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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Levantai a Arca do Pacto

Muitos projetos não progridem
porque está faltando coragem
para levantar a arca do pacto,
ou seja, atitude de colocar em
prática a obediência à Deus.
Procurar fazer tudo aquilo o
que o agrada é o primeiro
passo para ser conduzido
rumo à travessia do Jordão
em sua vida.
Josué 3:6 - "E falou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantai a arca do pacto e passai adiante deste povo. Levantaram, pois, a arca do pacto e foram andando adiante do povo."

Contexto
- Sendo o primeiro dos livros históricos, o livro de Josué foi escrito por ele próprio por volta do ano 1400aC.
- Os 656 versículos de seus 24 capítulos narram a missão de Josué após a morte de Moisés, a conquista de Canaã e a sua divisão entre as tribos.
- Josué assumiu a liderança do povo hebreu durante sua peregrinação pelo deserto, sua característica ficou marcada como sendo um homem fiel a Deus, corajoso e guerreiro. Ele também teve dificuldades e precisou de encorajamento como relatado em seu primeiro capítulo: "Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares".
- Embora fosse da tribo de Efraim e não de Levi, como líder, ele tinha também a missão de comandar os sacerdotes e garantir que as ordens Deus havia dado sobre o tabernáculo fossem perfeitamente cumpridas; uma delas era o cuidado com a arca, a qual continha as tábuas com os dez mandamentos, a vara que floresceu confirmando o sacerdócio de Arão e um pote com maná.

Mensagem
- Sitim, o Vale das Acácias, foi a última parada dos israelitas antes de entrarem na terra prometida; mas para chegarem até ela era preciso atravessarem o Jordão. Para isso, a ordem divina era que os levitas com a arca fossem na frente. O verdadeiro líder se preocupa em orientar seus liderados de forma clara e objetiva.
Josué 3:1-5 - "Levantou-se, pois, Josué de madrugada, e partiram de Sitim, e vieram até ao Jordão, ele e todos os filhos de Israel, e pousaram ali antes que passassem. 2E sucedeu, ao fim de três dias, que os príncipes passaram pelo meio do arraial 3e ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes a arca do concerto do Senhor, vosso Deus, e que os sacerdotes levitas a levam, parti vós também do vosso lugar e segui-a. 4Haja, contudo, distância entre vós e ela, como da medida de dois mil côvados; e não vos chegueis a ela, para que saibais o caminho pelo qual haveis de ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes. 5Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós."

- Havia uma promessa de honra sobre a vida dele, mas seu cumprimento dependia de sua obediência às ordens divinas. O que temos feito com aquilo que o Senhor confiou a nós?
Josué 3:7-13 - "E o Senhor disse a Josué: Este dia começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel, para que saibam que assim como fui com Moisés assim serei contigo. 8Tu, pois, ordenarás aos sacerdotes que levam a arca do concerto, dizendo: Quando vierdes até à borda das águas do Jordão, parareis no Jordão. 9Então, disse Josué aos filhos de Israel: Chegai-vos para cá e ouvi as palavras do Senhor, vosso Deus. 10Disse mais Josué: Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós e que de todo lançará de diante de vós os cananeus, e os heteus, e os heveus, e os ferezeus, e os girgaseus, e os amorreus, e os jebuseus. 11Eis que a arca do concerto do Senhor de toda a terra passa o Jordão diante de vós. 12Tomai, pois, agora, doze homens das tribos de Israel, de cada tribo um homem; 13porque há de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que levam a arca do Senhor, o Senhor de toda a terra, repousem nas águas do Jordão, se separarão as águas do Jordão, e as águas que de cima descem pararão num montão."

- Não houve recusa por parte do povo em atender suas orientações, e tal obediência resultou no sucesso de seus objetivos. Honrar a liderança é o mesmo que honrar a Deus.
Josué 3:14-16 - "E aconteceu que, partindo o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levavam os sacerdotes a arca do concerto diante do povo. 15E, quando os que levavam a arca chegaram até ao Jordão, e os pés dos sacerdotes que levavam a arca se molharam na borda das águas (porque o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega), 16pararam-se as águas que vinham de cima; levantaram-se num montão, mui longe da cidade de Adã, que está da banda de Sartã; e as que desciam ao mar das Campinas, que é o mar Salgado, faltavam de todo e separaram-se; então, passou o povo defronte de Jericó."

- Espiritualmente, para nós, levar a arca significa colocar a presença de Deus em primeiro lugar em nossa vida; buscar sua orientação antes de tomarmos qualquer atitude; e sermos gratos reconhecendo que o que temos, o que somos e o que fazemos é dEle, por Ele e para Ele. Onde você deixou a arca? Pegue-a, levante-a e prossiga!
Josué 3:17 - "Porém os sacerdotes que levavam a arca do concerto do Senhor pararam firmes em seco no meio do Jordão; e todo o Israel passou em seco, até que todo o povo acabou de passar o Jordão."

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Assumindo a Paternidade dos Filhos Espirituais

Um dos princípios mais
básicos da liderança cristã
consiste no cuidado pelos
liderados: não basta gerar,
tem que cuidar. Vale
lembrar que cada líder é
também um liderado.
3ª João 1:4 - “Não tenho maior gozo do que este: o de ouvir que os meus filhos andam na verdade.”

Contexto
- Escrita entre 85 e 90dC., pelo apóstolo João, essa epístola foi destinada à Gaio, um cristão que provavelmente muito o ajudou em seu ministério.
- Ao que tudo indica, o apóstolo João ainda não se encontrava preso em Patmos, mas sim livre em Éfeso. Era o último apóstolo vivo.
- Um de seus objetivos era alertar contra Diótrefes, possivelmente um obreiro que distorcia a pregação do Evangelho e não aceitava na igreja quem cresse no que João havia ensinado.
- Seu conteúdo básico é seguir o bem e não o mal.

Mensagem
- Sua grande alegria era saber da firmeza de seus filhos na fé.
3ª Jo 1:3 - “Pois folgo muito, quando os irmãos vêm dar testemunho da tua verdade, como tu andas em verdade.”

- Como líder, ele nos ensina que devemos apoiar os liderados;
3ª Jo 1:1,2 - “O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo em verdade. 2Amado, peço a Deus que prosperes em tudo e tenhas saúde, assim como tua alma prospera.”

- E, da mesma forma, incentiva-los a continuar trabalhando.
1ª Jo 3:5,6 - “Amado, tu procedes fielmente em tudo o que fazes aos irmãos, e estes até estranhos, 6os quais dão testemunho do teu amor diante da igreja, aos quais farás bem se ajudares na sua viagem de um modo digno de Deus;”

- Você se alegra com o crescimento do seu irmão?
Rm 12:15 - “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.”

- Gerar “filhos” implica em cuidados.
2ª Co 12:14,15 - “Eis aqui estou pronto para, pela terceira vez, ir ter convosco e não vos serei pesado; pois que não busco o que é vosso, mas, sim, a vós; porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos. 15Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado.”

- A forma como você trata as pessoas à sua volta define o desenvolvimento do seu ministério.
Gl 6:2,6-9 - “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo. 6E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui. 7Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. 8Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna. 9E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.”

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

“Não Toqueis nos Ungidos do Senhor”

Textos do Antigo Testamento não
dão legalidade para que crentes da
era atual tomem promessas feitas
exclusivamente à Israel como se
fossem para a Igreja no tempo da
Graça. No que se refere à unção,
deve-se entender que antigamente
havia homens especialmente
separados para determinadas
funções, mas hoje os dons
espirituais abrangem a todos de
alguma forma, tornando-os
iguais em relação ao trabalho
ministerial. Assim sendo, o que
se deve é ter respeito pelos
lideres, mas não atitudes que
os coloquem em posição de
semi-deuses.
(1º Samuel 24:6) - E disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do Senhor.   
    Esse versículo, entre outros (1º Sm 26:9; 2º Sm 1:14; 1º Cr 16:21,22), é usado literalmente por determinados cristãos - principalmente líderes - como ameaça quando se sentem afrontados por alguém. Dessa forma, tentam manter os demais coagidos sem direito a questionamento ou opinião própria. Existem crentes especiais? O que a Bíblia diz sobre isso?
    Observemos que a palavra ungido, nesse sentido, aparece apenas uma vez no Novo Testamento, nas versões bíblicas mais comuns, referindo-se ao próprio Jesus (At 4:26). Agora, vejamos o significado desse termo: sua origem está no verbo ungir, o que significa por azeite na cabeça de uma pessoa; é dessa forma que os profetas, sacerdotes e reis eram separados para suas funções em Israel. Tal ação era executada sob ordem divina, isso explica o grande respeito de Davi por seu inimigo Saul: ele não queira ser culpado por matar aquele que Deus havia permitido ser o rei daquela nação; pois, devido a essa unção, Saul não era uma pessoa qualquer. Além do mais, o próprio Davi havia sido ungido para reinar após ele; por isso ele compreendia que o melhor era esperar pacientemente pelo seu tempo (1º Sm 26:10,11). Deve-se observar ainda, que mesmo respeitando-o, Davi não perdeu a oportunidade de conversar com Saul e explicar a injustiça que o mesmo estava cometendo, fazendo-o compreender que estava errado (1º Sm 24:8-21).
    Trazendo para a atualidade, não há base bíblica para que qualquer crente comum ou líder ministerial “tome para si” a unção de Saul afirmando que ninguém tenha o direito de questioná-lo. O que a Palavra ensina é que devemos respeitar uns aos outros (Jo 13:34,35; Rm 12:9,10; Ef 4:32; Fp 2:3,4) e obedecer nossos superiores (Hb 13:7; 1ª Tm 5:17; Rm 13:1), mas não nos obriga aceitar seus erros (1ª Jo 4:1; 1ª Co 14:29).

terça-feira, 2 de junho de 2015

Como Devo Reagir Diante das Oposições à Obra?

Texto Bíblico
Neemias 6:1-3 - Sucedeu que, ouvindo Sambalate[1], Tobias[2], Gesém[3], o árabe, e o resto dos nossos inimigos, que eu tinha edificado o muro, e que nele já não havia brecha alguma, ainda que até este tempo não tinha posto as portas nos portais, 2Sambalate e Gesém mandaram dizer-me: Vem, e congreguemo-nos[4] juntamente nas aldeias, no vale de Ono[5]. Porém intentavam fazer-me mal. 3E enviei-lhes mensageiros a dizer: Faço uma grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse, e fosse ter convosco?

Com os exemplos de Neemias
aprendemos que o crente
equilibrado em sua conduta, não
desce ao nível dos inimigos para
responder suas afrontas; ele
simplesmente diz que está muito
ocupado cumprindo seu trabalho
e deixa Deus fazer justiça em
seu lugar.
História
    Jerusalém. Ano 445aC. O cativeiro da Babilônia[6] já havia se findado e, aos poucos, os judeus eram enviados em grupos de volta à sua terra. Neemias[7], um copeiro do rei Artaxerxes[8], sendo um judeu temente a Deus e tremendamente apegado ao seu povo, recebeu tristes notícias sobre a situação de Jerusalém e, depois de orar e jejuar, sendo autorizado pelo rei, foi conferir de perto. Chegando lá, o que viu foi uma cena terrível: o que havia sobrado do muro estava aos pedaços, das portas restaram indícios de madeira e metal queimados, entulhos estavam espalhados por todas as partes de modo que ele nem conseguia passar com o animal sobre o qual estava montado, o povo estava em grande pobreza e sua identidade cultural, social e religiosa estavam sob forte influência dos seus colonizadores. A situação era gravíssima, pois um muro representava a segurança e a importância de uma cidade; e ele, como um fiel servo de Deus, sentiu-se na obrigação de tomar uma atitude. Mas o que fazer diante de um cenário tão caótico? Primeiramente, pedir a orientação do Senhor e, a partir daí, elaborar um projeto de reconstrução, reunir o povo, calcular os gastos, arrecadar o que fosse necessário, organizar tudo e dar início aos trabalhos. Fazendo isso, quando tudo estava em andamento, surgiu um grande obstáculo: os inimigos da obra: Tobias, Sambalate e companhia Ltda. Mas quem eram eles? Esses eram homens que ocupavam cargos importantes no governo e se sentiam ameaçados pela reconstrução dos muros, pois temiam que isso possibilitasse uma rebelião dos judeus, fato esse que lhes traria grandes prejuízos, pois Jerusalém era uma grande cidade. Esse é o perfeito retrato dos habituais inimigos da Obra que enfrentamos ainda nos dias de hoje: eles podem estar tanto fora quanto dentro da igreja, seus motivos são sempre a ganância material e a busca pelo status, seu alvo são aqueles que estão trabalhando pela edificação da Igreja e seus meios sempre visam a destruição dos que se opuserem aos seus planos malignos. Como devemos reagir perante eles? Neemias nos dá um perfeito exemplo de como deve agir um verdadeiro servo de Deus: “Faço uma grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse, e fosse ter convosco?”. Qual é o grau do seu envolvimento com a Obra? É apenas um membro dela ou está comprometido com ela?

Mensagem
    Qual é a sua prioridade? Diante da provocação você para de trabalhar e dá atenção ao inimigo, ou você ignora suas palavras e continua com sua atenção voltada para Jesus?

    As estratégias dos inimigos:
    Zombaria: Os inimigos usaram palavras ofensivas à honra, na tentativa de provocar o ego dos judeus (Ne 4:1-3). Muitas vezes somos afrontados pelos ímpios porque servimos a Deus ou até mesmo por crentes quando não concordam com nossa dedicação à Obra; porém, a justiça divina contempla todo sofrimento e age no momento certo (Sl 1:4-6).
    Falsas propostas: Vendo a determinação de Neemias, prepararam uma armadilha e se fingiram de amigos (Ne 6:2). O inimigo nem sempre se apresenta furioso e armado, por isso devemos estar sempre alertas a tudo o que nos é oferecido (Pr 26:24-26).
    Mentiras: Diante da persistência, os inimigos apelaram para a falsa acusação (Nm 6:6,7). As calúnias inventadas a nosso respeito somente nos derrubam se dermos ouvidos ao inimigo, pois quando resistimos somos justificados e honrados pelo Senhor (Mt 5:10-12).

    A resistência aos inimigos:
    Busca da orientação divina: A primeira reação de Neemias foi orar; ele “desabafou” com Deus todas as suas amarguras (Ne 4:4,5[9]). Quem busca a orientação de Deus, não somente consegue encontrar as respostas certas como também recebe paz em seu coração, pois começa a entender que seu verdadeiro inimigo é espiritual e não carnal (Ef 6:10-13[10] [11] [12]).
    Discernimento entre a verdade e a mentira: Nas tentativas de aproximação, que na verdade eram ciladas, podemos notar o discernimento espiritual de Neemias que não acreditou nos argumentos apresentados (Ne 6:2); nem mesmo os “profetas” conseguiu enganá-lo (Ne 6:12-14) e, prudentemente, já havia orientado o povo a vigiar enquanto trabalhava (Ne 4:17-20). Como servos de Deus, não podemos aceitar o fato de sermos enganados diante de qualquer argumento, pois temos que saber discernir entre a verdade e a mentira (At 5:1-3) considerando o fato de que o discernimento é um dom espiritual (1ª Co 12:7,10; 2:14,15) e, pelo meio do qual, nem mesmo os que usam o nome de Deus podem conseguir nos enganar (1ª Jo 4:1).
    Resposta firme aos opositores: Quando foi convidado para uma reunião com Tobias e Sambalate, percebendo que se tratava de um impedimento à obra, não tentou se desculpar e muito menos atendeu ao chamado, ele simplesmente disse que o que ele estava fazendo era muito mais importante (Ne 6:3). Quais são as respostas que estamos dando àqueles que tentam nos afastar das coisas de Deus (1ª Tm 4:1,2[13]; Rm 16:17,18[14])?
   
    O resultado da resistência:
    A conclusão do muro: O resultado da persistência, da coragem e da fidelidade a Deus foi excelente: eles conseguiram concluir o muro em cinquenta e dois dias (Ne 6:15[15]). A conquista do objetivo é certa, mas apenas para aqueles que não desistem. Não há como evitarmos a existência dos opositores, mas quem garante o sucesso da Obra é aquEle que ordenou que a fizéssemos (Mt 10:22; Gl 6:9).
    A exaltação do nome de Deus: O término da construção não somente alegrou aos judeus, mas também honrou a Jeová diante de seus próprios inimigos como também dos gentios (Ne 6:16); pois o serviço sacerdotal foi restabelecido (Ne 7:1,2); e o povo voltou a adorar livremente (Ne 8:1,6), podendo inclusive ofertar (Ne 10:37), assim alcançando um verdadeiro avivamento tendo sua fé fortificada (Ne 9:38). Qual é o objetivo que te leva a fazer parte da Obra do Senhor? Todos os trabalhos os quais tivermos oportunidade para fazer devem ser executados com amor e dedicação, lembrando-nos que trabalhamos para Deus e não para os homens (Cl 3:17; Ec 9:10).
    O resgate da dignidade do povo: Com a edificação dos muros passou a haver um controle sobre os habitantes de Jerusalém que lhes permitiu registrar suas genealogias (Ne 7:5); os que não pertenciam ao povo foram apartados, dando-lhes mais liberdade para se prostrarem diante de Deus (Ne 9:2) e assim puderam também voltar a zelar pela pureza do seu povo não estando mais sujeitos às mais diversas influências dos povos estrangeiros (Ne 10:29,30). Você tem se preocupado em manter-se puro vivendo nesse mundo tão corrompido pelo pecado? O verdadeiro crente preocupa-se muito em fazer a diferença em qualquer lugar que esteja (Jo 17:14-17).

Conclusão
    Sobrevivendo em tempos de supervalorização material numa situação em que o próprio Evangelho é encarado por muitos simplesmente como um bom negócio de grandes proporções financeiras, o verdadeiro cristão, que é aquele que não se rende aos “Tobias” e “Sambalate” que estão à sua volta, precisa se inspirar em homens como Neemias e no próprio Senhor Jesus Cristo para não se corromper e nem desistir de sua missão. Reconstruir muros já não é uma tarefa muito fácil, e com inimigos tentando impedir se torna quase impossível. No entanto, o que aprendemos aqui é que quando nos colocamos em oração pedindo a Deus que seja Ele o idealizador e executor de nossos projetos não há como a edificação não ser concluída. É assim que percebemos que os maiores obstáculos não são os opositores, mas sim nós mesmos quando não temos fé e confiança no próprio chamado. Neemias não precisou se expor entrando em brigas ou mesmo discutindo; sempre respondeu com mansidão e firmeza, e Deus cuidou de tudo por ele. Essa deve ser a reação de um verdadeiro cristão; o mundo precisa ver esse exemplo em nós. E, por essa razão, não devemos perder tempo em nosso ministério olhando e dando ouvidos às pessoas que não concordam ou não acreditam no que fazemos, porque se nós temos a certeza de que foi o Rei quem nos chamou e está nos capacitando, estamos mais do que autorizados a cavar os alicerces e prosseguir com o trabalho. Falando nisso, você já conversou com o Dono da Obra hoje (Ne 13:31b)?


[1]Sambalate: O seu nome na língua babilônia é "Sin-Uballit" que significa "Que Sim lhe dê vida" (Sim, na Babilônia, era considerado o deus da lua). Provavelmente nasceu em Bete-Horom, por isso era chamado de horonita. Ele foi o líder dos opositores de Neemias porque se sentia politicamente ameaçado com seu trabalho de edificação dos muros em Jerusalém. Seus filhos, Delaías e Selemias, tinham nomes judeus e sua filha se casou com o filho de um sumo sacerdote, o que dá a entender que ele possa ter feito as pazes com Neemias ou com seu povo.
[2]Tobias: Um amonita que foi um dos principais opositores à Neemias na reconstrução de Jerusalém. Era um provável oficial de alto escalão do governo persa. Ele e seus filhos se casaram com mulheres judias. Embora tenha sido recebido no Templo pelo sumo sacerdote Eliasibe, foi expulso por Neemias.
[3]Gesém: Chamado na Bíblia de arábio, acredita-se que foi um governador edomitas ou persa. Juntamente com Sambalate e Tobias, foi um dos principais opositores de Neemias na reconstrução de Jerusalém.
[4]Congregar: Reunir; juntar. Se reunir ou se juntar com outras pessoas.
[5]Ono: Citado no livro de Neemias (Ne 6:2), esse vale ficava a, mais ou menos, 32 quilômetros de Jerusalém.
[6]Cativeiro da Babilônia: Também chamado de Exílio ou Cativeiro da Babilônia, é o nome geralmente usado para designar a deportação em massa e exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilônia por Nabucodonosor II. Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel. A primeira deportação teve início em 598 aC.. Jerusalém é sitiada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 aC. e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo. Governando os poucos judeus remanescentes na terra de Judá - os mais pobres - ficou Gedalias nomeado por Nabucodonosor II. Dois meses depois, Gedalias é assassinado e os poucos habitantes que restavam fogem para o Egito com medo de represálias, deixando a terra de Judá (ex-Reino de Judá) efetivamente sem habitantes e suas cidades em ruínas. É certo que o período de cativeiro "em Babilônia" terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 aC./537 aC.) após a conquista persa da cidade de Babilônia (539 aC.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo. Esse cativeiro durou 70 anos.
[7]Neemias: Significa "Javé Conforta". Judeu, copeiro de Artaxerxes. Liderou um grupo que voltou do Cativeiro Babilônico para Jerusalém, onde foi governador e realizou reformas. Foi um homem de muita habilidade e coragem. É considerado um grande exemplo de liderança; uma de suas obras mais marcantes foi a reconstrução dos muros de Jerusalém sob forte oposição de Sambalate e Tobias. É o provável autor de um livro histórico do Antigo Testamento que leva o seu nome.
[8]Artaxerxes: Significa "Rei Poderoso" ou "Grande Guerreiro". É um nome próprio ou título (como César e Faraó) de três reis da Pérsia, dois dos quais são mencionados na Bíblia. 1) Artaxerxes I, apelidado de "Longímano" (mão longa), reinou de 464 a 424 aC. e proibiu a reconstrução do templo e de Jerusalém (Ed 4:7-23; 6:14). 2) Artaxerxes II, reinou de 404 a 358 aC. Ele deu a Esdras e Neemias autoridade e também mantimentos, ouro e prata para o Templo (Ed cap. 7; Ne 2:1-9; 13:6).
[9]Opróbrio: Desonra; vergonha.
[10]Principado: Dignidade de príncipe. Território cujo governo pertence a um príncipe ou a uma princesa. Mencionado na Bíblia também em referência a espíritos, sejam eles bons ou maus (1ª Co 15:24; Ef 1:21; 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10,15).
[11]Potestade: Potência, força, poder. A divindade suprema, segundo a religião. Potentado.
[12]Hoste: Tropa, exército beligerante, corpo de exército. Bando, chusma, multidão.
[13]Cauterizado: Que sofreu aplicação de cautério (ferro quente, cáustico ou outro agente que queima e converte em escara (ferida de queimadura), ou destrói os tecidos a que é aplicado). Morto ou destruído por ação de ferro em brasa. Simboliza uma mente destruída (1º Tm 4:2).
[14]Lisonja: Bajulação. Agradar alguém por interesse.
[15]Elul: No calendário judaico, esse é o mês correspondente ao período de agosto e setembro.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Jesus, Um Líder Perfeito Escolhendo os Seus Discípulos

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 5 | AD Belém - Congr. Elias Fausto/SP - Jonas M. Olímpio

Os mais variados métodos
aplicados por Jesus em seus
discípulos tiveram êxito porque,
além de usar sua própria vida
como exemplo, Ele agia como
amigo deles.
Lucas 14:25-35 - Ora, ia com ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe: 26Se alguém vier a mim, e não aborrecer[1] a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo[2]. 27E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. 28Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? 29Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, 30Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz. 33Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo. 34Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar? 35Nem presta para a terra, nem para o monturo[3]; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

    Em seu ministério terreno, entre as inúmeras qualidades do grande Mestre[4], existe uma em especial que não há como deixar de notar: Ele foi uma grande líder, e nos deixou vários exemplos de como exercer essa essencial função no Reino de Deus. Uma das principais qualidades de um bom líder é saber selecionar sua equipe e distribuir adequadamente sua funções. Os três primeiros livros de registro do Evangelho relatam os nomes dos doze que foram escolhidos por Ele para atuarem constantemente ao seu lado (Mt 10:1-4; Mc 3:13-19; Lc 6:12-16). Segundo a narração de Lucas, os nomes dos escolhidos são os seguintes: Simão Pedro[5], André[6], Tiago[7], João[8], Filipe[9], Bartolomeu[10], Mateus[11], Tomé[12], Tiago (filho de Alfeu)[13], Simão Zelador[14], Judas (filho de Tiago)[15] e Judas Iscariotes[16]. Os mesmos foram por Ele chamados de apóstolos[17] e, recebendo poder espiritual, foram enviados à pregar. Mas o que havia de especial nesses homens? Nada além da disposição para segui-lo! Em seus ensinamentos, Ele sempre destacou a importância da responsabilidade e do comprometimento daqueles que se dispusessem a segui-lo (Lc 14:25-35).
    Conforme podemos ver também no livro de Lucas, em sua habilidade administrativa Jesus demonstra grande capacidade para ensinar (Lc 4:15,31,32; 5:3,17; 6:6; 11:1,2; 13:10,22,26; 19:47; 20:1,21; 21:37; 23:5; 24:27); inclusive, a maioria dos seus escolhidos para essa missão especial era de homens simples que não usufruíam de grandes conhecimentos fora de suas profissões seculares, o que exigia de sua parte grande dedicação em ensinar. Inclusive, desde criança, Jesus exercia muito bem o ensinamento em seu ministério e, ao longo de sua vida, principalmente nos últimos três anos, suas pregações e conversas pessoais são repletas de ensinamentos. E é importante destacar que naquela época existia muitos ensinadores, pois havia muitos mestres especializados na Lei, entre os quais se incluíam os escribas[18], os fariseus[19], os essênios[20], os saduceus[21], os herodianos[22] e os zelotes[23] entre outros, que ensinavam expondo suas ideologias, geralmente políticas, no templo, nas sinagogas e nas ruas, como também os próprios sacerdotes exerciam essa função como parte do seu ofício religioso; mas algo diferenciava Jesus dos doutores da época: a sua autoridade; pois suas palavras não ficavam apenas na mente, mas mexiam com o coração dos seus ouvintes (Lc 4:32; Mt 7:28,29).
    Não é atoa que os apóstolos Paulo, Pedro e João orientavam a Igreja a seguir os exemplos de Cristo (Ef 5:1,2; 1ª Pe 2:21,22; 1ª Jo 2:6); exemplos esses que devem ser observados em todos nós (1ª Co 11:1). Jesus não somente falava, Ele agia da forma como mandava que seus seguidores agissem. Essa conduta Ele ensinava não somente ao povo, mas principalmente aos seus discípulos em particular. Seus discípulos podiam ouvir suas lições e assistir suas aulas práticas em todo os seu modo de viver e não apenas quando estava falando sobre religião. Sua conduta era irrepreensível, fazendo com que aqueles que o afrontassem se achassem como mentirosos. Com isso, uma coisa que Ele deixou bem clara para seus seguidores foi que palavras sem atitude são vazias e consistem em hipocrisia (Lc 11:42-46).
    Como bem sabemos, bons líderes não formam sua equipe com pessoas chamadas casualmente, ou simplesmente pela boa aparência ou conveniências particulares - ressalto que me refiro aos bons líderes -. O método seletivo aplicado por Jesus em relação aos doze que certamente exerciam também uma certa liderança em relação aos demais que o seguiam, consistia em analisar não simplesmente a capacidade intelectual como faz a maioria, mas também as condições psicológicas, o conhecimento em relação às pessoas e o lugar em que viviam e, principalmente, a boa vontade em fazer algo em benefício do próximo. O mais impressionante em sua visão de liderança é que, à primeira vista, dá a impressão que muitas de suas escolhas foram equivocadas como, por exemplo: Pedro era descontrolado e indouto (At 4:13; Jo 18:10,25-27), Judas Iscariotes era ladrão e o traiu (Jo 12:6; Mc 14:43-45) e muitos dos outros eram simples trabalhadores comuns não muito bem vistos pela sociedade (Lc 5:27-30); e, em contrapartida, recusou a outros aparentemente bem capacitados e dispostos a segui-lo (Lc 9:57-62). Entretanto, quando analisamos de forma espiritual e não “comercial”, vemos que cada escolha fazia parte do plano para que se cumprisse tudo o que estava escrito a seu respeito e se concretizasse a salvação da humanidade. Cada um, com suas particularidades, possuía qualidades essenciais na missão que em que recebera do Mestre, pois tinha conhecimento sobre o lugar e as pessoas com quem conviviam e, especificamente, Judas Iscariotes foi um instrumento usado por Deus para que Jesus fosse preso, e Pedro se tornou um dos maiores pregadores de todos os tempos. Isso nos ensina que nossa escolha não é em vão; o Mestre te chamou com um objetivo especial, sinta-se honrado por poder fazer parte de seu plano de salvação (Lc 10:17-20).
    Como um bom líder, Jesus apresentava as condições de serviço e também o salário de seus colaboradores; ninguém o seguia enganado. Segui-lo não era simplesmente uma aventura ou uma experiência de vida. As pessoas que com Ele estavam sabiam muito bem que teriam que renunciar ao conforto e a segurança de seu lar, como também sua saúde e sua própria reputação, pois, à vista da sociedade, não era um grande status andar com um homem que, com suas atitudes, dizendo cumprir a Lei, desafiava os sacerdotes e os governantes da época. Era preciso ter ao seu lado pessoas determinadas e corajosas que não tomassem decisões por empolgação ou interesses materiais e, por essa razão, Ele não divulgou um anúncio dizendo “há vagas”, mas procurou, chamou e ensinou a cada um deles conforme a necessidade do Reino. Mas, mesmo diante do grande sofrimento que enfrentaram, certamente ninguém se arrependeu de ter aceitado suas propostas, pois, aos que o seguiram fielmente, trabalhando conforme Ele mandou, nada faltou (Lc 18:28-30; 22:35).
    Como relatam as Escrituras, os discípulos tinham uma perfeita consciência de que ao aceitar seguir a Jesus, estavam aceitando uma radical mudança no destino de suas vidas. Não se tratava de uma simples mudança de religião, de cidade, de postura social ou de ideologia, mas de algo tão profundo em seu interior que os faria ter coragem de enfrentar até mesmo desconforto físico resultando em sua própria morte em nome da causa. Existe um questionamento em relação aos sentimentos familiares de seus discípulos e do próprio Jesus, mas, analisando profundamente os textos em que Ele diz que para segui-lo é preciso deixar ou aborrecer a própria família, está se referindo à nossa necessidade de, algumas vezes, confrontar aqueles que estão ao nosso lado quando sua postura é de impedimento quanto ao nosso chamado; não se trata literalmente de abandoná-los, mas de não ouvi-los se se os mesmos forem contrários à nossa opção de seguir o Mestre. Você quer mesmo segui-lo? Então reveja o conceito de prioridades em sua vida (Lc 9:23,24)!
    Cada um daqueles homens tinha diferentes pensamentos e modos de agir em tudo quanto faziam. Vemos, pelo momento de seu chamado, que eram trabalhadores, o que significam que tinham preocupação com sua família e suas responsabilidades sociais, e por isso estavam preocupados em garantir suas provisões materiais. A prioridade de todos, cada um ao seu modo, era financeira, pois o dinheiro é a base do conforto e da própria sobrevivência. Porém, ao conhecer Jesus, eles passaram a entender que existe uma prioridade muito maior do que o sustento físico: o sustento espiritual. Será que foi uma tarefa fácil convencê-los de que deveriam rever os valores pelos quais eles foram ensinados a lutar desde crianças e que sempre fez parte da cultura do seu povo? Obviamente não. Mas, o grande Mestre sempre soube como agir e falar de uma forma que alcançasse tanto a mente quanto o coração dos seus ouvintes. Ele conseguiu inserir neles a visão do Reino Celestial, mostrando-o como um “investimento” a longo prazo com efeito eterno. Com isso Ele nos permite entender que o verdadeiro líder cristão tem a obrigação de ensinar seus liderados a compreenderem que embora a luta pelas coisas dessa terra seja importante, ela deve ficar em segundo plano porque é passageira, mas a busca espiritual é primordial porque a vida após a morte é eterna, seja ela para a salvação ou mesmo para a condenação. Uma das responsabilidades dos obreiros da Igreja atual é levar o povo a compreender que não se deve relaxar em suas obrigações sociais, mas sobretudo, deve entrega-las nas mãos do Senhor porque é Ele que cuida de nós. Nosso chamado, nossos dons, nossa missão, enfim, todas as nossas obrigações referentes ao Reino de Deus dependem de nossa confiança e fidelidade a Ele. Então, sigamos o exemplo do nosso Salvador: como líder Ele foi tão eficaz que fazia seus discípulos sentirem-se seguros quanto a sua vida material; pois seu método de liderança incluía também o planejamento, a organização e a orientação passo-a-passo de como deveriam proceder, assim passando confiança àqueles que com Ele caminhavam (Lc 9:1-6,12-16).
    Uma das principais funções dos discípulos era pregar e ensinar a Palavra. E Jesus não se limitou a dizer que eles tinham que anunciar o Evangelho, mas os ensinou e os capacitou a isso. Sendo um autêntico líder espiritual, Ele dava exemplo de como eles deveriam pregar, pois antes de enviá-los sozinhos fez várias ministrações de pregação e ensinamento diante deles. Suas lições teóricas e práticas não se restringiram à arte do domínio da oratória, mas se estenderam à capacidade do exercício da autoridade através da Palavra, de modo que o que pregavam surtia efeito na vida dos ouvintes. Um verdadeiro líder ministerial ensina seus obreiros a fazerem o uso racional e eficiente da Palavra tendo a humildade de dividir seu espaço com outras pessoas que também tenham condições para trabalhar. Discípulos que se dedicam a exercitar o domínio da Palavra aprendem que o que sai da sua boca, quando usado de acordo com a vontade divina, tem muito poder (Lc 9:6).
    Outra das principais funções dos discípulos era atuar na área da libertação, a qual tanto poderia ser espiritual quanto física. E, em mais essa “matéria” eles tinha perfeitas aulas, não só teóricas, mas também práticas, do Professor Jesus. Não foram poucas as situações em que eles puderam presenciar o Mestre ensinando sobre milagres e também efetuando curas, ressurreições e expulsões de demônios. Como também não foram poucas as vezes em que eles, alunos imperfeitos, foram corrigidos por Ele porque, com sua pouca fé, não concluíram com êxito sua “lição de casa” (Mt 8:26; 16:8-10; 17:18-20). O aprendizado não era tão simples porque eles se deixavam prender por suas limitações humanas e fraquezas espirituais; mas, quando começaram a compreender melhor que o Mestre estava lhes passando muito mais do que conhecimento, passaram a exercer com resultados o seu ministério (Lc 9:1,2).
    As lições obtidas pelos discípulos diretamente junto ao Mestre tinham grande valor didático, pois tratava-se de uma preparação daqueles que continuariam sua missão após sua crucificação. Suas experiências foram essenciais para darem sequência na formação da Igreja que já tinha sido iniciada com eles pelo próprio Cristo, o qual não lhes deixou posses financeiras nem um grande templo, mas apenas sua Palavra e seu poder junto com a promessa do Espírito Santo para poderem anunciar o Evangelho e terem forças para suportar as perseguições que enfrentariam. O ministério terreno de Jesus foi um grande aprendizado não somente para os apóstolos, mas também para nós que aprendemos que para sermos bons líderes precisamos não apenas de habilidade com as palavras, mas de poder através delas, como também, a viver exemplarmente aquilo que pregamos para não darmos escândalos e nem cairmos em contradição diante dos ímpios. O Mestre sempre apontou para a cruz como alvo principal, pois o centro do Evangelho não são os mensageiros, mas o Dono da mensagem. Jesus conseguia mexer no intelecto de seus discípulos sem explorar suas emoções; essa é nossa missão como proclamadores do Evangelho do Reino: resistir as tentações do ego, nos diminuindo e fazendo com que Ele apareça por meio de nós. Ser discípulo, mais do que aluno ou aprendiz, significa ser desprendido e sua primeira lição avaliativa para constatar sua aptidão para o ministério é a prova de sua capacidade de renúncia a si mesmo sempre colocando a vontade do seu Senhor e as necessidades da Obra em primeiro lugar. Você quer ser avaliado como um verdadeiro discípulo do grande Mestre? A prova mais evidente disso é a forma como a Palavra pregada ou ensinada por você penetra no coração dos ouvintes (Lc 24:32).


[1]Aborrecer: Desprezar (Gn 29:33). Sentir horror; detestar (Lv 19:17), desgostar (Fp 3:1).
[2]Discípulo: Pessoa que segue os ensinamentos de um mestre. No Novo Testamento se refere tanto aos Apóstolos (Mt 10:1) como aos cristãos em geral (At 6:1).
[3]Monturo: Monte de lixo ou de esterco. Adubo (Lc 14:35). Montão de coisas repugnantes ou vis. Lugar onde se depositam dejeções ou imundícies.
[4]Mestre: Pessoa com autoridade ou liderança. Especialista em determinado assunto. Professor. Título comum entre os judeus na época de Jesus para se referir aos que ensinavam as Escrituras.
[5]Simão: Significa "Ouvinte". Na Bíblia aparecem nove homens com esse nome: 1) Pedro (Mt 4:18); 2) Iscariotes, pai de Judas (Jo 13:26); 3) O leproso (Mc 14:3); 4) Cirineu (Mt 27:32); 5) Curtidor (At 10:6); 6) Fariseu (Lc 7:40); 7) Mágico (At 8:9-24); 8) Zelote ou Cananeu (Mt 10:4); 9) Irmão de Jesus (Mt 13:55).
[6]André: Significa "Varonil". Irmão de Pedro e um dos 12 apóstolos. Vivia em Cafarnaum, onde era pescador (Mt 4:18-21). A tradição diz que foi morto numa cruz em forma de xis.
[7]Tiago: Também significa Jacó. A Bíblia relata a existência de 4 homens com esse nome: 1) Apóstolo, filho de Zebedeu e irmão mais velho do apóstolo João (Mc 1:19; 3:17). Era pescador (Lc 5:10). É mencionado em (Mt 17:1-8, Mc 10:41). Foi morto por ordem de Herodes Agripa I (At 12:2). 2) Apóstolo, filho de Alfeu (Mt 10:3; At 1:13). 3) Irmão de Jesus (Mt 13:55), convertido após a ressurreição (Jo 7:5), e pastor da Igreja de Jerusalém (At 12:17; 15:13; 21:18; Gl 1:19; 2:9). Autor da epístola de Tiago. Foi morto em 62dC. 4) Pai do apóstolo Judas, não o Iscariotes (At 1:13).
[8]João: Filho de Zebedeu e de Salomé. Ele e seu irmão Tiago eram pescadores (Mt 4.21). João Batista o apresentou a Jesus (Jo 1:35-39), que o chamou para ser apóstolo (Mc 1:19-20). Era do grupo mais íntimo de Jesus (Mc 5:37; Mt 17:1; 26:37). Ele e Tiago são chamados de Boanerges (Filhos do Trovão: pessoas de caráter violento). João é provavelmente o discípulo amado (Jo 13:23). Foi ele o único discípulo que permaneceu perto da cruz (Jo 19:26-27) e o primeiro a crer na ressurreição de Cristo (Jo 20:1-10). Após o Pentecostes, trabalhou inicialmente com Pedro (At 3:1-4:22; 8:14-17; Gl 2:9). A tradição diz que João viveu em Éfeso até uma idade bem avançada. É considerado o autor do Evangelho de João, das três epístolas que levam o seu nome e do livro do Apocalipse.
[9]Filipe: Significa "Amigo de Cavalos". A Bíblia relata a existência de 3 homens com esse nome: 1) Um dos apóstolos, natural de Betsaida, que levou Natanael a Jesus (Jo 1:44,45) e fez o mesmo com um grupo de gregos (Jo 12:20-23). 2) Um judeu helenista, apelidado de "o evangelista"; foi um dos escolhidos para ajudar na assistência às viúvas de Jerusalém (At 6:5). Pregou em Samaria (At 8:4-8) e levou o eunuco etíope a Cristo (At 8:26-40). 3) Filho do rei Herodes (Mt 16:13).
[10]Bartolomeu: Filho de Tolmai. Um dos 12 discípulos. Nada se sabe dele. Alguns acreditam que seja Natanael (Mt 10:3; Jo 1:45).
[11]Mateus: Significa "Dom de Deus". Filho de Alfeu e também chamado de Levi. Foi cobrador de impostos em Cafarnaum, onde Jesus o convidou para ser seu discípulo (Mt 9:9-13) e apóstolo (Mt 10:3; At 1:13). Autor do Evangelho de Mateus.
[12]Tomé: Nome hebraico do apóstolo também conhecido por Dídimo, nome grego que também quer dizer "gêmeo". É mencionado em (Mc 3:18; Jo 11:16; 14:5; 20:24-29; 21:2).
[13]Tiago (filho de Alfeu): Também significa Jacó. A Bíblia relata a existência de 4 homens com esse nome: 1) Apóstolo, filho de Zebedeu e irmão mais velho do apóstolo João (Mc 1:19; 3:17). Era pescador (Lc 5:10). É mencionado em (Mt 17:1-8, Mc 10:41). Foi morto por ordem de Herodes Agripa I (At 12:2). 2) Apóstolo, filho de Alfeu (Mt 10:3; At 1:13). 3) Irmão de Jesus (Mt 13:55), convertido após a ressurreição (Jo 7:5), e pastor da Igreja de Jerusalém (At 12:17; 15:13; 21:18; Gl 1:19; 2:9). Autor da epístola de Tiago. Foi morto em 62dC. 4) Pai do apóstolo Judas, não o Iscariotes (At 1:13).
[14]Simão Zelador: Também chamado de zelote ou cananeu. Um dos 12 discípulos de Jesus.
[15]Judas (filho de Tiago): Na Bíblia existem sete Judas: 1) Iscariotes, escolhido por Jesus para ser apóstolo (Mt 10:4), sendo o tesoureiro do grupo (Jo 12:6). Traiu a Jesus (Mt 26:47-49) e, depois, enforcou-se (Mt 27:3-5; At 1:16-19). 2) Irmão de Jesus (Mt 13:55) e provável autor da carta que leva seu nome (Epístola de Judas). 3) Apóstolo, filho de Tiago, também chamado de Tadeu (Mt 10:3; Lc 6:16). 4) Cristão de Damasco, em cuja casa Paulo se hospedou, após sua conversão (At 9:11). 5) Cristão que se destacou na igreja de Jerusalém, também chamado de Barsabás (At 15:22-32). 6) O Galileu, um revolucionário (At 5:37). 7) Macabeu, chefe da revolta dos macabeus (Sua história está registrada nos livro apócrifos 1º e 2º Macabeus).
[16]Judas Iscariotes: “Judas de Queirote”. Sendo um dos doze discípulos, tinha o cargo de maior confiança: era o tesoureiro do grupo (Jo 12:6). Por trinta moedas, traiu Jesus possibilitando sua prisão pelos soldados romanos dando como sinal um beijo (Mt 26:47-49); em seguida, arrependendo-se, se matou enforcado (Mt 27:3-5; At 1:16-19).
[17]Apóstolo: Enviado. Discípulos de Jesus que deram sequência à missão de pregar o Evangelho após a sua crucificação. Portanto, esse título não ficou restrito aos homens que tiveram contato com Jesus, pois continuou sendo usado como, por exemplo, no caso do apóstolo Paulo, que não o conheceu e chegou a ser perseguidor dos cristãos, mas foi chamado diretamente por Ele em uma visão (At 9:1-18).
[18]Escribas: Homens que copiavam e interpretavam a lei de Moisés (Ed 7:6). Os escribas criaram aos poucos um sistema complicado de ensinamentos conhecido como "a tradição dos Anciãos" (Mt 15:2-9). Jesus os censurou (Mt 23:23). Os escribas tiveram parte na morte de Cristo (Mt 26.57) e perseguiram a Igreja primitiva (At 4:5; 6:12). Eles eram chamados também de "doutores da lei" (Lc 5:17).
[19]Fariseus: Em hebraico significa “separados”. Judeus devotos ao Pentateuco. Participavam das reuniões legislativas da sinagoga. Formavam um grupo de fanáticos e hipócritas (o que não era o caso de todos, pois haviam exceções, como era o caso de Gamaliel que defendeu os apóstolos que estavam presos por pregarem a Palavra (At 5:34-38)) que se opuseram duramente contra Jesus Cristo. Segundo a história, nessa época, eles eram aproximadamente 6 mil pessoas.
[20]Essênios: Seita religiosa existente no tempo de Cristo. Eram mais ou menos quatro mil homens que seguiam com muito rigor a lei de Moisés. Alguns moravam em cidades, mas a maioria vivia em comunidades, no deserto de En-Gedi. Os essênios não são mencionados na Bíblia.
[21]Saduceus: Membros de um pequeno mas poderoso grupo religioso dos israelitas. Faziam parte desse grupo os sacerdotes e as pessoas ricas e de influência. Os saduceus baseavam os seus ensinamentos principalmente no pentateuco. Negavam a ressurreição, o juízo final e a existência de anjos e espíritos. Não se davam bem com os fariseus (At 23:6-8).
[22]Herodianos: Membros de um partido político que favorecia a família de Herodes e os romanos (Mt 22.16). Ainda que os fariseus fossem contra os herodianos, eles se uniram para combater Jesus (Mc 12.13).
[23]Zelotes: Membro de um partido nacionalista judeu do tempo de Cristo. Os zelotes, também chamados de "cananeus" ou "cananitas", usavam de violência na oposição ao domínio romano (Lc 6:15; Mt 10:4).

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 5 | AD Belém - Congr. Elias Fausto/SP - Jonas M. Olímpio