Mostrando postagens com marcador Curiosidades Polêmicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Curiosidades Polêmicas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

“Jesus Mudou o Nome de Saulo Para Paulo”


A conversão de Paulo não resultou
na mudança de seu nome, mas sim
de sua vida, e é isso o que acontece
com todos os que verdadeiramente
entregam sua vida à Deus. Muitos
personagens bíblicos, por diversas
razões, tiveram sim seus nomes
mudados pelo Senhor, porém,
esse fato não se repetiu com o
apóstolo.
Atos 13:9a - “Todavia Saulo, que também se chama Paulo [...]”
    Fala-se muito que Saulo, após sua conversão, teve seu nome mudado para Paulo. Porém, não existe nenhuma afirmação bíblica ou histórica que confirme isso, muito pelo contrário, pois na Bíblia, por exemplo, como vimos nesse texto de Atos dos Apóstolos escrito por Lucas, ele simplesmente era chamado pelos dois nomes. Historicamente, pelo que se sabe de sua trajetória, sendo judeu tinha ele também cidadania romana. Antes de prosseguir, vejamos o significado dos dois nomes: Saulo é hebraico e significa Pedido a Deus; e Paulo é de origem latina significando Pequeno ou Menor.
    Não há, aparentemente, nenhum significado espiritual que motivasse uma mudança de nome. A explicação lógica para essa “alteração” se explica mais pelo costume das pessoas - os cristãos - com quem ele passou a conviver após a conversão que habituaram-se a chama-lo assim; razão essa pela qual os escritores bíblicos utilizam mais Paulo do que Saulo. Antes de ser levantado por Cristo como apóstolo, Saulo, sendo um judeu devido à linhagem de sua família, nascido em Tarso da Cicília - cidade romana habitada por muitos judeus - zeloso pela Lei Mosaica (At 22:3; Fp 3:5), estando a serviço do governo de Roma, foi um terrível perseguidor de cristãos desde a sua juventude (Fp 3:6; At 7:57-59; 22:4,5). Nessa condição, exercia ele sua cidadania romana, direito esse que havia comprado por alto valor em dinheiro (At 16:37; 22:25-30), tal documento lhe permitia também o uso de um nome romano. Essa seria a mesma situação de Silas, também chamado de Silvano (At 15:22,27,32,34; 2ª Co 1:19; 1ª Ts 1:1) e provavelmente ainda de João que tinha por sobrenome Marcos (At 12:12,25); vale ressaltar que não há informações claras referentes a isso. Concluindo então, não houve mudança de nome, ou seja, o apóstolo tinha mesmo esses dois nomes e prevaleceu com mais ênfase o de origem latina - Paulo - devido ao fato de ele ter exercido praticamente todo seu ministério entre os gentios.

“Antes que o Galo Cante Três Vezes, Me Negarás”

Dar a devida atenção a
detalhes de textos como
esse não é uma simples
questão de querer se
encher de conhecimento,
mas sim de compreender
o risco existente em uma
má interpretação, a qual
é a mãe das heresias.
Mateus 16:34 - Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás.
    Essa é mais uma da série “abandonar a escola faz mal à saúde”... e como faz: não saber observar a aplicação de uma vírgula muda todo o sentido de um texto. Parece besteira, mas essa dúvida é muito comum, pois muitos não sabem dizer quantas vezes o galo cantou. Parece besteira também se preocupar com isso, e antes que algum cristão sacrossanto me apedreje, vou dizer que sei sim que saber ou não saber isso não muda em nada nossa vida espiritual; porém, saber o que está falando passa mais seriedade, pois muitos não nos ouvem justamente por duvidarem de nossa condição intelectual. O “atestado de ignorância” que muitos insistem em manter dificulta muito a evangelização. Mas convencer o mundo do pecado não é obra do Espírito Santo e blá-blá-blá (Jo 16:7,8)? Sim! Mas Ele fala por intermédio de quem (At 6:10; 1ª Co 2:4)? Então sejamos coerentes e nos apliquemos mais à busca do conhecimento (Tg 1:5).
    Mas, voltando ao galo, isso parece ser uma questão bem simples, só que essa teimosia de Pedro em discutir com Cristo dizendo que não o negaria tem causado problemas até hoje devido à falta de cuidado com a leitura. E o pior disso tudo é que esse texto de Mateus 16:34, também narrado em Marcos 14:30, Lucas 22:34 e João 13:38 também tem rendido boas discussões entre os estudiosos que não conseguem se decidir se esse galo era um galo mesmo ou não. Isso porque, de acordo com a história, no centro de Jerusalém não eram criados animais de pequeno porte e no palácio do sumo sacerdote, onde Jesus foi julgado, não seria normal ter um galinheiro; muitos dizem que esse galo eram os toques de trombetas emitidos por soldados na Fortaleza Antônia de madrugada - sendo último as seis da manhã -; Marcos 14:72 seria a prova disso? Não sei! Polêmicas à parte, nem adianta aprofundar nisso, pois o fato é que o tal galo cantou apenas uma vez logo após Pedro ter negado três vezes (Mt 26:74). Enfim, melhor parar por aqui antes que eu ganhe um galo na cabeça.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

“A Baleia Vomitou Jonas na Praia de Nínive”

Equívocos como esses são bastante
comuns e totalmente compreensíveis.
Porém, devem ser evitados, porque,
apesar de não determinarem
nenhuma doutrina, são erros de
interpretação que geram pregações
de mensagens cheias de "revelações"
questionáveis do tipo: "a baleia
pesava tantas toneladas
"; "os
ninivitas se curvaram quando o
viram sair do peixe
". Todo o cuidado
é pouco quando estamos expondo a
Palavra de Deus.
Jonas 2:10 - "Falou, pois, o Senhor ao peixe, e ele vomitou a Jonas na terra."
    Você consegue identificar dois erros no título desse texto? Se não consegue, precisa exercitar mais sua atenção ao conteúdo do que lê, ou simplesmente ler mais a Bíblia e confiar menos em tudo o que ouve. Baleia e praia de Nínive, essas são duas expressões não encontradas no livro do profeta Jonas. Então você pode questionar: “Mas Jesus não falou que ele foi engolido por uma baleia? E, sendo um animal marinho, como ela pode ter deixado ele em outro lugar que não fosse uma praia?”. Respondamos então a essas duas questões.
    Na primeira questão é necessário observar que por três vezes é mencionada a palavra peixe, sendo uma delas grande peixe, mas não deixa claro a espécie de peixe. Deve-se observar também que baleias não são peixes, mas sim animais marinhos pertencentes à classe dos mamíferos, classificados como cetáceos. Quanto ao fato de Jesus ter usado a palavra baleia (Mt 12:40), em primeiro lugar, algumas versões bíblicas usam também o termo grande peixe e, em segundo lugar, antigamente não se dava muita importância em classificar as espécies de animais. Concluindo, ele pode ter sido sim engolido por uma baleia ou por qualquer tipo de peixe; o importante não é saber isso, mas apenas não afirmar aquilo que a Bíblia não diz claramente. Na segunda questão, não há o que discutir: Nínive simplesmente não tem praia! E o pior: a praia mais próxima fica há aproximadamente 600 quilômetros de lá. O livro do profeta não relata como e nem quanto tempo ele levou viajando tão longe para então iniciar sua caminhada - caminho de um dia (Jn 3:4) - de cerca de 19 quilômetros por Nínive até chegar à sua área central. O fato de Nínive ser uma cidade de três dias de caminhada (Jn 3:3b) não significa que ele tenha percorrido toda ela a pé. Há muitas coisas que a Bíblia não revela em seus mínimos detalhes e, por isso, quaisquer conclusões a que cheguemos, mesmo baseados em dados históricos, são hipóteses sujeitas a erro.

sábado, 19 de setembro de 2015

Usos e Costumes: Uma Doutrina do Homem ou de Deus?

É preciso ter muito equilíbrio
para definir o que é doutrina de
Deus e o que é costume do
homem para não tirar a
liberdade que nos é dada por
natureza e nem ofender a santa
natureza divina. O princípio
básico para isso é: "O que eu
faço ou deixo de fazer está ou
não agradando a Ele?"
    Diante de tantas polêmicas no meio cristão, essa é uma das que mais têm se destacado nos “ringues ministeriais”. De um lado, com muito peso, os mais tradicionais defendendo uma postura muitas vezes até radical dos fiéis e, de outro, aparentemente com bastante agilidade, os mais liberais apoiando mudanças, algumas até extravagantes na conduta dos mesmos. O que torna essa briga mais difícil é que todos usam a mesma arma: a Bíblia. Sendo assim, como juíza dessa luta, a quem ela declara como vencedor? Se a analisarmos cuidadosamente, ambos estão empatados e, mesmo longe da vitória, também não estão completamente errados. Não! Eu não estou procurando um jeito de ficar em cima do muro e agradar a todos! Estou apenas conseguindo enxergar que há exageros dos dois lados, enquanto que a Palavra de Deus exige de nós equilíbrio (Ec 7:16,17). Para prosseguir, não há como entendermos se o controle da igreja sobre a conduta pessoal de seus membros no que se refere às vestimentas, ao vocabulário e à própria visão sobre o mundo são legítimas ou não sem antes sabermos o significado da palavra doutrina.
    Segundo os dicionários da língua portuguesa, resumidamente, doutrina é o conjunto das ideias básicas contidas num sistema filosófico, político, religioso, econômico, etc.; um conjunto de princípios que servem de base para a definição de regras que, de certa forma, funcionam como lei em um determinado grupo de convívio. No que se refere à religião, principalmente no cristianismo, é a organização de um regulamento interno com dogmas[1] que definem um padrão de comportamento que valorize a ordem, a moral e os bons costumes perante a família, a Igreja e a sociedade como um todo de modo agradável a Deus, tendo como fundamento as escrituras por elas consideradas sagradas. Assim sendo, espera-se que todos os ensinamentos de uma igreja evangélica referentes à postura pessoal de seus frequentadores sejam fundamentados pela Bíblia. No entanto, é aí que começa um grande problema: a interpretação do Livro Sagrado depende de muito discernimento tanto espiritual quanto intelectual, e se não houver equilíbrio entre os dois, o resultado pode ser catastrófico. Pois o que temos visto, principalmente de uns tempos atrás, são comportamentos bizarros e até intolerantes por parte de muitos que pensam estar agradando ao Senhor agindo radicalmente (Cl 2:16-23), e também atitudes extremamente liberais que chegam a ser intoleráveis porque provocam escândalo ao Evangelho (Cl 2:8[2] [3] [4]).
    Os líderes mais tradicionalistas costumam associar doutrina ao autoritarismo como forma de manter controle sobre o povo, como se isso significasse santificação e tivesse ligação direta à conduta de acordo com o que eles ensinam como sendo determinações divinas; mas não é isso que as Escrituras ensinam: o termo traduzido em português como doutrina aparece 50 vezes na Bíblia, sendo 8 vezes no Antigo Testamento e 42 no Novo. Vejamos seus significados:
v Do hebraico basar, significando trazer novidades, dar notícia, publicar, pregar, anunciar; como, por exemplo, em 1º Samuel 4:17; 2º Samuel 1:20; Salmos 40:9 e Isaías 52:17.
v Do hebraico lecach, significando ensinamento, ensino, percepção, instrução, persuasão; como, por exemplo, em Deuteronômio 32:2, Jó 11:4, Provérbios 1:5 e Isaías 29:24.
v Do hebraico yacar, significando castigar, disciplinar, instruir, admoestar, corrigir; como, por exemplo, em Levítico 26:18, Deuteronômio 4:36, Provérbios 9:7 e Ezequiel 23:48.
v Do hebraico yarah, significando dirigir, ensinar, instruir, encaminhar, mostrar; como, por exemplo, em Gênesis 46:28, Êxodo 15:25, Deuteronômio 17:10, Salmos 27:11.
    Como pudemos constatar, realmente, doutrina possui, em alguns casos, o sentido de castigo ou correção; porém, na maioria das aplicações, essa expressão se refere a anunciar, pregar, mostrar ou ensinar. É óbvio que tudo isso consiste sim em ter uma conduta agradável a Deus, mas em toda a Bíblia, principalmente no Novo Testamento, não encontraremos nenhuma lista de regras concernentes a poder ou não usar isso ou aquilo, muito pelo contrário: se somos espirituais, nossa consciência é controlada pelo Espírito Santo (1ª Jo 3:20,21). No entanto, nos ensina também a obedecer nossos líderes (Hb 13:17,7), e é aí que muitos se perdem.
    No tocante às vestes, as ordens divinas que encontramos aparecem inseridas na Lei Mosaica[5] e se referem a homem não usar roupas de mulher e vice-versa (Dt 22:5), mostrando uma reprovação de Deus a qualquer ato que possa pelo menos insinuar uma condição de homossexualismo, e claras determinações contra a nudez (Êx 20:26; Gn 9:21-23), o que podemos entender também como uma alusão à sensualidade[6], o que, além de escândalo e desvalorização da própria pessoa, também pode provocar outros à prática do pecado tanto pela cobiça sexual quanto pelo incentivo aos demais a andarem da mesma forma. Como bem sabemos, a antiga Lei foi entregue aos israelitas e não temos que seguir à risca uma “constituição[7]” que foi feita para uma nação específica de acordo com a sua situação daquele momento; porém, bem sabemos também que a Palavra do Senhor é imutável e que devemos não aplicar o modo de viver do povo de Israel em nossa vida, mas sim respeitar os princípios morais ensinados nos mandamentos, os quais se confirmam na Nova Aliança (Ap 3:18).
    Mas o problema aí está no entendimento no momento da aplicação, pois os tradicionalistas acertam em seu cuidado com o corpo, o qual é templo do Espírito Santo (1ª Co 6:12-20), e aí temos que concordar que, principalmente no caso das mulheres, roupas demasiadamente apertadas, curtas ou transparentes desonram a Deus que não as criou para mostrar sua intimidade à homens que não sejam seus maridos, mas os mesmos radicalizam em estipular determinados tipos de roupa como pecaminosas. Por exemplo: dizem que uma mulher não pode usar calças compridas porque isso é roupa de homem, no entanto, se dermos para alguns desses senhores uma calça feminina, prontamente recusarão dizendo ser isso uma calça de mulher. E agora? De repente ela deixou de ser roupa de homem, mas também não pode ser usada porque é roupa de mulher? Ou seria o contrário? Essa conclusão parece, no mínimo, incoerente, não é mesmo? Continuando a lista de proibições, mencionam os adornos - colares, pulseiras, brincos: enfim, os penduricalhos de modo geral -, e, de fato, a Bíblia também fala disso (1ª Tm 2:9,10[8]); porém, referindo-se aos excessos porque isso representa orgulho e soberba, e também porque enfeites em exagero era uma característica própria das prostitutas, e havia ainda a questão da idolatria, a qual também era manifesta por meio de muitos desses ornamentos; mas não os proíbe por completo, o que significa que simples colares, pulseiras ou brincos de tamanho ou conteúdo moderados que não expressem falta de modéstia e nem permitam confundi-las com mulheres vulgares, e nem contenham imagem idólatras, não levarão ninguém à condenação. Convenhamos também que as saias e as maquiagens de algumas senhoras sacrossantíssimas até dentro da igreja provocam mais escândalos e desejos imorais nos homens do que calças bem ajustadas - não justas - que não definam o corpo e nem mostram as pernas. Da mesma forma aos homens: não há mandamentos bíblicos que os proíbam de usar bermudas, camisetas regatas ou demais roupas esportivas, ou mesmo deixar a barba crescer, desde que saibam se portar devidamente como cristãos, é claro (1ª Pe 3:3-5[9]).
    O problema da maioria dos ortodoxos[10] atuais é que as “doutrinas” de suas igrejas foram implantadas ainda nas primeiras décadas do século XX. Naquela época, determinados tipos de roupa eram comuns até mesmo na sociedade secular[11], então, as denominações evangélicas que surgiram, nada mais fizeram do que se adequar ao padrão de comportamento daquele período em cada país que chegavam. Com o tempo, as tendências de moda foram mudando e o próprio mundo deixou de ter um comportamento que fosse totalmente aceitável pelo padrão cristão. Devido a isso, houve uma necessidade de que os líderes se preocupassem em manter a diferença não permitindo aos seus liderados uma postura que ferisse os bons costumes ensinados na Palavra. Só que muitos se excederam nesse cuidado não tendo discernimento para entender que a Igreja pode sim acompanhar a modernidade até o ponto que esta não fira a moralidade (Jo 17:15-17; At 5:28,29), pois nem tudo é indecente desde que saibamos a diferença entre o certo e o errado. Uma visão limitada transformou alguns pastores em ditadores, os quais “transformaram” as regras antigas em lei e praticamente as classificaram como sagradas. Tais equívocos de interpretação os levavam - e ainda levam alguns - a expor membros de suas denominações ao constrangimento aplicando-lhes disciplina[12] por atos tão simples, pelos quais muitos não aguentaram e saíram da igreja sentindo-se incompreendidos e injustiçados, principalmente quando conhecem o conteúdo bíblico (At 15:28,29[13]); e não nos esqueçamos também que o conteúdo bíblico alerta a nos abstermos da fornicação, a qual também pode ser estimulada pelo tipo de roupa que se usa.
    Sem dúvida nenhuma, a liderança da igreja é sim instituída por Deus (Ef 4:10-12) e deve realmente ser obedecida. Além do mais, o que muitos não entendem é que, embora haja alguns equívocos de interpretação e exageros no rigor de sua aplicação, a intenção da maioria dos pastores não é abusar da autoridade, mas sim zelar pelas almas das ovelhas, pois acreditam que assim estão garantindo sua segurança na caminhada até o céu. E, de fato, ainda que tais exigências não sejam mandamentos divinos, quem os obedecer nada estará perdendo com isso. Aos que não concordam, o meio mais racional de lidar com a situação é escolher uma denominação de acordo com aquilo que ache mais justo para não viver em murmuração, assim estando em pecado de rebeldia (Am 3:3; 1ª Sm 15:23; At 15:37-41).
    Não estou aqui me posicionando contra e nem a favor a isso ou aquilo, mas apenas deixando claro que o importante é sabermos muitas das exigências que fazem parte do regulamento interno da maioria das igrejas não se trata de santificação, mas de uma postura adotada por sua liderança que acredita ser essa uma forma de agradar ao Senhor. Se você muitas vezes aceita trabalhar com um uniforme imposto por sua empresa, o qual você acha ridículo ou inadequado, e nem por isso pede demissão, por que não respeitar aqueles os quais pode-se perceber nitidamente que, estando errados ou não, apenas estipulam regras que visam elevar a sua vida espiritual? No entanto, se optar por uma associação ministerial mais aberta e modernizada, também não pode ser censurado por isso; porém, certifique-se de que a liberdade por eles pregada esteja verdadeiramente fundamentada na Bíblia Sagrada (1ª Jo 4:1; Mt 7:15,16). Para concluir, lembre-se sempre de uma coisa: Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2:11), mas isso não significa que Ele não queira que elas mudem (Rm 12:1,2).



[1]Dogma: Ponto ou princípio de fé definido por uma Igreja. Conjunto das doutrinas fundamentais do cristianismo. Cada um dos pontos fundamentais de qualquer crença religiosa. Fundamento ou pontos capitais de qualquer sistema ou doutrina. Proposição apresentada como incontestável e indiscutível.
[2]Filosofia: Estudo geral sobre a natureza de todas as coisas e suas relações entre si; os valores, o sentido, os fatos e princípios gerais da existência, bem como a conduta e destino do homem. Sabedoria humana em contraste com o conhecimento revelado por Deus (Cl 2:8). Filósofo era uma pessoa que procurava compreender e explicar o sentido da experiência humana (At 17:18).
[3]Sutileza: Astúcia. Esperteza; habilidade em enganar.
[4]Rudimento: Fundamento; princípio.
[5]Leia Mosaica: Lei de Moisés: A Lei de Deus entregue por Moisés ao povo de Israel.
[6]Sensualidade: Lascívia (Conduta vergonhosa, como imoralidade sexual, libertinagem, luxúria). Atos modos ou gestos que despertam em outras pessoas desejos relacionados à pratica sexual. Estímulo ao apetite carnal.
[7]Constituição: Lei fundamental que regula a organização política de uma nação soberana; carta constitucional. Ordenação, estatuto, regra.
[8]Pudor: Sentimento de pejo ou vergonha, produzido por atos ou coisas que firam a decência, a honestidade ou a modéstia. Vergonha. Pundonor, recato, seriedade.
[9]Frisado: Trançado.
[10]Ortodoxo: Quem age conforme a uma doutrina definida; quem é rígido em suas convicções.
[11]Secular: Pertencente ou relativo a século. Que se observa ou se faz de século a século. Em sentido religioso, se refere àquilo que não é espiritual ou às pessoas mais ligadas às coisas relacionadas ao mundo do que as espirituais.
[12]Disciplina: Pessoa que segue os ensinamentos de um mestre. No Novo Testamento se refere tanto aos Apóstolos (Mt 10:1) como aos cristãos em geral (At 6:1). Em linguagem ministerial, é o período em que uma pessoa, após cometer um grave pecado, fica na igreja afastada de qualquer tipo de cargo, geralmente sem o direito de participar da Ceia e sem poder ministrar a Palavra ou participar de grupos de louvor; é o popular “ficar de banco”; seu tempo de pena varia de acordo com a determinação do corpo administrativo de cada denominação ou congregação local; normalmente se aplica a membros batizados nas águas.
[13]Fornicação: Relação sexual ilícita (At 15:29).

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Biblicamente Falando, O Que é a Morte?

Para os verdadeiros cristãos, por
mais difícil que seja a separação
de um ente querido, resta o
grande consolo de saber que é a
partir desse momento que ele
começa a ter uma vida
verdadeiramente vitoriosa.
    “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece[1].”; Esse alerta registrado em Tiago 4:14 resume a realidade da morte[2] de forma bem clara e objetiva, levando-nos a refletir sobre nossa fragilidade e a brevidade de nosso tempo sobre essa terra. Diante de todas as dúvidas, nascemos e crescemos alimentando apenas uma certeza: podemos morrer a qualquer momento! Sendo ela o maior motivo de medo entre os seres humanos, por nós, cristãos, é encarada com muito mais seriedade ainda; isso porque sabemos que ela representa não apenas o fim da vida terrena, mas o início de uma vida no plano espiritual, o que pode ser muito bom... ou não. Nas Escrituras Sagradas, de forma direta ou indireta, a morte é citada mais de mil vezes. Mas antes de analisarmos biblicamente o que é a morte, vejamos o que ela significa sob o ponto de vista secular[3]. De acordo com os mais renomados dicionários da língua portuguesa, resumidamente, a palavra morte é definida como “fim ou cessação da vida animal ou vegetal”. Embora cause pavor, ao mesmo tempo ela fascina e desperta a curiosidade de muitos, razão essa pela qual esse assunto é bastante explorado. Para a maioria das pessoas, nada existe além da sepultura, mas o que a Bíblia diz sobre isso? Sendo o ser humano composto de corpo, alma e espírito (1ª Ts 5:23) - o que a Teologia define como tricotomia[4] -, o que acontece com esses três elementos após a morte? Para entender isso melhor, lembremo-nos do seguinte: fomos criados segundo a imagem de Deus (Gn 1:26,27), o qual possui uma tríplice personalidade - a Trindade[5] -: o Pai (a alma), o Filho (o corpo) e o Espírito Santo (o espírito).

O corpo
    Essa é a parte material do ser. É o que lhe permite funções físicas, as quais dependem do funcionamento de todo o organismo e membros que o compõem. A Bíblia afirma que ele foi formado da terra pelas próprias mãos de Deus, o qual lhe deu fôlego de vida soprando suas narinas (Gn 2:7,22[6]; 3:20[7]). A ciência reconhece que a composição básica do corpo humano é 43,5% de cálcio, 4,3% de sódio, 10,2% de potássio, 7,1% de enxofre, 1,4% de magnésio, 29,1% de fósforo e 0,1% de ferro, além de pequenas porcentagens de iodo, manganês, cilício e cobre entre outros minerais. Isso significa que não há como negar que somos realmente feitos do pó da terra. As Escrituras afirmam ainda que o corpo será transformado para a eternidade (1ª Co 15:51-54; 1ª Jo 3:2) e que é pelo que fazemos por meio dele que seremos julgados (2ª Co 5:10). Segundo os especialistas nas ciências que estudam o assunto, o corpo do ser humano, quando morre, passa por vários processos; e não há nada que contenha mais vida do que um cadáver[8], porque durante todo o estágio de putrefação ele se torna hospedeiro de vários parasitas que o consomem, assim executando sua decomposição, a qual já se inicia em poucos minutos após o óbito[9]. Os sinais determinantes da ausência de vida são a perda total da respiração e dos movimentos e a cessação do batimento cardíaco e da pulsação; e suas características mais notáveis se tornam visíveis em alguns minutos: queda de temperatura, endurecimento e uma coloração roxa e acinzentada; com o passar das horas, o cheiro vai se tornando cada vez mais desagradável. No ato do falecimento, quando cessa a respiração, as células param de receber oxigênio, mas ainda ficam vivas por alguns minutos gerando dióxido de carbono, um ácido que se acumula e se rompe dentro das células, digerindo-as de dentro para fora. Isso gera fluídos ricos em nutrientes que passam a alimentar fungos e bactérias que conforme consomem a matéria humana, produzem uma quantidade aproximada de quatrocentos produtos químicos e gases como freon, benzeno, enxofre e uma molécula chamada tetracloreto de carbono. Todo esse processo leva semanas e, até chegar a esse ponto, quase já não existe mais carne, pois as larvas e os insetos deixam apenas os ossos para trás. Com o passar do tempo - o que leva em média dois anos -, a proteína dos ossos também é decomposta e o que sobra é um mineral ósseo conhecido como hidroxiapatita, o que o leva a se transformar em pó. Assim vemos, sob comprovação científica, como a Palavra de Deus se cumpre fielmente (Ec 3:20). É interessante ressaltar ainda que a mistura desses elementos na terra formam uma substância que gera fertilidade no solo, ou seja: a partir deles brotam plantas, as quais sustentam vidas alimentando outros seres. Se quando estamos vivos nos alimentamos de vegetais e animais, depois de mortos também os sustentamos. A justiça divina nos impõe um ciclo de vida que nos torna alimentadores daqueles que nos alimentam.

A alma
    Essa é a parte não-material do corpo. É o seu estado de consciência e sentimentos, seu intelecto. A palavra “alma”, muitas vezes na Bíblia, aparece com o significado de “vida”, “pessoa” (Gn 12:15; 46:26,27; Nm 9:13; At 27:37) e, em alguns casos, substitui o pronome pessoal como, por exemplo, no Salmo 22:20a em que Davi diz “livra a minha alma da espada”, clamando a Deus por um livramento à sua própria vida. Em Gênesis 2:7 está escrito que quando Deus deu o fôlego de vida, o homem se tornou alma vivente; isso significa que dando-lhe um corpo e condições de respirar, Ele simplesmente deu vida física à uma vida que poderia existir apenas sobrenaturalmente. Assim, podemos compreender que, após a morte do corpo, a alma - o estado de consciência - permanece de fato consciente tendo ele sido salvo ou não, conforme mostra o próprio Senhor Jesus em sua narração da parábola do rico e Lázaro registrada em Lucas 16:19-31. A Bíblia revela ainda que os mortos apenas não tem ciência do que acontece na terra, ou seja: fora do ambiente em que eles estão (Ec 9:4,5).

O espírito
    Assim como a alma, ele igualmente é uma parte não-material do corpo. Sendo também ligado à parte racional e emotiva do homem, sua função tende mais ao seu lado espiritual, ou seja: seu nível comunhão com Deus. Sendo por muitos confundido com a alma, suas características se assemelham às dela. A diferença está no fato de, no que se refere ao intelecto, ele não ser superficial, pois está diretamente ligado à sabedoria como uma ligação sobrenatural ao Espírito do Criador (Jo 3:6; Rm 8:1,2,13; 1ª Co 6:17; Ez 36:26,27). Na língua portuguesa, entre tantos sinônimos, ele aparece também significando estado de ânimo ou comportamento - espírito de luta, espírito de trabalho, espírito de paz, espírito de porco, etc. -, ou seja: expressa ação, estando assim acima do simples estado de conhecimento. É nosso espírito - e não nossa alma - que recebe as revelações de Deus, seja em profecia ou na interpretação durante a ministração da Palavra, por exemplo; da mesma forma, vivemos no espírito e oramos e adoramos em espírito e não em alma. Agora, voltando ao foco do nosso assunto que é o que acontece com espírito após a morte, a Bíblia diz que ele torna para Deus (Ec 12:7).

    Pessoas que tiveram experiências sobrenaturais em relação à morte, conhecidas como EQM[10], as relatam de diferentes formas. As descrições mais comuns são:
·        Medo e incerteza sobre o que está acontecendo.
·        Sentimento de paz interior.
·        Sensação de flutuar acima do corpo físico.
·        Impressão de estar em um outro corpo.
·        Visão privilegiada, em 360º, do ambiente ou fora dele.
·        Visão de pessoas - geralmente já mortas - a sua volta.
·        Visão de seres espirituais.
·        Sensação de que o tempo está passando mais rápido ou mais devagar.
·        Aumento da sensibilidade dos sentidos naturais.
·        Passagem por um túnel iluminado.
    Tais relatos, como outros, costumam ser contraditórios e muito confusos. A medicina costuma classifica-los como alterações psicológicas, enquanto que vários segmentos religiosos os definem como experiências espirituais ou sobrenaturais. No meio evangélico há vários casos de pessoas que afirmam terem ido ao céu ou ao inferno após a morte e terem posteriormente recebido ordem para voltar e contar o que viram, assim alcançando a ressurreição do corpo físico. Muitas dessas situações já estão comprovadas como fraudes ou equívocos enquanto outras, sendo recebidas como verdades, não possuem provas que nos deem clareza de sua autenticidade, até mesmo por não existir base bíblica para isso. A ressurreição sim é algo biblicamente comprovado e não existe nela nada que afirme que esse - e outros milagres - tenham sido cessados nos tempos apostólicos (Mt 10:7,8); no entanto, os relatos sobrenaturais dos que passaram por esse processo ficam por conta da fé e do discernimento espiritual.
    Como se estivéssemos preparados apenas para viver, o simples fato de pensar na morte nos aterroriza, principalmente por imaginarmos o quanto ela pode ser dolorosa e agonizante. Embora não tivesse medo da morte em si, mas até o próprio Jesus sofreu em seus momentos finais antes e durante a crucificação (Mt 26:37-39; 27:46). E não é sem razão, pois raras são as mortes repentinas. Mas, se não sobrevivermos até o arrebatamento da Igreja é inevitável passarmos por ela; então, o que importa é que estejamos preparados para isso (At 20:24). De tudo o que sabemos ou possamos aprender sobre a morte, o mais importante é: o verdadeiro cristão não pode e nem deve ter medo dela (Sl 23:4)! A vitória maior de um servo de Deus é concretizada quando ele deixa esse corpo físico (Fp 1:21); o fim da sua jornada na terra é o que lhe permite alcançar a maior de todas as bênçãos que um ser humano pode obter (2ª Tm 4:6-8). Esse corpo e tudo o que conquistamos por meio dele são meras vaidades (Ec 2:10,11,16; Lc 12:20,21), você está preparado para viver fora dele (1ª Co 2:9)?




[1]Desvanecer: Desaparecer.
[2]Morte: O fim da vida natural, que resultou da Queda em pecado (Gn 2:17; Rm 5:12). É a separação entre o espírito ou a alma e o corpo (Ec 12:7). Para os salvos, a morte é a passagem para a vida eterna com Cristo (2ª Co 5:1; Fp 1:23).
[3]Secular: Pertencente ou relativo a século. Que se observa ou se faz de século a século. Em sentido religioso, se refere àquilo que não é espiritual ou às pessoas mais ligadas às coisas relacionadas ao mundo do que às espirituais.
[4]Tricotomia: Significa "aquilo que é dividido em três". Termo teológico referente à interpretação de que o homem é composto de três matérias: corpo, alma e espírito.
[5]Trindade: A união das três pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo - formando um só Deus. Deus é ao mesmo tempo uno e trino (Mt 3:13-17; 28:19; 2º Co 13:13).
[6]Adão: Significa "Terra, Solo". O primeiro homem criado por Deus (Gn 1:27-5:5). É uma figura de Cristo, que é o segundo Adão (Rm 5:14-19; 1ª Co 15:22). Nome genérico do ser humano, incluindo o homem e a mulher (Gn 5:1,2).
[7]Eva: Significa "Vida". A primeira mulher, esposa de Adão e mãe da humanidade (Gn 3:20). Junto com Adão foi enganada por Satanás, começando assim o pecado no mundo (Gn cap. 3). Adão e Eva tiveram filhos e filhas (Gn 5:4), mas na Bíblia são mencionados apenas os nomes de três: Caim, Abel e Sete (Gn 4:1,2).
[8]Cadáver: Corpo humano ou animal após a morte. Termo originado do latim "cadere" que significa "cair". Alguns pesquisadores acreditam que seja a abreviação da frase em latim "caro data vermibus" que significa "carne dada aos vermes". Defunto (do latim "defungor" que significa "cumprir"; o termo "vita defungi" significa "completar o tempo de vida").
[9]Óbito: Falecimento; morte de alguém. Passamento. Do latim "obitus", literalmente “ido”, particípio passado de "obire", “ir”, que se forma de "ob", “para fora, afastando-se”, mais "ire", “ir”.
[10]EQM: Experiência de Quase Morte.