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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Está Tudo Pago

Imagine a anulação de um
documento de cobrança cujo
valor jamais conseguiríamos
pagar... Foi exatamente isso
que Jesus fez por nós ao
morrer na cruz. Seu sacrifício
perfeito substituiu nossas
falhas tentativas de
merecermos o perdão dos
pecados; em troca disso,
apenas o que Ele requer é fé e
obediência de nossa parte.
Colossenses 2:14 - "havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz."

Contexto
- Essa epístola foi escrita provavelmente no ano 61dC., pelo apóstolo Paulo.
- Colossos era uma cidade da Frígia (um distrito da Província da Ásia); ficava a 120 quilômetros de Éfeso. 
- Conforme demonstra Colossenses 1:7 e 4:17, a Igreja que havia ali, possivelmente era pastoreada por Epafras e Arquipo; dois frutos da evangelização de Paulo.
- Nos noventa e cinco versículos dos seus quatro capítulos, seus assuntos principais abordam os problemas do legalismo, a heresia do culto aos anjos e a vida social do cristão.

Mensagem
- Essa "cédula" era um documento que comprovava a existência de uma dívida, quem a possuía tinha direitos de cobrança sobre o devedor. Espiritualmente se refere à Lei Mosaica que com suas 613 ordenanças - 248 positivas e 365 negativas - condenavam o pecador. Agora não seriam mais os rituais que poderiam condenar ou justificar alguém.
Cl 2:8,9 - "Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; 9porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade."

- "Riscar a cédula que nos era contrária" é um termo que se refere ao sacrifício de Cristo na cruz, o qual pagou em nosso lugar por uma dívida constituída pelo pecado, a qual não teríamos jamais condições de pagar. Sua morte na cruz nos deu uma oportunidade de não morrermos por nossos pecados, dando-nos, por meio de nosso arrependimento e mudança de vida, perdão e acesso à sua Graça.
Cl 2:13 - "E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,"

- O termo "a tirou do meio de nós" significa que se a Lei apontava para a condenação pelo fato de o homem não ter condição de se redimir sendo ele de natureza pecaminosa, a Graça "zerava sua conta" a partir do momento que ele aceitava o fato de que Cristo é o seu Salvador por ter feito o sacrifício perfeito em seu lugar.
Cl 3:1-4 - "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. 2Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; 3porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória."

- Ao ter "cravado na cruz" representa o valor do seu sangue, o qual carimbou como "pago" toda a nossa dívida pecaminosa, vencendo Ele próprio o inimigo não desistindo de seus sacrifícios pelos pecadores. Assim, durante esse ato, expôs a derrota de Satanás e seus demônios, que sobre os tais a pessoa que recebe a Cristo abandonando o pecado não é mais escrava.
Cl 2:15 - "E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo."

sábado, 10 de novembro de 2018

Parábolas da Ovelha, da Dracma e do Filho Perdido

O Bom Pastor não reclama do
peso da ovelha, apenas se alegra
por te-la encontrado e a põe em
seus ombros; O Verdadeiro
Trabalhador não menospreza a
menor das moedas perdidas
porque sabe o quanto ela lhe
custou; o Pai do filho pródigo
não o rejeita porque seu amor
não se esgota por causa de seus
erros. Será que, como cristãos,
temos conseguido viver esses
exemplos buscando pelos
perdidos e nos alegrando
por encontrá-los?
Lucas 15:3-12

Lucas 15:3 - "E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:"
    As parábolas da ovelha e da dracma perdida e também do filho pródigo estão inseridas em um mesmo contexto, possuindo também uma mesma mensagem. O que levou Jesus a contá-las foi a persistente murmuração dos escribas e fariseus que incansavelmente implicavam com o fato de Ele receber e comer com pecadores. Através do conteúdo das mesmas podemos perceber que seu objetivo era lhes mostrar que Ele não estava se misturando aos que praticavam pecados por apoiar suas atitudes, mas sim com o objetivo de lhes pregar a Palavra, dando a eles oportunidade para a salvação. Seus críticos eram religiosos assíduos seguidores da Lei que acreditavam que por seguirem fielmente os rituais prescritos nos mandamentos eram merecedores do céu, porém não atentavam ao fato de que suas atitudes de aparência não condiziam com seu coração pecaminoso que estava longe de Deus e, principalmente, a misericórdia pelos necessitados de uma mudança de vida também não existia neles.

Lucas 15:4 - "Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la?"
    Logo em primeiro plano Ele já ataca diretamente a hipocrisia deles. Essa pergunta era para faze-los refletir sobre suas atitudes como seres humanos e servos de Deus, pois estavam supervalorizando os que seguiam os dogmas religiosos como se nunca tivessem pecado e menosprezando os demais como se não houvesse mais solução para eles. Com isso Jesus queria que eles pensassem sobre o valor de cada um, pois para o Senhor todos são vistos como ovelhas, inclusive os que estão desgarrados. Com isso, Ele atingia em cheio um dos pontos que mais era ensinado na Lei e pregado por esses homens: o amor; muito se falava a respeito desse sentimento, mas não se aplicava na prática o que era aprendido porque o que eles mais amavam de fato era suas posições de status e sua fama como homens de Deus. Para não se contentar com noventa e nove ovelhas e ir atrás de uma perdida como se fosse única, é necessário muito amor por ela e respeito por seu Dono.

Lucas 15:5 - "E, achando-a, a põe sobre seus ombros, cheio de júbilo;"
    Como bem sabemos, o pastor teria que dar conta de cada uma delas, pois ele estaria apenas cuidando de algo que não lhe pertencia; além do mais, mesmo que lhe pertencesse, ele saberia o valor que ela tem e não se conformaria em ficar acomodado imaginando o quanto ela estaria sofrendo sozinha e abandonada num ambiente hostil, a mercê dos predadores e demais infortúnios. Achar uma ovelha perdida requer disposição, coragem e condições, porque não basta procurar, é preciso traze-la de volta. Uma ovelha adulta pesa mais de quarenta quilos e, estando perdida, possivelmente não estaria em condições de seguir o caminho de volta andando, então se faz necessário carregá-la nos ombros por vários metros ou mesmo quilômetros até o aprisco. Porém, todo esse esforço que desgasta o pastor lhe é recompensado pela alegria de ter cumprido sua missão colocando aquela pobre criatura indefesa num local seguro onde poderá ser cuidada.

Lucas 15:6 - "e, chegando à sua casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida."
    Você se alegra com o cumprimento de sua missão ou o faz por pura obrigação, encarando seu ministério como uma forma de alcançar a salvação ou evitar castigo? Saiba que tudo o que fazemos, devemos fazer simplesmente por amor, e que as demais coisas que possam sobrevir sobre nós são simplesmente consequências, mas não a razão para fazermos ou não fazermos algo. Um dos papéis de um líder é ter esse "espírito de convocação de alegria" aos demais, levando a Igreja a compreender o valor de uma alma. Jesus se alegrava em ter os pecadores à mesa porque eles o estavam ouvindo, e queria Ele que os amigos e vizinhos - escribas e fariseus - de igual modo se alegrassem por saber que aquelas pessoas que eles consideravam perdidas estavam prestes a mudar de vida. Se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram, esse é um dos conceitos mais básicos na pregação do autêntico Evangelho.

Lucas 15:7 - "Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento."
    Essa "alegria no céu" compreende todo o complexo de estado de sentimento espiritual no que se refere ao resgate de uma alma. O Pai se alegra porque seu desejo é que todos os homens sejam salvos; o Filho se alegra porque vê o quanto valeu a pena cada gota de seu sangue derramado na cruz; o Espírito se alegra porque encontrou um novo coração para fazer morada; os três juntos se alegram porque mais uma presa foi resgatada das unhas do adversário e assim o Reino dos Céus está se expandindo pela terra. Como o próprio Senhor disse, os sãos não precisam de médicos, mas sim os doentes; dessa forma compreendemos que nosso foco não tem que ser totalmente ou somente voltado para dentro das quatro paredes do templo, mas para fora delas que é onde estão os verdadeiros necessitados.

Lucas 15:8 - "Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?"
    De igual modo, a parábola da moeda perdida vem fortalecer o objetivo de sua mensagem; imagina o desconforto de se perder dinheiro, você já passou por isso? Um dracma era equivalente ao pagamento da diária de um trabalhador; imagine um dia inteiro de suor e cansaço perdidos, isso não é algo que se deixe pra lá, a pessoa vai empregar todos os seus esforços para reaver esse valor. Dentro dessa linha de raciocínio, Ele nos induz a compreender o valor de uma alma. Isso significa que quando menosprezamos alguém que se perde estamos menosprezando o trabalho e o preço que foi pago por ela: a morte de um inocente na cruz. Devemos considerar a cada um como um bem e jamais nos conformarmos com uma vida que desce à sepultura sem encontrar o caminho para fora da escuridão do abismo. Acender a candeia é buscar luz para procurar os perdidos, varrer a casa é não perder cada oportunidade que surge para falar do amor de Deus, busca com diligência é trabalhar cuidadosamente cada vida que se aproxima. 

Lucas 15:9 - "E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida."
    Mais uma vez Ele lembra da "convocação dos amigos e vizinhos à alegria". Como membro do Corpo de Cristo, qual é sua reação diante de uma alma que se converte ou se reconcilia? Infelizmente, muitos que se dizem cristãos, olham com desconfiança e reagem de acordo com o passado da pessoa, como se a mesma não merecesse uma oportunidade de mudança. Será que esses mesmos foram chamados sendo merecedores de estarem aonde estão? Eram eles dignos da misericórdia e do amor de Deus? O que nos difere ou nos torna melhores que criminosos, ateus, homossexuais ou prostitutas? Na prática, o que temos mesmo são pecados diferentes que também foram perdoados por misericórdia e amor divino, e o fato de termos sido recolhidos numa comunidade evangélica não nos deu um definitivo alvará de soltura do inferno, pois a Bíblia adverte que aquele que está de pé deve ter cuidado para não cair, ou seja, apenas recebemos uma oportunidade a qual também podemos perder a qualquer momento; essa era uma consciência que os escribas e fariseus definitivamente não tinham. Não despreze uma simples moeda! Ela vale muito mais do que você imagina.

Lucas 15:10 - "Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende."
    O que você tem feito no intuito de buscar as valorosas almas perdidas? Não se importar com isso significa ser indiferente ao tormento eterno que elas terão no inferno. Se os anjos do céu se alegram, quem somos nós para sermos indiferentes ao arrependimento de um pecador? O maior investimento de toda a história da humanidade foi feito pelo próprio Criador dela: Ele a amou de uma maneira tão grande e inexplicável deu seu único Filho para que todo aquele que nEle cresse não perecesse, mas tivesse a vida eterna. Preço de sangue; ver o resultado positivo desse inimaginável investimento proporciona sentimentos de alegria nos próprios seres celestiais, pois eles bem sabem o que isso significa. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e, obviamente, que alegria poderia ter Ele em ver a condenação de sua criação nas chamas da eternidade? Porém, essa escolha é nossa por meio de nossas próprias atitudes. Nesse momento, qual é o sentimento do próprio Espírito Santo com os teus atos, palavras e pensamentos?

Lucas 15:11 - "E disse: Um certo homem tinha dois filhos."
    Para complementar sua mensagem corretiva aos críticos à pregação de arrependimento e oportunidade de salvação aos pecadores, agora Ele conta aquela que se tornou uma das mais conhecidas de suas parábolas: a história do filho pródigo. Pródigo, resumidamente, é um termo que expressa a atitude de uma pessoa que não se preocupa com o planejamento do amanhã e desperdiça o que tem em busca de prazeres momentâneos. Várias mensagens podem ser extraídas dessa narrativa, mas seu objetivo principal era mostrar aos escribas e fariseus que Deus mantém seus braços abertos para receber aqueles que se arrependem de seus erros. A figura de um filho que saía de casa, gastava tudo o que tinha e passava a ter uma vida de sofrimento depois, não deveria ser algo muito incomum na época, então não seria muito difícil para eles entenderem isso. Os dois filhos representam o pecador arrependido e o crente religioso que julga seu próximo como não merecedor de uma outra chance. Será que as vezes não agimos assim?

Lucas 15:12 - "E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda."
    O mais novo pedir a herança antes da morte do pai já era um desrespeito por dois motivos: por questão de primogenitura ele ultrapassou os direitos do mais velhos, e por estar o pai ainda vivo e ele ainda solteiro, ele demonstrava que não queria mais viver sob suas ordens. Tais sentimentos de desprezo pelos direitos alheios ou desrespeito por valores morais são as causas mais comuns para o afastamento de muitos da Igreja. No entanto, analisando toda a parábola, o pai não repreendeu ou sequer questionou o filho por sua atitude, apenas o recebeu com imensa alegria e, a exemplo das duas parábolas anteriores, chamou outras pessoas para se alegrarem com ele. Resumindo, a porta da Casa permanece aberta, mas é necessário que se retorne antes que ela se feche. Você consegue se alegrar com a volta de seu irmão ainda que ele não tenha agido com sensatez?

terça-feira, 13 de setembro de 2016

“Não Gasteis Dinheiro com Aquilo que Não é Pão”

Nos textos bíblicos nem tudo
pode ser interpretado de forma
literal como, por exemplo, nesse
caso em que gastar dinheiro
naquilo que não é pão representa
o afastamento espiritual de Israel,
e já apontava para Cristo e a sua
Igreja, referindo-se à atual era da
Graça.
Isaías 55:2 - “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.”
    Há versículos bíblicos que quando interpretados isoladamente e ao pé-da-letra transformam crentes em verdadeiros fanáticos. Esse é um dos exemplos mais claros disso. Baseados nessa afirmação descrita no livro do profeta Isaías, alguns “extremistas” chegam a pensar que seu dinheiro só deve ser gasto na compra de alimentos, como se não precisassem de mais nada para viver. Para evitar tais exageros é preciso saber examinar as Escrituras da seguinte forma: em que situação, para quem e por que isso foi escrito? E, depois de respondidas essas perguntas, deve-se ainda se analisar se o texto possui alguma figura de linguagem. São esses os detalhes que observaremos nessa passagem bíblica agora.
    Nessa ocasião Deus estava usando o profeta Isaías para exortar o seu povo a valorizar mais sua vida espiritual deixando as demais coisas em segundo plano. Usar o consumismo como exemplo foi uma forma didática para que melhor eles compreendessem o quanto estavam desperdiçando a oportunidade de obter um melhor alimento para a alma. O primeiro versículo usa as expressões “vinde”, “comprai” e “comei”, que apesar de serem dirigidos à Israel, representam um convite já apontando para Cristo e a sua Igreja, a qual, de graça - porque o pagamento foi feito na cruz -, tem acesso à água, vinho e leite e também ao pão - citado no segundo versículo -, os quais representam a Graça salvadora revelada no Novo Testamento (Jo 4:10; Mt 9:17; 1ª Pe 2:2; Jo 6:35,48-51). Dessa maneira podemos concluir que não se trata de nenhuma mensagem divina condenando o consumo de bens materiais - apesar que o mesmo precise ser prudentemente controlado (Lc 14:28-30; 15:11-14) -, mas sim um alerta a que todos se voltem ao Senhor enquanto ainda podem encontrar perdão pelos seus pecados (Is 55:6-8).

domingo, 14 de agosto de 2016

O Arrependimento da Rejeição ao Chamado

Jonas 2:1-10

O arrependimento se manifesta
trazendo angústia, a qual
proporciona um profundo
desejo de corrigir o erro
cometido; esse sentimento de
amargura é o que leva o servo
de Deus a procurar se
aproximar dEle por meio da
oração.
1 - Orando nas entranhas do peixe (2:1)
    A escuridão e um cheiro insuportável certamente dominavam o ambiente; as acomodações eram extremamente desconfortáveis e só o que se ouvia era o imenso barulho de água pelo lado de fora: o cenário “perfeito” para uma oração. Seu roteiro de viagem estava drasticamente alterado e, na condição de profeta, com certeza Jonas se perguntava “como foi mesmo que eu vim parar aqui?”. No entanto, não importa como tenha sido sua sensação de arrependimento, ela deve ter sido acompanhada pelo lamento de não ter feito o que era certo e, nesse momento, o que restava era orar para corrigir o tempo que foi gasto planejando uma viagem indevida, aplicando seu dinheiro pagando por aquela passagem e dormindo num momento em que poderia estar realmente orando.
    Quantas vezes esperamos que a escuridão e o mal cheiro da podridão de nossos próprios erros nos assolem, atormentando-nos com o barulho dos perigos lá fora, para então clamarmos ao Senhor que intervenha com sua misericórdia? Se orássemos mais antes das consequências, nos momentos de tormenta nossas orações seriam mais de gratidão do que por livramento (Sl 55:22; Mt 6:33). Um de nossos piores males é encarar a oração como um “disk-emergência” e não como uma conversa cotidiana entre Pai e filho. Quando entendermos isso poderemos ser livrados com antecedência ou, simplesmente, ter mais forças para suportar o desconforto das entranhas do peixe (2ª Co 12:7-9).

2 - Mantendo a fé em meio à angústia (2:2)
    O início de sua oração demonstra o tamanho de sua confiança no Todo-Poderoso. Ele podia ter suas falhas e defeitos, mas não há registro bíblico de que em algum momento ele tenha negado sua fé. O profeta ainda estava nas entranhas do peixe, mas tinha certeza da resposta divina. Em seu relato, ele descrevia aquele lugar como o inferno, só que mesmo naquele “inferno”, gritando em meio ao desespero, ele pôde ouvir a voz do Senhor. Aqui Jonas mostra que a confiança da resposta é a certeza da concretização do milagre. Ele havia pecado através da prática da desobediência, mas sabia que seu arrependimento poderia alcançar o perdão.
    Qual tem sido o conteúdo de suas orações? Com que certeza de resposta você tem orado? Geralmente, em momentos de angústia, diante de Deus temos duas reações: não oramos ou oramos sem fé. Porém, ainda que tenha errado, o crente que procura manter sua comunhão com Deus, independentemente do “inferno” em que esteja vivendo, sabe que seu grito - seu clamor - será ouvido e atendido por Ele (Lc 18:13,14), e crê também que qualquer acusação de pecado é apagada pelo poder do perdão (1ª Jo 2:1,2,12[1]).

3 - Reconhecendo a soberania divina (2:3)
    Ele sabia porque estava lá; essa afirmação deixa isso bem claro: “tu me lançaste no profundo no coração dos mares”. Dessa forma, ele reconhecia a soberania divina sobre a sua vida. Na sequência, cita ainda as correntes das águas que o cercavam e as ondas e as vagas[2] que passavam por cima dele. Essa narração da assustadora situação em que se encontrava, acompanhada do termo “tu me lançaste”, mostra a consequência de seu pecado e o peso das mãos de Deus que embora o estivesse livrando, fez isso de forma repreensiva.
    A melhor coisa, mesmo que a situação não esteja muito boa, é sabermos que o soberano Jeová está no total controle de nossa vida. De fato, muitas vezes, as águas nos cercam e suas ondas e correntes parecem que vão nos submergir; no entanto, não devemos nos esquecer que a razão de nossas queixas está em nossas próprias falhas (Lm 3:39) e que se Ele nos corrige é porque nos ama (Hb 12:5-8). Assim sendo, se a tua vida continua sendo preservada é porque ainda há um propósito a ser cumprido; apenas se acalme, continue clamando e espere o momento de se dispor a aceitar a nova oportunidade que te será concedida para cumprir sua missão.

4 - Preservando a esperança viva em meio à incerteza da vida (2:4)
    O profeta se encontrava nas profundezas do oceano, mas tinha uma convicção: mesmo lançado de diante dos olhos do Senhor, tornaria a ver seu santo templo. Isso significa que mesmo naquela situação aparentemente irreversível, ele tinha a esperança de uma oportunidade de sobrevivência, na qual ele tornaria a servir ao Senhor novamente. Essa dura experiência o levou a refletir e sentir a necessidade de fazer melhor tudo aquilo que ele havia negligenciado antes.
    Normalmente temos uma grande dificuldade em compreender e aceitar quando o Senhor nos permite cair nas “profundezas do oceano”; pois é muito mais fácil questionar a situação do que dizer “fui eu que errei, por isso estou aqui!”. Mas, a grande prova de arrependimento é quando nos sentimos lançados fora da presença do Senhor e lamentamos por isso, desejando, a todo custo, que seja mudada essa situação (Sl 51:9,10). As quedas, muitas vezes, não são para matar, mas para nos fazer enxergar que estávamos no caminho errado, concedendo-nos uma oportunidade de reverter nossos erros (Sl 37:23-25).

5 - Descrevendo a caótica situação à sua volta (2:5)
    Para chegar ao ponto de as águas envolverem seu corpo e até as algas[3] se enrolarem em sua cabeça, significa que ele já havia chegado ao fundo do mar. Muito provavelmente esse peixe se alimentava de algas e, no momento em que as engolia, seu ventre se enchia também de água; situação essa que, certamente, aumentava muito seu desconforto ali dentro.
    As consequências de nossos erros, muitas vezes, chegam a um nível tão insuportável que nos sentimos sufocados pelos problemas que enfrentamos. Quando percebemos que o peixe que nos engoliu está abrindo a boca, nos enchemos de esperança achando que vai nos lançar para fora, mas é apenas mais água e algas entrando por cima de nós, mostrando que estamos no fundo, bem longe da superfície. Nesse momento, quando nos sentimos cercados e enrolados pelos alimentos que sustentam nossos opressores, só o que nos resta é meditar na situação em que caímos; tal reflexão pode nos levar ao arrependimento e à um grande desejo de mudança (Sl 51:7-9[4]).

6 - Vivendo uma experiência de dependência total de Deus (2:6)
    Jonas não podia ver, mas podia sentir que estava na extremidade mais baixa da terra, conseguindo até compreender que passava pelas bases das montanhas, lugar esse em que o homem nunca havia estado antes. Sua angústia o fez sentir-se preso nas profundezas como se houvesse ali uma tranca. No entanto, sua esperança estava viva: ele permanecia crendo que o Senhor o livraria da perdição.
    As aflições podem nos levar à beira do desespero, fazendo-nos até mesmo sentir como se não mais houvesse saída; porém, elas têm seu lado positivo: aumentam nossa fé, produzindo em nós experiência (Rm 5:1-4). Descer aos fundamentos dos montes e se ver cercado pelos ferrolhos da terra não são uma experiência para a morte, mas sim uma prova de dependência em relação ao Todo-Poderoso (Sl 124:1-8; Rm 8:37).

7 - Reconhecendo que não há outra saída a não ser confiar no Senhor (2:7)
    O profeta estava de fato com suas forças desfalecendo, ou seja: sua morte se aproximava. Mas sua mente estava firmada no Senhor, isso o mantinha vivo. Ele orava. Suas orações restabeleceram sua comunhão com o Pai; ele podia sentir sua presença mesmo em meio à agonia física. Ele poderia ter se entregado achando que não haveria mais jeito e simplesmente esperar pela morte lenta e dolorosa que se seguia, mas não, pois ele sabia que, embora tivesse pecado, não estava abandonado.
    A saída pode até não ser visível, mas quando cremos que ela existe, nem mesmo o risco de morte é obstáculo para que desistamos da vitória. No entanto, existe um segredo e ele é essencial: a comunhão com Deus; por meio dela obtemos confiança, a qual expressa fé, e isso é agradável a Deus (Hb 11:6) e resulta em sua resposta (Mt 9:27-30). Porém, é ainda necessário ter em mente que não é apenas em momentos de aperto que devemos nos lembrar do Senhor, pois a comunhão constante pode evitar muitos males (1ª Ts 5:17,18; Lc 21:36).

8 - Pregando para si mesmo em meio à crise (2:8)
    Aqui ele parece analisar sua própria vida, refletindo sobre coisas desnecessárias que já haviam feito parte dela. Em algumas versões bíblicas, essas vaidades são interpretadas como a prática da idolatria, dizendo que quem as pratica está abandonando a misericórdia do verdadeiro Deus. Mais uma vez, isso mostra que ele compreendia que sua razão de estar ali era mesmo a desobediência. Nessa reflexão, ele ensinava a si mesmo o valor de se aproveitar as oportunidades diante do Todo-Poderoso.
    O que pode estar ocupando o lugar de Deus em nossa vida? Sempre dizemos que estamos libertos da idolatria e das vaidades de nossa vida, mas o que é idolatria e vaidade? Idolatria e vaidade vão além de imagens de escultura e do cuidado excessivo com o próprio corpo. Ambos os males são representados por coisas que não conseguimos deixar embora saibamos que não sejam edificantes e apenas nos satisfaçam temporariamente, se contrapondo ao que Jesus ensinou sobre renúncia (Mt 16:24-26). Pregue para si mesmo como para um pecador e analise se a Palavra fala contigo; essa autoanálise espiritual pode fazer a diferença para te arrancar das entranhas desse peixe. Não deixe que nada te afaste da misericórdia divina (Hb 2:1-3).

9 - O ardente desejo de fazer aquilo que devia ter feito antes (2:9)
    Ele sentiu a necessidade de oferecer algo ao Senhor. Mas o que oferecer naquela tão miserável situação? Talvez mal tenha lhe restado pedaços de suas roupas. A Bíblia não relata com exatidão, mas nos permite entender que ele ofereceu louvor[5] em forma de cântico dizendo “do Senhor vem a salvação”. Talvez ele não tenha cantado naquele momento, mas de alguma forma expressou esse ato de gratidão à Jeová, e comprometeu-se ainda a pagar um voto[6] a Ele como forma de sacrifício.
    Não deveria ser assim, mas, muitas vezes, é quando nos vemos submersos na angústia que reconhecemos a necessidade de gratidão e um grande desejo de oferecer algo ao Senhor. Mas o que oferecer quando não temos mais nada? Uma coisa é certa, sempre temos algo, pois oferta[7] não se resume em finanças. Seja um louvor por meio de cântico ou de alguma expressão de adoração ou até a utilização de algum dom ou habilidade que tenhamos em prol de sua Obra, isso já representa a entrega de uma oferta, um sacrifício (Sl 116:12-14). Se não podemos fazer algo no momento, até podemos oferecer um voto, mas não nos esqueçamos que isso é um compromisso diante de Deus e não pode deixar de ser pago (Dt 23:21-23), pois Ele não se agrada de sacrifícios de tolos (Ec 5:1-7).

10 - A prova do amor e da soberania de Deus, livrando e levando-o aonde Ele queria que fosse (2:10)
    Deus tudo contemplava naquela situação toda e, diante daquela oração, conduziu o peixe à terra e o ordenou que vomitasse a Jonas. Aqui podemos observar duas de suas características inquestionáveis: amor e soberania. Ele poderia ter entregue aquele profeta desobediente à morte e usado outro, ou simplesmente também ter desconsiderado a salvação dos ninivitas, pois os mesmos eram terríveis pecadores, mas, ao mesmo tempo que livrou Jonas da morte e levou a ele próprio ao cumprimento dessa missão, mostrou ainda que nenhuma circunstância o faria desistir de cumprir seu propósito de salvação com quem quer que fosse.
    Seja em relação aos que escolheu para fazer sua Obra (Jr 1:5), ou aos que precisam ouvir sua palavra (Jo 12:47-49), Deus tem um plano em cada vida e proporcionará meios para cumpri-lo porque Ele é fiel e não pode negar a si mesmo (Nm 23:19; 2ª Tm 2:13). Porém, a infidelidade é viva dentro de nós (Rm 7:15-20), a qual nos torna sujeitos à desobediência, deixando-nos vulneráveis a perder o que nos está destinado (1ª Co 10:12; Mt 26:41). Por essa razão, cuidemos para que naquele Grande Dia não sejamos cobrados por termos desonrado ao que o Senhor entregou em nossas mãos, sejam dons espirituais (Mt 25:24-30; 7:21-23[8]) ou a própria salvação (Hb 3:17-19).



[1]Propiciação: Ato realizado para aplacar a ira de Deus, de modo a ser satisfeita a sua santidade e a sua justiça, tendo como resultado o perdão do pecado e a restauração do pecador à comunhão com Deus. No Antigo Testamento a propiciação era realizada por meio dos Sacrifícios, os quais se tornaram desnecessários com a vinda de Cristo, que se ofereceu como sacrifício em lugar dos pecadores (Êx 32.30; Rm 3.25; 1ª Jo 2.2).
[2]Vaga: Onda.
[3]Alga: Planta que vive no fundo ou à tona de águas salgadas ou doces. As algas servem de alimentos para alguns tipos de peixe.
[4]Hissopo: Denominação comum às ervas ou subarbustos perenes do gênero Hyssopus, da família das labiadas, originárias do sul da Europa e da costa do Mediterrâneo ao centro da Ásia, com flores espiraladas em espigas bracteadas. Erva (Hyssopus officinalis) medicinal labiada, originária do sul da Europa, de folhas violáceas, altamente aromáticas e estimulantes, usada na fabricação de perfumes e licores. Planta que na purificação era usada para borrifar líquidos (Êx 12:22).
[5]Louvor: Ato de louvar. Aplauso, elogio, encômio. Glorificação. Expressão usada para se referir às músicas feitas para adorar a Deus.
[6]Voto: Promessa feita a Deus (Ec 5:4; At 18:18). Pedido a Deus (3ª Jo 1:2).
[7]Oferta: Ato de oferecer; oferecimento. Oblação, oferenda. Retribuição de certos atos litúrgicos. Dádiva. Promessa.
[8]Talento: O talento de ouro ou prata era a unidade de moeda romana para grandes quantidades de dinheiro. Ele foi introduzido na Grécia Antiga e depois adaptado para o sistema monetário romano. Um talento era igual a 60 minas, que, por sua vez eram equivalentes a 100 dracmas. Sabendo que uma dracma era igual a 4,5 a 6 gramas de ouro ou prata, um talento significava entre 27 a 36 quilos de metal. Estudiosos calculam que um talento hoje valeria no mínimo 1300 dólares (cerca de dois mil reais). Espiritualmente, os talentos representam os dons que o Espírito Santo nos concede e, na linguagem popular expressa as habilidades especiais de uma pessoa; era um termo muito usado pelos romanos para elogiar uma pessoa de valor.