quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nota de Ressurreição

O túmulo de Cristo vazio vai
muito além do milagre de uma
ressurreição: ele significa uma
porta aberta para a eternidade
sem a necessidade de sacrifícios,
dependendo apenas da
obediência à Palavra de Deus.
Isso quer dizer que ensinar o
povo a sacrificar ou se apegar
a rituais da Antiga Lei, nada
mais é do que tentar invalidar
a Graça que Ele nos deu.
    É com muito prazer que venho comunicar aos senhores adeptos da antiga Lei[1] que um homem nazareno, chamado pelo nome de Jesus, de 33 anos de idade, tendo sido crucificado, veio a ressuscitar três dias após a execução da sua condenação à pena de morte (Lc 24:1-7[2]) pelos doutores da Lei e sacerdotes, os quais persuadiram o governo romano a isso sob uma série de falsas acusações (Mt 26:59-61; Lc 23:1-3). Suas cerimônias fúnebres foram canceladas devido ao fato de seu túmulo encontrar-se vazio, e quem quiser prestar-lhe as devidas homenagens deve procurar encontra-lo pessoalmente em um culto coletivo ou individual, com o coração arrependido e não levar condolências ou lamentos, mas alegria e disposição para festejar, além da ressurreição, a vida eterna que Ele prometeu a todos os que o amarem incondicionalmente até a sua volta, pois o Mesmo garantiu também que para onde Ele foi levará todos aqueles que honrarem fielmente a sua memória (Jo 14:2-4,15). Informo ainda que com esse “inesperado” acontecimento, Ele nos incluiu como herdeiros em seu Testamento fazendo-nos participantes de uma dispensação[3] chamada Graça[4] (Ef 1:7[5] [6]; 2:8), a qual torna desnecessários e inválidos os rituais e sacrifícios voltados ao perdão de pecados (Hb 10:8-10[7]) e às supostas conquistas financeiras. Em decorrência disso, não mais estamos sob a necessidade da mediação de sacerdotes ou profetas para nosso contato com o Pai Celestial, pois, para esse fim, Ele nos concedeu o Consolador, pelo qual temos acesso direto a Ele (Jo 14:16,17).
    O motivo desse “esclarecimento” é o fato de que muitos cristãos vivem como se Cristo não tivesse ressuscitado, ou pior: como se o seu sacrifício não tivesse valor algum. Estamos convivendo com organizações religiosas - não sei se devo chamar de igrejas -, cujos líderes se colocam como portadores especiais de dons divinos, comportando-se como profetas e sacerdotes do Antigo Pacto querendo ser encarados como mediadores entre o homem e Deus, limitando “bênçãos” à sacrifícios - sempre financeiros -, os quais devem ser entregues a eles, e assim agem sem expor a devida base bíblica que os autoriza a isso (2º Rs 5:14-16; Mt 10:8-11). O incentivo à busca por meio da oração e ao conhecimento da Palavra tem sido deixado de lado, pois, através dos mesmos, seus seguidores descobririam que o véu[8] foi rasgado e não mais apenas os “homens de Deus” podem entrar no santo dos santos[9], porque estamos vivendo sob a Graça e não mais a Lei (Rm 7:4). Sabe como a Bíblia classifica isso? Dominar o povo a seu bel prazer (Cl 2:8)!
    Tais líderes estão em pecado? Isso é a consciência de cada um que deve responder, pois é sim possível que muitos deles sejam verdadeiramente usados por Deus (Mt 7:21-23[10]); no entanto, muitos também são usados pelo inimigo (2ª Co 11:13-15). Porém, cabe a nós a busca por discernimento espiritual para não sermos enganados (1ª Co 12:8-10; At 5:3). E sabe por que devemos nos preocupar com isso? Reflita bem: o que acontece com um cego que é guiado por outro cego (Lc 6:39)? Sei que aí você pode até me questionar: “Mas a Bíblia não diz que o joio[11] deve crescer junto com o trigo? Nós não podemos julgar!” Sim. Realmente. Mas nem por isso você vai “comer” o joio também, vai? No que se refere a julgamento, não podemos julgar a vida particular da pessoa, pois isso cabe a ela mesma e ao próprio Deus (1ª Co 11:28ª; 2ª Co 13:5); porém, no que se refere ao serviço ministerial, devemos julgar sim (1ª Jo 4:1), porque isso envolve a todos influindo em seu futuro espiritual (Ap 2:20).
    Conscientemente ou não, judaizar a Graça - nada contra o judaísmo - nada mais é do que dizer: “Jesus, seu sacrifício não tem validade pra mim!”. A utilização de elementos existentes no antigo Templo é restrita aos judeus na época da Lei. Não há, no Novo Testamento, nenhuma afirmação que demonstre alguma aprovação à prática de atos típicos da Lei Mosaica como, por exemplo, imagens que representem ou lembrem a Arca da Aliança, o castiçal, altares de sacrifícios, entre outros símbolos que apenas serviam para representar a presença e o acesso à Deus numa época em que ainda não havia sido derramado o Espírito Santo sobre o seu povo. A situação é exatamente o contrário disso: as Escrituras Sagradas são claras ao afirmar que tais coisas e atitudes demonstram que seus praticantes ainda estão sob o jugo da Lei (Hb 8:12,13; 2ª Co 5:17).
    Do mesmo modo, inserir à liturgia de culto a repetição de fatos ocorridos com servos do Senhor no passado como, por exemplo, os mergulhos de Naamã, o cajado de Moisés, a capa de Elias, as pedrinhas de Davi, como também várias invenções como lenços, ferramentas de pedreiro, produtos de higiene pessoal, canetas e os mais variados objetos “ungidos”, embora, teoricamente, possa surtir algum efeito como estímulo de fé, na prática, apenas retrata o desinteresse de tais líderes em ensinar os fiéis que a verdadeira fé consiste em crer no invisível (Hb 11:1), porque apegar-se a objetos para materializar uma crença significa simplesmente praticar superstição, ato esse muito próximo à idolatria: algo condenado por Deus (1ª Co 10:14; 1ª Jo 5:21). Certo, eu sei que a Bíblia fala dos lencinhos do apóstolo Paulo (At 19:11,12); no entanto, ela atribui os milagres a Deus e não aos objetos, e também não relata em que circunstâncias isso aconteceu, não o mostra pedindo dinheiro em troca deles, e tampouco foi isso pregado como doutrina a ser seguida pela Igreja. Ah! E a mesma regra se aplica à sombra de Pedro (At 5:15,16). Quer ser abençoado? Coloque-se diante de Jesus em agradecimento pelo seu sacrifício, tendo a consciência de que será ouvido e atendido segundo os propósitos dEle (1ª Jo 5:14,15) e não em troca de seus próprios “sacrifícios” ou crenças em amuletos de sorte.
    Algumas ramificações do cristianismo costumam lamentar a morte de Cristo e lembra-la como se estivessem num funeral. Tais cristãos não atentam para o fato de que sua crucificação foi o fator essencial para que hoje tivéssemos acesso à Graça, sendo justificados pela fé e não por obras, sacrifícios e cumprimentos de rituais conduzidos por sacerdotes humanos (Hb 9:6-9). Sua morte nos proporcionou liberdade para com o Pai (Hb 9:13,14), alegria e autoridade espiritual (Lc 10:17-20), direito ao exercício ministerial que antes era restrito aos levitas[12] (1ª Pe 2:5,9) e o privilégio de não sermos apenas seguidores de uma religião, mas membros de um Corpo (1ª Co 12:27; Cl 1:24) e também filhos de Deus (Rm 8:14,15). Diferentemente dos israelitas, para os quais o sangue de animais derramado lembrava sua libertação do Egito, o sangue de Jesus, para nós, representa nossa libertação do pecado: uma oportunidade pessoal e voluntária de salvação. Resumindo: a morte de Jesus é vida, e vida com abundância (Jo 10:9-11)! Ele está vivo (Mc 16:6)! Espalhe essa notícia (Mc 16:15)!


[1]Lei: É um termo usado com frequência na Bíblia; para definir um código de leis formado por mandamentos, ordens e proibições. Segundo as Escrituras hebraicas, a Lei foi dada por Deus através do profeta Moisés, tendo sido os Dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra pelo próprio dedo de Deus no monte Sinai, a tábua dos dez mandamentos. Pode ser resumida nos Dez Mandamentos, que em língua hebraica são chamados simplesmente de "As Dez Palavras" ou "Os Dez Ditos". Os Dez Mandamentos regulamentam a relação do ser humano com Deus e com seu próximo. Para fins didáticos, o Código Mosaico pode ser dividido em Leis Morais, Leis Civis e Leis Religiosas (Leis Cerimoniais). As leis cerimoniais, regulavam o ministério no santuário do Tabernáculo e, posteriormente, no Templo. Elas tratavam também da vida e do serviço dos sacerdotes e encontram-se descritas especialmente no Livro chamado Levítico.
[2]Especiaria: Qualquer coisa de cheiro agradável, especialmente planta, usada para dar mais sabor aos alimentos ou bebidas. O cravo, a canela, a pimenta são especiarias (Is 39:2; Ap 18:13).
[3]Dispensação: Da parte de Deus, o plano de salvação da humanidade (Ef 1:10; 3:9). Da parte do ser humano, "dispensação" é trabalho ou missão que visa à aplicação do plano divino em favor da humanidade (1ª Co 9:17; Ef 3:2; Cl 1:25).
[4]Graça: Favor imerecido ou não merecido. O vocábulo Graça provém do latim gratia, que deriva de gratus (grato, agradecido) e que em sua primeira acepção designa a qualidade ou conjunto de qualidades que fazem agradável a pessoa que as têm. Teologicamente, refere-se ao período que se iniciou com a morte de Cristo na cruz, o qual pôs fim às rígidas imposições da Lei mosaica, colocando em vigor o Novo Testamento.
[5]Redenção: Libertação.
[6]Remissão: Ato ou efeito de remir, livrar. Indulgência, misericórdia. Expiação, perdão.
[7]Oblação: Palavra do latim "oblatio" que significa "oferta". Ação pela qual se oferece qualquer coisa a Deus. Oferta a Deus. Oferta sacrifical comestível.
[8]Véu: Pano com que as mulheres cobrem a cabeça e/ou o rosto (Is 3:23). A cortina que, no tabernáculo e no Templo, separava o Santo Lugar do Santíssimo Lugar (Êx 26:33; Mt 27:51).
[9]Santo dos santos: A parte mais sagrada do Tabernáculo e do Templo, onde ficava a Arca da Aliança e onde o sumo sacerdote só entrava uma vez por ano. Era separado do santo lugar por uma cortina (Êx 26:33,34; Hb 9:3-7).
[10]Iniquidade: Falta de equidade (retidão). Pecado que consiste em não reconhecer igualmente o direito de cada um, em não ser correto, em ser perverso. Erro consciente.
[11]Joio: Erva ruim que cresce nas plantações de trigo (Mt 13:25).
[12]Levita: Membro da tribo de Levi (um dos filhos de Jacó). Foi a tribo escolhida por Deus para cuidar dos trabalhos sagrados. Todos os sacerdotes também tinham que ser levitas. Os levitas serviam no santuário, ajudavam nos sacrifícios, carregavam a arca da aliança, ensinavam e tinham o direito de ser sustentados com os dízimos e as ofertas. Sua história e suas funções está registrada detalhadamente no livro de Levíticos.

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