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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Levantai a Arca do Pacto

Muitos projetos não progridem
porque está faltando coragem
para levantar a arca do pacto,
ou seja, atitude de colocar em
prática a obediência à Deus.
Procurar fazer tudo aquilo o
que o agrada é o primeiro
passo para ser conduzido
rumo à travessia do Jordão
em sua vida.
Josué 3:6 - "E falou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantai a arca do pacto e passai adiante deste povo. Levantaram, pois, a arca do pacto e foram andando adiante do povo."

Contexto
- Sendo o primeiro dos livros históricos, o livro de Josué foi escrito por ele próprio por volta do ano 1400aC.
- Os 656 versículos de seus 24 capítulos narram a missão de Josué após a morte de Moisés, a conquista de Canaã e a sua divisão entre as tribos.
- Josué assumiu a liderança do povo hebreu durante sua peregrinação pelo deserto, sua característica ficou marcada como sendo um homem fiel a Deus, corajoso e guerreiro. Ele também teve dificuldades e precisou de encorajamento como relatado em seu primeiro capítulo: "Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares".
- Embora fosse da tribo de Efraim e não de Levi, como líder, ele tinha também a missão de comandar os sacerdotes e garantir que as ordens Deus havia dado sobre o tabernáculo fossem perfeitamente cumpridas; uma delas era o cuidado com a arca, a qual continha as tábuas com os dez mandamentos, a vara que floresceu confirmando o sacerdócio de Arão e um pote com maná.

Mensagem
- Sitim, o Vale das Acácias, foi a última parada dos israelitas antes de entrarem na terra prometida; mas para chegarem até ela era preciso atravessarem o Jordão. Para isso, a ordem divina era que os levitas com a arca fossem na frente. O verdadeiro líder se preocupa em orientar seus liderados de forma clara e objetiva.
Josué 3:1-5 - "Levantou-se, pois, Josué de madrugada, e partiram de Sitim, e vieram até ao Jordão, ele e todos os filhos de Israel, e pousaram ali antes que passassem. 2E sucedeu, ao fim de três dias, que os príncipes passaram pelo meio do arraial 3e ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes a arca do concerto do Senhor, vosso Deus, e que os sacerdotes levitas a levam, parti vós também do vosso lugar e segui-a. 4Haja, contudo, distância entre vós e ela, como da medida de dois mil côvados; e não vos chegueis a ela, para que saibais o caminho pelo qual haveis de ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes. 5Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós."

- Havia uma promessa de honra sobre a vida dele, mas seu cumprimento dependia de sua obediência às ordens divinas. O que temos feito com aquilo que o Senhor confiou a nós?
Josué 3:7-13 - "E o Senhor disse a Josué: Este dia começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel, para que saibam que assim como fui com Moisés assim serei contigo. 8Tu, pois, ordenarás aos sacerdotes que levam a arca do concerto, dizendo: Quando vierdes até à borda das águas do Jordão, parareis no Jordão. 9Então, disse Josué aos filhos de Israel: Chegai-vos para cá e ouvi as palavras do Senhor, vosso Deus. 10Disse mais Josué: Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós e que de todo lançará de diante de vós os cananeus, e os heteus, e os heveus, e os ferezeus, e os girgaseus, e os amorreus, e os jebuseus. 11Eis que a arca do concerto do Senhor de toda a terra passa o Jordão diante de vós. 12Tomai, pois, agora, doze homens das tribos de Israel, de cada tribo um homem; 13porque há de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que levam a arca do Senhor, o Senhor de toda a terra, repousem nas águas do Jordão, se separarão as águas do Jordão, e as águas que de cima descem pararão num montão."

- Não houve recusa por parte do povo em atender suas orientações, e tal obediência resultou no sucesso de seus objetivos. Honrar a liderança é o mesmo que honrar a Deus.
Josué 3:14-16 - "E aconteceu que, partindo o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levavam os sacerdotes a arca do concerto diante do povo. 15E, quando os que levavam a arca chegaram até ao Jordão, e os pés dos sacerdotes que levavam a arca se molharam na borda das águas (porque o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega), 16pararam-se as águas que vinham de cima; levantaram-se num montão, mui longe da cidade de Adã, que está da banda de Sartã; e as que desciam ao mar das Campinas, que é o mar Salgado, faltavam de todo e separaram-se; então, passou o povo defronte de Jericó."

- Espiritualmente, para nós, levar a arca significa colocar a presença de Deus em primeiro lugar em nossa vida; buscar sua orientação antes de tomarmos qualquer atitude; e sermos gratos reconhecendo que o que temos, o que somos e o que fazemos é dEle, por Ele e para Ele. Onde você deixou a arca? Pegue-a, levante-a e prossiga!
Josué 3:17 - "Porém os sacerdotes que levavam a arca do concerto do Senhor pararam firmes em seco no meio do Jordão; e todo o Israel passou em seco, até que todo o povo acabou de passar o Jordão."

domingo, 21 de agosto de 2016

Uma Lição de Deus Sobre o Significado do Chamado

Jonas 4:4-11

A lição de Deus vai
além de "puxões de
orelha". Muitas vezes
Ele permite a bênção
e depois a tira para
mostrar a nós
mesmos que nossos
interesses estão fora
do verdadeiro foco.
1 – Sendo questionado por Deus sobre suas atitudes (4:4)
    “É razoável esse teu sentimento?”; essa foi a grande pergunta que Deus lhe fez. Em outras palavras, Ele quis dizer: “você acha justo esse seu ressentimento?”, “você tem alguma razão para estar com toda essa ira?”. O que mais impressiona nesse ponto da história não são as sábias perguntas reflexivas de Jeová, mas sua paciência com um homem tão rebelde e teimoso que mesmo depois de quase ter morrido por sua desobediência, ainda se recusava a compreender o valor do perdão. Só mesmo Deus para entender e suportar o ser humano.
    Deus tem te corrigido? Então considere-se mais que feliz, pois somente aquele que Ele tem como filhos são signos de sua correção (Hb 12:6-8). Porém, melhor mesmo é viver em obediência e evitar motivos para correções. Uma coisa que provoca a ira do Criador é a falta de misericórdia de suas criaturas, pois Ele as criou para viver em harmonia na terra (Rm 12:17-20). A falta de paz e perdão entre os homens ferem seu caráter santo e mostram o quanto eles estão longe dEle (Tg 3:13-18). A paciência divina é realmente para nós um motivo de segurança, no entanto, ela tem limite e, não havendo arrependimento, sua justiça é implacável (Na 1:3a).

2 – Ignorando a realidade (4:5)
    Apesar de ouvir a voz do Senhor, continuava o profeta achando que algo aconteceria àquela cidade: saiu dela e fez uma cabana, sentando-se sob ela e se colocando a observar qual seria de fato o destino daquelas pessoas. É como se não acreditasse de forma alguma que Deus fosse mesmo tão bondoso a ponto de não aplicar sua ira contra os pecados outrora praticados por eles. O que queria Jonas? Sua missão já estava cumprida e não havia mais nada o que fazer ali. Mas tão grande era a dureza de seu coração que ele precisava ver de perto como se as palavras que já tinha ouvido não lhe fossem suficientes. Dessa forma o que ele conseguiu foi atrair para si a ira do Senhor.
    Quando não aceitamos aquilo que sabemos que foi Deus quem fez daquela forma, simplesmente estamos dizendo: “Senhor, tu não sabes o que está fazendo e eu não admito isso!”. Como portadores de uma missão tão especial, não podemos pensar que temos o direito de continuar sentados numa sombra aguardando a destruição dos ímpios dizendo que é isso mesmo que eles merecem. O cristão não deve olhar para o passado ou para o presente de seu próximo, ele apenas tem que pregar esperançoso de que o mesmo se arrependa e abandone o pecado (Mt 9:11-13). Muitas vezes queremos pregar e orar pelos “bonzinhos”, mas o que temos feito por aqueles que mais necessitam de ajuda por menos que a mereçam (Lc 6:27-36)?

3 – Se alegrando com o próprio bem-estar (4:6)
    Já que ele queria conforto enquanto aguardava a execução da sentença final contra aqueles pecadores, o Senhor resolveu colaborar com o santo profeta fazendo nascer uma planta - uma espécie de aboboreira -; afinal, seu ungido era digno de usufruir do melhor dessa terra. Nesse momento ele sentiu o refrigério e se alegrou extremante, certamente, imaginando que Deus estava realmente com ele e que seus pensamentos contra os ninivitas estavam certos.
    Sabe aquelas bênçãos que Deus nos permite ter, sejam elas a nível ministerial ou mesmo secular? Elas não significam nada! Pois coisas boas e ruins acontecem aos justos e aos injustos (Mt 5:44,45); portanto, o bem e o mal permitidos por Deus - considerando-se as exceções - não expressam recompensa ou castigo. Ministrações bem-sucedidas podem significar simplesmente a compaixão de Deus sobre os ouvintes e conforto material somente um teste contra o próprio mensageiro mostrando o quanto ele é egoísta. Quantas vezes fizemos algo pela Obra - tanto na Palavra como no louvor, nas contribuições, na execução de serviços gerais ou mesmo na administração - apenas visando nosso próprio bem-estar, sem nos importarmos realmente com o objetivo verdadeiro que é levar vidas ao conhecimento da verdade por meio daquele trabalho? A aboboreira pode até ter sido plantada por Deus, mas a cobrança contra o egoísmo daqueles que permanecem embaixo dela também será feita por Ele (Mt 24:48-51[1]).

4 – Recebendo um golpe em sua alegria egoísta (4:7)
    No dia seguinte, quando tudo parecia bem, a surpresa preparada para Jonas não foi nada agradável: o mesmo Deus que criou a aboboreira também enviou um bicho que a feriu e ela secou. Era a hora da grande lição. Ele precisava entender que ser israelita não significava ser superior aos demais e que todos, mesmo não sendo merecedores, necessitavam de misericórdia.
    Não devemos esperar Deus enviar um bicho para devorar nossa aboboreira; se queremos preservar alguma conquista, uma mudança de atitude, a qual começa por dentro (Rm 12:1,2,11) é necessária e urgente! Há coisas que dependem de nós, mas são consequências tanto das atitudes quanto das intenções em tudo aquilo que fazemos (Rm 14:5,6).

5 – Sendo duramente corrigido por Deus (4:8)
    E lá vem Jonas de novo com seu sentimentalismo: “melhor me é morrer do que viver!”; essa foi sua reação quando acordou de um desmaio causado por um vento quente vindo do leste. Aqui ele passa a agir como um menino manhoso, pois não se conformava em perder a bênção e receber o castigo. Mas a situação era muito séria, porque ele desejou a morte com toda a sua alma, ou seja, de todo o coração. Havia uma guerra dentro de si e seu oponente era o próprio Deus.
    A noite garante a sombra e tudo parece calmo, mas é o dia que vai revelar a necessidade da sombra; será que as mãos do Senhor permanecerão sobre nós ou fomos reprovados no teste (1ª Co 9:26,27; 2ª Co 13:5)? Aparecendo o sol, descobriremos se a aboboreira que Deus plantou ainda está sobre a nossa cabana, e é nesse momento que descobrimos se estamos sendo confortados ou corrigidos por Ele. Muitos são os crentes que não suportam a correção e desistem do cumprimento do chamado; e o pior de tudo isso é quando não percebem que sua reprovação está vindo do Alto e atribuem seus fracassos à igreja, à situação financeira ou à própria família. Essa guerra interna tem feito o coração de muitos se entregar à morte espiritual provocando grandes quedas, pois não há como permanecer de pé quando se combate contra o próprio Deus (At 5:38,39; 1ª Co 10:20-22).

6 – Questionando a Deus por não aceitar a correção (4:9)
    Pela segunda vez o Senhor lhe questiona se é justa a sua ira: a primeira havia sido pelo livramento dos ninivitas e agora era por causa de uma planta. Sua resposta foi se auto justificar confirmando sua razão de desejar a morte. Com essa atitude ele revelou três características negativas: não aceitava correção devido ao orgulho, não conseguia perdoar e era muito apegado a coisas materiais. Esses sentimentos meramente carnais eram o que o levavam a não admitir estar errado e querer que sua razão prevalecesse a todo custo.
    Você aceita correção? Você compreende e aceita o motivo de estar sendo corrigido ou bate o pé querendo ter razão de todo jeito? É normal a correção nos entristecer no momento (Hb 12:11), mas se essa tristeza nos levar a aceitar a morte, ou seja, o fracasso espiritual, isso significa que estamos fora do foco em que deveríamos estar. Antes de justificarmos a nós mesmos, devemos analisar se estamos realmente certos e verificar se não estamos caindo em pelo menos um dos três pontos negativos que costumam predominar nesse tipo de situação: o orgulho que leva à negação do erro, a incapacidade de perdoar e o apego às coisas materiais. De nada adianta insistir com Deus quando sentimentos humanos predominam dentro de nós (Tg 4:1-5).

7 – Sendo alertado pelo Senhor contra o seu egoísmo (4:10)
    Agora Jeová revela à Jonas explicitamente todo o seu egoísmo, apontando para sua falta de amor ao próximo e sua supervalorização a si mesmo. Afinal, o que era aquela aboboreira senão uma simples planta com a qual ele não teve trabalho algum e nem possuía grande importância, pois teve apenas algumas horas de vida? Sua compaixão estava com os valores invertidos.
    Aonde está concentrado o seu sentimento? Existe algo mais importante do que o propósito da missão que foi confiada a ti? Seus valores revelam seu compromisso com a Obra (Mt 6:19,20; Cl 3:1-3). Uma das coisas que mais desagradam a Deus é o nosso exagerado compromisso com nós mesmos, principalmente quando chegamos ao ponto desprezar a dor do próximo (Gn 4:9-12; Rm 12:15,21).

8 – Uma lição divina sobre a necessidade do amor e da misericórdia (4:11)
    Encerrando sua lição ao profeta, Deus se compara a ele mostrando a diferença entre ter compaixão ou amor por coisas banais e por pessoas necessitadas. Aqui Ele deixa clara a questão que, embora fossem pecadores, os ninivitas eram tão ignorantes a nível de não conhecerem os detalhes mais básicos da vida. Dessa forma o Senhor revela seu caráter de extrema bondade agindo compreensivamente, dando-lhes uma nova oportunidade. E essa extrema bondade compreensiva estendia-se à Jonas, o qual Ele poderia ter matado impiedosamente pelo simples fato de ter questionado sua soberana vontade e liberdade de ação.
    Lamentar as decisões divinas significa reprovar sua justiça desmerecendo seu amor pelos perdidos. Muitas vezes, somos tão intolerantes que não queremos saber o que levou alguém a errar e apenas esperamos seu castigo. Porém, felizmente, Senhor não vê como nós (1ª Sm 16:7; Hb 4:13) e não considera a ignorância humana (At 17:30). Se Ele reagisse sem misericórdia conforme o pecado do homem, não haveria que se salvasse sobre a face da terra (Rm 3:10-12). A imagem de muitos cristãos hoje reflete o que aprendemos nos 48 versículos desse livro: falta de misericórdia. Ainda assim, ele é citado pelo próprio Jesus Cristo como um sinal para Israel (Mt 12:39,40). Por isso, nos atentemos a todos os seus pontos, analisando o que devemos ou não devemos pôr em prática através das lições do profeta Jonas (1ª Ts 5:21).



[1]Conservo: Companheiro de outros servos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O Cumprimento do Chamado

Jonas 3:1-4

O cumprimento de um chamado
implica no enfrentamento de
vários desafios que muitas vezes
aparentam ser muito maiores do
que nossa capacidade; porém, é
a convicção de que estamos sob
a misericordiosa Graça divina
que nos dá forças para encarar e
vencer qualquer situação.
1 - Experimentando a misericórdia divina (3:1)
    O pior já havia passado. Agora o profeta já estava a salvo em terra. Seria esse o momento para o Senhor lhe cobrar duramente por sua desobediência, mas “jogar na cara” o que fez por ele não era seu objetivo. Havia uma grande missão a cumprir e o escolhido ainda era ele. Imagina-se que o estado emocional de Jonas fosse uma grande mistura de temor e gratidão e, sendo uma pessoa que tinha pelo menos um pouco de juízo, não viraria as costas à voz de Deus novamente.
    Misericórdia é uma das palavras-chave na vida de cada crente (Lm 3:22,23). Se fôssemos tratados pelo Senhor da mesma forma que muitas vezes o tratamos, já teríamos sido fulminados. Ele pode até precisar de nós para determinadas missões, porém, precisar não significa depender, pois Ele tem inúmeros meios de cumprir seus propósitos e um deles é nos descartar definitivamente. Não somos exclusivos (Rm 11:3,4). Você já parou para pensar na importância do lugar em que ocupa e no grande privilégio que usufrui diante daquilo que foi confiado em suas mãos? Ele poderia estar usando outro, mas escolheu você e te proporcionará meios para isso (Jr 1:4-10)!

2 - Tendo o pacto renovado com Deus (3:2)
    O plano divino não havia mudado. A ordem ainda era a mesma: “Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive e prega contra ela!”. Talvez esse fosse o temor maior do profeta, mas o seu “plano B” não excluiu o “plano A” de Deus. Certamente, apesar de não ser exatamente o que Jonas queria fazer, a sensação de alívio por estar vivo e ainda poder ouvir a voz do Senhor foi seu grande fator motivacional para não repetir o erro anterior desobedecendo-o.
    Deus sabe como trabalhar conosco. Seu amor nos constrange e, sem necessidade de imposições (Ap 3:20), nos leva a cumprir o que nos é proposto (2ª Co 5:14ª; Jo 21:17[1]). É óbvio que se Jonas resistisse à sua voz e definitivamente decidisse não ir (At 7:51), isso não impediria que Nínive ouvisse sua Palavra (Is 43:13), pois o compromisso divino, primariamente, é com a mensagem e não com o mensageiro (Mt 7:21-23). No entanto, o profeta arcaria com as consequências por sua desobediência (Mt 25:11,12,24-30).

3 - Aproveitando de uma nova oportunidade (3:3)
    Ouvindo esse segundo chamado, Jonas levantou-se e foi. Sabia ele que não seria fácil cumprir essa tarefa: o lugar era estranho, a fama de seus habitantes não era nada boa, a mensagem não possuía um conteúdo nem um pouco agradável e havia uma longa caminhada de três dias pela frente. Mas o que um homem dependente de Deus poderia fazer além de obedecer? Ele estava muito longe de casa e, provavelmente, sem condições de voltar; no entanto, creiamos que a razão de sua obediência tenha sido pela vontade de aproveitar essa oportunidade em razão do amor e da gratidão a Deus pelo seu livramento e não por falta de alternativa.
    O que te move a obedecer a Deus? Aproveitar oportunidades - principalmente quando se trata de uma imerecida nova oportunidade - é uma atitude própria de quem tem sabedoria e temor ao Senhor. Porém, há sinceridade em teu coração quando você diz “sim” para Deus (At 8:18-21[2])? Enfrentar terras estranhas, pessoas difíceis, mensagens indignas de aplausos e trabalhos exaustivos são tarefas para quem tem convicção de seu chamado e conhece o Deus a quem está servindo (2ª Tm 1:6-12). Se não for por amor - sem interesses secundários -, caso não haja arrependimento, o resultado é catastrófico (At 27:3-6).

4 - Cumprindo seu chamado (3:4)
    Ele não esperou terminar a viagem de três dias para descansar um pouco e depois se apresentar diante do rei, pedir a montagem de um palco e ter tudo preparado para sua grande preleção[3]. A missão era urgente e, logo no primeiro dia, enquanto caminhava, começou a pregar, assim sendo ouvido pelos que encontrava pelo caminho. A mensagem era forte. Não tinha como “amaciar” fazendo uso de técnicas de oratória para ser melhor aceito pelos ouvintes, os quais eram pecadores que necessitavam ser alertados quanto à necessidade de arrependimento. Assim prosseguiu ele até o fim, talvez, sem ter a certeza de que consequências pessoais isso pudesse lhe causar. 
    O que mais costuma nos atrapalhar no cumprimento de nosso chamado é o período de preparo que impomos à nós mesmos. Logicamente, é inquestionável que devemos sim nos preparar, no entanto, é necessário lembrar também que a própria Obra é uma grande escola e que as maiores lições são aprendidas na prática. Essa missão é urgente (2ª Tm 4:2[4] [5] [6])! Outro fator que também muito atrapalha é o receio de trabalhar com a verdade: nos preocupamos com a quantidade do que podemos perder diante do homem, assim desprezando a qualidade do serviço que estamos prestando a Deus. Qual é o valor da verdade? Esse valor é a diferença entre a salvação e a condenação dos vários “ninivitas” para as quais o Senhor nos ordena a pregar diariamente (Ez 3:18-21). Quer realmente cumprir seu chamado? Pregue sobre subversão[7] sem subverter o conteúdo da pregação (2ª Co 4:3-5[8]).


[1]Simão: Significa "Ouvinte". Na Bíblia aparecem nove homens com esse nome: 1) Pedro (Mt 4:18); 2) Iscariotes, pai de Judas (Jo 13:26); 3) O leproso (Mc 14:3); 4) Cirineu (Mt 27:32); 5) Curtidor (At 10:6); 6) Fariseu (Lc 7:40); 7) Mágico (At 8:9-24); 8) Zelote ou Cananeu (Mt 10:4); 9) Irmão de Jesus (Mt 13:55).
[2]Simão, o mágico: É um personagem bíblico com quem o apóstolo Pedro travou polêmica em Samaria (At. 8, 9-24). Além do livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, o personagem é referido em outras obras ligadas ao gnosticismo. O texto bíblico narra o episódio em que Simão tenta comprar dos apóstolos o poder de operar milagres. Tal ato, considerado pecaminoso pela teologia cristã, foi denominado de simonia (ato de Simão), termo que define especificamente o comércio ou tráfico de coisas sagradas e espirituais, tais como sacramentos, dignidades, indulgências e benefícios eclesiásticos, e que estaria no centro das críticas e discussão que conduziriam à Reforma protestante no século XVI.
[3]Preleção: Palestra com finalidade didática ou educativa; aula, lição.
[4]Redarguir: Repreender, replicar, responder.
[5]Exortar: Animar, incentivar, estimular. Induzir, conversar. Advertir, admoestar, aconselhar.
[6]Longanimidade: Paciência. Qualidade de quem tem grandeza de ânimo. Benigno, complacente, indulgente, corajoso, generoso, paciente, resignado, longânimo.
[7]Subversão: Ato ou efeito de derrubar, destruir; ruína, destruição, queda. Perversão moral.
[8]Fábula: Lenda, conto. Composição, geralmente em verso, em que se narra um fato cuja verdade moral se oculta sob o véu da ficção. Mitologia. Mentira. Ficção, falsidade.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A Rejeição ao Chamado

Jonas tinha a intenção de trocar
uma viagem de 800 quilômetros
por uma de 3.000, atravessando
todo o Mar Mediterrâneo,
disposto a pagar muito mais
caro por isso, na intenção de
fugir de uma missão dada por
Deus. Será que não estamos
cometendo o mesmo erro
naquilo que o Senhor tem
reservado para nós?
Jonas 1:3 - “E Jonas se levantou para fugir de diante da face do Senhor para Társis[1]; e, descendo a Jope[2], achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, de diante da face do Senhor.”

A falta de comprometimento com a Obra leva o homem a virar suas costas a Deus (1:3)
    Humanamente falando, vemos duas razões para Jonas ter desobedecido ao chamado: medo e ressentimento contra os ninivitas; porém, espiritualmente, o que vemos é simplesmente falta de comprometimento. De fato, é sim compreensível o temor diante de um povo tão violento e cruel como aquele, e compreensível também a mágoa em seu coração por saber que os israelitas eram uma de suas maiores vítimas. No entanto, daquele que recebe um chamado especial de Deus, o que se espera é confiança e perdão. O relato bíblico não o mostra sequer analisando a situação, pois, logo ao receber a ordem, ele simplesmente se levantou para fugir. É interessante que ele tinha já um destino certo: a cidade de Társis; não sabemos se isso foi uma opção por razões pessoais ou se aquele seria o próximo navio a realizar uma saída do porto de Jope para fora do território de Israel naquele dia. Mas a grande verdade é: ele queria fugir de diante da face do Senhor; atitude essa tremendamente ingênua, o que revela o seu pouco conhecimento das Escrituras, porque ninguém tem como fugir de Deus. Impressionante também é o fato de ele ter pago sua passagem para Társis - uma cidade há aproximadamente 3.000 quilômetros de onde ele estava, para a qual se supõe que o valor da viagem de navio fosse muito alto -, enquanto que Nínive fica a aproximadamente 800 quilômetros e sua viagem seria feita por terra, o que se certamente seria muito mais barata. Essa decisão nos leva a perceber que ele não estava preocupado com seu prejuízo financeiro desde que se visse livre da missão que recebera. Tudo o que ele queria era “ir com eles” - vários homens que serviam a falsos deuses - de diante da face do Senhor.
    É fácil nos justificarmos por nossas fraquezas, mas necessário é julgarmos a nós mesmos com sinceridade reconhecendo que ou confiamos em Deus a ponto de obedecê-lo ou admitimos que não aceitamos a sua vontade e tentamos lutar contra sua soberania, assim estando expostos ao preço da desobediência (Rm 6:23). O Senhor tem poder para impedir que nos levantemos para fugir, mas permite que o façamos para nos julgar segundo as erras decorrentes de nossa natureza humana (2ª Co 5:10), assim também nos dando uma oportunidade de arrependimento para que, se voltarmos atrás, seja por amor ou pela dor, sejamos salvos pela sua misericórdia por não termos persistido na desobediência (Lc 15:21-24; 1ª Jo 2:1-3). Um de nossos maiores males é a arrogância de acharmos que se não fizermos algo, ninguém o fará; além do inevitável medo, o profeta tinha um grande ressentimento contra os ninivitas, mas será que ele pensou que fosse o único profeta disponível? E mesmo que fosse, Jeová poderia levantar outro e o seu propósito teria sido cumprido da mesma forma, pois seu compromisso é com a sua Palavra e não com o profeta (Jr 1:12b; Mt 7:22,23). A grande verdade é que se Jonas não tivesse ido, teria sofrido piores consequências como talvez até a morte, ou seja: o grande prejudicado seria ele mesmo (Mt 25:24-30) e não os ninivitas, e tampouco o próprio Deus (Is 43:13; Lc 9:59-62).  Mas o rebelde missionário preferiu pagar um preço mais alto tentando trilhar o seu próprio caminho dentro de um navio fora dos planos do Todo-Poderoso ao lado de vários homens pagãos[3]. Uma das maiores lições que podemos obter nessa mensagem é a seguinte: você pode usar sua liberdade para escolher entre o bem e o mal (Dt 30:19), mas, optando pelo mal, ainda que tudo comece bem, não pense que haverá felicidade na troca de sua missão por um navio mais confortável com companhias que te levem para um caminho contrário (Mt 7:13,14), pois quando somos escolhidos para um propósito especial, caso não o cumpramos à risca, os efeitos negativos são inevitáveis (Nm 20:7-12; Dt 32:51; 34:4). Não esconda no porão de um navio o que Deus te deu, porque a qualquer momento Ele vai requerer isso de suas mãos (Mt 23:13).




[1]Társis: Atual Tartessos: antigo porto da Espanha (Jn 1:3).
[2]Jope: Antigo porto marítimo cercado de muralhas, localizado 56 km a noroeste de Jerusalém em território filisteu, mas que pertencia à tribo de Dã (Js 19.46). É também o porto aonde o profeta Jonas embarcou num navio para Társis tentando fugir de Deus. Atual cidade de Jafa.
[3]Pagão: Relativo ao paganismo ou politeísmo. Adepto do paganismo. Diz-se de toda religião ou pessoa que não seja cristã nem judaica. Maometano, em relação aos cristãos, e herético, em relação aos católicos. Animal xucro, ainda não montado, ou nos primeiros galopes da doma. O que segue uma religião nativa, não cristã nem judaica, caracterizada pelo politeísmo e pela superstição. Pessoa não batizada.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Cumprindo as Obrigações Diante de Deus

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2013 - Provérbios e Eclesiastes - Lição 10 | Jonas M. Olímpio

O cumprimento das nossas
obrigações diante de Deus começa
com nossa busca a Ele por meio
da oração e do conhecimento da
Palavra
TEXTO ÁUREO
Ec 5:4 - "Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o."

VERDADE PRÁTICA
    A nossa vida de adoração somente será verdadeira quando nos conscientizarmos dos nossos direitos e deveres diante de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Eclesiastes 5:1-5
1 - Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.
2 - Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Uma Vida Cristã Equilibrada

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD   |  3º Trimestre de 2013 - Filipenses - Lição 11 |  Jonas M. Olímpio


Entre tantas direções expostas a
nossa frente, sabendo que existe um
só caminho, é preciso termos muito
cuidado para não errar e manter o
equilíbrio na direção certa
Leitura Bíblica em Classe
Filipenses 4:5-9

Texto Áureo
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai (Fp 4:8).”

Verdade Prática
A fim de termos uma vida cristã equilibrada e frutífera, precisamos ocupar a nossa mente com tudo aquilo que é agradável a Deus.

ESBOÇO DO COMENTÁRIO RESUMIDO

INTRODUÇÃO
- Com exemplos práticos, o apóstolo Paulo ensina à igreja filipense que para que se

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O Comportamento dos Salvos em Cristo

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD   |  3º Trimestre de 2013 - Filipenses - Lição 3 |  Jonas M. Olímpio

O mundo está de olho em nós;
em vez de nos escondermos,
devemos mostrar o melhor
que temos
Leitura Bíblica em Classe - Fp 1:27-30; 2:1-4

Texto Áureo - “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho (Fp 1:27).”

Verdade Prática - O Evangelho de Cristo produz em cada crente um comportamento digno e santo diante de Deus e do mundo.

ESBOÇO DO COMENTÁRIO RESUMIDO

INTRODUÇÃO
- Nossa conduta é observada tanto dentro quanto fora da igreja; por isso, devemos agir exemplarmente em todos os momentos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Legado de Elias


Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD   |  1º Trimestre de 2013 - Lição 8 | Jonas M. Olímpio

A fidelidade de Eliseu à Elias,
como também a Deus, foi a
chave de seu bem sucedido
ministério
TEXTO ÁUREO
E disse Jeosafá[1]: Não há aqui algum profeta do SENHOR, para que consultemos ao SENHOR por ele? Então respondeu um dos servos do rei de Israel, dizendo: Aqui está Eliseu, filho de Safate[2], que derramava água sobre as mãos de Elias (2º Rs 3:11).

VERDADE PRÁTICA
Através do ministério de Elias aprendemos que os grandes homens foram aqueles que aprenderam a servir.

PALAVRA-CHAVE
Sucessor: Aquele que sucede a outrem ou que o substitui em cargo, funções.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ageu - O Compromisso do Povo da Aliança

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2012 - Lição 11 | AD Belém - Setor 20 (Arujá/SP) - Congr. Pq. Rodrigo Barreto I | Jonas M. Olímpio

   Atenção Professor!
    Após essa aula, seu aluno deverá estar apto a:
    >    Conhecer o contexto histórico da vida de Ageu;
    >    Elencar os principais problemas encontrados pelos judeus para reconstruir o templo;
    >    Saber que temos responsabilidade diante de Deus e dos homens.

O povo que havia sido liberto do
cativeiro da Babilônia passou a
reedificar suas confortáveis casas
enquanto que a Casa daquEle que
os salvou continuava destruída e
abandonada; qual é o valor que
temos dado à Casa de Deus?
Texto Áureo
    Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6:33).

Verdade Prática
    A verdadeira profecia liberta o povo da indiferença e do comodismo espiritual.

Palavra-chave
    Templo: Espaço ou edifício destinado a culto religioso.

Leitura Bíblica em Classe
    Ageu 1:1-9 - No segundo ano do rei Dario[1], no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR, por intermédio do profeta Ageu[2], a Zorobabel[3], filho de Sealtiel[4], governador de Judá, e a Josué[5], filho de Jozadaque[6], o sumo sacerdote, dizendo: 2Assim fala o

sábado, 14 de abril de 2012

Aonde estão aqueles que ainda têm compromisso com Deus?

Muitos crentes assumem vários
compromissos com Deus, mas
nem sempre os cumpre, e depois
ainda se sentem no direito de
cobrá-lo pelas "promessas" de
bênçãos que Ele ainda não
cumpriu na vida deles
    "Grande é a seara, mas poucos são os ceifeiros!"; essa afirmação de Jesus em Mateus 9:37, está mais atualizada do que qualquer outra notícia do meio Gospel. Essa é a triste realidade que enfrentamos nos dias atuais: milhares de pessoas estão morrendo diariamente e descendo ao inferno por falta de conhecimento, enquanto muitos de nós - os crentes -, acomodados em seu próprio ego, vivem uma grande batalha "espiritual", buscando fervorosamente o seu crescimento ministerial para satisfação pessoal somente! No capítulo 13 de Marcos, Jesus fala claramente sobre a nossa missão na terra; e o que mais me chama a atenção é que nessa passagem, como também em outras, Ele não promete apenas bênçãos, mas enfatiza principalmente as dificuldades que enfrentariam aqueles que se propusessem a fazer sua obra. Muitos têm encarado a Missão como um meio de enriquecer e fazer turismo; outros, que até nem pensam tão alto, têm se posto a evangelizar em grandes cidades - onde já existem igrejas até demais - , e, por conta disso, o que vemos é uma tremenda confusão (1ª Co 14:33) por diferenças ministeriais: outro dia, tive a tristeza de presenciar dois pregadores trocando insultos e empurrões em plena Praça da Sé, enquanto os

sábado, 24 de abril de 2010

Nosso descanso não é aqui

O maior prazer na vida de 
um crente deve ser anunciar 
as Boas Novas, e não apenas 
usufruir de suas bênçãos!
    Em todas as empresas ou em qualquer outro ambiente de trabalho, é comum os funcionários passarem o dia olhando para o relógio, contando os minutos, esperando a hora de parar de trabalhar. Impressionante é que isso está acontecendo com muitos de nós, no que se refere à obra do Senhor de uma forma geral. Parece que muitos estão cansados e que o salário e os benefícios oferecidos já não são suficientes para lhes motivar a trabalhar melhor... É como se já tivessem feito demais para o seu “Patrão”. E o mais interessante é que nunca se esquecem de cobrá-lo pelos seus "direitos", muitas vezes, como se estivessem sendo injustiçados. Diante dessa situação só posso dizer uma coisa: "É hora de acordarmos!" Lendo a Bíblia, aprendi que quando paramos, estamos sujeitos à corrupção, e ela destrói (Mq 2:10). Por isso muitos crentes estão à beira da derrota. Porém não admitem isso nem para si mesmos!
Jesus Cristo fez por nós muito
mais do que qualquer coisa que
possamos fazer por Ele, e não
se deixou abater pela dor, pelo
cansaço e pelas decepções.
    Será que estou exagerando? Então vamos nos auto-analisar com calma: faça um relatório de todas as suas atividades nesses últimos três dias tentando se lembrar de tudo o que for possível... Lembrou? De todas as coisas que conseguiu se lembrar, quantas delas foram feitas pra Deus? Agora, analisando apenas entre as coisas que você fez pra Deus -caso realmente você tenha feito... Seja sincero consigo mesmo!-, reflita e responda: Isso foi o máximo possível que poderia ser feito pela obra do Senhor, ou será que poderia ter sido melhor se houvesse um pouco mais de esforço de sua parte? Saiba que por mais que fizermos, ainda estaremos em débito com o nosso Mestre (Lc 17:10), pois o sacrifício que Ele fez fez por nós naquela cruz não há moeda, peso de ouro, valor monetário ou obras com as quais possamos pagar. No entanto, somente o que Ele requer de nós é a nossa obediência (1ª Sm 15:22).
Muitos encaram a obra de
Deus como se ela fosse 
um 

grande peso e não como um 
privilégio
    Continuando nossa auto-análise, observando as pessoas a minha volta e, também, é claro, a minha própria vida, cheguei à seguinte conclusão: Muitos crentes estão, lamentavelmente, dominados por um malígno “stress espiritual” o qual lhes dá uma terrível sensação de cansaço quando são solicitados a fazer algo em pról do Evangelho. Certamente, você pode estar se perguntando: Como é que eu sei que esse stress não é simplismente um problema físico e psicológico que afeta a maioria das pessoas devido aos seus inúmeros compromissos da vida cotidiana e não um malígno ataque de Satanás contra nossa vida espiritual? A resposta é simples e objetiva: O que é mais fácil ou agradável? Passear no shopping ou evangelizar? Assistir a um clássico de futebol ou ir a um Culto de Oração? Rir de uma “boa” piada maliciosa ou dizer aos piadistas que Deus não se agrada de atos pecaminosos que pra eles são motivos de brincadeira, como o adultério, por exemplo? Ficar quatro horas jogando conversa fora com algum desconhecido no Orkut e no MSN ou ir a Escola Bíblica Dominical? Pedir ajuda a um ímpio diante de uma situação difícil ou passar o dia orando e jejuando para obter uma solução de Deus? Aos que responderam com absoluta sinceridade a essas perguntas, obviamente a primeira alternativa de cada uma delas foi a opção mais viável. Pois a carne se opõe ao espírito (Gl 5:17) e, muitas vezes, lastimavelmente ela tem vencido. Nosso corpo pede que satisfaçamos seu próprio prazer, pois essa é a tendência natural da carne (Rm 8:6), enquanto aquilo que satisfaz ao espírito, mesmo que exija menos esforço físico nos parece ser desagradável e não desperta nosso interesse. Porém, somente ao crente que anda realmente em espírito é possível não cumprir as concupiscências (desejos) da carne (Gl 5:16). Baseado nesses fatores, me vejo no direito de ter a ousadia de dizer que esse stress (não os stresses de um modo geral) não é simplismente um problema físico e psicológico que afeta a maioria das pessoas devido aos seus inúmeros compromissos da vida cotidiana e sim um malígno ataque de Satanás contra nossa vida espiritual, pois essa é a missão dele (Jo 10:10).
Muitos "servem" a Deus
apenas para satisfazerem
seus próprios interesses e
quando percebem que não
é dessa forma que Ele
trabalha se sentem
decepcionadas e abatidas
pelo cansaço de tudo o
que fizeram em vão
    Agora, quanto ao que se refere a fazer melhor nosso trabalho na obra do Senhor, é lamentável o que temos visto nos últimos dias: Muitos “fazem a obra” com o mero objetivo de satisfazer seus desejos e necessidades pessoais, como por exemplo: Fama (cantores, pregadores animadores de púlpito, “curadores”, etc), poder (líderes ministeriais querendo exercer autoridade sobre o povo), reconhecimento (obreiros que querem crescer ministerialmente) e, principalmente, bênçãos materiais (dinheiro, emprego, casa, carro, causas na justiça, etc), físicas (curas, estética...) e sentimentais (namoro e casamento) (Mt 6:24)... Devo ainda ressaltar que não é proibido pedir a Deus nenhuma das tais bênçãos que citei aqui, pois Ele pode nos dar muito mais do que isso e nos ensina a pedir. Portanto, o mais importante é termos a plena consciência de que não é simplesmente para isso que o servimos. Pois muitas pessoas fazem algo na Casa de Deus e quando não alcançam seus objetivos pessoais se sentem frustradas e chegam até mesmo a desistir de suas responsabilidades espirituais e, o que é ainda pior, se desviar do Caminho e, conseqüentemente, perder a salvação. Em muitos casos, o crente não recebe algo de Deus por que suas atitudes não têm sido sinceras diante Dele (Sl 101:6); pois até para pedir, devemos estar em condições de receber (Sl 34:15). Pois Ele conhece nosso coração e não há como enganá-lo com nossa aparência ou comprá-lo com nossas obras. E não adianta cobrá-lo, pois Ele não nos deve nada, muito pelo contrário, nós é que Lhe devemos, e muito! Muitíssimo mesmo (Ef 5:2; 1º Jo 4:19)!
Descansar no Senhor é
ter paz mesmo em meio as
tempestades da vida por
saber que por pior que
esteja a situação, Ele é
quem está no controle do
barco
    Obviamente, temos que entender que quando Deus disse através do profeta Miquéias que o nosso descanso não é aqui, ele não estava dizendo que deveríamos estar a disposição da igreja 24 horas por dia (Ec 9:10), mas sim que deveríamos estar sempre alertas e dispostos a fazer a sua vontade em qualquer situação, e também que jamais viéssemos a nos acomodar e achar que já fizemos o suficiente pelo Evangelho. Resumindo, Ele nos dá a entender claramente que o nosso verdadeiro descanso será realmente naquele grande dia em que partirmos eternamente para o seu Reino de Glória, pois enquanto estivermos nessa terra continuaremos sujeitos a todas as adversidades e angústias existentes nesse mundo (Ec 7:13-15). Logicamente, temos o direito -e também o dever- de fazer as demais coisas em nossa vida secular, pois, afinal de contas, somos seres humanos normais e não há como vivermos aqui como se já estivéssemos no céu e, além do mais, somos mordomos de tudo aquilo o que Ele nos deu e temos que viver do trabalho de nossas mãos (Sl 128:1-4; Pr 16:25; 28:19), e temos também direito de desfrutar de momentos de lazer (Ec 9:7-9). Portanto, nossos prazeres pessoais e nossas responsabilidades cotidianas não podem, de maneira nenhuma, interferir em nossa comunhão com o Espírito Santo de Deus (1ª Co 7:35).
O tempo está passando
e não volta atrás, você não
acha que já é hora de
acordar?
    Para concluir nossa auto-análise, nunca se esqueça disso: A maior prova de que somos verdadeiramente gratos a Deus e o amamos de coração é quando procuramos fazer sempre o melhor para Ele. E saiba que por mais que você esteja se esforçando, sempre é possível melhorar ainda mais. E pode ter a absoluta certeza de uma coisa: Depois que você fizer o melhor na obra do Senhor, sabe o que você vai descobrir? Que aquilo que você fez melhor, podereia ter sido melhor ainda! Isso mesmo! Por mais que façamos, nada será o suficiente perto do que Ele realmente merece! E é por isso que a Bíblia nos ensina claramente que só podemos ser salvos pela graça e não pelo merecimento (Ef 2:1-10). Portanto, devemos andar com temor e sabedoria tendo a plena convicção de que estamos no meio de uma longa caminhada e não podemos parar porque o nosso descanso não é aqui (Lc 22:46)!