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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Está Tudo Pago

Imagine a anulação de um
documento de cobrança cujo
valor jamais conseguiríamos
pagar... Foi exatamente isso
que Jesus fez por nós ao
morrer na cruz. Seu sacrifício
perfeito substituiu nossas
falhas tentativas de
merecermos o perdão dos
pecados; em troca disso,
apenas o que Ele requer é fé e
obediência de nossa parte.
Colossenses 2:14 - "havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz."

Contexto
- Essa epístola foi escrita provavelmente no ano 61dC., pelo apóstolo Paulo.
- Colossos era uma cidade da Frígia (um distrito da Província da Ásia); ficava a 120 quilômetros de Éfeso. 
- Conforme demonstra Colossenses 1:7 e 4:17, a Igreja que havia ali, possivelmente era pastoreada por Epafras e Arquipo; dois frutos da evangelização de Paulo.
- Nos noventa e cinco versículos dos seus quatro capítulos, seus assuntos principais abordam os problemas do legalismo, a heresia do culto aos anjos e a vida social do cristão.

Mensagem
- Essa "cédula" era um documento que comprovava a existência de uma dívida, quem a possuía tinha direitos de cobrança sobre o devedor. Espiritualmente se refere à Lei Mosaica que com suas 613 ordenanças - 248 positivas e 365 negativas - condenavam o pecador. Agora não seriam mais os rituais que poderiam condenar ou justificar alguém.
Cl 2:8,9 - "Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; 9porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade."

- "Riscar a cédula que nos era contrária" é um termo que se refere ao sacrifício de Cristo na cruz, o qual pagou em nosso lugar por uma dívida constituída pelo pecado, a qual não teríamos jamais condições de pagar. Sua morte na cruz nos deu uma oportunidade de não morrermos por nossos pecados, dando-nos, por meio de nosso arrependimento e mudança de vida, perdão e acesso à sua Graça.
Cl 2:13 - "E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,"

- O termo "a tirou do meio de nós" significa que se a Lei apontava para a condenação pelo fato de o homem não ter condição de se redimir sendo ele de natureza pecaminosa, a Graça "zerava sua conta" a partir do momento que ele aceitava o fato de que Cristo é o seu Salvador por ter feito o sacrifício perfeito em seu lugar.
Cl 3:1-4 - "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. 2Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; 3porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória."

- Ao ter "cravado na cruz" representa o valor do seu sangue, o qual carimbou como "pago" toda a nossa dívida pecaminosa, vencendo Ele próprio o inimigo não desistindo de seus sacrifícios pelos pecadores. Assim, durante esse ato, expôs a derrota de Satanás e seus demônios, que sobre os tais a pessoa que recebe a Cristo abandonando o pecado não é mais escrava.
Cl 2:15 - "E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo."

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

“Deus Cegou a Mente dos Incrédulos”

Permissão de Deus não significa
vontade de Deus. As ações
malignas que afastam o homem
do Senhor são resultado do
próprio pecado humano, do qual
Deus, por meio da sua Graça, dá
uma oportunidade de restauração
por meio do arrependimento.
2ª Coríntios 4:4a - “[...] nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos [...]”
    Há quem diga que Deus cegou a mente dos incrédulos, no entanto, se observarmos mais atentamente o texto perceberemos que a palavra “deus” está escrita com “d” minúsculo e seguida do termo deste século, o que se refere a algo ou criatura comum considerada, literal ou figuradamente, como um deus. Em outras palavras, o texto não afirma que foi Deus - Jeová - quem cegou a mente dos incrédulos, mas sim que Ele apenas permitiu que aqueles que não creem nEle ou não o obedecem sejam enganados pelas suas próprias crenças.
    Um dos maiores problemas sempre foi a existência de falsos pregadores que confundem a mente dos ouvintes. Por essa razão, o apóstolo Paulo relata que aqueles a quem foi confiada a missão de anunciar a Graça de Deus devem fazer isso com grande responsabilidade (2ª Co 4:1; Dt 18:20; Jr 14:14-16); exortando quanto à importância de se rejeitar tudo o que contrarie a Palavra de Deus e tomar como exemplo de conduta os que a pregam verdadeiramente (2ª Co 4:2; 2ª Co 2:17); alertando ainda que nem todos os que ouvem dão crédito à Palavra (2ª Co 4:3; 1ª Co 1:18); dessa forma ele declara que o deus desse século - Satanás, o deus desse mundo (1ª Jo 5:19) - tem mantido muitas pessoas em escuridão espiritual para não enxergarem a luz da salvação para que não creiam em Deus ou em seu poder e sua misericórdia (2ª Co 4:4; Ef 2:1-3); fazendo com que elas não aceitem nada que se fale sobre renúncia contra o pecado (2ª Co 4:5; 2ª Tm 4:1-4); pois o autêntico Evangelho diminui o homem e glorifica a Cristo (2ª Co 4:6; Jo 3:30); colocando-o em condição de servo: frágil e dependente do seu Senhor (2ª Co 4:7; 12:7-10). É óbvio que o inimigo apenas consegue prender suas vítimas sob permissão divina (Jó 1:12; 2:6; Lc 22:31,32), porém, isso não significa que, levadas pelo arrependimento, as mesmas não possam alcançar o seu maravilhoso amor (At 3:19; Jo 3:16).

sábado, 26 de novembro de 2016

“Onde Está o Espírito do Senhor, Aí Há Liberdade”

Liberdade no Espírito Santo não
é fazer o que quer como um
filho mimado que sempre vai
ter seus pais para defende-lo
independentemente do que
tenha feito; essa liberdade
consiste em estar livre da
condenação do mundo desde
que esteja em obediência aos
mandamentos divinos.
2ª Coríntios 3:17b - “[...] onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.”
    Qual é a liberdade mencionada nesse texto? Muitos o usam para justificar seus atos de libertinagem, fraquezas, rebeldia e exageros naquilo que chamam de adoração. A pregação de um “evangelho anêmico” tem debilitado a saúde espiritual de várias pessoas que, sob o pretexto de liberdade, usando o título de cristãs, levam uma vida sem renúncia ao pecado pregando um inclusivismo sem transformação, um amor cego em cumplicidade com a iniquidade, uma compreensão desequilibrada que negligencia sua obrigação de corrigir qualquer tipo de erro, uma postura de condenadores contra aqueles que pregam a obediência ao verdadeiro Evangelho, e a mistura irracional de costumes nada sagradas ao culto prestado. Vejamos então o que é a real liberdade ensinada na Bíblia.
    O contexto desse capítulo fala sobre o modo de vida do cristão abordando seu testemunho dentro e fora da igreja (1ª Co 3:1-5); seu objetivo, na época, era mostrar aos judeus convertidos que, com o sacrifício de Cristo, a Lei que tinha a função de condenar havia passado a dar lugar à maravilhosa Graça divina (2ª Co 3:6-11); eles não mais estavam sob o véu da Lei que servia para “cobrir” a glória de Deus, pois agora o Espírito Santo está acessível aos que reconheceram Cristo como seu Salvador (2ª Co 3:12-18). Muitos haviam aderido ao Evangelho, mas não tinham perdido os antigos costumes, ou sejam, estavam presos à antiga Lei; não haviam compreendido o porquê do sacrifício na cruz. Porém, a ideia de liberdade causava neles uma certa confusão, tanto que, em outros pontos, as Escrituras alertam que nem tudo convém ao crente (1ª Co 6:12; 10:23), o qual não deve usar de sua liberdade para fazer tudo o que acha que é certo (Gl 5:13,16). Ser livre em Cristo não é estar livre de regras ou obrigações (Gl 5:16-26), mas sim não estar preso à rituais exigidos para a salvação (Hb 10:1-6) e nem à perdição do pecado (Rm 6:17,18; Ef 2:1-3,13).

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

“Seja Este Tal Entregue à Satanás”

Deixar uma pessoa entregue ao
próprio pecado não é falta de
amor, mas sim uma forma de
preservar a imagem da Igreja
de escândalos e o próprio
pecador de se manter iludido
com um nome de crente sem
estar realmente servindo a
Deus.
1ª Coríntios 5:5 - “Seja o tal entregue a Satanás, para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor.”
    Esse é um dos desafios maiores para a liderança ministerial e para outros, um pretexto para não perdoar que cai em pecado. A primeira coisa que devemos entender é em que situação se enquadra esse texto, ou seja, o seu contexto. Lendo, podemos ver que se trata de punir alguém que estava praticando imoralidade sexual. Então analisemos detalhadamente.
    A crise estava tão séria que ocorriam atos sexuais tão imorais que nem mesmo entre os incrédulos eram considerados normais, inclusive o fato de um homem que mantinha relações com sua própria madrasta (1ª Co 5:1); ato esse repudiado por Deus (Lv 20:11,12). Os crentes estavam tão despreocupados que achavam isso como normal (1ª Co 5:2-4); só que o pecado nunca deve ser visto como normal (1ª Jo 5:16,17). Então o apóstolo ordenou que ele fosse entregue à Satanás para destruição da carne, para que o espírito fosse salvo (1ª Co 5:5); isso significa não considera-lo como irmão, mas como pecador, deixando-o afundar naquela situação até que reconhecesse seu erro (Sl 51:1-11), pois o problema do grande “amor” da Igreja é aceitar o ímpio com sua impiedade, fazendo-o pensar que está sendo aceito por Deus dessa forma (Rm 8:13,14). Por isso ele exorta os irmãos a terem cuidado com o tipo de gente que recebem como membros (1ª Co 5:6-8) em vez de corrigi-los mostrando-lhes o que é preciso para servir a Cristo (1ª Jo 5:3,4). Então Paulo explica que não se deve aceitar o pecado por parte daqueles que se dizem crentes, mas deixa claro que há diferença quanto aos que estão assumidamente no mundo (1ª Co 5:9-12), então isso não tira nossa responsabilidade de pregar para os de fora (Lc 24:46,47). Resumindo, deixar o falso crente “nas mãos de Satanás” é dizer para ele se converter ou se assumir de vez (1ª Co 5:13). Optando pela segunda alternativa, depois de sofrer as consequências do pecado ele pode se arrepender e voltar (Lc 15:21); porém, isso não vai acontecer se ele for bem aceito pecando dentro da igreja.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

“Devemos Suportar as Fraquezas dos Fracos”

O que um fraco precisa é
de força. Espiritualmente
falando, dar essa força não
significa tratá-lo como um
coitadinho e deixá-lo
morrer dessa fraqueza,
mas sim injetar nele, com
carinho, o sangue de
Cristo, ou seja, a Palavra
de correção que levanta e
liberta.
Rm 15:1 - “Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.”
    “É preciso amar! Não foi isso que Jesus mandou que fizéssemos?” Sim! Esse é o resumo dos mandamentos ordenado pelo próprio Senhor Jesus (Mt 22:37-39). Porém, precisamos entender a diferença entre amar o pecador e tolerar o pecado, ou seja, a diferença entre suportar as fraquezas e achar normal que a pessoa continue errando por ser fraca. “Mas todos nós temos fraquezas, não temos?” Temos sim (1ª Co 10:12)! Mas entre suportar e aceitar um problema existe uma diferença muito grande.
    Ao dizer essas Palavras, o apóstolo Paulo estava ensinando que se deve tratar com compreensão aqueles que estão com alguma dificuldade. O versículo seguinte deixa claro que devemos agradar ao próximo no que é bom para a edificação (Rm 15:2); isso significa que suportar não é consentir com o erro, mas sim não condenar o irmão mais fraco e estender as mãos para ajuda-lo (Rm 14:19; 1ª Co 10:24-33). Cristo nos deu um grande exemplo disso (Rm 15:3; Mt 26:39); desde o princípio, as Escrituras já ensinavam a prática do amor (Rm 15:4; Lv 19:9,10); amar consiste em compartilhar sentimentos (Rm 15:5; 12:15) o que depende de uma boa convivência com os demais (Rm 15:6; 12:16-21); como Jesus fez, não podemos fechar as portas àqueles que mesmo errantes buscam abrigo no Evangelho (Rm 15:7; 14:1); mostrando-lhes que há uma oportunidade para eles (Rm 15:8; Mc 16:15); para que o nome do Senhor seja por eles glorificado por meio de nossos atos (Rm 15:9; At 28:6); vendo eles que a Igreja existe para acolher e não para condenar (Rm 15:10; Tg 5:14-16); sendo acessível aos que por ela buscam (Rm 15:11; Mt 22:9,10); fazendo-os experimentar a graça de ter o Espírito Santo em sua vida (Rm 15:12; Cl 3:11). Façamos tudo isso, mas sem nos esquecermos que a maior demonstração de amor por uma pessoa que está fraca na fé é, sem apedrejá-la pelo seu erro, lhe mostrar biblicamente a vontade de Deus que ela viva em santidade e ajuda-la para que ela possa ter sua vida transformada.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

“Deus Não Vê Como Vê o Homem"

Esconder o pecado apelando para
a própria Bíblia em busca de
justificativa só contribui para
aumentar o problema. O fato de
Deus não ver como vê o homem
não significa que Ele aprove
nossos erros, mas sim que Ele
nos conhece profundamente e
não deixará de fazer justiça caso
não nos arrependamos e
mudemos.
1º Sm 16:6,7 - "Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração."
    A expressão “Deus não vê como vê o homem” é uma resposta quase que automática quando questionamos as atitudes de alguém que está fazendo algo errado. É como se dissesse: “Deus sabe o porquê, compreende e aceita o meu erro! Você não pode me julgar!”. É uma forma de usar a Bíblia como defesa em justificativa ao pecado. Mas o contexto desse versículo está muito longe dessa pretensiosa aplicação. Quando Deus disse essas Palavras, estava repreendendo o profeta Samuel pelo seu equívoco em julgar pela aparência. Sua missão naquele momento, como sacerdote, era ungir um rei em substituição a Saul; no entanto, em sua visão humana, ao observar os filhos de Jessé, atentou primeiramente à Eliabe devido à sua altura. Porém, na verdade, o Senhor já havia escolhido a Davi, o qual, naquele momento, estava no campo.
    O fato de Deus não ver como vê o homem significa simplesmente que Ele conhece o que se passa na mente e no coração humano, e não serve como justificativa ao pecado, como alguns tentam fazer em muitos casos citando esse versículo. Muito pelo contrário, pois sua onisciência é a principal testemunha contra a nossa natureza pecaminosa (Lc 16:15; Jr 17:10). Mas Deus não é benigno e perdoador? Sim. Ele é benigno e perdoador! Mas isso depende de nosso arrependimento e intenção de mudança (At 3:19). Prevalecer no erro por achar que por Ele conhecer suas fraquezas não irá te condenar por elas, consiste em negar sua justiça (Na 1:3a) porque tolerar não significa aprovar; a tolerância divina é apenas uma oportunidade de arrependimento, a qual um dia cessa (Ap 2:20-22). Em vez de afrontar quem nos corrige insinuando que tal pessoa não tenha visão espiritual, devemos assumir nossas falhas sem justificar a fraqueza da carne (Mt 26:41).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Pode Tudo na Cama, ou Deus Colocou Restrição Nisso Aí Também?

Devemos analisar cuidadosamente
se nosso relacionamento íntimo está
sendo agradável aos olhos de Deus,
e devemos também estar
conscientes de que nem tudo o que
foge ao padrão tradicional é
pecado. E a única forma de
diferenciar entre o certo e o errado
é examinar de forma minuciosa e
sem preconceito o conteúdo das
Escrituras Sagradas.
    Apesar de parecer uma questão simples e até sem importância, o negócio é muito sério e atinge não somente a vida espiritual, mas também o lado moral, psicológico e até físico de um casal. Mas se o sexo é uma coisa tão agradável e saudável, por que há restrições em relação ao modo de sua prática sendo que duas pessoas devidamente casadas são totalmente livres para praticá-lo abertamente e, principalmente, qual é a base bíblica para isso? Respondendo a uma pergunta de cada vez, vamos começar pela última, baseando-nos na advertência registrada em 1ª Coríntios 6:12 e 10:23: “Todas as coisas me são lícitas[1], mas nem todas as coisas convêm”.
    Mas o que isso tem haver com sexo? Sim. Eu sei que o primeiro texto se refere à glutonaria[2] e à prostituição e o segundo ao consumo de comidas sacrificadas à ídolos[3]. Porém, não nos esqueçamos que a interpretação bíblica não é simplesmente literal e, independentemente do assunto tratado em cada texto, seu conteúdo revela o caráter divino, ou seja: nos permite compreender qual é o padrão de conduta estabelecido por Ele diante de todas as situações semelhantes, as quais podem, de igual modo, ser agradáveis ou desagradáveis à sua santa vontade. Sendo assim, podemos entender que da mesma forma que comer em excesso é um pecado contra o próprio corpo - pois leva à obesidade[4] trazendo consequências negativas para a saúde - tanto como a prostituição - que é uma traição à família instituída por Deus e também uma exposição do próprio corpo ao risco de contrair gravíssimas doenças -, o sexo praticado de forma inadequada, mesmo que no próprio casamento, consiste em pecado por estar afrontando a natureza criada por Deus e igualando a relação matrimonial à um momento de prazer informal com uma prostituta, o que também, em muitas de suas práticas, se assemelha às orgias[5] de devotos[6] pagãos[7] em seus cultos prestados aos ídolos.
    Como a Bíblia não entra em detalhes sobre o assunto, é preciso abordá-lo com muito cuidado e, principalmente, temor a Deus, sabendo que acima do prazer está o nosso respeito, o qual é expresso por meio de nossa obediência a Ele, com a qual, quando resistimos às tentações da nossa carne, podemos, de certa forma, encará-las como sacrifícios, os quais, podendo ou não parecer exageros, são recebidos por Ele, pois quando os praticamos, assim também o estamos adorando (1ª Co 10:31). É preciso enfatizar também que nem tudo que muitos cristãos condenam é realmente errado, e aí é preciso saber diferenciar entre o pecado e os costumes estabelecidos por simples princípios morais, os quais, cujo as intenções podem até ser boas, mas acabam por se tornar apenas pesados e desnecessários jugos sobre um povo já cansado e sobrecarregado com as dificuldades do dia-a-dia (Mt 11:28-30).
    Então, vejamos aqui algumas dúvidas respondendo às perguntas mais comuns de muitos casais crentes, discernindo, à luz da Bíblia, a diferença entre tabu e mandamento divino durante a intimidade sexual:
1)     O sexo é apenas para reprodução?
    Alguns mais radicais, principalmente entre os mais antigos, defendem essa ideia, mas isso nada tem a ver com os ensinamentos bíblicos. Não faz sentido pensar que somos meros reprodutores, pois não somos animais irracionais, somos humanos; isso significa que temos fortes sentimentos afetivos e também muitos - mas muitos mesmo - desejos carnais provocados pela atração física. Os relatos do livro de Gênesis concernentes à multiplicação humana (Gn 1:28; 9:7) não estão inclusos nos mandamentos dados à Israel e nem nas doutrinas destinadas à Igreja; então, isso significa que não são uma ordem para que se tenha uma casa cheia de filhos e tampouco para praticar o ato sexual somente quando se tiver a intenção de conceber[8] uma criança. Já imaginou que chatice se a vida de um casal tivesse que ser assim? Sei que o casamento não se resume nisso, mas qual seria a graça em se deitar, dizer “boa noite” e cada um virar para o seu lado e dormir? Glorifiquemos ao Todo-Poderoso por não ser assim! A sua própria Palavra nos mostra o quanto o prazer sexual é importante para manter a alegria e a harmonia entre o casal (Pr 5:18,19[9] [10] [11]), colocando-o não como uma opção, mas sim como um dever e uma arma contra o adultério (1ª Co 7:2-5[12] [13]). Se fôssemos meros reprodutores, nossos membros sexuais não deveriam proporcionar tanto prazer, pois Deus bem nos conhece e sabe que quase ninguém seria salvo se tivesse que manter uma vida de semi-castidade[14]. Para sentir prazer sem culpa, o homem cristão deve saber que sua ejaculação[15], embora tenha sido desenvolvida com aptidão para gerar vida, é simplesmente uma reação provocada pela intensa movimentação dos músculos ligados ao pênis, ou seja, uma reação natural do corpo, e não um líquido sobrenatural enviado naquele momento por Deus para engravidar a mulher.   Um dos maiores questionamentos em torno disso é devido ao fato de que Onã[16], por conta de um casamento levirato[17], deveria ter um filho com a esposa de seu falecido irmão para lhe dar uma descendência, mas, o mesmo, em desobediência à Lei, ejaculou na terra, e isso desagradou a Jeová que o puniu com a morte (Gn 38:8-10). Para não termos esse fato como uma doutrina, lembremo-nos que estamos na Graça e não na Lei, e a não ser que excepcionalmente recebamos uma ordem divina para fazer um filho, estamos livres de encarar o sexo unicamente como um meio de reprodução.

2)     A mulher deve sentir prazer?
    Baseados na teoria de que o orgasmo[18] feminino é algo leviano[19], muitos cristãos super santíssimos - principalmente alguns homens - encaram as mulheres como uma simples máquina reprodutora, e alguns mais moderninhos até sabem que elas não servem somente para reproduzir, mas acham que só quem tem direito ao prazer é o homem. Em consequência disso, a mulher se sente verdadeiramente como um objeto, chegando a ver o sexo apenas como mais uma de suas obrigações dentro de casa. E quando ela não está verdadeiramente firme na presença de Deus, sabe qual é o maior perigo dessa imaturidade masculina? Sem meias palavras, é chifre mesmo! Pois quando você não cuida, o Diabo se oferece para tomar conta! Esse tipo de carência é tão sério quanto a falta de atenção, de respeito ou de carinho. Mulher que não sente prazer na cama, por melhor que seja tratada, não é completamente feliz. E isso é tão importante que, por exemplo, quando Deus prometeu um filho à Sara, ela riu e questionou com ela mesma sobre o fato de não mais poder sentir prazer devido à avançada idade de ambos - ela noventa e ele cem anos - (Gn 17:17; 18:12). Os críticos podem até argumentar que o desejo de Sara não pode ser considerado uma base doutrinária para a Igreja, porém, até mesmo por bom senso devemos raciocinar que se as mulheres não devessem sentir prazer, Deus não seria tão cruel para criar no corpo feminino o clitóris[20], um órgão cujo única função é proporcionar o orgasmo. Essa questão é tão importante que, ainda na Lei, o Senhor determinou que um homem recém-casado, pelo período de um ano, não poderia ser convocado para a guerra e nem para serviços públicos para poderem “alegrar” sua mulher (Dt 24:5). Pode ter certeza: a alegria de uma mulher vai muito além da simples presença do marido em casa. Antes de “demonizar” o orgasmo feminino, lembre-se: quem fez o corpo foi Deus e, logicamente, nenhum pai daria a seu filho - ou filha - um “brinquedo” que ele não devesse usar.

3)     É errado o casal usar roupas provocantes ou se despir totalmente?
    Parece absurdo, mas não é raro encontrar algum cristão que, mesmo tendo vários anos de casado, nunca tenha visto o corpo do seu cônjuge nu. Não são poucos os relatos de reclamações de mulheres que têm marcas próximas à cintura feitas pela fivela do cinto do marido, porque o mesmo não pode cometer a “indecência” de tirar a calça na frente dela, e também de homens que reclamam de mulheres “super santas” que somente erguem a saia ou o vestido e apenas abaixam um pouco sua peça de roupa íntima e ainda exigem que ele seja rápido como se estivessem cometendo um crime. Alguns mais modernos, até aceitam se despir parcialmente, mas apagam as luzes para não terem que visualizar o corpo um do outro. A esses radicais da santidade eu só tenho uma pergunta a fazer: em que texto bíblico eles receberam a ordem para proceder dessa maneira? O fato de a Palavra de Deus condenar a sensualidade (Gl 5:19[21] [22]) se refere à nossa postura diante do mundo, e isso não inclui o relacionamento conjugal. Entre o casal deve haver transparência em tudo e, além do mais, o efeito visual colabora bastante com a excitação[23] de ambos, tornando-os mais próximos e mais íntimos. Assim podemos compreender que, no que se refere ao aumento da atração de um pelo outro, não só a nudez, como também o uso de roupas, íntimas ou não, que lhes estimule sexualmente é totalmente válido porque contribui positivamente com o fortalecimento do relacionamento. As determinações divinas quanto ao corpo são para que não o usemos para a prostituição (1ª Co 6:15,16[24]); sendo assim, considerando então que sua esposa não é uma prostituta, mas sim alguém que, devido à legitimidade do casamento, te foi dada por Deus também para a prática do sexo, ao procurar diferenciar a velha rotina do tradicional “papai e mamãe”, você não está pecando, mas sim aprimorando as técnicas para aperfeiçoar seu relacionamento. É óbvio que algumas atitudes como, por exemplo, o uso de determinadas roupas, objetos ou posições podem incomodar o parceiro, ou a parceira, por qual quer motivo, então, por essa razão, é claro que precisa haver bom senso e respeito; mas, com exceção disso, não se deixe limitar por regras infundadas e invista com sabedoria na felicidade do seu casamento, o qual é um presente divino (Pr 18:22).

4)     É pecado dizer palavras “picantes”?
    Realmente, a Palavra de Deus nos orienta a não pronunciarmos palavras torpes[25], mas apenas aquilo que sirva para edificação (Ef 4:29). Dentro desse contexto, inclui-se também o uso de palavrões, o que, realmente, além de ser feio e mal-educado, demonstra que o coração da pessoa está cheio de pecado (Mt 12:34-37[26]), pois palavras de baixo calão estão sempre ligadas à práticas sexuais ilícitas. Agora, trazendo para o relacionamento amoroso, referindo-se aos momentos de intimidade, é claro que por uma questão até de respeito ao cônjuge, por mais que se empolgue, uma pessoa normal não vai dizer palavrões para quem ela ama. Porém, considerando o quanto é importante o uso da fala e da audição tanto como técnica de sedução quanto de satisfação de si próprio, há várias palavras, gestos e expressões não libidinosas[27] que podem ser sussurradas aos ouvidos como palavras de carinho, elogio ao corpo e gemidos que não ofendem ao parceiro, muito pelo contrário, o estimulam, e também não entristecem ao Espírito Santo (Ef 4:30). Dizer algumas palavras consideradas como picantes, se for de forma sábia, não é um ato de grosseria, mas sim uma demonstração de romantismo; então não é pecado (Ct 4:5; 7:1-3).

5)     Pensar em uma outra pessoa durante o ato sexual, qual é o problema?
    A mente parece ser incontrolável, porém, se damos “asas”, ela voa cada vez mais alto e aí a queda é feia. Aparentemente, não há problema em fantasiar seu prazer pensando em outra pessoa, afinal, você está fazendo amor com seu cônjuge; então, vamos olhar o outro lado da moeda: imagine se for a pessoa que você ama - seu esposo ou sua esposa - que está ali contigo, mas pensando em outra pessoa. Se você pudesse saber o que se passa na mente dela, certamente ficaria entristecido e até furioso, porque em seu sentimento, seu senso de autovalorização ficaria ferido por ser levado a imaginar que não está sendo bom [de cama] o suficiente para ela, e, sem dúvida, se consideraria traído. Considerando um dos princípios mais básicos ensinados no próprio Evangelho que diz que não devemos desejar a ninguém o que não desejamos a nós mesmos (Mt 7:12-14), se você tem esse problema de “fantasias extraconjugais” deve lutar duramente contra isso. O próprio Jesus nos ensina que pensamentos pecaminosos também podem ser considerados como adultério (Mt 5:27-29[28]). É preciso ter a consciência de que se você tem relações com uma pessoa pensando em outra, você não pode dizer que está “fazendo amor” mas sim está, na verdade, usando o corpo dela para se masturbar[29]. É inegável que muitas vezes, por várias razões possíveis, seu cônjuge possa não conseguir te satisfazer por completo, mas aí só há três coisas a fazer: a primeira é orar pedindo a Deus graça e sabedoria para lidar com a situação; a segunda é manter seu pensamento firme no desejo de ser totalmente fiel à ele; e o terceiro, se necessário, é, com muito jeito, coragem e sinceridade, ter uma conversa séria explicando como e porquê você está sofrendo esse bloqueio que te impede de se concentrar na hora da relação para tentar mudar o que está te atrapalhando. Não aceite que o inimigo roube sua paz e sua santidade num momento tão puro como esse. Um cristão não consegue ser realmente feliz se sua consciência não estiver tranquila (Rm 8:5-8).

6)     Sexo oral é pecado?
    O sexo oral[30], por não se tratar propriamente da conjunção carnal[31], ou seja, do contato físico entre os órgãos genitais[32], é considerado simplesmente como uma preparação, um estímulo e também um complemento ao ato sexual em si. Antes de analisa-lo biblicamente, façamos uma observação sob o ponto de vista médico: segundo respeitáveis especialistas no assunto, essa prática não é segura e, portanto, não recomendável; e o motivo é simples: sua realização envolve o uso da língua, a qual é colocada em contato direto com órgãos (o pênis ou a vagina) que, por mais que a pessoa os higienize com lavagem e depilação, não são totalmente limpos e, consequentemente, são portadores de elementos que podem ser nocivos à saúde. As doenças mais comuns em decorrência disso são HPV[33], herpes[34] e outras DST’s[35] como clamídia[36], gonorreia[37], sífilis[38], hepatite[39] e, entre outras, a AIDS[40]. Agora, biblicamente falando, sabendo que podemos usar preservativos e fazer uso de outros meios de prevenção, qual é o problema em praticar sexo oral? Como bem sabemos, qualquer agressão ao próprio corpo é uma afronta à natureza divina (Rm 6:12,13), e nenhum meio de prevenção apresentado pela ciência é totalmente seguro. Mas, a Bíblia nada diz claramente como ordem ou recomendação em relação a esse assunto. Por isso, como cristãos conscientemente prudentes, devemos encará-lo considerando alguns aspectos: existe acordo entre o casal? [ninguém pode fazer nada forçado]; qual é a razão dessa prática? [é satisfação espontânea de prazer ou realização de alguma fantasia estimulada por algum meio pornográfico?];­ espiritualmente, você se sente em paz? [se o seu coração sentir algum incômodo, simplesmente não o faça]. Não havendo determinação bíblica, qualquer prática fica por conta da consciência individual (Rm 14:22,23). Mas, se puder resistir, resista; porém, dentro da limitação humana, é indiscutível o fato de que realmente a sensação da língua acariciando determinadas partes do corpo, para ambos, é algo extremamente prazeroso; só que há várias formas de sentir prazer sem colocar em risco a tua saúde e a saúde de quem você ama e, ao mesmo tempo, preservar sua integridade moral e espiritual. Afinal, o sexo oral é de origem mundana e, a menos que se prove o contrário, foge ao padrão do modo natural do uso do corpo criado por Deus (Rm 1:26). Será que vale a pena arriscar?

7)     Acariciar as partes íntimas do corpo é proibido?
    Diferentemente do sexo oral, acariciar as partes íntimas do corpo não traz nenhum risco à saúde e, se for feito com respeito ao cônjuge, não há porque ser considerado como uma afronta contra Deus. Esse tipo de carinho, não somente expressa amor e desejo pela pessoa, como também a estimula e “esquenta” a relação sexual. É claro que isso tem que ser feito com jeito, principalmente na mulher. Pois o homem precisa ter a sensibilidade de saber que o corpo feminino é muito sensível e suas partes íntimas bastante delicadas. O sujeito jamais deve chegar enfiando o dedo aonde lhe parecer conveniente ou mordendo como se estivesse mastigando um pedaço de carne de segunda, mas, com palavras doces, tocando-a suavemente, para que ela sinta vontade de senti-lo mais intensamente, não apenas com a mão ou a boca, mas de fato com seu órgão genital. Ele precisa ter habilidade para fazê-la desejar o seu contato físico e não simplesmente “abrir as pernas” pelo fato de ele ser o marido e ela tenha essa “dívida” como obrigação para com o mesmo. Falando claramente, não somente a região próxima à vagina, as nádegas e os seios, mas todo o corpo deve ser tocado, e esse procedimento é ainda mais interessante e romântico se começar com ambos ainda vestidos e, de preferência, com uma massagem para aliviar o stress do cotidiano. Certamente, os cristãos antigos mais radicais podem me questionar da seguinte forma: “Por que eu precisaria disso sendo que nunca cometi essas ‘depravações’ e meu casamento já dura há dezenas de anos?”; em resposta a esses, também tenho um questionamento a fazer: “Sua mulher é realmente feliz, ou tem sido apenas submissa como uma boa serva, achando que se reclamasse do seu machismo seria condenada por Deus?”. Muitos se privam de um maior prazer a dois seguindo a um pesado jugo imposto por homens e não pelo Criador (Mt 11:29,30).

8)     E o sexo anal, é permitido ou não?
    Assim como o sexo oral, a prática do sexo anal[41] não deve ser encarada como algo normal e saudável. Primeiramente, observando pelo ponto de vista médico, pode-se facilmente entender que o ânus não foi feito para ser penetrado. Sua estrutura apresenta fragilidade, o que o torna sujeito a fácil a ferimentos e, consequentemente, sangramentos, sendo que o sangue é um dos maiores condutores de doenças, inclusive as DST’s mais conhecidas, as quais também são transmitidas por vários micro-organismos existentes nessa região, considerando também que é por ali que são evacuadas as impurezas rejeitadas pelo organismo, e por mais que se limpe ou lave, nenhum sabonete alcança a extremidade que é alcançada pelo pênis. Agora, de acordo com os princípios bíblicos, mais uma vez nos deparamos com aquela questão de que o assunto não é abordado claramente e, por isso, não existe nenhuma doutrina em relação a isso. Porém, a referência bíblica que mais nos permite entender que atos que possam ser considerados promíscuos impróprios para um casal são abomináveis diante de Deus se encontram em 1ª Tessalonicenses 4:3-5, que diz que devemos ter cuidado com a imoralidade sexual afastando-nos dela, sabendo conviver com nosso cônjuge em santidade e honra, não nos deixando dominar por práticas sexuais descontroladas, as quais são atitudes próprias dos que não temem a Deus. Assim sendo, podemos sim concluir que o sexo anal deva realmente estar incluído nesse contexto. De fato, é inegável que essa parte do corpo feminino é mesmo muito atraente e, de uma forma praticamente automática, desperta o desejo do homem; porém, nos momentos de intimidade, é possível ele satisfazer sua vontade apenas acariciando com as mãos ou até mesmo com o órgão genital apenas por cima sem a necessidade de penetrar. No demais, para os que ainda tenham dúvidas, se aplica aquela velha regra: será que vale a pena correr o risco (1ª Ts 4:7)?

9)     Assistir pornografia para estimular é errado?
    Quando se fala em pornografia[42], também se inclui músicas seculares com letras de conteúdo impróprio e todo e qualquer tipo de material que, de forma explícita ou não, traga à exposição a intimidade sexual de um casal. Por mais incrível que pareça, alguns cristãos defendem o uso de material pornográfico como instrumento estimulante na hora da relação. Sinceramente, isso me parece muito mais uma desculpa para satisfazer seus desejos pecaminosos de ver sacanagem. Se a pessoa tem realmente algum problema que dificulte sua excitação deve procurar conversar com seu cônjuge para ver o que pode ser feito para melhorar sua forma de fazer amor e, se necessário, procurar por um tratamento. A Palavra de Deus nos exorta a não colocar coisas más diante dos nossos olhos (Sl 101:3,4) e a termos cuidado para que não deixemos que as coisas desse mundo não venham a nos corromper (Rm 12:1,2); sendo assim, qual é a necessidade de nos expor à imoralidade da prostituição comercial, que é a pornografia? Pois a intimidade de um casal é algo privado, e o fato de se colocar a assisti-la, ou mesmo deixar que outros vejam ou percebam que você está praticando o ato sexual, consiste em compartilhar algo que envolve a nudez e a própria moral. Qualquer desejo nesse sentido que se manifeste em sua mente deve ser prontamente repreendido e combatido com oração e um firme propósito de santificação para não aceitar essa sutil armadilha de Satanás (1ª Pe 5:8,9[43]), que consiste, na realidade, em uma forma de adultério, por se tratar de sentir prazer observando o corpo de uma pessoa que não seja seu cônjuge.

10)   Fazer sexo durante o período de menstruação, tem algum problema?
    O que a Bíblia diz sobre a prática do sexo durante o período de menstruação[44]? No Antigo Testamento, essa prática era expressamente proibida (Lv 15:24-28); a razão disso, certamente, considerando que não havia medidas de prevenção, era relacionada à saúde do casal, sendo também usada como um símbolo da importância da pureza no relacionamento entre o povo de Israel e Jeová. Porém, no Novo Testamento, isso nem mesmo é abordado. Assim sendo, cabe a cada casal decidir se deve manter relações íntimas nesse período ou não. Mas é óbvio que antes de tomar essa decisão deve-se considerar questões ligadas à higiene e à saúde, pois é preciso admitir que, além de ser algo desagradável por exalar um odor desagradável, exige alguns cuidados, sem os quais pode sim causar danos ao bem estar de ambos. Quem mais sofre com isso é a mulher, pois a mesma acaba por ter todo o seu corpo, principalmente nas partes íntimas, mais sensível e dolorido, e inclusive seu estado de humor costuma ser bastante alterado, chegando algumas até a ter reações violentas sem um aparente motivo razoável para isso. Por essas razões, caso optem pela prática do ato sexual, não é recomendável que ele se prolongue por muito tempo para que ao invés de prazer acabe proporcionando desconforto para ela, pois, apesar de nesse período ela se excitar com mais facilidade, tal empolgação pode levar à extravagâncias a serem sentidas pelo organismo. Médicos afirmam que nesse período é maior a probabilidade de se contrair doenças sexualmente transmissíveis e, mesmo não havendo ovulação nessa fase, por poder haver alguma irregularidade no ciclo menstrual, é sim possível ocorrer a gravidez. O recomendável aí é que se utilize preservativos e, de preferência, que seja feito no chuveiro. Concluindo, por respeito à mulher e por questão de higiene, o ideal mesmo é suportar esses cinco dias - que demoram tanto para passar -, no máximo, fazendo carícias, e substituindo o sexo por outras coisas (1ª Co 14:35a).

    É claro que a forma da prática sexual é uma coisa muito íntima e deve ser discutida pelo casal sem imposições ou interferência de ninguém, até mesmo porque, se um ato tão sublime fosse assim digno de tantas restrições, o próprio Senhor Jesus teria deixado uma doutrina específica sobre esse assunto nos Evangelhos ou nas epístolas dos seus apóstolos. Mas é óbvio que isso não nos isenta de obedecer regras de acordo com os princípios relacionados à moralidade e à saúde e também a respeitar o que dizem os líderes religiosos que ensinam com coerência. Para concluir, é importante saber que ter fantasias sexuais não é pecado, pois pecado, na realidade, é satisfazê-las - ou mesmo desejar satisfazê-las -, fora do casamento ou de maneira que venha a profanar a imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26,27), a qual se reflete em sua santidade (1ª Pe 1:15), ou seja: precisamos viver sempre com a consciência tranquila. É importante ainda ressaltar que recentes pesquisas comprovam que apenas pouco mais de 30% dos casais cristãos estão totalmente satisfeitos com sua relação sexual. Isso é um alerta para que venhamos a agir com prudência para preservar o matrimônio que foi concedido por Deus, o qual, muito demonstra cuidar dessa área alertando-nos a nos provar da prática sexual por muito tem, e, se isso ocorrer, que seja com pleno acordo entre o casal (1ª Co 7:2-5[45] [46]). Não deixe a prática do amor se transformar numa simples transa[47], pois aonde não há amor verdadeiro também não há felicidade verdadeira, e um relacionamento nessa situação só tem dois destinos: a separação pelo desânimo ou pela traição ou a permanência até a morte sendo uma tortura para um dos cônjuges ou para ambos. Como está seu casamento? A pessoa que está ao seu lado é sexualmente feliz?



[1]Lícito: O que é permitido pela lei. Legal.
[2]Glutonaria: Qualidade ou vício de glutão (quem ou o que come muito e com voracidade): glutoneria, glutonia.
[3]Ídolo: A divindade representada por um objeto, o qual é adorado em lugar da própria divindade, o que caracteriza a idolatria.
[4]Obesidade: Qualidade de obeso. Acumulação excessiva de gordura no corpo; pimelose, corpulência.
[5]Orgia: Bacanal, festim licencioso. Desordem, tumulto. Desperdício, excesso, profusão: Orgia de cores, orgia orçamentária. Festas licenciosas em honra de Baco. Sexo em grupo.
[6]Devoto: Que tem devoção; piedoso, religioso. Que inspira devoção. Que encerra devoção. Afeiçoado às práticas religiosas; muito religioso.
[7]Pagão: Relativo ao paganismo ou politeísmo. Adepto do paganismo. Diz-se de toda religião ou pessoa que não seja cristã nem judaica. Maometano, em relação aos cristãos, e herético, em relação aos católicos. Animal xucro, ainda não montado, ou nos primeiros galopes da doma. O que segue uma religião nativa, não cristã nem judaica, caracterizada pelo politeísmo e pela superstição. Pessoa não batizada.
[8]Conceber: Gerar, engravidar.
[9]Manancial: Nascente de água. Origem ou fonte abundante. Celeiro inesgotável. Gozo (alegria) perene e duradouro.
[10]Cervo: Típico da família dos Cervídeos, que inclui espécies do hemisfério norte, como Cervus elaphus, que ocorre na Europa e na Ásia, Cervus canadensis, na América do Norte, e outras. No Brasil, onde não há espécie deste gênero, é uma designação popular do maior veado da nossa fauna (Blastocerus dichotomus), também chamado veado-galheiro.
[11]Gazela: Animal parecido com o veado. Tem chifres redondos e grossos e é admirado por sua beleza.
[12]Benevolência: Boa vontade para com alguém (Et 2:17; Pr 18:22).
[13]Defraudar: Tirar o direito de alguém.
[14]Castidade: Abstinência de relações sexuais; é a qualidade de ser casto, perante normas sociais, religiosas ou pessoais.
[15]Ejaculação: Ato de ejacular; jato. Expulsão repentina e abundante de líquido. Abundância de palavras. Termo usado para se referir ao orgasmo masculino.
[16]Onã: Personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis como o segundo filho de Judá; neto de Jacó. Conhecido por se recusar a gerar descendência a seu falecido irmão, ao ejacular na terra quando teve relação sexual com sua cunhada, desobedecendo assim as regras do casamento levirato (Gn 38:8-10).
[17]Levirato: Prática determinada na lei Mosaica, a qual consistia na obrigação de um homem em se casar com a viúva de seu irmão que não tenha deixado descendência masculina. O filho que ele gerasse era considerado como descendente do morto. Esse vocábulo deriva da palavra "levir", que em latim significa "cunhado" (Dt 25:5-10). Essa prática ainda é mantida em alguns países de maioria muçulmana.
[18]Orgasmo: O auge da satisfação sexual. O momento mais forte da sensação de prazer. Momento final do ato sexual que culmina em uma explosão de prazer físico que relaxa e sacia o desejo. Geralmente o orgasmo masculino é acompanhado da ejaculação. No caso das mulheres o orgasmo é mais raro e não possui ejaculação. Informalmente chamado de “gozo”.
[19]Leviano: O que age com leviandade (procedimento irrefletido, precipitado ou sem seriedade; imprudência (Jr 23:32; 2ª Co 1:17)).
[20]Clitóris: Nome que se dá ao órgão sexual feminino alongado e erétil, localizado na parte superior da vulva, nos mamíferos. Similar ao pénis. Sua função é exclusivamente proporcionar prazer sexual.
[21]Fornicação: Relação sexual ilícita (At 15:29).
[22]Lascívia: Conduta vergonhosa como sensualidade, imoralidade sexual, libertinagem, luxúria (Mc 7:22; Gl 5:19).
[23]Excitação: Ato de excitar (despertar, estimular). Termo geralmente usando em referência ao estímulo sexual.
[24]Meretriz: Prostituta. Mulher que pratica o ato sexual por dinheiro.
[25]Torpe: Desonesto, impudico. Indecoroso, infame, vergonhoso. Indecente, obsceno. Ignóbil, sórdido. Asqueroso, nojento, repugnante. Maculado, manchado, sujo.
[26]Ocioso: Quem ou o que está na ociosidade; que não tem que fazer; que não trabalha. Desempregado, vadio. Mandrião, preguiçoso. Em que há ócio; próprio do ócio. Improdutivo.
[27]Libidinoso: Voluptuoso, lascivo. Que sente vivos desejos sensuais; lúbrico, concupiscente.
[28]Cobiçar: Prática da cobiça: forte desejo de conseguir algo, ainda que por meio ilícito.
[29]Masturbar: Praticar o ato da masturbação. Provocar com a mão ou com objetos adequados o gozo venéreo em si mesmo ou em outra pessoa. Estimular o desejo sexual no corpo podendo chegar ao orgasmo ou não.
[30]Oral: Que diz respeito à boca; verbal, vocal.
[31]Conjunção carnal: Coito vagínico, a introdução do pênis na vagina da mulher. Introdução do órgão genital masculino no interior da cavidade vaginal, ou seja, no órgão genital feminino.
[32]Órgãos genitais: Órgãos usados para a procriação. Órgãos sexuais. Genitália. Na linguagem vulgar, o termo refere-se principalmente aos órgãos sexuais externos (por exemplo, o pênis e a vagina). Os demais órgãos são muitas vezes chamados genitália internos. Frequentemente, o termo "órgãos sexuais" se refere, por extensão, a quaisquer partes do corpo envolvidas no contexto erótico.
[33]HPV: Vírus do papiloma humano (VPH) ou HPV (human papiloma virus) é um vírus que infecta os queratinócitos da pele ou, mucosas, e possui mais de 200 variações diferentes. A maioria dos subtipos está associada a lesões benignas, tais como verrugas, mas certos tipos são frequentemente encontrados em determinadas neoplasias como o cancro do colo do útero, do qual se estima que sejam responsáveis por mais de 90% de todos os casos. Sua principal forma de transmissão é pelo sangue, sendo a doença sexualmente transmissível mais frequente.
[34]Herpes: Doença viral recorrente, geralmente benigna, causada pelos vírus Herpes simplex 1 e 2, que afeta principalmente a mucosa da boca ou região genital, mas pode causar graves complicações neurológicas. Não tem cura, mas alguns remédios podem ser utilizados para diminuir os sintomas.
[35]DST: Sigla de "Doenças Sexualmente Transmissíveis". Antigamente conhecidas como doenças venéreas. Existem dezenas, mas as mais conhecidas são a AIDS, a sífilis e a gonorreia. Os meios mais comuns de contágio são a relação com prostitutas ou a prática homossexual.
[36]Clamídia: DST causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Afeta os órgãos genitais masculinos ou femininos. Pode produzir esporos, o que torna sua disseminação mais fácil. Causa dor durante o ato de urinar e pode ter como consequência a infertilidade. Mulheres que apresentam sintomas podem ter secreções vaginais anormais e sensação de queimação ao urinar; podem também sofrer dores no abdômen inferior e na parte de baixo das costas, náusea, febre, dor durante o sexo e sangramento entre os ciclos menstruais; infecção de clamídia no cérvix pode se espalhar para o reto. Homens podem ter secreções no pênis ou sensação de queimação ao urinar, como também queimação e coceira ao redor da abertura do pênis.
[37]Gonorreia: Também chamada de blenorragia, é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, ou gonococo. A doença pode provocar inflamação na uretra, na próstata e no útero. O homem sente dor e ardência na região genital e elimina uma secreção branca ou amarelada ao urinar. Mulheres grávidas com gonorreia correm riscos de perder o feto.
[38]Sífilis: Também chamada de lues é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. A principal via de transmissão é através do contato sexual, mas também pode ser transmitida da mãe para o feto durante a gravidez ou no momento do nascimento, resultando em sífilis congênita. Seus sintomas são lesões na pele que se manifestam em diferentes estágios: primária, secundária, latente e terciária.
[39]Hepatite: Toda e qualquer inflamação do fígado e que pode resultar desde uma simples alteração laboratorial (portador crônico que descobre por acaso a sorologia positiva), até doença fulminante e fatal (mais frequente nas formas agudas). Seus sintomas são febre, mal estar, desânimo e dores musculares. Sua transmissão é através de sangue, agulhas e materiais cortantes contaminados, também com as tintas das tatuagens, bem como através da relação sexual.
[40]AIDS: Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA — em inglês: acquired immunodeficiency syndrome - AIDS) é uma doença do sistema imunológico humano causada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH — em inglês: human immunodeficiency virus - HIV). Durante a infecção inicial, uma pessoa pode passar por um breve período doente, com sintomas semelhantes aos da gripe. Normalmente isto é seguido por um período prolongado sem qualquer outro sintoma. À medida que a doença progride, ela interfere mais e mais no sistema imunológico, tornando a pessoa muito mais propensa a ter outros tipos de doenças, como infecções oportunistas e câncer, que geralmente não afetam as pessoas com um sistema imunológico saudável. É transmitida principalmente através de relações sexuais, como também transfusões de sangue contaminado, agulhas hipodérmicas e de mãe para filho, durante a gravidez, o parto ou amamentação. Alguns fluidos corporais, como saliva e lágrimas, não a transmitem.
[41]Anal: Relativo ao ânus (abertura exterior do reto, que dá saída às fezes).
[42]Pornografia: Arte ou literatura obscena. Tratado acerca da prostituição. Coleção de pinturas ou gravuras obscenas. Caráter obsceno de uma publicação. Devassidão. Exposição de erotismo. Exibição explícita de um ato sexual. Qualquer expressão humana que desperta pensamentos sexuais. Essa palavra vem do Grego pornographos (aquele que escreve sobre prostitutas); forma-se por porne, “prostituta”, e graphein, “escrever”.
[43]Sóbrio: Moderado; controlado (1ª Ts 5:8). Popularmente refere-se a alguém consciente em suas atitudes.
[44]Menstruação: Ato ou efeito de menstruar; mênstruo. Nome dado ao período de duração do fluxo menstrual. Trata-se da descamação das paredes internas do útero quando não há fecundação. Essa descamação faz parte do ciclo reprodutivo da mulher e acontece todo mês. O corpo feminino se prepara para a gravidez, e quando esta não ocorre, o endométrio (membrana interna do útero) se desprende. É caracterizada pela perda de sangue; devido a estímulos hormonais, a superfície do endométrio se rompe e é excretada pela vagina, sob a aparência de um fluido de sangue. Em geral, a primeira menstruação - chamada de menarca - ocorre aos doze anos.
[45]Benevolência: Boa vontade para com alguém (Et 2:17; Pr 18:22).
[46]Incontinência: Lascívia. Falta de moderação no controle do apetite sexual (1ª Co 7:5).
[47]Transa: Na linguagem informal, esse termo se refere ao ato sexual passando a ideia de o mesmo ser praticado sem amor ou sem um sério compromisso entre o casal, visando somente o prazer carnal em si.