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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Parábola da Viúva e o Juiz

O objetivo da parábola da viúva
e o juiz iniquo não é comparar
Deus a um homem pecador,
mas sim nos ensinar que, por
meio da persistência,
demonstramos fé agradando a
Ele e assim alcançando
misericórdia.
Lucas 18:1-8

Lucas 18:1 - "E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer,"
    Sendo considerada por muitos estudiosos como uma parábola de difícil interpretação, essa história contada por Jesus tem um encaixe perfeito no cenário evangélico atual em que predomina o determinismo profético disfarçado de fé. Num tempo em que a oração como clamor tem sido substituída por expressões de autoridade que "decretam bênçãos", pregar e ensinar textos como esses tornou-se uma necessidade urgente. A perseverança em oração é o segredo de qualquer conquista ou conforto em possíveis derrotas. A oração é o veículo que nos transporta do mundo natural para o sobrenatural, levando-nos diante do trono de Deus. É por meio dela que necessidades e agradecimentos são expostos diante dEle; não que Ele precise de nossa verbalização para sabe-los, pois é onisciente, mas nós precisamos falar com Ele para senti-lo próximo a nós.

Lucas 18:2 - "dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava homem algum."
    Nos tempos de Jesus, pelo que se pode entender dos conceitos históricos, o governo romano mantinha um magistrado a seu serviço para julgar problemas sociais e outro a serviço religioso que defendia questões de interesse apenas dos judeus. No caso em questão, o juiz que tratava a causa possivelmente social dessa viúva era romano e não judeu, e por essa razão não tinha temor a Deus e nem se preocupava em garantir retamente o direito das pessoas. Isso nos mostra que corrupção entre os poderosos não é exclusividade da atualidade. Os juizes da época possuíam grande poder, o equivalente a um representante político dos dias atuais. Mas nem todos honravam o compromisso que lhes era confiado e tampouco alguma consideração por aquele povo; muitos do magistrado estavam ali apenas interessados no que ganhavam no exercício da função.

Lucas 18:3 - "Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário."
    Imagina a situação daquela viúva, sabendo que teria que enfrentar uma pessoa tão difícil de se lidar, a qual tinha o poder nas mãos para resolver o problema dela ou prejudicá-la de vez. É interessante destacar o fato de que, naquela época, quase todos os casamentos eram arranjados pelos pais quando a mulher era ainda adolescente e, devido a isso, elas se casavam muito novas com homens geralmente bem mais velhos, o que fazia com que eles morressem, deixando-as viúvas ainda muito novas. Por costume da própria cultura, poucas eram bem instruídas e aptas para serem inseridas no mercado de trabalho e, por essa razão, dependiam totalmente dos maridos; assim sendo, quando eles morriam elas dependiam dos bens que eles haviam deixado. Não havendo herança, elas se tornavam totalmente desamparadas. Como é de se imaginar, havia muita disputa em torno de algum bem deixado por homens que poderiam ter dívidas ou até mesmo outras famílias e, certamente, elas ficavam a mercê de muitas injustiças. Dessa forma, se fazia necessário, por vezes, que algumas delas procurassem seus direitos diante dos magistrados.

Lucas 18:4 - "E, por algum tempo, não quis; mas, depois, disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,"
    Esse "por algum tempo" aqui relatado expressa que nem tudo é para sempre. O "não quis" demonstra que não há incapacidade em Deus, mas tudo depende do seu querer. É óbvio que numa parábola nem tudo tem um significado literal, pois nesse presente caso, Jesus está usando a figura de um juiz incrédulo e corrupto para representar o próprio Deus; no entanto, seu objetivo é nos ensinar que a soberania divina está acima dos poderes humanos e dos próprios homens; pois nenhuma circunstância e nem ninguém teria influência sobre a decisão daquele juiz. Mas, nesse ponto da história, vemos ele já reconsiderando sua decisão mesmo não se vendo na obrigação de voltar atrás em seu propósito de não atende-la. Deus está acima de nossos "deuses" e de nossas vontades ou até mesmo necessidades; tudo o que alcançamos é puramente por misericórdia dEle.

Lucas 18:5 - "todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito."
    O juiz dessa parábola resolveu atendê-la, não porque considerou que ela merecesse ou tampouco porque ele próprio tinha a vontade de satisfazê-la, mas sim porque sua insistência em bater à sua porta o incomodava. Quem sabe, estaria ele resistindo a esse pedido para ver se realmente essa causa era tão importante para ela; pois muitos são os que colocam ações de questões não prioritárias diante do poder público, mas desistem devido a demora, dando assim a entender que as mesmas não eram de suma importância. O molestamento por parte dessa mulher representa nossa persistência em pedir ao Senhor por algo sem desistir, mesmo diante da demora em sermos atendidos. Persistência é sinônimo de fé, e sem fé é impossível agradar a Deus. A Bíblia nos ensina a bater até que a porta se abra; a pedir até que nos seja dado.

Lucas 18:6 - "E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz."
    Aqui o Senhor manda que prestemos atenção ao que um juiz desonesto disse, e suas palavras foram: "como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito"; ou seja, ela foi atendida porque o incomodou, ela não aceitou um "não" como resposta, e para não ter que suportá-la mais com aquela petição, ele a atendeu. Essa ilustração feita pelo próprio Senhor Jesus parece nos induzir à uma espécie de atrevimento em nosso clamor diante do verdadeiro Juiz, afirmação essa que daria uma certa base para a aplicação da Teoria da Prosperidade, porém aqui não se trata de colocar Deus numa situação em que Ele se sinta obrigado a nos atender, mas sim de mostrarmos o quanto confiamos nEle e acreditamos no seu poder para nos socorrer, a ponto de persistirmos até Ele nos atender. A razão disso foi mostrar que se mesmo um homem corrupto se sensibilizou com a mulher devido a sua insistência, quanto mais Deus vendo nossas necessidades.

Lucas 18:7 - "E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?"
    O que vemos aqui não é simplesmente um homem ímpio que resolveu ajudar uma pobre mulher somente pelo fato de estar incomodado com a presença dela em seu recinto; mais do que o incômodo, o que o fez mudar de postura foi se sensibilizar diante do sofrimento de uma pessoa que não desistiu mesmo após várias negativas ou mesmo o silêncio dele. Se um pecador pode se comover diante de alguém que clama, quanto mais Deus que é, além de justo, cheio de misericórdia. Seu amor é incompreensível e incomparável para conosco, e seus ouvidos se inclinam para ouvir aqueles que o servem e, a todo momento, o buscam de várias formas crendo que ouvirão sua voz e verão suas mãos estendidas, tanto para abençoá-los quanto para abraçá-los em momentos de necessidade de um consolo em seu coração. A expressão "tardio para com eles" não significa que Ele demora, mas que, ao nosso ver mediante o sofrimento, sua resposta deveria ser mais rápida.

Lucas 18:8 - "Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?"
    Observe que depois de dizer "ainda que tardio para com eles", Ele usa o termo "depressa, lhes fará justiça", essa é a comprovação de que o tempo que parece demorado para o homem é rápido para Deus; resumindo, o tempo dEle não é o nosso, pois Ele sabe qual é momento certo para tudo, nós é que não sabemos esperar. Mas a grande pergunta desse texto é: "Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?". Essa pergunta tem sentido tanto escatológico e coletivo quanto atual e pessoal, pois mexe com nosso estado espiritual, do qual depende nossa vida cotidiana e também futura. Quando clamamos por justiça olhando para Ele como o grande Juiz, o que Ele vê em nós? Importunadores que apenas serão ouvidos pela sua misericórdia ou seguidores dignos que, mesmo cheios de falhas, procuram viver retamente sendo justos cidadãos nessa "cidade"?

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Parábola do Grão de Mostarda

A mostarda, cujo nome científico
é sinapis nigra, sendo originada
da menor de todas as sementes
existentes, sua colheita pode ser
feita por volta de quatro meses
após a plantação e, quando
adulta, dependendo da espécie,
pode atingir três metros de altura.
Ela possui propriedades
medicinais.
Mateus 13:31,32

Mateus 13:31 -  "Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo;"
    Logo após contar a parábola do joio e do trigo, a qual se refere à falsos crentes no meio da Igreja, Jesus se pôs a ensinar sobre o crescimento do Reino de Deus, usando como exemplo o grão de mostarda (não confundir com a parábola em que Ele usou o grão de mostarda para falar sobre fé, citada em Mateus 17:20 e Lucas 17:6). Para falar sobre a impressionante expansão que a Igreja alcançaria após sua crucificação, Ele o assemelhou à menor das sementes que sendo lançada no campo - ou na horta, o que representa o mundo onde devemos pregar - produz abundantemente. É interessante que, tanto em Mateus 13:31 como em Lucas 13:19, Ele, ao se referir a esse homem, usa o pronome possessivo "seu"; o que nos leva a entender duas coisas: primeiramente, a expressão "homem" se refere à Ele próprio que é o edificador da Igreja e responsável por seu crescimento; e depois, figuradamente, o homem é cada discípulo (nós) a quem foi transferida essa missão, tornando-se, como administrador, também responsável pelo crescimento da Igreja, ainda que sendo dependente de seu Edificador. A expressão "semeou no seu campo" leva-nos também a entender o sentido organizacional da Obra, a qual nos ensina a não semearmos em campos alheios, ou seja, cada um deve respeitar o chamado, os dons, a forma de trabalhar e o espaço dos demais.

Mateus 13:32 -  "o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos."
    O uso da menor de todas as sementes como exemplo não foi por acaso; pois os seguidores de Cristo eram minoria em seu início. Tendo eles sido dispersos por vários lugares após sua crucificação, começaram assim a pregar a mensagem do Reino por onde passavam. Dessa maneira, aquele pequeno grupo, ligado à sua Raiz, foi se solidificando e o que era apenas um minúsculo broto, passou a crescer e a produzir saborosos e nutritivos frutos. Em Atos 2:41 vemos um relato que retrata bem esse crescimento com a agregação de quase três mil almas por meio de uma pregação de Pedro e pelo trabalho dos demais apóstolos. O termo "vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos", representa o acolhimento às almas; essa afirmação de Jesus é uma das confirmações da promessa relatada em Ezequiel 17:23 ("No monte alto de Israel, o plantarei, e produzirá ramos, e dará fruto, e se fará um cedro excelente; e habitarão debaixo dele todas as aves de toda sorte de asas e à sombra dos seus ramos habitarão"). A pregação do Evangelho deu à todos os povos o alcance à Palavra de Deus.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Como Defender a Fé Num Ambiente Secular?

Tanto para jovens como para
adultos, defender a fé num
ambiente secular consiste em
 ter convicção que está seguindo
o caminho certo e firmeza para
enfrentar as oposições
determinando-se a agradar a
Deus acima de tudo e de todos.
    Tanto em casa quanto na rua, na escola ou no trabalho é necessário conviver e interagir com familiares, parentes, conhecidos, colegas, amigos e também pessoas estranhas que professam algum outro tipo de fé ou fé nenhuma. Em muitos casos, quando os mesmos provocam algum tipo de conflito, não dá simplesmente para ignorá-los porque se trata de pais, irmãos, professores e chefes, ou seja: pessoas a quem você deve uma atenção a mais. O que fazer nesses casos? Como não perder a paz com eles e muito menos a comunhão com Deus? A resposta está na maneira como você encara esse tipo de situação. Em vez de vê-los como inimigos, deve começar a enxergar a cada um deles como pessoas necessitadas de ajuda e a cada afronta como uma oportunidade de evangeliza-los.
 Você tem certeza que conhece e sabe viver no mundo que existe a sua volta (Mt 10:16)? Quando persistimos na decisão de servir a Deus não fazendo questão de esconder isso (Mc 8:37), o inimigo se sente incomodado de tal forma que impulsiona seus instrumentos a nos atacarem; é por essa razão que não devemos reagir como que lutando carnalmente, mas sim espiritualmente (Ef 6:12-14[1] [2] [3]). Ser um jovem crente numa sociedade tão secularizada[4], mais do que uma simples opção, é um grande desafio. Se até mesmo para pessoas de mais idade - inclusive obreiros - as vezes é difícil defender uma postura cristã, quanto mais para os mais novos, principalmente os novos convertidos.
    Mas, e quando eles insistem no confronto? Para responder a essa pergunta, analisaremos os quatro tipos mais comuns de confrontos gerados pelos incrédulos quando persistimos em defender nossa fé mantendo uma conduta que contraria os princípios mundanos. Esses confrontos geralmente consistem em zombaria, propostas indecentes, ameaças e falsas acusações.

Zombaria: Essa é uma das primeiras reações de alguns “amigos” - principalmente na escola e entre os mais chegados em seus meios de convivência - quando percebem sua determinação em mudar de vida para agradar a Deus. Geralmente, sem dó nem piedade, te bombardeiam com piadinhas do tipo: “Virou santinho agora depois de tudo que já fez?”; “Perdeu a liberdade de curtir, então vai isolar os amigos, né?”; “Sexo então, nem pensar. Só depois do casamento, né babaca?”; “Quer dizer que você resolveu ir na igreja pra dar dinheiro para o pastor?”. Você já notou que embora falem num tom de brincadeira, eles demonstram estar carregados de ódio quando atacam nossa fé?
    Diante dessas piadas bobas e preconceituosas, de fato, nosso instinto natural de defesa nos leva ao desejo de responder com um soco na cara do indivíduo, ou, pelo menos, com uma resposta mil vezes mais ofensiva (Ef 4:17,18,26,27); mas, tendo sido regenerados pelo Espírito Santo, devemos ter autocontrole para, como a Bíblia ensina, responder com mansidão (1ª Pe 3:15). Essa resposta mansa consiste em amor e paciência para com o agressor, entendendo que ele não tem o que você tem em seu interior e por isso não consegue te compreender (1ª Co 2:9-15[5]). Pois não é fácil, para alguém que vive na impiedade, entender o que significa perdão e transformação; como também saber que a verdadeira liberdade é não ser escravo de coisas que lhe prejudicam;  e ainda aceitar que a busca por um verdadeiro amor conjugal e a valorização da família valem muito mais do que perigosos prazeres momentâneos; e tampouco imaginar que, da mesma forma que ele desperdiça seu dinheiro com futilidades, você tem o direito de, por gratidão ao Senhor, empregar parte dos teus ganhos para ajudar na manutenção e no crescimento da sua Obra aqui na terra. Mas não espere grandes resultados com esses argumentos, pois, muitas vezes, a melhor resposta mesmo é o silêncio (Mt 27:11-14) e, se preciso for, o afastamento (Mt 16:4). Porém, ainda assim, preserve o seu amor por ele incluindo-o em suas orações (Mt 5:43-48[6]), esperando qualquer oportunidade de ajuda-lo para assim lhe provar o contrário do que ele pensa a seu respeito (1ª Pe 3:16-18).

Propostas indecentes: Outra estratégia maligna para nos tirar do foco de seguir ao Mestre - na verdade, uma das mais usadas - é a tentativa de nos seduzir ao pecado. Muitos discordam, mas o inimigo conhece sim os nossos pontos fracos, pois ele bem sabe quais eram nossas atividades antes de conhecermos a Cristo e, na esperança de que não estejamos realmente libertos, é por meio delas que tentará nos fisgar. É muito comum, principalmente se você está naquela busca fervorosa por libertação e por dons espirituais, começar a receber oportunidades interessantes que sejam aparentemente irrecusáveis. São elogios exagerados, propostas de amor, sexo fácil, estímulo ao consumo de bebidas alcoólicas ou mesmo de drogas e, ainda, até a chance de obter dinheiro fácil por algum meio corrupto ou, mesmo que por um meio lícito, sendo de uma maneira que possa te afastar de Deus.
    A primeira reação diante dessas supostas bênçãos já deve é ser executada preventivamente, ou seja, antes que elas aconteçam: comunhão com Deus por meio da oração para discernir entre as propostas boas e as más (1ª Ts 5:21,22; Hb 5:14). A segunda reação é estar preparado para dizer “não”; e esse “não” só consegue sair de seus lábios se em seu coração houver verdadeiramente amor a Deus e em sua mente existir a consciência de que as consequências negativas da aceitação ao pecado serão incomparavelmente maiores do que as positivas, as quais são momentâneas (Mt 16:24,25). Diante disso, é também necessário considerar que quando o Senhor não nos permite ter algo aparentemente bom é porque Ele sabe que aquilo não é realmente bom e, além do mais, tem algo melhor para nós, o que poderá nos satisfazer tanto de maneira material como, principalmente, espiritual (Mt 16:24-27).

Ameaças: Essa também é uma prática comum por parte dos que não aceitam sua conversão e obediência ao Evangelho. Em vários segmentos da sociedade - ainda que disfarçadamente -, algumas pessoas te fazem sentir-se ameaçado de alguma maneira: não são raros os casos de cristãos ameaçados de demissão ou outras retaliações por não se submeterem a algum esquema corrupto das empresas em que trabalham; outros que são excluídos de grupos de atividades em escolas e faculdades por não compartilharem de ideias profanas; e até mesmo alguns que chegaram a ser expulsos de casa por não negarem sua fé.
    Em situações como essas, o que deve prevalecer em nosso interior é aquela inevitável pergunta: “O que vale mais pra mim?”. A resposta até que é bem simples, mas a sua prática não; pois há casos em que, conforme ensinam as Escrituras Sagradas, é necessário negar a tudo, inclusive a si próprio (Mc 7:13,14; 9:43,44), o que inclui também a própria família. Lidar com ameaças sem se deixar ser feito refém pelo Diabo e lhe dizer “abro mão de tudo, mas não vou permitir que nada me separe do amor de Cristo (Rm 8:35-39[7])” é uma atitude típica apenas de quem tem convicção de sua fé e também a plena certeza de que ela vale a pena. Mas qual é a pena mesmo? A reprovação, o ódio, o desprezo e algumas perdas; então é nesse momento que lembramos: “Jesus renunciou a muito mais do que isso por mim. Vale a pena sim!”.

Falsas acusações: Qual é o cristão que nunca foi vítima de uma falsa acusação? Já percebeu também que isso acontece com mais intensidade quando você está decidido não só a crer, mas também a servir ao Senhor com dedicação e fidelidade? Essa tática geralmente é usada depois que as gozações, as tentações e a inibição falharam. Mais uma vez, como sempre, é o infeliz lá embaixo, preocupado com o perigo que você representa aos seus propósitos malignos, usando seus instrumentos para tentar te parar por meio de mentiras (Mt 8:44). Mesmo em alguns casos, quando estamos errados, é horrível a sensação de sermos apontados por causa dos nossos erros, imagine então ser acusado de algo que não cometeu. Esse tipo de frustração provoca uma mistura de decepção, raiva, dor e medo, o que causa a perigosa reação primária de desânimo, desejo de vingança, tristeza e preocupação com as consequências. Essa mistura de sentimentos negativos é normal porque, afinal, somos seres humanos, mas como podemos lidar com isso sem perder nossa comunhão espiritual?
    Diante de calúnias, em meio às inevitáveis reações primárias, a primeira atitude de um verdadeiro cristão tem que ser exatamente se lembrar que ele é um cristão. E como um cristão deve reagir nessas situações? As Escrituras Sagradas nos ensinam o equilíbrio da mansidão (Tg 3:13-18), seguido pela sabedoria de uma boa resposta (Cl 4:5,6[8]), a qual, as vezes, também significa permanecer em silêncio, pois nem sempre os argumentos são suficientes para calar os inimigos ou convencer os enganados por eles (Jo 19:9-12[9] [10]). A segunda atitude do autêntico cristão - geralmente momentos depois, já com mais calma - consiste em transformar as negativas reações primárias em positivas. Mas isso é realmente possível? Se você confia mesmo em Deus e está disposto a não perder sua comunhão com Ele, é totalmente possível sim! Primeiro passo: ter sabedoria para transformar o desânimo causado pela decepção em motivação para superar a injustiça (1ª Co 10:13); segundo passo: ter amor para compreender que o caluniador é uma vítima de sentimentos malignos para transformar o desejo de vingança causado pela raiva em razão para ajudar aquela pessoa (Lc 6:28-31; Rm 12:12-14); terceiro passo: buscar forças para superar a dor da tristeza, transformando-a em alegria por saber que maiores são as riquezas espirituais do que as vitórias momentâneas dessa vida (2ª Co 4:17,18); quarto passo: confiar em Deus chegando ao ponto de o medo causado pela preocupação ser substituído pela paz que é proporcionada aos que creem e vivem segundo a sua infalível justiça (1ª Pe 3:11-14). Seguindo essas recomendações - ainda que não necessariamente nessa ordem -, não há falsa acusação que possa derrubar um servo de Deus.

    A Bíblia relata o exemplo de Neemias[11]: um servo fiel que passou por todas essas experiências (Ne 4:1-3[12] [13] [14]; 6:1,2[15] [16]; 6:6,7) e venceu por saber lidar com cada situação agindo com sabedoria (Ne 4:4,5[17] [18]; 6:2; 6:12-14[19]; 4:17-20; 6:3). Seguindo o exemplo de pessoas como ele, aprendemos que defender a fé não é simplesmente, ou exatamente, defender o conteúdo bíblico diante dos ímpios ou de cristãos hereges, mas defender a si próprio não sendo influenciado pelas práticas mundanas. Não há como estarmos preparados para que se cumpram os propósitos divinos em nossa vida se não estivermos firmes na resistência aos males que nos atacam constantemente (Tg 4:7; 1ª Pe 5:8,9). Nossa pregação vai muito além das palavras e dependem muito da nossa conduta. O lema principal de um cristão é influenciar e não ser influenciado; tendo isso em mente, o seu nível de maturidade - que não depende da idade e nem do tempo de ministério -, será cada vez mais evidente, o qual lhe proporcionará respeito, não somente entre os cristãos, mas inclusive entre os ímpios até mesmo nos piores ambientes seculares que você tiver que frequentar. No demais, nosso cuidado consiste em selecionar nossas amizades (Sl 1:1; 1ª Co 15:33,34; Pr 9:6,10[20]; 13:20,21) não nos isolando das pessoas, mas vigiando em nossas atitudes (1ª Co 10:12; Mc 14:38; 1ª Ts 5:17; 1ª Co 10:32).



[1]Principado: Dignidade de príncipe. Território cujo governo pertence a um príncipe ou a uma princesa. Mencionado na Bíblia também em referência a espíritos, sejam eles bons ou maus (1ª Co 15:24; Ef 1:21; 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10,15).
[2]Potestade: Potência, força, poder. A divindade suprema, segundo a religião. Potentado.
[3]Hoste: Tropa, exército beligerante, corpo de exército. Bando, chusma, multidão.
[4]Secular: Pertencente ou relativo a século. Que se observa ou se faz de século a século. Em sentido religioso, se refere àquilo que
[5]Discernir: Saber a diferença; perceber o verdadeiro significado de algo ou a intenção de alguém com clareza.
[6]Publicano: Cobrador de impostos do governo romano. Termo pejorativo que define homens que negociam desonestamente.
[7]Reputado: Considerado; avaliado. Tido por.
[8]Remir: Aproveitar; fazer uso de uma oportunidade. Libertar mediante o pagamento de um preço.
[9]Pilatos: Pôncio Pilatos foi prefeito da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C.. Foi o juiz que condenou Jesus a morrer na cruz, mesmo contra sua vontade, pois não havia achado culpa nEle. Apesar de nesse episódio ele não parecer muito hostil, foi, na verdade, um homem cruel e sanguinário; segundo a história, Pilatos trucidou um grande número de samaritanos, os quais, consequentemente, protestaram ao seu superior, Vitelio, legado provincial da Síria, o qual destituiu Pilatos e o enviou a Roma a desculpar-se com o Imperador. Ele cometeu suicídio por volta do ano 37DC.
[10]César: Nome de uma família romana, da qual Caio Júlio César foi o membro mais famoso. Com o tempo, "César" se tornou o título oficial dos imperadores romanos (Lc 20.25). No Novo Testamento são mencionados quatro césares: Augusto, Tibério, Cláudio e Nero.
[11]Neemias: Significa "Javé Conforta". Judeu, copeiro de Artaxerxes. Liderou um grupo que voltou do Cativeiro Babilônico para Jerusalém, onde foi governador e realizou reformas. Foi um homem de muita habilidade e coragem. É considerado um grande exemplo de liderança; uma de suas obras mais marcantes foi a reconstrução dos muros de Jerusalém sob forte oposição de Sambalate e Tobias. É o provável autor de um livro histórico do Antigo Testamento que leva o seu nome.
[12]Sambalate: O seu nome na língua babilônia é "Sin-Uballit" que significa "Que Sim lhe dê vida" (Sim, na Babilônia, era considerado o deus da lua). Provavelmente nasceu em Bete-Horom, por isso era chamado de hornita. Ele foi o líder dos opositores de Neemias porque se sentia politicamente ameaçado com seu trabalho de edificação dos muros em Jerusalém. Seus filhos, Delaías e Selemias, tinham nomes judeus e sua filha se casou com o filho de um sumo sacerdote, o que dá a entender que ele possa ter feito as pazes com Neemias ou com seu povo.
[13]Samaria: Significa "Torre de Guarda”. Monte situado 12 km a nordeste de Siquém (Am 6:1). Capital do reino do Norte, construída nesse monte por Onri (1º Rs 16:24; Jr 23:13; Os 7:1-7; 8:5-6; Am 4:1). Seu nome atual é Sebastieh. Região central da Terra Santa, abrangendo as tribos de Efraim e Manassés do Oeste. Ao norte ficava a Galiléia; a leste, o Jordão; ao sul, a Judéia; e, a oeste, o Mediterrâneo (2º Rs 17:24-26; At 1:8).
[14]Tobias: Um amonita que foi um dos principais opositores à Neemias na reconstrução de Jerusalém. Era um provável oficial de alto escalão do governo persa. Ele e seus filhos se casaram com mulheres judias. Embora tenha sido recebido no Templo pelo sumo sacerdote Eliasibe, foi expulso por Neemias.
[15]Gesém: Chamado na Bíblia de arábio, acredita-se que foi um governador edomitas ou persa. Juntamente com Sambalate e Tobias, foi um dos principais opositores de Neemias na reconstrução de Jerusalém.
[16]Ono: Citado no livro de Neemias (Ne 6:2), esse vale ficava a mais ou menos 32 quilômetros de Jerusalém.
[17]Opróbrio: Desonra; vergonha.
[18]Despojo: O que que se tirou do inimigo depois de vencê-lo (Sl 119:162; Lc 11:22).
[19]Noadias: Em hebraico significa "Encontro com Javé". A Bíblia relata a existência de duas pessoas com esse nome: 1) Um levita, filho de Binui, que pesou os utensílios de ouro e prata pertencentes ao templo que foram trazidos de volta da Babilônia (Ed 8:33).  2) Uma profetiza que uniu-se a Sambalate e Tobias na sua tentativa de intimidar Neemias (Ne 6:14).
[20]Blandícia: Blandície. Afago, carinho, brandura. Palavras doces e convincentes.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Amém!

Ao dizer "amém" em uma oração
você está confirmando tudo aquilo
que disse, ou seja: está aceitando
que é dessa forma que as coisas
deveriam acontecer. Por isso,
tome muito cuidado e, antes de
colocar essa "assinatura" no final
de sua conversa com Deus, peça
a Ele que confirme e direcione
seus passos conforme a vontade
dEle.
    Certamente você, assim como todos nós cristãos, fala “amém” no final de suas orações; mas você sabe o significado dessa expressão? Então vamos aprender um pouquinho sobre ela: Registrada 75 vezes na Bíblia, essa pequena palavra de origem hebraica tem um efeito extraordinário. Sendo de simples pronúncia, é reconhecida em praticamente todas as línguas, o que a torna universal. Literalmente, seu significado é “assim seja” ou “é assim”, o que também pode ser traduzido ou entendido como “de fato”, “eu acredito”, “eu concordo”, “certamente” ou “com certeza” e também com vários outros sinônimos; a utilização desse termo é uma clara expressão de aprovação ao que foi feito ou falado.
    Não apenas no cristianismo, mas em inúmeras outras religiões, essa é a característica mais comum usada para indicar o término de uma oração, chegando a ser praticamente obrigatória. Seu uso rotineiro criou um efeito psicológico tão marcante que muitas pessoas, se não falarem ou não ouvirem um “amém” no final ficam com aquela sensação de que a oração não foi feita ou não foi atendida. Mas, assim como na utilização do nome de Jesus, a verbalização dessa palavra não produz nenhum efeito “mágico”, pois se não houver fé, sinceridade e propósito divino, não é uma palavra que vai ter poder para determinar o resultado de uma oração.
    Equivocadamente, várias vezes até de forma inconsciente, muitas pessoas utilizam o “amém” como sinônimo de “ponto final” quando querem determinar o fim de alguma coisa. O objetivo desse termo não é esse, pois seu uso serve tão simplesmente para expressar concordância em relação a atos ou palavras, e isso pode ocorrer tanto no início, quanto no meio como no final de qualquer ação.
    Das vezes em que aparece na Bíblia, a mais relevante é a que se refere ao próprio Senhor Jesus, quando se dirige à rebelde Igreja de Laodicéia[1] repreendendo-a por sua mornidão espiritual (Ap 3:14-16). Nessa ocasião, o fato de Ele próprio se denominar como o Amém nada mais é do que uma forma de Ele se identificar como sendo o verdadeiro ou aquele que é digno de confiança, e também como aquele que decide, aquele que faz. Inclusive, essa palavra deriva da raiz hebraica “amán”, a qual significa “ser fiel”. 
    Conforme acabamos de aprender, a palavra amém tem significado de concordância e não produz efeitos “mágicos”; porém, ela faz parte de nossas tradições litúrgicas e não temos razão alguma para querer mudar isso. Apenas, o que realmente importa é fazermos uso dela de forma racional (Rm 12:1), sabendo em que momentos e em que sentido a estamos pronunciando. No demais, discutir esse assunto significa simplesmente desviar a atenção de coisas realmente necessárias dando importância à picuinhas (1ª Tm 1:4). Amém?



[1]Laodicéia: Hoje com o nome de Pamucale (Pamukkale), Laodicéia foi uma das mais prósperas cidades da Frígia, durante a época romana. Possuía bancos, indústria têxtil e uma escola de medicina que produzia colírio para os olhos, embora tivesse problemas com o abastecimento de água. Em certa ocasião, foi construído um aqueduto que transportava as águas térmicas vindas de Hierápolis (cerca de dez quilômetros). Porém, quando a água chegava na cidade, não estava nem quente e nem fresca, mas apenas morna. A cidade é citada algumas vezes no Novo Testamento da Bíblia, na qual São Paulo esteve em sua terceira viagem missionário, sendo também mencionada entre as sete igrejas (da Ásia) do livro Apocalipse (Ap 3:14-22), considerada como uma igreja morna quanto à sua atividade, como uma metáfora à temperatura das águas que a abasteciam. A cidade foi destruída no ano 494dC por um grande terremoto; foi aí que teve início o declínio de sua grande prosperidade.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Em Nome de Jesus!

O nome de Jesus é como a
assinatura de uma carta de alforria,
a qual serviu para nos libertar da
escravidão do pecado; porém,
essa liberdade só é concedida a
quem estiver disposto a aceitar
a graça de servir a Ele.
    Jesus[1]. O que esse nome significa pra você? Sempre inserida de forma até automática no final de nossas orações, a expressão “Em nome de Jesus!”, para muitos, mais parece ser uma frase que produza algum efeito mágico tipo “Abracadabra!”, do que realmente uma demonstração de reconhecimento e submissão àquEle que nos deu o direito de nos dirigirmos diretamente a Deus em nome dEle. Para termos uma visão mais clara sobre esse assunto, vamos imaginar o seguinte: se um empresário te dá como pagamento uma folha de cheque devidamente assinada, quando você for ao banco, após a checagem da autenticidade daquela assinatura, sendo comprovada a existência de crédito relacionada àquele nome, o caixa será autorizado pelo sistema a te entregar o valor ali descrito. O simples fato de haver um nome de credibilidade garante que o pedido emitido naquela pequena folha de papel tem que ser atendido; assim é a oração no nome de Jesus: nós somos simples seres humanos cheios de falhas, mas Ele possui crédito sem limites diante do Pai Supremo e, mediante sua “assinatura” feita com sangue no seu sacrifício na cruz, Ele deu a todos os que o reconhecerem como Salvador um “cheque” - e não entendamos isso no sentido meramente financeiro -, o qual garante a seus servos também crédito para com o Todo-Poderoso. O mais interessante é que esse “cheque” está em branco, mas isso não nos dá o direito de colocar valores de acordo com nossa própria vontade, pois Deus é onisciente e não dará ouvidos a orações injustas (Tg 4:3).
    Há vários outros detalhes de extrema importância que devemos observar em relação ao uso do nome de Jesus, vejamos alguns:
ü  Sim. Há poder no nome de Jesus (Fp 2:9-11)!
ü  Ele pode sim ser usado em nossas orações (At 16:18).
ü  Não há nenhuma regra que obrigue sua colocação no final de cada oração (Mt 6:13).
ü  A expressão “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, só aparece na Bíblia sendo relacionada ao batismo (Mt 28:19).
ü  O poder nEle contido somente se materializa em nossa vida através da nossa obediência (1ª Jo 2:6).
ü  Sem fé e comunhão com Deus não adianta clamar pelo seu nome (At 19:13-16[2] [3]).
ü  Não é o uso do nome dEle que vai mudar os propósitos divinos (1ª Pe 4:14,19[4]).
ü  O nome de Jesus, assim como o poder por Ele concedido, não é um amuleto de sorte ou objeto de satisfação pessoal (At 8:18-22[5]).
ü  Nem todos os que invocam seu nome são realmente seus servos (Mc 13:5,6).
ü  Sendo Ele o próprio Deus, não devemos usar seu nome em vão, mas sim glorifica-lo (Ap 5:12,13).
    Existem também muitas pessoas que questionam a origem e o significado desse nome; porém, essa é uma preocupação sem sentido, pois, ainda que possam ter alguma razão, o único e verdadeiro Deus a quem servimos tudo sabe, conhece nossas limitações e não vai nos julgar pelo nosso conhecimento em relação aos significados de palavras, e sim pelas intenções do nosso coração (Lc 18:10-14[6]). No demais, o que realmente importa é que reconheçamos nossa independência em relação a Ele, usando seu nome de forma coerente, não encarando isso como um mero ritual a ser cumprido como que uma simples “reza”, sabendo o que e para quem estamos pedindo, tendo a consciência absolutamente tranquila, estando convictos de nossa fé, reconhecendo que acima de tudo estão os seus propósitos para conosco, cientes de que somos nós que devemos a Ele e não Ele a nós, buscando sempre capacidade para discernir o certo do errado e tendo sempre o cuidado de que o uso desse precioso nome não seja apenas um costume rotineiro e banal em nossa vida. Aprendamos isso em nome de Jesus!


[1]Jesus: Significa “Javé é Salvador”. É a forma grega de Josué (Mt 1:21). Cristo quer dizer Ungido; é o mesmo que o termo hebraico Messias (At 17:3). Ele é o Anjo do Senhor que aparece no Antigo Testamento (Gn 18:1-23). Esvaziou-se da sua glória e se humilhou, tomando a forma de ser humano (Fp 2:6-11). O seu ministério terreno durou mais ou menos 3 anos e meio.
[2]Exorcista: Aquele que pratica o exorcismo (forma de magia em que se procura expulsar espíritos maus por meio de fórmulas e cerimônias mágicas ( At 19:13-16); ato para expulsar espíritos maus pelo poder de Deus (Mt 10:8; 12:28; At 16:16-18)).
[3]Ceva: Em grego significa "Capaz de Ler os Pensamentos". Um judeu sumo sacerdote residente em Éfeso na mesma época em que o apóstolo Paulo exerceu seu ministério naquela região. Teve sete filhos, os quais eram praticantes de exorcismo (At 19:13-17).
[4]Vituperado: Vítima de vitupério. Censurado; criticado; insultado.
[5]Simão: Significa "Ouvinte". Na Bíblia aparecem nove homens com esse nome: 1) Pedro (Mt 4:18); 2) Iscariotes, pai de Judas (Jo 13:26); 3) O leproso (Mc 14:3); 4) Cirineu (Mt 27:32); 5) Curtidor (At 10:6); 6) Fariseu (Lc 7:40); 7) Mágico (At 8:9-24); 8) Zelote ou Cananeu (Mt 10:4); 9) Irmão de Jesus (Mt 13:55).
[6]Publicanos: Cobradores de impostos do governo romano. Termo pejorativo que define homens que negociam desonestamente.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Obrigado Senhor!

É nas pequenas coisas da vida
que se manifesta o imenso amor de
Deus; e é com as mais simples
palavras do nosso coração que
conseguimos dizer a Ele o quanto
somos gratos por isso.
    Pedir é muito bom. Principalmente quando a gente consegue o que quer, não é mesmo? Mas, depois do objetivo alcançado, qual deve ser a nossa postura? É interessante o tanto de campanhas, votos, propósitos e sacrifícios que vemos sendo divulgados por aí, mas não vemos nenhuma mobilização desses mesmos líderes religiosos para agradecer a Deus; você já viu algum cartaz escrito “Venha participar da grande campanha de gratidão a Deus” ou algo parecido? Na verdade, muitos de nós cometem esse mesmo erro: buscam incessantemente, choram, se humilham e prometem até o impossível, mas, quando alcançam, esquecem! Qual será o sentimento de Deus em relação a tudo isso? Considerando seus atributos humanos, imagine que alguém chegue em você desesperado, implorando ajuda e prometendo até fazer algo em seu favor ainda que você não tenha pedido. Então, mesmo vendo que aquela pessoa não merece, você vai e faz de tudo para ajudá-la; depois, você percebe que ela está sorrindo de novo e nem se preocupa em ligar pra saber como você está, e quando passa perto de ti ainda finge não te ver, mas quando a situação aperta de novo... olha lá quem tá batendo à sua porta mais uma vez! Como é que você se sentiria? Pois é assim mesmo que Deus se sente quando não expressamos nenhuma gratidão a Ele!
    As Escrituras Sagradas dão um amplo destaque para a importância da gratidão. Vejamos alguns deles:
·        Num coração que existe a verdadeira paz de Deus também existe a gratidão (Cl 3:15).
·        O cumprimento de um propósito seguido do agradecimento resulta em bênção (Jn 2:9).
·        O próprio Senhor Jesus nos ensinou a orar em agradecimento pelo sustento, para que ele seja multiplicado (Mt 15:36,37).
·        Precisamos também agradecer pelas revelações que o Pai nos concede (Lc 10:21).
·        Devemos orar incessantemente agradecendo por tudo (1ª Ts 5:17,18).
·        Mesmo em momentos de aflição devemos demonstrar nossa gratidão a Deus (Fp 4:6).
·        Precisamos lhe agradecer sempre pela sua misericórdia, da qual não nos fizemos merecedores (Is 12:1).
·        Em todas as nossas palavras e atitudes devemos expor a nossa gratidão a Ele (Cl 3:17).
·        O Senhor se agrada quando cantamos louvores de agradecimento (Ef 5:18-20).
·        A perseverança na oração deve ser seguida pela vigilância e pela gratidão (Cl 4:2).
·        O nosso Salvador espera pela nossa gratidão (Lc 17:15-18).
    Devemos, por hábito, sempre inserir a gratidão em nossas orações. Embora, por tendência natural, costuma-se proferir o agradecimento depois do favor alcançado, com o nosso Senhor é diferente: quando o agradecemos antes mesmo da resposta, estamos expondo diante dEle, e também dos homens, algo valiosíssimo de que Ele muito se agrada: a nossa fé[1] (Hb 11:6). E essa fé, a qual é uma manifestação sobrenatural, consiste não somente em aceitar aquilo que pareça bom aos nossos olhos quando tudo acontece da maneira como pedimos, mas também em entender que ainda que as dificuldades persistam, o Mestre está no controle do barco e tem um propósito até mesmo com a tempestade. Ainda que a nossa vida não pareça ser das melhores, precisamos compreender que o simples fato de estarmos vivos já é uma grande dádiva do Todo-Poderoso, o qual nada nos deve e bem poderia - e pode - dar a outro o privilégio de ocupar o nosso lugar. Por isso, jamais devemos omitir a importância de sermos gratos por tudo. O que melhor expressa a certeza e a segurança daquele que clama com fé e submissão diante de Deus é o ato da existência da gratidão em suas orações (Jo 11:41b).




[1]Fé: Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma afirmação. Crença nas doutrinas da religião cristã. A certeza absoluta de que algo vai acontecer.