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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Socorro! Não Consigo Namorar! Será que Nunca Vou Casar?

Deus não criou o ser humano
para a solidão; porém, muitas
pessoas, levadas por alguma
limitação pessoal, desistem da
luta pela felicidade conjugal,
equivocadamente acreditando
que não tenham o direito ou
condições de serem satisfeitas
na área sentimental.
    Para muitos jovens, paquerar, seduzir e conquistar alguém é algo tão simples quanto trocar de roupa - e o pior é que alguns agem assim mesmo -; só que nem todos têm essa mesma facilidade na área sentimental. Para uma boa parte dos que estão em idade viável para namoro e até casamento, ter alguém para compartilhar afetivamente seus sentimentos, ideias, compromissos, objetivos e problemas pessoais é simplesmente um sonho muito difícil - quase impossível - de realizar. Embora estejamos numa era em que muitos não valorizam a união conjugal, as moças e os moços verdadeiramente cristãos sabem que não há como agradar a Deus levando uma vida de depravação e, por isso, desejam sim ter um casamento nos moldes tradicionais, assim constituindo uma família de acordo com os padrões bíblicos. A Bíblia adverte que a adolescência e a juventude são vaidade (Ec 11:8,9), ou seja, um breve período que passa levando com ele todo o vigor e a beleza da pessoa. Não que isso seja uma regra, mas é exatamente por essa razão que o futuro conjugal precisa ser planejado e, de certa forma, já iniciado ainda nessa fase, pois, de fato, o ser humano não foi feito para viver só ou ficar a vida inteira com pai e mãe (Gn 2:24; Mt 19:4,5); considerando isso, quando chega ou passa de determinada idade, muitos começam a se preocupar seriamente com essa questão, a qual passa a ser um problema em sua vida. e não é sem razão, pois ninguém quer ser chamado de “encalhado” e, principalmente, terminar seus dias privado da alegria do amor.  
    Mas quais são as causas e como evitar uma vida de solidão? Analisando a situação, podemos identificar três tipos de casos: a demora para escolher um cônjuge[1], uma aparência não considerada boa ou algum trauma por problemas passados.
    O primeiro caso é consequência de uma opção da própria pessoa que se envolve muito com os estudos e prefere arrumar alguém depois de concluir uma faculdade  - ou faculdades -, fica no aguardo de conseguir um bom emprego ou na ilusão de aparecer uma pessoa financeiramente bem-sucedida ou de boa aparência. Aí é aquela velha história: quem espera demais ou escolhe muito acaba tendo que se contentar com o que sobra... quando sobra. Muitos jovens se esquecem que o bem-estar na vida material não depende apenas do seu esforço, mas das mãos de Deus sobre eles (Sl 127:1,2; Pr 28:26); então, o correto é lhe pedir direção e sabedoria para conciliar estudos, profissão, vida sentimental e entender que a mais bela aparência é interior e não exterior.
    No segundo caso o negócio é muito mais sério, pois não se trata de uma opção própria, mas da infelicidade de não ser escolhido por ninguém. Isso ocorre quando a pessoa não se enquadra no padrão de beleza estipulado pela sociedade, ou seja, quando ela é considerada feia ou tem algum problema estético como obesidade ou qualquer tipo de deficiência física. Lidar com isso não é tão simples, pois a rejeição gerada pelo preconceito alheio pode provocar complexo de inferioridade, insegurança e timidez e, diante disso, cada pessoa reage de uma forma: uns se conformam e param de tentar um relacionamento, outros entram em depressão depois de tantas decepções e alguns se revoltam e deixam isso abalar a sua própria fé. Mas, enfim, seja qual for a sua situação e a sua reação, o necessário realmente é se apegar a Deus porque Ele pode e quer fazer esse milagre em sua vida. Não pense que vai ser sempre rejeitado; lembre-se de quantas pessoas iguais a você conseguiram um casamento e vivem felizes. Essa felicidade foi criada pelo Senhor e, se você pedir e for fiel, Ele te responderá (Sl 68:6a).
    Já no terceiro caso, a questão é séria, mas não tão difícil de resolver. Trauma nada mais é do que uma ferida; no caso, uma ferida que ainda não cicatrizou e por isso continua causando dor. Porém, não há ferida que não possa ser tratada até estar completamente eliminada; assim sendo, mesmo que na mente, inevitavelmente, permaneça a lembrança do ferimento, o seu efeito não deve mais continuar ativo no corpo. Certo, eu sei que no que se refere a trauma emocional a situação é muito mais complicada porque se refere a perturbação de sentimentos: são lembranças de decepções geradas por humilhações ou traições, violência sexual ou alguma experiência amorosa de alguém muito próximo que não deu certo como, por exemplo, a separação dos pais, principalmente se havia violência verbal e física entre eles; no entanto, o que se precisa colocar na mente é que passado é passado e por mais que tenha sido dolorido precisa ficar no passado, ou seja: o fato de você ter tido uma ou algumas experiências ruins não significa que todas as suas demais experiências serão também ruins; se alguém te decepcionou, mentiu ou te traiu, isso não quer dizer que todas as pessoas vão te decepcionar, mentir ou te trair; e, principalmente, os fracassos amorosos de pessoas ligadas a você não são uma indicação de que a sua vida seja uma continuação da vida dela. Então use todas as experiências negativas para não cometer tais erros no futuro e peça a Deus que cuide dos seus sentimentos (Is 26:3,4; Jr 17:9,10), pois nossa segurança e felicidade provém dEle.
    Como vimos aqui, para uma pessoa que confia e agrada a Deus nada é impossível (Fp 4:13; Jo 15:4-7), inclusive conseguir um namoro e um casamento quando tudo estiver indicando que não há como isso acontecer. Para os que esperam no Senhor e agem com prudência (Sl 40:1-5), o alcance da vitória, mais do que uma remota esperança, é uma certeza. Como diz um famoso ditado popular “cada panela tem a sua tampa”; porém, só é preciso ter o cuidado de observar se ambas encaixam entre si para que ambas possam proporcionar um bom alimento em seu lar, honrando a Deus cuidando bem de tudo o que Ele lhe deu, lembrando-se que, em nossa vida aqui na terra, a família é o bem mais precioso que temos. Não permita que as preocupações materiais, as limitações pessoais ou dificuldades emocionais sejam usadas pelo inimigo como instrumento para te impedir de ser beneficiado pelo propósito divino da criação da família (Pr 18:22; 14:1a; Sl 127:3-5).



[1]Cônjuge: Cada um dos esposos em relação ao outro. Quem é casado. A esposa e o esposo. O esposo para a esposa e vice-versa.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Estou Amando Uma Pessoa que Não é Crente... E Agora?

Somente quem tem a vida
voltada a obedecer a Deus
consegue compreender que é
melhor ter o coração partido
do que o lar e a vida destruída.
    No meio da juventude evangélica essa é uma questão cada vez mais presente. E, a partir dela, surge o seguinte questionamento: “O que a ‘religião’ tem a ver com meus sentimentos?” e, em resposta a essa indagação que denuncia a revolta de um cristão imaturo, eu faço a seguinte pergunta: “Vale a pena permitir que um simples sentimento, ou desejo, que pode ser passageiro, ameace a sua comunhão com Deus?”. Para entender isso é necessário entender que esse sentimento chamado de amor[1] vai muito além daquilo que é ensinado pela sociedade, sendo, muitas vezes, na verdade, simples paixões[2] momentâneas, as quais podem ser classificadas como admiração, atração física, necessidade afetiva ou interesse por conveniência. Além do mais, mesmo que você tenha a certeza de que o que sente é verdadeiro, é preciso compreender que não é a “religião” que está interferindo em seus sentimentos, mas sim a Igreja, por meio de líderes ou membros responsavelmente compromissados com a Palavra de Deus, te orientando para que você não sofra futuramente.
    Mas o que a Bíblia diz sobre isso? Deus, por meio da sua Palavra, sempre condenou a mistura do santo com o profano (2ª Co 6:14-18[3] [4]). E vamos analisar isso de uma forma bem prática: não união conjugal entre um crente e um incrédulo existem dois grandes riscos: o crente se desviar ou ambos viverem em constantes confrontos. Para entender melhor, vejamos separadamente cada uma das situações:

O risco da influência: Quando se toca nesse assunto surge aquela velha teoria do “paquerador evangelista”, na qual reza a lenda que ele vai ganhar a alma dela pra Jesus. A intenção pode até ser essa, mas como ele pode ter certeza que está com essa “unção” toda (Pr 5:1-13[5])? É claro que, sendo espirituais, não podemos negar que Deus pode sim permitir esse tipo de união se tiver ali um propósito de salvação, mas devemos considerar que essa é uma rara exceção e não uma regra. Geralmente, o que acontece é exatamente o contrário: depois de algum tempo, tendo casado ou não, por se deixar levar por costumes inadequados, ou mesmo para segurar o relacionamento, ele acaba é se afastando parcial ou totalmente do Evangelho - e, só pra lembrar, para Deus não existe crente parcial: ou é ou não é (Ap 3:15,16)! - até que, depois de algum tempo, não consegue entender porque as coisas não estão dando certo, já que fez tudo em nome do amor... Mas o que é amor mesmo? Amigos, sejamos sinceros: em tudo na vida, mas principalmente no que se refere às coisas espirituais, é muito - mas muito mesmo - mais fácil ser influenciado do que influenciar. E não adianta dizer que é só ter determinação porque só erra quem quer, porque a própria Bíblia nos ensina o contrário (1ª Co 15:33), ou ela está errada?

A falta de harmonia no relacionamento: Muitas vezes, pode até haver entre o casal um certo tipo de acordo do tipo: “Você respeita a minha liberdade e eu respeito a sua, e assim podemos viver felizes para sempre!”. Mas, agora, botando os pezinhos no chão, até que ponto vai durar a fantasia desse conto de fadas? Pense bem: Domingão a noite, hora do culto: ele quer ir para a igreja e ela quer ir para uma balada. Será que ele vai estar tranquilo na igreja sabendo que ela está dançando e sendo paquerada por outros homens? Dentro de casa, ele quer ouvir louvor e ela quer ouvir um funk ou um forró. Que paz ele vai ter nesse ambiente para manter a comunhão com Deus? Vale a pena o sacrifício em nome do tal do amor? Pois é a partir de simples diferenças como essas - que, na teoria, pareciam fáceis de se suportar - que surgem os grandes conflitos entre o casal, seguidos de suas devidas consequências. Seja sincero com você mesmo e admita: luz e trevas não podem, não devem e não conseguem viver juntas em perfeita harmonia (Tg 4:3-5).

    Como vimos, não vale a pena arriscar. Então, o que fazer? Só para termos uma noção, dez regrinhas básicas e bem simples:

1.      Se o seu relacionamento com Deus é saudável, Ele vai te dar um relacionamento conjugal igualmente saudável.
2.      Ele conhece todas as mentes e corações, por isso sabe o que é melhor para você.
3.      Para ter certeza de que é Ele que está te direcionando, ore em secreto e peça um sinal com sinceridade que a sua fé vai ser honrada.
4.      Se a pessoa que Ele te mostrar não for do teu agrado, lembre-se de que você não sabe escolher.
5.      Jamais olhe pela aparência, mas peça ao Senhor para te ajudar a contemplar a beleza interior da pessoa.
6.      Não ambicione o que ela pode te dar, mas veja se ela valoriza o que Deus deu à ela.
7.      Não é o fato de estar dentro da igreja que faz da pessoa uma crente, por isso, analise o quanto ela leva as coisas espirituais a sério.
8.      Vindo do mundão, uma pretendente pode te oferecer muito prazer - principalmente na área sexual­ -, mas leve em consideração que a vida de um casal não se resume na cama.
9.      Se a pessoa que Ele te mostrar não parecer ser perfeita, lembre-se de que você também não é perfeito e que ambos estão ganhando dEle a oportunidade de serem aperfeiçoados juntos.
10. Alguém que verdadeiramente te ama, vai te ajudar a se aproximar de Deus e não te afastar dEle.

    De fato, principalmente para a juventude atual, não é fácil vencer ao assédio e às tentações que os bombardeiam constantemente. Somente os que persistem numa vida de plena comunhão espiritual conseguem forças para não ceder desde a uma simples cantada por meio de um elogio aparentemente inocente até a uma proposta indecente que vise satisfazer seus desejos carnais. Não se deixar convencer ou não se entregar à sua própria vontade são atitudes que não podem ser tomadas com nossas tão limitadas forças humanas, pois, muitas vezes, mesmo desejando fazer o que é certo, tendemos a fazer o que é errado (Rm 7:17-20); por isso, precisamos reconhecer que se não nos entregarmos ao Senhor pedindo que pela sua misericórdia venha a nos ajudar a vencer o pecado que nos rodeia (Sl 139:23,24), seremos inevitavelmente derrotados. O jugo desigual é algo tão sério que no tempo da Lei[6] eram proibidos os casamentos não só dos israelitas com os povos gentios[7], como também entre israelitas de diferentes tribos de Israel (Nm 36:6-9[8]). Isso é algo tão sério que temos visto que até mesmo a união entre pessoas crentes, mas de diferentes denominações, costuma gerar conflitos, a menos que o casal tenha um firme acordo de, depois do casamento, congregar juntos, ou seja: alguém vai ter que abrir mão e acompanhar o outro.

    Resumindo essa nossa breve meditação, essa é a conclusão a que chegamos: A garantia da felicidade está no cumprimento da Palavra de Deus, mas para isso é necessário entender qual é o papel da igreja e a sua liderança em relação à nossa vida pessoal; O estado emocional do ser humano é muito instável, o que o torna vulnerável a sentimentos de atração que podem facilmente ser confundidos com amor; Na mistura entre o puro e o impuro, a tendência é muito maior de o impuro contaminar o puro do que o puro limpar o impuro; E as atitudes de hoje definem o bem ou o mal estar de amanhã. Tendo conhecimento disso, o que resta à um autêntico jovem cristão é se auto avaliar e, se necessário for, redefinir seus pensamentos e atitudes, sacrificando desejos e até sentimentos, primeiramente para agradar ao Senhor e, consequentemente, mesmo em meio às dificuldades obter uma vida agradável, tendo o que todos os casais desejam: alegria, a qual somente é obtida se houver paz e harmonia dentro do lar. É possível isso vivendo com uma pessoa que não ama e nem vive para Cristo (Rm 6:23)?



[1]Amor: Sentimento de apreciação por alguém acompanhado do desejo de lhe fazer o bem.
[2]Paixão: Inclinação emocional intensa e descontrolada (Rm 1:26; 7:5). Termo que expressa grande admiração por algo ou alguém. Palavra de origem do latim "passione" que significa "sofrimento".
[3]Jugo: Peça de madeira que se prende com correias ao pescoço de animais de carga, para que assim possam puxar uma carroça ou um arado (Nm 19:2; 1º Sm 6:7). Em sentido figurado: domínio, opressão (Gn 27:40; Jr 28:2; Gl 5:1); sofrimento (Lm 3:27); obediência (Mt 11:29-30); aliança (2ª Co 6:14); trabalho (Fp 4:3).
[4]Belial: Pessoa má, sem valor (Jz 19:22; 1ª Sm 30:22). Diabo (2ª Co 6.15).
[5]Absinto: Planta de gosto amargo e ruim. Simboliza aquilo que é desagradável, como o remorso (Pr 5.4) e o sofrimento (Jr 9:15).
[6]Lei: É um termo usado com frequência na Bíblia para definir um código de leis formado por mandamentos, ordens e proibições. Segundo as Escrituras hebraicas, a Lei foi dada por Deus através do profeta Moisés, tendo sido os Dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra pelo próprio dedo de Deus no monte Sinai, a tábua dos dez mandamentos. Pode ser resumida nos Dez Mandamentos, que em língua hebraica são chamados simplesmente de "As Dez Palavras" ou "Os Dez Ditos". Os Dez Mandamentos regulamentam a relação do ser humano com Deus e com seu próximo. Para fins didáticos, o Código Mosaico pode ser dividido em Leis Morais, Leis Civis e Leis Religiosas (Leis Cerimoniais).
[7]Gentio: Qualquer povo fora de Israel. Quem segue o paganismo. Quem não é civilizado. Grande quantidade de gente. Originado pela palavra hebraica “Goym”, é um termo usado para se referir a povos não judeus.
[8]Zelofeade: Membro da tribo de Manassés, cujas filhas pediram a Moisés uma propriedade na Terra Prometida. Ele saiu do Egito com Moisés e morreu no deserto deixando somente cinco filhas como herdeiras; o direito delas à herança foi confirmado por orientação divina, no entanto, não poderiam se casar com homens de outras tribos para que a herança pertencente à Manassés não fosse transferida para outra tribo (Nm 27:1-11).

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O que é Transformação? O que Preciso Mudar para Agradar a Deus?

A transformação agradável a
Deus vai muito além da
aparência, pois ela depende de
uma completa mudança
interior.
    Apesar de ser esse um enorme desafio para pessoas de todas as idades, para um jovem - devido ao fato de estar numa fase de grandes descobertas e muita vulnerabilidade às influências -, se converter ao Evangelho ou, como dizem por aí, passar a ser crente, representa muito mais do que uma simples opção religiosa, pois requer dele uma radical mudança de vida (Sl 1:1,2). Como, praticamente em tudo na vida, o começo é difícil, não pense que a decisão de frequentar uma igreja e obedecer a doutrina por ela pregada será diferente. O choque que envolve todos os seus costumes é inevitável porque se você está mesmo disposto a servir a Deus e entendeu que para isso foi necessário se converter, deve também entender que converter significa mudar, e se a questão é agradar ao Senhor, essa mudança significa uma diferença no modo de viver a partir de agora. Mas, em que ponto começa essa transformação? De acordo com a Bíblia, em nossa própria mente, ou seja: é preciso haver mudança em nossa forma de pensar para que compreendamos a necessidade de “nascermos de novo”; somente assim seremos herdeiros das grandes promessas de Deus.

Não se conformando com esse mundo (Rm 12:2)
    No sentido original, em grego, se conformar significa moldar-se de acordo com o padrão de alguém. Espiritualmente falando, expressa o perigo que corre o cristão em relação às influências mundanas. Quando existe uma verdadeira conversão, automaticamente, a pessoa sente um desejo e uma necessidade de mudança. Sua decisão de seguir o Evangelho é o reconhecimento de que seu antigo modo de viver, de acordo com os costumes desse mundo, não lhe é saudável tanto a nível material como pessoal. Esse é o seu sinal de inconformismo com a situação, o qual deve se refletir dentro da casa de Deus, levando a pessoa a não se contentar que coisas desagradáveis ao Senhor sejam inseridas no culto prestado a Ele, o que envolve também seu próprio modo pessoal de adorar e viver. Os jovens são diariamente bombardeados por más influências tanto fora quanto dentro da igreja, e somente quando isso passa a incomodá-los é que eles podem ter a certeza de que realmente estão se desapegando das coisas mundanas (1ª Jo 2:14-17[1]; Cl 3:1-4).

Se transformando pela renovação do entendimento
    O não-conformismo com a situação gerada pelo pecado é o primeiro sinal de que sua vida está sendo transformada; a entrega de tudo ao Senhor lhe proporciona uma mudança de pensamento: uma outra visão do mundo e de si próprio. Essa busca por mudança interior te leva à uma mudança exterior que resulta numa maior compreensão em relação aos seus pais, irmãos, amigos, professores e tudo mais que faça parte de seu convívio. Quem passa por essa renovação de entendimento reclama menos, aprende a manter o autocontrole, não sofre tanto com a ansiedade, aprende a lidar com o stress, não se entrega às decepções e nem se ilude facilmente com seus sentimentos, pois tais coisas se originam e são controladas pela mente. Essa mudança de entendimento é o resultado da fé, a confiança em Deus, o que faz com que a pessoa descanse por saber que é Ele quem está cuidando dela (Gl 5:22; Rm 8:28; 1ª Co 10:12,13).

Experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus
    Experimentar, ou conhecer, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus significa viver tudo aquilo que Ele tem para nós, o qual é bom, agradável e perfeito; no entanto, devemos cuidar para que o que estamos fazendo seja também bom, agradável e perfeito aos seus olhos. Alcançar essa experiência e obter esse conhecimento é a consequência positiva do inconformismo aos padrões mundanos e da transformação do seu entendimento; então, estar no centro de sua vontade é uma bênção condicionada a esses fatores. Assim sendo, para saber se nossa mudança - tanto interior quanto exterior - está de acordo com a vontade de Deus, é necessário analisar se nossos atos, palavras e pensamentos produzem efeitos positivos proporcionando uma vida saudável em todos os sentidos e revelando a santidade ensinada nas Escrituras Sagradas; essa é a combinação de benignidade, agradabilidade e perfeição. Em um mundo em que a juventude, para ser considerada normal, tem que aplaudir e praticar tudo o que é mal, desagradável e imperfeito aos olhos do Senhor, tem você conseguido fazer a vontade dEle (1ª Pe 1:13-16[2] [3] [4])?

Ocupando a mente com coisas em que há virtude e louvor (Fp 4:8[5] [6])
    Com tantos convites atrativos para o pecado, é muito difícil, principalmente para os jovens, manter a mente ocupada com coisas virtuosas, que são aquelas realmente dignas de algum louvor. De acordo com a Bíblia, isso exige um comprometimento com a verdade, a honestidade, a justiça, a pureza, o amor e a decência. Nossos pensamentos refletem em nosso comportamento, e essas são as características de alguém que realmente tem uma vida transformada cujo objetivo é fazer a vontade de Deus. Agora, entendamos isso na prática: a tendência natural do ser humano é a satisfação do seu ego e do seu corpo, pois ambos pedem isso; pela lógica, se existem esses desejos já inseridos em nós, poderíamos considerar que não somos culpados e nos entregarmos a tais desejos. No entanto, não podemos jamais nos esquecer que servir ao Senhor consiste no sacrifício da renúncia, a qual deve ser aplicada sempre nos momentos de maior tentação. Isso significa que, para não desagradar a Deus, a cada momento, nossa mente e nosso coração devem estar cheios de coisas boas para não agirmos de acordo com a carne. Não se esqueça: só podemos colocar pra fora aquilo que realmente temos dentro de nós  (Lc 6:43-45[7] [8]).

Nascendo de novo (Jo 3:3)
    A expressão “nascer de novo” traz a clara ideia de recomeço, ou seja: servir ao Senhor significa começar uma nova vida; mudar totalmente a sua rotina, os seus costumes, alterando seus hábitos - mudando, incluindo ou retirando - de forma que todas as suas atitudes, palavras e até pensamentos sejam agradáveis a Ele. Nascer de novo consiste em se auto examinar identificando suas falhas, ter disposição para incluir em sua vida “sacrifícios” para andar em obediência e retirar dela coisas que lhe pareçam benéficas, mas que possam interferir em sua comunhão espiritual. Nascer de novo é começar do zero, aceitando a oportunidade da salvação lhe concedida gratuitamente, bastando para isso cumprir suas condições: fé, obediência e santidade (Jo 3:16-19[9]; 1ª Pe 1:22,23).

Vivendo sem murmurações e nem contendas (Fp 2:14[10] [11])
    Reclamar e gerar confusão: duas coisas quase impossíveis de se evitar para a maioria dos cristãos, principalmente quando se vive em meio à adversidades e confrontos; a juventude atual, tendo uma vida tão interativa, sabe muito bem como é isso. E por que essas coisas incomodam tanto a Deus? Como bem sabemos, reclamar expressa insatisfação e, como servos do Senhor, devemos compreender que Ele está no controle de nossa vida e tem um propósito em tudo, até em nosso sofrimento; assim sendo, se reclamamos é porque não confiamos e se não confiamos é porque não aceitamos sua vontade soberana sobre nós, então não estamos agindo como servos. Quanto aos confrontos - seja contra irmãos ou contra ímpios -, essa é a prova de que não amadurecemos em relação ao que o Evangelho nos ensina: amar, perdoar e saber conviver com as diferenças; dessa forma, mais uma vez, não estamos agindo como servos. Suportar com calma as contrariedades da vida é o que demonstra que estamos frutificando espiritualmente (Hb 12:14).

Irrepreensíveis e sinceros no meio de uma geração corrompida e perversa (Fp 2:15)
    A corrupção que nos cerca quase que nos torna merecedores de medalhas e troféus quando não nos rendemos a elas; no entanto, o que precisamos compreender é que manter-se indigno de repreensão é uma obrigação daquele carrega o nome de cristão, considerando ainda que, nesse sentido, para vergonha nossa, muitos ímpios são mais cristãos do que alguns que professam o cristianismo. Ser irrepreensível significa não dar motivos para que alguém te acuse, sabendo que se isso acontecer, os acusadores estejam simplesmente mentindo a seu respeito; consciência tranquila é tudo na vida de um crente. “Assombrar” os incrédulos com sua honestidade mesmo em um tempo em que o certo é considerado errado e vice-versa, mostrando-lhes que a corrupção e a perversidade desse mundo não te contagiou, é uma forma de lhes mostrar que a transformação é sim totalmente possível. E isso serve não somente para defender a reputação de sua nova vida diante deles, mas também para evangeliza-los, dando-lhes exemplo de que podem sim alcançar uma vida melhor e também o perdão divino. Resplandecer como astro no mundo, nada mais é do que fazer a diferença conseguindo mostrar por meio de atitudes  que se converter ao Evangelho produz mais do que o costume de frequentar uma igreja ou usar roupas diferentes; essa conversão gera uma nova pessoa (Mt 5:16).

    Transformação é mudança. E uma mudança, para ser agradável a Deus, tem que provocar uma melhora tanto a nível interior quanto exterior. No que se refere ao lado religioso, que também não deixa de ser importante, é sim inevitável um choque que pode até mesmo leva-lo a querer desistir, pois isso vai envolver conceitos doutrinários ministeriais que poderão te exigir mudanças em seus hábitos culturais, estéticos, sociais, emocionais e até físicos: Sabe aquelas músicas de conteúdo impuro, aquela roupinha que revela um pouquinho mais do que deveria, aquelas baladas com amigos não muito santinhos, aquele namoro sem compromisso e sem proibições, aquele cigarrinho e aquela cervejinha... enfim, várias coisas boas que, bem lá no fundo, você sabe que te prejudicam? Então, líderes sérios te ensinarão que isso precisa ser mudado ou até mesmo excluído de sua vida. Porém, nenhuma dessas mudanças será conquistada, ou surtirá efeito positivo, se não for direcionada espiritualmente. Quando você se entregar totalmente, vai perceber que essa direção espiritual te levou à uma comunhão tão grande com o Espírito Santo que Ele te fará se sentir bem ou mal de acordo com suas atitudes (Gl 5:16,17).



[1]Concupiscência: Forte e continuado desejo de fazer ou de ter o que Deus não quer que façamos ou tenhamos (Rm 7:8). Desejos carnais.
[2]Cingir: Amarrar ao redor da cintura (Êx 29:5; Jo 13:4). Prender no cinto (Sl 45:3). Conceder (Sl 18:39). Cercar (Sl 30:11). Ter sempre consigo (Ef 6:14). Aprontar-se para o trabalho ou para a luta (1ª Pe 1:13).
[3]Sóbrio: Moderado; controlado (1ª Ts 5:8). Popularmente refere-se a alguém consciente em suas atitudes.
[4]Santo: (Latim: sanctu) Separado. Que obteve no Céu a recompensa prometida aos que observam os ensinamentos evangélicos; bem-aventurado, eleito. Que vive conforme a lei de Deus; que inspira benevolência e piedade; bondoso; que cumpre com todo o escrúpulo, com a maior exatidão, os seus deveres religiosos e morais; virtuoso. Com o caráter de santidade; dotado de santidade. Termo usado na Bíblia em referência à Igreja e seus membros (1ª Co 1:2; 6:2;; 2ª Co 1:1; Ef 1:4; Fp 4:21,22). Que se refere à religião ou ao rito sagrado. Consagrado ao culto, à divindade; sagrado. Digno de respeito e veneração pelo seu caráter, talento e virtudes. Que é digno de respeito; quem o desrespeita comete um ato de profanação. Que não faz mal a ninguém; ingênuo, inocente, simples. Benéfico, profícuo, útil.
[5]Virtude: Hábito de praticar o bem, o que é justo; excelência moral; probidade, retidão. Boa qualidade moral. O conjunto de todas as boas qualidades morais. Austeridade no viver. Força moral; valor, valentia, coragem.
[6]Louvor: Ato de louvar. Aplauso, elogio, encômio. Glorificação. Expressão usada para se referir às músicas feitas para adorar a Deus.
[7]Vindimar: Colher uvas.
[8]Abrolho: Espinho (Mt 7:16).
[9]Unigênito: Único gerado. Filho único.
[10]Murmuração: Ato de murmurar. Censurar ou reclamar.
[11]Contenda: Briga. Confusão; desentendimento.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Como Defender a Fé Num Ambiente Secular?

Tanto para jovens como para
adultos, defender a fé num
ambiente secular consiste em
 ter convicção que está seguindo
o caminho certo e firmeza para
enfrentar as oposições
determinando-se a agradar a
Deus acima de tudo e de todos.
    Tanto em casa quanto na rua, na escola ou no trabalho é necessário conviver e interagir com familiares, parentes, conhecidos, colegas, amigos e também pessoas estranhas que professam algum outro tipo de fé ou fé nenhuma. Em muitos casos, quando os mesmos provocam algum tipo de conflito, não dá simplesmente para ignorá-los porque se trata de pais, irmãos, professores e chefes, ou seja: pessoas a quem você deve uma atenção a mais. O que fazer nesses casos? Como não perder a paz com eles e muito menos a comunhão com Deus? A resposta está na maneira como você encara esse tipo de situação. Em vez de vê-los como inimigos, deve começar a enxergar a cada um deles como pessoas necessitadas de ajuda e a cada afronta como uma oportunidade de evangeliza-los.
 Você tem certeza que conhece e sabe viver no mundo que existe a sua volta (Mt 10:16)? Quando persistimos na decisão de servir a Deus não fazendo questão de esconder isso (Mc 8:37), o inimigo se sente incomodado de tal forma que impulsiona seus instrumentos a nos atacarem; é por essa razão que não devemos reagir como que lutando carnalmente, mas sim espiritualmente (Ef 6:12-14[1] [2] [3]). Ser um jovem crente numa sociedade tão secularizada[4], mais do que uma simples opção, é um grande desafio. Se até mesmo para pessoas de mais idade - inclusive obreiros - as vezes é difícil defender uma postura cristã, quanto mais para os mais novos, principalmente os novos convertidos.
    Mas, e quando eles insistem no confronto? Para responder a essa pergunta, analisaremos os quatro tipos mais comuns de confrontos gerados pelos incrédulos quando persistimos em defender nossa fé mantendo uma conduta que contraria os princípios mundanos. Esses confrontos geralmente consistem em zombaria, propostas indecentes, ameaças e falsas acusações.

Zombaria: Essa é uma das primeiras reações de alguns “amigos” - principalmente na escola e entre os mais chegados em seus meios de convivência - quando percebem sua determinação em mudar de vida para agradar a Deus. Geralmente, sem dó nem piedade, te bombardeiam com piadinhas do tipo: “Virou santinho agora depois de tudo que já fez?”; “Perdeu a liberdade de curtir, então vai isolar os amigos, né?”; “Sexo então, nem pensar. Só depois do casamento, né babaca?”; “Quer dizer que você resolveu ir na igreja pra dar dinheiro para o pastor?”. Você já notou que embora falem num tom de brincadeira, eles demonstram estar carregados de ódio quando atacam nossa fé?
    Diante dessas piadas bobas e preconceituosas, de fato, nosso instinto natural de defesa nos leva ao desejo de responder com um soco na cara do indivíduo, ou, pelo menos, com uma resposta mil vezes mais ofensiva (Ef 4:17,18,26,27); mas, tendo sido regenerados pelo Espírito Santo, devemos ter autocontrole para, como a Bíblia ensina, responder com mansidão (1ª Pe 3:15). Essa resposta mansa consiste em amor e paciência para com o agressor, entendendo que ele não tem o que você tem em seu interior e por isso não consegue te compreender (1ª Co 2:9-15[5]). Pois não é fácil, para alguém que vive na impiedade, entender o que significa perdão e transformação; como também saber que a verdadeira liberdade é não ser escravo de coisas que lhe prejudicam;  e ainda aceitar que a busca por um verdadeiro amor conjugal e a valorização da família valem muito mais do que perigosos prazeres momentâneos; e tampouco imaginar que, da mesma forma que ele desperdiça seu dinheiro com futilidades, você tem o direito de, por gratidão ao Senhor, empregar parte dos teus ganhos para ajudar na manutenção e no crescimento da sua Obra aqui na terra. Mas não espere grandes resultados com esses argumentos, pois, muitas vezes, a melhor resposta mesmo é o silêncio (Mt 27:11-14) e, se preciso for, o afastamento (Mt 16:4). Porém, ainda assim, preserve o seu amor por ele incluindo-o em suas orações (Mt 5:43-48[6]), esperando qualquer oportunidade de ajuda-lo para assim lhe provar o contrário do que ele pensa a seu respeito (1ª Pe 3:16-18).

Propostas indecentes: Outra estratégia maligna para nos tirar do foco de seguir ao Mestre - na verdade, uma das mais usadas - é a tentativa de nos seduzir ao pecado. Muitos discordam, mas o inimigo conhece sim os nossos pontos fracos, pois ele bem sabe quais eram nossas atividades antes de conhecermos a Cristo e, na esperança de que não estejamos realmente libertos, é por meio delas que tentará nos fisgar. É muito comum, principalmente se você está naquela busca fervorosa por libertação e por dons espirituais, começar a receber oportunidades interessantes que sejam aparentemente irrecusáveis. São elogios exagerados, propostas de amor, sexo fácil, estímulo ao consumo de bebidas alcoólicas ou mesmo de drogas e, ainda, até a chance de obter dinheiro fácil por algum meio corrupto ou, mesmo que por um meio lícito, sendo de uma maneira que possa te afastar de Deus.
    A primeira reação diante dessas supostas bênçãos já deve é ser executada preventivamente, ou seja, antes que elas aconteçam: comunhão com Deus por meio da oração para discernir entre as propostas boas e as más (1ª Ts 5:21,22; Hb 5:14). A segunda reação é estar preparado para dizer “não”; e esse “não” só consegue sair de seus lábios se em seu coração houver verdadeiramente amor a Deus e em sua mente existir a consciência de que as consequências negativas da aceitação ao pecado serão incomparavelmente maiores do que as positivas, as quais são momentâneas (Mt 16:24,25). Diante disso, é também necessário considerar que quando o Senhor não nos permite ter algo aparentemente bom é porque Ele sabe que aquilo não é realmente bom e, além do mais, tem algo melhor para nós, o que poderá nos satisfazer tanto de maneira material como, principalmente, espiritual (Mt 16:24-27).

Ameaças: Essa também é uma prática comum por parte dos que não aceitam sua conversão e obediência ao Evangelho. Em vários segmentos da sociedade - ainda que disfarçadamente -, algumas pessoas te fazem sentir-se ameaçado de alguma maneira: não são raros os casos de cristãos ameaçados de demissão ou outras retaliações por não se submeterem a algum esquema corrupto das empresas em que trabalham; outros que são excluídos de grupos de atividades em escolas e faculdades por não compartilharem de ideias profanas; e até mesmo alguns que chegaram a ser expulsos de casa por não negarem sua fé.
    Em situações como essas, o que deve prevalecer em nosso interior é aquela inevitável pergunta: “O que vale mais pra mim?”. A resposta até que é bem simples, mas a sua prática não; pois há casos em que, conforme ensinam as Escrituras Sagradas, é necessário negar a tudo, inclusive a si próprio (Mc 7:13,14; 9:43,44), o que inclui também a própria família. Lidar com ameaças sem se deixar ser feito refém pelo Diabo e lhe dizer “abro mão de tudo, mas não vou permitir que nada me separe do amor de Cristo (Rm 8:35-39[7])” é uma atitude típica apenas de quem tem convicção de sua fé e também a plena certeza de que ela vale a pena. Mas qual é a pena mesmo? A reprovação, o ódio, o desprezo e algumas perdas; então é nesse momento que lembramos: “Jesus renunciou a muito mais do que isso por mim. Vale a pena sim!”.

Falsas acusações: Qual é o cristão que nunca foi vítima de uma falsa acusação? Já percebeu também que isso acontece com mais intensidade quando você está decidido não só a crer, mas também a servir ao Senhor com dedicação e fidelidade? Essa tática geralmente é usada depois que as gozações, as tentações e a inibição falharam. Mais uma vez, como sempre, é o infeliz lá embaixo, preocupado com o perigo que você representa aos seus propósitos malignos, usando seus instrumentos para tentar te parar por meio de mentiras (Mt 8:44). Mesmo em alguns casos, quando estamos errados, é horrível a sensação de sermos apontados por causa dos nossos erros, imagine então ser acusado de algo que não cometeu. Esse tipo de frustração provoca uma mistura de decepção, raiva, dor e medo, o que causa a perigosa reação primária de desânimo, desejo de vingança, tristeza e preocupação com as consequências. Essa mistura de sentimentos negativos é normal porque, afinal, somos seres humanos, mas como podemos lidar com isso sem perder nossa comunhão espiritual?
    Diante de calúnias, em meio às inevitáveis reações primárias, a primeira atitude de um verdadeiro cristão tem que ser exatamente se lembrar que ele é um cristão. E como um cristão deve reagir nessas situações? As Escrituras Sagradas nos ensinam o equilíbrio da mansidão (Tg 3:13-18), seguido pela sabedoria de uma boa resposta (Cl 4:5,6[8]), a qual, as vezes, também significa permanecer em silêncio, pois nem sempre os argumentos são suficientes para calar os inimigos ou convencer os enganados por eles (Jo 19:9-12[9] [10]). A segunda atitude do autêntico cristão - geralmente momentos depois, já com mais calma - consiste em transformar as negativas reações primárias em positivas. Mas isso é realmente possível? Se você confia mesmo em Deus e está disposto a não perder sua comunhão com Ele, é totalmente possível sim! Primeiro passo: ter sabedoria para transformar o desânimo causado pela decepção em motivação para superar a injustiça (1ª Co 10:13); segundo passo: ter amor para compreender que o caluniador é uma vítima de sentimentos malignos para transformar o desejo de vingança causado pela raiva em razão para ajudar aquela pessoa (Lc 6:28-31; Rm 12:12-14); terceiro passo: buscar forças para superar a dor da tristeza, transformando-a em alegria por saber que maiores são as riquezas espirituais do que as vitórias momentâneas dessa vida (2ª Co 4:17,18); quarto passo: confiar em Deus chegando ao ponto de o medo causado pela preocupação ser substituído pela paz que é proporcionada aos que creem e vivem segundo a sua infalível justiça (1ª Pe 3:11-14). Seguindo essas recomendações - ainda que não necessariamente nessa ordem -, não há falsa acusação que possa derrubar um servo de Deus.

    A Bíblia relata o exemplo de Neemias[11]: um servo fiel que passou por todas essas experiências (Ne 4:1-3[12] [13] [14]; 6:1,2[15] [16]; 6:6,7) e venceu por saber lidar com cada situação agindo com sabedoria (Ne 4:4,5[17] [18]; 6:2; 6:12-14[19]; 4:17-20; 6:3). Seguindo o exemplo de pessoas como ele, aprendemos que defender a fé não é simplesmente, ou exatamente, defender o conteúdo bíblico diante dos ímpios ou de cristãos hereges, mas defender a si próprio não sendo influenciado pelas práticas mundanas. Não há como estarmos preparados para que se cumpram os propósitos divinos em nossa vida se não estivermos firmes na resistência aos males que nos atacam constantemente (Tg 4:7; 1ª Pe 5:8,9). Nossa pregação vai muito além das palavras e dependem muito da nossa conduta. O lema principal de um cristão é influenciar e não ser influenciado; tendo isso em mente, o seu nível de maturidade - que não depende da idade e nem do tempo de ministério -, será cada vez mais evidente, o qual lhe proporcionará respeito, não somente entre os cristãos, mas inclusive entre os ímpios até mesmo nos piores ambientes seculares que você tiver que frequentar. No demais, nosso cuidado consiste em selecionar nossas amizades (Sl 1:1; 1ª Co 15:33,34; Pr 9:6,10[20]; 13:20,21) não nos isolando das pessoas, mas vigiando em nossas atitudes (1ª Co 10:12; Mc 14:38; 1ª Ts 5:17; 1ª Co 10:32).



[1]Principado: Dignidade de príncipe. Território cujo governo pertence a um príncipe ou a uma princesa. Mencionado na Bíblia também em referência a espíritos, sejam eles bons ou maus (1ª Co 15:24; Ef 1:21; 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10,15).
[2]Potestade: Potência, força, poder. A divindade suprema, segundo a religião. Potentado.
[3]Hoste: Tropa, exército beligerante, corpo de exército. Bando, chusma, multidão.
[4]Secular: Pertencente ou relativo a século. Que se observa ou se faz de século a século. Em sentido religioso, se refere àquilo que
[5]Discernir: Saber a diferença; perceber o verdadeiro significado de algo ou a intenção de alguém com clareza.
[6]Publicano: Cobrador de impostos do governo romano. Termo pejorativo que define homens que negociam desonestamente.
[7]Reputado: Considerado; avaliado. Tido por.
[8]Remir: Aproveitar; fazer uso de uma oportunidade. Libertar mediante o pagamento de um preço.
[9]Pilatos: Pôncio Pilatos foi prefeito da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C.. Foi o juiz que condenou Jesus a morrer na cruz, mesmo contra sua vontade, pois não havia achado culpa nEle. Apesar de nesse episódio ele não parecer muito hostil, foi, na verdade, um homem cruel e sanguinário; segundo a história, Pilatos trucidou um grande número de samaritanos, os quais, consequentemente, protestaram ao seu superior, Vitelio, legado provincial da Síria, o qual destituiu Pilatos e o enviou a Roma a desculpar-se com o Imperador. Ele cometeu suicídio por volta do ano 37DC.
[10]César: Nome de uma família romana, da qual Caio Júlio César foi o membro mais famoso. Com o tempo, "César" se tornou o título oficial dos imperadores romanos (Lc 20.25). No Novo Testamento são mencionados quatro césares: Augusto, Tibério, Cláudio e Nero.
[11]Neemias: Significa "Javé Conforta". Judeu, copeiro de Artaxerxes. Liderou um grupo que voltou do Cativeiro Babilônico para Jerusalém, onde foi governador e realizou reformas. Foi um homem de muita habilidade e coragem. É considerado um grande exemplo de liderança; uma de suas obras mais marcantes foi a reconstrução dos muros de Jerusalém sob forte oposição de Sambalate e Tobias. É o provável autor de um livro histórico do Antigo Testamento que leva o seu nome.
[12]Sambalate: O seu nome na língua babilônia é "Sin-Uballit" que significa "Que Sim lhe dê vida" (Sim, na Babilônia, era considerado o deus da lua). Provavelmente nasceu em Bete-Horom, por isso era chamado de hornita. Ele foi o líder dos opositores de Neemias porque se sentia politicamente ameaçado com seu trabalho de edificação dos muros em Jerusalém. Seus filhos, Delaías e Selemias, tinham nomes judeus e sua filha se casou com o filho de um sumo sacerdote, o que dá a entender que ele possa ter feito as pazes com Neemias ou com seu povo.
[13]Samaria: Significa "Torre de Guarda”. Monte situado 12 km a nordeste de Siquém (Am 6:1). Capital do reino do Norte, construída nesse monte por Onri (1º Rs 16:24; Jr 23:13; Os 7:1-7; 8:5-6; Am 4:1). Seu nome atual é Sebastieh. Região central da Terra Santa, abrangendo as tribos de Efraim e Manassés do Oeste. Ao norte ficava a Galiléia; a leste, o Jordão; ao sul, a Judéia; e, a oeste, o Mediterrâneo (2º Rs 17:24-26; At 1:8).
[14]Tobias: Um amonita que foi um dos principais opositores à Neemias na reconstrução de Jerusalém. Era um provável oficial de alto escalão do governo persa. Ele e seus filhos se casaram com mulheres judias. Embora tenha sido recebido no Templo pelo sumo sacerdote Eliasibe, foi expulso por Neemias.
[15]Gesém: Chamado na Bíblia de arábio, acredita-se que foi um governador edomitas ou persa. Juntamente com Sambalate e Tobias, foi um dos principais opositores de Neemias na reconstrução de Jerusalém.
[16]Ono: Citado no livro de Neemias (Ne 6:2), esse vale ficava a mais ou menos 32 quilômetros de Jerusalém.
[17]Opróbrio: Desonra; vergonha.
[18]Despojo: O que que se tirou do inimigo depois de vencê-lo (Sl 119:162; Lc 11:22).
[19]Noadias: Em hebraico significa "Encontro com Javé". A Bíblia relata a existência de duas pessoas com esse nome: 1) Um levita, filho de Binui, que pesou os utensílios de ouro e prata pertencentes ao templo que foram trazidos de volta da Babilônia (Ed 8:33).  2) Uma profetiza que uniu-se a Sambalate e Tobias na sua tentativa de intimidar Neemias (Ne 6:14).
[20]Blandícia: Blandície. Afago, carinho, brandura. Palavras doces e convincentes.