domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Legado de Elias


Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD   |  1º Trimestre de 2013 - Lição 8 | Jonas M. Olímpio

A fidelidade de Eliseu à Elias,
como também a Deus, foi a
chave de seu bem sucedido
ministério
TEXTO ÁUREO
E disse Jeosafá[1]: Não há aqui algum profeta do SENHOR, para que consultemos ao SENHOR por ele? Então respondeu um dos servos do rei de Israel, dizendo: Aqui está Eliseu, filho de Safate[2], que derramava água sobre as mãos de Elias (2º Rs 3:11).

VERDADE PRÁTICA
Através do ministério de Elias aprendemos que os grandes homens foram aqueles que aprenderam a servir.

PALAVRA-CHAVE
Sucessor: Aquele que sucede a outrem ou que o substitui em cargo, funções.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1º Reis 19:16,17,19-21
16 - Também a Jeú[3], filho de Ninsi[4], ungirás rei de Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá[5], ungirás profeta em teu lugar.
17 - E há de ser que o que escapar da espada de Hazael[6], matá-lo-á Jeú; e o que escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu.
19 - Partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas[7] de bois adiante dele; e ele estava com a duodécima. Elias passou por ele e lançou a sua capa sobre ele.
20 - Então, deixou ele os bois, e correu após Elias, e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe e, então, te seguirei. E ele lhe disse: Vai e volta; porque que te tenho eu feito?
21 - Voltou, pois, de atrás dele, e tomou uma junta de bois, e os matou, e, com os aparelhos dos bois, cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então, se levantou, e seguiu a Elias, e o servia.

INTRODUÇÃO
·         Quando Elias foi arrebatado ao céu, seu legado[8] se manteve vivo na terra e foi continuado através de Eliseu; quando uma Obra é direcionada por Deus, ela não morre com a morte ou a desistência de seus executores.
·         Eliseu alcançou um incalculável privilégio ao receber em suas mãos a responsabilidade de dar continuação à missão do profeta Elias; porém, ele não recebeu isso por acaso, pois ele trabalhou muito em prol desse objetivo.
·         Da mesma forma, Elias não escolheu seu sucessor por acaso, porque, sendo um homem de Deus, ele bem sabia a importância do seu trabalho e que ele não poderia ser continuado por qualquer um.
·         O chamado de um servo de Deus para a Obra depende de uma série de fatores os quais incluem se caráter moral, sua condição espiritual e sua força de vontade para o trabalho:
Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.”
(At 6:3)

I - O longo percurso de Elias
1. Uma volta às origens
·         Elias caminhou aproximadamente 400 quilômetros até o Monte Horebe[9], o qual também é conhecido como Monte Sinai[10], o lugar aonde Deus apareceu e entregou a Lei a Moisés.
·         Foi necessário um grande esforço do profeta, o qual ele cumpriu sem questionar mesmo estando em um difícil momento de sua vida devido às perseguições de Jezabel; porém, sua recompensa foi ver o próprio Deus se manifestando a Ele poderosamente naquele lugar, como vemos em 1º Reis 19:9-18.
·         E foi logo após esse tremendo encontro com o Senhor que ele conheceu Eliseu, seu sucessor. Ir àquele monte representou retornar às origens - aonde Deus havia entregue a Lei ao homem posteriormente - para receber orientações de como deveria prosseguir em sua missão.
·         Confiar em Deus não significa esperar que Ele faça tudo, mas sim agir tendo a plena certeza de que Ele honrará o seu compromisso:
Esforçai-vos, e ele fortalecerá o vosso coração, vós todos os que esperais no SENHOR."
(Sl 31:24)

2. Uma revelação transformadora
·         No período em que ficou escondido numa caverna, Elias, preocupado consigo mesmo, parecia não ter muita noção sobre o que ocorria a sua volta até que Deus foi tratar com ele.
·         O Senhor lhe ajudou a resgatar sua autoestima mostrando-lhe que ainda estava com ele e que o seu trabalho não foi em vão;
·         E mostrou-lhe ainda que ele não estava só como pensava, mas que ainda haviam outros sete mil servos fiéis e ainda lhe revelou que era chegada a hora de ele ser substituído.
·         Muitas vezes, o Senhor nos permite passar por tão grandes aflições que, em nossa ente humana, pensamos estar completamente abandonados; mas quando mantemos a confiança nEle, Ele manifesta poderosamente mostrando que tudo isso faz parte de seu propósito em nossa vida:
Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. 11Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.”
(Tg 5:10,11)

II - Elias na casa de Eliseu
1. A exclusividade da chamada
·         Conforme está relatado em 1º Reis 19:19-21, esse foi o momento em que Elias se encontrou com Eliseu, o que marcou o início do seu chamado.
·         Há quatro importantes lições para nós no chamado de Eliseu:
a)      Haviam sete mil fiéis, e ele foi o escolhido: é necessário que façamos a diferença, dando o melhor de nós para que Deus nos exalte;
b)      Ele estava no campo trabalhando: não há como crescermos de braços cruzados, pois Deus tem compromisso com quem tem compromisso com Ele;
c)       Ele sacrificou os bois antes de seguir Elias, usando as próprias juntas para acender o fogo: é essencial que nos desprendamos daquilo que possa nos impedir de cumprir nosso chamado;
d)      Ele não somente seguiu, mas serviu a Elias: não basta estarmos presentes, é preciso que façamos parte de todos os projetos e trabalhos que visem o crescimento do Reino de Deus.
·         Elias não escolheu Eliseu por ter se agradado de sua aparência, posição social ou amizade, mas sim cumpriu uma ordem divina, pois o Senhor viu nele graça para essa Obra e o capacitou para isso.
·         A partir do momento em que temos a certeza de que realmente recebemos um chamado divino devemos nos prontificar a obedecê-lo, pois é isso que Deus espera de nós:
Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim."
(Is 6:8)

2. A autoridade da chamada
·         A chamada de Eliseu foi oficializada no momento em que Elias lançou o seu manto sobre ele;
·         Esse gesto simbolizava a autoridade profética significando uma transferência de unção.
·         Essa consagração não ocorreu por uma vontade própria de ambos, mas sim por sua disposição em obedecer a Deus. E sua autenticidade é comprovada através de seu ministério bem sucedido posteriormente.
·         Quando o Senhor realmente chama, Ele dá autoridade e a confirma através da ação do seu Espírito Santo, o qual se manifesta tornando a Obra bem sucedida mesmo que em meio à dificuldades:
E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!”
(Mc 16:20)

III - Elias e o discipulado de Eliseu
1. As virtudes de Eliseu
·         Eliseu foi um aprendiz obediente e observador. Ele não questionava as ordens ou as atitudes de seu líder, apenas o acompanhava e obedecia.
·         Em 2º Reis 2:2, vemos que ele fazia questão de estar ao lado de seu mestre, porque não só aprendia com ele como também o amava.
·         Sua expectativa era grande, pois ele sabia que algo tremendo estava para acontecer, e tinha total consciência do quanto seria importante para o seu ministério fazer parte desse tão grandioso evento.
·         Eliseu não se apressou, ele soube esperar o seu momento de ser exaltado; aqueles que realmente tem fé - confiança - naquEle que o chamou, sabe esperar  e, dessa forma, o trabalho sendo feito no tempo certo, acaba tendo também o resultado esperado:
sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. 4Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma."
 (Tg 1:3,4)

2. A nobreza de um pedido
·         Em 2º Reis 2:9 podemos observar que Elias deu a Eliseu a oportunidade de pedir o que quisesse; então, ele não pensou duas vezes e pediu que houvesse porção dobrada do seu espírito sobre ele.
·         Analisando o texto de Deuteronômio 21:17 podemos entender melhor o que significa essa porção dobrada: na Antiga Lei, o filho primogênito tinha direito a uma parte maior da herança, além do privilégio de tornar-se o chefe da casa na ausência do pai, foi por isso que ´Jacó fez tanta questão de comprar a primogenitura de Esaú.
·         Ao pedir porção dobrada do espírito de Elias, Eliseu, considerando-se como seu filho espiritual, sabendo que haviam outros discípulos de seu mestre, rogou-lhe o direito de primogenitura, certamente, por ser o mais achegado a ele. Em outras palavras, ele não queria apenas a unção que qualquer outro profeta poderia ter, mas sim algo mais - e isso não significa que fosse exatamente o dobro, ou que ele quisesse ser melhor do que Elias -.
·         Eliseu, assim como Salomão, foi abençoado porque desejou as coisas do alto, ou seja: as espirituais; o segredo de sermos bem sucedidos diante de Deus está em desejarmos o sobrenatural acima do natural:
Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. 2Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra;”
(Cl 3:1,2)

IV - O legado de Elias
1.Espiritual
·         Elias deixou grandes exemplos ao seu sucessor - e não somente problemas para resolver, como acontece normalmente -: sua coragem e perseverança foram tesouros valiosos da herança que ele deixou ao seu filho espiritual.
·         “Substituir” um líder como esse é mais que um simples privilégio, mas também uma grande responsabilidade, a qual Deus não confiaria a qualquer um; certamente, muitos quiseram ter essa oportunidade, mas foi em Eliseu que Deus encontrou as condições necessárias para isso.
·         Assim como Elias, Eliseu também tinhas suas falhas, mas quando o homem está espiritualmente de pé, não há nada que o impeça que impeça de ser aprimorado e capacitado para qualquer grande missão.
·         Momentos ou situações de fraqueza fazem parte da vida de qualquer homem de Deus; porém, os que estão realmente edificados em Cristo conseguem superá-las e não as usam como desculpas de quedas espirituais:
Porque o que faço, não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço. 16E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. 17De maneira que, agora, já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. 18Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. 19Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. 20Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. 21Acho, então, esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. 22Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus."
 (Rm 7:15-22)

2. Moral
·         Um grande exemplo do bom caráter moral de Elias foi o fato de mesmo ele tendo acesso ao palácio, não se rendeu às vantagens que o rei lhe poderia ter proporcionado se ele profetizasse falsamente como os profetas que se dobraram a Baal.
·         Não se vender ao sistema mesmo tendo que enfrentar duras consequências é uma qualidade moral bastante incomum até mesmo entre os “servos” de Deus. Elias suportou tudo enfrentou a todos em nome da defesa da fé.
·         Diante de toda essa demonstração de fidelidade, o peso que estava sendo colocado sobre o ombro de Eliseu ia muito além da capacidade de muitos para batalhar em nome do Reino Espiritual. Com certeza, muitos desejaram e invejaram quando ele conquistou essa posição, mas Deus conhece o coração de cada um.
·         Ter vontade de fazer a Obra é uma coisa, mas ter condições e a aprovação de Deus para realiza-la é outra; de fato, o Senhor transforma o homem, mas é necessário que ele esteja disposto a ser transformado:
Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado[11], excelente obra deseja. 2Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; 3não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso[12], não avarento; 4que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia 5(porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); 6não neófito[13], para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. 7Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo.”
(1ª Tm 3:1-7)

CONCLUSÃO
·         Com o ministério de Elias, aprendemos que o servo de Deus não é um super herói espiritual totalmente infalível, mas sim um homem comum sujeito às mais diversas falhas e dificuldades, que somente consegue superá-las admitindo sua completa dependência de Deus.
·         Com o ministério de Eliseu, aprendemos que ter um chamado não é questão de sorte ou merecimento, mas de perseverança, dedicação, fé, obediência e humildade, honrando sempre aqueles que se dispõem a nos ensinar e ajudar.
·         A vida desses dois grandes profetas é um valiosíssimo exemplo a ser seguido por todos nós que almejamos e que fomos chamados para o serviço do Reino.
·         Eliseu foi imitador de Elias, assim como Paulo foi imitador de Cristo. A quem você tem imitado? Isso faz uma grande diferença entre servir ou não a Deus verdadeiramente:
Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo.”
(1ª Co 11:1)

Jonas M. Olímpio



Eliseu era um homem do campo
e as juntas de bois tinham uma
grande importância no sustento
de sua família, mas ele largou
tudo isso para traz, quando
recebeu seu chamado e se
dispôs a cumprir a vontade de
Deus
[1]Jeosafá: Josafá. Quarto rei de Judá, que reinou de 870 a 848 a.C., depois de Asa, seu pai. Mandou ensinar ao povo a Lei do Senhor (2º Cr caps. 17-20). É também o nome do vale em que Deus julgará todas as nações no Dia do Senhor (Jl 3:2,12).
[2]Safate: A Bíblia relata a existência de cinco homens com esse nome: 1) Filho de Hori e o príncipe de Simeão escolhido para observar a terra prometida; 2) Pai do profeta Eliseu; 3) Um judaíta, filho de Semaías e descendente de Zorobabel na linhagem real de Judá; 4) Um líder da tribo de Gade; 5) Filho de Adlai e líder dos pastores a serviço de Davi nos vales.
[3]Jeú: Décimo rei de Israel, que reinou 28 anos (841-814 aC). Matou Jorão e reinou no lugar dele. Matou adoradores de Baal e também Jezabel e Acazias, rei de Judá, e os descendentes de Acabe (2º Rs caps. 9-10).
[4]Ninsi: Avô do rei Jeú (1º Rs 19:16).
[5]Abel-Meolá: Uma cidade de Issacar, terra natal de Eliseu.
[6]Hazael: Rei da Síria, que reinou de 841 a 798 a. C. em lugar de Ben-Hadade, a quem assassinou. Dominou e castigou o povo de Israel e esteve a ponto de atacar Jerusalém (2º Rs 8:7-15,28-29; 10:32; 12:17-18; 13:3,22-24).
[7]Junta de boi: É o nome popular dado a uma dupla de bois utilizados para desenvolver trabalhos de tração em atividades rurais como puxar um carro de bois ou um arado. As juntas de bois são unidas por uma canga (jugo), que assenta na nuca dos bois, prendendo-os pelo pescoço.
[8]Legado: Missão; continuação de um trabalho. Disposição, a título gracioso, por via da qual uma pessoa confia a outra, em testamento, um determinado benefício, de natureza patrimonial; doação "causa-mortis". Parte da herança deixada pelo testador a quem não seja herdeiro por disposição testamentária nem fideicomissário.
[9]Monte Horebe: Também chamado de Sinai, está situado entre os golfos de Suez e de Ácaba. Nesse monte foi dada a Moisés a Lei (Êx 19:20-20.26). É também o nome do deserto ao seu redor (Êx 19:1).
[10]Monte Sinai: Também chamado de Horebe, está situado entre os golfos de Suez e de Ácaba. Nesse monte foi dada a Moisés a Lei (Êx 19:20-20.26). É também o nome do deserto ao seu redor (Êx 19:1).
[11]Episcopado: A função de bispo (1ª Tm 3:1). supervisão. Ministério de supervisão, ofício, cargo, ofício de um ancião. Supervisores ou dirigentes de uma igreja cristã.
[12]Contencioso: Causador de contendas. Que é contestado, litigioso. Duvidoso, incerto. Encrenqueiro. Popularmente chamado de contendeiro.
[13]Neófito: Novo convertido.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD   |  1º Trimestre de 2013 - Lição 8  |  Jonas M. Olímpio

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