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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nota de Ressurreição

O túmulo de Cristo vazio vai
muito além do milagre de uma
ressurreição: ele significa uma
porta aberta para a eternidade
sem a necessidade de sacrifícios,
dependendo apenas da
obediência à Palavra de Deus.
Isso quer dizer que ensinar o
povo a sacrificar ou se apegar
a rituais da Antiga Lei, nada
mais é do que tentar invalidar
a Graça que Ele nos deu.
    É com muito prazer que venho comunicar aos senhores adeptos da antiga Lei[1] que um homem nazareno, chamado pelo nome de Jesus, de 33 anos de idade, tendo sido crucificado, veio a ressuscitar três dias após a execução da sua condenação à pena de morte (Lc 24:1-7[2]) pelos doutores da Lei e sacerdotes, os quais persuadiram o governo romano a isso sob uma série de falsas acusações (Mt 26:59-61; Lc 23:1-3). Suas cerimônias fúnebres foram canceladas devido ao fato de seu túmulo encontrar-se vazio, e quem quiser prestar-lhe as devidas homenagens deve procurar encontra-lo pessoalmente em um culto coletivo ou individual, com o coração arrependido e não levar condolências ou lamentos, mas alegria e disposição para festejar, além da ressurreição, a vida eterna que Ele prometeu a todos os que o amarem incondicionalmente até a sua volta, pois o Mesmo garantiu também que para onde Ele foi levará todos aqueles que honrarem fielmente a sua memória (Jo 14:2-4,15). Informo ainda que com esse “inesperado” acontecimento, Ele nos incluiu como herdeiros em seu Testamento fazendo-nos participantes de uma dispensação[3] chamada Graça[4] (Ef 1:7[5] [6]; 2:8), a qual torna desnecessários e inválidos os rituais e sacrifícios voltados ao perdão de pecados (Hb 10:8-10[7]) e às supostas conquistas financeiras. Em decorrência disso, não mais estamos sob a necessidade da mediação de sacerdotes ou profetas para nosso contato com o Pai Celestial, pois, para esse fim, Ele nos concedeu o Consolador, pelo qual temos acesso direto a Ele (Jo 14:16,17).
    O motivo desse “esclarecimento” é o fato de que muitos cristãos vivem como se Cristo não tivesse ressuscitado, ou pior: como se o seu sacrifício não tivesse valor algum. Estamos convivendo com organizações religiosas - não sei se devo chamar de igrejas -, cujos líderes se colocam como portadores especiais de dons divinos, comportando-se como profetas e sacerdotes do Antigo Pacto querendo ser encarados como mediadores entre o homem e Deus, limitando “bênçãos” à sacrifícios - sempre financeiros -, os quais devem ser entregues a eles, e assim agem sem expor a devida base bíblica que os autoriza a isso (2º Rs 5:14-16; Mt 10:8-11). O incentivo à busca por meio da oração e ao conhecimento da Palavra tem sido deixado de lado, pois, através dos mesmos, seus seguidores descobririam que o véu[8] foi rasgado e não mais apenas os “homens de Deus” podem entrar no santo dos santos[9], porque estamos vivendo sob a Graça e não mais a Lei (Rm 7:4). Sabe como a Bíblia classifica isso? Dominar o povo a seu bel prazer (Cl 2:8)!
    Tais líderes estão em pecado? Isso é a consciência de cada um que deve responder, pois é sim possível que muitos deles sejam verdadeiramente usados por Deus (Mt 7:21-23[10]); no entanto, muitos também são usados pelo inimigo (2ª Co 11:13-15). Porém, cabe a nós a busca por discernimento espiritual para não sermos enganados (1ª Co 12:8-10; At 5:3). E sabe por que devemos nos preocupar com isso? Reflita bem: o que acontece com um cego que é guiado por outro cego (Lc 6:39)? Sei que aí você pode até me questionar: “Mas a Bíblia não diz que o joio[11] deve crescer junto com o trigo? Nós não podemos julgar!” Sim. Realmente. Mas nem por isso você vai “comer” o joio também, vai? No que se refere a julgamento, não podemos julgar a vida particular da pessoa, pois isso cabe a ela mesma e ao próprio Deus (1ª Co 11:28ª; 2ª Co 13:5); porém, no que se refere ao serviço ministerial, devemos julgar sim (1ª Jo 4:1), porque isso envolve a todos influindo em seu futuro espiritual (Ap 2:20).
    Conscientemente ou não, judaizar a Graça - nada contra o judaísmo - nada mais é do que dizer: “Jesus, seu sacrifício não tem validade pra mim!”. A utilização de elementos existentes no antigo Templo é restrita aos judeus na época da Lei. Não há, no Novo Testamento, nenhuma afirmação que demonstre alguma aprovação à prática de atos típicos da Lei Mosaica como, por exemplo, imagens que representem ou lembrem a Arca da Aliança, o castiçal, altares de sacrifícios, entre outros símbolos que apenas serviam para representar a presença e o acesso à Deus numa época em que ainda não havia sido derramado o Espírito Santo sobre o seu povo. A situação é exatamente o contrário disso: as Escrituras Sagradas são claras ao afirmar que tais coisas e atitudes demonstram que seus praticantes ainda estão sob o jugo da Lei (Hb 8:12,13; 2ª Co 5:17).
    Do mesmo modo, inserir à liturgia de culto a repetição de fatos ocorridos com servos do Senhor no passado como, por exemplo, os mergulhos de Naamã, o cajado de Moisés, a capa de Elias, as pedrinhas de Davi, como também várias invenções como lenços, ferramentas de pedreiro, produtos de higiene pessoal, canetas e os mais variados objetos “ungidos”, embora, teoricamente, possa surtir algum efeito como estímulo de fé, na prática, apenas retrata o desinteresse de tais líderes em ensinar os fiéis que a verdadeira fé consiste em crer no invisível (Hb 11:1), porque apegar-se a objetos para materializar uma crença significa simplesmente praticar superstição, ato esse muito próximo à idolatria: algo condenado por Deus (1ª Co 10:14; 1ª Jo 5:21). Certo, eu sei que a Bíblia fala dos lencinhos do apóstolo Paulo (At 19:11,12); no entanto, ela atribui os milagres a Deus e não aos objetos, e também não relata em que circunstâncias isso aconteceu, não o mostra pedindo dinheiro em troca deles, e tampouco foi isso pregado como doutrina a ser seguida pela Igreja. Ah! E a mesma regra se aplica à sombra de Pedro (At 5:15,16). Quer ser abençoado? Coloque-se diante de Jesus em agradecimento pelo seu sacrifício, tendo a consciência de que será ouvido e atendido segundo os propósitos dEle (1ª Jo 5:14,15) e não em troca de seus próprios “sacrifícios” ou crenças em amuletos de sorte.
    Algumas ramificações do cristianismo costumam lamentar a morte de Cristo e lembra-la como se estivessem num funeral. Tais cristãos não atentam para o fato de que sua crucificação foi o fator essencial para que hoje tivéssemos acesso à Graça, sendo justificados pela fé e não por obras, sacrifícios e cumprimentos de rituais conduzidos por sacerdotes humanos (Hb 9:6-9). Sua morte nos proporcionou liberdade para com o Pai (Hb 9:13,14), alegria e autoridade espiritual (Lc 10:17-20), direito ao exercício ministerial que antes era restrito aos levitas[12] (1ª Pe 2:5,9) e o privilégio de não sermos apenas seguidores de uma religião, mas membros de um Corpo (1ª Co 12:27; Cl 1:24) e também filhos de Deus (Rm 8:14,15). Diferentemente dos israelitas, para os quais o sangue de animais derramado lembrava sua libertação do Egito, o sangue de Jesus, para nós, representa nossa libertação do pecado: uma oportunidade pessoal e voluntária de salvação. Resumindo: a morte de Jesus é vida, e vida com abundância (Jo 10:9-11)! Ele está vivo (Mc 16:6)! Espalhe essa notícia (Mc 16:15)!


[1]Lei: É um termo usado com frequência na Bíblia; para definir um código de leis formado por mandamentos, ordens e proibições. Segundo as Escrituras hebraicas, a Lei foi dada por Deus através do profeta Moisés, tendo sido os Dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra pelo próprio dedo de Deus no monte Sinai, a tábua dos dez mandamentos. Pode ser resumida nos Dez Mandamentos, que em língua hebraica são chamados simplesmente de "As Dez Palavras" ou "Os Dez Ditos". Os Dez Mandamentos regulamentam a relação do ser humano com Deus e com seu próximo. Para fins didáticos, o Código Mosaico pode ser dividido em Leis Morais, Leis Civis e Leis Religiosas (Leis Cerimoniais). As leis cerimoniais, regulavam o ministério no santuário do Tabernáculo e, posteriormente, no Templo. Elas tratavam também da vida e do serviço dos sacerdotes e encontram-se descritas especialmente no Livro chamado Levítico.
[2]Especiaria: Qualquer coisa de cheiro agradável, especialmente planta, usada para dar mais sabor aos alimentos ou bebidas. O cravo, a canela, a pimenta são especiarias (Is 39:2; Ap 18:13).
[3]Dispensação: Da parte de Deus, o plano de salvação da humanidade (Ef 1:10; 3:9). Da parte do ser humano, "dispensação" é trabalho ou missão que visa à aplicação do plano divino em favor da humanidade (1ª Co 9:17; Ef 3:2; Cl 1:25).
[4]Graça: Favor imerecido ou não merecido. O vocábulo Graça provém do latim gratia, que deriva de gratus (grato, agradecido) e que em sua primeira acepção designa a qualidade ou conjunto de qualidades que fazem agradável a pessoa que as têm. Teologicamente, refere-se ao período que se iniciou com a morte de Cristo na cruz, o qual pôs fim às rígidas imposições da Lei mosaica, colocando em vigor o Novo Testamento.
[5]Redenção: Libertação.
[6]Remissão: Ato ou efeito de remir, livrar. Indulgência, misericórdia. Expiação, perdão.
[7]Oblação: Palavra do latim "oblatio" que significa "oferta". Ação pela qual se oferece qualquer coisa a Deus. Oferta a Deus. Oferta sacrifical comestível.
[8]Véu: Pano com que as mulheres cobrem a cabeça e/ou o rosto (Is 3:23). A cortina que, no tabernáculo e no Templo, separava o Santo Lugar do Santíssimo Lugar (Êx 26:33; Mt 27:51).
[9]Santo dos santos: A parte mais sagrada do Tabernáculo e do Templo, onde ficava a Arca da Aliança e onde o sumo sacerdote só entrava uma vez por ano. Era separado do santo lugar por uma cortina (Êx 26:33,34; Hb 9:3-7).
[10]Iniquidade: Falta de equidade (retidão). Pecado que consiste em não reconhecer igualmente o direito de cada um, em não ser correto, em ser perverso. Erro consciente.
[11]Joio: Erva ruim que cresce nas plantações de trigo (Mt 13:25).
[12]Levita: Membro da tribo de Levi (um dos filhos de Jacó). Foi a tribo escolhida por Deus para cuidar dos trabalhos sagrados. Todos os sacerdotes também tinham que ser levitas. Os levitas serviam no santuário, ajudavam nos sacrifícios, carregavam a arca da aliança, ensinavam e tinham o direito de ser sustentados com os dízimos e as ofertas. Sua história e suas funções está registrada detalhadamente no livro de Levíticos.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O que a Bíblia Diz Sobre Orar Pelos Mortos?

Não há como iluminar o caminho
de alguém que já se foi; pois se
em vida ele não andava na luz,
não há quem possa salvá-lo das
trevas agora.
    Muitos crentes novos convertidos que saíram do catolicismo, questionam algumas práticas da doutrina evangélica, as quais vão contra aquilo que eles aprenderam durante anos. Uma dessas práticas é a não aceitação da oração pelos mortos. Por razões de sentimentalismo humano, é claro que entendemos a lógica da vontade de fazer algo pelos entes queridos que se foram; porém, como servos do Senhor, sabemos que a razão tem que estar acima da emoção, e a nossa razão é direcionada pela Bíblia, a qual reconhecemos ser a autêntica e inerrante Palavra de Deus. Sendo assim, diante dessa, como de qualquer outra questão, temos a obrigação de perguntar: “O que as Escrituras Sagradas dizem sobre isso?”.
    Uma das afirmações mais claras sobre o assunto se encontra em Hebreus 9:27, que diz: “[...] aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo,”. Essa declaração não deixa dúvida alguma: depois da morte, o que ocorre é apenas o juízo, ou seja: o julgamento, e isso é tanto para a salvação quanto para a condenação. Não há aqui nenhuma brecha que nos permita entender que entre a morte e o julgamento exista alguma oportunidade de mudança do veredito[1] divino através de orações intercessórias, sacrifícios ou quaisquer outros meios conhecidos e praticados nas mais diversas religiões.
    Obviamente, não podemos negar que aqueles que defendem a prática das orações pelos finados utilizam sim a Bíblia; os mesmos se apoiam num texto do Antigo Testamento contido no livro de 2º Macabeus 12:32-45, que diz que, depois que alguns judeus foram mortos numa batalha contra Górgias[2], o então governador da Iduméia[3], enquanto Judas[4] Macabeus[5] e seus soldados recolhiam os corpos para sepultá-los, descobriram escondidos em suas roupas objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia[6], os quais a Lei proibia terminantemente aos israelitas. Ao saber que os falecidos haviam cometido tal pecado, puseram-se em oração rogando que os mesmos fossem perdoados e fizeram uma coleta juntando quase duas mil dracmas[7] de prata, enviando-as a Jerusalém como sacrifício expiatório[8] para indulgência[9] daquelas almas. Há aí dois pontos de extrema importância a serem observados que podemos considerar como falhas na teologia católica:
    Primeiro: Os livros de Macabeus são considerados apócrifos[10] e, além do mais, no texto que se segue, é dito que “se Judas não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos”; isso mostra que, ainda que esse livro fosse inspirado por Deus, esse trecho seria apenas uma narrativa histórica da fé e da opinião particular de um homem, - o qual, como todos, é sujeito a erros de interpretação, até mesmo porque, na época, havia uma grande influência de povos pagãos que acreditavam nisso  - e não uma determinação divina para se orar pelos falecidos.
    Segundo: Essa linha de raciocínio vai totalmente contra os padrões doutrinários ensinados na Bíblia. Pois a própria santificação seria algo sem sentido sendo que alguém poderia interceder por minha salvação após minha morte; sendo assim, por que eu obedeceria a Deus? Mas, ao contrário disso, a Palavra nos alerta que sem santificação ninguém será salvo (Hb 12:14).
    Finalizando, bem sabemos que na passagem da vida para a morte, imediatamente, os salvos gloriosamente encontrarão a Cristo (Lc 23:43), não havendo assim necessidade que se ore por eles; enquanto que os condenados, infelizmente, partirão direto para a condenação eterna (Lc 16:22,23[11]), num lugar de onde não mais se pode sair (Lc 16:26), não sendo possível aos vivos fazerem absolutamente nada por eles; fato esse que também desmente a existência do que seria uma tal “sala de espera” para o julgamento chamada purgatório[12].



[1]Veredito: Ou veredicto: Decisão de um júri ou de qualquer outro tribunal judiciário acerca de uma causa cível ou criminal. Juízo pronunciado em qualquer matéria. Opinião autorizada. Ratificação.
[2]Górgias: Foi um general sírio-selêucida do século II a.C., que serviu ao rei Antíoco Epifanes.
[3]Iduméia: Foi um reino ao sul da Jordânia no primeiro milênio aC. na Idade do Ferro. A região tem muito arenito avermelhado, que pode ter dado origem ao nome. Povo originado por Edom (Esaú). Os edomitas foram um grupo tribal vizinhos de Judá ao sul, de língua semítica habitantes do Deserto de Negev e do vale de Arabá do qual é hoje o sul do Mar Morto e vizinho ao Jordão.
[4]Judas: Na Bíblia existem sete Judas: 1) Iscariotes, escolhido por Jesus para ser apóstolo (Mt 10:4), sendo o tesoureiro do grupo (Jo 12:6). Traiu a Jesus (Mt 26:47-49) e, depois, enforcou-se (Mt 27:3-5; At 1:16-19). 2) Irmão de Jesus (Mt 13:55) e provável autor da carta que leva seu nome (Epístola de Judas). 3) Apóstolo, filho de Tiago, também chamado de Tadeu (Mt 10:3; Lc 6:16). 4) Cristão de Damasco, em cuja casa Paulo se hospedou, após sua conversão (At 9:11). 5) Cristão que se destacou na igreja de Jerusalém, também chamado de Barsabás (At 15:22-32). 6) O Galileu, um revolucionário (At 5:37). 7) Macabeu, chefe da revolta dos macabeus (Sua história está registrada nos livro apócrifos 1º e 2º Macabeus).
[5]Macabeus: Nome dado a uma família de judeus, também conhecida como Hasmoneus, que liderou a revolta contra a Síria, governada por Antíoco IV Epífanes. O chefe da revolta foi Matatias, cujo bisavô se chamava "Hasmoneu", provavelmente da cidade de Hasmoná. "Macabeu", que quer dizer "martelo", era o apelido de Judas, o maior de seus líderes e um dos filhos de Matatias. A revolta começou em 167 aC., e a família continuou a governar o povo judeu até 63 aC.
[6]Jâmnia: É uma cidade de Israel, no distrito Central. Era conhecida como Iamnia ou Jamnia durante o período romano. Segundo o livro apócrifo 2º Macabeus, era um lugar aonde havia muita idolatria.
[7]Dracma: O mesmo que darico: uma moeda de ouro que pesava 8,4 g (1ºCr 29:7)). No Novo Testamento, moeda grega de prata que tinha o mesmo valor do denário (Lc 15:8).
[8]Expiatório: Que serve de expiação (cumprimento de pena imposta para pagamento por crime ou erro).
[9]Indulgência: Qualidade de indulgente. Clemência. Condescendência, tolerância. Remissão total ou parcial das penas relativas aos pecados. Perdão. Absolvição plena das penas temporais. 
[10]Apócrifo: Que não foi reconhecido como devidamente inspirado. Que não é do autor a que se atribui. Teologicamente, refere-se aos também conhecidos como Livros Pseudo-canônicos: são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs (ou seja, há livros apócrifos do Antigo Testamento) nos quais os pastores e a primeira comunidade cristã não reconheceram a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo e, portanto, não foram incluídos no cânon bíblico. esse termo foi criado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo (um período de 400 anos). São livros que, segundo a religião em questão, não foram inspirados por Deus e que não fazem parte de nenhum cânon. São também considerados apócrifos os livros que não fazem parte do cânon da religião que se professa. Alguns deles são aceitos pela Igreja Católica (Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque e também as adições em Ester e Daniel).
[11]Hades: Lugar dos maus; também traduzido como inferno (Mt 11:23;16:18; Lc 10:15; 16:23; At 2:27,31; Ap 1:18; 6:8; 20:13,14). Na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos.
[12]Purgatório: É uma errônea visão da teologia católica que define a condição e processo de purificação, ou castigo temporário em que as almas daqueles que morrem em estado de graça são preparadas para o Reino dos céus.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Ao Pregador com Carinho

    O texto abaixo não visa generalizar, pois não se refere a todos os pregadores e nem pretende ofender ninguém, mas apenas trazer uma mensagem de reflexão em tom irônico.

Todo bom pregador
deve saber que ele é
o mensageiro e não o
dono da mensagem
    Caro amigo pregador, aqui quem fala é só mais um ouvinte da Palavra de Deus que não aguenta mais presenciar tantas baboseiras nos púlpitos. Não quero ser irônico, mas as vezes não dá para evitar, pois tenho notado que na desesperada tentativa de agradar ao público, você têm deixado de agradar a Deus. Sei que a situação não está muito fácil, mas isso não te dá razão para achar que tem o direito de transformar a pregação do Evangelho num meio de vida, pois ela é, na verdade, um meio de ganhar vidas. Jesus nos ensinou a orar colocando a vontade de Deus em primeiro lugar, mas, muitas vezes, você têm se colocado no lugar dEle considerando suas próprias vontades em primeiro lugar e ensinando às pessoas que elas podem conseguir tudo determinando o que querem e fazendo sacrifícios financeiros. Sei também que você não é mal intencionado, mas, mesmo sem perceber, tem causado grandes estragos na mente de pessoas acomodadas que não se preocupam em examinar as Escrituras, pois elas acreditam em suas palavras. Não pretendo ser implicante, apenas levo as coisas espirituais muito a sério, pois não quero ser reprovado naquele grande Último Dia, e acho que você deveria ter a mesma preocupação. Pensando nisso, resolvi te ajudar preparando dez dicas de como deve agir um bom pregador:

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD   |  3º Trimestre de 2013 - Filipenses - Lição 9 |  Jonas M. Olímpio

Os inimigos da cruz de Cristo
são aqueles que a usam em seu
próprio benefício; combatê-los
é a obrigação daqueles que
servem e honram
verdadeiramente ao Senhor
colocando a si mesmos em
segundo plano
Leitura Bíblica em Classe - Fp 3:17-21

Texto Áureo - “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo (Fp 3:18),”

Verdade Prática - A cruz de Cristo é o ponto central da fé cristã; sem ela não pode haver cristianismo.

ESBOÇO DO COMENTÁRIO RESUMIDO

INTRODUÇÃO
- Uma das coisas que o apóstolo Paulo mais fez questão de alertar os irmãos foi contra os falsos cristãos que haviam se infiltrado na igreja.
- A igreja precisa ter discernimento espiritual para diferenciar entre a voz de Deus, a voz do Diabo e a voz do homem (Jo 10:5,11-14).

I - EXORTAÇÃO À FIRMEZA EM CRISTO
1 - Imitando o exemplo de Paulo
- Paulo, tendo uma vida  íntegra e honrada, colocou-se como exemplo para a  igreja, não por presunção, mas como modelo de comportamento para que os cristãos não chegassem a ser vítimas de pessoas mal intencionadas.
- Paulo era digno de ser imitado porque ele imitava a Cristo (1ª Co 11:1,2).

sábado, 26 de janeiro de 2013

Elias e os Profetas de Baal


Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD   |  1º Trimestre de 2013 - Lição 4  |  Jonas M. Olímpio

Somente o poder de
Deus em nossa vida é
capaz de fazer, através
de nós, que o inimigo
seja derrotado, o povo
se prostre diante do
verdadeiro Deus e o
nome do Senhor seja
glorificado


TEXTO ÁUREO
    Então, Elias[1] se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; e, se Baal[2], segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada (1º Rs 18:21).

VERDADE PRÁTICA
    O confronto entre Elias e os profetas de Baal marcou definitivamente a separação entre a verdadeira e a falsa adoração em Israel.

PALAVRA-CHAVE
    Falso: Contrário a realidade; fingimento, dissimulação, dolo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1º Reis 18:36-40
36Sucedeu, pois, que, oferecendo-se a oferta de manjares[3], o profeta Elias se chegou e disse: Ó SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua palavra fiz todas estas coisas.
37Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo conheça que tu, SENHOR, és Deus e que tu fizeste tornar o seu coração para trás.

domingo, 28 de outubro de 2012

A recusa da transfusão de sangue

Colocar a vida humana em 
risco em nome de uma crença: 
prova de fé ou fanatismo 
religioso?
    Uma das mais conhecidas doutrinas do grupo religioso Testemunhas de Jeová é a proibição da transfusão de sangue. Tal prática é seguida e respeitada por seus membros desde 1945, quando seu Corpo Governante, sob o comando de Nathan Knorr, assim determinou, sendo que, antes disso, seu próprio fundador, Charles Taze Russel - falecido em 1916 -, chegou a defendê-la, e Joseph Franklin Rutheford, seu sucessor - falecido em 1942 -, jamais se pronunciou contra ela. Como bem sabemos, esse grupo é conhecido por suas peculiares regras, muitas vezes extravagantes, as quais eles defendem radicalmente em nome de uma fé baseada no que está escrito em sua Bíblia: a Tradução do Novo Mundo.
Muitos pacientes membros da
seita somente puderam receber
os devidos cuidados médicos
mediante a intervenção da
Justiça, como o caso que
vemos acima (clique para
ampliar e leia o texto).
    Ao longo dos tempos, essa prática tem causado muita polêmica e provocado sérios problemas aos seus praticantes. São muitos os casos de membros da associação que tiveram sérios agravamentos de doenças e vários outros que chegaram até mesmo a morte por recusarem uma transfusão. Inclusive, alguns profissionais da área da saúde respondem a processos por permitirem a interferência de familiares que os impediram de realizar uma troca de sangue; pois, médicos especialistas, quando tomam uma decisão, têm - ou deveriam ter - total autonomia sobre o paciente para procederem com todas as medidas necessárias exigidas no tratamento priorizando a vida humana, não importando quais princípios religiosos, morais ou sociais isso venha a ferir; e os que se recusam a tomar as medidas corretas - tanto os profissionais quanto os familiares - podem ser devidamente indiciados por omissão de socorro e até mesmo por homicídio.
    Biblicamente, as argumentações utilizadas pelos seus Almeida Revista e Corrigida (ARC), a Tradução do Novo Mundo (TNM); vejamos alguns dos versículos mais utilizados em relação a esse assunto:
O sangue - tanto humano 
quanto animal - era derramado 
na terra como símbolo da 
devolução da vida para onde 
ela veio; porém, apesar do 
sangue não poder ser usado 
como alimento, Deus não o 
proibiu de usá-lo para salvar 
outras vidas.
teólogos são as seguintes: desde a criação do homem, até o estabelecimento da lei mosaica, e com confirmações no Novo Testamento, as Escrituras Sagradas revelam uma postura divina totalmente contrária a utilização do sangue, porque ele representa a vida e deve ser devolvido a terra. Realmente, não podemos negar essa realidade, mas o que questionamos é a interpretação fora de contexto e a sua aplicação na prática. Analisemos, então, biblicamente essa questão e, para que não pareça haver imparcialidade ou perseguição religiosa, usaremos, além da versão

  •     Gênesis 9:4
    (ARC) "A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis."
    (TNM) "Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer."

  •     Levítico 3:17
    (ARC) "Estatuto perpétuo é pelas vossas gerações, em todas as vossas habitações: nenhuma gordura nem sangue algum comereis."
    (TNM) "É um estatuto por tempo indefinido para as vossas gerações, em todos os vossos lugares de morada: Não deveis comer nenhuma gordura nem sangue algum."

  •     Levítico 7:27
    (ARC) "Toda a pessoa que comer algum sangue, aquela pessoa será extirpada do seu povo."
    (TNM) "Toda alma que comer qualquer sangue, esta alma terá de ser decepada do seu povo."

  •     Levítico 17:10,11,14
    (ARC) "E qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei a minha face, e a extirparei do seu povo. 11Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma. 14Porquanto a vida de toda a carne é o seu sangue; por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o comer será extirpado."
    (TNM) "Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei minha face contra a alma que comer o sangue, e deveras o deceparei dentre seu povo. 11Pois a alma da carne está no sangue, e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma [nele]. 14Pois a alma de todo tipo de carne é seu sangue pela alma nele. Por conseguinte, eu disse aos filhos de Israel: “Não deveis comer o sangue de qualquer tipo de carne, porque a alma de todo tipo de carne é seu sangue. Quem o comer será decepado [da vida]."

  •     Levítico 19:26
    (ARC) "Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis."
    (TNM) "Não deveis comer coisa alguma com sangue. Não deveis procurar presságios e não deveis praticar a magia."

  •     Atos 15:19,20,29; 21:25
    (ARC) "Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. 20Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. 29Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. 21:25Todavia, quanto aos que creem dos gentios, já nós havemos escrito, e achado por bem, que nada disto observem; mas que só se guardem do que se sacrifica aos ídolos, e do sangue, e do sufocado e da prostituição."
    (TNM) "Por isso, a minha decisão é não afligir a esses das nações, que se voltam para Deus, 20mas escrever-lhes que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue. 29de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós! 21:25Quanto aos crentes dentre as nações, já avisamos, dando a nossa decisão, de que se guardem do que é sacrificado a ídolos, bem como do sangue e do estrangulado, e da fornicação."

Na tentativa de alcançar a cura por 
meio de tratamentos alternativos, 
nem sempre se obtém sucesso: esse
foi o caso de José Mestre, 
Testemunha de Jeová convicto que 
recusou transfusão de sangue e um 
simples tumor que poderia ser 
removido chegou a 15 quilos e o 
deixou cego da vista esquerda.
    Como podemos observar - em ambas as versões -, nas cinco referências citadas do Antigo Testamento, a determinação divina fala claramente sobre a proibição de comer sangue, e nas referências de Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, quando falam de se abster das contaminações dos ídolos, as quais consistem em sangue e carne sufocada, ou seja: carne de um animal morto que não teve seu sangue derramado, os textos referem-se a mesma coisa: não comer sangue. Além do mais, essas declarações se referem a sangue animal e não humano; caso contrário, haveria então canibalismo entre o povo de Deus? Como é perfeitamente possível perceber, o verbo comer, e citações diretas a ele, estão explicitamente claras nessas afirmações bíblicas. Literalmente, na lingua portuguesa, o significado da palavra comer é definido como "levar à boca, mastigar e engolir; tomar por alimento. Carcomer, roer, consumir."; sendo assim, deve-se concluir que somente se considera "comer" o ato de "levar à boca e engolir". Dessa forma, as interpretações bíblicas que utilizam esses versículos para justificar a proibição da transfusão estão equivocadas, pois esse processo de tratamento consiste em injetar o sangue nas veias por meio de agulhas para suprir uma necessidade vital do organismo e não na boca para exercer uma função alimentar.
A Bíblia é a base de fé e regra de  
conduta de todos os cristãos, mas, 
se for mal interpretada pelas 
lideranças religiosas, em vez de 
conduzir à salvação, pode levar 
ao abismo.
    Por que Jeová nos proibiu de comer sangue? Primeiramente, é uma questão de respeito pela vida; pois um animal morto, enquanto tem sangue, ainda está portando dentro de si aquilo que o mantinha vivo: a circulação sanguínea é responsável pela manutenção de toda a sua estrutura orgânica, pois as suas principais funções são transportar oxigênio, coagular em caso de hemorragia e transportar nutrientes. Além disso, outras grandes razões que tornam o sangue indigesto são os fatos de que, além de ter um péssimo sabor, ele é anti-higiênico, sendo nocivo à saúde por conter um alto poder de contaminação; e, quando cessa sua vida,  apodrece rapidamente: seu cheiro torna-se insuportável e ele acaba sendo composto por várias toxinas venenosas. Inquestionavelmente, os princípios divinos estão ligados aos cuidados com a saúde do ser humano; porém, como já observamos em nossa análise linguística, comer nada tem a ver com fazer transfusão.
São várias as histórias de fiéis que 
perderam sua vida em nome de sua 
fé em Deus; não podemos julgar o 
destino dessas almas, porém, o 
preço de cada uma delas será 
devidamente cobrado daqueles que 
as conduziram ao erro.
    A transfusão faz-se necessária quando o indivíduo perde uma grande quantidade de sangue, pois a composição sanguínea representa 1/13 do peso total do corpo humano, ou seja: uma pessoa que pesa 65 quilos tem 5 litros de sangue, e ela não consegue sobreviver se perder a metade desse líquido. O processo dessa perda é chamado de dessangramento: ele provoca uma anemia aguda, a qual proporciona graves consequências, inclusive a morte. Quando isso ocorre, o salvamento de sua vida somente é possível através da substituição da quantidade que foi perdida, e a única maneira de fazer essa reposição é através da transfusão.
Com seu sangue Ele nos salvou, 
o que temos feito pela vida do 
nosso próximo?
    As Testemunhas de Jeová - apesar das falhas de interpretação - demonstram ter um grande zelo pelas leis de Deus, incluindo as determinações do Antigo Testamento. Porém, já que - não lhes bastando a graça de Cristo - querem cumprir a lei mosaica, por que não a cumprem literalmente (Gl 5:3,4)? Sei que seria demais esperar que eles apedrejassem os pecadores que possivelmente venham a existir em seu meio (Lv 20:1-27), mas o que nos decepciona é que impedindo o salvamento de vidas, eles estão violando um dos mais nobres mandamentos: "não matarás." (Êx 20:13; Dt 5:17). Ser contra a transfusão é desrespeitar o grande exemplo dado pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pois foi Ele quem fez a maior doação de sangue de todos os tempos (Ef 2:13; 1ª Jo 3:16).

Jonas M. Olímpio