sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os Dons Espirituais Concedidos por Deus aos Seus Servos

Ao recebermos dons espirituais
não devemos nos comportar como
crianças quando ganham um
brinquedo novo usando-o para se
satisfazer, mas sim agir com
maturidade sabendo que eles
devem frutificar em nossas mãos.
TEXTO BÍBLICO
Ef 4:8 - "Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens."

COMENTÁRIO RESUMIDO
    Ter dons ou talentos significa ter domínio ou habilidade em relação a algo. Durante toda nossa vida, desenvolvemos vários tipos de habilidades, as quais, quando passamos a servir ao Senhor, percebemos que elas são aprimoradas. Espiritualmente, o termo "dom" refere-se a capacidade dada ao ser humano para fazer algo em favor da Obra de Deus servindo a Ele diretamente ou ao próximo. A Bíblia se refere a várias categorias de dons que se subdividem basicamente em três classes: Dons de Serviço, Dons Espirituais e Dons Ministeriais. As formas como se manifestam e são executados por cada pessoa são variadas, mas o Espírito é o mesmo, assim como seu objetivo: conduzir o homem ao Reino de Deus (Rm 12:3-8; 1ª Co 12:4-7).

    A palavra "dom" tem o mesmo significado de "dádiva" que, sendo originada pela raiz hebraica nathan, significa "dar". Pode-se assim afirmar que um dom não é um mérito conquistado por esforço humano, mas um presente dado por Deus. Os dons espirituais no Antigo Testamento não se manifestavam da mesma forma que atualmente, e estavam restritos aos sacerdotes que precisavam ser levitas, aos profetas que eram os únicos que ouviam a voz de Deus e aos reis, os quais eram ungidos para assumirem o trono em Israel. Haviam algumas exceções diante da necessidade de se executar algum trabalho de forma especial, e aí podemos perceber que muitas das habilidades naturais do homem foram dadas por Deus com algum propósito específico (Êx 31:2-6).

    Já no Novo Testamento, com a Graça concedida pelo Senhor Jesus Cristo, as restrições foram abolidas, tornando-os acessíveis a todos os que recebem o Espírito Santo. Em vários textos, a palavra "dom" aparece ligada ao verbo grego didomi tendo também o significado de "dar", só que com um sentido mais ativo. Vemos aí que os dons têm a função de promover o relacionamento entre as pessoas e também a edificação pessoal, não sendo mais apenas um objeto para cumprimento de uma ordem divina ou execução de um ritual ou serviço religioso (Tg 1:17,18).

    Todas as diversas denominações classificatórias em relação aos dons são meramente pedagógicas para facilitar o entendimento dos leitores; a Bíblia não os apresenta dessa forma, pois o apóstolo Paulo apenas mencionou os dons em ordem alheatória demonstrando ter simplesmente a preocupação de ensinar a Igreja sobre a importância e a necessidade de ela estar devidamente preparada para cumprir a Obra missionária deixada por Jesus Cristo. Antes disso, os primeiros líderes cristãos já mostravam ter um grande cuidado em relação a isso escolhendo criteriosamente os obreiros, dividindo-os em cada serviço de acordo com suas habilidades - alguns como diáconos e outros como ministros da Palavra -, considerando sua reputação, espiritualidade e sabedoria  (At 6:2-4).

    No texto de Romanos 12:3-8, podemos ver claramente que os dons não são para uso particular, mas sim para benefício coletivo. Isso nos ensina que o que aprendemos e recebemos por parte do Senhor vai além da edificação ou benefício pessoal, e essa é uma boa resposta àqueles que se afastam do Caminho e dizem não precisar fazer parte de uma Igreja para servir a Deus, pois, tanto espiritual quanto fisicamente, ninguém tem capacidade para fazer tudo sozinho; precisamos uns dos outros. E, além do mais, por mais capacitação ou status ministerial que alguém alcance, ninguém é tão habilidoso ou espiritual que possa se considerar melhor ou independente de seu próximo. Jesus foi quem nos deu o maior exemplo disso (Jo 13:14,15).

    O texto de 1ª Coríntios 12, já se inicia com o apóstolo Paulo afirmando categoricamente que não devemos ser ignorantes acerca dos dons espirituais. Estes, embora também sejam de grande importância para a coletividade, têm ainda muito valor para a edificação pessoal daqueles que os possuem. Nessa ocasião, Paulo demonstra uma grande preocupação com a conduta dos crentes que não haviam aprendido a se controlar na ministração dos seus dons, pois, devido suas experiências passadas em templos idólatras, muitos cometiam exageros se dizendo estar cheios do Espírito Santo. Por essa razão, o apóstolo persistia em ensinar sobre a importância em se manter a ordem no culto. Quem ignora a ética litúrgica está menosprezando os mandamentos do Senhor ensinados na sua Palavra (1ª Co 14:36-40).

    Os dons ministeriais, de acordo com Efésios 4:11, são definidos da seguinte forma: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores. Independentemente do fato de algumas denominações fazerem uso ou não de alguns desses termos como títulos eclesiásticos oficiais de suas instituições, todos têm validade desde que aqueles que os exerçam cumpram os requisitos bíblicos relacionados a eles. Seus objetivos envolvem o ensinamento da Palavra aos membros da igreja, o crescimento da mesma através da evangelização e o desenvolvimento espiritual tanto a nível individual como coletivo. Essa divisão hierárquica da liderança visa organizar e estabelecer ordem nas congregações para que se cumpra da melhor maneira possível a missão de propagar o Evangelho. Diferentemente do sacerdócio na antiga Lei, o poder espiritual não está centralizado unicamente nesses homens - pois Jesus o possibilitou a todos instituindo a Graça -, mas apenas a igreja como órgão está com sua direção confiada a Eles enquanto estiverem exercendo suas funções de acordo com os ensinamentos bíblicos, o que consiste em saber que a Obra pertence a Deus e não a eles, pois são meros administradores (1ª Pe 5:2,3).

    Os dons são de extrema importância para a Igreja, pois também contribuem para que os irmão se mantenham em comunhão sabendo que são dependentes uns dos outros. De modo geral, considerando-se raríssimas exceções, ninguém tem ou exerce todos eles. Quanto à herética teoria de que os dons foram cessados com a morte dos primeiros apóstolos e discípulos, a Bíblia é bem clara ao afirmar que seu cessamento será apenas quando se der o arrebatamento da Igreja, pois então eles não mais serão necessários (1ª Co 13:8-10).

    Apesar de o texto de 1ª Coríntios 12 listar especificamente nove dons, imagina-se que Paulo tenha simplesmente destacado os que eram mais importantes - ou que estivessem sendo alvos de maiores problemas - para a igreja de Corinto naquela ocasião, pois existe uma extensa variedade relacionada a cada um deles. O mais importante para nós não são os dons em si, mas a razão de os termos recebido, porque o Espírito Santo nos concede somente aquilo que Ele quer de acordo com a necessidade para a realização de seus propósitos (1ª Co 12:11,7).

    Ter dons, assim como receber bênçãos, não é uma garantia de santidade e muito menos uma prova de superioridade. Precisamos ter a consciência de que quanto mais recebemos de Deus, mais teremos que prestar contas a Ele. É necessário aprendermos também a respeitar nossos irmãos que não receberam a mesma capacidade que nós não os julgando porque não sabem fazer isso ou aquilo, lembrando que também temos limitações, e que o fato de alguém não ser bem sucedido em algo não significa que ele ore menos ou não esteja em comunhão com Deus, porque uns foram chamados para a Palavra, outros para os serviços do templo, outros para o louvor e outros para oração, etc.; no entanto, todos nós executamos essas mesmas atividades, porém, com intensidade maior ou menor segundo a habilidade que nos é concedida pelo Espírito Santo. A compreensão mútua é uma demonstração de amor e respeito tanto pelo próximo quanto para com Deus (1ª Pe 4:10).

    Nenhum dom é restritamente para proveito próprio e tampouco para elevação do ego. Tudo o que o Senhor nos dá tem um propósito, o qual consiste tanto na expansão do Reino de Deus quanto na edificação da sua Igreja. As habilidades e a autoridade espiritual a nós concedidas não devem ser consideradas como um mérito e aplicadas para a realização de nossa satisfação pessoal, mas sim encarada como uma grande responsabilidade, a qual deve produzir resultados que serão requeridos de nossas mãos. Portanto, façamos com temor e amor aquilo que nos foi ordenado, não por medo de sermos castigados, mas por agradecimento e também sabendo que por isso seremos devidamente recompensados (Hb 6:9,10).

GLOSSÁRIO
Dom: Domínio sobre algum tipo de atividade. Talento, prenda, aptidão, capacidade, habilidade especial, Bem espiritual proporcionado por Deus: graça. Dádiva ou presente oferecido a alguém.
Engastar: Fixar pedra preciosa em metal precioso (Êx 28:11).
Exortar: Animar, incentivar, estimular: exortar os jovens a prosseguir sem desânimo. Induzir, conversar. Advertir, admoestar, aconselhar.
Grande Comissão: Encargo ou incumbência; ordem. A Grande Comissão, na tradição cristã, é a instrução dada pelo Jesus ressuscitado aos seus discípulos para que eles espalhassem seus ensinamentos para todas as nações do mundo.
Lavor: Gravação em relevo (Êx 28:11). Lavrar; esculpir.
Ministério: Serviço. Cargo ou ofício de Ministro (Conselheiro; auxiliar; empregado). Desempenho de um serviço. Exercício de um serviço religioso especial, como o dos levitas, sacerdotes, profetas e apóstolos; Vocação, disposição, tendência predominante numa pessoa, atitude característica; Dom, capacidade que o Espírito Santo concede aos servos de Deus para uso em favor dos outros. Uma habilidade especial de fazer algo. Arte de ministrar.
Ministrar: Exercer um ministério (serviço). Servir; ajudar (At 19:22; Rm 15:27).
Místico: O que professa o misticismo. O que se dá à vida contemplativa, espiritual. Que se refere à vida religiosa. Que se relaciona com o espírito, e não com a matéria. Misterioso, alegórico, figurado (falando das coisas religiosas que envolvem razão oculta e incompreensível). O que escreve sobre o misticismo. Misto; misturado.
Pregresso: Decorrido anteriormente. Que aconteceu primeiro.
Primícia: Os primeiros frutos colhidos. Os primeiros animais nascidos de um rebanho. Primeiras produções; primeiros efeitos; primeiros lucros. Obra-prima. O principal; o mais importante.
Vislumbre: Clarão pouco sensível; luz frouxa, indecisa. Reflexo. Aparência confusa, indistinta, vaga. Ideia indistinta. Conjetura, indício. Parecença leve. Vestígio, sinal.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 2º Trimestre de 2014 - Dons Espirituais e Ministeriais - Lição 1 | Jonas M. Olímpio
Esse trabalho não é uma cópia, mas um comentário baseado nas Lições Bíblicas que visa auxiliar professores no preparo das aulas ou simplesmente servir apoio na aprendizagem dos alunos e também na meditação dos leitores em geral.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário, seja ele crítico, elogioso, complementar ou simplesmente direcionado à esclarecer alguma dúvida.
Todos serão respondidos desde que estejam de acordo com o regulamento abaixo:
Não serão publicados comentários que contenham palavrões, ofensas, anúncios não autorizados, e/ou usuários anônimos.
Muito obrigado pela sua participação!

Obs.: Apenas respondemos quando percebemos que a pessoa realmente quer uma resposta, pois quando notamos que ela apenas quer arrumar confusão, simplesmente ignoramos.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.