Mostrando postagens com marcador Oração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oração. Mostrar todas as postagens

sábado, 10 de novembro de 2018

Parábola do Fariseu e o Publicano

Dádivas espirituais não são
bijuterias para serem expostas
em vitrines, pois nossa vida
com Deus é algo muito íntimo
e, quanto à exaltação, se não
vier dEle, não passa de
presunção maligna. A
justificação está na humildade.
Lucas 18:9-14

Lucas 18:9 - "E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:"
    Confiar em si mesmo: essa é a definição para quem confia em si mesmo, crê que é justo e despreza os outros. O foco do assunto do Mestre nessa parábola é a hipocrisia. A confiança em si próprio leva o homem a revelar seu caráter incrédulo; é como se Deus não agisse em sua vida por misericórdia, mas sim por resposta aos seus méritos. Crer que é justo por si só e não pela ação do Espírito Santo é outro fator que leva o homem a cometer o pecado da soberba. Da mesma forma, desprezar os outros por reparar em algumas falhas alheias é se colocar numa posição de superioridade como se somente os demais errassem. Uma das formas pelas quais podemos revelar o pior do que temos em nosso caráter é através da oração, pois a forma como oramos também demonstra se isso fazemos para nos aproximar de Deus ou para tentar convencer os outros de que estamos próximos de Deus.

Lucas 18:10 - "Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano."
    As orações no templo eram praticadas diariamente, as nove e as quinze horas (hora terceira e hora nona), pelos judeus da época. Os fariseus eram uma classe de pessoas conhecidas por serem separadas dos demais povos e até mesmo de muitos judeus, pois eles observavam à risca - pelo menos na aparência - os preceitos da Lei e discriminavam os que não procediam da mesma maneira. já os publicanos eram mal vistos porque, apesar de serem judeus, eram cobradores de impostos a serviço do governo romano; cobrar impostos para os colonizadores era considerado um ato de traição à nação dos hebreus, além do mais, muitos deles abusavam desse cargo de confiança cobrando mais do que o devido e se enriquecendo ilicitamente. Eram dois homens totalmente diferentes um do outro: um visto como digno de respeito por sua devoção religiosa e outro que podia praticamente ser chamado de ladrão.

Lucas 18:11 - "O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano."
    O fariseu orava de pé; nessa observação Jesus não estava condenando quem ora de pé, mas sim o motivo pelo qual ele fazia isso: queria ser visto orando; para a preservação de sua imagem de santidade, ele precisava disso. Ele orava em voz alta, o que também não é um ato condenável por si só, mas se o objetivo for apenas que os demais te ouçam orando, torna-se também um ato de hipocrisia. E o agravante maior está no conteúdo de sua oração: agradecia por não ser como os outros, ou seja, se considerava superior. Por ter viso o publicano ali, sentiu-se motivado a dizer - quem saber por indireta, isso é moda para alguns "crentes" - que não era roubador, injusto e nem adúltero. E, é claro, fez questão de dizer que não era igual àquele publicano, porque era assim que ele o via e o julgava. Como estamos tratando nossos irmãos? Será que não estamos procedendo dessa mesma maneira em nossas orações e até nas pregações?

Lucas 18:12 - "Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo."
    Exaltar a si próprio é outra característica de pessoas soberbas; elas se gloriam por suas boas atitudes como se essas os tornassem superiores, sendo que na verdade são apenas o cumprimento de sua obrigação como bom cidadãos ou servos de Deus, nada mais que isso. Jejuar não precisa necessariamente ser um ato secreto, mas não deve ser usado como uma razão de engrandecimento por quem o pratica; do mesmo modo, entregar dízimos ou ofertas nada mais é do que um ato de amor e gratidão pela Obra de Deus, e não uma compra de santidade, bênçãos ou algo semelhante. Nossas ações espirituais ou ministeriais são para nossa edificação pessoal e não para a nossa promoção diante do público, e tampouco para desmerecer aqueles que isso não fazem ou que julgamos não fazer simplesmente porque não demonstram.

Lucas 18:13 - "O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!"
    O publicano, muito provavelmente, deve até ter ouvido a "oração" do publicano, mas isso não tirou seu foco da presença de Deus; ele não usou tais ataques ou indiretas para se escandalizar, sair do templo, e culpar o "irmão" por seu afastamento; pelo contrário, ele se aproximou ainda mais do Senhor. Confessou suas falhas e foi bem simples e objetivo: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Confessar seus pecados e pedir misericórdia a Deus; essa é a atitude mais agradável diante dEle, pois com esse gesto admitimos o que somos: frágeis e incapacitados de nos regenerar por nós mesmos. Esse é o reconhecimento da dependência total de Deus. Como temos reagido diante da presunção e dos ataques alheios? Ainda que errem naquilo em que nos julguem, que tais críticas não sirvam para nos derrubar, mas para nos fazer rever certas atitudes e buscar forças nos braços do Pai.

Lucas 18:14 - "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado."
    O injusto se considera bom o suficiente e melhor que os demais, enquanto que o justo reconhece suas dificuldades e procura pela misericórdia do alto para poder prosseguir. Quem tem algo para mostrar, não precisa se esforçar para isso, pois a exaltação vem de Deus e é Ele que, de algum meio, se encarrega de nos honrar. A justificação não está na presunção que expõe nossos atos, mas no zelo em oculto, cujas consequências positivas são expostas em público por aquEle que tudo vê. Não precisamos ter preocupação quanto ao que temos ou não temos, pois o que é nosso está seguro, seja isso em relação a coisas materiais ou simplesmente status, pois a honra provém daquEle  que nos chamou, e Ele não se agrada nem um pouco de quando tentamos honrar a nós mesmos, principalmente se isso implica em inferiorizar alguém.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Pedis e Não Recebeis, Porque Pedis Mal"

Não que seja errado orar por nossas
necessidades, sonhos ou desejos,
mas um dos fatores que definem
a resposta positiva de Deus a
uma oração é a intenção do nosso
coração. Por essa razão, a primeira
coisa que devemos pedir é que Ele
guie nossa vontade de acordo com
a vontade dEle. Isso evita muito
sofrimento.
Tiago 4:3a - “Pedis e não recebeis, porque pedis mal [...]”
    Esse versículo tem rendido verdadeiras pérolas no meio gospel: há quem diga que a pessoa não tem suas orações atendidas porque não ora ajoelhado e em voz alta (1º Sm 1:13); porque ora em voz alta, o Diabo escuta e impede a bênção (Is 43:12,13); porque pede para Jesus ou para o Espírito Santo sendo que tem que pedir para Deus com a ajuda do Espírito Santo e em nome de Jesus - em regra, sim, mas não significa que não possa haver exceções - (At 7:59); porque esquece de dizer “amém” no final da oração (Rm 14:5,6); ou até mesmo porque quando está pedindo não especifica detalhes como a cor, marca, modelo, formato e tamanho daquilo que está pedindo (Tg 4:13-16) e, ainda pior, porque na oração diz para Deus fazer a vontade dEle, aí Ele não dá mesmo porque isso é falta de determinação (Mt 26:39). Seja por ingenuidade ou segundas intenções, quem manipula as Escrituras dessa forma precisa ser refutado para o bem dos que o ouvem e dele próprio que está caminhando para o abismo.
    Quando falava que muitos pedem e não recebem porque pedem mal, ele não se referia a regras a serem aplicadas na oração, mas sim à situação da pessoa que está orando e ao motivo do seu pedido (Tg 1:1,2). Ele deixa claro que a intenção da pessoa, para ser atendida, tem que ser boa (Tg 1:3); na sequência, ele continua falando de um povo que clamava a Deus, mas suas atitudes eram condizentes com o mundo pecaminoso (Tg 1:5-10). Quanto às regras, é claro que existe sim uma postura quando nos colocamos a falar com Deus, porém isso é apenas uma questão de prudência e reverência e não um fator determinante para garantir uma resposta positiva dEle. O que define o êxito de uma oração é a fé (Mt 8:25,26), a santidade (Jo 9:31) e, acima de tudo, o propósito divino (Is 14:27). O que o crente precisa saber é se seu pedido condiz com a vontade de Deus; para isso é preciso pedir que o Senhor guie seu coração, confirmando ou fazendo-o perder aquele desejo caso aquilo não seja para ele; pois muitas vezes somos traídos pelo nosso coração (Jr 17:9,10).

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

"Buscai Primeiro o Reino de Deus, e a Sua Justiça, e as Demais Coisas Vos Serão Acrescentadas"

A ansiedade de conquistas, muitas
vezes, leva o cristão a enxergar
Deus como um Papai Noel,
levando-o a interpretar as
Escrituras como um livro de
autoajuda que o coloca como um
merecedor de bênçãos por fazer o
"favor" de usar seus dons e não
como um ser diante do Juiz,
prestes a ser julgado.
Mateus 6:33 - “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”
    Esse versículo costuma ser alvo de dois erros de interpretação: o conceito de que se deve preocupar apenas com o lado espiritual e o pensamento de que Deus vai acrescentar todas as coisas que faltam na vida de quem é fiel. Esses dois equívocos são consequência da falta de atenção ao contexto e também de pouco conhecimento das Escrituras Sagradas, pois Deus jamais exigiu do homem que vivesse totalmente alheio às coisas materiais e também nunca prometeu que lhe daria tudo o que ele quisesse. Analisemos então as duas questões de acordo com o conteúdo do texto.
    Na primeira questão é necessário frisar que Jesus diz buscai primeiramente e não “somente” o Reino de Deus. Por não entenderem isso, há pessoas que acreditam que devam dedicar quase cem por cento de sua vida à ministério, assim deixando família, trabalho e o cuidado de sua própria saúde como coisas secundárias e sem importância, alegando que por serem cidadãos do céu devem viver prioritariamente para a Obra, ou até mesmo viver da Obra. Para compreender isso é preciso entender que apesar de sermos peregrinos na terra temos que viver nela porque ainda não estamos no Paraíso (Jo 17:15) e “viver da Obra” é um chamado que não inclui todos os crentes, pois precisamos sim trabalhar para sobreviver (Gn 3:19; 2ª Ts 3:10-12). Na segunda questão basta observar o que está escrito em alguns versículos anteriores: Ele diz todas essas coisas e não “as demais” coisas, referindo-se a coisas de primeira necessidade como alimento e vestimenta (Mt 6:25-32). Para concluir, vale ainda ressaltar que essa provisão é condicional, pois além de buscar o Reino de Deus, Ele manda também buscar a sua justiça, ou seja: além de procurar ter uma vida de busca espiritual é também necessário procurar ser justo, o que implica em ser obediente à sua Palavra (Sl 37:25).

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

“Deus Concederá os Desejos do Teu Coração”

Ter concedido pelo Senhor o que
deseja o teu coração consiste em
ter um coração segundo o que
deseja o coração dEle; ou seja:
uma vida de total obediência à
sua Palavra.
Salmos 37:4 - "Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração."
    Essa é uma das promessas mais agradáveis das Escrituras Sagradas. De fato, essa Palavra é verdadeira, porém, o problema é o uso dessa frase de forma isolada. Sua má exposição ao público leva as pessoas a crerem que todos, de qualquer forma, terão seus desejos atendidos por Deus. O grande mal de muitos pregadores é falar de bênçãos sem deixar claro o seu fator condicional; embora as dádivas divinas não sejam dadas por nossos méritos, o Senhor procura sim fidelidade naqueles que professam o seu nome. Então, analisemos o conteúdo desse Salmo de Davi.
    Inicialmente é necessário fazer uma pergunta: “para quem é essa promessa?” Só encontraremos a resposta lendo todo o texto. Observando seus 40 versos descobrimos que tais bênçãos são privilégio de quem possui as seguintes virtudes: não se aborrece por causa dos malfeitores e nem tem inveja de quem pratica o pecado (Sl 37:1); confia em Deus e pratica o bem (Sl 37:3,40); se agrada das coisas do Senhor (Sl 37:4); coloca sua vida nas mãos dEle e nEle confia (Sl 37:5,34); não se entrega à ansiedade e nem se revolta com a prosperidade de quem não a merece (Sl 37:7); não pratica o mal levado pela ira (Sl 37:8,27); espera no Senhor (Sl 37:9); age com mansidão (Sl 37:11); vive em retidão (Sl 37:17); é honesto, tem compaixão do próximo e o ajuda (Sl 37:21,26,37); tem seus caminhos direcionados pelo Senhor (Sl 37:23); é justo (Sl 37:25,29,39); vive em santidade (Sl 37:28); ama a lei de Deus (Sl 37:31). Por outro lado, esse salmo também mostra quais são as consequências destinadas àqueles que persistem em viver em pecado. Assim sendo, aprendemos que ter para ter nossos desejos ou necessidades atendidas pelo Senhor, precisamos ter mais do que alegria como cristãos - como pregam alguns -, mas principalmente uma vida de total obediência à vontade divina, a qual está explicitamente exposta na Bíblia Sagrada. Se alegrar no Senhor é priorizar as coisas do Alto, provando que o ama sendo fiel à Ele (Jo 14:21-24).

domingo, 14 de agosto de 2016

O Arrependimento da Rejeição ao Chamado

Jonas 2:1-10

O arrependimento se manifesta
trazendo angústia, a qual
proporciona um profundo
desejo de corrigir o erro
cometido; esse sentimento de
amargura é o que leva o servo
de Deus a procurar se
aproximar dEle por meio da
oração.
1 - Orando nas entranhas do peixe (2:1)
    A escuridão e um cheiro insuportável certamente dominavam o ambiente; as acomodações eram extremamente desconfortáveis e só o que se ouvia era o imenso barulho de água pelo lado de fora: o cenário “perfeito” para uma oração. Seu roteiro de viagem estava drasticamente alterado e, na condição de profeta, com certeza Jonas se perguntava “como foi mesmo que eu vim parar aqui?”. No entanto, não importa como tenha sido sua sensação de arrependimento, ela deve ter sido acompanhada pelo lamento de não ter feito o que era certo e, nesse momento, o que restava era orar para corrigir o tempo que foi gasto planejando uma viagem indevida, aplicando seu dinheiro pagando por aquela passagem e dormindo num momento em que poderia estar realmente orando.
    Quantas vezes esperamos que a escuridão e o mal cheiro da podridão de nossos próprios erros nos assolem, atormentando-nos com o barulho dos perigos lá fora, para então clamarmos ao Senhor que intervenha com sua misericórdia? Se orássemos mais antes das consequências, nos momentos de tormenta nossas orações seriam mais de gratidão do que por livramento (Sl 55:22; Mt 6:33). Um de nossos piores males é encarar a oração como um “disk-emergência” e não como uma conversa cotidiana entre Pai e filho. Quando entendermos isso poderemos ser livrados com antecedência ou, simplesmente, ter mais forças para suportar o desconforto das entranhas do peixe (2ª Co 12:7-9).

2 - Mantendo a fé em meio à angústia (2:2)
    O início de sua oração demonstra o tamanho de sua confiança no Todo-Poderoso. Ele podia ter suas falhas e defeitos, mas não há registro bíblico de que em algum momento ele tenha negado sua fé. O profeta ainda estava nas entranhas do peixe, mas tinha certeza da resposta divina. Em seu relato, ele descrevia aquele lugar como o inferno, só que mesmo naquele “inferno”, gritando em meio ao desespero, ele pôde ouvir a voz do Senhor. Aqui Jonas mostra que a confiança da resposta é a certeza da concretização do milagre. Ele havia pecado através da prática da desobediência, mas sabia que seu arrependimento poderia alcançar o perdão.
    Qual tem sido o conteúdo de suas orações? Com que certeza de resposta você tem orado? Geralmente, em momentos de angústia, diante de Deus temos duas reações: não oramos ou oramos sem fé. Porém, ainda que tenha errado, o crente que procura manter sua comunhão com Deus, independentemente do “inferno” em que esteja vivendo, sabe que seu grito - seu clamor - será ouvido e atendido por Ele (Lc 18:13,14), e crê também que qualquer acusação de pecado é apagada pelo poder do perdão (1ª Jo 2:1,2,12[1]).

3 - Reconhecendo a soberania divina (2:3)
    Ele sabia porque estava lá; essa afirmação deixa isso bem claro: “tu me lançaste no profundo no coração dos mares”. Dessa forma, ele reconhecia a soberania divina sobre a sua vida. Na sequência, cita ainda as correntes das águas que o cercavam e as ondas e as vagas[2] que passavam por cima dele. Essa narração da assustadora situação em que se encontrava, acompanhada do termo “tu me lançaste”, mostra a consequência de seu pecado e o peso das mãos de Deus que embora o estivesse livrando, fez isso de forma repreensiva.
    A melhor coisa, mesmo que a situação não esteja muito boa, é sabermos que o soberano Jeová está no total controle de nossa vida. De fato, muitas vezes, as águas nos cercam e suas ondas e correntes parecem que vão nos submergir; no entanto, não devemos nos esquecer que a razão de nossas queixas está em nossas próprias falhas (Lm 3:39) e que se Ele nos corrige é porque nos ama (Hb 12:5-8). Assim sendo, se a tua vida continua sendo preservada é porque ainda há um propósito a ser cumprido; apenas se acalme, continue clamando e espere o momento de se dispor a aceitar a nova oportunidade que te será concedida para cumprir sua missão.

4 - Preservando a esperança viva em meio à incerteza da vida (2:4)
    O profeta se encontrava nas profundezas do oceano, mas tinha uma convicção: mesmo lançado de diante dos olhos do Senhor, tornaria a ver seu santo templo. Isso significa que mesmo naquela situação aparentemente irreversível, ele tinha a esperança de uma oportunidade de sobrevivência, na qual ele tornaria a servir ao Senhor novamente. Essa dura experiência o levou a refletir e sentir a necessidade de fazer melhor tudo aquilo que ele havia negligenciado antes.
    Normalmente temos uma grande dificuldade em compreender e aceitar quando o Senhor nos permite cair nas “profundezas do oceano”; pois é muito mais fácil questionar a situação do que dizer “fui eu que errei, por isso estou aqui!”. Mas, a grande prova de arrependimento é quando nos sentimos lançados fora da presença do Senhor e lamentamos por isso, desejando, a todo custo, que seja mudada essa situação (Sl 51:9,10). As quedas, muitas vezes, não são para matar, mas para nos fazer enxergar que estávamos no caminho errado, concedendo-nos uma oportunidade de reverter nossos erros (Sl 37:23-25).

5 - Descrevendo a caótica situação à sua volta (2:5)
    Para chegar ao ponto de as águas envolverem seu corpo e até as algas[3] se enrolarem em sua cabeça, significa que ele já havia chegado ao fundo do mar. Muito provavelmente esse peixe se alimentava de algas e, no momento em que as engolia, seu ventre se enchia também de água; situação essa que, certamente, aumentava muito seu desconforto ali dentro.
    As consequências de nossos erros, muitas vezes, chegam a um nível tão insuportável que nos sentimos sufocados pelos problemas que enfrentamos. Quando percebemos que o peixe que nos engoliu está abrindo a boca, nos enchemos de esperança achando que vai nos lançar para fora, mas é apenas mais água e algas entrando por cima de nós, mostrando que estamos no fundo, bem longe da superfície. Nesse momento, quando nos sentimos cercados e enrolados pelos alimentos que sustentam nossos opressores, só o que nos resta é meditar na situação em que caímos; tal reflexão pode nos levar ao arrependimento e à um grande desejo de mudança (Sl 51:7-9[4]).

6 - Vivendo uma experiência de dependência total de Deus (2:6)
    Jonas não podia ver, mas podia sentir que estava na extremidade mais baixa da terra, conseguindo até compreender que passava pelas bases das montanhas, lugar esse em que o homem nunca havia estado antes. Sua angústia o fez sentir-se preso nas profundezas como se houvesse ali uma tranca. No entanto, sua esperança estava viva: ele permanecia crendo que o Senhor o livraria da perdição.
    As aflições podem nos levar à beira do desespero, fazendo-nos até mesmo sentir como se não mais houvesse saída; porém, elas têm seu lado positivo: aumentam nossa fé, produzindo em nós experiência (Rm 5:1-4). Descer aos fundamentos dos montes e se ver cercado pelos ferrolhos da terra não são uma experiência para a morte, mas sim uma prova de dependência em relação ao Todo-Poderoso (Sl 124:1-8; Rm 8:37).

7 - Reconhecendo que não há outra saída a não ser confiar no Senhor (2:7)
    O profeta estava de fato com suas forças desfalecendo, ou seja: sua morte se aproximava. Mas sua mente estava firmada no Senhor, isso o mantinha vivo. Ele orava. Suas orações restabeleceram sua comunhão com o Pai; ele podia sentir sua presença mesmo em meio à agonia física. Ele poderia ter se entregado achando que não haveria mais jeito e simplesmente esperar pela morte lenta e dolorosa que se seguia, mas não, pois ele sabia que, embora tivesse pecado, não estava abandonado.
    A saída pode até não ser visível, mas quando cremos que ela existe, nem mesmo o risco de morte é obstáculo para que desistamos da vitória. No entanto, existe um segredo e ele é essencial: a comunhão com Deus; por meio dela obtemos confiança, a qual expressa fé, e isso é agradável a Deus (Hb 11:6) e resulta em sua resposta (Mt 9:27-30). Porém, é ainda necessário ter em mente que não é apenas em momentos de aperto que devemos nos lembrar do Senhor, pois a comunhão constante pode evitar muitos males (1ª Ts 5:17,18; Lc 21:36).

8 - Pregando para si mesmo em meio à crise (2:8)
    Aqui ele parece analisar sua própria vida, refletindo sobre coisas desnecessárias que já haviam feito parte dela. Em algumas versões bíblicas, essas vaidades são interpretadas como a prática da idolatria, dizendo que quem as pratica está abandonando a misericórdia do verdadeiro Deus. Mais uma vez, isso mostra que ele compreendia que sua razão de estar ali era mesmo a desobediência. Nessa reflexão, ele ensinava a si mesmo o valor de se aproveitar as oportunidades diante do Todo-Poderoso.
    O que pode estar ocupando o lugar de Deus em nossa vida? Sempre dizemos que estamos libertos da idolatria e das vaidades de nossa vida, mas o que é idolatria e vaidade? Idolatria e vaidade vão além de imagens de escultura e do cuidado excessivo com o próprio corpo. Ambos os males são representados por coisas que não conseguimos deixar embora saibamos que não sejam edificantes e apenas nos satisfaçam temporariamente, se contrapondo ao que Jesus ensinou sobre renúncia (Mt 16:24-26). Pregue para si mesmo como para um pecador e analise se a Palavra fala contigo; essa autoanálise espiritual pode fazer a diferença para te arrancar das entranhas desse peixe. Não deixe que nada te afaste da misericórdia divina (Hb 2:1-3).

9 - O ardente desejo de fazer aquilo que devia ter feito antes (2:9)
    Ele sentiu a necessidade de oferecer algo ao Senhor. Mas o que oferecer naquela tão miserável situação? Talvez mal tenha lhe restado pedaços de suas roupas. A Bíblia não relata com exatidão, mas nos permite entender que ele ofereceu louvor[5] em forma de cântico dizendo “do Senhor vem a salvação”. Talvez ele não tenha cantado naquele momento, mas de alguma forma expressou esse ato de gratidão à Jeová, e comprometeu-se ainda a pagar um voto[6] a Ele como forma de sacrifício.
    Não deveria ser assim, mas, muitas vezes, é quando nos vemos submersos na angústia que reconhecemos a necessidade de gratidão e um grande desejo de oferecer algo ao Senhor. Mas o que oferecer quando não temos mais nada? Uma coisa é certa, sempre temos algo, pois oferta[7] não se resume em finanças. Seja um louvor por meio de cântico ou de alguma expressão de adoração ou até a utilização de algum dom ou habilidade que tenhamos em prol de sua Obra, isso já representa a entrega de uma oferta, um sacrifício (Sl 116:12-14). Se não podemos fazer algo no momento, até podemos oferecer um voto, mas não nos esqueçamos que isso é um compromisso diante de Deus e não pode deixar de ser pago (Dt 23:21-23), pois Ele não se agrada de sacrifícios de tolos (Ec 5:1-7).

10 - A prova do amor e da soberania de Deus, livrando e levando-o aonde Ele queria que fosse (2:10)
    Deus tudo contemplava naquela situação toda e, diante daquela oração, conduziu o peixe à terra e o ordenou que vomitasse a Jonas. Aqui podemos observar duas de suas características inquestionáveis: amor e soberania. Ele poderia ter entregue aquele profeta desobediente à morte e usado outro, ou simplesmente também ter desconsiderado a salvação dos ninivitas, pois os mesmos eram terríveis pecadores, mas, ao mesmo tempo que livrou Jonas da morte e levou a ele próprio ao cumprimento dessa missão, mostrou ainda que nenhuma circunstância o faria desistir de cumprir seu propósito de salvação com quem quer que fosse.
    Seja em relação aos que escolheu para fazer sua Obra (Jr 1:5), ou aos que precisam ouvir sua palavra (Jo 12:47-49), Deus tem um plano em cada vida e proporcionará meios para cumpri-lo porque Ele é fiel e não pode negar a si mesmo (Nm 23:19; 2ª Tm 2:13). Porém, a infidelidade é viva dentro de nós (Rm 7:15-20), a qual nos torna sujeitos à desobediência, deixando-nos vulneráveis a perder o que nos está destinado (1ª Co 10:12; Mt 26:41). Por essa razão, cuidemos para que naquele Grande Dia não sejamos cobrados por termos desonrado ao que o Senhor entregou em nossas mãos, sejam dons espirituais (Mt 25:24-30; 7:21-23[8]) ou a própria salvação (Hb 3:17-19).



[1]Propiciação: Ato realizado para aplacar a ira de Deus, de modo a ser satisfeita a sua santidade e a sua justiça, tendo como resultado o perdão do pecado e a restauração do pecador à comunhão com Deus. No Antigo Testamento a propiciação era realizada por meio dos Sacrifícios, os quais se tornaram desnecessários com a vinda de Cristo, que se ofereceu como sacrifício em lugar dos pecadores (Êx 32.30; Rm 3.25; 1ª Jo 2.2).
[2]Vaga: Onda.
[3]Alga: Planta que vive no fundo ou à tona de águas salgadas ou doces. As algas servem de alimentos para alguns tipos de peixe.
[4]Hissopo: Denominação comum às ervas ou subarbustos perenes do gênero Hyssopus, da família das labiadas, originárias do sul da Europa e da costa do Mediterrâneo ao centro da Ásia, com flores espiraladas em espigas bracteadas. Erva (Hyssopus officinalis) medicinal labiada, originária do sul da Europa, de folhas violáceas, altamente aromáticas e estimulantes, usada na fabricação de perfumes e licores. Planta que na purificação era usada para borrifar líquidos (Êx 12:22).
[5]Louvor: Ato de louvar. Aplauso, elogio, encômio. Glorificação. Expressão usada para se referir às músicas feitas para adorar a Deus.
[6]Voto: Promessa feita a Deus (Ec 5:4; At 18:18). Pedido a Deus (3ª Jo 1:2).
[7]Oferta: Ato de oferecer; oferecimento. Oblação, oferenda. Retribuição de certos atos litúrgicos. Dádiva. Promessa.
[8]Talento: O talento de ouro ou prata era a unidade de moeda romana para grandes quantidades de dinheiro. Ele foi introduzido na Grécia Antiga e depois adaptado para o sistema monetário romano. Um talento era igual a 60 minas, que, por sua vez eram equivalentes a 100 dracmas. Sabendo que uma dracma era igual a 4,5 a 6 gramas de ouro ou prata, um talento significava entre 27 a 36 quilos de metal. Estudiosos calculam que um talento hoje valeria no mínimo 1300 dólares (cerca de dois mil reais). Espiritualmente, os talentos representam os dons que o Espírito Santo nos concede e, na linguagem popular expressa as habilidades especiais de uma pessoa; era um termo muito usado pelos romanos para elogiar uma pessoa de valor.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Amém!

Ao dizer "amém" em uma oração
você está confirmando tudo aquilo
que disse, ou seja: está aceitando
que é dessa forma que as coisas
deveriam acontecer. Por isso,
tome muito cuidado e, antes de
colocar essa "assinatura" no final
de sua conversa com Deus, peça
a Ele que confirme e direcione
seus passos conforme a vontade
dEle.
    Certamente você, assim como todos nós cristãos, fala “amém” no final de suas orações; mas você sabe o significado dessa expressão? Então vamos aprender um pouquinho sobre ela: Registrada 75 vezes na Bíblia, essa pequena palavra de origem hebraica tem um efeito extraordinário. Sendo de simples pronúncia, é reconhecida em praticamente todas as línguas, o que a torna universal. Literalmente, seu significado é “assim seja” ou “é assim”, o que também pode ser traduzido ou entendido como “de fato”, “eu acredito”, “eu concordo”, “certamente” ou “com certeza” e também com vários outros sinônimos; a utilização desse termo é uma clara expressão de aprovação ao que foi feito ou falado.
    Não apenas no cristianismo, mas em inúmeras outras religiões, essa é a característica mais comum usada para indicar o término de uma oração, chegando a ser praticamente obrigatória. Seu uso rotineiro criou um efeito psicológico tão marcante que muitas pessoas, se não falarem ou não ouvirem um “amém” no final ficam com aquela sensação de que a oração não foi feita ou não foi atendida. Mas, assim como na utilização do nome de Jesus, a verbalização dessa palavra não produz nenhum efeito “mágico”, pois se não houver fé, sinceridade e propósito divino, não é uma palavra que vai ter poder para determinar o resultado de uma oração.
    Equivocadamente, várias vezes até de forma inconsciente, muitas pessoas utilizam o “amém” como sinônimo de “ponto final” quando querem determinar o fim de alguma coisa. O objetivo desse termo não é esse, pois seu uso serve tão simplesmente para expressar concordância em relação a atos ou palavras, e isso pode ocorrer tanto no início, quanto no meio como no final de qualquer ação.
    Das vezes em que aparece na Bíblia, a mais relevante é a que se refere ao próprio Senhor Jesus, quando se dirige à rebelde Igreja de Laodicéia[1] repreendendo-a por sua mornidão espiritual (Ap 3:14-16). Nessa ocasião, o fato de Ele próprio se denominar como o Amém nada mais é do que uma forma de Ele se identificar como sendo o verdadeiro ou aquele que é digno de confiança, e também como aquele que decide, aquele que faz. Inclusive, essa palavra deriva da raiz hebraica “amán”, a qual significa “ser fiel”. 
    Conforme acabamos de aprender, a palavra amém tem significado de concordância e não produz efeitos “mágicos”; porém, ela faz parte de nossas tradições litúrgicas e não temos razão alguma para querer mudar isso. Apenas, o que realmente importa é fazermos uso dela de forma racional (Rm 12:1), sabendo em que momentos e em que sentido a estamos pronunciando. No demais, discutir esse assunto significa simplesmente desviar a atenção de coisas realmente necessárias dando importância à picuinhas (1ª Tm 1:4). Amém?



[1]Laodicéia: Hoje com o nome de Pamucale (Pamukkale), Laodicéia foi uma das mais prósperas cidades da Frígia, durante a época romana. Possuía bancos, indústria têxtil e uma escola de medicina que produzia colírio para os olhos, embora tivesse problemas com o abastecimento de água. Em certa ocasião, foi construído um aqueduto que transportava as águas térmicas vindas de Hierápolis (cerca de dez quilômetros). Porém, quando a água chegava na cidade, não estava nem quente e nem fresca, mas apenas morna. A cidade é citada algumas vezes no Novo Testamento da Bíblia, na qual São Paulo esteve em sua terceira viagem missionário, sendo também mencionada entre as sete igrejas (da Ásia) do livro Apocalipse (Ap 3:14-22), considerada como uma igreja morna quanto à sua atividade, como uma metáfora à temperatura das águas que a abasteciam. A cidade foi destruída no ano 494dC por um grande terremoto; foi aí que teve início o declínio de sua grande prosperidade.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Em Nome de Jesus!

O nome de Jesus é como a
assinatura de uma carta de alforria,
a qual serviu para nos libertar da
escravidão do pecado; porém,
essa liberdade só é concedida a
quem estiver disposto a aceitar
a graça de servir a Ele.
    Jesus[1]. O que esse nome significa pra você? Sempre inserida de forma até automática no final de nossas orações, a expressão “Em nome de Jesus!”, para muitos, mais parece ser uma frase que produza algum efeito mágico tipo “Abracadabra!”, do que realmente uma demonstração de reconhecimento e submissão àquEle que nos deu o direito de nos dirigirmos diretamente a Deus em nome dEle. Para termos uma visão mais clara sobre esse assunto, vamos imaginar o seguinte: se um empresário te dá como pagamento uma folha de cheque devidamente assinada, quando você for ao banco, após a checagem da autenticidade daquela assinatura, sendo comprovada a existência de crédito relacionada àquele nome, o caixa será autorizado pelo sistema a te entregar o valor ali descrito. O simples fato de haver um nome de credibilidade garante que o pedido emitido naquela pequena folha de papel tem que ser atendido; assim é a oração no nome de Jesus: nós somos simples seres humanos cheios de falhas, mas Ele possui crédito sem limites diante do Pai Supremo e, mediante sua “assinatura” feita com sangue no seu sacrifício na cruz, Ele deu a todos os que o reconhecerem como Salvador um “cheque” - e não entendamos isso no sentido meramente financeiro -, o qual garante a seus servos também crédito para com o Todo-Poderoso. O mais interessante é que esse “cheque” está em branco, mas isso não nos dá o direito de colocar valores de acordo com nossa própria vontade, pois Deus é onisciente e não dará ouvidos a orações injustas (Tg 4:3).
    Há vários outros detalhes de extrema importância que devemos observar em relação ao uso do nome de Jesus, vejamos alguns:
ü  Sim. Há poder no nome de Jesus (Fp 2:9-11)!
ü  Ele pode sim ser usado em nossas orações (At 16:18).
ü  Não há nenhuma regra que obrigue sua colocação no final de cada oração (Mt 6:13).
ü  A expressão “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, só aparece na Bíblia sendo relacionada ao batismo (Mt 28:19).
ü  O poder nEle contido somente se materializa em nossa vida através da nossa obediência (1ª Jo 2:6).
ü  Sem fé e comunhão com Deus não adianta clamar pelo seu nome (At 19:13-16[2] [3]).
ü  Não é o uso do nome dEle que vai mudar os propósitos divinos (1ª Pe 4:14,19[4]).
ü  O nome de Jesus, assim como o poder por Ele concedido, não é um amuleto de sorte ou objeto de satisfação pessoal (At 8:18-22[5]).
ü  Nem todos os que invocam seu nome são realmente seus servos (Mc 13:5,6).
ü  Sendo Ele o próprio Deus, não devemos usar seu nome em vão, mas sim glorifica-lo (Ap 5:12,13).
    Existem também muitas pessoas que questionam a origem e o significado desse nome; porém, essa é uma preocupação sem sentido, pois, ainda que possam ter alguma razão, o único e verdadeiro Deus a quem servimos tudo sabe, conhece nossas limitações e não vai nos julgar pelo nosso conhecimento em relação aos significados de palavras, e sim pelas intenções do nosso coração (Lc 18:10-14[6]). No demais, o que realmente importa é que reconheçamos nossa independência em relação a Ele, usando seu nome de forma coerente, não encarando isso como um mero ritual a ser cumprido como que uma simples “reza”, sabendo o que e para quem estamos pedindo, tendo a consciência absolutamente tranquila, estando convictos de nossa fé, reconhecendo que acima de tudo estão os seus propósitos para conosco, cientes de que somos nós que devemos a Ele e não Ele a nós, buscando sempre capacidade para discernir o certo do errado e tendo sempre o cuidado de que o uso desse precioso nome não seja apenas um costume rotineiro e banal em nossa vida. Aprendamos isso em nome de Jesus!


[1]Jesus: Significa “Javé é Salvador”. É a forma grega de Josué (Mt 1:21). Cristo quer dizer Ungido; é o mesmo que o termo hebraico Messias (At 17:3). Ele é o Anjo do Senhor que aparece no Antigo Testamento (Gn 18:1-23). Esvaziou-se da sua glória e se humilhou, tomando a forma de ser humano (Fp 2:6-11). O seu ministério terreno durou mais ou menos 3 anos e meio.
[2]Exorcista: Aquele que pratica o exorcismo (forma de magia em que se procura expulsar espíritos maus por meio de fórmulas e cerimônias mágicas ( At 19:13-16); ato para expulsar espíritos maus pelo poder de Deus (Mt 10:8; 12:28; At 16:16-18)).
[3]Ceva: Em grego significa "Capaz de Ler os Pensamentos". Um judeu sumo sacerdote residente em Éfeso na mesma época em que o apóstolo Paulo exerceu seu ministério naquela região. Teve sete filhos, os quais eram praticantes de exorcismo (At 19:13-17).
[4]Vituperado: Vítima de vitupério. Censurado; criticado; insultado.
[5]Simão: Significa "Ouvinte". Na Bíblia aparecem nove homens com esse nome: 1) Pedro (Mt 4:18); 2) Iscariotes, pai de Judas (Jo 13:26); 3) O leproso (Mc 14:3); 4) Cirineu (Mt 27:32); 5) Curtidor (At 10:6); 6) Fariseu (Lc 7:40); 7) Mágico (At 8:9-24); 8) Zelote ou Cananeu (Mt 10:4); 9) Irmão de Jesus (Mt 13:55).
[6]Publicanos: Cobradores de impostos do governo romano. Termo pejorativo que define homens que negociam desonestamente.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Obrigado Senhor!

É nas pequenas coisas da vida
que se manifesta o imenso amor de
Deus; e é com as mais simples
palavras do nosso coração que
conseguimos dizer a Ele o quanto
somos gratos por isso.
    Pedir é muito bom. Principalmente quando a gente consegue o que quer, não é mesmo? Mas, depois do objetivo alcançado, qual deve ser a nossa postura? É interessante o tanto de campanhas, votos, propósitos e sacrifícios que vemos sendo divulgados por aí, mas não vemos nenhuma mobilização desses mesmos líderes religiosos para agradecer a Deus; você já viu algum cartaz escrito “Venha participar da grande campanha de gratidão a Deus” ou algo parecido? Na verdade, muitos de nós cometem esse mesmo erro: buscam incessantemente, choram, se humilham e prometem até o impossível, mas, quando alcançam, esquecem! Qual será o sentimento de Deus em relação a tudo isso? Considerando seus atributos humanos, imagine que alguém chegue em você desesperado, implorando ajuda e prometendo até fazer algo em seu favor ainda que você não tenha pedido. Então, mesmo vendo que aquela pessoa não merece, você vai e faz de tudo para ajudá-la; depois, você percebe que ela está sorrindo de novo e nem se preocupa em ligar pra saber como você está, e quando passa perto de ti ainda finge não te ver, mas quando a situação aperta de novo... olha lá quem tá batendo à sua porta mais uma vez! Como é que você se sentiria? Pois é assim mesmo que Deus se sente quando não expressamos nenhuma gratidão a Ele!
    As Escrituras Sagradas dão um amplo destaque para a importância da gratidão. Vejamos alguns deles:
·        Num coração que existe a verdadeira paz de Deus também existe a gratidão (Cl 3:15).
·        O cumprimento de um propósito seguido do agradecimento resulta em bênção (Jn 2:9).
·        O próprio Senhor Jesus nos ensinou a orar em agradecimento pelo sustento, para que ele seja multiplicado (Mt 15:36,37).
·        Precisamos também agradecer pelas revelações que o Pai nos concede (Lc 10:21).
·        Devemos orar incessantemente agradecendo por tudo (1ª Ts 5:17,18).
·        Mesmo em momentos de aflição devemos demonstrar nossa gratidão a Deus (Fp 4:6).
·        Precisamos lhe agradecer sempre pela sua misericórdia, da qual não nos fizemos merecedores (Is 12:1).
·        Em todas as nossas palavras e atitudes devemos expor a nossa gratidão a Ele (Cl 3:17).
·        O Senhor se agrada quando cantamos louvores de agradecimento (Ef 5:18-20).
·        A perseverança na oração deve ser seguida pela vigilância e pela gratidão (Cl 4:2).
·        O nosso Salvador espera pela nossa gratidão (Lc 17:15-18).
    Devemos, por hábito, sempre inserir a gratidão em nossas orações. Embora, por tendência natural, costuma-se proferir o agradecimento depois do favor alcançado, com o nosso Senhor é diferente: quando o agradecemos antes mesmo da resposta, estamos expondo diante dEle, e também dos homens, algo valiosíssimo de que Ele muito se agrada: a nossa fé[1] (Hb 11:6). E essa fé, a qual é uma manifestação sobrenatural, consiste não somente em aceitar aquilo que pareça bom aos nossos olhos quando tudo acontece da maneira como pedimos, mas também em entender que ainda que as dificuldades persistam, o Mestre está no controle do barco e tem um propósito até mesmo com a tempestade. Ainda que a nossa vida não pareça ser das melhores, precisamos compreender que o simples fato de estarmos vivos já é uma grande dádiva do Todo-Poderoso, o qual nada nos deve e bem poderia - e pode - dar a outro o privilégio de ocupar o nosso lugar. Por isso, jamais devemos omitir a importância de sermos gratos por tudo. O que melhor expressa a certeza e a segurança daquele que clama com fé e submissão diante de Deus é o ato da existência da gratidão em suas orações (Jo 11:41b).




[1]Fé: Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma afirmação. Crença nas doutrinas da religião cristã. A certeza absoluta de que algo vai acontecer.