quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O Cumprimento do Chamado

Jonas 3:1-4

O cumprimento de um chamado
implica no enfrentamento de
vários desafios que muitas vezes
aparentam ser muito maiores do
que nossa capacidade; porém, é
a convicção de que estamos sob
a misericordiosa Graça divina
que nos dá forças para encarar e
vencer qualquer situação.
1 - Experimentando a misericórdia divina (3:1)
    O pior já havia passado. Agora o profeta já estava a salvo em terra. Seria esse o momento para o Senhor lhe cobrar duramente por sua desobediência, mas “jogar na cara” o que fez por ele não era seu objetivo. Havia uma grande missão a cumprir e o escolhido ainda era ele. Imagina-se que o estado emocional de Jonas fosse uma grande mistura de temor e gratidão e, sendo uma pessoa que tinha pelo menos um pouco de juízo, não viraria as costas à voz de Deus novamente.
    Misericórdia é uma das palavras-chave na vida de cada crente (Lm 3:22,23). Se fôssemos tratados pelo Senhor da mesma forma que muitas vezes o tratamos, já teríamos sido fulminados. Ele pode até precisar de nós para determinadas missões, porém, precisar não significa depender, pois Ele tem inúmeros meios de cumprir seus propósitos e um deles é nos descartar definitivamente. Não somos exclusivos (Rm 11:3,4). Você já parou para pensar na importância do lugar em que ocupa e no grande privilégio que usufrui diante daquilo que foi confiado em suas mãos? Ele poderia estar usando outro, mas escolheu você e te proporcionará meios para isso (Jr 1:4-10)!

2 - Tendo o pacto renovado com Deus (3:2)
    O plano divino não havia mudado. A ordem ainda era a mesma: “Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive e prega contra ela!”. Talvez esse fosse o temor maior do profeta, mas o seu “plano B” não excluiu o “plano A” de Deus. Certamente, apesar de não ser exatamente o que Jonas queria fazer, a sensação de alívio por estar vivo e ainda poder ouvir a voz do Senhor foi seu grande fator motivacional para não repetir o erro anterior desobedecendo-o.
    Deus sabe como trabalhar conosco. Seu amor nos constrange e, sem necessidade de imposições (Ap 3:20), nos leva a cumprir o que nos é proposto (2ª Co 5:14ª; Jo 21:17[1]). É óbvio que se Jonas resistisse à sua voz e definitivamente decidisse não ir (At 7:51), isso não impediria que Nínive ouvisse sua Palavra (Is 43:13), pois o compromisso divino, primariamente, é com a mensagem e não com o mensageiro (Mt 7:21-23). No entanto, o profeta arcaria com as consequências por sua desobediência (Mt 25:11,12,24-30).

3 - Aproveitando de uma nova oportunidade (3:3)
    Ouvindo esse segundo chamado, Jonas levantou-se e foi. Sabia ele que não seria fácil cumprir essa tarefa: o lugar era estranho, a fama de seus habitantes não era nada boa, a mensagem não possuía um conteúdo nem um pouco agradável e havia uma longa caminhada de três dias pela frente. Mas o que um homem dependente de Deus poderia fazer além de obedecer? Ele estava muito longe de casa e, provavelmente, sem condições de voltar; no entanto, creiamos que a razão de sua obediência tenha sido pela vontade de aproveitar essa oportunidade em razão do amor e da gratidão a Deus pelo seu livramento e não por falta de alternativa.
    O que te move a obedecer a Deus? Aproveitar oportunidades - principalmente quando se trata de uma imerecida nova oportunidade - é uma atitude própria de quem tem sabedoria e temor ao Senhor. Porém, há sinceridade em teu coração quando você diz “sim” para Deus (At 8:18-21[2])? Enfrentar terras estranhas, pessoas difíceis, mensagens indignas de aplausos e trabalhos exaustivos são tarefas para quem tem convicção de seu chamado e conhece o Deus a quem está servindo (2ª Tm 1:6-12). Se não for por amor - sem interesses secundários -, caso não haja arrependimento, o resultado é catastrófico (At 27:3-6).

4 - Cumprindo seu chamado (3:4)
    Ele não esperou terminar a viagem de três dias para descansar um pouco e depois se apresentar diante do rei, pedir a montagem de um palco e ter tudo preparado para sua grande preleção[3]. A missão era urgente e, logo no primeiro dia, enquanto caminhava, começou a pregar, assim sendo ouvido pelos que encontrava pelo caminho. A mensagem era forte. Não tinha como “amaciar” fazendo uso de técnicas de oratória para ser melhor aceito pelos ouvintes, os quais eram pecadores que necessitavam ser alertados quanto à necessidade de arrependimento. Assim prosseguiu ele até o fim, talvez, sem ter a certeza de que consequências pessoais isso pudesse lhe causar. 
    O que mais costuma nos atrapalhar no cumprimento de nosso chamado é o período de preparo que impomos à nós mesmos. Logicamente, é inquestionável que devemos sim nos preparar, no entanto, é necessário lembrar também que a própria Obra é uma grande escola e que as maiores lições são aprendidas na prática. Essa missão é urgente (2ª Tm 4:2[4] [5] [6])! Outro fator que também muito atrapalha é o receio de trabalhar com a verdade: nos preocupamos com a quantidade do que podemos perder diante do homem, assim desprezando a qualidade do serviço que estamos prestando a Deus. Qual é o valor da verdade? Esse valor é a diferença entre a salvação e a condenação dos vários “ninivitas” para as quais o Senhor nos ordena a pregar diariamente (Ez 3:18-21). Quer realmente cumprir seu chamado? Pregue sobre subversão[7] sem subverter o conteúdo da pregação (2ª Co 4:3-5[8]).


[1]Simão: Significa "Ouvinte". Na Bíblia aparecem nove homens com esse nome: 1) Pedro (Mt 4:18); 2) Iscariotes, pai de Judas (Jo 13:26); 3) O leproso (Mc 14:3); 4) Cirineu (Mt 27:32); 5) Curtidor (At 10:6); 6) Fariseu (Lc 7:40); 7) Mágico (At 8:9-24); 8) Zelote ou Cananeu (Mt 10:4); 9) Irmão de Jesus (Mt 13:55).
[2]Simão, o mágico: É um personagem bíblico com quem o apóstolo Pedro travou polêmica em Samaria (At. 8, 9-24). Além do livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, o personagem é referido em outras obras ligadas ao gnosticismo. O texto bíblico narra o episódio em que Simão tenta comprar dos apóstolos o poder de operar milagres. Tal ato, considerado pecaminoso pela teologia cristã, foi denominado de simonia (ato de Simão), termo que define especificamente o comércio ou tráfico de coisas sagradas e espirituais, tais como sacramentos, dignidades, indulgências e benefícios eclesiásticos, e que estaria no centro das críticas e discussão que conduziriam à Reforma protestante no século XVI.
[3]Preleção: Palestra com finalidade didática ou educativa; aula, lição.
[4]Redarguir: Repreender, replicar, responder.
[5]Exortar: Animar, incentivar, estimular. Induzir, conversar. Advertir, admoestar, aconselhar.
[6]Longanimidade: Paciência. Qualidade de quem tem grandeza de ânimo. Benigno, complacente, indulgente, corajoso, generoso, paciente, resignado, longânimo.
[7]Subversão: Ato ou efeito de derrubar, destruir; ruína, destruição, queda. Perversão moral.
[8]Fábula: Lenda, conto. Composição, geralmente em verso, em que se narra um fato cuja verdade moral se oculta sob o véu da ficção. Mitologia. Mentira. Ficção, falsidade.

domingo, 14 de agosto de 2016

O Arrependimento da Rejeição ao Chamado

Jonas 2:1-10

O arrependimento se manifesta
trazendo angústia, a qual
proporciona um profundo
desejo de corrigir o erro
cometido; esse sentimento de
amargura é o que leva o servo
de Deus a procurar se
aproximar dEle por meio da
oração.
1 - Orando nas entranhas do peixe (2:1)
    A escuridão e um cheiro insuportável certamente dominavam o ambiente; as acomodações eram extremamente desconfortáveis e só o que se ouvia era o imenso barulho de água pelo lado de fora: o cenário “perfeito” para uma oração. Seu roteiro de viagem estava drasticamente alterado e, na condição de profeta, com certeza Jonas se perguntava “como foi mesmo que eu vim parar aqui?”. No entanto, não importa como tenha sido sua sensação de arrependimento, ela deve ter sido acompanhada pelo lamento de não ter feito o que era certo e, nesse momento, o que restava era orar para corrigir o tempo que foi gasto planejando uma viagem indevida, aplicando seu dinheiro pagando por aquela passagem e dormindo num momento em que poderia estar realmente orando.
    Quantas vezes esperamos que a escuridão e o mal cheiro da podridão de nossos próprios erros nos assolem, atormentando-nos com o barulho dos perigos lá fora, para então clamarmos ao Senhor que intervenha com sua misericórdia? Se orássemos mais antes das consequências, nos momentos de tormenta nossas orações seriam mais de gratidão do que por livramento (Sl 55:22; Mt 6:33). Um de nossos piores males é encarar a oração como um “disk-emergência” e não como uma conversa cotidiana entre Pai e filho. Quando entendermos isso poderemos ser livrados com antecedência ou, simplesmente, ter mais forças para suportar o desconforto das entranhas do peixe (2ª Co 12:7-9).

2 - Mantendo a fé em meio à angústia (2:2)
    O início de sua oração demonstra o tamanho de sua confiança no Todo-Poderoso. Ele podia ter suas falhas e defeitos, mas não há registro bíblico de que em algum momento ele tenha negado sua fé. O profeta ainda estava nas entranhas do peixe, mas tinha certeza da resposta divina. Em seu relato, ele descrevia aquele lugar como o inferno, só que mesmo naquele “inferno”, gritando em meio ao desespero, ele pôde ouvir a voz do Senhor. Aqui Jonas mostra que a confiança da resposta é a certeza da concretização do milagre. Ele havia pecado através da prática da desobediência, mas sabia que seu arrependimento poderia alcançar o perdão.
    Qual tem sido o conteúdo de suas orações? Com que certeza de resposta você tem orado? Geralmente, em momentos de angústia, diante de Deus temos duas reações: não oramos ou oramos sem fé. Porém, ainda que tenha errado, o crente que procura manter sua comunhão com Deus, independentemente do “inferno” em que esteja vivendo, sabe que seu grito - seu clamor - será ouvido e atendido por Ele (Lc 18:13,14), e crê também que qualquer acusação de pecado é apagada pelo poder do perdão (1ª Jo 2:1,2,12[1]).

3 - Reconhecendo a soberania divina (2:3)
    Ele sabia porque estava lá; essa afirmação deixa isso bem claro: “tu me lançaste no profundo no coração dos mares”. Dessa forma, ele reconhecia a soberania divina sobre a sua vida. Na sequência, cita ainda as correntes das águas que o cercavam e as ondas e as vagas[2] que passavam por cima dele. Essa narração da assustadora situação em que se encontrava, acompanhada do termo “tu me lançaste”, mostra a consequência de seu pecado e o peso das mãos de Deus que embora o estivesse livrando, fez isso de forma repreensiva.
    A melhor coisa, mesmo que a situação não esteja muito boa, é sabermos que o soberano Jeová está no total controle de nossa vida. De fato, muitas vezes, as águas nos cercam e suas ondas e correntes parecem que vão nos submergir; no entanto, não devemos nos esquecer que a razão de nossas queixas está em nossas próprias falhas (Lm 3:39) e que se Ele nos corrige é porque nos ama (Hb 12:5-8). Assim sendo, se a tua vida continua sendo preservada é porque ainda há um propósito a ser cumprido; apenas se acalme, continue clamando e espere o momento de se dispor a aceitar a nova oportunidade que te será concedida para cumprir sua missão.

4 - Preservando a esperança viva em meio à incerteza da vida (2:4)
    O profeta se encontrava nas profundezas do oceano, mas tinha uma convicção: mesmo lançado de diante dos olhos do Senhor, tornaria a ver seu santo templo. Isso significa que mesmo naquela situação aparentemente irreversível, ele tinha a esperança de uma oportunidade de sobrevivência, na qual ele tornaria a servir ao Senhor novamente. Essa dura experiência o levou a refletir e sentir a necessidade de fazer melhor tudo aquilo que ele havia negligenciado antes.
    Normalmente temos uma grande dificuldade em compreender e aceitar quando o Senhor nos permite cair nas “profundezas do oceano”; pois é muito mais fácil questionar a situação do que dizer “fui eu que errei, por isso estou aqui!”. Mas, a grande prova de arrependimento é quando nos sentimos lançados fora da presença do Senhor e lamentamos por isso, desejando, a todo custo, que seja mudada essa situação (Sl 51:9,10). As quedas, muitas vezes, não são para matar, mas para nos fazer enxergar que estávamos no caminho errado, concedendo-nos uma oportunidade de reverter nossos erros (Sl 37:23-25).

5 - Descrevendo a caótica situação à sua volta (2:5)
    Para chegar ao ponto de as águas envolverem seu corpo e até as algas[3] se enrolarem em sua cabeça, significa que ele já havia chegado ao fundo do mar. Muito provavelmente esse peixe se alimentava de algas e, no momento em que as engolia, seu ventre se enchia também de água; situação essa que, certamente, aumentava muito seu desconforto ali dentro.
    As consequências de nossos erros, muitas vezes, chegam a um nível tão insuportável que nos sentimos sufocados pelos problemas que enfrentamos. Quando percebemos que o peixe que nos engoliu está abrindo a boca, nos enchemos de esperança achando que vai nos lançar para fora, mas é apenas mais água e algas entrando por cima de nós, mostrando que estamos no fundo, bem longe da superfície. Nesse momento, quando nos sentimos cercados e enrolados pelos alimentos que sustentam nossos opressores, só o que nos resta é meditar na situação em que caímos; tal reflexão pode nos levar ao arrependimento e à um grande desejo de mudança (Sl 51:7-9[4]).

6 - Vivendo uma experiência de dependência total de Deus (2:6)
    Jonas não podia ver, mas podia sentir que estava na extremidade mais baixa da terra, conseguindo até compreender que passava pelas bases das montanhas, lugar esse em que o homem nunca havia estado antes. Sua angústia o fez sentir-se preso nas profundezas como se houvesse ali uma tranca. No entanto, sua esperança estava viva: ele permanecia crendo que o Senhor o livraria da perdição.
    As aflições podem nos levar à beira do desespero, fazendo-nos até mesmo sentir como se não mais houvesse saída; porém, elas têm seu lado positivo: aumentam nossa fé, produzindo em nós experiência (Rm 5:1-4). Descer aos fundamentos dos montes e se ver cercado pelos ferrolhos da terra não são uma experiência para a morte, mas sim uma prova de dependência em relação ao Todo-Poderoso (Sl 124:1-8; Rm 8:37).

7 - Reconhecendo que não há outra saída a não ser confiar no Senhor (2:7)
    O profeta estava de fato com suas forças desfalecendo, ou seja: sua morte se aproximava. Mas sua mente estava firmada no Senhor, isso o mantinha vivo. Ele orava. Suas orações restabeleceram sua comunhão com o Pai; ele podia sentir sua presença mesmo em meio à agonia física. Ele poderia ter se entregado achando que não haveria mais jeito e simplesmente esperar pela morte lenta e dolorosa que se seguia, mas não, pois ele sabia que, embora tivesse pecado, não estava abandonado.
    A saída pode até não ser visível, mas quando cremos que ela existe, nem mesmo o risco de morte é obstáculo para que desistamos da vitória. No entanto, existe um segredo e ele é essencial: a comunhão com Deus; por meio dela obtemos confiança, a qual expressa fé, e isso é agradável a Deus (Hb 11:6) e resulta em sua resposta (Mt 9:27-30). Porém, é ainda necessário ter em mente que não é apenas em momentos de aperto que devemos nos lembrar do Senhor, pois a comunhão constante pode evitar muitos males (1ª Ts 5:17,18; Lc 21:36).

8 - Pregando para si mesmo em meio à crise (2:8)
    Aqui ele parece analisar sua própria vida, refletindo sobre coisas desnecessárias que já haviam feito parte dela. Em algumas versões bíblicas, essas vaidades são interpretadas como a prática da idolatria, dizendo que quem as pratica está abandonando a misericórdia do verdadeiro Deus. Mais uma vez, isso mostra que ele compreendia que sua razão de estar ali era mesmo a desobediência. Nessa reflexão, ele ensinava a si mesmo o valor de se aproveitar as oportunidades diante do Todo-Poderoso.
    O que pode estar ocupando o lugar de Deus em nossa vida? Sempre dizemos que estamos libertos da idolatria e das vaidades de nossa vida, mas o que é idolatria e vaidade? Idolatria e vaidade vão além de imagens de escultura e do cuidado excessivo com o próprio corpo. Ambos os males são representados por coisas que não conseguimos deixar embora saibamos que não sejam edificantes e apenas nos satisfaçam temporariamente, se contrapondo ao que Jesus ensinou sobre renúncia (Mt 16:24-26). Pregue para si mesmo como para um pecador e analise se a Palavra fala contigo; essa autoanálise espiritual pode fazer a diferença para te arrancar das entranhas desse peixe. Não deixe que nada te afaste da misericórdia divina (Hb 2:1-3).

9 - O ardente desejo de fazer aquilo que devia ter feito antes (2:9)
    Ele sentiu a necessidade de oferecer algo ao Senhor. Mas o que oferecer naquela tão miserável situação? Talvez mal tenha lhe restado pedaços de suas roupas. A Bíblia não relata com exatidão, mas nos permite entender que ele ofereceu louvor[5] em forma de cântico dizendo “do Senhor vem a salvação”. Talvez ele não tenha cantado naquele momento, mas de alguma forma expressou esse ato de gratidão à Jeová, e comprometeu-se ainda a pagar um voto[6] a Ele como forma de sacrifício.
    Não deveria ser assim, mas, muitas vezes, é quando nos vemos submersos na angústia que reconhecemos a necessidade de gratidão e um grande desejo de oferecer algo ao Senhor. Mas o que oferecer quando não temos mais nada? Uma coisa é certa, sempre temos algo, pois oferta[7] não se resume em finanças. Seja um louvor por meio de cântico ou de alguma expressão de adoração ou até a utilização de algum dom ou habilidade que tenhamos em prol de sua Obra, isso já representa a entrega de uma oferta, um sacrifício (Sl 116:12-14). Se não podemos fazer algo no momento, até podemos oferecer um voto, mas não nos esqueçamos que isso é um compromisso diante de Deus e não pode deixar de ser pago (Dt 23:21-23), pois Ele não se agrada de sacrifícios de tolos (Ec 5:1-7).

10 - A prova do amor e da soberania de Deus, livrando e levando-o aonde Ele queria que fosse (2:10)
    Deus tudo contemplava naquela situação toda e, diante daquela oração, conduziu o peixe à terra e o ordenou que vomitasse a Jonas. Aqui podemos observar duas de suas características inquestionáveis: amor e soberania. Ele poderia ter entregue aquele profeta desobediente à morte e usado outro, ou simplesmente também ter desconsiderado a salvação dos ninivitas, pois os mesmos eram terríveis pecadores, mas, ao mesmo tempo que livrou Jonas da morte e levou a ele próprio ao cumprimento dessa missão, mostrou ainda que nenhuma circunstância o faria desistir de cumprir seu propósito de salvação com quem quer que fosse.
    Seja em relação aos que escolheu para fazer sua Obra (Jr 1:5), ou aos que precisam ouvir sua palavra (Jo 12:47-49), Deus tem um plano em cada vida e proporcionará meios para cumpri-lo porque Ele é fiel e não pode negar a si mesmo (Nm 23:19; 2ª Tm 2:13). Porém, a infidelidade é viva dentro de nós (Rm 7:15-20), a qual nos torna sujeitos à desobediência, deixando-nos vulneráveis a perder o que nos está destinado (1ª Co 10:12; Mt 26:41). Por essa razão, cuidemos para que naquele Grande Dia não sejamos cobrados por termos desonrado ao que o Senhor entregou em nossas mãos, sejam dons espirituais (Mt 25:24-30; 7:21-23[8]) ou a própria salvação (Hb 3:17-19).



[1]Propiciação: Ato realizado para aplacar a ira de Deus, de modo a ser satisfeita a sua santidade e a sua justiça, tendo como resultado o perdão do pecado e a restauração do pecador à comunhão com Deus. No Antigo Testamento a propiciação era realizada por meio dos Sacrifícios, os quais se tornaram desnecessários com a vinda de Cristo, que se ofereceu como sacrifício em lugar dos pecadores (Êx 32.30; Rm 3.25; 1ª Jo 2.2).
[2]Vaga: Onda.
[3]Alga: Planta que vive no fundo ou à tona de águas salgadas ou doces. As algas servem de alimentos para alguns tipos de peixe.
[4]Hissopo: Denominação comum às ervas ou subarbustos perenes do gênero Hyssopus, da família das labiadas, originárias do sul da Europa e da costa do Mediterrâneo ao centro da Ásia, com flores espiraladas em espigas bracteadas. Erva (Hyssopus officinalis) medicinal labiada, originária do sul da Europa, de folhas violáceas, altamente aromáticas e estimulantes, usada na fabricação de perfumes e licores. Planta que na purificação era usada para borrifar líquidos (Êx 12:22).
[5]Louvor: Ato de louvar. Aplauso, elogio, encômio. Glorificação. Expressão usada para se referir às músicas feitas para adorar a Deus.
[6]Voto: Promessa feita a Deus (Ec 5:4; At 18:18). Pedido a Deus (3ª Jo 1:2).
[7]Oferta: Ato de oferecer; oferecimento. Oblação, oferenda. Retribuição de certos atos litúrgicos. Dádiva. Promessa.
[8]Talento: O talento de ouro ou prata era a unidade de moeda romana para grandes quantidades de dinheiro. Ele foi introduzido na Grécia Antiga e depois adaptado para o sistema monetário romano. Um talento era igual a 60 minas, que, por sua vez eram equivalentes a 100 dracmas. Sabendo que uma dracma era igual a 4,5 a 6 gramas de ouro ou prata, um talento significava entre 27 a 36 quilos de metal. Estudiosos calculam que um talento hoje valeria no mínimo 1300 dólares (cerca de dois mil reais). Espiritualmente, os talentos representam os dons que o Espírito Santo nos concede e, na linguagem popular expressa as habilidades especiais de uma pessoa; era um termo muito usado pelos romanos para elogiar uma pessoa de valor.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

As Consequências da Rejeição ao Chamado

Nossa rejeição aos propósitos
divinos resultam em consequências
negativas; no entanto, por sua
imensa misericórdia, Deus nos dá
oportunidade de arrependimento,
livrando-nos, mesmo que não seja
da forma que esperamos.
Jonas 1:4-17

1 - A desobediência afeta as pessoas à sua volta (1:4)
    Aquele navio transportava grandes preciosidades: marinheiros e passageiros que tinham familiares lhes esperando em suas casas e produtos em sua carga que representavam o sustento dos comerciantes e clientes que deles precisavam. Certamente, Jonas não tinha nem noção do que iria acontecer, mas sua atitude de rebeldia à ordem divina trouxe consequências que colocaram em risco não apenas a ele, mas a todos e a tudo a sua volta: uma grande tempestade estava prestes a causar uma incalculável tragédia.
    Muitas vezes achamos que nossa desobediência é algo pequeno demais para provocar a ira de Deus, e até nos apoiamos em nossa fraqueza para justifica-la, esquecendo-nos de que não há desculpa para o pecado (Mc 14:38); e até mesmo quando admitimos a possibilidade de haver consequências pelos nossos erros, achamos que isso só vai atingir a nós mesmos como se estivéssemos sozinhos no barco, ingenuamente confundindo prestação individual de contas para a salvação (Rm 14:10-12) com responsabilidade pessoal a nível material (Js 7:20,24,25[1] [2] [3] [4]). Por essa razão, devemos sempre refletir sobre qual pode ser nossa parcela de culpa sobre a tempestade que está a ponto de submergir a todos a nossa volta (Sl 69:6).

2 - Dormindo na hora em que deveria tomar uma atitude (1:5)
    Todos clamavam aos deuses em que eles acreditavam e corriam desesperadamente na tentativa de fazer o que estivesse a seu alcance para evitar que o pior acontecesse. Na busca por uma solução até seus bens materiais foram jogados fora. Mas, enquanto isso, Jonas estava deitado no porão dormindo profundamente. Era essa a tranquilidade de um servo de Deus que tinha confiança no livramento ou a certeza da salvação da sua alma? Não! Era essa a irresponsabilidade de quem, mesmo sabendo que estava em desobediência, permanecia acomodado, totalmente alheio ao que se passava a sua volta.
    Muitas vezes surgem problemas em nosso ambiente familiar, ministerial ou profissional e, enquanto todos correm desesperadamente tentando resolve-los, nós simplesmente procuramos cuidar de nosso conforto como se não tivéssemos nada a ver com aquilo (Mc 14:33,34,37). Jamais devemos ignorar o que acontece a nossa volta. Mesmo que tudo nos pareça bem, antes de nos deitarmos no porão, devemos procurar saber se o mar não está mais agitado do que o normal e, principalmente, o que podemos fazer para ajudar a buscar uma solução (At 27:21-25[5] [6]).

3 - Sendo despertado por aqueles que não servem a Deus (1:6)
    Descendo ao porão, o capitão o encontrou dormindo e o despertou imediatamente. Imagine seu constrangimento: os ímpios invocando aos falsos deuses pagãos enquanto ele, que conhecia ao Deus verdadeiro, estava dormindo e foi acordado por um deles pedindo que invocasse ao Senhor. Aqueles homens não conheciam Jeová, mas acreditavam que se o profeta orasse, um milagre aconteceria. No entanto, devem ter estranhado sua calma e falta de atitude.
    Uma das coisas mais tristes e vergonhosas é quando somos lembrados e cobrados pelos ímpios sobre nossa posição diante de Deus. Não há como esconder o que temos, pois carregamos um nome muito forte: o cristianismo; segmento esse o qual todos sabem que uma de suas principais características é a manifestação de milagres (Lc 10:19; Mc 16:17,18). O que precisamos ter em mente é o fato de que independentemente da forma como o Senhor nos use, os que nos observam esperam de nós pelo menos uma palavra nos momentos de dificuldade; sendo embaixadores de Cristo, como o temos representado diante dos homens (Mc 9:17-19; 4:38-40)?

4 - Tendo a sua culpa revelada por Deus (1:7)
    Eles tiveram uma ideia que era comum entre os pagãos em situações de dúvida: lançar sortes para saber o motivo de algo. A Bíblia não declara como seria isso, mas, baseando em dados históricos, acredita-se que, acompanhadas de uma oração, eram jogadas pedrinhas ou lascas de madeira nas quais haveriam os nomes ou algum símbolo que representasse cada pessoa ou então era feito uso de algum outro tipo de jogo conhecido na época. Mas a questão principal é que não importa como isso tenha sido realizado, Deus aproveitou dessa crença e fez uso dela para lhes revelar a verdade.
    Como cristãos, um dos nossos maiores erros é subestimarmos a fé alheia, acreditando que por eles não serem servos de Deus, o Espírito Santo não possa lhes revelar nada a nosso respeito. O Senhor tem seus modos de agir e, em nome da sua soberana justiça, muitas vezes nos surpreende (Et 2:21-23[7]; 3:5,6; 6:3,6-11; 7:6,7,10; 8:7,8[8] [9] [10] [11]). Tudo o que temos em oculto, principalmente o que interfere na vida de outros, se necessário, é de alguma forma revelado a quem de direito (Na 1:3a; Mc 4:22). Por essa razão, melhor é que vivamos exemplarmente de forma que nada tenhamos a esconder de ninguém (1ª Co 10:32).

5 - Tendo suas falhas apontadas e sendo questionado sobre suas obrigações (1:8)
    Agora, como a sorte havia lhe declarado culpado, ele se viu diante de uma comissão de interrogatório e precisava dar explicações. Basicamente, eles queriam saber quem ele era, o que fazia e de onde vinha; mas o que importava isso se a embarcação estava para se afundar? Talvez acreditassem que essas informações pudessem ajuda-los a saber como invocar seus deuses para resolver o problema, ou até mesmo toda essa confusão expressasse apenas uma reação de desespero de pessoas que estavam prestes a morrer. Seja qual fosse a razão, o fato é que sua rebeldia causou grandes transtornos a pessoas inocentes.
    O que estamos causando na vida das pessoas a nossa volta? O que estamos provocando no sentido emocional, financeiro, moral e espiritual de nossos familiares, parentes, amigos, colegas de escola e trabalho, vizinhos e irmãos da igreja? As reações que provocamos são reflexo de nosso caráter pessoal e de nosso nível espiritual (2ª Co 8:21). Pessoas que não se importam com o bem-estar alheio são egoístas e não podem esperar com isso que serão bem vistas pela sociedade em geral (Gl 6:2,3,7).

6 - Se identificando como servo de Deus (1:9)
    Diante daquela pressão, ele precisou se identificar. Não tinha mais como permanecer escondido ou continuar negligenciando sua responsabilidade naquela situação. Ele apenas revelou de onde vinha e qual era a sua fé. Provavelmente acreditava que nada poderia fazer para resolver aquele problema, mas, mesmo assim, falou do seu Deus e mencionou o seu poder citando a criação da terra e do mar. Talvez tenha pensado que essa fosse sua última “pregação”. Que tragédia para um profeta: morrer tendo que se explicar por também causar a morte de vários inocentes! Era essa a missão que Jeová lhe tinha dado? Essa pergunta deve ter martelado em sua mente. Ele sabia que estava encrencado, só que não negou sua fé e nem tentou inventar desculpas que amenizassem sua responsabilidade.
    Há momentos em que podemos ser levados a falar de Deus mesmo sem querer. E é nessas horas que o crente precisa ter argumentos, os quais não se resumem apenas na narrativa de sua fé, mas também em testemunho de vida (2º Rs 4:9,10). O que fazer quando somos pressionados numa dificuldade ou questionados de alguma forma? A melhor coisa é lembrar quem você é e fazer uso de sua identidade cristã (Jo 4:16-19).

7 - Tendo a consciência despertada diante do problema (1:10)
    Diante da revelação da verdade, aqueles homens ficaram atemorizados, o que demonstra que eles já haviam ouvido falar do Deus de Israel e acreditavam em seu poder. A sinceridade de Jonas, obviamente, os levou a refletir espiritualmente. Tanto o profeta quanto os marinheiros estavam diante de uma grande oportunidade que pode ter sido o fator determinante que os tenha levado ao arrependimento de seus pecados.
    Nosso maior problema é questionar as dificuldades em vez de encará-las como uma oportunidade de conserto e recomeço. Diante de um grande prejuízo, o mais fácil é murmurar e até mesmo abandonar a fé, sendo que, na verdade, as adversidades devem servir para aumentar nosso temor e consciência da dependência de Deus (Sl 13:1,5,6).

8 - Sendo cobrado pelos seus erros (1:11)
    “O que te faremos nós para que o mar se acalme?”. Eles foram bem diretos e objetivos ao lhe cobrarem por sua responsabilidade diante da tempestade que, além de ter causado muitos prejuízos materiais, estava prestes a destruir a vida de todos que nada tinham a ver com sua fuga. Como será que ele se sentiu naquele momento?
    Nossas fugas ou erros nos proporcionam conforto ou prazer nos momentos em que os cometemos (Lc 15:11-13[12]), mas suas consequências levam a prejuízos, tanto em sentido material quanto moral, - principalmente quando envolve pessoas inocentes - que significam grandes perdas e a exposição à vergonha (Lc 15:14-19[13]).

9 - Assumindo a responsabilidade (1:12)
    Com a situação no ponto em que chegou, Jonas tomou uma atitude sensata, embora inesperada e aparentemente imprópria. Pedir para ser lançado ao mar não seria suicídio? Além do mais, como ele sabia que isso resolveria o problema? Não sabemos o que se passava na mente dele, no entanto, ele demonstrou ter sido coerente fazendo uso de uma tentativa - a qual lhe parecia ser a última - de acalmar a fúria de Jeová ou, pelo menos, mostrar aos marinheiros, antes que todos morressem, que ele estava arrependido e morreu como um homem dignamente justo.
    Por mais que se tenha errado, nem tudo está perdido; pois assumir a culpa e apresentar uma solução, ainda que pareça inviável ou absurda, serve para mostrar sua disposição em resolver o problema (Lc 19:7-9[14]). Aos homens, sua proposta pode parecer mais um ato incoerente gerado pelo desespero, mas Deus contempla seu coração e pode ter misericórdia correspondendo à sua fé (1ª Co 2:14,15).

10 - As pessoas tentam ajudar, mas não podem (1:13)
    O capitão do navio, juntamente com seus marinheiros, parece ter ignorado a inesperada resposta de Jonas e recusado sua incoerente proposta. Eles poderiam, até por raiva, tê-lo realmente lançado ao mar, mas preferiram remar, assim tentando salvar a todos. Mas quanto mais lutavam contra as ondas, mais o mar se embravecia contra eles.
    Há momentos em que por mais que as pessoas tentem, não conseguem ajudar; e, se persistirem, os problemas se voltam contra elas. É preciso compreender que tudo tem um limite e que nem todos podem ser ajudados (2ª Ts 3:14,15); pois, muitas vezes, a melhor ajuda é deixar o pior acontecer porque é o próprio Deus quem está tratando com aquela pessoa (1ª Co 5:5).

11 - A preocupação na hora de uma difícil decisão (1:14)
    Aqueles homens não eram servos do verdadeiro Deus, mas tinham fé e acreditavam no que o profeta havia falado. Porém, ainda assim, não queriam ser vistos como criminosos e nem como pecadores, pois temiam as consequências disso. Então, na incerteza dessa atitude, clamaram ao Senhor rogando por misericórdia e exaltaram a sua soberania.
    Em momentos de difíceis decisões, quando não há tempo para pensar em outras alternativas, não existe outra coisa a fazer a não ser clamar pela misericórdia pedindo a Deus que nos perdoe caso estejamos errados, mas assumindo que em nosso pequeno entendimento não pudemos compreender qual seria a decisão correta. Por isso, para o cristão, é essencial sempre pedir a Ele por discernimento espiritual (Hb 5:13,14). Dúvidas são consequências da falta de intimidade com o Senhor, e isso é tanto em relação ao conhecimento da Palavra quanto em relação à sua busca por meio da oração (Jr 33:3).

12 - Uma solução drástica para o problema (1:15)
    No ponto em que a situação tinha chegado, não havia outro jeito a não ser “se livrarem” de vez do problema. Essa não era a solução que eles queriam, pois relutaram insistentemente contra ela jogando a carga ao mar e remando bravamente. O que podemos imaginar que se passava na mente daqueles homens era uma mistura de medo e dó, mas essa era a última alternativa. Certamente foi grande o espanto ao verem que no mesmo momento a tempestade se acalmou; dessa forma acabaram de constatar que o Deus de Israel é de fato o verdadeiro Deus.
    Se livrar de algo ou de alguém pode ser muito difícil e até doloroso, mas há momentos em que isso é necessário para evitar problemas maiores. Um ato de renúncia nunca é fácil, mas isso faz parte dos mandamentos cristãos (Mt 16:24). Nossas estratégias de alívio de carga, nossos braços e nossa habilidade com os remos podem nos fazer sobreviver em meio a tempestade por um tempo, mas somente a eliminação da causa do problema tem o poder de cessar a fúria do mar. Renunciar também consiste num ato de fé, situação essa em que Deus se mostra mais presente em nossa vida (Hb 11:1,6,8).

13 - Um propósito de salvação em meio ao seu sofrimento (1:16)
    Tomados por grande temor, aqueles marinheiros se puseram a oferecer sacrifícios ao Senhor. A Bíblia não relata o que aconteceu com eles após esse fato, mas podemos deduzir que passaram a reconhecer a Jeová como o verdadeiro Deus.
    Muitas vezes acontecem adversidades em nossa vida que não conseguimos compreender, porém, independentemente da causa ter sido nossa desobediência ou não, o Senhor pode reverter a situação e transformar o sofrimento em bênção, principalmente a bênção da salvação (At 16:27,28,30-32). É óbvio que essa não é uma prova da veracidade da “doutrina da predestinação[15]”, como creem alguns, pois cada caso é um caso e os propósitos divinos estão muito acima do nosso entendimento (Is 55:8,9).

14 - Um livramento inesperado por meio do castigo (1:17)
    Tentemos imaginar a sensação física e emocional de Jonas quando deixou de sentir as mãos dos marinheiros que o levantaram e começou a ter um calafrio com seu corpo em queda livre até percebe-lo tocando e afundando nas águas frias do mar mediterrâneo e, de repente, sem entender o que estava acontecendo, se ver sendo abocanhado e engolido por um grande peixe. Deve ele ter pensado que esse fosse o seu trágico fim; pelo menos nos primeiros momentos, ele não deve ter imaginado que poderia sair dali com vida.
    Nem sempre o livramento vem com aparência de salva-vidas como imaginamos, pois, muitas vezes nosso Salvador nos dá uma apertadinha nas entranhas de algum peixe para valorizarmos mais nossa liberdade quando sairmos de lá (Lc 7:41-43,47). Não foi o amor a Deus que levou Jonas para lá, mas foi o amor de Deus que o colocou lá (Hb 12:6,7).


[1]Acã: Significa “Perturbador”. Foi um dos soldados da tribo de Judá. Havia desrespeitado a palavra de Deus durante a batalha de Jericó (Js 6:18,19). Em vez de destruir as coisas proibidas e entregar os metais preciosos para o tesouro de Deus, ele levou algumas coisas para a tenda dele. Escondeu uma capa babilônica, um pouco mais de 2 kg de prata e cerca de 500 gramas de ouro. A consequência foi muito grave: além dos 36 homens mortos na batalha, ele e toda a sua família com todas suas posses foram destruídas.
[2]Zerá: Significa "Broto" ou "Nascente". A Bíblia relata a existência de seis homens com esse nome: 1) um filho de Reuel e neto de Esaú, um dos nobres dos edomitas (Gn 36:13); 2) irmão gêmeo de Perez, filhos de Judá e Tamar; descendentes são chamados de zeraítas, ezraítas e izraítas (Gn 46:12); 3) filhos de Simeão; também chamado de ‘Zoar’ (1º Cr 4:24); 4) um levita gersonita, filho de Ido de Adaías (1º Cr 6:41); 5) o etíope ou cuxita, invasor de Judá no reinado de Asa que derrotou os invasores. Provavelmente o mesmo que o rei egípcio Ursaken I, segundo rei da 22a. dinastia egípcia, ou, talvez, mais provavelmente Usarken II, seu segundo sucessor (2º Cr 14:9-15); 6) um líder edomita (Ne 14:24).
[3]Cunha: Barra.
[4]Vale de Acor: Significa "inquietação", "distúrbio"). É o vale onde Acã e sua família foram apedrejados (Js 7:2-26).
[5]Creta: Ilha do mar Mediterrâneo (At 27:7-21). Nessa ilha Paulo e Tito fundaram uma igreja (Tt 1:5-14).
[6]César: Nome de uma família romana, da qual Caio Júlio César foi o membro mais famoso. Com o tempo, "César" se tornou o título oficial dos imperadores romanos (Lc 20.25). No Novo Testamento são mencionados quatro césares: Augusto, Tibério, Cláudio e Nero.
[7]Eunuco: Homem castrado que servia de guarda das mulheres do seu dono (Et 2:3). Eram também chamados de eunucos alguns altos funcionários de confiança dos reis, quer esses funcionários fossem castrados ou não (At 8:27). Tradicionalmente, no Oriente é um guardião de mulheres, principalmente nos haréns. Muitos já nascem com problemas congênitos - um mal desenvolvimento dos testículos - proporcionando baixa ou nenhuma potência sexual impossibilitando uma vida conjugal normal e a geração de filhos. Os que nascem nessa condição podem ser considerados transexuais, porém, isso nada tem a ver com homossexualismo ou opção sexual.
[8]Ester: Significa "Estrela". Prima e filha adotiva de Mordecai (Mardoqueu). Ela é a personagem central do livro que recebeu o seu nome (Et 2:15). Uma judia que se casou com o rei Assuero logo após sua separação da rainha Vasti. Apelou ao rei pelo livramento dos judeus, os quais haviam sido sentenciados à morte por um ministro chamado Hamã.
[9]Mardoqueu: Significa "Pequeno Marduque", um deus babilônico. Primo e pai adotivo de Ester, que havia sido deportado de Judá para Susã (Et 2:5-7).
[10]Assuero: Na Bíblia são encontrados dois homens com esse nome: 1º) Pai de Dario, o medo (Dn 9:1); 2º) Nome hebraico de Xerxes, rei da Pérsia, que reinou de 485 a 465 aC. (Ed 4:6) e se casou com Ester (Et 2:1-18).
[11]Hamã: Um ministro do rei Assuero da Pérsia e quis exterminar o povo judeu que ficara sob tal domínio após a queda da Babilônia. Hamã manifestou essa intenção quando um judeu chamado Mardoqueu recusou-se a prestar honras ao rei Assuero e aos deuses persas. Hamã conspirou contra Mardoqueu e planejou o massacre do seu povo (judeus). É neste contexto que Hamã consulta o deus Pur; logo depois, Hamã vai até a presença do rei para convencê-lo do massacre, alegando que os judeus eram um grande povo que não respeitava os decretos do rei. O rei, então, é enganado, e lança o decreto do extermínio (cujo texto só é encontrado na versão grega), marcado para o dia 13 de Adar, o duodécimo e último mês do calendário hebraico. É a partir daqui que se cria uma grande tensão. Mas, graças à Rainha Ester, o massacre foi impedido e Hamã acabou pendurado juntamente com toda a sua família na forca que ele havia preparado para Mardoqueu. Os judeus comemoram aquela data como o feriado do Purim.
[12]Dissolutamente: Desregradamente: sem regra; sem controle, sem limites. Com lascívia, perversão, imoralidade.
[13]Bolota: Alfarroba (vagem grande produzida pela alfarrobeira. Sua polpa, doce e nutritiva, é usada como alimento para animais, inclusive os porcos).
[14]Zaqueu: Chefe dos publicanos um funcionário público muito mal visto por ser cobrador de impostos do Império Romano. Teve um encontro histórico com Jesus (Lc 19:1-10).
[15]Predestinação: Escolha; destinação; eleição (Rm 8:29-30; Ef 1:5,11; 1ª Pe 2:9,10). Expressões referentes à Igreja de modo coletivo e não individual.