segunda-feira, 28 de julho de 2014

O que a Bíblia Diz Sobre Fazer Orações à Santos?

Todas as pessoas, independentemente
do fato de terem praticado muitas
boas obras na terra, são iguais para
Deus; absolutamente ninguém está
autorizado a substituir o lugar de Jesus
como mediador e nem a cumprir o
papel do Espírito Santo como
intercessor.
    É lícito pedir aos santos - refiro-me a religiosos que já morreram - que intercedam por nós diante de Deus? Antes de responder a essa pergunta é importante analisarmos a seguinte questão: “Quem são os santos?”. A Bíblia aplica esse termo referindo-se àqueles que são realmente fiéis a Deus, mais claramente falando: aos que vivem em santidade[1] (Rm 1:7; 15:25; 1ª Co 6:1,2; Fp 4:21; 1ª Ts 5:27; 1ª Pe 1:16).  Porém, de um modo geral, no que se refere aos costumes dos nossos queridos irmãos católicos, santos são pessoas extremamente piedosas, as quais, depois de mortas, alcançam o direito à canonização[2], obtendo também poder para interceder pelos vivos que clamam  - e também adoram - a eles tendo a fé de que receberão um milagre. Essa crença tem algum fundamento? Baseando-nos no fato de as Sagradas Escrituras afirmarem que os mortos nada sabem sobre o que ocorre na terra (Ec 9:5,6) e que não podem ter contato com os vivos (Lc 16:26), podemos concluir que não há nenhum fundamento bíblico que sustente esse argumento. Da mesma forma que nada podemos fazer por aqueles que já se foram, eles também nada podem fazer por nós e sequer por eles mesmos. Portanto, não podem ser intercessores ou mediadores entre a terra e o mundo celestial.
     Os que defendem essa prática tentam justificá-la usando referências do Novo Testamento que falam sobre a importância e a necessidade de os homens intercederem uns pelos outros; porém, isso é um gravíssimo erro de interpretação, pois, em todas elas, é claríssimo o fato de que os santos a quem devemos pedir oração são os nossos irmãos que estão vivos e não os que já morreram (Rm 12:13; Tg 5:16). E a maior prova que temos de que não existem mediadores humanos está em 1ª Timóteo 2:5, onde a Palavra não nos deixa dúvidas: “[...] há um só Deus, e um só Mediador[3] entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”; nossas orações devem ser dirigidas diretamente a Deus (Mt 6:9), por meio do nome de Jesus (Jo 14:13,14) e com a ajuda do Espírito Santo que é quem intercede por nós (Rm 8:26[4]).
    Crer na necessidade da intervenção de santos - principalmente santos mortos - em nossas orações é o mesmo que não crer que Deus tenha poder suficiente para nos ouvir e atender, e pensar que Jesus e o Espírito Santo também não estejam em condições de desempenhar o seu papel e, que por isso, necessitem da ajuda de “assessores” que possam conduzir nossas petições até Ele. Atitude essa que consiste em pecado abominável, pois o nosso Senhor possui todo o poder no céu e na terra e todas as criaturas estão sujeitas ao seu domínio (Jd 1:25). Além do mais, Ele proíbe terminantemente a prática da idolatria[5] (Êx 20:3,4; Dt 6:14; Ap 22:15[6]), pois não aceita dividir a sua glória com ninguém (Is 42:8).



[1]Santidade: Atributo de Deus (Pai, Filho e Espírito) pelo qual ele é moralmente puro e perfeito, separado e acima do que é mau e imperfeito (Êx 15.11; Sl 29.2; Hb 12.10). Qualidade do membro do povo de Deus que o leva a se separar dos pagãos, a não seguir os maus costumes deste mundo, a pertencer somente a Deus e a ser completamente fiel a ele (1Ts 3.13). No AT, separação de coisas ou pessoas para Deus e para o culto. Eram santos os sacerdotes (Lv 21.6-8), os nazireus (Nm 6.5-8), Canaã (Zc 2.12), Jerusalém (Is 52.1), o Templo (Sl 11.4), os altares, o óleo e os utensílios do culto (Êx 30.25-29), os sacrifícios (Êx 28:38), etc.
[2]Canonização: O ato de atribuir a alguém o status de Santo; uma prática comum na Igreja Católica.
[3]Mediador: Pessoa cuja função é reconciliar partes. Cristo é o mediador da nova Aliança, através de quem Deus e as pessoas são reconciliados (Is 42:6; 1ª Tm 2:5; Hb 8:6; 9:15).
[4]Inexprimível: Indizível, inefável, inexpressável, inexplicável.
[5]Idolatria: Adoração de Ídolos. Deus proíbe a adoração de qualquer imagem, seja de um deus falso ou do Deus verdadeiro (Êx 20:3-6). As nações que existiam ao redor de Israel eram idólatras, e Israel muitas vezes caiu nesse pecado (Jr 10:3-5; Am 5:26-27). Entre outras, eram adoradas as imagens de Baal, Astarote e Moloque e o Poste-ídolo.
[6]Cães: Expressão usada em Filipenses 3:2 e em Apocalipse 22:15 para definir pessoas imundas, impuras. Esse era um termo pejorativo usado pelos judeus, referindo-se aos gentios. De acordo com a lei cerimonial, o cão era um animal imundo. Ser chamado de cão era uma ofensa muito grande. Devido a sua imundície, Satanás é popularmente chamado de cão.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O que a Bíblia Diz Sobre Orar Pelos Mortos?

Não há como iluminar o caminho
de alguém que já se foi; pois se
em vida ele não andava na luz,
não há quem possa salvá-lo das
trevas agora.
    Muitos crentes novos convertidos que saíram do catolicismo, questionam algumas práticas da doutrina evangélica, as quais vão contra aquilo que eles aprenderam durante anos. Uma dessas práticas é a não aceitação da oração pelos mortos. Por razões de sentimentalismo humano, é claro que entendemos a lógica da vontade de fazer algo pelos entes queridos que se foram; porém, como servos do Senhor, sabemos que a razão tem que estar acima da emoção, e a nossa razão é direcionada pela Bíblia, a qual reconhecemos ser a autêntica e inerrante Palavra de Deus. Sendo assim, diante dessa, como de qualquer outra questão, temos a obrigação de perguntar: “O que as Escrituras Sagradas dizem sobre isso?”.
    Uma das afirmações mais claras sobre o assunto se encontra em Hebreus 9:27, que diz: “[...] aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo,”. Essa declaração não deixa dúvida alguma: depois da morte, o que ocorre é apenas o juízo, ou seja: o julgamento, e isso é tanto para a salvação quanto para a condenação. Não há aqui nenhuma brecha que nos permita entender que entre a morte e o julgamento exista alguma oportunidade de mudança do veredito[1] divino através de orações intercessórias, sacrifícios ou quaisquer outros meios conhecidos e praticados nas mais diversas religiões.
    Obviamente, não podemos negar que aqueles que defendem a prática das orações pelos finados utilizam sim a Bíblia; os mesmos se apoiam num texto do Antigo Testamento contido no livro de 2º Macabeus 12:32-45, que diz que, depois que alguns judeus foram mortos numa batalha contra Górgias[2], o então governador da Iduméia[3], enquanto Judas[4] Macabeus[5] e seus soldados recolhiam os corpos para sepultá-los, descobriram escondidos em suas roupas objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia[6], os quais a Lei proibia terminantemente aos israelitas. Ao saber que os falecidos haviam cometido tal pecado, puseram-se em oração rogando que os mesmos fossem perdoados e fizeram uma coleta juntando quase duas mil dracmas[7] de prata, enviando-as a Jerusalém como sacrifício expiatório[8] para indulgência[9] daquelas almas. Há aí dois pontos de extrema importância a serem observados que podemos considerar como falhas na teologia católica:
    Primeiro: Os livros de Macabeus são considerados apócrifos[10] e, além do mais, no texto que se segue, é dito que “se Judas não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos”; isso mostra que, ainda que esse livro fosse inspirado por Deus, esse trecho seria apenas uma narrativa histórica da fé e da opinião particular de um homem, - o qual, como todos, é sujeito a erros de interpretação, até mesmo porque, na época, havia uma grande influência de povos pagãos que acreditavam nisso  - e não uma determinação divina para se orar pelos falecidos.
    Segundo: Essa linha de raciocínio vai totalmente contra os padrões doutrinários ensinados na Bíblia. Pois a própria santificação seria algo sem sentido sendo que alguém poderia interceder por minha salvação após minha morte; sendo assim, por que eu obedeceria a Deus? Mas, ao contrário disso, a Palavra nos alerta que sem santificação ninguém será salvo (Hb 12:14).
    Finalizando, bem sabemos que na passagem da vida para a morte, imediatamente, os salvos gloriosamente encontrarão a Cristo (Lc 23:43), não havendo assim necessidade que se ore por eles; enquanto que os condenados, infelizmente, partirão direto para a condenação eterna (Lc 16:22,23[11]), num lugar de onde não mais se pode sair (Lc 16:26), não sendo possível aos vivos fazerem absolutamente nada por eles; fato esse que também desmente a existência do que seria uma tal “sala de espera” para o julgamento chamada purgatório[12].



[1]Veredito: Ou veredicto: Decisão de um júri ou de qualquer outro tribunal judiciário acerca de uma causa cível ou criminal. Juízo pronunciado em qualquer matéria. Opinião autorizada. Ratificação.
[2]Górgias: Foi um general sírio-selêucida do século II a.C., que serviu ao rei Antíoco Epifanes.
[3]Iduméia: Foi um reino ao sul da Jordânia no primeiro milênio aC. na Idade do Ferro. A região tem muito arenito avermelhado, que pode ter dado origem ao nome. Povo originado por Edom (Esaú). Os edomitas foram um grupo tribal vizinhos de Judá ao sul, de língua semítica habitantes do Deserto de Negev e do vale de Arabá do qual é hoje o sul do Mar Morto e vizinho ao Jordão.
[4]Judas: Na Bíblia existem sete Judas: 1) Iscariotes, escolhido por Jesus para ser apóstolo (Mt 10:4), sendo o tesoureiro do grupo (Jo 12:6). Traiu a Jesus (Mt 26:47-49) e, depois, enforcou-se (Mt 27:3-5; At 1:16-19). 2) Irmão de Jesus (Mt 13:55) e provável autor da carta que leva seu nome (Epístola de Judas). 3) Apóstolo, filho de Tiago, também chamado de Tadeu (Mt 10:3; Lc 6:16). 4) Cristão de Damasco, em cuja casa Paulo se hospedou, após sua conversão (At 9:11). 5) Cristão que se destacou na igreja de Jerusalém, também chamado de Barsabás (At 15:22-32). 6) O Galileu, um revolucionário (At 5:37). 7) Macabeu, chefe da revolta dos macabeus (Sua história está registrada nos livro apócrifos 1º e 2º Macabeus).
[5]Macabeus: Nome dado a uma família de judeus, também conhecida como Hasmoneus, que liderou a revolta contra a Síria, governada por Antíoco IV Epífanes. O chefe da revolta foi Matatias, cujo bisavô se chamava "Hasmoneu", provavelmente da cidade de Hasmoná. "Macabeu", que quer dizer "martelo", era o apelido de Judas, o maior de seus líderes e um dos filhos de Matatias. A revolta começou em 167 aC., e a família continuou a governar o povo judeu até 63 aC.
[6]Jâmnia: É uma cidade de Israel, no distrito Central. Era conhecida como Iamnia ou Jamnia durante o período romano. Segundo o livro apócrifo 2º Macabeus, era um lugar aonde havia muita idolatria.
[7]Dracma: O mesmo que darico: uma moeda de ouro que pesava 8,4 g (1ºCr 29:7)). No Novo Testamento, moeda grega de prata que tinha o mesmo valor do denário (Lc 15:8).
[8]Expiatório: Que serve de expiação (cumprimento de pena imposta para pagamento por crime ou erro).
[9]Indulgência: Qualidade de indulgente. Clemência. Condescendência, tolerância. Remissão total ou parcial das penas relativas aos pecados. Perdão. Absolvição plena das penas temporais. 
[10]Apócrifo: Que não foi reconhecido como devidamente inspirado. Que não é do autor a que se atribui. Teologicamente, refere-se aos também conhecidos como Livros Pseudo-canônicos: são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs (ou seja, há livros apócrifos do Antigo Testamento) nos quais os pastores e a primeira comunidade cristã não reconheceram a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo e, portanto, não foram incluídos no cânon bíblico. esse termo foi criado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo (um período de 400 anos). São livros que, segundo a religião em questão, não foram inspirados por Deus e que não fazem parte de nenhum cânon. São também considerados apócrifos os livros que não fazem parte do cânon da religião que se professa. Alguns deles são aceitos pela Igreja Católica (Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque e também as adições em Ester e Daniel).
[11]Hades: Lugar dos maus; também traduzido como inferno (Mt 11:23;16:18; Lc 10:15; 16:23; At 2:27,31; Ap 1:18; 6:8; 20:13,14). Na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos.
[12]Purgatório: É uma errônea visão da teologia católica que define a condição e processo de purificação, ou castigo temporário em que as almas daqueles que morrem em estado de graça são preparadas para o Reino dos céus.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Que é Oração em Espírito?

O cumprimento de rituais nem
sempre é sinônimo de reverência.
Compreender isso é o primeiro passo
para entender o verdadeiro
significado de comunhão espiritual.
    Para entender o significado desse tipo de oração, primeiro é preciso saber diferenciar para não fazer confusão entre orar no ou com o Espírito [Santo] e orar com o espírito [humano] - note aí a diferença entre a letra “e” maiúscula e minúscula -. A primeira se refere a uma oração que, independentemente de ser verbalizada ou não, é aquela com a qual a pessoa se sente realmente em contato com o Espírito Santo e com poder espiritual, o que também pode incluir o ato de orar em línguas; e a segunda a uma oração silenciosa, privada, sem aparentar que se está orando. A utilização desses termos, não importa em que sentido, tem causado certa discórdia por parte daqueles que não conhecem seu significado. Não se trata aqui do fato de haver ou não necessidade de que sejamos ou não profundos conhecedores da língua portuguesa, mas é, na verdade, uma questão de interpretação bíblica que deve ser esclarecida para que sua aplicação errônea não continue levando pessoas a pensarem que não se deve orar em silêncio ou que, de fato, exista um tal de “espírito de oração”.
    Mas, afinal, quais são as bases bíblicas que nos ajudarão a resolver esse mal entendido? Antes de tudo, é preciso ressaltar que esse assunto é abordado na Bíblia por três vezes, analisemos, então, separadamente, a cada uma dessas referências:
    Efésios 6:18 - Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos,”. Esse texto nos passa claramente a ideia de uma oração constante, pois fala sobre “orar o tempo todo”, mas como isso seria possível? A única forma de manter uma vida de constante oração é viver conectado ao Senhor por meio da santificação, ou seja: andar em Espírito ou viver cheio do Espírito. Há momentos em que não podemos parar para fazer uma oração formal, por isso é importante estarmos sempre em sintonia com o Espírito Santo, exercendo nossa fé com vigilância e perseverança em nossas súplicas, em todo o nosso modo de pensar, falar e agir.
    Judas 1:20 - Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,”. Embora esteja no mesmo sentido do texto acima, aqui é possível notar a necessidade de uma oração dirigida a Deus de uma forma mais intensa. Isso expressa uma ideia de poder espiritual alcançado por meio do contato com Deus. Essas palavras expressam o quanto é necessário que haja edificação da fé por meio da oração, a qual resulta em poder espiritual. Esse tipo de oração pode ser tanto em voz alta quanto em voz baixa, como também em línguas espirituais ou na língua natural, pois não é o barulho ou o silêncio, tanto como o meio de se expressar ou sentir a presença de Deus, que definem a autoridade na hora de lutar contra as forças malignas, mas sim a fé, a santidade e o propósito de Deus na operação de um milagre ou no envio de uma resposta.
    1ª Coríntios 14:15 - Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.”. Os dois textos acima nos ensinam o valor da comunhão e da autoridade espiritual. Já aqui, aprendemos a aplicar esse valores com reverência e sabedoria, a qual pode ser traduzida como ordem e decência. Numa oração, nem tudo o que sentimos ou pensamos devemos falar, pois há coisas de nosso ser interior que devemos tratar apenas com Deus, pois a exposição de nossas intimidades podem provocar escândalos e resultar na perda da nossa credibilidade perante o homem. Quanto às coisas que podemos verbalizar em orações públicas, devemos ainda ter o cuidado quanto a maneira que vamos nos expressar. Por mais que estejamos alegres por nossa edificação espiritual, devemos também considerar o fato de que o Senhor pode nos usar em profecia enquanto oramos, e nos lembrar que há pessoas precisando compreender o que estamos falando para que elas também sejam edificadas. Mesmo em momentos de profunda comunhão com o Espírito Santo, é preciso que a razão se sobressaia diante da emoção, sabendo que estamos cheios e não possessos pelo Espírito Santo, o qual não nos obriga a nada e nos dá plena liberdade de pensamento e ação.
    Agora, pra encerrar, vamos tratar a respeito desse polêmico “espírito de oração”: ele existe na Bíblia? Não! Mas não vamos radicalizar e aprendamos a respeitar a liberdade de expressão alheia. Pois, quando analisamos a intenção de quem usa esse termo, conseguimos compreender que seu objetivo é dizer que está orando em pensamento: sem elevar a voz. Na verdade, a própria língua portuguesa lhe dá o direito de se expressar dessa maneira, pois, a palavra espírito também é definida como um sentido nem sempre expresso claramente ou um estado de comportamento; então, isso quer dizer que quando eu uso o termo espírito de oração estou dizendo que, em meu ser interior, estou em um estado ou comportamento de oração, ou seja: estou simplesmente orando em pensamento. E é ainda importante destacar que “orar em pensamento” não é o mesmo que “pensar que está orando”, por isso é importante termos a total certeza de que estamos realmente em contato com o Espírito Santo e não perdidos em nossos próprios pensamentos; essa é a razão pela qual muitos preferem orar em voz alta: suas condições psicológicas não lhes permitem acreditar que estão realmente orando se não abrirem a boca. Para vencer isso é preciso, primeiramente, conhecimento da Palavra para entender que as coisas de Deus são muito mais simples do que parecem e não meros rituais e, depois, plena certeza de sua comunhão espiritual. Em oração, nossos pensamentos valem tanto quanto nossas palavras se formos sinceros e fiéis àquEle com quem estamos nos comunicando.

domingo, 20 de julho de 2014

Quando a Oração Não é Ouvida

Há duas coisas que incomodam em nossa
comunicação com Deus: sua resposta
negativa e o seu silêncio; porém, como
servos devemos estar sempre prontos
não só para aceitar suas decisões, mas
também para entender que Ele é digno de
confiança e sabe o que é melhor para nós
    Como cristãos, geralmente aprendemos que somos abençoados e que nenhum mal pode nos atingir. Mas para compreender isso é necessário saber até que ponto as promessas divinas deixam de ser materiais e passam a ser somente espirituais, e também quais são as condições para isso. O defeito de muitos é achar que são “ungidos intocáveis” encarando qualquer problema como sendo maldição ou castigo, não considerando os propósitos de Deus, os quais, muitas vezes, sejam quais forem seus motivos, consistem em duras provas até mesmo sobre os mais fiéis dos seus servos; lembra do exemplo de Jó (Jó 1:8,12; 2:6)? O maior teste de fidelidade de um crente não é quando ele é colocado diante de um difícil trabalho a realizar na Obra ou desafiado a fazer um grande “sacrifício”, mas sim quando ele se encontra numa situação de adversidade e ora clamando ao Senhor por uma solução e, quando não tem o silêncio como resposta, somente recebe o seguinte consolo: “A minha graça te basta!”. Isso foi o que aconteceu com o apóstolo Paulo (2ª Co 12:8,9): foi isso que Deus lhe disse depois de ele ter orado três vezes sobre algo que o afligia, dando-lhe como promessa apenas uma certeza: “O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza!”. Ao ouvir essas afirmações, Paulo não entrou em desespero e nem desanimou, sua atitude foi aceitar a vontade de Deus dizendo: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias[1], nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte!”. Com essas palavras ele quis dizer que quando o crente confia em Deus e conhece a sua voz, não teme as adversidades e nem desanima diante dos obstáculos nem mesmo perante as mais difíceis circunstâncias, pois não tem a si mesmo como o mais precioso e dá prioridade aos interesses do Reino de Deus, tendo como maior prazer a sensação de dever cumprido em sua condição de servo, sabendo que a maior vitória não está no mundo material, mas no espiritual.
    Tanto nesse texto como em outras epístolas, Paulo nos ensina várias lições de extrema importância de como lidar com aquela difícil sensação de derrota de quando oramos e não alcançamos o que queremos ou precisamos. Algumas dessas lições são:
a)     A vontade de Deus deve estar em primeiro lugar (Ef 6:6);
b)     O crente que está firme em Cristo se gloria por padecer pelo nome dEle (Rm 5:3-5);
c)     Ser usado pelo Senhor, mesmo que de forma sofrida, é um privilégio e não uma derrota (2ª Co 12:15[2]);
d)     A humildade no cumprimento dos propósitos divinos, para o verdadeiro fiel, proporciona poder espiritual e não complexo de inferioridade (Cl 1:24,25[3]);
e)     Agradar a Cristo sem questionar em meio as dificuldades não significa aceitar a derrota, mas sim ser submisso a sua soberania confiando em sua graça, misericórdia e justiça (2ª Co 4:16,17);
f)      Nossa verdadeira força não está naquilo que Ele nos dá, mas naquilo em que Ele nos transforma quando nEle somos fortalecidos (2ª Co 4:18).
    Para conseguir compreender e aceitar uma resposta aparentemente negativa de Deus, o cristão precisa ser dotado de algumas virtudes tais como fé para crer que Ele está no controle, perseverança para lutar constantemente por uma solução, discernimento para entender se é mesmo Deus quem o está provando ou se a fonte do seu problema é carnal ou maligna, conhecimento para proceder prudentemente diante da dificuldade, humildade para reconhecer sua fragilidade e dependência do Todo-Poderoso e convicção da sua salvação para considerar que vale a pena enfrentar qualquer infortúnio em nome dos propósitos divinos (Mt 5:10-12[4]).
    Apenas quem está verdadeiramente na presença de Deus sabe o quanto é valioso poder contar com a sua maravilhosa Graça. O que para os evangélicos triunfalistas do “evangelho moderno” é sinônimo de conformismo e privação de bênçãos, para o verdadeiro crente significa ousadia e confiança através do fortalecimento daquEle que tudo pode. Pois quem tem a certeza de estar, mesmo com suas falhas, em real comunhão com o Senhor sabe que tudo o que acontece contribui para o seu bem, resultando no melhor para ele (Rm 8:28), entendendo ainda que esse “melhor” pode muitas vezes não significar conforto financeiro, saúde perfeita e felicidade sentimental, mas sim oportunidades e condições de, através de seus dons, ser um autêntico colaborador participante da expansão do Reino de Deus, ajudando a resgatar almas das mãos do inimigo. Uma das coisas que o crente aprende em suas experiências na caminhada com Cristo - isso para aquele que realmente caminha com Cristo - é ser cada vez mais confiante pelo fato de saber que o Senhor conhece os seus limites e quer o seu bem (1ª Co 10:13).
    Quem está realmente edificado espiritualmente não ora determinando suas bênçãos, porque tem a reverência e a sensatez de pedir ao Senhor que tudo faça conforme a sua vontade.  Isso não é apenas um sinal de respeito, mas também uma forma de reconhecer a soberania de Deus sobre a sua vida. O determinismo[5] é um ato abominável[6] aos olhos do Senhor porque passa a impressão de que Deus é sujeito ao homem e não o homem sujeito a Deus. Essa prática tem formado uma geração de “adoradores” iludidos com um falso evangelho, sobre o qual, quando abrem os olhos, muitas vezes, se decepcionam e abandonam sua fé, pois a mesma estava fundamentada em homens, os quais, incentivando a declarar, exigir, decretar e profetizar bênçãos (2ª Pe 1:21), prometeram satisfazer suas necessidades e desejos materiais, ensinando que não se deve aceitar nenhum tipo de aflição, assim contrariando totalmente os ensinamentos das Escrituras Sagradas (Jo 16:33). Sendo a realização da satisfação pessoal sua real intenção da “aproximação” de Deus, quando se veem frustrados em seus objetivos, muitos revoltam-se com a igreja tornando-se inimigos dela. Para as vítimas desses falsos ensinamentos, a única solução é lembrarem que, primeiramente, deve-se olhar para Cristo e não para o homem e, depois, devem entender que é necessário que se apegue à Palavra de Deus compreendendo seu real conteúdo, o qual ensina que o importante não é livrar-se dos problemas, mas ser vencedor em meio a eles. Isso sim é um grande milagre e também a maior prova de que é verdadeiramente possível viver pela fé: a confiança e a dependência de Deus.
    E não podemos nos esquecer que isso também aconteceu com o próprio Jesus Cristo (Lc 22:42-44[7]). Em um momento de terrível agonia Ele não se impôs, nem se sentiu um derrotado e tampouco desistiu de orar. Pelo contrário, colocou a soberania divina acima da sua vontade e, num grande gesto de humilhação (Fp 2:8), mesmo com o aumento da aflição, colocou-se a orar ainda mais. Sabe qual foi o resultado disso? Ele foi fortalecido por um anjo do céu, recebeu graça para suportar todo o sofrimento que estava por vir na cruz e, finalmente, foi tremendamente honrado em sua gloriosa glorificação na qual Ele foi mais que vencedor (Fp 2:9-11). O que podemos aprender com isso? O incomparável exemplo de Cristo nos mostra que quando nos lançamos aos pés do Senhor depositando toda nossa confiança nEle, nossa oração nem sempre é atendida da maneira que esperamos, mas sim da forma a qual Ele sabe que é a melhor para que os seus propósitos - e não os nossos - sejam cumpridos. E quando somos compreensivos e obedientes ao seu modo de agir, a vitória, que nem sempre se manifesta materialmente, é inevitável. Assim como o apóstolo Paulo orava em meio as aflições e recebia mais bênçãos espirituais do que materiais, Jesus também recebeu sua maior vitória no céu e não na terra, pois seu corpo físico não foi poupado e, morrendo, ele foi declarado vencedor sobre a própria morte (2ª Tm 1:10). Ironia? Não! Essa é apenas uma das formas de Deus trabalhar. Aparentes derrotas não significam que Ele não esteja ouvindo suas orações, mas sim que o caminho dEle não é igual ao teu (Is 55:8,9). Se você tem plena convicção de que está em comunhão espiritual, não há porque duvidar de que Ele esteja te ouvindo (Is 55:6,7; 2º Cr 7:14).




[1]Injúria: Ofensa.
[2]Alma: A parte não-material e imortal do ser humano (Mt 10:28), sede da consciência própria, da razão, dos sentimentos e das emoções (Gn 42:21). Os dicotomistas entendem que o ser humano é corpo e alma, sendo espírito sinônimo de alma. Os tricotomistas acreditam que o ser humano é corpo, alma e espírito. "Alma vivente" quer dizer "ser vivo" (Gn 2:7). Na Bíblia, muitas vezes, a palavra "alma" é empregada em lugar do pronome pessoal significando "vida". (Sl 22.20), e, outras vezes, quer dizer "pessoa" (Êx 1:5).
[3]Dispensação: Da parte de Deus, o plano de salvação da humanidade (Ef 1:10; 3:9). Da parte do ser humano, "dispensação" é trabalho ou missão que visa à aplicação do plano divino em favor da humanidade (1ª Co 9:17; Ef 3:2; Cl 1:25).
[4]Exultar: Alegrar-se, regozijar-se.
[5]Determinismo: Prática comum no meio evangélico moderno, a qual pode ser considerada herética devido ao fato de expressar a ideia de que o homem tem poder para determinar bênçãos ou maldições de acordo com sua própria vontade por meio de “palavras proféticas”. Esse tipo de pensamento é uma forma de autopromoção daqueles que se dizem “profetas de Deus”.
[6]Abominável: Impuro, nojento, repulsivo, reprovável, maldito.
[7]Cálice: Linguagem figurada que representa uma porção ou experiência de alguém, seja prazenteira ou adversa. Designações divinas, sejam favoráveis ou desfavoráveis. Comparável a um cálice que Deus apresenta a alguém para beber: tanto de prosperidade, como de adversidade.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Biblicamente Falando: Tem Alguma Coisa Errada Aqui

Apresentação
    Quem nunca se decepcionou ao ler a Bíblia e ver que muitas coisas que acontecem em sua igreja estão em desacordo com ela? Com o crescimento da propagação do Evangelho, consequente-mente, tem aumentado também os problemas causados pela mistura de coisas profanas em meios às sagradas; porém, isso já era previsível, afinal, o joio cresce junto com o trigo. No entanto, isso não é desculpa para nos acomodarmos, conformando-nos com a qualidade daquilo que nos é apresentado como sendo o Evangelho de Cristo, pois quando nos calamos consentimos com os erros sendo tolerantes com a “doutrina de Jezabel”, a qual visa desviar os servos do Senhor de seu verdadeiro alvo, conduzindo-os ao abismo. Muitos, principalmente líderes - seja por maldade ou até por ingenuidade mesmo - distorcem o conteúdo das Sagradas Escrituras para satisfazer seus próprios interesses ou até por acharem que estão agradando a Deus dessa maneira. Reagir contra isso não é rebeldia, mas uma demonstração de fidelidade ao Senhor, o qual nos confiou a responsabilidade de pregar e defender a verdade ainda que isso nos custe um alto preço diante dos homens.
    O propósito desse trabalho não é apontar erros ou condenar aqueles que os cometem - afinal, todos cometemos falhas -, mas sim levar o leitor a refletir criticamente sobre sua conduta, despertando sua atenção para a necessidade da busca do conhecimento da Palavra, a qual é a maior ferramenta de defesa contra todos os perigos a sua volta, tanto dentro como fora da igreja.

CONTEÚDO
- 80 páginas coloridas; 18 estudos bíblicos; 115 notas de rodapé com significados das palavras mais difíceis; 118 referências bíblicas; 17 ilustrações com imagens e gráficos.

TEMAS
- A Geração de Jonas
- Aonde Estão Aqueles que Ainda Têm Compromisso com Deus?
- Estamos com Medo do Quê?
- O que Tenho te Dou!
- Nosso Descanso Não é Aqui
- Será que Isso Não é Problema Nosso?
- Entre na Moda! Seja Evangélico!
- A Lojinha Pirata de Satanás
- Sacrifícios de Tolo
- Jovem Cristão: Ser ou Não Ser? Eis a Questão!
- A Importância da Teologia
- Como Usar a Informática a Favor do Evangelho
- Quando o Pastor Pensa que o Cajado é Chicote
- Pregadores ou Predadores?
- Carta ao Pregador
- “Com Roupa Normal Estou Vestido, Mas com Terno Estou Revestido”
- Televisão: Um Entretenimento Ameaçador
- Desenhos Animados - Desenhando o Mau Caráter em Nossas Crianças

Apostila com encadernação espiral (21x15cm)


Disponível para download

Senhor, Eu Confio em Ti, Mas... Não Sei o que Fazer

Apresentação
    Ser crente não é ser super-herói, e reconhecer isso já é um grande passo para vencer qualquer batalha. Por mais que estejamos firmes na fé e haja sinceridade em nosso coração, sempre haverá circunstâncias adversas que nos façam questionar com nós mesmos se estamos ou não agradando ao Senhor. Essas dúvidas não são exclusividade daqueles que estão chegando no Evangelho agora ou dos que não têm intimidade com as Escrituras Sagradas, pois elas atingem sem dó até mesmo os mais antigos e experientes obreiros da Casa de Deus. E é nesses momentos que percebemos o quanto é frágil a nossa estrutura espiritual e o quanto devemos agradecer ao Todo-Poderoso pelo privilégio de termos sido alcançados pela sua maravilhosa Graça, porque por mais que choremos nossas dores sabemos que encontraremos respostas e soluções em sua Santa Palavra.

    O presente trabalho aqui exposto reúne uma série de temas relacionados à confiança em Deus e a sua misericórdia para com os seus servos. Trata-se, na verdade, da organização em forma de textos de alguns dos vários esboços de sermão os quais eu elabo-rei para usar pregando a Palavra de Deus desde o início da minha caminhada. Meu objetivo aqui é compartilhar daquilo que o Senhor tem me falado e levado a transmitir à sua Igreja por meio da Palavra: a maior fonte de revelação da sua vontade.


Conteúdo
- 76 páginas coloridas
- 12 estudos bíblicos;
- 149 notas de rodapé com significados das palavras mais difíceis; 
- 567 referências bíblicas;
- 17 ilustrações com imagens e gráficos

Temas
- Como Ser Liberto das Tentações?
- Como Encarar as “Missões Impossíveis” que Surgem à Minha Frente?
- Será que Ainda Há Tempo para Buscar a Deus?
- Será que Realmente Conheço a Deus?
- Até que Ponto Eu Confio Realmente em Deus?
- Como Confiar na Justiça Divina em Um Mundo Tão Injusto?
- De que Forma Posso Satisfazer Minha Necessidade Interior?
- Como Posso Saber se Está Mesmo Havendo Transformação em Minha Vida?
- Serei Castigado se Agir com Ganância?
- Vale a Pena Ser Justo?
- Qual é a Relação Entre Unção e Provisão?
- Qual é a Minha Bandeira?

Apostila com encadernação espiral (21x15cm)


Disponível para download (PDF)

Sou Crente... E Agora, o que Eu Faço?

Apresentação
    Como todas as descobertas, os primeiros passos de um novo cristão também despertam muita curiosidade e, consequentemente, dúvidas. As perguntas mais frequentes de novos convertidos e adolescentes que estão se preparando ou pensando se devem ou não se batizar, giram em torno dos temas mais básicos, os quais qualquer crente um pouco mais instruído tem por obrigação ter uma pronta resposta.  E é aí que entra a figura dos instrutores de discipulado, os quais tem o desafiador papel de encarar as mais inesperadas indagações, cujas respostas podem fazer a diferença entre a formação de um futuro obreiro ou mais um evangélico desviado.
    O objetivo desse trabalho não é estabelecer um padrão doutrinário - pois isso cabe a cada denominação e seus líderes -, e nem ser um canal absoluto de respostas, mas apenas contribuir com o crescimento, visando proporcionar conhecimento e interesse por desenvolvimento espiritual em seus leitores, mostrando-lhes que a sua principal base de orientação deve ser a infalível e inerrante Bíblia Sagrada.

Conteúdo
- 76 páginas coloridas
- 11 estudos bíblicos;
- 214 notas de rodapé com significados das palavras mais difíceis; 
- 171 referências bíblicas;
- 15 ilustrações com imagens e gráficos.

Temas
- O que é Ser Crente?
- Qual é o Significado do Batismo nas Águas?
- Como Devemos Orar?
- Como Obter Consolo em Momentos de Angústia?
- O que é Fazer a Vontade de Deus?
- Por que um Servo de Deus Não pode Viver em Pecado?
- O que é Blasfêmia Contra o Espírito Santo?
- O que São e Como Obter os Dons Espirituais?
- O que é Consagração e Jejum?
- Por que é Importante Ofertar na Casa do Senhor?
- Como o Crente Deve Constituir e se Relacionar com a Sua Família?

Apostila com encadernação espiral (21x15cm)


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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os Dons Espirituais Concedidos por Deus aos Seus Servos

Ao recebermos dons espirituais
não devemos nos comportar como
crianças quando ganham um
brinquedo novo usando-o para se
satisfazer, mas sim agir com
maturidade sabendo que eles
devem frutificar em nossas mãos.
TEXTO BÍBLICO
Ef 4:8 - "Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens."

COMENTÁRIO RESUMIDO
    Ter dons ou talentos significa ter domínio ou habilidade em relação a algo. Durante toda nossa vida, desenvolvemos vários tipos de habilidades, as quais, quando passamos a servir ao Senhor, percebemos que elas são aprimoradas. Espiritualmente, o termo "dom" refere-se a capacidade dada ao ser humano para fazer algo em favor da Obra de Deus servindo a Ele diretamente ou ao próximo. A Bíblia se refere a várias categorias de dons que se subdividem basicamente em três classes: Dons de Serviço, Dons Espirituais e Dons Ministeriais. As formas como se manifestam e são executados por cada pessoa são variadas, mas o Espírito é o mesmo, assim como seu objetivo: conduzir o homem ao Reino de Deus (Rm 12:3-8; 1ª Co 12:4-7).

    A palavra "dom" tem o mesmo significado de "dádiva" que, sendo originada pela raiz hebraica nathan, significa "dar". Pode-se assim afirmar que um dom não é um mérito conquistado por esforço humano, mas um presente dado por Deus. Os dons espirituais no Antigo Testamento não se manifestavam da mesma forma que atualmente, e estavam restritos aos sacerdotes que precisavam ser levitas, aos profetas que eram os únicos que ouviam a voz de Deus e aos reis, os quais eram ungidos para assumirem o trono em Israel. Haviam algumas exceções diante da necessidade de se executar algum trabalho de forma especial, e aí podemos perceber que muitas das habilidades naturais do homem foram dadas por Deus com algum propósito específico (Êx 31:2-6).

    Já no Novo Testamento, com a Graça concedida pelo Senhor Jesus Cristo, as restrições foram abolidas, tornando-os acessíveis a todos os que recebem o Espírito Santo. Em vários textos, a palavra "dom" aparece ligada ao verbo grego didomi tendo também o significado de "dar", só que com um sentido mais ativo. Vemos aí que os dons têm a função de promover o relacionamento entre as pessoas e também a edificação pessoal, não sendo mais apenas um objeto para cumprimento de uma ordem divina ou execução de um ritual ou serviço religioso (Tg 1:17,18).

    Todas as diversas denominações classificatórias em relação aos dons são meramente pedagógicas para facilitar o entendimento dos leitores; a Bíblia não os apresenta dessa forma, pois o apóstolo Paulo apenas mencionou os dons em ordem alheatória demonstrando ter simplesmente a preocupação de ensinar a Igreja sobre a importância e a necessidade de ela estar devidamente preparada para cumprir a Obra missionária deixada por Jesus Cristo. Antes disso, os primeiros líderes cristãos já mostravam ter um grande cuidado em relação a isso escolhendo criteriosamente os obreiros, dividindo-os em cada serviço de acordo com suas habilidades - alguns como diáconos e outros como ministros da Palavra -, considerando sua reputação, espiritualidade e sabedoria  (At 6:2-4).

    No texto de Romanos 12:3-8, podemos ver claramente que os dons não são para uso particular, mas sim para benefício coletivo. Isso nos ensina que o que aprendemos e recebemos por parte do Senhor vai além da edificação ou benefício pessoal, e essa é uma boa resposta àqueles que se afastam do Caminho e dizem não precisar fazer parte de uma Igreja para servir a Deus, pois, tanto espiritual quanto fisicamente, ninguém tem capacidade para fazer tudo sozinho; precisamos uns dos outros. E, além do mais, por mais capacitação ou status ministerial que alguém alcance, ninguém é tão habilidoso ou espiritual que possa se considerar melhor ou independente de seu próximo. Jesus foi quem nos deu o maior exemplo disso (Jo 13:14,15).

    O texto de 1ª Coríntios 12, já se inicia com o apóstolo Paulo afirmando categoricamente que não devemos ser ignorantes acerca dos dons espirituais. Estes, embora também sejam de grande importância para a coletividade, têm ainda muito valor para a edificação pessoal daqueles que os possuem. Nessa ocasião, Paulo demonstra uma grande preocupação com a conduta dos crentes que não haviam aprendido a se controlar na ministração dos seus dons, pois, devido suas experiências passadas em templos idólatras, muitos cometiam exageros se dizendo estar cheios do Espírito Santo. Por essa razão, o apóstolo persistia em ensinar sobre a importância em se manter a ordem no culto. Quem ignora a ética litúrgica está menosprezando os mandamentos do Senhor ensinados na sua Palavra (1ª Co 14:36-40).

    Os dons ministeriais, de acordo com Efésios 4:11, são definidos da seguinte forma: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores. Independentemente do fato de algumas denominações fazerem uso ou não de alguns desses termos como títulos eclesiásticos oficiais de suas instituições, todos têm validade desde que aqueles que os exerçam cumpram os requisitos bíblicos relacionados a eles. Seus objetivos envolvem o ensinamento da Palavra aos membros da igreja, o crescimento da mesma através da evangelização e o desenvolvimento espiritual tanto a nível individual como coletivo. Essa divisão hierárquica da liderança visa organizar e estabelecer ordem nas congregações para que se cumpra da melhor maneira possível a missão de propagar o Evangelho. Diferentemente do sacerdócio na antiga Lei, o poder espiritual não está centralizado unicamente nesses homens - pois Jesus o possibilitou a todos instituindo a Graça -, mas apenas a igreja como órgão está com sua direção confiada a Eles enquanto estiverem exercendo suas funções de acordo com os ensinamentos bíblicos, o que consiste em saber que a Obra pertence a Deus e não a eles, pois são meros administradores (1ª Pe 5:2,3).

    Os dons são de extrema importância para a Igreja, pois também contribuem para que os irmão se mantenham em comunhão sabendo que são dependentes uns dos outros. De modo geral, considerando-se raríssimas exceções, ninguém tem ou exerce todos eles. Quanto à herética teoria de que os dons foram cessados com a morte dos primeiros apóstolos e discípulos, a Bíblia é bem clara ao afirmar que seu cessamento será apenas quando se der o arrebatamento da Igreja, pois então eles não mais serão necessários (1ª Co 13:8-10).

    Apesar de o texto de 1ª Coríntios 12 listar especificamente nove dons, imagina-se que Paulo tenha simplesmente destacado os que eram mais importantes - ou que estivessem sendo alvos de maiores problemas - para a igreja de Corinto naquela ocasião, pois existe uma extensa variedade relacionada a cada um deles. O mais importante para nós não são os dons em si, mas a razão de os termos recebido, porque o Espírito Santo nos concede somente aquilo que Ele quer de acordo com a necessidade para a realização de seus propósitos (1ª Co 12:11,7).

    Ter dons, assim como receber bênçãos, não é uma garantia de santidade e muito menos uma prova de superioridade. Precisamos ter a consciência de que quanto mais recebemos de Deus, mais teremos que prestar contas a Ele. É necessário aprendermos também a respeitar nossos irmãos que não receberam a mesma capacidade que nós não os julgando porque não sabem fazer isso ou aquilo, lembrando que também temos limitações, e que o fato de alguém não ser bem sucedido em algo não significa que ele ore menos ou não esteja em comunhão com Deus, porque uns foram chamados para a Palavra, outros para os serviços do templo, outros para o louvor e outros para oração, etc.; no entanto, todos nós executamos essas mesmas atividades, porém, com intensidade maior ou menor segundo a habilidade que nos é concedida pelo Espírito Santo. A compreensão mútua é uma demonstração de amor e respeito tanto pelo próximo quanto para com Deus (1ª Pe 4:10).

    Nenhum dom é restritamente para proveito próprio e tampouco para elevação do ego. Tudo o que o Senhor nos dá tem um propósito, o qual consiste tanto na expansão do Reino de Deus quanto na edificação da sua Igreja. As habilidades e a autoridade espiritual a nós concedidas não devem ser consideradas como um mérito e aplicadas para a realização de nossa satisfação pessoal, mas sim encarada como uma grande responsabilidade, a qual deve produzir resultados que serão requeridos de nossas mãos. Portanto, façamos com temor e amor aquilo que nos foi ordenado, não por medo de sermos castigados, mas por agradecimento e também sabendo que por isso seremos devidamente recompensados (Hb 6:9,10).

GLOSSÁRIO
Dom: Domínio sobre algum tipo de atividade. Talento, prenda, aptidão, capacidade, habilidade especial, Bem espiritual proporcionado por Deus: graça. Dádiva ou presente oferecido a alguém.
Engastar: Fixar pedra preciosa em metal precioso (Êx 28:11).
Exortar: Animar, incentivar, estimular: exortar os jovens a prosseguir sem desânimo. Induzir, conversar. Advertir, admoestar, aconselhar.
Grande Comissão: Encargo ou incumbência; ordem. A Grande Comissão, na tradição cristã, é a instrução dada pelo Jesus ressuscitado aos seus discípulos para que eles espalhassem seus ensinamentos para todas as nações do mundo.
Lavor: Gravação em relevo (Êx 28:11). Lavrar; esculpir.
Ministério: Serviço. Cargo ou ofício de Ministro (Conselheiro; auxiliar; empregado). Desempenho de um serviço. Exercício de um serviço religioso especial, como o dos levitas, sacerdotes, profetas e apóstolos; Vocação, disposição, tendência predominante numa pessoa, atitude característica; Dom, capacidade que o Espírito Santo concede aos servos de Deus para uso em favor dos outros. Uma habilidade especial de fazer algo. Arte de ministrar.
Ministrar: Exercer um ministério (serviço). Servir; ajudar (At 19:22; Rm 15:27).
Místico: O que professa o misticismo. O que se dá à vida contemplativa, espiritual. Que se refere à vida religiosa. Que se relaciona com o espírito, e não com a matéria. Misterioso, alegórico, figurado (falando das coisas religiosas que envolvem razão oculta e incompreensível). O que escreve sobre o misticismo. Misto; misturado.
Pregresso: Decorrido anteriormente. Que aconteceu primeiro.
Primícia: Os primeiros frutos colhidos. Os primeiros animais nascidos de um rebanho. Primeiras produções; primeiros efeitos; primeiros lucros. Obra-prima. O principal; o mais importante.
Vislumbre: Clarão pouco sensível; luz frouxa, indecisa. Reflexo. Aparência confusa, indistinta, vaga. Ideia indistinta. Conjetura, indício. Parecença leve. Vestígio, sinal.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 2º Trimestre de 2014 - Dons Espirituais e Ministeriais - Lição 1 | Jonas M. Olímpio
Esse trabalho não é uma cópia, mas um comentário baseado nas Lições Bíblicas que visa auxiliar professores no preparo das aulas ou simplesmente servir apoio na aprendizagem dos alunos e também na meditação dos leitores em geral.