quarta-feira, 8 de abril de 2015

Os Fatos Mais Relevantes em Torno do Nascimento de Jesus

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 2 | Jonas M. Olímpio

A narração do nascimento de
Jesus no Evangelho escrito por
Lucas, além de bela, é rica em
detalhes. Essa história nos ajuda
a entender com clareza as
profecias bíblicas anteriores e
posteriores à transição entre a
Lei e a Graça.
Lucas 2:1-7 - E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto[1], para que todo o mundo se alistasse 2(Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria). 3E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. 4E subiu também José[2] da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), 5A fim de alistar-se com Maria[3], sua esposa, que estava grávida. 6E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. 7E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura[4], porque não havia lugar para eles na estalagem[5].
    O nascimento de Jesus[6] marca a quebra do “silêncio” de 400 anos de Deus para com Israel. Essa fase, conhecida como “período intertestamentário[7]”, vai de Malaquias[8] até João Batista[9], o último profeta da Antiga Aliança, considerando que a época da Graça foi iniciada a partir da crucificação. Conforme podemos ver nos primeiros vinte versículos do segundo capítulo do livro de Lucas, o nascimento de Jesus foi bastante conturbado: Depois de José ter recebido por meio de um anjo a notícia de que Maria estava grávida de um filho gerado pelo Espírito Santo, justamente nos últimos dias da gestação, o imperador romano César Augusto ordenou que fosse feito um censo. Para cumprir essa convocação, José pegou sua esposa e ambos saíram de Nazaré para Belém, sua cidade de origem, numa viajem de 112 quilômetros (esse foi um plano de Deus para se cumprir o que Ele já tinha falado através do profeta Miquéias: “E tu, Belém Efrata[10], posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel” (Mq 5:2a); nesse lugar tinha vivido o Rei Davi). Estando eles ali, veio o momento de Maria dar à luz; era uma noite fria de inverno em que a temperatura poderia chegar a 4 graus. Sendo a hora já avançada, não conseguindo eles lugar na estalagem, foram abrigados num estábulo e, depois de nascido, foi colocado em uma manjedoura.  Na mesma noite, pastores que cuidavam de um rebanho nas proximidades foram visitados por um anjo, o qual lhes comunicou o nascimento do Messias[11] indicando-lhes o local aonde Ele estava; e os mesmos, visitando-o, se alegraram glorificando a Deus e se encarregaram de espalhar aquela boa notícia. Um fato de extrema importância não relatado por Lucas, sendo mencionado apenas por Mateus, foi a visita dos magos[12] do oriente. No Evangelho não está relatado quem e nem quantos eram esses magos, ele apenas afirma que os mesmos tinham a intenção de adorar e presenteá-lo. Para cumprir esse objetivo, seguiram uma estrela que os guiou até Belém; ali chegando, procuraram se informar sobre o local aonde estaria o menino Jesus e, chegando isso ao conhecimento de Herodes, uma perturbação apoderou-se dele, pois, obviamente, por motivos políticos, não lhe era nada confortável saber que entre os judeus havia nascido aquEle a quem era considerado como um rei e, futuramente, poderia ser aclamado pelo povo para assumir o trono em seu lugar; astutamente, deixou que os magos prosseguissem na procura, orientando-os que quando o achassem, lhe comunicassem para também poder adorá-lo, mas na verdade pretendia mata-lo. Então partiram seguindo a mesma estrela e cumpriram sua missão. Porém, na volta, já tendo Deus os avisado em sonho sobre o perigo, voltaram ao oriente por outro caminho. Da mesma forma, um anjo avisou a José, orientando-o a fugir com sua família para o Egito, lugar em que permaneceram até a morte de Herodes por um período que os estudiosos acreditam ter sido por volta de um ano e meio. Nesse meio tempo, dezenas de meninos com idade inferior a dois anos foram mortos. O local do seu nascimento é um dos sinais de que Ele veio para salvar e reinar entre os humildes (Lc 2:7).
    Ao iniciar a leitura do livro de Lucas podemos notar seu conteúdo também poético. Em seu primeiro capítulo (46-55; 67-79), há duas poesias consideradas como cânticos: a primeira é de Maria quando foi visitar Isabel[13] em que ela expressou sua alegria por carregar em seu ventre o Salvador da humanidade. E a segunda é de Zacarias louvando a Deus por ver cumprida a promessa do nascimento de seu filho João Batista e por saber que esse seria o profeta que prepararia o caminho para o tão esperado Messias; esse fato se deu no momento em que ele recuperou sua voz, a qual tinha perdido por ter duvidado do anjo que lhe disse que ele e sua esposa teriam um filho; sua incredulidade e questionamento foram devido a sua avançada idade e a esterilidade de sua esposa. Interessante é o fato de ele ter duvidado mesmo depois de ter orado para ter um filho. Teologicamente, entre os cristãos, essas belíssimas palavras são identificadas como o Magnificat de Maria e o Benedictus de Zacarias. Ambas as descrições em forma de poesia, podendo ser conferidas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, são de conteúdo profético (Lc 1:54,55; 68-70,76).
    Os escritos lucanos revelam o quanto ele se importava e se preocupava em dar destaque ao Espírito Santo: no Evangelho de Lucas Ele é mencionado 17 vezes, e em Atos dos Apóstolos, 54. Ambos os livros chamam muito a atenção por levarem seus leitores a conhecerem o poder de Deus concedido aos seus servos e a desejarem ser participantes de uma tão grandiosa graça. No caso do Evangelho de Lucas, em seu primeiro capítulo, Ele é citado nos episódios da visita de Maria a Isabel e do nascimento de João Batista, em que Ele enche Isabel e Zacarias em seus momentos de grande alegria; no segundo capítulo, Ele é mencionado como estando sobre Simeão cumprindo a promessa de que o mesmo não morreria antes de ver o Salvador; no terceiro capítulo, Ele tem uma participação especial no batismo de Jesus. E nos demais, sua presença é constante no ministério terreno de Cristo[14] até o seu final fazendo parte de sua promessa de revestimento de poder à sua Igreja (Lc 24:49).
    Antes do nascimento de Jesus - aproximadamente seis meses -, a história foi marcada pelo nascimento de João Batista. Seus pais foram Zacarias e Isabel; Zacarias, um sacerdote, foi sobre sua vinda por um anjo durante uma queima de incenso[15] no templo. A missão de João era totalmente diferente e mais nobre do que as dos outros profetas, pois ele estava incumbido de preparar o caminho para a chegada e a atuação do Messias. Isso consistia em pregar o Evangelho e anunciar que o tão esperado Salvador já estava por vir. Pela tradição da época, quando um rei se preparava para viajar, à sua frente ia um mensageiro anunciando a sua vinda. Como pregador, suas características eram totalmente contrárias aos pregadores convencionais, pois ele pregava com bastante autoridade e, ao mesmo tempo, vivia em condições de extrema simplicidade, mantendo também um comportamento de grande humildade em relação ao Mestre a quem ele anunciava a chegada (Lc 3:16).
    José, o esposo de Maria, também recebeu a notícia do nascimento de Jesus por meio de um anjo. Eles foram, sem dúvida nenhuma, detentores de uma grandiosíssima dádiva divina; porém, tal privilégio não os torna divinos. Principalmente no que se refere a ela, a mariolatria[16] que presenciamos nos dias atuais é biblicamente abominável diante de Deus. O fato de Jesus ter sido gerado nela pelo Espírito Santo, sendo ela ainda virgem não a torna digna de adoração. É óbvio que temos o dever de respeitá-la, afinal, ela foi escolhida para levar Jesus à humanidade por sua humildade e obediência às leis sagradas. No entanto, devemos entender que levar Jesus à humanidade é uma missão para todos nós, e isso não nos torna merecedores de adoração. Quanto à falsa teoria de sua eterna virgindade, os livros de Mateus e Marcos relatam que ela teve mais filhos; além do mais, o livro de Lucas se refere a Jesus como o primogênito e narra também uma afirmação dEle próprio, quando uma pessoa a exaltou, dizendo que mais bem-aventurados são os que ouvem e obedecem a Palavra de Deus (Lc 2:7; 11:27,28).
    O Evangelho escrito por Lucas dá um grande destaque à proximidade de Jesus com as classes socialmente menos favorecidas sempre expressando o seu grande amor por eles. Conforme já foi predito pelo profeta Isaías, o Espírito de Deus estaria sobre Ele para, entre muitas outras coisas, evangelizar os pobres (Is 61:1). Em seu ministério terreno, o nosso Senhor classificou os pobres como bem-aventurados (Lc 6:20), e ainda destacou sua maior acessibilidade à salvação (Lc 18:25). Desde sua chegada é bastante visível o privilégio que foi dado à essa classe tão desprezada pela elite da sociedade da época: seu nascimento foi dentro de uma estalagem, o que é um lugar extremamente humilde; esse acontecimento foi revelado à simples pastores no campo e não aos nobres da região; e não há nenhum relato bíblico de que Ele tenha usufruído de uma vida de luxo e conforto, muito pelo contrário, sendo um filho exemplar, aprendeu a profissão de seu pai e trabalhou juntamente com ele - em Marcos 6:3 Ele é chamado de “o carpinteiro” - e, usando uma linguagem figurada, Ele mostrou que sua prioridade era ministerial e não satisfação pessoal (Lc 9:58).
    A realeza de Jesus é inquestionável, e a mesma é repetidamente relatada no livro de Lucas. Conforme mostra a genealogia, Ele é descendente de Davi (Lc 3:23-38). E, em cumprimento à profecia registrada em Miquéias 5:2, Ele nasceu na cidade de Davi (Lc 2:11). Sua identidade real é confirmada nos escritos de Lucas e dos autores dos outros três Evangelhos, e isso ocorre não somente em relação ao seu nascimento, mas ao longo de sua vida; podemos constatar isso em algumas passagens como por exemplo, aquele célebre momento em que Ele entrou em Jerusalém montado num jumentinho e o povo o exaltou como rei (Lc 19:38). É importante lembrar também que seu divino título real lhe custou falsas acusações e também sua prisão, humilhação e morte na cruz (Lc 23:2,3,37,38); porém, tudo isso já fazia parte do seu plano para a nossa salvação (Lc 24:7).
    Sendo o glorioso Rei dos reis, Jesus poderia ter escolhido a realeza dos grandes reinos da terra para recebe-lo e fazer parte da sua vida e do seu ministério terreno. Ele poderia, dessa maneira, ter subido aos grandes palcos da época e ser aplaudido pelos nobres usufruindo uma vida de luxo e conforto; mas, Ele escolheu a cruz. E, para chegar até ela, a melhor forma seria contrariar a elite dominante da sociedade caminhando junto a pessoas simples e humildes que não tinham nada a oferecer a não ser segui-lo e apoiá-lo em agradecimento ao que Ele fazia por elas. Uma multidão de súditos em torno de um só homem causou preocupação nos poderosos que sentiram isso como uma ameaça ao seu governo, por isso resolveram pará-lo forjando acusações para condená-lo à pena de morte. Ele sabia que isso aconteceria, e essa foi uma das razões pelas quais Ele escolheu estar ao lado dos pobres. E essa decisão já pode ser percebida desde o seu nascimento, o qual foi revelado à pessoas de grande simplicidade e humildade como Zacarias, Isabel, Simeão e Ana[17] e os pastores do campo entre outros, e os seus pais José e Maria. É importante não esquecer que tais pessoas não foram escolhidas simplesmente por serem pobres, mas por serem tementes à Lei de Deus (Lc 1:6; 2:25,26,36-38).
    Como bem sabemos, Jesus não aboliu, muito pelo contrário, Ele cumpriu a Lei. Esse é um dos princípios para entendermos que o cristianismo não é uma seita constituída por pessoas que abandonaram o judaísmo, e sim uma reforma que surgiu com o objetivo de quebrar o antigo conceito da salvação pelo ritualismo, tornando uma fé superficial em uma fé prática dando ao homem acesso direto a Deus por meio do Espírito Santo. A Graça não excluiu o dever de cultuar, mas transformou o culto num sacrifício pessoal em que a transformação na vida está acima de qualquer sacrifício ritualístico. Isso não anula as obrigações morais e espirituais já instituídas nos Mandamentos e em toda a Lei. Desde o seu nascimento até a sua morte, Jesus sempre deixou claro que seu objetivo era - e é - apenas “humanizar” as regras colocando o amor como o centro de tudo (Lc 10:27,28).
    O nascimento de Jesus é um grande marco na história de toda a humanidade. O doutor Lucas deu a Ele seu merecido destaque, certamente, por saber das grandes lições de humildade e amor contidas nesse maravilhoso evento, e também por seu inestimável valor histórico. Esse grandioso fato revela o cumprimento de muitas profecias dos antigos profetas e marca o início de uma nova era trazendo também mensagens proféticas que se cumpririam desde sua crucificação até o tempo dos apóstolos, estendendo-se ainda aos dias atuais, e isso inclui tanto a promessa da descida do Espírito Santo quanto as suas previsões escatológicas, e se completará com sua vinda levando seus servos fiéis à morada celestial. E, por falar no nascimento de Cristo, Ele já nasceu no seu coração (Lc 2:29,30)?


[1]César Augusto: Fundador do Império Romano, sendo seu primeiro imperador (de 27aC. até sua morte em 14 dC.). Seu nome completo era Caio Júlio César Otaviano Augusto. Nasceu no dia 23 de setembro do ano 63aC., em Roma; e morreu, provavelmente por causas naturais, no dia 19 de agosto do ano 14dC., em Nuvlana, na Itália. Seu reinado foi considerado pacífico. Um dos marcos do seu governo foi o ordenação de um censo cujo objetivo era estabelecer taxas de impostos sobre os povos colonizados, o que incluía os judeus.
[2]José: Marido de Maria, mãe de Jesus, e descendente de Davi (Mt 1:16-2:23). Era carpinteiro (Mt 13:55). Foi um homem temente a Deus e, quando avisado por uma anjo que sua noiva teria um filho gerado pelo Espírito Santo foi obediente e a recebeu como esposa (Mt 1:18-25).
[3]Maria: Mãe de Jesus e esposa de José (Mt 1:18-25), da linhagem de Davi (Lc 1:27; Rm 1:3). Ela é "bendita entre as mulheres" (Lc 1:28,42,48). Após o anúncio do anjo (Lc 1:26-38), Maria engravidou pelo poder do Espírito Santo (Mt 1:18) e deu à luz a Jesus, em Belém (Lc 2:4-7). Ela guardou em seu coração os fatos extraordinários relacionados com o nascimento de Jesus (Lc 2:15,19,51). Ela esteve com Jesus no casamento em Caná (Jo 2:1-12). Quando Jesus foi crucificado, ela estava presente, e então ele a confiou aos cuidados de João (Jo 19:25-27). Finalmente, ela é mencionada com os primeiros cristãos (At 1:14). A Bíblia cita a existência de outras 4 mulheres com esse nome: 1) Irmã de Marta e de Lázaro, de Betânia (Lc 10:38-42; Jo cap. 11; 12:1-8). 2) Madalena, talvez a mulher mencionada em Lucas 7:37-50, (Mc 16:9; Lc 8:2), foi testemunha da morte e do sepultamento de Jesus (Mt 27:56,61) e o viu ressuscitado (Mt 28:1-9). 3) Esposa de Clopas (Jo 19:25) e mãe de Tiago e José. Ela testemunhou a crucificação e o sepultamento de Jesus (Mt 27:56,61) e o viu ressuscitado (Mt 28:1-9). 4) Mãe de João Marcos e irmã de Barnabé (Cl 4:10). Ela cedeu sua casa para as reuniões dos cristãos em Jerusalém (At 12:12).
[4]Manjedoura: Cocho. Tabuleiro em que se coloca comida aos animais na estrebaria. Pode ser feita de madeira ou de pedra.
[5]Estalagem: Albergaria, pousada. Hospedaria. Conjunto de pequenas casas.
[6]Jesus: Significa “Javé é Salvador”. É a forma grega de Josué (Mt 1:21). Cristo quer dizer Ungido; é o mesmo que o termo hebraico Messias (At 17:3). Ele é o Anjo do Senhor que aparece no Antigo Testamento (Gn 18:1-23). Esvaziou-se da sua glória e se humilhou, tomando a forma de ser humano (Fp 2:6-11). O seu ministério terreno durou mais ou menos 3 anos e meio.
[7]Intertestamentário: Intervalo de 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamento em que Deus não falou ao povo por meio de profetas.
[8]Malaquias: Foi contemporâneo de Esdras e Neemias, no período após o exílio do povo judeu na Babilônia em que os muros de Jerusalém tinham sido já reconstruídos em 445 aC. O Livro de Malaquias é um livro profético que faz descrições que mostram a necessidade de reformas antes da vinda do Messias. Por ser um livro curto e de acordo com a catalogação, Malaquias é o último dos profetas menores, tendo sido escrito por volta do ano 430 a.C., sendo que o seu nome não é citado em mais nenhum livro da Bíblia.
[9]João Batista: O profeta que preparou a vinda de Jesus. Era filho de Zacarias e Isabel (Lc 1:5-25,57-80). Iniciou e desenvolveu o seu ministério na região do rio Jordão (Lc 3:1-3). Pregou o batismo de arrependimento (Lc 3:4-14) e a vinda do Reino dos céus (Mt 3:1-12). João batizou Jesus (Mt 3:13-17) e testemunhou a respeito dele (Jo 1:15-34). Por ordem de Herodes Antipas, foi preso e morto (Mc 6:14-29). Jesus o elogiou (Mt 11:7-14). Seu batismo continuou sendo praticado por algum tempo (At 18:25).
[10]Efrata: Significa "Terra Frutífera". É um lugar citado na Bíblia; também pode ser o nome de uma tribo. Mencionada na Bíblia como o lugar em que Raquel morreu (Gn 35:16; 48:17). É considerado como o antigo nome da cidade de Belém e também significa "Casa do Pão".
[11]Messias: Significa “Ungido”; nome dado ao Salvador, o Senhor Jesus Cristo.
[12]Mago: Sacerdote dos medos e persas. Aquele que se presume saber como desenvolver e empregar conscientemente os poderes mágicos. Feiticeiro.
[13]Isabel: Significa "Meu Deus Jurou". Descendente da linhagem de Arão. Esposa do Sacerdote Zacarias. Prima de Maria (a mãe de Jesus) e mãe do profeta João Batista (Lc 1:39-56).
[14]Cristo: Do grego "khristós", significa "Ungido". Termo que se refere a Jesus. Em hebraico tem o mesmo significado que Messias (Ungir).
[15]Incenso: Resina aromática de certas árvores que, misturada com especiarias (Êx 30:34-38), era queimada nas cerimônias de adoração a Deus (Lv 16:13), de manhã e à tarde (Êx 30:1-10). O incenso era símbolo das orações que subiam para Deus (Sl 141:2; Ap 8:3-5).
[16]Mariolatria: Ato de adoração a Maria, a mãe de Jesus. Prática que faz parte da doutrina católica. A adoração a ídolos é condenada por Deus (Êx 20:3-5).
[17]Ana: A Bíblia menciona duas mulheres com esse nome: 1) Esposa de Eucana e mãe de Samuel; ela era estéril, pediu um filho e, quando Deus concedeu, ela o entregou para servir no templo (1º Sm 1:1-2:21). 2) Uma profetisa da tribo de Aser. Viúva de 84 anos, temente a Deus, dedicada aos trabalhos do templo. Viu o pequeno menino Jesus quando este foi apresentado no templo por seus pais.

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 2 | Jonas M. Olímpio

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O Evangelho Sob o Ponto de Vista do Doutor Lucas

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 1 | Jonas M. Olímpio

Lucas 1:1-4 - Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, 2segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, 3pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, 4para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.

Embora não estivesse presente no
ministério de Cristo, Lucas teve a
preocupação de narrar com
fidelidade os relatos descritos
por suas testemunhas. Fidelidade
nas pesquisas para não distorce
a verdade bíblica deve ser uma
marca registrada em cada crente
que se propõe a pregar e ensinar
o Evangelho.
    Nos 1.151 versículos dos seus 24 capítulos, a narração do Evangelho escrita por um médico chamado Lucas[1] é um dos mais belos escritos divinamente inspirados sendo também uma das mais completas versões da história do ministério terreno de Jesus Cristo. Em seus pontos principais se destacam o nascimento de João Batista e de Jesus; o ministério de João Batista; e a genealogia, o ministério, a crucificação e a ressurreição de Jesus. Seu alto nível cultural pode ser percebido pelo seu estilo de escrita que o diferencia dos demais livros do Novo Testamento. Porém, como nos demais relatos dos outros autores das Escrituras Sagradas sua maior beleza está em sua revelação do caminho da salvação para os seus leitores. O centro de toda a sua narrativa é a manifestação de Cristo como o salvador da humanidade. Todo seu conteúdo é voltado a enfatizar os ensinamentos, o poder espiritual concedido pelo Senhor aos seus servos e termina narrando sua aparição após a ressurreição reafirmando sua promessa da descida do Espírito Santo. Seu grande objetivo nesse trabalho é contar os fatos na ordem em que aconteceram segundo o relato de pessoas que os presenciaram (Lc 1:1-4).
    Como pode-se notar nos primeiros versículos, assim como no decorrer e também no final da obra, ele não se identifica. No entanto, com exceção da postura de alguns críticos que não conseguiram provar suas teorias, ele é aceito sem resistência pelos cristãos como autor do livro. Seu nome é citado em Colossenses 4:14, onde ele é chamado de médico amado, e também em Filemom 1:24 e 2ª Timóteo 4:11 - todas são epístolas paulinas -, textos esses que nos permitem entender que ele conhecia e era amigo e cooperador do apóstolo Paulo. Baseados nesses relatos, podemos imaginar quantas vezes ele deve ter tratado as feridas do apóstolo dos gentios, aliviando suas dores após os açoites sofridos em suas prisões. A data provável desse livro, que provavelmente foi escrito como carta endereçada à seu amigo Teófilo, gira em torno da sexta década da era cristã; muito possivelmente, como creem alguns estudiosos, entre os anos 59 e 75dC. A ele também é atribuída a autoria do livro de Atos dos Apóstolos, pois as narrações do mesmo são uma continuação da história narrada no Evangelho escrito por Lucas e tem como destinatário a mesma pessoa (At 1:1-3).
    Do pouco que é revelado sobre sua vida, o que se sabe é que ele foi médico e historiador; sendo assim, foi um homem tremendamente privilegiado para seu tempo, por se tratar de uma época em que poucos tinham condições financeiras e acesso à tais posições na sociedade. Sendo grego - portanto um gentio -, ele foi mais uma alma fora de Israel alcançada pelo poder do Evangelho. Assim sendo, juntando seu conhecimento com seu sentimento de gratidão pela salvação, ele passou a se dedicar a expor a história de Cristo e a sua maravilhosa Graça àqueles que não a conheciam; e, muito provavelmente, com seus conhecimentos médicos, ele ajudou a muitos cristãos perseguidos e castigados pelo governo romano. Nesse livro que é considerado como o terceiro Evangelho, ele focou a vida e o ministério de Jesus, enquanto que em Atos ele se pôs a divulgar os primeiros passos da Igreja Primitiva. Seu exemplo é uma prova de que também somos muito úteis na propagação da Palavra não somente com dons espirituais, mas também com nossas habilidades naturais, as quais também vem de Deus (Êx 31:3-5[2]).
    A intenção de Lucas é que seus escritos é que seus escritos chegassem não somente à Teófilo[3], mas a todos os gentios como um material de evangelização e de informação sobre quem é Jesus e como era a Igreja que havia se formado após sua crucificação. Dá para perceber claramente, por suas palavras, que seu objetivo era pregar a Palavra da salvação e também mostrar o poder concedido por Cristo aos seus servos por meio do Espírito Santo. Mesmo não tendo sido uma testemunha ocular das pregações, dos milagres, da morte e da ressurreição do Messias, como também da formação do primeiro grupo de cristãos em Jerusalém, ele demonstrou muita fé em tudo o que lhe foi apresentado e sentiu a necessidade de compartilhar tais eventos com aqueles a quem ele pudesse alcançar. Não há testemunho de sua conversão e nem de que forma ele conheceu o Evangelho, mas o que podemos notar é que mesmo tendo sido ele um sábio grego, o qual fora nascido e criado em meio à religiões pagãs, o poder da Palavra penetrou profundamente em sua mente e em seu coração, transformando por completo a sua vida (2ª Tm 3:15-17[4]).
    Toda a narrativa de Lucas é historicamente confirmada e está em harmonia com os demais Evangelhos. Um grande exemplo disso está nos dois primeiros versículos do terceiro capítulo do seu livro, aonde ele cita detalhadamente datas e nomes de pessoas e lugares referentes ao Império Romano, incluindo os sacerdotes da época, antes de começar a contar a história do ministério de João Batista. Essa riqueza de fornecimento de dados sobre a elite política antes da exposição espiritual da mensagem comprovam sua preocupação em provar aos mais críticos que os seus escritos não eram mais um conto fantasioso entre tantos que deveriam existir naquele tempo, mas sim fatos reais, os quais, se fossem comprovados juntos a esses dados informados, seriam provados como reais. Com isso aprendemos que a exatidão das nossas palavras não é medida simplesmente pelo que dizemos, e sim de acordo com a forma que as dizemos indicando detalhes que possam identifica-las como verdadeiras. A Bíblia nos ensina a ter prudência no falar (Pr 4:5).
    No quarto versículo do seu primeiro capítulo, Lucas usa a expressão “Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado”; no original grego, a palavra traduzida como “informado” é katecheo que também significa doutrinar, ensinar, convencer, que, no contexto aqui aplicado tem o sentido de discipular. Essa palavra também deu origem ao termo “catequese”. Dessa forma podemos ver o quanto esse livro é voltado ao evangelismo e ao discipulado de novos crentes. Assim sendo, seguindo esse exemplo, devemos atentar para o fato de que o ensinamento na igreja é de extrema importância e precisa ser feito de forma minuciosa mostrando aos seus aprendizes o quanto é preciso que se dediquem a investir na busca do conhecimento sabendo explorar todas as informações necessárias para o seu desenvolvimento espiritual. Bons instrutores devem estar sempre bem preparados para a formação de futuros obreiros e nunca fugir da responsabilidade de ensinar os que têm sede de aprender (At 8:30,31[5]).
    Lucas divide a história da salvação em três estágios: o primeiro é o Antigo Testamento, quando ele menciona a Lei e os profetas; o segundo é Jesus, a quem ele se refere como o Filho de Deus; e o terceiro é a Igreja, sobre a qual ele narra a ação do Espírito Santo. Os dois primeiros estágios estão registrados em seu Evangelho e o terceiro em Atos. Para os crentes atuais, os quais pregam a salvação, é de extrema necessidade conhecer e saber diferenciar e conciliar esses três estágios, pois todo o Antigo Testamento aponta para Jesus e a Nova Aliança que incluiria os gentios, e o próprio Jesus, que além de cumprir a Lei, mencionou o Espírito Santo como aquele que ficaria com a Igreja até a sua volta, ou seja: todos eles estão interligados e fazem parte do plano de Deus para a nossa salvação (At 1:6-8).
    Todos os livros bíblicos têm seus temas voltados para um único assunto: a salvação. E no livro de Lucas não poderia ser diferente; e o que se nota em seu conteúdo é a sua característica missionária transcultural, pois foi destinada à Teófilo, um gentio, com uma mensagem atrativa para que os estrangeiros se sentissem incentivados a conhecer esse Jesus, através do qual grandes maravilhas estavam sendo feitas em Israel. Essa apologia ao Cristo da salvação pode ser claramente notada em vários trechos como, por exemplo, em Lucas 2:32 ele narra as palavras de um homem chamado Simeão que, referindo-se ao nascimento do Messias usou o termo “luz para alumiar as nações”; e também em Lucas 24:47, onde ele relata as palavras do próprio Jesus, em uma de suas aparições após a morte, dizendo que em seu nome deveria ser pregado o arrependimento e a remissão dos pecados em todas as nações. Lucas e Atos foram dois livros de extrema importância na evangelização de outros povos, pois suas mensagens centralizam a volta de Cristo (Lc 24:46,47; At 1:11).
    Lucas identifica Jesus como o Filho de Deus e Filho do Homem. Ambas as expressões comprovam sua divindade. Ao chama-lo de Filho de Deus, Lucas o está reconhecendo como o Messias anunciado pelos profetas. Esse termo aparece cinco vezes em seu livro e mais duas em Atos, sendo que em três delas, estando registradas no quarto capítulo, se referem a Satanás desafiando-o em sua tentação no deserto. Já a expressão Filho do Homem, que aparece vinte e cinco vezes em seu Evangelho, o identifica como sendo verdadeiramente um homem, pois, mesmo com sua identidade divina, sendo a segunda pessoa da Trindade, ele foi encarnado na forma humana e gerado por uma mulher como todos os demais seres humanos. Aqui na terra Ele viveu como um homem perfeito, nos mostrando que mesmo vivendo num mundo corrompido é sim possível resistir ao pecado (Jo 17:14-18).
    O Evangelho de Lucas, assim como o livro de Atos, dá um destaque especial à pessoa do Espírito Santo. Dos versículos 16 ao 19 do seu quarto capítulo, ele nos mostra também o relacionamento pessoal entre Jesus Cristo e o seu Espírito, apresentando-o como o realizador do seu ministério terreno. Usando as expressões “me ungiu” e “me enviou”, completando com as ações “evangelizar”, “curar”, “pregar”, “restaurar”, “pôr em liberdade” e “anunciar”, o Senhor nos ensina que o Espírito Santo é o grande responsável pelo nosso bom desempenho em sua Obra através dos dons que Ele nos concede. Por essa razão, antes de tentarmos fazer qualquer coisa no que se refere ao Reino de Deus, devemos ter a certeza de que o seu Santo Espírito está conosco, pois somos dependentes dEle tanto no recebimento dos dons quanto em sua execução (1ª Co 12:6,7,11).
    Os quatro Evangelhos sinóticos se completam entre si. Entre eles, Lucas é o que mais retrata o amor de Deus, destacando, além de seu poder, sua misericórdia salvadora; e isso é claramente perceptível por sua linguagem evangelística e discipuladora. Em seus escritos é possível notar também sua preocupação em relação amor ao próximo, como também em Atos aonde ele narra a união e assistência social fortemente aplicada pelos apóstolos da Igreja primitiva. Uma leitura detalhada desse livro leva o pecador a ter o desejo de aproximar-se de Deus, e proporciona no crente uma grande vontade de conhece-lo ainda mais. Meditar e estudar os relatos ali contidos nos levam a ter uma grande certeza: estamos devendo muito em nossa vida espiritual para que através de nós se cumpram por completo todas as grandes bênçãos que o Senhor tem para nós (Lc 10:19).


[1]Lucas: Do grego "Loukas" significa "O que Dá Luz". Médico e companheiro de Paulo (Cl 4:14; 2ª Tm 4:11; Fm 1:24). É o autor do Evangelho de Lucas e de Atos dos Apóstolos.
[2]Lavor: Gravação em relevo (Êx 28:11). Lavrar; esculpir.
[3]Teófilo: Significa "Amigo de Deus". Cristão a quem Lucas dedicou o seu Evangelho (Lc 1:3) e o livro de Atos (At 1:1). A palavra Teófilo era também um título de honra usado no Império Romanos; devidos a isso, alguns estudiosos especulam que esse não seria o nome do amigo de Lucas a quem ele destinou seus escritos, mas uma menção a sua posição respeitando sua importância na sociedade. Mas, independentemente de sua posição ou títulos, o que se pode afirmar com mais segurança é que ele foi um grego, ou um romano, convertido ao cristianismo.
[4]Redarguir: Repreender, replicar, responder.
[5]Eunuco: Homem castrado que servia de guarda das mulheres do seu dono (Et 2:3). Eram também chamados de eunucos alguns altos funcionários de confiança dos reis, quer esses funcionários fossem castrados ou não (At 8:27). Tradicionalmente, no Oriente é um guardião de mulheres, principalmente nos haréns. Muitos já nascem com problemas congênitos - um mal desenvolvimento dos testículos - proporcionando baixa ou nenhuma potência sexual impossibilitando uma vida conjugal normal e a geração de filhos. Os que nascem nessa condição podem ser considerados transexuais, porém, isso nada tem a ver com homossexualismo ou opção sexual.

Resumo baseado na revista Lições Bíblicas Adultos da CPAD - 2º Trimestre de 2015 (Jesus, o Homem Perfeito - O Evangelho de Lucas, o médico amado) | Lição 1 | Jonas M. Olímpio

segunda-feira, 9 de março de 2015

Planejamento Financeiro, Eu Preciso Mesmo Disso?

O planejamento financeiro envolve
toda a família. Além do marido e a
mulher, os filhos, desde pequenos,
precisam ser ensinados que suas
atitudes são essenciais para o
equilíbrio do bem-estar material
dentro do lar.
    A necessidade de um planejamento financeiro é mais do que clara, pois, pela falta do mesmo, muitas famílias estão em crise - não só financeira, mas também em outras áreas - provocada por uma cegueira de seus cabeças (homem e/ou mulher), os quais, levados por impulsos consumistas ou até pela “fé”, de repente se veem atolados em dívidas e sem condições de suprir os gastos necessários durante o mês. A falta de controle que leva a pessoa a gastar mais do que ganha, como também a despreocupação com o futuro, as quais, muitas vezes, por muitos cristãos, são confundidas com doutrinas relacionadas à provisões divinas, na verdade, nada têm a ver com a fé, pois a Bíblia as classifica simplesmente como imprudência (Lc 14:28-32). A causa disso é o desinteresse na busca pelo conhecimento por meio da autêntica interpretação do conteúdo dos textos sagrados, o que depende de análises contextuais considerando cada detalhe, preferencialmente, sob a orientação de líderes ministeriais sérios e preocupados com o bem-estar da família.
    Antes de analisar como se deve planejar as finanças de uma casa, é importante ressaltar que tal atitude não se trata de falta de fé ou confiança em Deus, mas sim de um cuidado preventivo em relação a um futuro incerto no mundo em que vivemos, o qual não nos permite saber com antecedência o que vai acontecer. Quero ainda deixar bem claro que não sou adepto da “Teologia da Prosperidade”, ideologia essa que repudio e combato com veemência por reconhecer que o Evangelho não nos dá promessas ou garantias de enriquecimento material, mas sim espiritual. O que defendo é que o cristão não se entregue à miséria encarando a pobreza extrema como uma prova de fidelidade à Deus, pois atitudes como essa, não somente privam a família da satisfação das mais básicas necessidades, como também provocam escândalos diante dos ímpios. Então, de acordo com esses princípios, façamos aqui uma análise cuidadosa do verdadeiro sentido de sete textos bíblicos que estão entre os mais citados quando se trata sobre esse assunto:
1) Lucas 14:33[1] - Apesar do peso transmitido pelo significado da palavra “renúncia”, é preciso compreendermos que a interpretação das Escrituras nem sempre é ao pé da letra. Aqui, por exemplo, Jesus não está exigindo um “voto de pobreza” para que possamos segui-lo, mas nos alertando a coloca-lo em primeiro lugar em nossa vida. Isso podemos entender lendo um trecho anterior do texto, nos versículos 26 e 27, em que Ele chega a dizer que se deve aborrecer[2] a família e até mesmo a própria vida para ser seu discípulo. Não seria contraditório o Senhor nos colocar contra a nossa família e a própria vida sendo que ambos são dádivas[3] por Ele mesmo consideradas como sagradas? Por essa razão devemos entender que aborrecer significa desagradar, ou seja: se a nossa família não concordar em nos ajudar na Obra, ou se ao nosso próprio corpo isso parecer sacrificante, devemos nos esforçar em servir a Ele com amor e dedicação. O termo “levar a cruz” implica em transformação: uma verdadeira inversão nos valores entre as coisas que antes pareciam ser mais e menos importantes para nós, mesmo sabendo que essa mudança não será uma tarefa nada fácil. Da mesma maneira, podemos compreender que renunciar, no sentido aqui empregado, não é necessariamente largar, mas deixar todas essas coisas em segundo plano, para que a adoração e o serviço prestados a Deus estejam em primeiro lugar em nossa vida. O que temos não é nosso. Se os bens que estão em nosso poder fossem nossos, os levaríamos conosco quando morrêssemos; em vez disso, tudo deixaremos aqui e prestaremos contas a Deus sobre nossos atos. Por essa razão, o real sentido desse texto consiste em nos alertar a valorizar mais o espiritual do que o material, fazendo uso de nossas posses temporárias também em benefício da Obra do Senhor.
2) Mateus 6:19-21[4] - Nesse texto, ajuntar é sinônimo de acumular, e refere-se à pessoas que dedicam sua vida à luta pela conquista material abandonando a busca pelo enriquecimento espiritual. O termo acumular expressa também uma ideia de exagero, ou seja: juntar além do necessário para viver. Jesus deixou bem claro que os tesouros da terra são perecíveis, enquanto que os do céu são eternos. Não se trata de uma proibição em se possuir bens, mas uma advertência a que não deixemos que eles dominem nosso coração a ponto de os considerarmos como o valor mais importante da nossa vida. Além de combater o exagero, o Mestre também estava ensinando que de acordo com o lugar aonde estiver nosso amor - em Deus ou na terra -, será definido nosso futuro eterno. Portanto, tenhamos o tanto que tivermos, mas não coloquemos o nosso coração nisso e sim nas coisas celestiais.
3) Mateus 6:24-34[5] [6] [7] - O versículo 24 expressa com clareza que não se trata de uma proibição quanto à aquisição de bens, mas de uma advertência para não tornar o dinheiro como uma espécie de deus, pois não se pode servir a dois senhores. Na sequência, Jesus alerta quanto à desnecessidade em andarmos ansiosos em relação às coisas dessa vida, pois o nosso Deus é quem provê todas as nossas necessidades. Na continuação do texto, Ele enfatiza a fragilidade humana, a qual nos torna totalmente dependentes do Criador assim como as aves do céu e os lírios do campo, os quais não podem viver de forma independente, mas não perecem porque Jeová criou a natureza de uma forma que todos os seres possam viver nela, indiretamente, como sendo autossustentáveis[8]. Analisando cuidadosamente, podemos perceber que, apesar de ser uma exortação a que aprendamos a exercer a fé para que tenhamos uma vida de plena confiança nEle, não se trata de uma ordem ou permissão ao comodismo ou uma proibição à aquisição material, mas sim um encorajamento para que trabalhemos visando primeiramente o lado espiritual. O versículo 33 enfatiza bem esse sentido, mostrando que devemos buscar primeiro, e não unicamente, o Reino. No verso 34, embora pareça contrariar qualquer atitude de planejamento financeiro, o que Ele está dizendo, simplesmente, é que não devemos andar inquietos, ou seja, ansiosos, pelo que vai acontecer, pois o que tiver de vir, virá. A ansiedade é um perigo e provoca doenças; o melhor remédio contra isso é a paz proporcionada pela confiança no Senhor. Isso significa que, independentemente de nosso preparo humano, não podemos evitar os dias maus, por isso, devemos estar confiantes em Deus sabendo que essa fé em seu cuidado por nós é o que vai nos sustentar nos momentos de dificuldade.
4) Lucas 12:15[9] - Esse texto nada mais é do que um aviso sobre os perigos da avareza. Aqui o grande Mestre estava repreendendo um homem que, em vez de segui-lo, somente aproximou-se dEle na intenção de lhe pedir para resolver um problema de conflito familiar, pois, ao que parece, seu irmão não estava querendo repartir sua herança com ele. Embora Jesus seja justo, fez questão de mostrar que sua missão na terra não seria  resolver questões financeiras e até demonstrou certa indignação diante do pedido daquele herdeiro e, em seguida, ao falar que o importante em nossa vida não é a abundância daquilo que possuímos, contou uma parábola[10] sobre um homem muito rico, o qual dedicou toda sua vida a ajuntar bens materiais e, quando a morte chegou, todas as suas riquezas não puderam salvá-lo. Mais uma vez, vemos aqui que o problema não é possuir dinheiro, mas sim viver apenas em função dele tornando-se uma pessoa avarenta.
5) Lucas 18:25[11] - Aqui estamos nós diante da famosa polêmica do camelo e o buraco da agulha. Mas antes de entender isso, observemos bem a situação: Em meio a uma grande multidão, depois de pregar e abençoar as criancinhas, Jesus ainda encontrou tempo para dar atenção e responder aos questionamentos de um jovem rico que, apesar de ser um grande conhecedor e praticante da Lei, ainda não tinha conseguido entender o que é de fato o Evangelho. Ele mostrou que fazia tudo certinho, então o Mestre resolveu lhe aplicar um “teste” para lhe mostrar que seu coração não estava no Reino, mas na terra. Ao propor um desafio que o levaria a se desprender de suas posses, vendo a tristeza esboçada por aquele moço, Ele nos ensinou o quanto é difícil viver para Deus quando nossos maiores projetos são espirituais e não materiais. A proposta que Jesus fez a esse rapaz para vender tudo o que possuía e repartir com os pobres para ter um tesouro no céu, não foi estabelecida por Ele como uma doutrina, mas sim uma questão pessoal, pois isso era algo que o prendia. Dá para perceber que suas riquezas eram um obstáculo quando o Senhor lhe disse: “Ainda te falta uma coisa!”; isso demonstra que ele, embora conhecesse e obedecesse à Lei, estava preso à cobiça e à avareza, coisas essas abomináveis aos olhos de Deus. Nesse ponto da conversa, então, Ele cita o exemplo do camelo tentando passar pelo buraco da agulha. Mas observemos um detalhe interessante aqui: Ele não disse que isso seria impossível, e sim difícil. E, na sequência, ressaltou ainda que as impossibilidades humanas tornam-se possíveis diante do poder de Deus, deixando claro assim que a salvação é pela graça e a misericórdia divina, bastando que façamos nossa parte não sendo escravos da cobiça e da avareza. Complementando esse discurso, Ele afirma ainda que, para os que o seguem fielmente, há grandes recompensas tanto na terra quanto no céu. Porém, não confundamos provisões com riquezas materiais.
6) 1ª Timóteo 6:7-11[12] - Nessa epístola endereçada ao jovem Timóteo, o apóstolo Paulo fez questão de alertá-lo sobre o perigo dos falsos mestres que pregavam prosperidade material visando ganhar dinheiro com isso - alguma diferença dos dias atuais? -. Não se trata de uma pregação contra o dinheiro, mas contra a cobiça e o mal uso do mesmo; isso é o que podemos perceber através dessa afirmação bem clara e objetiva: “Nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele!”. Todos os bens materiais, embora sejam úteis e necessários para nossa vida na terra, precisam ser encarados como algo temporário, os quais não podemos deixar que interfiram em nossa vida espiritual. A prosperidade terrena não pode ser nosso foco principal, pois conforme vemos no versículo 8, devemos aprender a nos contentar com as provisões básicas de nosso cotidiano. Desejar riquezas afasta o homem de Deus, porque viver em prol de conquistas o deixa exposto às armadilhas malignas feitas para seduzi-lo, levando-o a cometer atos pecaminosos que o levam a afundar na corrupção, tornando-o vítima de pessoas traiçoeiras, as quais ele engana e por quem ele é enganado, ocasionando assim grandes ruínas, tanto financeiras quanto morais e, principalmente, espirituais. O amor - não o dinheiro em si, porque ele é uma ferramenta necessária - se caracteriza como cobiça, por isso causa tantos problemas. O conselho bíblico aqui é que fujamos dessas coisas e busquemos tudo aquilo que possa nos aproximar cada vez mais de Deus. Isso quer dizer que se formos abençoados com maiores riquezas, devemos buscar cada vez mais estrutura espiritual para que nossos bens sejam uma bênção tanto para nós quanto para nosso próximo, e não uma maldição que proporcione consequências negativas.
7) Filipenses 4:11-13 - Mais uma vez o apóstolo Paulo fala sobre contentamento. Muitos, erroneamente, interpretam isso como conformismo com a miséria, porém, analisando os detalhes, vemos que é exatamente o contrário: ele não vivia miseravelmente, apenas não tinha uma vida de luxo e conforto desnecessários, e já tinha aprendido a viver dessa maneira. No versículo 12, vemos que sua vida financeira tinha altos e baixos, mas não importando qual a situação em que se encontrava, ele mantinha a humildade perante os irmãos e a confiança na provisão enviada por Deus. Tanto que ele sobrevivia com a ajuda dada pela igreja: uma contribuição incerta e de valor indefinido. Mesmo em meio a essa instabilidade econômica, nosso querido apóstolo não entrou em desespero e nem deixou de cumprir seu chamado por falta de condições. Sua resposta a isso foi: “Posso todas as coisas naquEle que me fortalece!”. Tendo muito ou pouco, nada poderia impedir seus propósitos pessoais e seus objetivos na Obra de Deus.
    Nessa breve meditação bíblica, aprendemos que independentemente de qual seja a nossa fonte de renda, devemos aprender a nos adaptar ao estilo de vida permitido pelos valores que ganhamos ou podemos ganhar. O problema não está em se possuir bens materiais, mas sim no que fazemos por meio deles. Da mesma forma, não cuidar prudentemente daquilo que o Senhor nos dá significa falta de sabedoria, irresponsabilidade e ingratidão. E é aí que entra a necessidade do planejamento financeiro. Sendo assim, veja dez regras simples de como se projetar para não ser pego de surpresa em situações imprevistas:
1.      Calcular as despesas essenciais do mês (ofertas, alimentação, aluguel ou prestação da casa, energia elétrica, água, telefone, internet, etc.) e ver o que sobra. Para facilitar esse controle baixe um software, monte uma planilha ou anote num caderninho mesmo.
2.      Do que sobra, tenha como missão guardar pelo menos 10% numa conta bancária separada, e só retire qualquer coisa dela em caso de emergência. O que sobrar disso é o valor permitido para os demais gastos durante o mês.
3.      Depois de uma minuciosa pesquisa de preços e uma choramingada por descontos, evite fazer crediário, pois os juros embutidos nas prestações são significativos em relação ao preço original. Mas se não der para esperar até juntar todo o dinheiro, calcule antes se o valor do pagamento mensal não excede aquela sobra do salário considerada como o valor permitido para os demais gastos durante o mês. E analise ainda a possibilidade de uma demissão, considerando se a sua reserva bancária cobre o valor total desse produto te permitindo ainda sobreviver com o restante por pelo menos uns três meses, que o tempo médio para se obter um outro emprego.
4.      Antes de adquirir cheques ou cartões de crédito, procure saber se essas instituições oferecem benefícios justos e realmente úteis para você. E lembre-se: encará-los como “dinheiro fácil” é o mesmo que colocar uma corda no próprio pescoço, pois qualquer atraso de pagamento resulta em juros geralmente abusivos, negativação do nome em órgãos de proteção ao crédito e constrangedoras cobranças diárias. Em caso de dúvida em relação ao procedimento dessas empresas, procure informar-se sobre seus direitos. Para evitar desconfortos, use esse recurso apenas no que for necessário - e se for necessário -, e faça um rígido acompanhamento das regras e das datas de vencimento das faturas.
5.      Exclua coisas supérfluas do orçamento; qualquer coisa que você possa sobreviver sem isso, considere como gasto inútil. Não é preciso deixar de se divertir, mas procure opções mais baratas ou, de preferência, de graça. Deixe para gastar um pouco a mais com entretenimento em datas comemorativas como aniversários, Ano Novo e Dia das Mães, dos Pais e das Crianças.
6.      Se sobrar alguns trocados além do orçamento, não veja como uma sobra, mais sim como um valor a mais a ser adicionado ao fundo de emergência naquela conta bancária lá que não é para você mexer.
7.      Em caso de um alto investimento (carro, casa, etc.), analise todas as possibilidades com cuidado redobrado. Não feche nenhum negócio confiando na sorte e, na dúvida, seja pessimista; pois, admitindo que é possível acontecer o pior, dificilmente você será vítima de um descontrole financeiro ou de um golpe. Sempre considere a possibilidade do desemprego, da ocorrência de uma doença e outros imprevistos desse porte, como também da ação de má fé de falsos vendedores. Lembre-se sempre: coisas muito fáceis são sempre suspeitas.
8.      Se tiver tempo e saúde, arrume uma renda extra. Ainda que seja pouco, não deixe de ser um complemento. Incentive sua família à isso, principalmente seus filhos. Se, desde cedo, eles trabalharem para comprar o que desejam, aprenderão que tudo tem um preço, saberão valorizar cada conquista dentro do lar e te ajudarão a economizar.
9.      Procure, dentro de suas possibilidades, manter algum tipo de Plano de Saúde, preferencialmente um que inclua Assistência Funerária. Pois as doenças, assim como a morte, não costumam avisar antes de chegar; e nessas horas, ainda mais triste do que essas ocorrências é depender do Governo ou de parentes e amigos.
10. Se for um trabalhador informal, procure contribuir com a Previdência. Você pode até ser novinho e saudável agora, mas certamente vai precisar se aposentar um dia. E também, antes disso, pode adoecer ou sofrer um acidente e passar um período sem poder trabalhar. Além do mais, quando o Papai do Céu te buscar, sua viúva e seus filhos vão precisar de um sustento.
    As regras de planejamento vão muito além disso, porém, esses são os primeiros passos para uma vida financeira bem equilibrada. Para um crente, o essencial para colocar tudo isso em prática é a obediência e a manutenção da comunhão com Deus por meio da oração e da Palavra para obter sabedoria em tudo aquilo o que for fazer. A grande razão de muitos fracassos de alguns crentes é justamente a empolgação causada pela ansiedade que os levou a tomar decisões sem consulta à direção de Deus. E é muito importante saber que pedir a direção de Deus não é lhe dizer: “Senhor, esse é o meu projeto. Me abençoa nisso. Amém!”; isso não é pedir direção, mas sim querer direcionar o Senhor a fazer a tua vontade. Pedir direção é dizer: “Senhor, eu tenho um desejo no meu coração e um projeto para executá-lo; no entanto, tu sabes o que é melhor para mim. Seja feita a tua vontade; tão somente lhe peço que, se tiver outro plano para minha vida, me oriente para que eu não venha a tomar nenhuma atitude errada!”.  Jeová muito se agrada quando confiamos nossa vida e suas mãos (Sl 37:5)! O próprio Senhor Jesus nos ensinou a compartilhar nossos projetos com Ele dessa maneira (Mt 6:10,11)! No demais, peçamos sabedoria para não errar (Tg 1:5). Você o tem convidado para se assentar à sua mesa de planejamento (Tg 4:13-16[13])?


[1]Renunciar: Deixar para trás (Lc 14:33; Tt 2:12). Esquecer os interesses próprios (Mt 16:24).
[2]Aborrecer: Desprezar (Gn 29:33). Sentir horror; detestar (Lv 19:17), desgostar (Fp 3:1).
[3]Dádiva: Dom, presente, donativo.
[4]Minar: Cavar, escavar. Abrir, arrombar, destruir.
[5]Mamom: É um termo derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro". Mamon não era o nome de uma divindade, como muitos pensam, e sim um termo de origem hebraica que significa dinheiro, riqueza, ou bens materiais. Jesus, no Evangelho, utiliza a palavra quando afirma que não é possível servir simultaneamente a Deus e a Mamon (Lucas 16:13).
[6]Côvado: Medida padrão de comprimento igual a um pouco menos de 45 centímetros (44,44 cm) (Gn 6:15). É igual a 2 palmos. É a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio. Em Ezequiel o côvado mede 51,8 cm (Ez 43:13). É a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio.
[7]Solícito: Ativo, cuidadoso, diligente. Prestadio. Apreensivo. Inquieto. Delicado. Muito amável.
[8]Autossustentável: Capaz de sustentar-se por si mesmo.
[9]Avareza: Apego demasiado e sórdido ao dinheiro; desejo imoderado de adquirir e acumular riquezas. Mesquinhez, sovinice. Ciúme.
[10]Parábola: Originária do grego parabole, significa narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implícita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas. Narração figurativa na qual, por meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas, quando reais. Eram as histórias geralmente extraídas da vida cotidiana utilizadas por Jesus Cristo para ensinar aos seus discípulos. Segundo Marcos 4:11-12, eram utilizadas por Jesus para que somente seus discípulos as entendessem plenamente. Este gênero já era utilizado por muitos dos antigos profetas.
[11]Agulha: É o nome dado a um buraco feito numa muralha por onde pode se passar objetos, pequenos animais e, com certa dificuldade, até pessoas quando os portões estão fechados. Para um camelo passar por ela tem que se espremer muito (Lc 18:25).
[12]Cobiça: Forte desejo de conseguir alguma coisa. Ânsia ou ambição de honras ou riquezas. Avidez. Concupiscência.
[13]Presunção: Opinião geralmente infundada ou exagerada de si mesmo; de suas próprias qualidades; pretensão; fatuidade; vaidade; afetação. Jactância.