terça-feira, 20 de setembro de 2011

Devemos colocar a vontade do Senhor acima da nossa

Andar sob a vontade do Senhor 
não é lhe dizer o que quer dEle, 
mas sim dizer-lhe: "O que 
Senhor quer de mim?"
    Mt 6:10 - Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. Colocar a vontade de Deus acima da nossa é um fator determinante para que nossas orações sejam atendidas. Mas antes de entrarmos nessa questão, precisamos entender uma coisa muito importante: o que significa a expressão “venha o teu reino”? Analisando cuidadosamente o texto podemos concluir o seguinte: essa é uma referência espiritual ao Reino de Deus, o qual foi anunciado na aliança com Abraão (Mt 8:11; Lc 13:28), está presente no reinado de Cristo dentro do coração de cada crente (Lc 17:21) e será completamente estabelecido quando Jesus vier buscar a sua Igreja (Ap 21:1,2[1]). Isso significa que quando dizemos “venha o teu reino” estamos clamando a Deus pela nossa vida espiritual, ou seja: estamos pedindo mais unção[2] sobre a nossa vida: dons, poder, autoridade, capacitação, condições e coragem para fazer a sua obra, e intercedendo tanto pela nossa salvação como pela salvação de outras pessoas.
Mesmo com esse mundo
vivendo sob forte influência
do poder maligno, Deus
continua no controle de
tudo e sabe o que é melhor
para nós

O nome de Deus sempre deve ser glorificado em nossas orações

Oração é mais do que petição;
oração é adoração!
    Mt 6:9 - Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Não é implicância não, mas antes de mais nada, vou, mais uma vez ressaltar o seguinte: esse ensinamento de Jesus conhecido como a Oração do Pai Nosso é um modelo de oração e não uma seqüência de palavras mágicas que tenha que ser repetida várias vezes ou recitada antes de cada oração, como se fosse uma espécie de senha para que as portas da bênção possam se abrir. Mas, antes que alguém me xingue, continuemos:
Boa educação é essencial para
se conseguir algo diante do homem,
e reverência é essencial para se
conseguir algo diante de Deus.
    Quando vamos nos encontrar com alguém importante com quem precisamos falar, qual é a nossa maior preocupação? Causar uma boa impressão, certo? Ensaiamos bem o que vamos dizer, colocamos a melhor roupa, passamos o perfume mais cheioroso e, chegando ao local do encontro, enquanto esperamos, reensaiamos o que vamos dizer, damos uma raspadinha na garganta pra voz sair legal e, tremendo de nervosismo, batemos a porta com o máximo de cuidado possível. E qual é a primeira coisa que fazemos quando estamos na frente da pessoa? Com uma delicadeza sobre-humana, cheios de estilo e gentilezas, assim como mandam os básicos princípios da boa educação, a cumprimentamos, espontaneamente a elogiamos e, geralmente, mesmo não achando graça de nada, ainda nos esforçamos para esboçar nem que seja um sorrisinho amarelo, né não? Mas por que tudo isso? Por que estamos diante de alguém que, pelo menos por aquele momento, é superior a nós e dependemos de uma resposta dele para alguma coisa: seu “sim” ou “não” pode ser fundamental para que consigamos conquistar nosso objetivo. Agora raciocina comigo: se diante do homem agimos com tanto respeito mesmo que ele não mereça, por que diante de Deus, muitas vezes, chegamos de qualquer maneira querendo que Ele nos ouça a qualquer custo? Muitas orações não são ouvidas por falta de reverência. Sempre que nos dirigirmos a Ele deveremos nos lembrar de tratá-lo como Ele verdadeiramente merece ser tratado (Sl 96:8,9).
Quando reconhecemos nossa
fragilidade e exaltamos o nome
do Senhor em nossas orações,
os céus se abrem em nosso
favor
    Deus está no céu, nós estamos na terra (Is 55:9); Deus é Criador, nós somos criatura (Hb 4:13[1]); Deus é Pai, nós somos filhos (2ª Sm 7:14); Deus é Senhor, nós somos servos (Cl 4:1); Deus é soberano, nós somos subordinados[2] (Sl 76:7,12); Deus é infinitamente poderoso, nós somos extremamente limitados (Pr 16:8); Deus é perfeito, nós somos falhos (2ª Sm 22:31)... De que outra maneira poderíamos nos apresentar diante de tão excelsa[3] personalidade, senão com total reverência e respeito? Pare nesse instante para refletir: se sempre queremos ser bem tratados e também nos preocupamos com a maneira como estamos agindo em relação as outras pessoas, como estamos agindo perante o Senhor? De fato, sabemos que Ele é onisciente, onipresente e onipotente, porém seus atributos pessoais também expressam sentimentos iguais aos nossos como por exemplo a tristeza (Ef 4:30) e a ira (Rm 1:18). Sabendo disso, não seria bom examinarmos com mais cuidado nossas atitudes na vida cotidiana e também o nosso comportamento diante dEle?
Uma das melhores formas de
glorificar o nome de Deus é
orar com o coração
arrependido e disposto a se
consertar diante dEle
    Santidade é uma das características mais notáveis na pessoa de Deus. E Ele quer que reconheçamos isso em nossas orações. No entanto, mais do que reconhecer, o nosso dever, por termos sido criados a sua imagem e semelhança (Gn 1:26,27), é buscar viver em santidade[4] (Lv 20:7,8[5]) por mais que sejamos fracos, falhos e errantes em nosso caminho (Mc 14:38). É claro que pela lógica natural isso parece ser impossível, mas dentro do âmbito[6] espiritual, ser santo significa ser separado, ou seja: por mais que estejamos vivendo num mundo conturbado e perdido na corrupção do pecado (Jo 17:15), não devemos nos deixar ser contaminados por esses males e procurarmos sempre ter uma vida voltada a cumprir a vontade de Deus (Rm 12:2). Cometer erros é inevitável, mas permanecer neles conscientemente é intolerável. Só que nada está perdido desde que nos voltemos ao Senhor suplicando por perdão através de sua grandiosa misericórdia (Sl 130:1-4). Quando buscamos ser perfeitos em nossos caminhos (Mt 5:48) estamos honrando ao nosso Criador, e nada mais justo do que lembrarmos seus maravilhosos atributos também em nossas orações (Sl 30:1,2).



[1]Patente: Aberto, acessível, franco. Claro, manifesto, evidente.
[2]Subordinado: Aquele que recebe ordens de outro; quem recebe a lei de outro. Quem ou quem está ligado a alguma coisa ou tem conexão com ela. Quem tem apenas um papel secundário em relação a outro. Inferior, secundário, subalterno.
[3]Excelso: Alto, elevado. Egrégio, grandioso, sublime. Ilustre. Magnificente, maravilhoso, portentoso.
[4]Santidade: Atributo de Deus (Pai, Filho e Espírito) pelo qual ele é moralmente puro e perfeito, separado e acima do que é mau e imperfeito (Êx 15.11; Sl 29.2; Hb 12.10). Qualidade do membro do povo de Deus que o leva a se separar dos pagãos, a não seguir os maus costumes deste mundo, a pertencer somente a Deus e a ser completamente fiel a ele (1Ts 3.13). No AT, separação de coisas ou pessoas para Deus e para o culto. Eram santos os sacerdotes (Lv 21.6-8), os nazireus (Nm 6.5-8), Canaã (Zc 2.12), Jerusalém (Is 52.1), o Templo (Sl 11.4), os altares, o óleo e os utensílios do culto (Êx 30.25-29), os sacrifícios (Êx 28:38), etc.
[5]Santo: (Latim: sanctu) Separado. Que obteve no Céu a recompensa prometida aos que observam os ensinamentos evangélicos; bem-aventurado, eleito. Que vive conforme a lei de Deus; que inspira benevolência e piedade; bondoso; que cumpre com todo o escrúpulo, com a maior exatidão, os seus deveres religiosos e morais; virtuoso. Com o caráter de santidade; dotado de santidade. Que se refere à religião ou ao rito sagrado. Consagrado ao culto, à divindade; sagrado. Digno de respeito e veneração pelo seu caráter, talento e virtudes. Que é digno de respeito; quem o desrespeita comete um ato de profanação. Que não faz mal a ninguém; ingênuo, inocente, simples. Benéfico, profícuo, útil.
[6]Âmbito: Circuito, circunferência, recinto. Campo de ação; esfera.

Jonas Martins Olímpio

Deus conhece as nossas necessidades

O homem pode remediar as 
dores, mas só Deus pode 
curar definitivamente as
feridas.
    Mt 6:8 - Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes. Nosso Pai manda que não nos assemelhemos aos idólatras porque Ele é onisciente, ou seja: nos conhece profundamente e não precisa que o avisemos ou que o lembremos a todo momento repetidamente sobre aquilo que precisamos. Antes de abrirmos nossa boca, Ele já sabe o que vamos dizer (Mt 6:31-32). Mas se é assim, por que precisamos orar então? Observe bem: a oração não é um simples ato de pedir. Ela é muito mais do que isso e envolve uma série de coisas. Vejamos algumas delas: precisamos orar para termos comunhão com Deus (Jo 15:16), sentir a sua presença (Sl 51:10,11), edificar nossa vida espiritual (Lm 5:21), admitir que somos frágeis e dependentes dEle (Jó 40:3-5), ouvir a sua voz (Sl 86:6,7), expressar gratidão por tudo o que Ele nos faz (Cl 4:2) e nos achegar diante dEle de forma reverente[1] (Sl 89:15-17,26,27[2]).
A oração transporta nosso
espírito para perto de Deus
fazendo com que sintamos a
sua presença
    Mas a questão é: se Ele sabe que temos estes sentimentos, por que ainda precisamos orar? Então vamos analisar tudo isso mais detalhadamente: Em qualquer situação difícil, qual é a atitude mais provável de um crente? Orar, não é mesmo? Quando oramos é como se entrássemos em um lugar diferente: um lugar aonde nos sentimos bem. E, independente da situação e dos problemas que estejamos enfrentando, não há melhor lugar para nos sentirmos bem do que diante do trono de Deus, pois ali alcançamos paz, conforto, carinho, alívio, esperança, compreensão e estímulo para continuar a caminhada sem desfalecer. A oração não é um grito de socorro que serve para avisar a Deus que estamos com dificuldades, mas é um remédio que alivia a dor da alma quando com toda fé e confiança entregamos tudo nas mãos do Único que tudo pode resolver (Sl 55:22). Através da oração alcançamos não somente a solução daquele problema pelo qual estamos orando, mas alcançamos também bênçãos espirituais que nos elevam a um nível tão alto que não se compara a solução de qualquer problema terreno. Deus se agrada daqueles que se prostram[3] diante dEle, pois isso é prova de amor, e para esses Ele tem bênçãos muito além das que estão sendo pedidas (Ef 3:19-21; 1ª Co 2:9-12,16).
    Como bem sabemos, a Bíblia não cai em contradição, e se em
Quando oramos com uma alma
pura, como que tendo um coração
de criança, Deus nos vê como
filhos e sentimos suas mãos sobre
nós trazendo a proteção e o
carinho de um Pai.
Filipenses 4:6 está escrito que nossas petições devem ser conhecidas diante de Deus, não é que Ele não conheça nossas necessidades, mas sim que devemos orar por ser essa uma forma de nos mantermos ligados a Ele demonstrando nossa gratidão por tudo que Ele fez, faz e continuará fazendo em nossa vida Veja só como está escrito esse versículo na tradução NTLH
[4]: Não se preocupem com nada, mas em todas as orações peçam a Deus o que vocês precisam e orem sempre com o coração agradecido”. E diz ainda, conforme os versículos seguintes, que assim a paz excederá[5] no nosso coração por estarem os nossos sentimentos guardados em Cristo Jesus. E fala também para mantermos nosso pensamento ligado a tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama, que tenha virtude e louvor. Pois todas essas coisas, as quais aprendemos, recebemos, ouvimos e vemos nos verdadeiros cristãos devemos também colocar em prática, porque é assim que podemos dizer que realmente Deus está em nossa vida (Fp 4:7-9). E de que outra maneira vão predominar em nossa mente pensamentos virtuosos[6] como esses senão através da oração? Quando vivemos ocupados com as coisas espirituais, os nossos problemas, os quais Deus conhece muito bem, são resolvidos porque estamos confiando plenamente naquEle que fez a promessa e é fiel para cumpri-la (Fp 1:6). Você crê e confia no poder e na misericórdia[7] de Deus sobre a tua vida (Lc 13:3,4,16[8])? Então por que se deixar abater pelas preocupações? Humilhe-se perante o Senhor porque é Ele quem cuida de você (1ª Pe 5:6,7)!




[1]Reverência: Respeito com temor, veneração, consideração; honra.
[2]Primogênito: Primogenitura, segundo a Bíblia, é o fato de que  a primeira cria de um animal, como os primeiros frutos das árvores deviam ser oferecidos ao Senhor no santuário, em agradecimento pelo dom da vida. A mesma lei se aplicava ao primeiro filho do casal: ele era considerado propriedade do Senhor (Êx 13,2; 22,29). Mas como sacrifícios humanos eram proibidos, os pais, depois de oferecer o menino no templo, o resgatavam mediante uma oferta material. Esse costume devia lembrar aos israelitas a noite do êxodo, quando Deus fez morrer os primogênitos dos egípcios, ao passo que preservou os filhos dos israelitas (Êx 12,29). Ao filho primogênito cabiam os direitos de primogenitura, como dupla herança (Dt 21,17), supremacia entre os irmãos e chefia da família (Gn 27,29.40; 49,8). Jesus é o "primogênito de toda criatura" (Cl 1,15; Hb 1,6) em razão da supremacia que o Pai lhe concedeu entre os homens (Rm 8,29).
[3]Prostrar: Curvar, humilhar, abater.
[4]NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
[5]Exceder: Se destacar, predominar, prevalecer.
[6]Virtuoso: Aquele ou aquilo que tem virtude.
[7]Misericórdia: Bondade (Js 2:14). Bondade, amor e graça de Deus para com o ser humano, manifestos no perdão, na proteção, no auxílio, no atendimento a súplicas (Êx 20:6; Nm 14:19; Sl 4:1). Essa disposição de Deus se manifestou desde a criação e acompanhará o seu povo até o final dos tempos (Sl 136:1-23; Lc 1:50). Virtude pela qual o cristão é bondoso para com os necessitados (Mt 5:7; Tg 2:13).
[8]Alforge: (Árabe: al-Hurj) Bissaco (dois sacos) de couro, com abertura entre os dois compartimentos, pela qual se coloca no arreio, na sela ou nos ombros.

Jonas Martins Olímpio

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

As orações não podem ser decoradas, têm que sair do coração

Por que perder tempo repetindo 
palavras decoradas, se podemos 
conversar abertamente com 
nosso Pai dizendo
palavras que saem do profundo 
do nosso coração?
    Mt 6:7 - E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.
    Os gentios[1] de antigamente tinham o ingênuo costume de repetir insistentemente “frases de efeito” além de também fazerem sacrifícios de auto-mutilação achando que assim receberiam algo de suas divindades (1ª Rs 18:26-29). Imagina só: frases decoradas sendo pronunciadas por várias vezes seguidas, penitências[2] impostas de acordo com cada necessidade, reverências[3] e clamores praticados diante de imagens de escultura. Isso te lembra algo nos dias atuais? Embora essas práticas sejam condenadas por Deus, esses costumes pagãos[4] prevalecem atualmente não somente entre povos sem o conhecimento do Evangelho -como os hindus e os indígenas, por exemplo-, mas também entre muitos dos que professam a fé cristã. É muito comum, quando a pessoa comete um erro que considera grave ou quer alcançar alguma bênção, procurar um padre e ser orientada por ele a rezar[5] tantas “ave-marias”, não sei quantos “pais nossos” e inúmeras outras orações já previamente preparadas para cada ocasião. Mas a oração não é uma terapia[6] e nem tampouco um modo de comover o Senhor através do sofrimento pelo sacrifício de repetir várias vezes as mesmas frases, ou de andar quilômetros com uma cruz nas costas e subir as escadas de uma igreja de joelhos, por exemplo. Para sermos ouvidos por Ele devemos ter intenções sinceras em nosso coração. Não é o respeito as tradições religiosas ou as confissões positivas que saem de nossa boca que o convencerão a nos abençoar (Lc 18:13,14).
Muitos caminham em
vão achando que estão
no caminho certo por
seguirem líderes que não
as ensinam a ter uma
verdadeira intimidade
com Deus.
    Já que comecei a falar da penitência na oração como sacrifício, não posso deixar de dizer uma coisa de extrema importância: os sacrifícios não são exigidos por Deus (Dt 23:21,22; Ec 5:1,4,5; 1ª Sm 15:22), e eles só devem ser praticados voluntariamente e com equilíbrio, humildade e sabedoria (Dt 23:23; Mt 6:16-18). Antes de prosseguir, preciso ressaltar o cuidado que se deve ter para não confundir vãs repetições com perseverança[7] na oração. Pois a Palavra de Deus nos manda orar sem cessar (1ª Ts 5:17). Orar sem cessar significa ter uma vida de constante oração, a qual nos mantém em contato e comunhão com Deus. Vãs repetições são o ato de repetir palavras como que por instinto, muitas vezes sem nem mesmo saber o significado ou a procedência delas.
Um dos maiores problemas do
cenário evangélico atual é que
muitos dos que têm o poder da
Palavra, o usam para ensinar os
fiéis a serem meros "papagaios
espirituais", e assim os controlam
segundo a sua vontade.
    Mas será que são só os católicos ou os praticantes de religiões não-cristãs que se utilizam de vãs repetições em seus momentos de adoração? Pois em nosso próprio meio -nós, os evangélicos pentecostais- o que tem predominado ultimamente são as apelativas e constrangedoras frases de efeito. Estou me referindo a frases do tipo: “Olhe para o irmão que está do seu lado e repita comigo: ‘Você é mais que vencedor!’; ‘Profetizo prosperidade em sua vida!’; ‘Dá glória a Deus porque crente que não faz barulho tem defeito de fabricação!’; ‘Faça sua oferta do sacrifício porque sem fé é impossível agradar a Deus!’”. Sabe por que está acontecendo isso? Por parte do povo é falta de Bíblia (Os 4:6; Pr 1:30-32) e por parte desses tais pregadores é abuso de “autoridade” (Jr 2:8). Pois quem conhece e respeita as Sagradas Escrituras sabe muito bem que mais que vencedores são aqueles que obedecem a Palavra (Rm 8:35-37); as profecias não podem ser produzidas por vontade de homem algum (2ª Pe 1:20,21); não adianta honrar a Deus com os lábios se o seu coração estiver longe dEle (Mc 7:5-9); O Senhor está atento ao ofertante e não ao valor de sua oferta (Mc 12:41-44). Responda com sinceridade: de que adianta declarar que alguém é vencedor sem saber se ele está espiritualmente de acordo com os mandamentos e dentro dos propósitos divinos? Como podemos profetizar prosperidade ou qualquer outra coisa sem que Deus nos mande profetizar? Será que quando glorificamos a Deus em voz alta por termos sido constrangidos a isso é agradável ao Senhor? Pode uma pessoa com o coração magoado, cheia de ira e levando uma vida em desacordo com as santas escrituras ser abençoada somente por sua contribuição financeira, sendo que ela somente contribui por interesse? Essas frases de efeito, mesmo que ditas sem maldade, não contribuem plenamente para a edificação da alma do ouvinte, não colaboram para a melhora de sua vida cotidiana, não exaltam ao nome do Senhor e nem impulsionam a obra de Deus ao crescimento. Elas são utilizadas para mexer com o lado emocional do público e fazê-lo se alegrar, pular, gritar, chorar e obedecer o elemento que está armado com o microfone nas mãos. Esboçar tais emoções nem sempre significam sentir a presença de Deus, pois essas mesmas reações os ímpios também expressam num estádio de futebol, num capítulo da novela, diante de uma notícia que causa revolta, no término de um relacionamento amoroso, durante uma festa, enfim, em qualquer situação, pois são reações próprias do ser humano causadas pela adrenalina[8] estimulada pelo seu intelecto através de mensagens exteriores absolvidas pelos seus sentidos naturais (visão, olfato, paladar, audição e tato). É claro que essas atitudes também podem expressar nossas emoções quando sentimos a presença de Deus, mas não podemos nos esquecer do seguinte detalhe: nem todo barulho é sinônimo de poder, porque ele pode estar apenas sendo causado pela habilidade persuasiva[9] do orador. E seus objetivos em tais atitudes são quase sempre os mesmos: agradar a maioria, obter status[10], conquistar aplausos e, principalmente, obter retorno financeiro: e isso independentemente de eles estarem agindo com maldade ou por ingenuidade. Porém, esses tais pregadores deveriam repensar e ter mais cuidado com suas atitudes porque com Jeová não se brinca e ai daquele que desmerecer os verdadeiros anunciadores do Evangelho querendo gananciosamente satisfazer seus próprios interesses (At 5:34-38[11]).
Não importa quais palavras
usemos, os ouvidos de Deus
estarão sempre prontos a ouvir
as palavras que saem do nosso
coração.
    Outra questão interessante ainda dentro desse assunto são as prolongadas orações feitas por alguns irmãos que acham que se orarem por poucos minutos ou apenas durante alguns segundos não serão atendidos por Deus. É preciso entendermos uma coisa: para Ele agir, basta uma palavra apenas (Mt 8:5-8[12] [13])! É claro que não se pode negar que há bênçãos que demoram e as vezes precisamos orar durante meses ou anos para alcançá-las, mas o importante é saber que cada oração, individualmente, não precisa ser cronometrada, pois esse fator não é determinante para o sucesso ou o fracasso de nosso clamor.
    Realmente, de acordo com
Devemos lutar contra qualquer
tipo de idolatria, começando com
as que estão inseridas em nosso
meio.
a Palavra, não é pelo muito falar que alguém será ouvido. Repetir frases não significa ter fé e devoção ao Todo-Poderoso, muito pelo contrário, isso é demonstração de idolatria
[14] e falta de conhecimento, e essas coisas despertam a sua ira. Em nosso país, desde que nascemos, somos ensinados a seguir a tradição do papagaiaísmo, ou seja: não é preciso raciocinar, basta repetir o que aprendeu. Precisamos ter cuidado com isso e eliminar essas práticas de nossos rituais de adoração e clamor. Digo isso me referindo ao próprio meio evangélico. Mas será que existe isso em nosso meio? Existe sim! Quer um exemplo? Há crentes sempre que iniciam uma oração têm que recitar[15] o Pai Nosso, sendo que essa oração ensinada por Jesus não é para ser repetida, mas sim servir de modelo sobre como devemos orar. Quando repetida, ela se torna nada mais nada menos do que uma simples reza. Não posso dizer que esses crentes estejam pecando por isso, porém somente são abençoados pela misericórdia de Deus, e o que está lhes faltando é buscar mais sabedoria porque não basta crescer no poder espiritual, adquirir dons e ser tremendamente usado nas mãos do Senhor, é preciso crescer também no conhecimento (2ª Pe 3:18).



[1]Gentio: Qualquer povo fora de Israel. Quem segue o paganismo. Quem não é civilizado. Grande quantidade de gente.
[2]Penitência: Arrependimento de haver ofendido a Deus. Pena imposta pelo confessor. Um dos sete sacramentos da Igreja Católica. Qualquer sacrifício para expiação de pecados (jejuns, orações etc.). Castigo. Incômodo, tormento.
[3]Reverência: Respeito com temor, veneração, consideração; honra.
[4]Pagão: Relativo ao paganismo ou politeísmo. Adepto do paganismo. Diz-se de toda religião ou pessoa que não seja cristã nem judaica. Maometano, em relação aos cristãos, e herético, em relação aos católicos. Animal xucro, ainda não montado, ou nos primeiros galopes da doma. O que segue uma religião nativa, não cristã nem judaica, caracterizada pelo politeísmo e pela superstição. Pessoa não batizada, ou que não segue o catolicismo.
[5]Reza: Ação ou efeito de rezar. Oração ou série de orações decoradas e repetidas várias vezes, recitadas por dever, ou por livre vontade e devoção, em família ou na igreja. Conjunto de orações recitadas durante o velório, de permeio com fórmulas supersticiosas, em sufrágio da alma do falecido.
[6]Terapia: É a parte da medicina que estuda e põe em prática os meios adequados para aliviar ou curar os doentes.
[7]Perseverança: Permanência num estado ou numa atividade, mesmo em caso de oposição ou fracasso (Ef 6:18; Mc 13:13; Rm 2:7).
[8]Adrenalina: Princípio ativo e hormônio principal elaborado pela parte medular das glândulas supra-renais e libertado pela excitação das fibras nervosas simpáticas pós-ganglionares. É um potente vasoconstritor e hipertensor; adnefrina, epinefrina.
[9]Persuadir: Capacidade de convencer. Levar ou induzir a fazer, a aceitar ou a crer.
[10]Status: Posição do indivíduo no grupo  determinada pelas relações com todos os outros membros através de competição consciente. Posição legal de um indivíduo. Condição, situação.
[11]Fariseus: [Hebr.] Separados. Judeus devotos ao Pentateuco. Participavam das reuniões legislativas da sinagoga. Formavam um grupo de fanáticos e hipócritas (o que não era o caso de todos, pois haviam exceções, como era o caso de Gamaliel que defendeu os apóstolos que estavam presos por pregarem a Palavra (At 5:34-38)) que se opuseram duramente contra Jesus Cristo. Segundo a história, nessa época, eles eram aproximadamente 6 mil pessoas.
[12]Centurião: Chefe de uma centúria (grupo de cem homens) na milícia romana.
[13]Criado: Servo. Empregado que faz o serviço doméstico. Alguns eram contratados e outros já nasciam dentro da casa do patrão e eram tratados como membros da  família.
[14]Idolatria: Adoração de Ídolos. Deus proíbe a adoração de qualquer imagem, seja de um deus falso ou do Deus verdadeiro (Êx 20:3-6). As nações que existiam ao redor de Israel eram idólatras, e Israel muitas vezes caiu nesse pecado (Jr 10:3-5; Am 5:26-27). Entre outras, eram adoradas as imagens de Baal, Astarote e Moloque e o Poste-ídolo.
[15]Recitar: Dizer ou ler uma composição literária, em prosa ou em verso em voz alta e declamatória.

Jonas Martins Olímpio

Nossas orações só devem ser ouvidas por Deus

Oração é um momento de 
intimidade, um ato de 
intimidade perde o seu valor 
se for visto ou ouvido por 
todos ao seu redor
    Mt 6:6 - Mas tu, quando orares, entra no teu aposento[1] e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará. Aqui a Palavra está mais do que clara: Ele manda entrar em um quarto isolado, fechar a porta e falar com Deus a sós, pois Ele vê o que está oculto. Isso serve para nos mostrar o quanto a nossa humildade é importante diante do Senhor. Se eu sou um homem de oração, não é preciso todo mundo saber disso. Além do mais, há coisas em nossa vida que só podemos falar mesmo com Deus e com mais ninguém. Imagine se alguém ouvir segredos que estão guardados no profundo do teu coração. Isso seria muito embaraçoso, não é mesmo? Os sentimentos e os pensamentos humanos, na sua grande maioria, são muito confusos, sem sentido, incontroláveis, maldosos e constrangedores. Há coisas que, por mais sinceros que sejamos, não somos obrigados a contar a ninguém, porque o ser humano nem sempre nos entende e dificilmente pode ou quer realmente nos ajudar (Sl 38:8-11[2]). Só há um ser em

Deus não recebe orações feitas com hipocrisia

Podemos esconder dos homens 
os nossos pensamentos os 
nossos sentimentos, mas de 
Deus jamais conseguiremos 
esconder nada!
    Mt 6:5 - E, quando orares, não sejas como os hipócritas[1], pois se comprazem[2] em orar em pé nas sinagogas[3] e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão[4]Uma das coisas que mais nos afastam de Deus é a hipocrisia. Mas o que é hipocrisia? Imagine uma pessoa que somente se aproxime de você por interesse: ela diz que te ama, mas não te respeita como uma pessoa que ama verdadeiramente deveria respeitar. E, além do mais, se gloria pelas coisas que conseguiu às suas custas. Revoltante, não? A falsidade é uma das piores coisas que podemos enfrentar, porque um sujeito falso é dotado de más virtudes como fingimento, traição, covardia, egoísmo e falta de amor. Se isso causa tristeza e indignação em nós que somos limitados e simples seres humanos, imagine só em Deus que tudo sabe e tudo vê. Como sabemos, o Espírito Santo se entristece com nossas palavras torpes[5] e com nossas atitudes insensatas (Ef 4:29-31), e essas coisas provocam a ira de Deus (Ef 5:6). Devemos refletir diariamente se estamos sendo sinceros e justos em nossas atitudes, palavras e até pensamentos.
Tanto diante de Deus
quanto diante dos homens
devemos nos guardar de
usarmos palavras
arrogantes e soberbas
em nossas orações
    Aqui Jesus nos orienta a quando orarmos não sermos como os hipócritas. Se Ele teve a preocupação de dizer isso é porque realmente os hipócritas não lhe agradam. Sabe como agiam muitos dos homens naquela época? Imagine a cena: uma pessoa orando num lugar público, dizendo em voz alta palavras que exaltam a si mesmo e menosprezando pela aparência aqueles que pareçam não ter a sua mesma espiritualidade (Lc 18:11), usando largos filactérios[6] e roupas que o identifiquem como servo do Senhor, agindo de uma forma que chame a atenção para que todos vejam e acreditem que ali está um verdadeiro homem de Deus! Pois essa era uma rotina muito comum de muitos religiosos daquela época (Mt 23:5-7[7]). Porém, essas atitudes foram duramente repreendidas pelo nosso Mestre (Mt 23:8-10). Mas, e hoje? Será que a realidade está diferente? Infelizmente, não! Esse tipo de ação só está sendo praticado de forma diferente: ao invés de sinagogas e esquinas de praças, hoje estão usando púlpitos de grandes templos, palcos de ginásios e estádios lotados, canais de televisão, emissoras de rádio e todos os demais meios de comunicação de fácil acessibilidade existentes no momento. Muitos dos que são -e muitos que dizem ser- usados pelo Senhor através dos dons de oração, fé, cura e operação de milagres têm transformado isso num grande show de exibição pública com o objetivo de se auto-promoverem e serem bem-sucedidos financeiramente. Não preciso nem dizer o quanto essas atitudes são repugnantes diante de Deus (At 8:9-23; 2ª Rs 5:1,9,10,14-16,21-27). Há também os crentes que agem soberbamente as vezes até por ingenuidade, como por exemplo: Aqueles que constantemente oram e jejuam e fazem questão de dizer isso publicamente; Aqueles que se levantam de madrugada e oram em voz alta a ponto de incomodar os familiares e até os vizinhos; Existem outros que quando chegam à igreja se ajoelham pra orar e em seu clamor somente usam de palavras que exaltam as suas próprias virtudes; E ainda há os que quando testemunham nunca deixam de destacar sua grande capacidade espiritual citando arrogantes frases como: “Quando eu oro, o milagre acontece!”, “Oro todas as madrugadas por pelo menos uma hora!”, “Deus somente não me deu esse negócio porque eu ainda não pedi!”, “Quando eu impor as minhas mãos, vocês vão sentir o poder de Deus!”, “Sou isso, sou aquilo, eu faço, eu aconteço...!”. Quero deixar bem claro que tais pessoas, uma vez ou outra, podem estar sendo sinceras e dizendo a verdade, porém, o que não dá pra concordar é com a forma como algumas delas usam o poder de Deus em seu benefício próprio em vez de simplesmente se deixarem ser usadas por Ele. Se nós nos incomodamos com isso, imagine como o Espírito Santo se sente, pois nem o próprio Senhor Jesus tomava esse tipo de atitude (Jo 8:54).
    O Grande Mestre disse ainda que os hipócritas já receberam o seu
O galardão dos hipócritas se
resume em falsos aplausos e
elogios, mas o galardão dos
humildes é a verdadeira
exaltação que vem
diretamente de Deus.
galardão. Mas o que seria esse galardão? A fama, os aplausos, a admiração, a posição ministerial, o status social, o dinheiro, enfim, todas as coisas que puderem alcançar nessa terra e até mesmo as bênçãos espirituais alcançadas através dos dons espirituais que lhes foram concedidos pelo Espírito Santo. E Jesus deixou bem claro que devemos cuidar em primeiro lugar das coisas espirituais porque das materiais o nosso Pai Celestial está cuidando (
Mt 6:31-34) e que por mais que sejamos usados por Ele, o importante é preservarmos a nossa salvação (Lc 10:19,20), porque não devemos nos vangloriar naquilo que não nos pertence (Gl 6:14). A hipocrisia é um pecado tão grave que muitos dos que se julgam salvos pelo fato de serem bem vistos e poderosamente usados nas mãos do Senhor terão uma péssima surpresa naquele Grande Dia (Mt 7:21-23). O galardão dos hipócritas é dado aqui mesmo nessa terra, mas quanto aos justos, independentemente de estarem desfrutando de abundantes bênçãos materiais ou não, seu galardão será eterno (1ª Pe 3:11,12).


[1]Hipocrisia: Manifestação de fingidas virtudes. Fingimento, falsidade.
[2]Comprazer: Agradar alguém. Fazer a vontade.
[3]Sinagoga: Templo dos israelitas. Assembléia (reunião) religiosa de judeus.
[4]Galardão: Recompensa, prêmio.
[5]Torpe: Desonesto, impudico. Indecoroso, infame, vergonhoso. Indecente, obsceno. Ignóbil, sórdido. Asqueroso, nojento, repugnante. Maculado, manchado, sujo.
[6]Filactério: Tira em que se escreviam certos textos da Lei, usada na fronte ou nos braços (Mt 23:5). O filactério usado na fronte continha quatro compartimentos. Em cada um deles se colocava uma passagem da Bíblia (Êx 13:2-10; 13:11-17; Dt 6:4-9; 11:13-21). Os filactérios eram usados nas horas de oração da manhã.
[7]Rabi: Palavra Aramaica que significa Mestre (Jo 1:38; 3:2).

Jonas Martins Olímpio