a Deus nada é impossível (Fp 4:13; Jo 15:4-7), inclusive conseguir um namoro e um casamento quando tudo estiver indicando que não há como isso acontecer. Para os que esperam no Senhor e agem com prudência (Sl 40:1-5), o alcance da vitória, mais do que uma remota esperança, é uma certeza. Como diz um famoso ditado popular “cada panela tem a sua tampa”; porém, só é preciso ter o cuidado de observar se ambas encaixam entre si para que ambas possam proporcionar um bom alimento em seu lar, honrando a Deus cuidando bem de tudo o que Ele lhe deu, lembrando-se que, em nossa vida aqui na terra, a família é o bem mais precioso que temos. Não permita que as preocupações materiais, as limitações pessoais ou dificuldades emocionais sejam usadas pelo inimigo como instrumento para te impedir de ser beneficiado pelo propósito divino da criação da família (Pr 18:22; 14:1a; Sl 127:3-5).



[1]Cônjuge: Cada um dos esposos em relação ao outro. Quem é casado. A esposa e o esposo. O esposo para a esposa e vice-versa.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Estou Amando Uma Pessoa que Não é Crente... E Agora?

Somente quem tem a vida
voltada a obedecer a Deus
consegue compreender que é
melhor ter o coração partido
do que o lar e a vida destruída.
    No meio da juventude evangélica essa é uma questão cada vez mais presente. E, a partir dela, surge o seguinte questionamento: “O que a ‘religião’ tem a ver com meus sentimentos?” e, em resposta a essa indagação que denuncia a revolta de um cristão imaturo, eu faço a seguinte pergunta: “Vale a pena permitir que um simples sentimento, ou desejo, que pode ser passageiro, ameace a sua comunhão com Deus?”. Para entender isso é necessário entender que esse sentimento chamado de amor[1] vai muito além daquilo que é ensinado pela sociedade, sendo, muitas vezes, na verdade, simples paixões[2] momentâneas, as quais podem ser classificadas como admiração, atração física, necessidade afetiva ou interesse por conveniência. Além do mais, mesmo que você tenha a certeza de que o que sente é verdadeiro, é preciso compreender que não é a “religião” que está interferindo em seus sentimentos, mas sim a Igreja, por meio de líderes ou membros responsavelmente compromissados com a Palavra de Deus, te orientando para que você não sofra futuramente.
    Mas o que a Bíblia diz sobre isso? Deus, por meio da sua Palavra, sempre condenou a mistura do santo com o profano (2ª Co 6:14-18[3] [4]). E vamos analisar isso de uma forma bem prática: não união conjugal entre um crente e um incrédulo existem dois grandes riscos: o crente se desviar ou ambos viverem em constantes confrontos. Para entender melhor, vejamos separadamente cada uma das situações:

O risco da influência: Quando se toca nesse assunto surge aquela velha teoria do “paquerador evangelista”, na qual reza a lenda que ele vai ganhar a alma dela pra Jesus. A intenção pode até ser essa, mas como ele pode ter certeza que está com essa “unção” toda (Pr 5:1-13[5])? É claro que, sendo espirituais, não podemos negar que Deus pode sim permitir esse tipo de união se tiver ali um propósito de salvação, mas devemos considerar que essa é uma rara exceção e não uma regra. Geralmente, o que acontece é exatamente o contrário: depois de algum tempo, tendo casado ou não, por se deixar levar por costumes inadequados, ou mesmo para segurar o relacionamento, ele acaba é se afastando parcial ou totalmente do Evangelho - e, só pra lembrar, para Deus não existe crente parcial: ou é ou não é (Ap 3:15,16)! - até que, depois de algum tempo, não consegue entender porque as coisas não estão dando certo, já que fez tudo em nome do amor... Mas o que é amor mesmo? Amigos, sejamos sinceros: em tudo na vida, mas principalmente no que se refere às coisas espirituais, é muito - mas muito mesmo - mais fácil ser influenciado do que influenciar. E não adianta dizer que é só ter determinação porque só erra quem quer, porque a própria Bíblia nos ensina o contrário (1ª Co 15:33), ou ela está errada?

A falta de harmonia no relacionamento: Muitas vezes, pode até haver entre o casal um certo tipo de acordo do tipo: “Você respeita a minha liberdade e eu respeito a sua, e assim podemos viver felizes para sempre!”. Mas, agora, botando os pezinhos no chão, até que ponto vai durar a fantasia desse conto de fadas? Pense bem: Domingão a noite, hora do culto: ele quer ir para a igreja e ela quer ir para uma balada. Será que ele vai estar tranquilo na igreja sabendo que ela está dançando e sendo paquerada por outros homens? Dentro de casa, ele quer ouvir louvor e ela quer ouvir um funk ou um forró. Que paz ele vai ter nesse ambiente para manter a comunhão com Deus? Vale a pena o sacrifício em nome do tal do amor? Pois é a partir de simples diferenças como essas - que, na teoria, pareciam fáceis de se suportar - que surgem os grandes conflitos entre o casal, seguidos de suas devidas consequências. Seja sincero com você mesmo e admita: luz e trevas não podem, não devem e não conseguem viver juntas em perfeita harmonia (Tg 4:3-5).

    Como vimos, não vale a pena arriscar. Então, o que fazer? Só para termos uma noção, dez regrinhas básicas e bem simples:

1.      Se o seu relacionamento com Deus é saudável, Ele vai te dar um relacionamento conjugal igualmente saudável.
2.      Ele conhece todas as mentes e corações, por isso sabe o que é melhor para você.
3.      Para ter certeza de que é Ele que está te direcionando, ore em secreto e peça um sinal com sinceridade que a sua fé vai ser honrada.
4.      Se a pessoa que Ele te mostrar não for do teu agrado, lembre-se de que você não sabe escolher.
5.      Jamais olhe pela aparência, mas peça ao Senhor para te ajudar a contemplar a beleza interior da pessoa.
6.      Não ambicione o que ela pode te dar, mas veja se ela valoriza o que Deus deu à ela.
7.      Não é o fato de estar dentro da igreja que faz da pessoa uma crente, por isso, analise o quanto ela leva as coisas espirituais a sério.
8.      Vindo do mundão, uma pretendente pode te oferecer muito prazer - principalmente na área sexual­ -, mas leve em consideração que a vida de um casal não se resume na cama.
9.      Se a pessoa que Ele te mostrar não parecer ser perfeita, lembre-se de que você também não é perfeito e que ambos estão ganhando dEle a oportunidade de serem aperfeiçoados juntos.
10. Alguém que verdadeiramente te ama, vai te ajudar a se aproximar de Deus e não te afastar dEle.

    De fato, principalmente para a juventude atual, não é fácil vencer ao assédio e às tentações que os bombardeiam constantemente. Somente os que persistem numa vida de plena comunhão espiritual conseguem forças para não ceder desde a uma simples cantada por meio de um elogio aparentemente inocente até a uma proposta indecente que vise satisfazer seus desejos carnais. Não se deixar convencer ou não se entregar à sua própria vontade são atitudes que não podem ser tomadas com nossas tão limitadas forças humanas, pois, muitas vezes, mesmo desejando fazer o que é certo, tendemos a fazer o que é errado (Rm 7:17-20); por isso, precisamos reconhecer que se não nos entregarmos ao Senhor pedindo que pela sua misericórdia venha a nos ajudar a vencer o pecado que nos rodeia (Sl 139:23,24), seremos inevitavelmente derrotados. O jugo desigual é algo tão sério que no tempo da Lei[6] eram proibidos os casamentos não só dos israelitas com os povos gentios[7], como também entre israelitas de diferentes tribos de Israel (Nm 36:6-9[8]). Isso é algo tão sério que temos visto que até mesmo a união entre pessoas crentes, mas de diferentes denominações, costuma gerar conflitos, a menos que o casal tenha um firme acordo de, depois do casamento, congregar juntos, ou seja: alguém vai ter que abrir mão e acompanhar o outro.

    Resumindo essa nossa breve meditação, essa é a conclusão a que chegamos: A garantia da felicidade está no cumprimento da Palavra de Deus, mas para isso é necessário entender qual é o papel da igreja e a sua liderança em relação à nossa vida pessoal; O estado emocional do ser humano é muito instável, o que o torna vulnerável a sentimentos de atração que podem facilmente ser confundidos com amor; Na mistura entre o puro e o impuro, a tendência é muito maior de o impuro contaminar o puro do que o puro limpar o impuro; E as atitudes de hoje definem o bem ou o mal estar de amanhã. Tendo conhecimento disso, o que resta à um autêntico jovem cristão é se auto avaliar e, se necessário for, redefinir seus pensamentos e atitudes, sacrificando desejos e até sentimentos, primeiramente para agradar ao Senhor e, consequentemente, mesmo em meio às dificuldades obter uma vida agradável, tendo o que todos os casais desejam: alegria, a qual somente é obtida se houver paz e harmonia dentro do lar. É possível isso vivendo com uma pessoa que não ama e nem vive para Cristo (Rm 6:23)?



[1]Amor: Sentimento de apreciação por alguém acompanhado do desejo de lhe fazer o bem.
[2]Paixão: Inclinação emocional intensa e descontrolada (Rm 1:26; 7:5). Termo que expressa grande admiração por algo ou alguém. Palavra de origem do latim "passione" que significa "sofrimento".
[3]Jugo: Peça de madeira que se prende com correias ao pescoço de animais de carga, para que assim possam puxar uma carroça ou um arado (Nm 19:2; 1º Sm 6:7). Em sentido figurado: domínio, opressão (Gn 27:40; Jr 28:2; Gl 5:1); sofrimento (Lm 3:27); obediência (Mt 11:29-30); aliança (2ª Co 6:14); trabalho (Fp 4:3).
[4]Belial: Pessoa má, sem valor (Jz 19:22; 1ª Sm 30:22). Diabo (2ª Co 6.15).
[5]Absinto: Planta de gosto amargo e ruim. Simboliza aquilo que é desagradável, como o remorso (Pr 5.4) e o sofrimento (Jr 9:15).
[6]Lei: É um termo usado com frequência na Bíblia para definir um código de leis formado por mandamentos, ordens e proibições. Segundo as Escrituras hebraicas, a Lei foi dada por Deus através do profeta Moisés, tendo sido os Dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra pelo próprio dedo de Deus no monte Sinai, a tábua dos dez mandamentos. Pode ser resumida nos Dez Mandamentos, que em língua hebraica são chamados simplesmente de "As Dez Palavras" ou "Os Dez Ditos". Os Dez Mandamentos regulamentam a relação do ser humano com Deus e com seu próximo. Para fins didáticos, o Código Mosaico pode ser dividido em Leis Morais, Leis Civis e Leis Religiosas (Leis Cerimoniais).
[7]Gentio: Qualquer povo fora de Israel. Quem segue o paganismo. Quem não é civilizado. Grande quantidade de gente. Originado pela palavra hebraica “Goym”, é um termo usado para se referir a povos não judeus.
[8]Zelofeade: Membro da tribo de Manassés, cujas filhas pediram a Moisés uma propriedade na Terra Prometida. Ele saiu do Egito com Moisés e morreu no deserto deixando somente cinco filhas como herdeiras; o direito delas à herança foi confirmado por orientação divina, no entanto, não poderiam se casar com homens de outras tribos para que a herança pertencente à Manassés não fosse transferida para outra tribo (Nm 27:1-11).

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Enfim, o Casamento... Bem-Vindo a Um Novo Mundo!

A realização maior em nossa vida
terrena está no casamento; pois é
a partir dele que várias
conquistas se seguem fazendo
com que nos sintamos mais dignos
como cidadãos e como servos do
Senhor.
    Passado o período de euforia do início da vida à dois, depois de amenizar a ansiedade das novas experiências, é hora de começar a perceber que o sabor do mel é muito bom, mas para poder saboreá-lo, as vezes, é preciso suportar algumas ferroadas. Mas fique tranquilo, pois vale a pena sentir um pouco de dor para poder ter a honra de olhar no espelho e dizer: “Agora sou um chefe de família!”, “Agora sou uma dona de casa!”; afinal, a sensação de autoridade e liberdade é algo incomparável e não tem preço. Porém, é melhor ir com calma aí porque é preciso se lembrar de algo muito importante: o casamento é constituído por duas pessoas, sabe o que isso significa? Significa que você não está só e, se não está só, tanto a autonomia quanto a liberdade são limitadas, pois é preciso haver respeito e cuidado em relação àquela pessoa que agora vai viver ao seu lado até o fim da sua vida. E se você quer que essa convivência seja mesmo até o fim da vida é melhor ir se acostumando com essa ideia: “Não estou só!”; “Tudo o que tenho não é só meu!”; “Não posso tomar decisões importantes sozinho!”; “Quero ser amado, mas será que estou amando?”. É a partir do momento que conseguir fazer e responder essas perguntas a si mesmo que você poderá ter a certeza de que está agindo como um esposo ou uma esposa cristã (1ª Pe 3:6,7[1] [2] [3]).
    Uma das primeiras coisas que um recém-casado precisa é se acostumar com a ideia de que não está sozinho e que agora, querendo ou não, vai ter que aprender a impor limites a si mesmo para poder respeitar os direitos do cônjuge. Sendo assim, muitos costumes, hábitos ou manias precisam ser mudados ou até abandonados de vez, pois algumas atitudes que pareçam não ser um problema para você, talvez sejam um problema para a pessoa que está ao seu lado. A vida conjugal depende muito do amor[4], e amar, na prática, significa abrir mão de qualquer coisa que possa interferir negativamente em seu relacionamento com a pessoa amada ou também suportar algumas práticas dela que não te agradem muito; pois quem ama respeita, e quem respeita se sacrifica. Porém, é óbvio que você não vai ter que renunciar a tudo que faça parte da tua vida e nem também aceitar atitudes da parte dela que ultrapassem os limites do tolerável, afinal, o “sacrifício” tem que ser mútuo, ou seja: ambos devem se respeitar se limitando e se suportando dentro da medida do possível. Isso significa que em alguns momentos você precisará convidá-la para uma conversa um pouco mas séria e expor com clareza o que pensa, o que sente e apontar uma solução razoável para ambos: uma alternativa que não pareça apenas te favorecer, mas que seja viável também para ela. Esses diálogos não apenas representam uma saudável preocupação de sua parte em manter a harmonia no lar, mas demonstram também o quanto você é atencioso e se interessa não somente pelo seu próprio bem-estar, mas também pelo dela, lembrando ainda que, além de marido e mulher, são também irmãos em Cristo (Rm 12:9-11[5]).
    Outra coisa muito importante a aprender nos primeiros passos da vida conjugal é que praticamente tudo o que é seu também pertence a ela e vice-versa; quem não conseguir compreender o sentido da “lei do compartilhamento”, definitivamente, não vai se dar bem no casamento. O sentimento de egoísmo é uma das maiores causas de conflitos entre casais, pois não há como viver sob o mesmo teto estabelecendo “fronteiras de acesso proibido” ao seu próprio cônjuge. Tanto objetos de uso em comum quanto coisas mais sérias como senhas de cartões e decisões sobre negócios relacionados às finanças, estudos, saúde, questões sentimentais e quaisquer tipos de projetos devem ter plena participação de ambos. Afinal, casamento é liberdade de opinião e correção, parceria, confiança, amizade e até cumplicidade; a falta de algum desses fatores é o indício de que algo não está bem: um sinal de alerta indicando que alguma peça precisa ser ajustada antes que a engrenagem apresente problemas de funcionamento ou pare de vez. Sendo assim, entre duas pessoas que compartilham o mesmo sentimento, não pode haver restrições, desconfiança, segredos, vergonha ou deslealdade; caso haja, isso significa que um dos dois - ou os dois - não está compartilhando de fato do mesmo sentimento (1ª Co 13:4-7[6]).
    No que se refere às decisões importantes da casa, não deve o marido agir autoritariamente achando que tem direito sobre tudo ou mesmo jogando esse peso nas costas da esposa, e nem a mulher se excluir de suas responsabilidades pensando que isso não é problema dela ou ainda tomando a liberdade de não respeitar a autoridade do esposo. É preciso haver consenso: equilíbrio e concordância. E isso é necessário porque, além de ser uma demonstração de respeito, se algo der errado um não vai poder culpar o outro, afinal, ambos optaram juntos por essa decisão. O descumprimento dessa regra tão básica de convivência é um erro tão grave que não sou poucos os casos de separação porque, de repente, chegaram contas, ou cobranças de contas não pagas, que o esposo ou a esposa nem sequer imaginavam sua existência. Com exceção de ser um presente surpresa, ainda que os dois trabalhem para ganhar seu próprio dinheiro, é importante sim que cada um saiba dos negócios realizados pelo outro até mesmo porque num caso de desemprego, por exemplo, o parceiro estando ciente da dívida pode se programar para ajudar no pagamento da mesma. E esse acordo nas decisões é importante não apenas em assuntos financeiros, mas em tudo quanto seja realizado no dia-a-dia, pois é apenas um simples detalhe que pareça não fazer diferença alguma para você que pode fazer muita diferença para ela e provocar gravíssimos problemas com danos quase irreparáveis, sendo que tais prejuízos poderiam ser facilmente evitados com simples atitudes como, por exemplo: sempre ligar informando aonde está e para onde vai, não esconder recados e nomes de amigos adicionados em redes sociais, pedir opinião sobre qual roupa vestir ou com quem deve ir a determinado lugar e sempre comentar sobre seus sonhos ou objetivos demonstrando total disposição e interesse em saber o ponto de vista dela. Comunicar e pedir participação nas decisões, assim como em qualquer relacionamento, estruturam e fortalecem o casamento, pois a Bíblia nos ensina a não fazermos projetos sozinhos  (Pr 15:22; Ec 4:9,10).
    Outra falha que se deve evitar a todo custo são os questionamentos ou as cobranças excessivas, principalmente quando você não pratica como deveria aquilo que questiona ou cobra, e uma dessas coisas é o amor. A correria cotidiana tende em nos transformar em egoístas levando-nos pensar que estamos fazendo muito e recebendo pouco do nosso cônjuge. Um bom exemplo disso é o fato de que quando um homem chega em casa cansado, se a mulher pede atenção, ele se sente no direito de não lhe atender e, por outro lado, se é ele que lhe pede atenção e ela se justifica dizendo que está cansada, já acha que ela não está querendo retribuir ao seu amor; e como o inimigo adora essas brechinhas começa a colocar um monte de minhocas na cabeça do sujeito, tipo: “Ela está agindo com ingratidão, desinteresse, acho que não me quer mais, deve estar me botando chifre!” e por aí vai. Essa situação se aplica a ambos, e para evita-la basta simplesmente compreender que todos nós temos momentos de indisposição e a não ser que esses argumentos sejam rotineiros, não podem ser encarados como desculpas, mas sim como eventualidades as quais você vai sobreviver. Quem realmente ama passa a conhecer a pessoa de uma tal forma que dificilmente se consegue enganar com qualquer aparência e sabe entender as fraquezas e esperar, não se tornando assim um “torturador” da pessoa amada. Você ama de verdade? Então com certeza você a trata da mesma forma como espera que ela te trate (Mt 22:39; Rm 13:10).
    O casamento é muito mais do que uma mudança de casa, membros familiares e estado civil nos documentos, ele significa uma alteração total em sua rotina que interfere não só em seu coração, mas te faz sentir mudanças psicológicas e até físicas. É a partir daí que você vai aprender a conviver com uma realidade que te exigirá mais responsabilidade, autocontrole, firmeza, coragem, sabedoria, boa vontade e até fé em Deus... ou seja: tudo o que você já tinha ­- ou pensava ter­ - antes, agora precisa ser incalculavelmente multiplicado por valores indefinidos e dividido por dois. Mas não se assuste e nem pense que isso é negativo, pois é exatamente ao contrário: as experiências adquiridas a partir daí, ainda que algumas possam ter sabor amargo, te produzirão efeitos tão positivos que em pouco tempo você perceberá que evoluiu de tal forma que conquistas que pareciam impossíveis agora são uma realidade em sua vida. Casamento é a concretização da vontade divina em relação ao estabelecimento da família e a possibilitação da continuidade da raça humana de uma forma decente e honrada: dentro de um lar oficialmente constituído por meios legais e estruturado pelo sentimento do amor. A união conjugal, quando realizada sob a direção de Deus, é sinônimo de paz, segurança, honra e alegria; por isso, o consagre ao Senhor orando diariamente por ele e viva-o intensamente (Ec 9:9[7]; Pr 18:22; 19:14[8]).



[1]Sara: Significa "Princesa". Esposa de Abraão e mãe de Isaque. Até os 90 anos foi chamada de Sarai que significaria "Briguenta" (Gn 11:29-31; 12:1; caps. 16-23; Hb 11:11; 1ª Pe 3:6.
[2]Abraão: Esse nome significa pai, ou líder de muitos. É um personagem bíblico citado no Livro do Gênesis a partir do qual se desenvolveram três das maiores vertentes religiosas da humanidade: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Obedecendo as ordens de Deus, saiu com Ló de Harã, juntamente com sua esposa e seus bens, indo em direção a Canaã. Abrão já teria setenta e cinco anos de idade e dá a entender que já tivesse pessoas a seu serviço, embora nenhum filho. Teria sido pai pela primeira vez aos oitenta e seis anos, quando nasceu Ismael: filho que ele concebeu com sua escrava Hagar, sob consentimento de sua esposa Sara que era estéril. Sara deu à luz a Isaque com a idade aproximada de 90 anos e Abraão tinha quase 100. Ele é considerado como o pai da fé e morreu com 175 anos de idade.
[3]Coabitar: Habitar em comum; viver em comum. Ter relações sexuais com alguém. Conviver intimamente.
[4]Amor: Sentimento de apreciação por alguém acompanhado do desejo de lhe fazer o bem.
[5]Cordialmente: De forma cordial. Amável; sincero. Relativo ao coração. Afetuoso, franco, sincero. Que estimula o coração.
[6]Leviandade: Procedimento irrefletido, precipitado ou sem seriedade; imprudência (Jr 23:32; 2ª Co 1:17).
[7]Vaidade: Ilusão. Qualidade do que é vão, instável ou de pouca duração. Desejo imoderado e infundado de merecer a admiração dos outros. Vanglória, ostentação. Presunção malfundada de si, do próprio mérito; fatuidade, ostentação. Coisa vã, fútil, sem sentido. Futilidade. Jactância, presunção.
[8]Fazenda: Riquezas e bens; Finanças.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Trocando Ideias Antes Para Depois Não Dizer que Não Sabia que Ele(a) Era Assim

Os pontos positivos e negativos
de uma pessoa são mais
facilmente percebidos quando
lhes damos atenção e a
fazemos se sentir a vontade
para expressar suas ideias e
sentimentos.
    Você quer se casar[1]? Quer mesmo? Tem certeza disso? Por acaso você conhece a pessoa com quem está namorando[2]? Sim. Eu sei... você sabe o nome dela, a altura, a cor do cabelo e dos olhos, as preferências, algumas manias, o endereço, já viu a família e até a acha bonitinha. Porém, sem querer te desanimar, essas informações basiquíssimas não te tornam um conhecedor a respeito da pessoa com quem está fazendo planos de passar o resto da vida; aliás, nem sabe se vai conseguir passar o resto da vida com ela. E é aí que está um grande perigo: primeiro, porque casamento de cristão tem que durar até a morte (Rm 7:2,3) e, depois, porque você está assumindo um compromisso moral de extrema seriedade e precisa ter a dignidade de honrar sua palavra dada a ela perante a família, a sociedade, a Igreja e, principalmente, diante de Deus; afinal, vai fazer um juramento no altar sagrado, e eu imagino que você não gostaria de mentir (Jo 8:44) principalmente ali (Mt 23:18-20), não é mesmo? Então, para evitar amargos arrependimentos mais tarde, é preciso saber que casamento não é sempre esse doce sabor de mel que você está experimentando agora, ou seja: atração por boa aparência ou suposto bom caráter pode trazer decepção; por isso, menos beijos e mais diálogos podem proporcionar muito mais prazer no futuro.
Então, já que é tão importante a troca de ideias entre um casal que está se preparando para uma futura vida conjugal[3], qual deve ser o conteúdo dessas conversas? Vejamos aqui cinco dos assuntos mais importantes que podem interferir de forma positiva ou negativa chegando a fazer diferença entre o sucesso ou o fim de um casamento:
1 - Postura social: Isso inclui todo o comportamento de um modo geral como, por exemplo: ética[4] profissional, convívio familiar, relacionamento com as demais pessoas e questões relacionadas à própria moral como a moderação das palavras e a sensualidade. É de extrema importância observar e comentar sobre isso com a pessoa durante o namoro, pois são atitudes aparentemente sem importância, mas que podem gerar desconfortos como irritação ou até ciúmes. Pois não são poucos os casos de sérios conflitos entre casais por nunca terem, no período do namoro e do noivado, notado e conversado sobre esses detalhes:
-  Se ele ou ela demonstrava mais preocupação com o emprego do que com a casa e a família ou também porque, no serviço, não mantinha uma conduta de honestidade ou respeito para com clientes e colegas de trabalho;
-  De que forma ela trata a família antes de se casar - os pais e os irmãos -. Pois isso revela sua verdadeira personalidade[5], assim deixando transparecer a forma que provavelmente ela te tratará depois do casamento, considerando ainda que após estar casada, ela sentirá mais domínio sobre a casa e, por ter mais autoridade, se imaginará no direito de se impor mais ainda sobre você;
-  Seu mal ou o bom relacionamento com vizinhos, irmãos de igreja e outras pessoas próximas. Pois isso também pode indicar se você poderá ou não futuramente ter problemas com alguém por causa dela;
-  Se ela tem o costume de expor seu corpo. Pois mesmo isso parecendo algo inocente e sem importância, na verdade, além de ser algo reprovável diante de Deus e impróprio diante da conduta cristã, pode também expressar um caráter indigno de confiança, pois qual será a intenção de alguém que gosta ou não se importa em mostrar partes ou o contorno de seu corpo?
-  Se ela fala muito ou se fala de forma imprudente. Pois o descontrole sobre a língua ou uma simpatia exagerada, ainda que praticados de forma ingênua, além de sérios problemas, também geram uma má impressão fazendo com que ela seja mal interpretada por pessoas que não a conheçam bem.
    Mínimos detalhes observados no comportamento desde o início de um relacionamento são o ponto chave para se prevenir de perigosos conflitos que poderão surgir no futuro. A identificação de alguns aspectos negativos pode possibilitar sua correção através de simples diálogos, os quais devem ser abordados com delicadeza e carinho - sem imposições ou qualquer demonstração de autoritarismo - para não causar atritos provocando problemas e colocando em risco a continuidade do namoro.
2 - Controle financeiro: Conversar sobre dinheiro te ajuda a passar para ela a imagem de alguém que se preocupa com o sustento da casa e te permite ter uma noção se ela pensa e age da mesma forma. É importante que haja um prévio acordo entre os dois a respeito do fato se apenas o homem vai trabalhar fora enquanto a mulher cuida da casa, ou se ambos terão empregos e, nesse caso, de quem é a responsabilidade por cada item das despesas. É importante notar se ela - ou ele - ganha seu próprio dinheiro ou se é dependente dos pais; e, no caso de ganhar seu próprio sustento, como o administra e se ajuda em casa, e de que maneira lida com as dívidas e como controla cheques ou cartões de crédito, e também se se preocupa em estudar e fazer cursos para crescer profissionalmente.
3 - Formação familiar: Falar sobre o futuro da família que pretende constituir é extremamente importante. Num relacionamento que visa o compromisso matrimonial, deve-se abordar com frequência questões como: “Vamos morar próximos aos nossos pais ou ficar longe da influência - ou interferência - de parentes”?; “Quantos filhos vamos ter?”; “Que tipo de educação vamos dar a eles?”;  “Você sabe cozinhar, lavar a roupa e limpar a casa?”. Esse tipo de questionamento pode parecer tolice, mas, por não terem discutido questões “bobas” como essas, muitos lares estão completamente desmantelados.
4 - Visão ministerial: Você canta, prega, é chegado numa vigília, crê em milagres e batismo com o Espírito Santo, gosta de dar “aleluia” e “glória a Deus”, curte o modernismo gospel, leva a sério a Escola Dominical, é a favor de Teologia, possui algum cargo relevante no ministério, participa assiduamente dos trabalhos da igreja, vai regularmente aos cultos ou é só um crente domingueiro? Sem supervalorizar ou desmerecer qualquer um desses itens, o mais importante a considerar aqui é se a pessoa com quem pretende se casar é igual, age assim ou pelo menos pensa - total ou parcialmente - da mesma forma e consegue tolerar atitudes diferentes daquelas que ela foi ensinada e acostumada a viver até aqui. Tais diferenças são fatores que têm atrapalhado a vida ministerial de muitos servos e servas de Deus causando esfriamento espiritual e gravíssimos problemas dentro de casa. Essa é a razão pela qual não é aconselhável o casamento entre pessoas de diferentes denominações[6]. Falar sobre isso e analisar os pontos negativos de qualquer discordância possibilita um melhor entendimento para que no futuro ambos possam ser autênticos instrumentos de Deus em sua Obra trabalhando juntos de maneira pacífica e harmoniosa.
5 - Comportamento sexual: Aí a coisa é mais complicada do que parece porque há palavras, gestos, atitudes e posições na hora do prazer que podem satisfazer o homem e não satisfazer a mulher ou vice-versa; além do mais, existe outro fator a se considerar: “Será que a forma como eu quero - ou ela quer - fazer é agradável ou abominável a Deus?”. Mesmo sendo um assunto ainda á beira da “proibição” devido a existência de tantos tabus[7] em torno dele é sim necessária sua abordagem durante o namoro para se evitar futuras frustrações, as quais, quando um dos cônjuges não está espiritualmente firme e, levado pela falta de vigilância sob o pretexto da insatisfação na cama, acaba se entregando ao adultério. É importante também ressaltar que somente se deve conversar sobre isso quando houver a certeza da maturidade e da seriedade da outra pessoa, primeiro para evitar que se ela for uma “super-crente” venha a se escandalizar e ficar com medo de você e, segundo para, caso ambos não tenham uma boa estrutura, não acabem deixando a conversa ficar “picante” demais e aí já sabe, né?
    Casal que não conversa não se entende, e quem não se entende não consegue conviver por muito tempo. Não é raro ouvirmos relato de pessoas que dizem: “Ele não era assim! Ele mudou com o tempo!”, mas, na verdade, pessoas não costumam mudar, simplesmente, com o tempo, ela acabam por revelar seu verdadeiro caráter e, na grande maioria desses casos, isso poderia ser facilmente percebido se tivesse havido mais diálogo e atenção aos mínimos detalhes por parte de quem hoje se tornou vítima da situação. Além dos assuntos aqui mencionados, há vários outros que devem ser abordados durante o namoro como, por exemplo, preferências culturais, opiniões sociais, temperamento[8] e até costumes relacionados à saúde e à higiene pessoal. Não adianta simplesmente achá-la bonitinha admirando seu corpo e saboreando seus doces beijos, pois a vida conjugal vai muito além disso; bem mais do que se imagina. A troca de ideias não é só uma expressão de opinião, mas também uma troca de conhecimento e experiências que tornarão o casal mais íntimo e mais confiante em seu relacionamento.
    É óbvio que como cristãos sabemos que nossas escolhas não se baseiam apenas em critérios baseados na lógica da boa convivência, mas também, e principalmente, na vontade de Deus e em seus propósitos para nossa vida (Rm 8:28) fazendo-se assim essencial muita oração com vigilância e pedido de discernimento entre o bem e o mal (Sl 86:11) para conseguir encontrar a pessoa ideal. No entanto, após a conquista, mesmo tendo a certeza de que essa é a princesa - ou o príncipe - dada pelo nosso Rei, isso não nos priva da responsabilidade de agir com prudência procurando conhecer para poder corrigir possíveis falhas que venham, futuramente, a causar problemas ou mesmo por um fim num lar que foi nos foi planejado, estruturado e estabelecido pelo próprio Deus; o fato de Ele nos dar uma bênção não nos livra da obrigação de cuidar bem dela para não perdê-la (Mt 25:24-28[9]).



[1]Casamento: Instituição divina pela qual um homem e uma mulher se unem por amor numa comunhão social e legal com o propósito de estabelecerem uma família (Gn 1:27-28; 2:18-24). É permanente e só pode ser dissolvido pela morte (Rm 7:2-3) ou, excepcionalmente, pelo divórcio (Mt 19:3-9). União legítima e legal de homem e mulher para constituir família.
[2]Namoro: Ato de namorar. Período em que um casal se dedica a conhecer um ao outro visando chegar ao casamento.
[3]Conjugal: Relativo a cônjuges (marido e mulher) ou ao casamento (Êx 21:10; Rm 7:2).
[4]Ética: Conjunto de princípios morais que se devem observar; é o que indica as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros da sociedade. Bom senso.
[5]Personalidade: Caráter essencial e exclusivo de uma pessoa. Aquilo que a distingue de outra.
[6]Denominação: Designação de uma pessoa ou uma coisa por um nome. Termo usado para definir as diferentes igrejas evangélicas.
[7]Tabu: Qualquer coisa que se proíbe supersticiosamente, por ignorância ou hipocrisia. Feitiço. Aquilo que tem caráter sagrado, sendo defeso a qualquer contato. A própria pessoa ou coisa sagrada. Instituição religiosa ou mágica que atribui a uma pessoa ou coisa caráter sagrado, interdizendo qualquer contato com elas.
[8]Temperamento: Caráter, constituição moral, gênio, índole. Equilíbrio; controle.
[9]Talento: O talento de ouro ou prata era a unidade de moeda romana para grandes quantidades de dinheiro. Ele foi introduzido na Grécia Antiga e depois adaptado para o sistema monetário romano. Um talento era igual a 60 minas, que, por sua vez eram equivalentes a 100 dracmas. Sabendo que uma dracma era igual a 4,5 a 6 gramas de ouro ou prata, um talento significava entre 27 a 36 quilos de metal. Estudiosos calculam que um talento hoje valeria no mínimo 1300 dólares (cerca de dois mil reais). Espiritualmente, os talentos representam os dons que o Espírito Santo nos concede e, na linguagem popular expressa as habilidades especiais de uma pessoa; era um termo muito usado pelos romanos para elogiar uma pessoa de valor.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Dar Uns “Amassos” Durante o Namoro, Pode?

Liberdade excessiva e
falta de temor a Deus é
o que leva muitos
jovens casais a
"amassar" sua vida
espiritual não
resistindo às tentações
sexuais.
    Só pra iniciar o nosso bate-papo, quero dizer que, na Bíblia, esses amassos têm o seguinte nome: fornicação[1]. E, por sua vez, fornicação nada mais é do que o pecado da luxúria (atração por prazeres sexuais); uma relação sexual ilícita; em outras palavras: é um ato de imoralidade que consiste em pecado por ferir os mandamentos divinos (Êx 20:14[2]). Essa é uma das tentações mais difíceis de se resistir por um simples motivo: o sexo proporciona muito prazer e quanto mais é praticado, mais provoca desejo. E, da mesma forma, até mesmo muitos adolescentes e jovens que ainda não o praticaram, mas somente pelo fato de já terem desenvolvido em seu corpo os membros criados para o ato sexual e a mente já repleta de informações a respeito do quanto isso é prazeroso, o torna tão desejável quanto aquele prato caríssimo que você nunca comeu, mas fica com a boca cheia d’água só por imaginar em saboreá-lo. Essa curiosidade seguida de uma intensa vontade leva a maioria a um processo quase inevitável: pornografia, masturbação, exploração do corpo do namorado(a) e, finalmente, a prática literal do sexo. Essa tem sido a maior das razões pela qual muitos, nessa faixa etária, têm se afastado do Evangelho; pois os que não conseguem resistir sentem-se sufocados pela doutrina bíblica e acabam por optar por uma vida de “liberdade” em que a única regra é “o que importa é ser feliz”: essa é a mensagem de Satanás, e ele prega isso muito bem (1ª Tm 4:1-3[3]).
    Quando se fala de fornicação, sempre surgem algumas velhas e polêmicas questões, vamos analisar algumas delas:
    “Mas e se o casal se ama?” - A confusão existente em torno desse sentimento é uma das armadilhas mais usadas pelo inimigo para conduzir o ser humano ao inferno. Pois é em nome disso que muitas pessoas desprezam quem realmente as ama, abandonam a família e perdem a sua integridade moral, entregando-se ao pecado para provar que amam ou para viverem a satisfação de um mero desejo carnal. Muitos jovens casais fazem uso desse argumento para justificar sua relação de intimidade proibida. Diante dessa situação, tenho outra pergunta a fazer: esse amor é verdadeiro? A Bíblia resume todos os mandamentos no amor, destacando que o principal é o amor a Deus (Mt 22:37,38). Agora, como alguém que diz que o ama pode ser capaz de traí-lo dessa forma, praticando um ato de impureza que Ele repudia terminantemente (Hb 13:4[4])? Quem ama a Deus deve respeitá-lo acima de tudo; assim, automaticamente, vai também respeitar aquela pessoa a quem diz que ama (Mt 22:39), não levando-a a pecar e a perder a sua moral. Um casal de namorados que realmente se ama também se respeita e se ajuda. Dessa forma, em vez de caírem mutuamente no pecado, edificam um ao outro orando, lendo a Palavra, adorando e fazendo a Obra do Senhor juntos (Sl 101:6). Essa é a maior prova de amor que se pode dar a alguém.
    “E se os dois têm o objetivo de se casar?” - Ter o objetivo de assumir uma responsabilidade futura não dá a ninguém o direito de se adiantar; por acaso você recebe o pagamento antes de trabalhar? Sexo é uma conjunção carnal[5], e conjunções carnais somente devem ser praticadas entre o esposo e a esposa; e um namorado e uma namorada ainda não são considerados como um esposo e uma esposa. Uma das melhores coisas da vida é o efeito do “elemento surpresa”: é aquele lance da expectativa, da ansiedade, do preparo e da sensação de felicidade ao receber o prêmio depois da missão cumprida. O sexo no casamento é basicamente isso; se for feito antes, a lua de mel já perde seu sentido, pois a principal “magia” do inicio de uma vida matrimonial é principalmente a descoberta da intimidade do cônjuge; se não tiver mais isso, se casar não representará nada mais do que simplesmente se unir oficialmente. E sabe o que é pior? Para os que são tementes ao Senhor, haverá o incômodo da sensação de culpa por saber que mentiu perante a família, a igreja e a sociedade fazendo algo que o desagradou (Sl 119:67,71), e ainda também o peso da lei da semeadura (Jó 4:8; Sl 7:15; Jr 4:18): isso explica porque muitos casais são infelizes, inclusive na área sexual.
    “Ninguém é de ferro, como resistir à fraqueza da carne?” - Tá certo. Vamos fazer tudo o que der vontade então, e depois é só explicar que ninguém é de ferro e tá tudo resolvido; qualquer coisa é só culpar o Diabo, pois ele vive provocando o nosso ponto fraco, não é mesmo? Esse tipo de argumento, as vezes, pode até funcionar perante o homem, mas não diante de Deus. Se a Bíblia nos ordena a resistir ao Diabo garantindo que, se assim fizermos, ele fugirá de nós (Tg 4:7), isso significa que ele só age quando nós permitimos (1ª Pe 5:8,9). Negando isso, simplesmente, negamos a Palavra de Deus. O mal do ser humano é tentar justificar suas fraquezas em vez de assumi-las e combatê-las (Pr 28:13,14). Sim, de fato, o sexo é uma das maiores - senão a maior - das tentações; porém, não há nada e nem ninguém que possa nos obrigar a fazer aquilo que realmente não queiramos ou pelo menos não tenhamos a intenção de fazer. A natureza carnal pode sim ser vencida começando pela simples atitude da determinação a não se entregar ao pecado. A partir daí, basta se propor a seguir uma mudança de hábitos, o que inclui aumentar o período em que você se envolve com coisas espirituais, como também atividades materiais saudáveis, e diminuir o tempo em que você passa a sós com a pessoa com quem está namorando. Dedicar-se mais a Deus e a outras atividades não é tarefa fácil, mas nem tudo o que é necessário é fácil e muitas coisas boas exigem sacrifícios para serem alcançadas; quanto à diminuição do tempo destinado ao namoro, não se trata de desprezar a namorada(o), mas apenas de se preservar, não se expondo tanto a situações de risco. Se essa pessoa realmente te ama, ela vai entender e saber que isso é para o bem de ambos (1ª Co 13:7). A carne realmente é fraca, mas ela pode ser mortificada (Cl 3:5-7).
    “E se não houver penetração, isso é considerado sexo?” - Aqui chegamos a um nível bem mais sério: os dois pombinhos se deram tanta liberdade que agora estão procurando alternativas para suavizar o tesão[6] e caçando “brechas na lei” para justificar sua falta de controle. Só que existe um pequeno probleminha: a lei de Deus não tem brechas e o pecado continua sendo pecado ainda que não seja consumado, pois a intenção basta (Êx 30:17[7]; Pr 6:25; Mt 5:27,28). Para ser bem claro, isso quer dizer que aquelas carícias mais calorosas em partes íntimas do corpo, que levam o rapaz a convencer a moça - ou vice-versa - a despir[8] em partes, ou totalmente, o seu corpo, chegando ao ponto crítico de haver contato entre seus membros sexuais, ainda que com o “respeito” de não concluírem o ato com a penetração, por ser uma ação fora dos limites aceitáveis para um casal que ainda não constituiu matrimônio, consiste sim em fornicação, adultério[9] e, consequentemente, pode ser considerado como o próprio sexo em si, pois se trata mesmo de um ato sexual. Vamos exemplificar: se você der um tiro em alguém e essa pessoa não chegar a morrer, não significa que não houve a intenção de matar, e nem adianta alegar na Justiça que é inocente porque “a bala não penetrou”, pois houve sim um crime e terá que pagar por isso. É claro que não podemos negar a misericórdia de Deus que, por sua onisciência, é o único que tem condições de julgar cada situação e que, certamente, honrará o “sacrifício” do casal que, perante tão grande tentação, por temor a Ele, não concluiu o ato; porém, devemos considerar também que o pecado começou quando ambos se expuseram ao perigo, ultrapassando os limites da sedução, sabendo que este é um comportamento totalmente inadequado aos princípios ensinados nas Escrituras Sagradas. Considerando esses dois pesos na balança - a misericórdia divina e a nossa responsabilidade cristã - podemos concluir que não vale a pena arriscar (Sl 119:80).
    Para evitar o pecado da fornicação, é preciso saber controlar as “portas do corpo” que servem de entrada para a tentação; essas portas são chamadas de “os cinco sentidos”: visão, audição, paladar, olfato e tato. Vamos fazer uma breve análise sobre cada um deles:
Visão: Por tendência natural, a atração por alguém começa pela visão: você olha para o corpo dela e passa a ver, além da beleza, algo mais interessante que te leva a fantasiar desejando muito mais do que beijos e abraços. Por essa razão, devemos ter cuidado ao que estamos focando o nosso olhar (Sl 101:3; 119:35-37).
Audição: Durante contatos mais calorosos, palavras suaves que mudam até a entonação da voz fazendo com que sussurros pareçam gemidos, inevitavelmente, aguçam os órgãos sexuais. A forma como deixamos nossos ouvidos nos conduzirem também faz diferença entre a resistência e a entrega à tentação. Nossos órgãos, inclusive os ouvidos, devem se manter puros e, por isso, devem estar guardados contra aquilo que desagrada a Deus (Is 33:15,16). E isso também inclui ouvir músicas de conteúdo indecente ou palavrões, que são coisas que também insinuam o prazer sexual.
Paladar: Em qualquer namoro moderno é natural a prática do beijo. Nesse contato da boca com a pele, pelo qual se sente o “sabor do corpo”, inevitavelmente, os órgãos sexuais são automaticamente ativados: a respiração fica ofegante, o calor aumenta provocando até suor, o coração acelera e o corpo arrepia. O maior exemplo é o beijo de língua: durante um beijo acalorado, a língua exerce uma função parecida com a do pênis e a boca passa a representar a vagina. O movimento intenso de ambos, no subconsciente, simula a prática do sexo podendo levar o casal, ou um dos dois - principalmente o homem - a um estado de êxtase bem próximo ao orgasmo[10]. Atos inocentes, como um simples beijo, costumam ser a fase inicial do ato sexual; por isso, é preciso saber “beijar com moderação” para manter a pureza nesse perigoso tipo de contato físico (1ª Co 6:17,18).
Olfato: Abraços apertados seguidos de carícia levam a pessoa a ser seduzida por um fator que muitas vezes passa desapercebido: o cheiro do corpo. Isso se dá mais ainda quando a pessoa usa, propositalmente ou não, perfumes, sabonetes ou até roupas lavadas com determinados produtos que possuem fragrâncias que provocam excitação. Há também a questão do hálito, o qual sendo agradável, também contribui para isso. É claro que não vou dizer que, para evitar a tentação por esse sentido, não se deva usar perfumes ou escovar os dentes, mas sim que haja um cuidado especial em não se usar nada que tenha odores provocantes ou que insinuem desejo por sexo. Nossas intenções podem ser manifestas em simples alterações de comportamento, o que também inclui o cheiro do próprio corpo. Tudo o que há em nós é sagrado e precisa ser preservado (1ª Co 6:19).
Tato: Dos cinco sentidos esse é o melhor - ou o pior -, pois nele está inserido o ato em si: é o contato direto, o que consiste em encostar, apalpar, apertar e pressionar, não só com as mãos, mas com qualquer outro membro do corpo, inclusive aqueles lá que podem se contrair ou aumentar o tamanho dependendo da intensidade da emoção. Em namoros muito liberais, o contato físico é constante e o seu resultado, geralmente, é catastrófico, não há como dizer que vai resistir à tentação se já tá “metendo a mão em tudo”. Essa liberdade, na verdade, é apenas o reflexo da desvalorização de se próprio; não excluindo a responsabilidade dos homens, mas são as mulheres que, nesses casos, têm mais condições de controlar a situação e impedir que seja avançado o sinal vermelho, pois a multa para esse tipo de infração é muito alta: a consequência do pecado não compensa os prazeres momentâneos da carne (1ª Pe 1:24,25; 1ª Jo 2:17).
    Um namoro não pode ser considerado espiritualmente saudável se a conduta do casal não condizer com os padrões bíblicos. De fato, sexo é bom e o desejo por ele é quase incontrolável; mas, ao invés de usar a fraqueza humana como desculpa para adiantar esse sublime e respeitável momento, o melhor é, mediante a certeza da existência do amor entre ambos, adiantar o casamento (1ª Co 7:2,9), pois namoros muito longos são desgastantes e muito perigosos. Há muitas coisas que um jovem casal pode fazer junto para ocupar o tempo em que poderiam estar “se amassando” como, por exemplo: aumentar o diálogo para se conhecerem melhor, passeios em lugares públicos, períodos de oração e leitura da Palavra e ajudarem-se mutuamente em trabalhos escolares ou profissionais; isso não somente diminui o risco do excessivo contato físico, quanto também estreita o laço do relacionamento, tornando-os mais amigos e zeladores um do outro. Para contribuir com esse afastamento carnal, o recomendável também é que tenham mais comunicação por telefone ou pela internet do que pessoalmente e que em suas conversas , sempre que possível, ao perceber uma aproximação mais “animada” do parceiro, procure abordar assuntos espirituais para dar uma esfriada nesse ânimo que não vem do alto e fortalecer o relacionamento diante de Deus. Quer ter um casamento abençoado? Então que o seu namoro seja marcado pelos amassos dos joelhos no chão e também pelo costume de “amassar” as folhas da Bíblia de tanto folheá-la. Se Jesus for convidado para cada um de seus encontros, certamente Ele sempre estará ali no meio (Mt 18:20).



[1]Fornicação: Relação sexual ilícita (At 15:29).
[2]Adulterar: Cometer adultério (quebra da fidelidade conjugal). Cometer adulteração, contrafação, falsificação, heresia, apostasia).
[3]Cauterizado: Que sofreu aplicação de cautério (ferro quente, cáustico ou outro agente que queima e converte em escara (ferida de queimadura), ou destrói os tecidos a que é aplicado). Morto ou destruído por ação de ferro em brasa. Simboliza uma mente destruída (1º Tm 4:2).
[4]Venerado: Honrado, reverenciado, respeitado.
[5]Conjunção carnal: Coito vagínico, a introdução do pênis na vagina da mulher. Introdução do órgão genital masculino no interior da cavidade vaginal, ou seja, no órgão genital feminino.
[6]Tesão: Excitação sexual. Vontade de fazer sexo.
[7]Cobiçar: Prática da cobiça: forte desejo de conseguir algo, ainda que por meio ilícito.
[8]Despir: Tirar a roupa toda ou em parte.
[9]Adultério: Quebra da fidelidade conjugal. Adulteração, contrafação, falsificação. Heresia, apostasia.
[10]Orgasmo: O auge da satisfação sexual. O momento mais forte da sensação de prazer. Momento final do ato sexual que culmina em uma explosão de prazer físico que relaxa e sacia o desejo. Geralmente o orgasmo masculino é acompanhado da ejaculação. No caso das mulheres o orgasmo é mais raro e não possui ejaculação. Informalmente chamado de “gozo”.