segunda-feira, 28 de julho de 2014

O que a Bíblia Diz Sobre Fazer Orações à Santos?

Todas as pessoas, independentemente
do fato de terem praticado muitas
boas obras na terra, são iguais para
Deus; absolutamente ninguém está
autorizado a substituir o lugar de Jesus
como mediador e nem a cumprir o
papel do Espírito Santo como
intercessor.
    É lícito pedir aos santos - refiro-me a religiosos que já morreram - que intercedam por nós diante de Deus? Antes de responder a essa pergunta é importante analisarmos a seguinte questão: “Quem são os santos?”. A Bíblia aplica esse termo referindo-se àqueles que são realmente fiéis a Deus, mais claramente falando: aos que vivem em santidade[1] (Rm 1:7; 15:25; 1ª Co 6:1,2; Fp 4:21; 1ª Ts 5:27; 1ª Pe 1:16).  Porém, de um modo geral, no que se refere aos costumes dos nossos queridos irmãos católicos, santos são pessoas extremamente piedosas, as quais, depois de mortas, alcançam o direito à canonização[2], obtendo também poder para interceder pelos vivos que clamam  - e também adoram - a eles tendo a fé de que receberão um milagre. Essa crença tem algum fundamento? Baseando-nos no fato de as Sagradas Escrituras afirmarem que os mortos nada sabem sobre o que ocorre na terra (Ec 9:5,6) e que não podem ter contato com os vivos (Lc 16:26), podemos concluir que não há nenhum fundamento bíblico que sustente esse argumento. Da mesma forma que nada podemos fazer por aqueles que já se foram, eles também nada podem fazer por nós e sequer por eles mesmos. Portanto, não podem ser intercessores ou mediadores entre a terra e o mundo celestial.
     Os que defendem essa prática tentam justificá-la usando referências do Novo Testamento que falam sobre a importância e a necessidade de os homens intercederem uns pelos outros; porém, isso é um gravíssimo erro de interpretação, pois, em todas elas, é claríssimo o fato de que os santos a quem devemos pedir oração são os nossos irmãos que estão vivos e não os que já morreram (Rm 12:13; Tg 5:16). E a maior prova que temos de que não existem mediadores humanos está em 1ª Timóteo 2:5, onde a Palavra não nos deixa dúvidas: “[...] há um só Deus, e um só Mediador[3] entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”; nossas orações devem ser dirigidas diretamente a Deus (Mt 6:9), por meio do nome de Jesus (Jo 14:13,14) e com a ajuda do Espírito Santo que é quem intercede por nós (Rm 8:26[4]).
    Crer na necessidade da intervenção de santos - principalmente santos mortos - em nossas orações é o mesmo que não crer que Deus tenha poder suficiente para nos ouvir e atender, e pensar que Jesus e o Espírito Santo também não estejam em condições de desempenhar o seu papel e, que por isso, necessitem da ajuda de “assessores” que possam conduzir nossas petições até Ele. Atitude essa que consiste em pecado abominável, pois o nosso Senhor possui todo o poder no céu e na terra e todas as criaturas estão sujeitas ao seu domínio (Jd 1:25). Além do mais, Ele proíbe terminantemente a prática da idolatria[5] (Êx 20:3,4; Dt 6:14; Ap 22:15[6]), pois não aceita dividir a sua glória com ninguém (Is 42:8).



[1]Santidade: Atributo de Deus (Pai, Filho e Espírito) pelo qual ele é moralmente puro e perfeito, separado e acima do que é mau e imperfeito (Êx 15.11; Sl 29.2; Hb 12.10). Qualidade do membro do povo de Deus que o leva a se separar dos pagãos, a não seguir os maus costumes deste mundo, a pertencer somente a Deus e a ser completamente fiel a ele (1Ts 3.13). No AT, separação de coisas ou pessoas para Deus e para o culto. Eram santos os sacerdotes (Lv 21.6-8), os nazireus (Nm 6.5-8), Canaã (Zc 2.12), Jerusalém (Is 52.1), o Templo (Sl 11.4), os altares, o óleo e os utensílios do culto (Êx 30.25-29), os sacrifícios (Êx 28:38), etc.
[2]Canonização: O ato de atribuir a alguém o status de Santo; uma prática comum na Igreja Católica.
[3]Mediador: Pessoa cuja função é reconciliar partes. Cristo é o mediador da nova Aliança, através de quem Deus e as pessoas são reconciliados (Is 42:6; 1ª Tm 2:5; Hb 8:6; 9:15).
[4]Inexprimível: Indizível, inefável, inexpressável, inexplicável.
[5]Idolatria: Adoração de Ídolos. Deus proíbe a adoração de qualquer imagem, seja de um deus falso ou do Deus verdadeiro (Êx 20:3-6). As nações que existiam ao redor de Israel eram idólatras, e Israel muitas vezes caiu nesse pecado (Jr 10:3-5; Am 5:26-27). Entre outras, eram adoradas as imagens de Baal, Astarote e Moloque e o Poste-ídolo.
[6]Cães: Expressão usada em Filipenses 3:2 e em Apocalipse 22:15 para definir pessoas imundas, impuras. Esse era um termo pejorativo usado pelos judeus, referindo-se aos gentios. De acordo com a lei cerimonial, o cão era um animal imundo. Ser chamado de cão era uma ofensa muito grande. Devido a sua imundície, Satanás é popularmente chamado de cão.

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